sábado, 31 de março de 2007

Afinal, o Que é Ética?

"A ética é daquelas coisas que todo mundo sabe o que são, mas que não são fáceis de explicar, quando alguém pergunta". (VALLS, Álvaro L.M. O que é ética. 7a edição Ed.Brasiliense, 1993, p.7)

Segundo o Dicionário Aurélio Buarque de Holanda, ÉTICA é "o estudo dos juízos de apreciação que se referem à conduta humana susceptível de qualificação do ponto de vista do bem e do mal, seja relativamente à determinada sociedade, seja de modo absoluto".

Alguns diferenciam ética e moral de vários modos:
Ética é princípio, moral são aspectos de condutas específicas;
Ética é permanente, moral é temporal;
Ética é universal, moral é cultural;
Ética é regra, moral é conduta da regra;
Ética é teoria, moral é prática.

Etimologicamente falando, ética vem do grego "ethos", e tem seu correlato no latim " morale", com o mesmo significado: Conduta, ou relativo aos costumes. Podemos concluir que etimologicamente ética e moral são palavras sinônimas.

Vários pensadores em diferentes épocas abordaram especificamente assuntos sobre a ÉTICA: Os pré-socráticos, Aristóteles, os Estóicos, os pensadores Cristãos (Patrísticos, escolásticos e nominalistas), Kant, Espinoza, Nietzsche, Paul Tillich etc.
Passo a considerar a questão da ética a partir de uma visão pessoal através do seguinte quadro comparativo:









Ética Normativa

Ética Teleológica


Ética Situacional

Ética Moral
Ética Imoral
Ética Amoral
Baseia-se em princípios e regras morais fixas


Baseia-se na ética dos fins: "Os fins justificam os meios".


Baseia-se nas circunstâncias. Tudo é relativo e temporal.
Ética Profissional e Ética Religiosa: As regras devem ser obedecidas.
Ética Econômica: O que importa é o capital.
Ética Política: Tudo é possível, pois em política tudo vale.
Conclusão:

Afinal, o que é ética?
Ética é algo que todos precisam ter.
Alguns dizem que têm.
Poucos levam a sério.
Ninguém cumpre à risca...
© Copyright 2002 - Prof. Vanderlei de Barros Rosas - Professor de Filosofia e Teologia. Bacharel e Licenciado em Filosofia pela Universidade Estadual do Rio de Janeiro; Bacharel em teologia pelo Seminário Teológico Batista do Sul do Brasil; Pós-graduado em Missiologia pelo Centro Evangélico de Missões; Pós-graduado em educação religiosa pelo Instituto Batista de Educação religiosa.

O CRISTÃO E A ÉTICA CONTEMPORÂNEA

Pr. Elinaldo Renovato de Lima

O mundo atual é um mundo marcado pelo relativismo. O certo e o errado nunca foram tão relativos e banalizados. Na realidade, para a maioria das pessoas, o certo e o errado são meras abstrações, conceitos puramente subjetivos, em que os padrões morais, e os valores sociais estão ao sabor de cada um. Vivemos num mundo altamente individualista. Sem dúvida alguma, a filosofia do humanismo e do individualismo prevalece no contexto das relações sociais, econômicas, educacionais, e, até, na religião. Num mundo assim, como o cristão pode ver e viver a ética, fundada em valores cristãos? Não nos parece algo fácil de demonstrar. Mas, neste ensaio, desejamos contribuir para a reflexão sobre esse tema, que é ao mesmo tempo interessante e desafiador.

Conceitos fundamentais

Para escrever sobre ética, necessário se faz que alguns conceitos sejam colocados de início. O principal deles sem dúvida é o da própria ética em si. Que significa ética? A resposta, num ambiente relativista, pode ser: “Depende”. “De que ética estamos falando?” Da ética profissional? Da ética filosófica? Da ética religiosa? Da ética cristã? Mas, para efeito de raciocínio e compreensão, vamos ficar com os conceitos mais comuns da ética em geral, em nosso tempo.

Podemos dizer que “A Ética integra os seis sistemas tradicionais da Filosofia, ao lado da Política, da Lógica, da Gnosiologia, da Estética e da Metafísica. A palavra ética vem do grego, ethos, que significa costume, disposição, hábito. No latim, vem de mos (moris), com o sentido de vontade, costume, uso, regra” [1]. “De acordo com Champlin e Bentes, ética é "A teoria da natureza do bem e como ele pode ser alcançado" [2]; Para Claudionor de Andrade, é o "Estudo sistemático dos deveres e obrigações do indivíduo, da sociedade e do governo. Seu objetivo: estabelecer o que é certo e o que é errado"[3]. Esses são conceitos filosóficos do termo. O tema pretende abordar a “ética contemporânea”, que pode significar a visão ética do homem atual, envolvendo os usos, os costumes, as normas estabelecidas, os valores da sociedade.

“Para o cristão, a ética pode ser entendida como um conjunto de regras de conduta, aceitas pelos cristãos, tendo por fundamento a Palavra de Deus. Para os que crêem em Jesus Cristo, como Salvador e Senhor de suas vidas, o certo ou o errado devem ter como base a Bíblia Sagrada, considerada como "regra de fé e prática", conforme bem a definiram Lutero e outros reformadores” [4].

Um peixe fora d´água?

Certo comerciante cristão me confidenciou, numa viagem que fazíamos, há alguns anos. “É quase impossível o crente em Jesus agir como deve, face às exigências do governo, quanto aos impostos , e à concorrência desleal de muitos empresários”. Indaguei por que, e ele esclareceu? “Se pagarmos os impostos em dia, conforme manda a lei, temos menos lucro que os empresários desleais, que não pagam impostos e, por isso, podem oferecer um preço menor no mercado, atraindo mais fregueses”.

Esse é apenas um exemplo entre muitos de como o cristão sincero encontra dificuldades para se movimentar num ambiente em que as relações comerciais e sociais são desenvolvidas em muitas áreas na base da desonestidade. A Bíblia manda que paguemos impostos ao governo, não adotando a prática da sonegação fiscal. Diz a palavra: “Portanto, dai a cada um o que deveis: a quem tributo, tributo; a quem imposto...” (Rm 13.7). Jesus, o mestre divino, ensinou que devemos dar a César (ao governo), o que é de César (Mt 22.21). Mas aquele servo de Deus estava, na realidade, sonegando impostos, e procurando justificar sua atitude ante a deslealdade dos concorrentes.

Um determinado irmão, crente em Jesus, é funcionário de uma companhia estatal. Como servo de Deus, procura pautar sua conduta pelos princípios da palavra de Deus, não participando da “roda dos escarnecedores”, nem se detendo no “caminho dos pecadores”. Assim, por não participar dos ambientes que seus colegas freqüentam, fora do trabalho, como bares, danceterias, boates, festas mundanas, é considerado “anti-social”, e, por mais de uma vez, já foi prejudicado, inclusive em promoções que a empresa proporciona aos servidores. Por quê? Simplesmente, por não querer ir na “onda” dos incrédulos, que se guiam por princípios humanos contrários à sua fé.

Tenho recebido indagações de alunos cristãos, que são perseguidos, nas escolas de primeiro nível, segundo nível, e na universidade, pelo fato de serem constrangidos a participar de certas atividades escolares. Por exemplo, numa determinada época, nas escolas estaduais e municipais, os professores procuram envolver os alunos, em pesquisas, em reuniões e atividades, sobre a chamada festa do “Halloween”. Essa programação envolve atividades, ditas culturais, folclóricas, e educacionais, que são verdadeiro atentado à fé cristã. É uma festividade, importada da América do Norte, que por sua vez, já a importou de países nórdicos, baseada num enredo que envolve feitiçaria, bruxaria, ocultismo, esoterismo, e muitas outras práticas avessas à palavra de Deus, todas disfarçadas de folclore e cultura.

E os alunos crentes sentem-se constrangidos em participar de tais eventos, pelos seus professores, que os ameaçam de obterem notas baixas nos trabalhos escolares, se deixarem de participar. Para esses “mestres”, festas desse tipo são apenas manifestações culturais, e nada têm de errado. Temos procurado orientar os jovens e adolescentes a não se deixarem intimidar com tais ameaças, e levantarem a voz contra tais atitudes, que nada têm de culturais ou educacionais.

Tenho duas netas, que estudam numa escola de primeiro nível, de grande conceito na Cidade. Elas procuraram sua mãe, preocupadas, pois uma professora as induziu a participar de um “bloco de gays”! Para incutir nas crianças a idéia de que se devem respeitar as “diferenças”, e não ter preconceito, pois, em matéria de orientação sexual, nada é errado. Tudo depende de cada um. Na mesma época, uma professora incentivou os alunos a formarem um grupo de carnaval, intitulado “Bloco dos cães”. Graças a Deus, minha filha foi à Escola, e falou com a coordenação, afirmando que suas filhas não poderiam ser constrangidas a participar daquela atividade, pois iria de encontro à sua formação cristã. E foi respeitada. Num ambiente social assim, o cristão verdadeiro parece sentir-se como um peixe fora dágua.

Que tipo de ética contemporânea é essa?

Certamente, não é a ética cristã. “O cristão, como sal da terra e luz do mundo, tem dificuldade em se movimentar num mundo em que os valores morais estão invertidos. Entretanto, tem a vantagem de não adotar como referencial ético ou comportamento da sociedade sem Deus. Enquanto os referenciais do mundo são movediços, instáveis e mutantes, ao sabor do tempo e do lugar, o guia infalível do crente em Jesus é a Palavra de Deus, que é lâmpada para os pés e luz para o caminho (Sl 119.105). Assim, um crente fiel não só deve fazer diferença, mas seu comportamento deve ser referencial para a sociedade. É grande a responsabilidade, perante Deus, a igreja e o mundo. Para o crente em Jesus a Palavra de Deus é lâmpada e luz para o seu viver” [5].

Quando vemos o Ministério da Saúde informar que, a cada ano, mais de um milhão de adolescentes ficam grávidas, temos de concluir que algo muito sério está destruindo o tecido social. Li, recentemente, que número idêntico de meninas engravida nos Estados Unidos a cada ano. E isso ocorre sem que haja preparo psicológico e físico, até, para esse estado biológico, que exige maturidade, preparo e dedicação, para os cuidados maternais, e paternais, indispensáveis à boa formação dos filhos.

Mas não há nada de especial diante do problema. As razões são bem conhecidas para esse comportamento liberalista e relativista. A educação sexual, ministrada nas escolas, financiada pelo dinheiro dos contribuintes da nação, incentiva a prática precoce do sexo. É uma educação meramente informativa e técnica. Nada tem de formativa, e é totalmente despojada de valores éticos e morais. Só uma coisa é bem ensinada: o uso da “camisinha”. Toda a didática é empregada para mostrar às meninas de doze anos, ou menos, bem como aos pré-adolescentes e adolescente, no sentido de levá-los a praticar o “sexo seguro”, que nada mais é que uma falácia, que leva a muitas vidas ainda em formação ao caminho da prostituição.

A moralidade moderna é um pântano lodoso, em que as pessoas, principalmente os adolescentes e jovens, afundam-se mais e mais. A mídia também dá sua contribuição negativa para a ética e os bons costumes. Nas novelas, o falso “amor livre” é exaltado. A fornicação, o adultério, a prostituição, e o homossexualismo são divulgados, nas programações, ditas culturas, como se fossem algo perfeitamente normal. É comum, em certos programas televisados incentivarem-se os jovens a levarem seus namorados ou namoradas para dormir na casa dos pais, sob o argumento (falacioso) de que é mais seguro do que em outros lugares. É a segurança para a prática do pecado. Naturalmente, para essas pessoas, com essa mentalidade, não existe pecado.

A revista Veja, de circulação nacional (15.09.04), p. 73, divulgou artigo sobre uma pesquisa, realizada nos Estados Unidos, constatando que, em apenas três horas por dia, em média, os adolescentes são submetidos a uma programação em que 64% possuem algum tipo de conteúdo sexual; a pesquisa constata que 46% dos estudantes do ensino médio já praticaram relações sexuais, e 1 milhão de adolescentes ficam grávidas a cada ano [6]. Na mesma matéria, é ressaltado que a pesquisa confirma a influência da programação erotizada na formação dos jovens e dos adolescentes. Os dados indicam que os jovens que “assistem com freqüência a programas com conteúdo erótico são duas vezes mais propensos à precocidade nas relações sexuais do que aqueles que não vêem esse tio de espetáculo porque os pais não permitem”.

A ética contemporânea tem grande influência do antinomismo. Trata-se de uma “abordagem ética, segundo a qual, não existem normas objetivas a serem obedecidas. É a ausência de normas. Tudo depende das pessoas, e das circunstâncias. Jean Paul Sartre, um dos filósofos, defensores dessa idéia, diz que o homem é plenamente livre. Num dos seus textos ele escreve: "Eu sou minha liberdade"... "E não sobrou nada no céu, nenhum certo ou errado, nem alguém para me dar ordens... estou condenado a não ter outra lei senão a minha..." (Geisler, p. 30,31) [7]. Esse tipo de visão encontra abrigo na mente de muita gente, principalmente entre os mais jovens, que anseiam por liberdade, sem refletir muito bem sobre as responsabilidades que nossas ações incorrem. Na rebelião da juventude, na década de 60, os jovens, na França, bradaram: "é proibido proibir". Na onda do movimento hippie, muitos naufragaram, consumindo e consumidos pelas drogas, adotando um estilo de vida paradoxal, que visava, no entender de seus amantes, irem de encontro à sociedade organizada, passando por cima de suas normas e de seus valores.

Como o cristão pode posicionar-se?

Há não muitos anos atrás, e resposta a essa questão seria mais fácil de ser formulada. Hoje, porém, o relativismo tem dominado grande parte das denominações evangélicas. O certo e o errado não são mais vistos como conceitos absolutos. Muita coisa depende da ótica de cada um. Eu estava assistindo uma palestra de certo pregador, numa denominação histórica, quando ele discorria sobre o cristão e a conduta diante dos homens. O mesmo acentuava que havia atitude e comportamentos que contrarias a palavra de Deus, e que o cristão precisava evitar causar escândalo a seu irmão. Naquele momento, uma jovem, daquela igreja, levantou-se e falou: “Eu acho que não deve haver essa preocupação. O que é errado para ele pode não sê-lo para mim”. “O que é errado para mim pode não ser certo para ele”. Tal afirmação é de cunho relativista e subjetivista.

O cristão, na realidade, não pode guiar-se por quase nenhuma das abordagens éticas contemporâneas. O antinomismo não serve como referencial, pois prega a ausência de normas. Nela, o homem se faz seu próprio deus. A Bíblia diz : "Há caminho que ao homem parece direito, mas o fim dele são os caminhos da morte" (Pv. 14.12). "De tudo o que se tem ouvido, o fim é: Teme a Deus e guarda os seus mandamentos; porque este é o dever de todo homem" (Ec 12.13; ver Pv 4.11,12; 6.23). Depois, é filosofia relativista. Cada um faz o que melhor entende. É o que ocorria com o povo de Israel, quando estava sem líder: "Naqueles dias, não havia rei em Israel; cada qual fazia o que parecia direito aos seus olhos" (Jz 17.6; 21.25). Aliás, em muitas igrejas, já impera o Antinomismo, quando muitos não obedecem a Bíblia, não há respeito a normas, e cada um faz o que acha melhor.

E o servo de Deus não pode ser uma pessoa que vive sem adotar normas de conduta e de comportamento. O generalismo também não serve para o crente em Jesus. “Os generalistas são utilitaristas. Só é certo o que produz melhor resultado (mais felicidade ou prazer do que dor). Uma norma pode ser boa hoje, e não servir amanhã. Depende da sociedade. Se, por exemplo, o adultério é errado, num período, em outro, poderá ser aceito. Dessa forma, pode-se resumir essa abordagem, dizendo que "Há um só fim absoluto (o máximo bem) e todos os meios (regras, normas, etc.) são relativos àquele fim..". Se, nesta situação, mentir seria mais útil ou vantajoso para a maioria dos homens, então se deve mentir" [8].

O situacionismo também não deve ser escolhido como referencial cristão. Em resumo, nessa visão, o certo e o errado, dependem da situação, em função do amor às pessoas. Baseiam-se inclusive na Bíblia, que resume toda a lei no amor (Mt 22.34-40; "O amor não faz mal ao próximo; de sorte que o cumprimento da lei é o amor" (Rm 13.10). Mas o fazem de modo equivocado. Chegam a dizer, por exemplo, que, se uma mentira for contada em amor, é boa e certa. Isso não condiz com a ética cristã, que defende a verdade como valor a ser observado. O absolutismo, outra abordagem ética, prega que existem normas absolutas a serem seguidas, tais como coragem, justiça, verdade, etc. E que não se deve tergiversar em termos do que é absoluto. Em princípio, o absolutismo parece estar em consonância com os princípios bíblicos. Mas é preciso cuidado com os sofismas absolutistas.

Diante da inadequação das abordagens éticas contemporâneas, resta ao cristão procurar guiar-se pelos princípios bíblicos de ética cristã. Conforme tivemos oportunidade de escrever, no livro “Ética Cristã”, editado pela CPAD, encontramos oito princípios éticos, que orientam o comportamento dos que querem servir a Deus num mundo relativista. São eles:

1) O princípio da fé.

S. Paulo, o apóstolo dos gentios, dizia: "Tens tu fé? Tem-na em ti mesmo diante de Deus. Bem-aventurado aquele que não se condena a si mesmo naquilo que aprova. Mas aquele que tem dúvidas, se come, está condenado, porque não come por fé; e tudo o que não é de fé é pecado (Rm 14. 22,23). Nesse texto, vê-se a ênfase na fé ou na convicção do crente diante de Deus, quanto ao que faz ou deixa de fazer. Ele não precisa recorrer a paradigmas humanos ou lógicos para posicionar-se quanto a atos ou palavras. Se tem dúvida, não deve fazer, pois "tudo o que não é de fé é pecado".

2) O princípio da licitude e da conveniência.

Na primeira carta aos coríntios, vemos Paulo ensinar: "Todas as coisas me são ilícitas, mas nem todas as coisas convêm; todas as coisas me são lícitas, mas eu não me deixarei dominar por nenhuma (1 Co 6.12). Todas as coisas me são lícitas, mas nem todas as coisas convêm" (1 Co 10.23). Esse critério orienta o cristão a que não faça as coisas apenas por que são lícitas, mas porque são lícitas e convém, à luz do referencial ético que é a Palavra de Deus.

3) O princípio da licitude e da edificação.

Diz a Bíblia: "todas as coisas me são lícitas, mas nem todas as coisas edificam" (1 Co 10.23b). Com base neste texto, não basta que alguma conduta ou proceder seja lícito, mas é preciso que contribua para a edificação do cristão. É um princípio irmão gêmeo do anterior. A ênfase aqui é na edificação espiritual de quem deve posicionar-se ante o fazer ou não fazer algo.

4) O princípio da glorificação a Deus.

"Portanto, quer comais, quer bebais ou façais outra qualquer coisa, fazei tudo para a glória de Deus" (1 Co 10.31). Aí, temos um princípio ético abrangente, que inclui não só o comer ou o beber, mas "qualquer coisa", que demande um posicionamento cristão. No dia-a-dia, sempre o cristão se depara com situações às vezes triviais, que exigem uma tomada de posição.... qualquer atitude ou decisão a tomar, em termos morais, financeiros, negócios, transações, etc., tudo pode passar pelo crivo do princípio da glorificação a Deus, e o crente fiel, na direção do Espírito Santo, saberá responder sem maiores dificuldades. A indagação que o cristão deve fazer, com base nesse princípio, é: "O que desejo fazer ou dizer, contribui para a glorificação a Deus?". Se a resposta for afirmativa, pelo Espírito Santo, a ação ou atitude pode ser executada. Se for negativa, é melhor que seja rejeitada. O que contribui para glória de Deus não fere nenhum princípio bíblico.

5) O princípio da ação em nome de Jesus.

"E, quanto fizerdes por palavras ou por obras, fazei tudo em nome do Senhor Jesus, dando por ele graças a Deus Pai" (Cl 3.17). A condição do crente para realizar ou deixar de realizar algo decorre da autoridade que lhe foi conferida pelo Nome de Jesus. Assim, quando o cristão se vê na contingência de tomar uma decisão, de ordem espiritual, ou humana, pode muito bem concluir pela ação ou não, se puder realizá-la no nome de Jesus, conforme orienta o apóstolo Paulo aos irmãos colossenses.

6) O princípio do fazer para o Senhor.

"E, tudo quanto fizerdes, fazei-o de todo o coração, como ao Senhor e não aos homens" (Cl 3.23). Diante de uma atitude, de uma decisão, devemos indagar: "Estamos agradando a Deus a Deus ou aos homens?" Estamos fazendo, de todo o coração, ao Senhor?"A resposta deve ser honesta, consultando, não ao coração, mas à Palavra de Deus.

7) O princípio do respeito ao irmão mais fraco

"Mas vede que essa liberdade não seja de alguma maneira escândalo para os fracos. Porque, se alguém te vir a ti, que tens ciência, sentado à mesa no templo dos ídolos, não será a consciência do que é fraco induzida a comer das coisas sacrificadas aos ídolos? e, pela tua ciência, perecerá o irmão fraco, pelo qual Cristo morreu. Ora, pecando assim contra os irmãos e ferindo a sua fraca consciência, pecais contra Cristo. Pelo que, se o manjar escandalizar a meu irmão, nunca mais comerei carne, para que meu irmão não se escandalize". (1 Co 8.9-13). Desse modo, a questão, segundo o princípio da certeza é: O que pretendo fazer o faço com certeza de fé? E essa certeza é fundamentada na Palavra de Deus? Tem respaldo na Bíblia? Não é apenas fruto de minha consciência falha, ou do meu coração enganoso? (ver Jr 17.9). Se a resposta for positiva, com base na Bíblia, pode ser realizado. Se não, deve ser evitado.

8) O princípio da prestação de contas.

"Mas tu, por que julgas teu irmão? Ou tu, também, por que desprezas teu irmão? Pois todos havemos ide comparecer ante o tribunal de Cristo. Porque está escrito: Pela minha vida, diz o Senhor, todo joelho se dobrará diante de mim, e toda língua confessará a Deus. De maneira que cada um de nós dará conta de si mesmo a Deus" (Rm 14.10-12). O princípio da prestação de contas nos lembra que, no trato com as pessoas ou com as coisas, não só devemos observar a palavra de Deus, mas adverte-nos quanto à inevitável prestação de contas no futuro, e também aqui, no presente.

CONCLUSÃO

No mundo atual, em que os absolutos foram todos desprezados, dando lugar ao relativismo exacerbado, o cristão só pode transitar, e posicionar-se corretamente, se souber observar os princípios éticos, emanados da Bíblia Sagrada. Tudo muda no mundo dos homens. Mas, diante de Deus, sua palavra tem valor absoluto, e pode ser o guia seguro e forte contra os vendavais do relativismo avassalador, que tem invadido, até, os arraiais das igrejas evangélicas. Disse Jesus: “O céu e a terra passarão, mas as minhas palavras não hão de passar” (Mt 24.3); disse o salmista: “Lâmpada para os meus pés é a tua palavra, e luz para o meu caminho” (Sl 119.105).

BIBLIOGRAFIA

CHAMPLIN, R. N.; BENTES J. M.; Enciclopédia de Bíblia, Teologia e Filosofia, Vol. 4. São Paulo: Candeia, 1995.

DE ANDRADE, Claudionor. Dicionário de Teologia. CPAD, Rio de Janeiro, 1999.

LIMA, Elinaldo Renovato. Ética Cristã. CPAD, Rio de Janeiro, 2002.



[1] Elinaldo Renovato de LIMA, Ética cristã, p. 7.

[2] R. N. CHAMPLIN, & J. M. BENTES, Enciclopédia de Bíblia, Teologia e Filosofia, p. 554.

[3] Claudionor de ANDRADE, Dicionário teológico, p. 121.

[4] Elinaldo Renovato de LIMA, Ética cristã, p. 8.

[5] Elinaldo Renovato de LIMA, Ética cristã, p. 6, 7.

[6] Revista VEJA, p. 73.

[7] Norman GEISLER, Ética cristã, p. 30,31.

[8] Norman GEISLER, Ética cristã, p. 47, apud Elinaldo LIMA, Ética cristã, p. 6,7.

OS VALORES DA ÉTICA


“Como o homem imagina em sua alma, assim ele é”.
(Provérbios 23:7)

Esta passagem reflete uma verdade fundamental da vida e da existência: nós somos e agimos de acordo com aquilo em que acreditamos. Este ponto é fundamental para podermos entender a principal diferença entre a maneira cristã de ver o mundo e outras cosmovisões, em particular, no que tange à ética ou à tomada de decisões.

TOMANDO DECISÕES

Todos nós tomamos, diariamente, dezenas de decisões, resolvendo aquilo que tem a ver com nossa vida, com a vida da empresa e a de nossos semelhantes.

Ninguém faz isso no vácuo.

Antigamente pensava-se que era possível pronunciar-se sobre um determinado assunto de forma inteiramente objetiva, isto é, isenta de quaisquer pré-concepções. Hoje, sabe-se que, em quase nenhuma área do saber, é possível fazer pesquisa sem sermos influenciados por aquilo em que cremos.

Quando elegemos uma determinada solução em detrimento de outra, o fazemos baseados num padrão, num conjunto de valores e noções de é certo ou errado. É isso que chamamos de ética: o conjunto de valores, ou padrões, a partir dos quais uma pessoa entende o que seja certo ou errado e toma decisões.

Cada um de nós tem um sistema de valores interno que consulta (nem sempre, a julgar pela incoerência de nossas decisões...!) no processo de fazer escolhas. Nem sempre estamos conscientes dos valores que compõem esse sistema, mas eles estão lá, influenciado decisivamente nossas opções.

AS ALTERNATIVAS ÉTICAS

Os estudiosos do assunto geralmente agrupam as alternativas éticas de acordo com o seu princípio orientador fundamental.

As chamadas éticas humanísticas tomam o ser humano como seu princípio orientador, seguindo o axioma de Protágoras, "o homem é a medida de todas as coisas".

O hedonismo, por exemplo, ensina que o certo é aquilo que é agradável. Freqüentemente somos motivados em nossas decisões pela busca secreta do prazer. O individualismo e o materialismo modernos são formas atuais de hedonismo.

Já o utilitarismo tem como princípio orientador o que for útil para o maior número de pessoas. O nazismo, dizimando milhares de judeus em nome do que era útil, demonstrou que na falta de quem decida mais exatamente o sentido de "útil", tal princípio orientador acaba por justificar os interesses de poderosos inescrupulosos e o egoísmo dos indivíduos.

O existencialismo, por sua vez, defende que o certo e o errado são relativos à perspectiva do indivíduo e que não existem valores morais ou espirituais absolutos.
Seu principio orientador garante que o certo é ter uma experiência, é agir — o errado é vegetar, ficar inerte. O existencialismo é o sistema ético dominante na sociedade moderna, que tende a validar eticamente atitudes tomadas com base na experiência individual.

A ética naturalística toma como base o processo e as leis da natureza. O certo é o natural — a natureza nos dá o padrão a ser seguido. A natureza, numa primeira observação, ensina que somente os mais aptos sobrevivem e que os fracos, doentes, velhos e debilitados tendem a cair e desaparecer na medida em que a natureza evolui. Logo, tudo o que contribuir para a seleção do mais forte e a sobrevivência do mais apto é certo. Numa sociedade dominada pela teoria evolucionista não foi difícil para esse tipo de ética encontrar lugar. Cresce a aceitação pública do aborto (em caso de fetos deficientes) e da eutanásia (elimina doentes, velhos e inválidos).

Os cristãos entendem que éticas baseadas exclusivamente no homem e na natureza são inadequadas porque:

  • não fornecem base sólida para justificar a misericórdia, o perdão, o amor e a preservação da vida;
  • estão em constante mudança e não têm como oferecer paradigma duradouro e sólido;
  • tanto o homem quanto a natureza, como os temos hoje, estão profundamente afetados pelos efeitos da entrada do pecado no mundo.

A ÉTICA CRISTÃ

A ética cristã, por sua vez, parte de diversos pressupostos associados ao Cristianismo histórico. Tem como fundamento principal a existência de um único Deus, criador dos céus e da Terra. Vê o homem não como fruto de um processo natural evolutivo (o que o eximiria de responsabilidades morais), mas como criação de Deus, ao qual é responsável moralmente.

Entende que o homem pecou, afastando-se de Deus. Como tal, não é moralmente neutro, mas naturalmente inclinado a tomar decisões movidas, acima de tudo, pela cobiça e pelo egoísmo (por natureza, segue uma ética humanística ou naturalística).
Acredita, porém, na possibilidade de mudança de orientação mediante mudança da sua natureza.

A vontade de Deus para a humanidade encontra-se na Bíblia. Ela revela os padrões morais de Deus, como encontramos nos 10 mandamentos e no sermão do Monte.
Mais que isso, ela nos revela o que Deus fez para que o homem pudesse vir a obedecê-lo.

A ética cristã, portanto, é o conjunto de valores morais baseados nas Escrituras Sagradas, pelo qual o homem deve regular sua conduta nesse mundo, diante de Deus, do próximo e de si mesmo.

CONCLUSÃO

Como membros de uma universidade confessional que professa o cristianismo histórico, é importante que entendamos os valores e as crenças que estão por detrás dos processos decisórios e dos alvos da instituição.

Como membros de uma universidade confessional, devemos sempre guiar nosso labor acadêmico e administrativo pelos valores do Cristianismo.

ÉTICA CRISTÃ PARA HOJE


Uma perspectiva Evangélica!

O que é Ética e o que é Moral?

O propósito do empreendimento ético é decidir o que é certo e o que é errado de se fazer. Sua preocupação principal é a conduta apropriada, mas também considera as atitudes e os motivos dos quais a conduta resulta. Conduta é o comportamento, o procedimento moral.
A distinção entre ética e moral é (basicamente) a diferença entre teoria e prática, ou pensar e fazer. Devemos observar a regra do ouro em Mateus 7:12 ("Portanto, tudo o que vós quereis que os homens vos façam, fazei-lho também vós, porque esta é a lei e os profetas"). Por que é difícil fazer as coisas certas? É mais fácil fazer o que é errado? Por que?
Tendemos a ser corruptos. O pecado é o aniquilamento do bem. O mal não tem existência independente (por si só ele não existe). Qualquer coisa má (atitude, comportamento, ação, pensamento, etc) é alguma coisa boa que saiu do controle. Exemplos: orgulho: amor próprio aumentado desproporcionalmente; ganância: apreciação por coisas que se tornou idolatria ou egoísmo, etc. Toda coisa má é alguma coisa boa que se corrompeu (se distorceu, saiu do controle).
Todos os seres humanos (sem exceção) foram criados para o bem; pois Deus nos fez a sua imagem e semelhança; com caráter e conduta semelhantes ao dele próprio; conferir em Gênesis 1:27,28 e I João 4:8 ("Aquele que não ama não conhece a Deus, porque Deus é amor"); mas infelizmente, a corrupção tem sido uma inclinação para o mal; é a ausência de uma coisa boa e necessária. É a atitude de se afastar de Deus; é a nossa rebeldia que ocasiona o pecado(Romanos 3:23 "porque todos pecaram e destituidos estão da glória de Deus").
O Espírito Santo constrói e restabelece o relacionamento com Deus; através do Evangelho (Boas Novas de Jesus Cristo), Ele estabelece a comunicação com Deus. Capacita a pessoa a aceitar o amor e perdão de Jesus Cristo; Ele cria e sustenta a fé.
O cristão é simultâneamente "duas pessoas": a velha e a nova. A primeira com idéias, valores e padrões distorcidos e suscetíveis (que recebe influência) de satanás. Já a nova pessoa tem comportamento que são parecidos com os de Jesus Cristo e suscetíveis a Deus. A nova pessoa tem aversão por coisas que ofendem a Deus e ferem os outros; opõe-se as influências más! ("what are you looking for the devil for, when you oughta be looking for the Lord?").
O que Deus faz por nós (através de Jesus Cristo e do Espírito Santo), nos dá razões para agirmos de acordo com a Sua vontade; temos o desejo de louvar a Deus e ajudar os outros. (Marcos 12:30-31 "Amarás, pois,ao Senhor teu Deus de todo o teu coração, e de toda a tua alma, e de todo o teu entendimento, e de todas as tuas forças: este é o primeiro mandamente. E o segundo, semelhante a este, é: Amarás o teu próximo como a ti mesmo. Não há outro mandamento maior do que estes.").
Em discussões éticas, normas são instrumentos que indicam e medem a correção moral. "Há vários tipos de normas". O mais específico são as regras; muito práticas e concretas (ex.: não se embriague). Através das regras vem os princípios: "coma e beba para a glória de Deus" é uma maneira de expressar o princípio por trás da regra contra a embriaguez. O supremo propósito da vida é glorificar a Deus!!! Deus que fez os seres humanos, nos conhece melhor que nós mesmos! Embora escrita por homens, a Bíblia é a autêntica e autorizada Palavra de Deus; seu propósito principal é comunicar as boas novas do perdão através do Sangue, Morte e Ressurreição de Jesus, e dar-nos entendimento da vontade de Deus para as nossas vidas.
Justificação é o dom do perdão de Deus por amor de Jesus. Santificação é o dom de Deus na nova personalidade (pessoa), também por amor de Cristo ( por ter morrido em nosso lugar - sacrifício vicário).
O Fruto do Espírito descrito em Gálatas 5:22 é: amor (I Co. 13), gozo, paz, longanimidade (que não se irrita facilmente; suporta as adversidades: situações contrárias), bondade (indulgência, complacência, benevolência, tolerância), fidelidade(lealdade, firmeza), mansidão, domínio próprio (sereno, pacífico, calmo, tem humildade). É agradável render-se à vontade de Deus reconhecida como superior e melhor que a nossa. (Deus esquadrinha os nossos corações, não é por força, persuação, medo,etc.)
O desejo de testemunhar nasce diretamente da consideração à Deus. É o anseio de glorificá-lo e ajudar aos outros a notá-Lo e apreciá-Lo. A preocupação com as pessoas (com seu bem estar) é a fonte motivadora de testemuho. O amor manifesta-se no respeito aos outros.
Muitas qualidades surpreendentes caracterizam o amor* (conferir I Co. 13, Fil. 5:25,28,31,33; etc.). O amor não é só intensificação ou variação do amor por alguém (apego, inclinação a uma determinada pessoa); pelo contrário, tem elementos Divinos e transcedentes (superiores, e exteriores). É dom e ação de Deus. Para enfatizar a singularidade do amor que Deus gera na nova pessoa, o Novo Testamento no original grego emprega um termo especial: ágape. Outros tipos de amor (philía e éros) referem-se a outros tipos de amor humano.
Uma das impressionantes qualidades do amor é o desprendimento. O amor ágape é ativado não (somente) pelo atrativo ou utilidade do outro, mas sim pela sua necessidade. Mesmo os que são indignos e não merecedores tornam-se alvo. (Uma vez que não há digno ou merecedor, conferir Ef. 2; Jo. 3:16; Rom.3:23, Jo. 15:13; Rom. 5:8; etc.).
"Nisto conhecemos o amor: que Cristo deu a sua vida por nós; e nós devemos dara a vida pelos irmãos" (I Jo. 3:16). A consideração pelos outros é a base da integridade Cristã. Amar os outros envolve perdão: "Mas se confessarmos os nossos pecados a Deus, Ele é fiel e justo para nos perdoar os pecados e nos purificar de toda injustiça" (I Jo. 1:9). De forma ampla, a ética cristão é uma tentativa de entender a vontade de Deus em assuntos difíceis e confusos que não são discutidos claramente. Isto requer sabedoria e ela pode ser nossa pelo pedir "Mas se alguém tem falta de sabedoria, peça a Deus, e Ele dará porque é generoso e dá com bondade a todos". (Tiago 1:5). Com isto temos a oportunidade de consultar a Deus na sua Palavra e Oração, somados ao auxílio do Espírito Santo.
Somente através da doação amorosa e vicária de Cristo podemos escapar da condenação e esperar o perdão (isto só é possível mediante a fé em Jesus Cristo: Ef. 2:8). Apenas o que crê é perdoado e salvo. Há pelo menos 3 fases para a resposta a fé:
1- descubro que preciso de Cristo e de Sua ajuda (estou consciênte que sou pecador e estou perdido sem Ele)
2- quero Cristo (desejo e anseio por Ele e seu auxílio)
3- aceito-O (confio em suas promessas, sei com certeza que possuo Aquele de quem preciso e quero).
Segurança temos de que nossas falhas não nos condenarão no julgamento final. Cada erro cometido, cada oportunidade para o bem não aproveitada, cada motivo e inclinação corruptos são apagados pelo perdão de Deus (perdão, este, que só tem aqueles que entregaram sua vida para Jesus e reconheceram-no como Único e Suficiênte Salvador, admitindo-o como autor e consumador de suas vidas). A verdade é que não há nada em nós para termos motivo de nos orgulharmos;a não ser da experiência da conversão. Se somos justificados é apenas porque reconhecemos humildemente o pecado e aceitamos o perdão de Deus por amor do sacrifício remidor de Jesus (morte/ressurreição).
A melhor e mais elevada liberdade é a oportunidade de se submeter à vontade de Deus (reconhecida como melhor), de encontrar satisfação na obediência a Ele.
Deus é desonrado por aqueles que dizem crer nele quando dão poucas evidências (provas) na sua conduta; mas Deus é notado e louvado como resultado de nosso progresso (resultado da nossa Salvação).
O padrão moral é o conjunto de crenças e julgamentos sobre o que é certo e errado fazer. Princípios são diretrizes mais gerais, regras são mais específicas; a direção à Deus é a base adequada para a ação. Ele promete graça para cobrir os erros éticos e morais que inevitavelmente cometemos, embora tentamos evitá-los consciosamente!

Glossário

Virtude: Disposição firme e habitual para a prática do bem; boa qualidade moral; modo austero de vida; eficácia no viver.
Virtuoso: que tem virtudes.
Moral: Relativo aos bons costumes, atitudes (prática).
Ética: Ciência da moral; intelecto, modo de pensar (teo

O verdadeiro líder

Recentemente ouvi um colega inserir o livro “O monge e o executivo” de James Hunter entre os escritos de auto-ajuda, incluindo-o na mesma seção de Lair Ribeiro e a “turma do sucesso”. A intenção foi boa, afinal queria ele advertir seus ouvintes acerca do crescimento de uma praga chamada auto-estima, a qual tem produzido uma quantidade considerável de literatura e se alastrado pelos quatro cantos da terra. De forma que os livros são comercializados como alimento, lidos como revistas e praticados como doutrinas.
Ocorre que meu amigo equivocou-se. “O monge e o executivo” não é um trabalho de auto-ajuda, pelo contrário o escrito de James Hunter vai exatamente na contramão desse pensamento. Ele conta a história de John Daily, um homem de negócios bem sucedido que percebe, de repente, que está fracassando como chefe, marido e pai. Numa tentativa desesperada de retomar o controle da situação, ele decide participar de um retiro sobre liderança num mosteiro, comandado por Leonard Hoffman, um influente empresário que abandonou tudo em busca de um novo sentido para sua vida.
A principio, Daily e os outros cinco alunos que participam do seminário reagem com um certo ceticismo aos conceitos apresentados, mas depois eles se rendem à sua experiência. Afinal, Hoffman ganhou fama no mundo dos negócios por sua capacidade de recuperar empresas em crise, transformando-as em exemplos de sucesso. Segundo ele a base da liderança não é o poder e sim a autoridade, conquistada com amor dedicação e sacrifício. E diz ainda que respeito, responsabilidade e cuidado com as pessoas são virtudes indispensáveis a um grande lider.
Ele acredita que liderar não é ser chefe (Chefia pressupõe autoritarismo). Liderar também não é o mesmo que gerenciar. Você gerencia coisas e lidera pessoas. Liderar é servir. Embora ’servir’ tenha uma conotação de fraqueza para alguns, a liderança servidora pode ter um impacto positivo em nosso desempenho como pais, treinadores, cônjuges, professores, pastores ou gerentes - afinal, todos querem se tornar os líderes que as pessoas precisam e merecem.
Um dos conceitos fundamentais é exatamente a palavra liderança. Segundo ele liderança é a habilidade de influenciar pessoas para trabalharem entusiasticamente visando atingir aos objetivos identificados como sendo para o bem comum. Com efeito, a liderança eficaz é baseada nos bons relacionamentos e na autoridade, que é a habilidade de levar as pessoas a fazerem de boa vontade o que você quer por causa de sua influência pessoal.
Hunter baseia todos os seus princípios de liderança em consonância com a verdades bíblicas, especialmente, no modelo de liderança de Cristo, cuja essência era “Se você quiser liderar, primeiro deve servir”. E Jesus demonstrou isso durante todo o seu ministério terreno. Lembremos, Ele não era detentor de qualquer tipo de poder político, econômico ou religioso da época. Herodes, Pôncio Pilatos, os romanos e muitos judeus religiosos tinham poder, mas Jesus não. Ele possuía autoridade. Influência sobre as pessoas que o seguiam. Influência essa que era baseada principalmente na forma como servia ao povo.
O livro ainda coloca as características do amor ágape como o modelo para o líder, assim o capítulo 13 de I Corinthios apresenta-se como o texto áureo da verdadeira liderança. Para verificar, basta trocar as palavras amor/caridade pela expressão verdadeiro líder e terás a seguinte paráfrase: O verdadeiro líder sofre, é bondoso. O verdadeiro líder não é invejoso, não é leviano e não é arrogante. O verdadeiro líder não se porta com indecência, não é mesquinho, não se estressa facilmente e não suspeita o mal. O verdadeiro líder não folga com a injustiça, ama a verdade. O verdadeiro líder acredita, é paciente e tudo suporta.
Em conclusão, “o monge e o executivo” é um livro que deveria ser lido por todos quantos almejam a liderança. Ou melhor, deveria ser lido e relido por todos os cristãos. Afinal, liderança não se circunscreve somente ao limites eclesiásticos e ao mercado de trabalho. Pelo contrário deve estar presente em todas as esferas de nossa vida: família, amigos, escolas, universidades e demais entidades. Eis que como cristãos precisamos influenciar as pessoas e a sociedade em que estamos inseridos. Precisamos conduzir e não sermos conduzidos. Precisamos impactar e não sermos impactados.
Porém, as perguntas que ficam em relação ao modelo de liderança servidora são as seguintes: Quem está disposto a servir? Quem está disposto a lavar os pés dos seus liderados?
Pensemos nisso!

sexta-feira, 23 de março de 2007

Trabalhando em Equipe

Trabalhando em Equipe

Por David Kornfield

No início de cada ano, peço a Deus que me dê uma passagem bíblica que expresse o coração e os propósitos dEle para mim nesse período. Desta vez Ele me deu Atos 13.1-3.

1 Na igreja de Antioquia havia profetas e mestres: Barnabé, Simeão,chamado Niger, Lúcio de Cirene, Manaém, que fora criado com Herodes, o tetrarca, e Saulo.

2 Enquanto adoravam ao Senhor e jejuavam, disse o Espírito Santo: "Separem-me Barnabé e Saulo para a obra a que os tenho chamado".

3 Assim, depois de jejuar e orar, impuseram-lhes as mãos e os enviaram.

No primeiro versículo vejo uma equipe que funciona na base dos dons e chamado de Efésios 4.11, onde posição não interessa e sim função. Ela ouve a Deus e transmite o que recebe; é pequena (5 pessoas) e bem entrosada.

Vejo diversidade. Cada indivíduo é importante o suficiente para ser citado por nome, tendo algo especial para contribuir.

No segundo versículo vejo pessoas que servem ao Senhor, ministrando para Ele. Parceiros dEle e não apenas pessoas egocêntricas, aproveitando e sugando dEle na busca dos seus próprios interesses. Eles se davam para Jesus, e dando, receberam.

Jejuavam. Mortificaram a carne para que o espírito pudesse melhor se revelar e expressar. Watchman Nee, no livro Liberação do Espírito, diz que quando nossa carne e alma sofrem, quando estamos quebrantados, então o Espírito é liberado dentro de nós.

O Espírito fala e a equipe ouve, possivelmente através de uma palavra profética. Independente de como tenha sido, falou de uma forma tão clara que Lucas escreveu "disse o Espírito Santo". Senhor, eu quero tal equipe, tal coração, tal experiência. Quero Te ouvir claramente, junto com outros que possam confirmar o que estás dizendo.

Obrigado, Senhor, porque pude passar uma manhã com os que trabalham comigo em São Paulo, compartilhando o que sentíamos que Tu estavas nos dizendo individualmente através de versículos lemas para este ano. Obrigado pelo privilégio de cada um de nós ser ministrado em oração.

Obrigado pela alegre expectativa de repetirmos isso mensalmente: reunirmo-nos para ouvir cada pessoa e ministrar uns os outros em oração e através de Tua Palavra, segundo a orientação do Teu Espírito.

Na igreja de Antioquia, Tu separaste dois líderes, aparentemente os melhores, para ministério extralocal de fundar igrejas e colocar alicerces doutrinários e de liderança sadia nelas. Neste versículo "a obra a que os tenho chamado" não é tão claro.

De forma parecida, muito do que falas para mim não é tão claro no início (1 Co 13.12), mas a cada dia que obedeço a luz que tenho, Tu esclareces mais, como fizeste com Barnabé e Saulo.

A imposição de mãos quase sempre é seguida por uma expressão sobrenatural de Teu Espírito. Na igreja de Antioquia milagres, sinais e maravilhas não são citados, mas após esta imposição de mãos, expressões sobrenaturais passam a acompanhar o ministério de Barnabé e Saulo.

Foram enviados. Eu também preciso não apenas viajar e ministrar, mas realmente ter uma equipe que me envie, interceda e seja uma base à qual posso voltar.

Ao mesmo tempo, vejo que Barnabé e Saulo foram enviados como equipe. Eu também quero ministrar em equipe, como vejo no modelo apostólico no livro de Atos.

Perguntas de Reflexão para Sua Equipe

1. Qual o tema ou assunto que Deus está desenvolvendo em sua vida? Qual seria a passagem bíblica que expressa isso?

2. Qual a dinâmica de sua equipe que você mais gostaria que mudasse?

3. Quais seriam os passos na direção dessa mudança?

4. O que Deus tem dito para a sua equipe nestes dias?

Deus pede obediência aos líderes

Deus pede obediência aos líderes
Publicado em 14/02/05 às 16:49
Por Ary Velloso

(baseado em Malaquias 2.1-9)

Introdução

Deus está triste com a sua liderança...

Razão: Ver capítulo 1.

No capítulo 2, Deus continua, por causa do Seu grande amor para com o Seu povo, esforçando-Se para persuadir o povo e em particular a liderança a levá-Lo a sério. Ele sabe que do modo como vão os líderes, vai a igreja.

Portanto:

I. Condições impostas ao sacerdote - vs. 1 e 2
1. Ouvir o mandamento de Deus - v.2a
2. Propor no coração dar honra a Deus - v. 2b

II. Conseqüência da não-obediência - vs. 2 e 3
1. Amaldiçoarei as suas bênçãos - v.2c
2. Reprovarei a descendência - v. 3a
3. Jogarei uma torta (não de maçã) nas suas caras - v. 3b
4. Para o lixo vocês irão - v. 3c

III. Contraste entre os sacerdotes - vs. 4-9
1. O sacerdote digno - vs. 4-7
2. O sacerdote indigno - vs. 8-9

Conclusão

Como vai o líder vai boa parte da igreja. Claro que gostaríamos que toda igreja acompanhasse o seu líder em termos de vida, caráter, integridade, etc. Mas isso não é a realidade. Porém, quando o púlpito é fraco, o povo adoece. É isso que estava acontecendo nos dias de Malaquias. E nos nossos dias?

O Sucesso e o Caráter do Líder

O Sucesso e o Caráter do Líder
Publicado em 04/11/04 às 15:08
Por Josué Campanhã

Os desafios para o futuro em relação ao caráter de um líder são os mesmos de 4 mil anos atrás

Sara havia morrido. Abraão queria enterrar sua esposa em Canaã, na caverna de Macpela, que pertencia a Efrom, conforme relata Gênesis 23. Ele decidiu comprar o terreno, apesar de poder aproveitar a situação para ganhá-lo.

Inicialmente, Abraão pediu autorização para enterrar Sara naquela terra, pois eram estrangeiros ali. Depois de ter a autorização, pediu que o povo intercedesse junto a Efrom, para que ele lhe vendesse a caverna de Macpela. O desejo dele era comprar e pagar o preço justo.

Normalmente, na hora da morte pode-se conseguir qualquer coisa. As pessoas oferecem transporte, dinheiro e até túmulo, caso a família não tenha um. Nessa hora, se o caráter de uma pessoa tiver falhas, ela poderá se aproveitar da situação para conseguir mais do que precisa. Abraão era respeitado naquele lugar e não precisaria gastar nenhum tostão, mas seu caráter não permitiu que isso acontecesse.

Pano de fundo

Para entender melhor esse episódio, é preciso analisar fatos anteriores. Abraão se mudou para o Egito e mandou Sara mentir dizendo que era sua irmã. Como Abraão teria se sentido como homem, sabendo que um outro homem tomou sua mulher para ele?

Depois desse episódio, Abraão vai morar com Sara no Neguebe, em Gerar. Novamente, ele apresentou sua esposa como irmã para o rei Abimeleque. Deus impediu o rei de tomar Sara por sua mulher. Abraão teve de enfrentar a repreensão de Abimeleque, como culpado por induzi-lo a um erro.

Mais à frente, Abraão se encontrou com Abimeleque para negociar alguns poços que havia feito e os servos do rei haviam tomado à força. Abimeleque sabia que Deus era com Abraão em
tudo o que ele fazia. No entanto, lembrou-se do episódio com Sara e pediu a Abraão que não mentisse para ele. O fato de Abimeleque pedir a Abraão que não mentisse servia como repreensão e vergonha.

Lições de caráter

Abraão foi um líder que obedeceu a Deus, deixando tudo para trás por causa de uma visão do Senhor, mas nos ensina algumas lições de caráter e liderança. Ele foi um homem que entregou sua esposa duas vezes para outro homem, mentiu, aceitou gerar um filho com uma serva da sua esposa e ainda teve de ouvir de um ímpio que ele era um mentiroso.

O episódio da morte de Sara mostra os ajustes que Deus havia feito no caráter de Abraão. Havia algumas falhas no caráter de Abraão que foram sendo corrigidas com o tempo. Depois que Abraão foi chamado de mentiroso por Abimeleque, na negociação dos poços de água, a Bíblia não menciona nenhuma fraqueza do seu caráter. Ao contrário, Abraão faz questão de comprar o terreno para enterrar sua esposa.

Um líder fiel a Deus nunca se aproveita de situações em benefício próprio, ou mesmo tira proveito de situações. No episódio da morte de Sara, o povo queria lhe dar aquilo que desejava. A reação de Abraão foi humilhar-se, seguindo os padrões corretos daquilo que Deus desejava que fizesse.

A vida de Abraão mostra que qualquer pessoa escolhida por Deus para liderar pode ter falhas de caráter. A questão é se, durante a sua trajetória, você permite que Deus ajuste o seu caráter ao d'Ele. Se isso for acontecendo, sua liderança será abençoada e seu caráter será parecido com o de Deus. Caso Deus não possa fazer isso, não há motivo para que você lidere o povo d'Ele.

O caráter e a bênção de Deus

Quando Deus escolhe alguém para liderar, Ele abençoa essa pessoa. Ao "forçar a barra" para liderar por interesse próprio ou político, não se garante a bênção de Deus, mesmo que a intenção seja fazer algo para o Senhor. Quando Deus escolhe uma pessoa que se submete completamente a Ele, isso gera um fluxo de bênçãos de Deus sobre a vida desta pessoa e sobre aquilo que ela fizer.

Apesar de estarmos no século 21, os desafios para o futuro em relação ao caráter de um líder são os mesmos de 4 mil anos atrás. Mudaram as circunstâncias, mas a natureza corruptível do ser humano continua a mesma.

Os desafios de uma liderança bem-sucedida na atualidade continuam sendo obedecer e permitir que Deus molde o seu caráter ao d'Ele. Não existirá liderança abençoada sem isso. Deus precisou de 25 anos para moldar o caráter de Abraão.

Nunca é tarde para permitir que Deus comece a moldar o caráter. Muito do fracasso dos líderes está associado àquilo que são e não àquilo que tentam fazer e não conseguem. Abraão conseguiu cumprir a visão de Deus não somente porque ele saiu de sua terra, mas, principalmente, porque permitiu que Deus moldasse o seu caráter. Esse princípio ainda continua valendo hoje.

A visão que Deus quer cumprir por seu intermédio depende da sua permissão para que o Senhor molde o seu caráter. A pergunta que fica no ar: "Quais são as falhas de caráter que tenho, que Deus precisa eliminar, para cumprir a sua visão por meio de mim?". Não vá dormir hoje sem pensar nisso. Tenha coragem de fazer essa pergunta para Deus.

Princípios bíblicos de liderança pastoral



por Ary Velloso

INTRODUÇÃO

Nesta série abordarei vários Princípios Bíblicos que um pastor, liderando a sua igreja, enfrenta no seu dia a dia. Procurarei não ser tão técnico, mas ir de encontro às necessidades reais que todos nós enfrentamos no ministério pastoral. Estes estudos são frutos de pesquisa, mas sobretudo associados a minha vida diária de pastor.

Neste primeiro artigo, desejo chamar atenção para um problema que nós pastores enfrentamos constantemente em nossas igrejas, ou seja: "0 problema da disciplina".

Em uma estatística notei que, numa certa região do país, as igrejas haviam recebido 989 membros e excluídos, nesse mesmo ano, 809. Por que tantas exclusões? Será que estamos realmente zelando pela pureza da fé e pela beleza da vida cristã em nossas igrejas? Será que muitas destas exclusões não são resultados de partidarismo que divide a igreja, legalismo extremo ou, muitas vezes, capricho pastoral? É certo que uma das razões de tantas exclusões é a falta de ensino bíblico, de uma integração sadia dos novos convertidos, e de uma preocupação incessante com o crescimento dos que já estão envolvidos em nossas igrejas.

Mas, o que desejo aqui, é levantar uma pergunta para o pastor amigo: Será que estamos, nós, cientes, dos princípios que envolvem a disciplina e consequentemente a exclusão de um irmão?

Antes de disciplinarmos qualquer pessoa, temos que considerar alguns textos chaves que lidam com esta matéria: Mateus 18.15-20; 1Coríntios 8; Romanos 14; 1Coríntios 5.
Ainda que brevemente, notemos os passos a serem tomados na disciplina de alguém: Mateus 18.15-20: Primeiro Passo: "Se o teu irmão pecar, vai argüi-lo entre ti e ele só. Se ele te ouvir, ganhaste a teu irmão". Temos nós, realmente, partido para obedecer este princípio? Temos dado ouvido àquele irmão que caiu em pecado? Está o irmão realmente arrependido?

Se aquele irmão,genuinamente mostra arrependimento, por que não perdoar e restaurar aquele irmão? Quem sabe se aquilo que você considera pecado, seu irmão não julga ser pecado? Exemplo: "Ir ao cinema"? "Jogar bola ou ir à praia no domingo". Eu não creio que isto seja pecado, mas à luz de 1Coríntios 8, é possível que até venha a ser, mas, é necessário muito amor, discernimento espiritual para ajudar este irmão. Mas, suponhamos que seja adultério, e este irmão confessa e abandona o pecado, só há uma coisa a fazer: amá-lo e encorajá-lo, ajudando-o a superar, porque, excluí-lo, não é a maneira de ajudá-lo.

No versículo 16, encontramos o Segundo Passo a ser tomado, caso o irmão persista no seu pecado (verifique se realmente é pecado e não legalismo de sua parte). "Se, porém, não te ouvir,toma ainda contigo uma ou duas pessoas, para que, pelo depoimento de duas ou três testemunhas, toda palavra se estabeleça". Neste verso encontramos então o pastor acompanhado de outro irmão, conversando amorosa, mas firmemente com o irmão em pecado, e ele persistindo no erro. Então partimos para o Terceiro Passo encontrado no verso 17: "E, se ele não os atender, dize-o à igreja; e, se recusar ouvir também a igreja, considera-o como gentio e publicano".

Como notamos nestes três passos a serem tomados, Deus está preocupado que haja uma harmonia entre os crentes. Vemos no versículo 20: "Porque onde estiverem dois ou três reunidos em meu nome, ali estou no meio deles". Este verso é muito usado em dias de chuva, quando apenas meia dúzia de pessoas aparece no culto ou na reunião de oração. Para nos justificar ou confortar os irmãos presentes, nós dizemos: "somos poucos, mas está escrito que onde estiverem dois ou três reunidos em meu nome, ali estou no meio deles". Mas isto não é a verdade! O que Jesus está dizendo é que Ele não estará no nosso meio a não ser que os versículos 15, 16 e 17 já tenham sido aplicados. De fato no versículo 19 nós lemos: "Em verdade também vos digo que, se dois dentre vós, sobre a terra, concordarem a respeito de qualquer coisa que porventura pedirem, ser-lhes-á concedida por meu Pai que está nos céus". A palavra usada no grego para "concordarem" significa sintonizar. Sintonia, sinfonia são derivados desta palavra. Em outras palavras, Jesus está dizendo que onde estiverem dois ou três reunidos em harmonia, em sintonia de espírito com o mesmo propósito de honrar e glorificar o nome d'Ele, Ele ali estará. Mas se o pecado que aparece no versículo 15, não for biblicamente resolvido, não haverá harmonia e a orquestra estará desafinada e a benção do Senhor ausente.

ILUSTRAÇÃO

Um irmão da igreja, veio falar comigo sobre a pressão em que ele se encontrava para mentir e conseqüentemente sair de uma grande dificuldade. Abri a Bíblia e mostrei para aquele irmão o que Deus pensava sobre a mentira. Ele saiu. No outro dia, voltou abatido, mas dizendo que não resistira a pressão, e mentiu. Eu lhe disse: Agora,já não é algo entre mim e você. No domingo, reuni alguns irmãos e em uma sala à parte, expus o problema para eles, estando presente o irmão envolvido. Em amor, mas com firmeza exortamos aquele irmão ao arrependimento, mostrando-lhe que uma igreja que deseja viver biblicamente, não pode ter os seus membros mentindo.

Houve choro, orações e saímos daquela reunião mais unidos e fortes em Cristo. E esta pessoa era um dos principais
líderes da igreja, mas não podemos em matéria de disciplina, nos comprometer fazendo acepções de pessoas; se fizermos, estaremos vendendo o nosso ministério em troca da aprovação dos homens e Deus não nos deixará impune.

RESUMINDO:

Temos que disciplinar os crentes faltosos, mas temos que ter todo cuidado para que a nossa disciplina seja executada de acordo com os princípios da Palavra de Deus e não por causa do nosso legalismo ou preconceitos pessoais.

Pastor amigo, como está você nesta área?

Um líder estrela

Um líder estrela
Publicado em 07/06/04 às 16:39
Por David Kornfield

Têm-se aqui seis sugestões de relacionamento para se caminhar da condição de bom para astro brilhante.

A resplandecente Estrela da Manhã nos chama para sermos também estrelas a brilhar no meio de uma geração depravada e corrompida. Existem muitas estrelas, mas nem todas realmente brilham. Da mesma forma, há diversos líderes que são muito bons, mas raros aqueles que são excelentes e permanecem assim.

Rumo à excelência, devemos considerar seis relacionamentos fundamentais para nos transportar da condição de bom para estrela brilhante:

1. Jesus Cristo
2. Uma família saudável
3. Um líder pastoral
4. Uma equipe
5. Um grupo pastoral
6. Um co-líder (sucessor)

Visualizemos os seis itens acima através de uma estrela. O centro dela deve ser Jesus Cristo e nada pode tomar o seu lugar de destaque. Devemos estar e permanecer nele para fazermos a diferença e brilharmos.

Em segundo lugar, o líder estrela deve ter uma família saudável e nela deve estar expresso o mistério do amor entre Cristo e a Igreja, revelado no amor entre marido e mulher. Refletir o reino de Deus e desfrutar disso em casa é fundamental para a vida e ministério de qualquer líder pastoral (1Tm 3.2, 4-5,10; 5.8 ). A família pode ser visualizada como a ponta de cima da estrela, a ponta visível, pela qual as pessoas logo percebem se há saúde e alegria ou não.

Em terceiro lugar, o líder estrela tem um mentor que se importa com ele. Um mentor ou líder pastoral é alguém que fornece um ambiente de amor e aceitação,incentivando, exortando, desafiando e provocando uma transposição do ordinário para o extraordinário. Pode ser visualizado como um dos pés que alicerçam a estrela.

Em quarto lugar, é muito proveitoso ter uma equipe que vai aonde, às vezes, o líder não consegue chegar sozinho, que caminha junto a ele e segue em frente. Não só ajuda no desempenho do ministério, mas também serve de apoio nos momentos em que o desânimo abate a liderança. Uma equipe pode ser visualizada como a ponta na frente da estrela, pois ajuda a abrir um novo território no reino de Deus.

Em quinto lugar, o líder estrela precisa de um grupo pastoral que o ame, aceite e nutra, ajude na prestação de contas e ande junto no dia-a-dia, encorajando, fortalecendo e, quando preciso, confrontando em amor. O grupo pastoral pode ser visualizado como a ponta da estrela que está na retaguarda, nos bastidores, como sustentáculo.

E em sexto e último lugar, um excelente líder tem um co-líder um sucessor, um escudeiro que o protege, o seu braço direito. Ele pode ser visualizado como um segundo pé da estrela, no qual pode manter o equilíbrio e ser um líder vencedor. Junto ao líder pastoral, fornece uma base firme para alcançar o sucesso almejado.

Quantos desses seis relacionamentos funcionam bem em sua vida? Realmente vale a pena investir nessas áreas. Receberemos um retorno bem maior que nosso investimento. Se houver alguma ponta da estrela que nem existe em sua vida, corra atrás! Não fique acomodado, não se contente em ser apenas bom. Honestamente, a maioria dos líderes tem fraqueza na área da família, enquanto, muitas vezes, as outras pontas sequer existem! A Bíblia diz que se buscarmos, encontraremos. Se procurarmos, acharemos. Se batermos à porta, abrir-se-nos-á (Mt 7.7). Se não desistirmos, se realmente formos sérios em nossa procura, Deus acabará revelando-nos quem deve preencher a lacuna que existir nessa estrela.

Princípios Bíblicos de Liderança

Princípios Bíblicos de Liderança
Publicado em 22/04/04 às 23:39
Por Ed Rene Kivitz

Como ter um ministério eficaz, mesmo sendo pastor de uma Igreja pequena e pobre...

O tamanho de seu ministério não é medido pelo número de pessoas a quem você serve, mas pelo número de pessoas servidas pelas pessoas a quem você serve", ensinoume Bruce Wikinson há alguns anos atrás.

Na verdade este é o princípio de liderança de Efésios 4.11-16 nas suas três afirmações básicas:

1. A Igreja do Senhor Jesus cresce e se solidifica quando todas as suas partes (santos) estão ligados entre si e trabalhando bem;

2. As partes (santos) somente estarão harmonizadas e desempenhando cada qual o seu papel se forem capacitadas para tanto.

3. A responsabilidade por capacitar as partes (santos) para atuar repousa sobre os apóstolos, evangelistas, profetas e pastores-mestres.

Em outras palavras, a função pastoral não é fazer, mas "fazer fazer" e, principalmente, subsidiar os que fazem para que façam bem feito. Isto diz o apóstolo Paulo claramente: "Deus escolheu alguns para serem apóstolos, outros para profetas, outros para evangelistas e ainda outros para pastores e mestres da Igreja. Ele fez isso para preparar o povo de Deus para o serviço cristão, afim de construir o corpo de Cristo" (Ef 4.11-12).

Até aqui não há qualquer novidade, pois o princípio é o mesmo usado pelo Senhor Jesus quando de seu ministério terreno. Robert Coleman afirma que Jesus não se preocupou com as multidões, mas sim com os homens a quem as multidões seguiriam. O auditório de domingo à noite não estimulava tanto Jesus quanto os encontros de discipulado durante a semana.

O Cristianismo virou o mundo de ponta cabeça em razão da qualidade intrínseca de um nazareno e sua capacidade de olhar nos olhos de homens comuns: sem tecnologia, sem um grande templo, sem agressividade na arrecadação financeira, sem promoção da indústria do milagre, sem programa de rádio e televisão, e sem bandas para entusiasmar o povo no louvor. Apenas contato-contágio, multiplicando homens, dos quais o mundo não era digno, que por sua vez fariam contato e contagiariam outros.

Quando atualmente ouvimos falar de ministérios eficazes e abrangentes, logo imaginamos uma enorme estrutura por trás de um semideus. Pastores retornam dos encontros cheios de entusiasmo e logo "caem na real" lamentando a escassez de líderes, as dificuldades financeiras e a carência de recursos para ampliar o ministério. Se o alvo é alcançar multidões, a queixa está correta e o melhor que as instituições paraeclesiásticas poderiam, fazer pelo Brasil, seria arrecadar fundos no exterior. Mas se o alvo é discipular homens fiéis e idôneos para o princípio contatocontágio, então não há razão para lamentações e frustrações.

O mais recente best seller da administração foi escrito por Jerry Forras e James Collins. Chamase "FEITAS PARA DURAR" (Editora Rocco), e apresenta princípios de liderança capazes de manter uma empresa viva após a morte de seu primeiros visionários. Jerry e James disseram que líderes de verdade não dão soluções, dão ferramentas. Isto é, não dizem as horas, ensinam a construir relógios. Isto é, não fazem, providenciam que seja feito. Isto é, não reúnem seus funcionários para declarações solenes do horário do dia, mas multiplicam pessoas capazes de dizer que horas são. Sabem que o tamanho de sua contribuição ao mundo não se pode medir pelo número de pessoas a quem estes disserem as horas, mas pelo número de pessoas que puderem saber as horas quando ele não estiver por perto.

Bem, confesso que estou em dúvida: não sei se James e Jerry pesquisaram empresas visionárias ou os princípios de liderança do Senhor Jesus e do apóstolo Paulo. Na verdade, acho mesmo que foram aqueles camaradas que construíram impérios como Disney, IBM, American Express, Ford, Boeing, Johnson & Johnson, 3M e WalMart, que eram leitores do Novo Testamento, aliás, prática bastante negligenciada pelas lideranças evangélicas contemporâneas.

Ed Rene Kivitz é pastor da Igreja Batista de Água Branca e autor de três livros, "Nasce uma Igreja" (Ed. Sepal), "Koinonia" e "Quebrando os Paradigmas" (Ed. Abba Press).

Onde estão os Anciãos e os nossos Presbíteros?

Onde estão os Anciãos e os nossos Presbíteros?
Publicado em 23/06/03 às 20:48
Por Pr.David Alencar

Há alguns anos li uni artigo que falava sobre os ex-presidentes dos EUA. Lembro bem que o articulista falava o quanto fazia falta ao Brasil, termos líderes veteranos que ultrapassaram a luta política quotidiana e, por isso mesmo, podiam ser um reservatório de experiência e sabedoria para a nação. O autor falava que os nossos ex ainda estavam por aí querendo um lugarzi-nho ao sol na arena do poder (vide Collor, Itamar e Sarney). Fiquei pensando em como seria o Brasil se ainda tivéssemos, entre nós, o Getúlio Vargas bem velhinho, o Juscelino, o Jânio, o Jango, o Castello Branco e (Deus me perdoe) até o Mediei. Será que teríamos um pouco mais de sabedoria ou seriam, todos, como o ex-presidente Figueiredo, velho, amargurado, onde os anos somados só acresceram sua estultície. Enfim, fico pensando nisso...

E quando penso na Igreja, particularmente na Igreja Evangélica Brasileira, fico me perguntando: "onde estão os nossos anciãos? Porque precisamos ser orientados somente por essa legião de "meninos", com menos de 50 anos de idade, da qual eu mesmo faço parte?"

Todos sabemos que a palavra presbítero, cujo significado literal é ancião, não significa somente idade mas, principalmente, maturidade. Porém, hoje, depois de ter alcançado a marca dos 40 anos, vejo que é quase impossível maturidade sem o con-
curso dos anos. Os jovens tem um defeito comum: precisam do sucesso. Os velhos, quando saudavelmen-te envelhecidos, já superaram isso. Ou porque nunca alcançaram 'o sucesso' e aprenderam a viver sem ele. Ou porque o alcançaram e viram o quanto é ilusório.

Onde estão aqueles anciãos que, sem pretensão de status e poder, podem dar à Igreja Evangélica Brasileira a densidade necessária com sua palavra de exortação, equilíbrio, sabedoria e graça? Estamos por demais necessitados disso.

Sou parte da geração que sentou aos pés do Caio Fábio. Menino como eu, embora menino brilhante. Hoje parece estar havendo uma corrida de outros meninos para ocupar o vazio que o Caio deixou. Tomara que ninguém consiga. Lembro-me de um pastor mais velho que, 15 anos atrás, após uma pregação do Caio, disse o seguinte: "Oremos por esse moço. Ele é muito jovem para a atenção toda que está recebendo." Havia sabedoria naquelas palavras mas eu não ouvi...Eu era muito jovem...

Será esse o maior problema? Eu, nós, não estamos dispostos a ouvir os anciãos? Morei com minha família num país muçulmano. Uma das coisas que admirei foi o lugar e o papel de honra que o velho tinha naquela sociedade. Vi, muitas vezes, jovens sentados aos pés de idosos cegos, alquebrados, ouvindo suas histórias, seus discernimentos, sua sabedoria. Chocou-me por que nós tendemos a valorizar somente o jovem, afinal, "...não confie em ninguém com mais de trinta anos..." é o lema desde os anos 60.

Sim, uma grande parte do problema é que os nossos anciãos, os veteranos da igreja, estão por aí, nos cantos, desvalorizados, sentido que nós - eu e os mais novos que eu -não precisamos deles. Nós somos a geração que sabe o que faz e ponto final. "Eles são ultrapassados", é o que pensamos. Qual dos pastores atuais, de celular ligado, laptop à tiracolo, agenda lotada, tem tempo e disposição para estar com um desses velhos pastores?

Por outro lado, não quero desprezar o outro problema que, para mim, foi resumido na observação de um pastor amigo: "A Igreja Evangélica Brasileira não tem produzido muitos velhinhos sábios.". Estará certo o meu amigo? Lembro-me de um homem, o Irmão Francisco, monge trapista, com quem fiz amizade. O irmão Francisco tinha, quando o conheci, mais de 70 anos, 50 destes dedicados à vida monástica, à vida de oração. Ao conversar com ele, em seu olhar, palavras ingênuas, sinceras, desprovidas de preconceito, ele me comunicou Jesus. Ele transpirava Jesus. Quantos pastores-líderes idosos nós temos assim? Quero crer que os temos. Acho que em cada denominação/grupo evangélico os há. Nos últimos anos, eu e outros pastores, temos nos sentido "acolhidos" na sabedoria espiritual de um velhinho inglês, o Dr. James Houston, que todos os anos, deixa o Canadá, onde mora e, apesar de seus mais de 80 anos, vem ao Brasil, dar-nos um pouco de perspectiva e sabedoria espiritual.

Enfim, não quero ser apenas lamuriento. Acho que há algo que pode ser feito. Primeiramente, por nós, pastores, na ribalta do ministério público: certamente podemos procurar por esses velhinhos. Acho que em cada denominação, grupo, missão, há veteranos sábios, que merecem ser ouvidos, que precisam ser ouvidos. Vamos pois, buscá-los!

Em segundo lugar, há algo, que também pode ser feito pelos senhores, anciãos. Acreditem, precisamos de vocês. Não sabemos tanto quanto a imagem que passamos de nós mesmos. O Dr. Houston disse: "O nosso problema é que falamos mais depressa do que pensamos, pensamos mais depressa do que agimos, e agimos
mais depressa do que temos caráter para isso." É verdade! Muitos de nós somos como meninos com zarabatanas enfrentando metralhadoras. Estamos assustados. Temos medo. E escondemos isso de quase todo mundo. Por favor, ajudem-nos. Chamem-nos à sua casa. Falem-nos de suas lutas. Sorriam amorosamente dos nossos grandes projetos. Incentivem-nos a orar. Ajudem-nos a amar a Deus profundamente. E ao próximo...

Em terceiro lugar, será que a Igreja Evangélica Brasileira, talvez via AEVB, não poderia ter algo como um Conselho de Anciãos, tipo indígena, onde os nossos Shedds, Togninis, Elbens Lenz, e outros, se reunissem, de vez em quando, para conversar, orar e nos dizer.

"Meninos, não se assustem, cuidado com os lobos, cuidado com os falsos obreiros, combatam o bom combate, completem a carreira, preservem a fé."

Pr. David Alencar - Pastor na Igreja Batista da Borda do Campo - SBC/SP

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