quarta-feira, 25 de abril de 2007

Que tipo de líder é você? (Em Inglês)


Clique na Imagem ou aqui e faça o seu teste (Em Inglês)

segunda-feira, 23 de abril de 2007

Treinamento da liderança cristã em tempos de pós-modernidade

Por: Itamir Neves



O Novo Testamento mostra claramente que o propósito divino para a igreja,
coletivamente, e para os cristãos, individualmente, é a maturidade espiritual. O
Novo Testamento mostra a necessidade da maturidade coletiva através da razão
apresentada por Paulo: "... para que não sejamos mais meninos, inconstantes,
levados ao redor por todo vento de doutrina, pelo engano dos homens que com
astúcia induzem ao erro"
(Ef 4, 14). Mas ao mesmo tempo, individualmente, o
cristão tem como alvo principal da maturidade espiritual tornar-se semelhante a
Cristo. A vontade de Deus para os cristãos é expressa claramente através das
seguintes palavras: “Pois os que dantes conheceu, também os predestinou para
serem conformes à imagem de seu Filho, a fim de que ele seja o primogênito entre
muitos irmãos”
(Rm 8, 29).

Sendo a maturidade espiritual, ou o desenvolvimento do caráter de Cristo, a
vontade de Deus para os cristãos pergunta-se: Como acontece o crescimento
espiritual? ou, Como o cristão pode tornar-se maduro, um adulto na fé?

Voltando ao passado

Na década de 70 foi publicado pela ABU o livro A Morte da Razão. Seu
autor, Francis Schaeffer, hoje falecido, era um suíço agnóstico que se converteu
ao cristianismo. Ele foi, sem dúvida nenhuma, um dos escritores mais lúcidos que
o cristianismo recente conheceu. Nesse livro ele demonstrou de uma maneira
irrefutável, como o mundo moderno perderia gradativamente a capacidade de pensar
com coerência. Profeticamente ele via com uma nitidez impressionante o dilema
que viveríamos hoje ao pregarmos o Evangelho na pós-modernidade, à sociedade
existencialista, onde todos os valores estariam relativizados e, não mais a
razão, mas as sensações fundamentariam a validade dos conceitos.

Na visão de Schaeffer, os cristãos dos dias atuais teriam a árdua tarefa de não
somente evangelizar, mas de resgatar na mente das pessoas o verdadeiro
significado das palavras, ou como disse Pedro, teríamos que “estar sempre
preparados para responder a todo aquele que nos pedir a razão da esperança que
há em nós”
(1Pe 3.15).

A modernidade deixou frustração, pois o sonho social desmoronou diante do
fracasso de alguns paradigmas: a) Fracasso do comunismo e do capitalismo; b)
Fracasso da impotência da ciência, diante dos males que atacam e destroem o ser
humano; c) Fracasso de possibilidade da educação do ser humano, diante da
violência do ser humano; d) Fracasso e falência dos estados tanto democráticos
como totalitários, diante das necessidades básicas dos seus cidadãos não
supridas; e, e) Fracasso do homem bom, diante da bestialidade humana,
demonstrada na matança das guerras, do terrorismo fanático, ideológico e
religioso.

Auschwitz (completou 60 anos), My Lai, a queda do Muro de Berlim, os constantes
conflitos na Irlanda, o massacre de Ruanda, a Aids, as barbáries na Bósnia, a
destruição das Torres Gêmeas, a contínua matança entre israelenses e palestinos.
O avanço da pedofilia, o consumo cada vez maior das drogas, como a cocaína, o
crack, o extasy, o poderio dos narco-traficantes que permitem ou não o
funcionamento do comércio de diversas áreas das cidades, as favelas nos grandes
centros urbanos como a Cidade do México, Rio de Janeiro e São Paulo. Os comandos
do crime organizado que de dentro dos presídios afetam a vida de quem se supõe
em liberdade e tantos outros eventos que são relatados nos jornais e na
televisão, acabaram de vez com a pretensão da modernidade: o homem não é capaz
de construir um mundo novo.

A pós-modernidade, então, postula o fim das utopias. Francis Fukuyama
(entrevistado no Mesa Redonda da TV Cultura, em 2006), nominou de modo brilhante
e conciso o seu tratado sobre a pós-modernidade. Ele o chamou de O fim da
história e o último homem
.

Na pós-modernidade não há mais sonhos para sonhar. Todos os sonhos já foram
sonhados. Todos os sonhos fracassaram.

John Lennon proclamou: o sonho não acabou. Fukuyama proclama: o sonho acabou!

Convivendo com o presente

Para ser relevante neste kairós a igreja e a teologia devem não apenas
discernir as mudanças do mundo, como também adaptar-se a elas. O grande desafio
que a igreja e a teologia enfrentam em nessa geração é resumido na expressão de
Os Guinness, em seu livro Dinning with devil (Jantando com o inimigo),
quando diz que: “precisamos ganhar o mundo sem perder a alma”.

Diante dessa realidade torna-se ainda mais urgente tratar de modo adequado da
questão do treinamento da liderança, torna-se necessário tratar-se da questão da
maturidade dos cristãos diante dos desafios que a pós-modernidade impõe.


Mas, o que é pós-modernidade? Pós-modernidade ou modernidade tardia, ou hiper-modernidade é o movimento que descreve as mudanças ocorridas do mundo nas diversas áreas da sociedade, que a partir da década de 90 e especificamente a
partir de 1989, com a queda do muro de Berlim foram afetando as sociedades
avançadas. Surgiu de modo mais claro já na década de 50 com a arquitetura e a
computação; tomou corpo nos anos 60 com a arte “pop”; cresceu ao entrar na
filosofia durante os anos 70; sendo percebida depois, a partir da década de 80
no cinema, na moda, na música; estabelecendo-se definitivamente a partir dos
anos 90 na tecnociência (tecnologia+ciência), chegando até os dias atuais com os
alimentos processados, os fornos micro-ondas, os lap-tops, os “palms”, os “pen-drive”,
os celulares, as câmeras digitais, o HDTV, a internet, os “i-Pods”, as
comunidades “msn”, “orkut”, o “skype”, os “blogs”, enfim uma série de conquistas
e atualizações que uma pessoa normal não consegue acompanhar.

Em termos simples, a pré-modernidade era governada por Deus, a modernidade, pelo
homem, e a pós-modernidade é governada por todo mundo, isto é, ninguém.

Na pós-modernidade os paradigmas que orientam o mundo são os seguintes:

a) A filosofia é humanista – após o iluminismo, o homem tornou-se o centro de
tudo; b) A sociedade é pluralista – cada cabeça, uma sentença; o que se tem em
comum é a liberdade; c) A política é democrática/anarquista – o estado não
legisla sobre a verdade nem sobre sua bancada (veja o exemplo da Câmara dos
Deputados – eleição de Severino Cavalcanti em 15-01-2005; veja a troca de
partidos no inicio da legislatura – fevereiro de 2007); d) A ciência é
materialista – a verdade é só aquilo que pode ser experimentado no laboratório e
tem que ser observada pelos 5 sentidos (olfato, paladar, tato, audição e visão);
e) O conceito é de pragmatismo – o pensamento popular afirma que se funciona e
dá certo é correto e verdadeiro; f) A vida pessoal é hedonista – o homem entende
que aquilo que lhe dá prazer e lhe satisfaz é verdadeiro e deve ser procurado;
e, g) A religiosidade tornou-se mística – “Tive uma visão”, “vi um anjo que me
dizia” e “Deus me falou” são frases que tornam a religião subjetiva e interior.

Como a liderança das comunidades cristãs enfrentará essa realidade já presente?
Como a igreja capacitará os seus adolescentes e jovens, seus futuros líderes a
enfrentarem esses desafios?

Preparando-se para o futuro

Uma das mais importantes questões da igreja atualmente é exatamente como pensar
a fé e a religião em face das circunstâncias que se denomina de pós-modernidade.
O mundo de hoje é globalizado e, não existem mais fronteiras. Circundados por
este contexto, necessita-se questionar quais são os desafios decorrentes desta
situação.

Em linhas gerais, o tema da pós-modernidade é cheio de preconceitos. Muitos
pensam que pós-modernidade é a melhor coisa deste mundo – querem progresso não
importando o preço que tenham que pagar! Outros pensam que pós-modernidade é a
pior fase do desenvolvimento humano: todas as feridas e sofrimentos são frutos
de uma vida de técnica e dinheiro em detrimento de valores importantes como
justiça, fraternidade, ética, compromisso e amor, que não são mais levados em
conta.

É claro que pós-modernidade tem seus valores (progresso, meios de comunicação,
sociabilidade, ciência, desenvolvimento, etc.), mas tem também seus pecados
(pobreza, falta de oportunidade a muitos povos, nações e indivíduos etc.).
Portanto, é necessário se perguntar: como pensar a fé, a religião, a igreja e a
teologia diante deste contexto? É preciso reconhecer-se quais os elementos
positivos, mas é necessário crescer aprendendo com os erros.

Nesses primeiros anos do novo milênio muitos cristãos afirmaram que a fé, a
teologia e a religião perderiam sua importância. Aconteceu exatamente o
contrário! Fé é algo extremamente importante na atualidade. Contudo, quando se
fala de fé não se esta pensando, de modo tradicional. É o momento de se
perguntar quais são os pecados que fazem parte do universo religioso. Muitos
desafios precisam ser considerados: ecumenismo, diferentes concepções de Deus,
diferentes conceitos religiosos, a influência do dinheiro e dos meios de
comunicação social nas atividades religiosas e, daí por diante. Apesar de se
imaginar que fé é algo absolutamente “espiritual” não se pode esquecer que é uma
prática humana, portanto cheia de imperfeições como qualquer outra manifestação
humana.

Vive-se num mundo de individualismo, pragmatismo e materialismo; a herança de
tais características é resultado da globalização. O papel da teologia, que é
proclamada na religião e vivenciada na igreja, é reconstruir alguns valores no
tempo. Somente através do plano proposto pelo Senhor Jesus Cristo pode-se
devolver a possibilidade ao mundo de algo novo com paz e alegria.


Mas, com razão, alguns perguntam: a pós-modernidade pode afetar a teologia e a
prática eclesiológica? É possível acontecer?

A resposta é: Sim! E indo um pouco mais adiante é possível afirmar-se a
importância de se entender como alguns elementos filosóficos da pós-modernidade
podem afetar a interpretação e a prática dos evangélicos.

1. Os evangélicos têm tradicionalmente interpretado as Escrituras
partindo de alguns pressupostos:

a) Em primeiro lugar, se crê que as Escrituras são divinas, em sua origem,
infalíveis e inerrantes no que afirmam e seguras e certas no seu ensino; b) Em
segundo lugar, se crê que a Bíblia é a revelação da verdade. Só existe um
caminho certo, o que se encontra revelado na Bíblia; c) Em terceiro lugar, se
crê que tudo o que é necessário à salvação e à vida cristã estão claramente
revelados nas Escrituras; d) Em quarto lugar, se crê que não há salvação fora do
evangelho; e, e) Em quinto lugar, se crê que esta salvação claramente exposta na
Bíblia Sagrada é universal.

2. Em contraste a esse posicionamento “cristão/evangélico”, existem
alguns conceitos da pós-modernidade que podem ameaçar a interpretação
conservadora das Escrituras. Por isso, é necessário que os teólogos, os
pensadores cristãos, os líderes e a igreja de um modo geral conheçam quais são
esses perigos. Os perigos que apontamos são conceitos que não raras vezes são
adotados por alguns cristãos sem se dar conta do grande perigo que correm e do
grande mal que eles proporcionam.

3. Precisamos estar atentos ao relativismo, ao pluralismo, ao
secularismo, ao individualismo, ao consumismo, ao hedonismo, ao inclusivismo, ao
tolerantismo, ao misticismo, e ao erotismo e a outros “ismos”. Sabemos as suas
definições? Sabemos como suas práticas afetam o evangelho? Conclusão

Esses são alguns dos perigos que a pós-modernidade traz à teologia, à leitura e
interpretação das Escrituras e a prática eclesiástica.

É possível reconhecer-se a contribuição da pós-modernidade em destacar a
participação do contexto e do leitor na produção de significado, quando se lê um
texto.

Porém, não é possível concordar que isso invalide a possibilidade de uma leitura
das Escrituras que permita alcançar a mensagem de Deus para todos que desejam
ouvir a voz de Cristo, como, certamente, Ele gostaria ser ouvido.


Mas, para ter-se segurança na percepção dessa mensagem e no ensino da mesma se
faz necessário e urgente um treinamento sério e contextualizado dos líderes que
Deus tem levantado no meio do Seu povo.

Implicações práticas

Diante do exposto nos resta elaborar métodos práticos de treinamento de líderes
que possam atuar de modo consistente tornando a igreja uma agência
contextualizada e bem preparada para as indagações do mundo atual.

A preparação de líderes deve ter como filosofia básica o treinamento dos mesmos
a partir do seu contexto local. Cada comunidade ou grupos de comunidades, a
partir das suas necessidades locais, a partir dos seus contextos urbanos ou
rurais, e a partir da sua cultura e cosmovisão deve proporcionar o treinamento
dos seus líderes com a finalidade de que façam parte do pastoreio ministerial da
igreja.


Valores diferenciados como a ênfase devocional, ministerial, relacional e
informal devem ser os balizadores desse treinamento. O objetivo desse
treinamento será a formação de líderes cristãos que se comprometam a usar os
dons recebidos para atuarem tanto no contexto externo, na sociedade, isto é, na
“diáspora”, quanto no contexto interno, na comunidade, isto é, na “ekklesia”.
Para isso esse treinamento deverá também destacar em seu currículo as áreas
teológica-devocional e eclesiástica-comunitária.

A filosofia educacional deste futuro “instituto de desenvolvimento e
aperfeiçoamento de líderes” deve ter como base uma educação integrada promovendo
nos alunos uma consciência crítica levando em conta o contexto social e o seu
momento histórico, capacitando-os a se desenvolverem como líderes cristãos e
cidadãos conscientes.

Nesse momento em que somos estimulados a nos isolar cada um à frente do seu
computador, para trabalhar, para pesquisar, para estudar, e até para nos
divertirmos, o treinamento cristão deve resgatar uma ênfase cristã dos primeiros
séculos. A partir da comunidade local e no contexto desta escola, além do
currículo formal o currículo informal deve estar presente através do
acompanhamento dos alunos pelos professores, desenvolvendo o método antigo e
sempre novo do discipulado.

Esse treinamento, com base na comunidade, deve ter como objetivos educacionais
demonstrar que o alvo que se quer alcançar com cada um dos alunos é formá-los
integralmente e assim ele será desafiado a desenvolver as áreas do caráter (o
ser), do conhecimento (o saber), da comissão (o fazer), da convivência (o
relacionar-se) e da cidadania (o viver em sociedade).

Temos constatado que várias comunidades têm se apercebido da urgência e da
importância desse treinamento e têm desenvolvido boas iniciativas, pelo que
ficamos agradecidos a Deus e certos de que esse é o caminho a ser trilhado no
momento atual.


Uma dessas iniciativas tem ocorrido em São Paulo com o IDEAL – Instituto de
Desenvolvimento e Aperfeiçoamento de Líderes (ideal@comunhao.org.br) que pode
ser usado como exemplo de uma comunidade que percebendo essa necessidade tem
treinado os seus líderes e tem aberto sua escola para outros tantos que estão
interessados em enfrentar com objetividade o desafio que a pós-modernidade nos
impõe. Clique sobre a imagem



IDEAL



Meu desejo é que a igreja brasileira faça frente aos desafios atuais e se
capacite a “responder a todo aquele que lhe pedir a razão da esperança que há em
nós”.


ITAMIR NEVES DE SOUZA - É pastor, conferencista e professor nas áreas de Teologia da Vida Cristã, Novo Testamento, Teologia Bíblica, Homilética e Pregação Expositiva. Cursou grego na USP e concluiu seu mestrado na Universidade Metodista de São Paulo. É casado com Beti e tem três filhos: Anna, Itamir e Ana


BIBLIOGRAFIA


BÁEZ-CAMARGO, Gonzalo. Princípios e Método da Educação Cristã. Rio de
Janeiro : Conf. Evangélica do Brasil, 1961.

BOFF, Leonardo. E a Igreja se fez Povo. Petrópolis : Vozes, 1986.

COMBLIN, José. Educação e Fé: Os princípios da Educação Cristã. São Paulo
: Herder, 1962.

FILORAMO, Giovanni e PRANDI, Carlo. As Ciências das Religiões. São Paulo
: Paulus, 1999.

FLORISTÁN, Casiano. Teología Práctica. Salamanca : Sígueme, 2002.

GHIRALDELLI JR., Paulo. O que é Pedagogia? São Paulo : Brasiliense, 1991.

GROOME, Thomas H., Educação Religiosa Cristã: Compartilhando nosso caso e
visão
. São Paulo : Paulinas, 1985.

HILLALL, Josefina, Relação Professor-Aluno: Formação do Homem Consciente.
São Paulo : Paulinas, 2000.

KIVITZ, Ed René. Pós-modernidade e espiritualidade. São Paulo : Eclésia,
2007.

LIMA, Lauro de Oliveira. Pedagogia: Reprodução ou Transformação. São
Paulo : Brasiliense, 1987.

MAGER, Robert F. A Formulação de Objetivos de Ensino. Rio de Janeiro :
Globo, 1985.

METTE, Norbert. Pedagogia da Religião. Petrópolis : Vozes, 1997.

MONDIN, Battista. As Novas Eclesiologias: Uma Imagem atual da Igreja. São
Paulo : Paulinas, 1984.

OLIVEIRA, João Batista Araújo. Tecnologia Educacional: Teorias da Instrução.
Petrópolis : Vozes, 1977.

PIMENTA, Selma Garrido. O Estágio na Formação de Professores: Unidade Teoria
e Prática.
São Paulo : Cortez, 1995.

PUCCI, Bruno. A Nova Práxis Educacional da Igreja. São Paulo : Paulinas,


RAMOS, Julio A., Teología Pastoral. Madrid : Autores Cristianos, 2001.

REGAN, David. Igreja para a Libertação: Retrato Pastoral da Igreja no Brasil.
São Paulo : Paulinas, 1986.

RICHARDS, Lawrence O. Teologia da Educação Cristã. São Paulo : Vida Nova,
1980.

RICHARDS, Lawrence O. e MARTIN, Gib. A Teologia do Ministério Pessoal.
São Paulo : Vida Nova, 1984.

SCHNEIDER- HARPPRECHT, Christoph (Org.). Teologia Prática no Contexto da
América Latina
. São Leopoldo : Sinodal, 1998.

SENIOR, Donald e STUHLMUELLER, Carroll. Os Fundamentos Bíblicos da Missão.
São Paulo : Paulinas, 1987.

VASCONCELLOS, Celso S. Construção do Conhecimento em Sala de Aula. São
Paulo : Libertad, 1995.

_______________. Planejamento: Plano de Ensino-Aprendizagem e Projeto
Educativo
. São Paulo : Libertad, 1996.

________________. Para onde vai o Professor? Resgate do Professor como
Sujeito de Transformação.
São Paulo : Libertad, 1998, 111p.

WARREN, Rick. Uma Igreja com Propósitos. São Paulo : Vida, 1997, 484p.

Fonte: SEPAL

quinta-feira, 19 de abril de 2007

À Guisa de Explicações

Queridos amigos e irmãos,

Gostaria de explicar a existência de algumas referências a medalhas, santos e santas, algumas igrejas e sites que são puras seitas e heresias, e outras coisas que aparecem nas propagandas do Google, que não deveriam nem constar.
Infelizmente, não tenho como controlá-las, pois elas surgem com base nos textos que coloco no blog, e na maioria das vezes são relacionados à religião e o critério do Google é relacionar de forma direta o que estou tratando com as propagandas que aparecem. É a propaganda relacional.
Como para manter este blog em funcionamento me demanda algum tempo, e como preciso compensar este tempo com algum recurso financeiro, o Google me faz isso, pois este anúncios são remunerados.
Como vocês podem me ajudar? Utilizando as ferramentas que o Google tem colocado em minha página à sua disposição: Pesquisar utilizando o Google, através do Blog; Instalando o Firefox e os demais programas que estão anunciados, através dos botões que estão aqui, (Google Pack) e acessando os links das propagandas que estão na barra de links do Google.

segunda-feira, 16 de abril de 2007

O líder que brilha: Sete relacionamentos que levam à excelência

David Kornfield
A resplandecente Estrela da Manhã nos chama para sermos, também, estrelas a brilhar no meio de uma geração depravada e corrompida (Fp 2.15). Existem muitas estrelas, mas nem todas realmente brilham. Da mesma forma, há bastante líderes bons; porém é bem mais raro encontrar líderes excelentes que permanecem assim através dos anos.
O líder realmente grande demonstra sua grandeza na habilidade de vivenciar o Grande Mandamento de amar a Deus acima de tudo e ao próximo como a si mesmo (Mt 22.36-40). Quer dizer, essa pessoa é fantástica em se relacionar, até consigo mesma, tendo uma harmonia interna que se reflete em suas relações externas. A Grande Comissão de fazer discípulos (Mt 28.18-20) também se pode entender como profundamente relacional, uma vez que define o discipulado como Jesus o definiu: uma relação comprometida e pessoal.
Sete relacionamentos são fundamentais para nos transportar da condição de bons para excelentes. Ninguém será um líder que verdadeiramente brilha se não se sobressair em cada um deles, se relacionando bem com:
1. Jesus Cristo
2. Consigo mesmo
3. Sua família
4. Um grupo pastoral
5. Sua equipe (para um pastor, isto seria sua equipe pastoral)
6. Um líder pastoral, discipulador ou mentor
7. Amigos íntimos

Visualizemos os sete itens acima através de uma estrela. O centro dela é Jesus Cristo e nada pode tomar o Seu lugar de destaque. Devemos estar e permanecer n’Ele para fazermos a diferença e brilharmos. O verdadeiro filho não pode fazer nada de si mesmo (Jo 5.19). Isso se aplica a nós e não apenas a Jesus. Ele esclarece isso quando diz que sem ele, não podemos fazer coisa alguma, que não podemos dar fruto sem permanecer nele (Jo 15.4, 5). A prioridade deste relacionamento fica claro no Grande Mandamento e no chamado a buscar a Ele e sua justiça em primeiro lugar, sabendo que todas as outras coisas serão acrescentadas (Mt 6.33).

Em segundo lugar, o líder estrela se relaciona bem consigo mesmo. Gosta de si mesmo, sem ser orgulhoso. Leva a sério a advertência de Paulo para Timóteo “Cuide de si mesmo...” (1 Tm 4.16). Cuida de sua saúde física, emocional e espiritual. Ele se entende. Conhece seu chamado, dons e pontos fortes, como também suas vulnerabilidades e fraquezas. Ele se esforça em crescer, em se afiar e não se acomodar, ao mesmo tempo que fica patente que isso é a graça de Deus agindo nele e não apenas o seu próprio esforço (1 Co 15.10).
Uma terceira prioridade, após Deus e o cuidado consigo mesmo, é ter uma família que brilha, onde o mistério do amor entre Cristo e a Igreja se revela no amor entre marido e mulher. Refletir o Reino de Deus e desfrutar disso em casa é fundamental para a vida e ministério de qualquer líder pastoral (1 Tm 3.2, 4-5, 10; 5.8). A família é como um farol que não pode ser escondido, sua saúde e alegria (ou a falta do mesmo) sendo evidente. Se ela não está bem, levanta sérias perguntas quanto à integridade e validade do ministério do líder. Quando brilhamos nisto, as pessoas são atraídas a nosso casamento e família, vendo-o como um exemplo num mundo que carece terrivelmente disso.
Em quarto lugar, o líder estrela precisa de um grupo pastoral que o ame, o aceite e nutra; que o ajude na prestação de contas e ande junto dele no dia-a-dia, encorajando-o, fortalecendo-o e, quando preciso, confrontando-o em amor. Esse grupo cumpre as palavras de Paulo quando ele diz aos presbíteros de Éfeso “Cuidem de vocês mesmos...” (At 20.28). Para funcionar bem é interessante que o grupo seja pequeno mesmo, um grupinho de 3-4 pessoas, onde todos realmente se conhecem, abrem seus corações e cuidam uns dos outros, até de forma preventiva para que problemas maiores nem apareçam.
Em quinto lugar, todos temos um chamado e precisamos de uma equipe para realizá-lo. Ninguém vai longe sozinho. Precisamos de parceiros, aliados, com o mesmo chamado e que nos provocam, estimulam e complementam; aliados que nos apoiam nos momentos em que o desânimo nos acomete e nos protegem de nossos pontos fracos. Um grande segredo para o sucesso como líder é ter um co-líder, um sucessor, um escudeiro que o acompanha, o seu braço direito. Através desta equipe realmente estendemos o Reino de Deus para outros.
Em sexto lugar, o líder estrela tem um mentor que se importa com ele. Um mentor ou líder pastoral é alguém que fornece um ambiente de amor e aceitação, onde ele incentiva, exorta, desafia e provoca uma transposição do ordinário para o extraordinário. Ele acredita profundamente em nós e tem uma graça especial para ministrar à nossa vida. Encontros com esta pessoa são freqüentemente divinos, quando Deus revela o Seu poder, sabedoria ou presença de forma especial.
E em sétimo e último lugar, um excelente líder tem amigos íntimos, cuja relação não se baseia no ministério. Esses amigos esclarecem e ressaltam que existe uma vida além do ministério que é preciosa e precisa ser desfrutada. Amigos são pessoas com as quais abrimos nossos corações; que têm liberdade especial para nos corrigir ou confrontar em amor, especialmente quando somos tentados a exagerar em nossos envolvimentos ministeriais. O ideal é termos um ou dois amigos íntimos do mesmo sexo e, se for casado, um casal com quem você e seu cônjuge tenham uma amizade especial. Se puder ter um bom amigo do sexo oposto (além de seu cônjuge), como também alguém não crente, isso acrescenta à sua capacidade de ser uma pessoa equilibrada. Esses amigos nos ajudam a lembrarmo-nos de que somos “gente” e que precisamos ter momentos de simplesmente desfrutar disso!
Quantos, desses sete relacionamentos, funcionam bem em sua vida? Realmente vale a pena investir nestas áreas; o retorno será sempre bem maior que nosso investimento. Se houver alguma ponta da estrela que nem existe em sua vida, corra atrás dela! Não fique acomodado, não se contente em ser apenas bom. Pesquisas mostram que a área onde pastores e líderes sentem mais carência é em sua relação com Deus. Além disso, a maioria dos líderes tem fraqueza na área da família e, muitas vezes, as outras cinco pontas sequer existem!
Se estes relacionamentos não existem ou não andam bem em nossa vida, é porque não investimos seriamente neles. A Bíblia diz que se buscarmos, encontraremos. Se procurarmos, acharemos. Se batermos na porta, abrir-se-nos-á (Mt 7.7). Se não desistirmos, se realmente formos sérios em nossa procura, Deus acabará revelando-nos quem deve preencher a lacuna que existir nessa estrela.
Perguntas para reflexão:
1. Que nota (de 0 a 10) você daria a si mesmo em cada um dos relacionamentos ressaltados aqui?
2. Em qual das sete áreas você mais gostaria de melhorar? Como?
3. Ninguém consegue brilhar no seu campo ou especialidade sem dedicação e disciplina (veja Pv 1.2, 3, 7). O que você precisa mudar em seu estilo de vida se quiser realmente brilhar?
Fonte: http://www.mapi-sepal.org.br/defferartilider.htm

Ética cristã

Arival Dias Casimiro

A palavra "ética" vem do grego "ethos", e significa práticas ou costumes que são aprovados por uma cultura. A ética é a ciência que trata da moral e dos costumes humanos. Aurélio define ética como "o estudo dos juízos de apreciação que se referem à conduta humana susceptível de qualificação do ponto de vista do bem e do mal, seja relativamente à determinada sociedade, seja de modo absoluto".

Quando o assunto é conduta ou comportamento humano, precisamos de normas ou princípios que orientem o nosso comportamento. Naqueles dias não havia rei em Israel; cada um fazia o que achava mais certo. (Jz 21.25). Esta era a triste situação de Israel na época dos juízes! Naqueles dias não havia rei em Israel. Por não haver rei em Israel, não existia autoridade e leis que orientassem a conduta do povo. A conseqüência disto foi à anarquia: Cada um fazia o que achava mais certo.

Este versículo nos oferece duas verdades importantes: Primeira, todos nós precisamos tomar decisões; segunda, todas as nossas decisões são orientadas pela noção daquilo que é certo ou errado. Certo ou Errado? O nosso referencial ético é a Bíblia. Ela é o nosso manual de fé e de comportamento

Toda pessoa toma as suas decisões a partir daquilo que ele pensa sobre o que é certo ou errado.

A ética cristã trata dos princípios que regulam o comportamento do cristão. A ética cristã é o conjunto de princípios espirituais extraídos exclusivamente da Bíblia, para nortear a conduta do cristão, nos seus relacionamentos com Deus e com as pessoas. E. Bruner diz: "Ética cristã é o comportamento humano determinado pelo comportamento divino". A ética cristã é o conjunto de valores moral total e unicamente baseado nas Escrituras.

A ética cristã baseia-se em alguns pressupostos teológicos:

A Existência de Deus

A existência de Deus é à base da fé e da conduta cristã.

Dostoievski, poeta russo, afirmou que se Deus não existe, tudo é permitido. Deus, porém, existe, logo nem tudo é permitido. A vida possui um sentido ético e moral. Tudo que o homem semear, ele também colherá. Os atos humanos são e serão julgados por Deus. Assim, pois, cada um de nós dará contas de si mesmo a Deus (Rm14.12). Cuidado com o que você anda dizendo e fazendo!Deus não é de confusão, e sim de paz. Ele exige que tudo seja feito com decência e ordem. (1Co14.33, 40). Ele estabelece limites!

A Depravação do Homem

A depravação humana requer a existência de normas de conduta. O homem é inclinado a praticar o mal.Jesus Cristo nos ensina em Marcos 7, sobre a origem da maldade humana: Não compreendeis que tudo o que de fora entra no homem não o pode contaminar, porque não lhe entra no coração, mas no ventre, e sai para lugar escuso? E, assim, considerou ele puros todos os alimentos. E dizia: o que sai do homem, isso é o que contamina. Porque de dentro, do coração dos homens, é que procedem os maus desígnios, a prostituição, os furtos, os homicídios, os adultérios, a avareza, as malícias, o dolo, a lascívia, a inveja, a blasfêmia, a soberba, a loucura. Ora, todos estes males vêm de dentro e contaminam o homem (18-23).

Primeiro, a corrupção humana é universal. No texto Jesus não descreve um determinado grupo social, mas ele fala do homem como uma espécie universal. A corrupção está presente onde houver um ser humano. (Rm 5.12). Segundo, a corrupção tem a sua origem no coração humano. Jesus é categórico: Porque de dentro, do coração dos homens, é que procedem os maus desígnios... Não é o poder, nem é uma educação falha, ou um ambiente ruim que perverte o homem, mas o seu coração corrompido. O meio pode influenciar, mas não é a causa determinante. (Jr 17.9).

O comportamento humano só pode ser mudado a partir de uma mudança interior.

A conversão é o primeiro passo para a genuína mudança de comportamento. Ninguém muda de fora para dentro. Chamo a sua atenção para a oração de Davi: Cria em mim, ó Deus, um coração puro e renova dentro em mim um espírito inabalável. (Sl 51.10). Um coração puro é a maior necessidade do ser humano. Somente através de um transplante espiritual poderemos vencer a corrupção. E somente Deus pode realizar esta operação. Ele promete: Então, aspergirei água pura sobre vós, e ficareis purificados; de todas as vossas imundícias e de todos os vossos ídolos vos purificarei. Dar-vos-ei coração novo e porei dentro de vós espírito novo; tirarei de vós o coração de pedra e vos darei um coração de carne. (Ez 36.25-26).

A Bíblia Sagrada é o manual de orientação do cristão.

O cristianismo parte do principio de que existe uma fonte de verdade fora de nós. A Bíblia é especificamente esta verdade. Declarou Jesus: A tua palavra é a verdade. (Jo 17.17). A Palavra de Deus é a verdade objetiva, eterna, absoluta e universal. Ela é autoridade suprema em matéria de fé e de comportamento. Encontramos na Bíblia toda a orientação que precisamos para todos os assuntos importantes da nossa vida. Lâmpada para os meus pés é a tua palavra e luz para os meus caminhos (Sl 119.105).

É na Bíblia que encontramos o padrão moral revelado por Deus. Augustus Nicodemus faz uma alerta: "Entretanto, mais do que simplesmente um livro de regras morais, as Escrituras são para os cristãos a revelação do que Deus fez para que o homem pudesse vir a conhecê-lo, amá-lo e alegremente obedecê-lo. A mensagem das Escrituras é fundamentalmente de reconciliação com Deus mediante Jesus Cristo. A ética cristã fundamenta-se na obra realizada de Cristo e é uma expressão de gratidão, muito mais do que um esforço para merecer as benesses divinas".
Concluindo, chamo a sua atenção para uma verdade que anda esquecida: os valores do reino de Deus são opostos aos valores do mundo sem Deus. Existe e sempre existirá uma incompatibilidade irreconciliável entre a igreja e o mundo. O cristão é diferente e o seu poder de influência reside neste fato: Vós sois o sal da terra; ora, se o sal vier a ser insípido, como lhe restaurar o sabor? Para nada mais presta senão para, lançado fora, ser pisado pelos homens. (Mt 5.13). Seja diferente e faça a diferença.

Desafios da liderança cristã

Walter Santos Baptista

A verdade é que entramos no século 21 com tremendos desafios para a liderança na igreja. Um deles é, no dizer de Warren Wiersbe uma crise de integridade. E ela atinge o cerne da autoridade e da liderança da Igreja de Jesus Cristo. Wiersbe lembra que Paulo exclamou com as veras da sua alma: "não me envergonho do evangelho!" E sugere que talvez o evangelho afirme: "(mas) eu me envergonho dos cristãos". Quanta coisa tem sido praticada em nome do evangelho, com aparência de evangelho, com linguagem de evangelho, e tem dado como resultado superficialidade de convicções, confusão mental e espiritual, e enfraquecimento da fé porque os líderes, pastores ou não, têm aberto campo para a falta de ética, para a manipulação dos sentimentos, para a falta de integridade.

Excelente palavra a que traduz o conceito de integridade na língua hebraica: shalom, a qual é vertida para o português com alguns ricos significados, tais como "inteireza, integridade, plenitude, sucesso, salvação, saúde, prosperidade e, também paz".

Não podemos fazer por menos: o instrumento que Deus tem para unir as pessoas, fatos e acontecimentos é a Igreja de Cristo. O líder há de ser íntegro, "limpo de mãos" (cf. Cl 1.9,10; 2.10; Sl 24.3,4), e "puro de coração" (cf. Sl 24.3,4). O líder cristão deve possuir uma mente como a de Cristo (cf. 1Co 2.16); sua vontade é honesta (Ed 9.6).

O fato é que na época de Jeremias a religião parecia com esta do século 21: o povo dizia crer, mas havia influência secularista, pois o que cria não fazia diferença quanto ao modo de viver. O ideal evangélico está expresso em 2Coríntios 5.17. Além disso, na época de Jeremias, a religião havia se tornado um "grande negócio". É só conferir com as exclamações do profeta Jeremias que não tolerava os abusos como em 5.30,31 e Lamentações 4.13. Tudo isso é o que A. W. Tozer chamou de "tratamento comercial" do evangelho. Esse mesmo "tratamento comercial" é responsável pelo pragmatismo religioso: "visto que a igreja está cheia, Deus está abençoando", afirmam.

Outro desafio às portas do século 21 são os novos estilos de culto. O que em outros países é denominado histórico ou contemporâneo, em nosso país é objeto da pergunta "tradicional ou renovado?" Outras comunidades têm utilizado a terminologia Culto Jovem contrapondo-se ao estilo recebido de liturgia e rito.

É evidente que o culto é mensurado pela transformação causada nos que cultuam a Deus, e há de ser sempre "em espírito e em verdade" (Jo 4.23,24), ou não há de ser culto. É gratidão, reconhecimento, louvor, e (embora não seja o propósito primário) terapêutico. Ao tempo que o cultuante reconhece o cuidado, carinho e amor de Deus, louva-O e sai aliviado das tensões, dos cuidados e preocupações, terapia grupal no louvor comunitário.

O culto, por ser dinâmico, envolve mudanças, mas envolve igualmente o que nunca deve ser mudado. Deus não muda; as verdades eternas não mudam; a Palavra de Deus não muda. Questiona-se a ressurreição de Jesus Cristo, a realidade do pecado, a necessidade de salvação, e a singularidade da obra redentora de Cristo. Mas o método pode mudar porque não são estáticos, mas se adequam aos tempos e circunstâncias.

A liderança da igreja às vésperas do século 21 há de estar aberta para o novo sem perder a visão do permanente na igreja. Afinal, somos líderes e capacitadores numa comunidade local sem perder a visão do todo da Igreja de Jesus Cristo; e capacitadores e líderes da Igreja de Deus sem perder a visão da comunidade como expressão local dessa Igreja. Numa análise do que chama "a Igreja do Futuro", Ralph W. Neighbour destaca que a "Igreja do Presente" se caracteriza por ser tridimensional: tem largura, comprimento e profundidade, mas não possui poder espiritual para dar à luz outra geração de cristãos. A "Igreja do Futuro", além dessas dimensões, tem mais uma: altura, ou seja, vive num mundo físico, de três dimensões como a outra, mas vive em acréscimo num ambiente espiritual onde "principados, potestades, príncipes do mundo destas trevas, hostes espirituais da iniqüidade" são diariamente enfrentados.

É o caso, então, de examinar o que Neighbour destaca quanto ao que caracteriza essa Igreja dinâmica, ativa, viva, quadridimensional:
· O Espírito Santo é Quem a dirige. É só permitir que Ele a controle nos termos de Efésios 3.16. A Igreja e sua liderança não são significativas pelo que possuem, mas porque são usadas por Deus.
· Essa Igreja vive na quarta dimensão, sem qualquer alusão à ideologia esposada pelo pastor coreano David (antes Paul) Yongi Cho. Humanos, somos seres tridimensionais; mas como povo de Deus, e ainda mais, liderança desse povo, temos por conceito o sublime e urgente dever de ser quadridimensionais. Afinal, é nessa dimensão que o poder de Deus se revela e Satanás é vencido (cf. Jo 3.3; Ef 2.18,19). Onde se enfatizam as três dimensões, a liderança trabalha para o povo; nas quadridimensionais, a liderança trabalha com o povo.

Não é de estranhar, portanto, que na Igreja onde se enfatizam as quatro dimensões a liderança seja composta por aqueles em quem os milagres de Deus acontecem de modo pessoal, e não de segunda mão. Ver a Deus, por exemplo, é experiência de primeira mão: Noé teve uma experiência sensorial com Deus e tornou-se o arauto divino para o arrependimento do seu povo (Gn 6.13); Abraão viu a Deus, e isso resultou num rompimento com a velha e surrada vida no politeísmo de sua terra natal (Gn 12.1ss); Jacó viu a Deus, e desde esse momento tornou-se "o princípe de Deus" ((israel, cf. Gn 32.22-32); Moisés viu a Deus e isso fez diferença na sua vida (Ex 3. 1-12; 34.29-35); Gideão que teve um encontro transformador com o Todo-Poderoso (Jz 6.11-24); Elias recuperou-se de um processo de depressão para a vitória porque viu a Deus (1Rs 19.8ss); Isaías nunca mais foi o mesmo depois da visão de Deus (Is 6.1ss); foi o caso de Paulo (At 9.1.ss). E "ver a Deus" dá novas energias.

Quando se experimenta pessoalmente o poder de Deus, não se necessita ser aguilhoado para crer que todas as coisas são possíveis por meio de Cristo Jesus. Um líder que tenha tido uma visão definida de Deus será capaz de amar, terá todas as condições de repassar esperança, assim como capacidade de comunicar a fé. Na verdade, só podemos influenciar e liderar outros até o ponto a que nós mesmos chegamos. Nesse ponto, vai se revelar o líder espiritual em contraposição ao líder natural. Segundo Sanders, o paralelo entre estas duas qualidades de líderes é o seguinte:

O Líder Natural

· É autoconfiante
· Conhece os homens
· Toma as próprias decisões
· Usa os próprios métodos
· Gosta de comandar os outros (e ser obedecido)
· É motivado por questões pessoais
· É independente.

Bem diferente, portanto, do Líder Espiritual, o qual:
· Confia em Deus
· Conhece os homens e conhece a Deus
· Faz a vontade de Deus
· É humilde
· Usa o método de Deus
· Busca obedecer a Deus
· É motivado pelo amor a Deus e aos homens
· Dependência de Deus

Walter Santos Baptista, Pastor da Igreja Batista Sião em Salvador, BA
E-Mail: wsbaptista@uol.com.br

Fonte: http://www.uol.com.br/bibliaworld/igreja/estudos/igrej020.htm

segunda-feira, 9 de abril de 2007

Maquiavel, moral, ética e política no Brasil

A relação dos políticos com a palavra empenhada e as equipes de trabalho

Os dois capítulos “De que modo os Príncipes devem manter a fé da palavra dada” e “Dos Secretários que os Príncipes têm junto de si”, ora comentados fazem parte do livro “O Príncipe”, escrito por Niccolò Machiavelli (mais conhecido fora da Itália como Maquiavel)- na verdade um Manual prático de “Governança”, dedicado ao Príncipe Lorenzo di Médici.
Tem certa importância ressaltar que o livro foi escrito durante o exílio de Maquiavel, e que ele teve por base os problemas vividos pela cidade de Florença e por pano de fundo a ebulição política, social, religiosa e cultural que então tomava conta da dividida península italiana, em meio a guerras, complôs e sedições intermináveis.
Numa época em que soçobravam todos os valores e os paradigmas da Idade Média e em que os homens fortes do momento confiam muito mais em sua boa estrela, em sua força, sagacidade e astúcia – e na Fortuna (contingência própria das coisas políticas) – Maquiavel resume, no “Príncipe”, o que deve ser a arte da política e de governar bem.
Mas Maquiavel – já na época dele – tem consciência de que ele choca: só ele ousa dizer sem rodeios e de forma extremamente crua coisas que todo o mundo sabe, mas receia comentar a não ser à socapa. Uma certa ironia é sempre perceptível no seu estilo e retrata, antes, um desencanto com o homem do que propriamente uma veia cínica. Não esqueçamos que Maquiavel foi exilado, torturado e várias vezes injustiçado politicamente, o que explica muitas de suas sentenças.
À semelhança dos renascentistas preocupados em fundar uma nova ciência física, Maquiavel rompe com o pensamento medieval e passa a usar o método da investigação empírica no campo da Política.
O mais importante: Maquiavel quer separar os interesses do Estado dos dogmas e dos interesses da religião em primeiro lugar. Ele assevera que ser frio e calculista, não medindo esforços para obter e manter o Poder, é parte das Virtú (“virtudes”) que todo homem político deve ter, ao lado da coragem física, da força de vontade e de caráter, da habilidade, da astúcia, da versatilidade e da inflexibilidade no trato dos adversários.
Neste sentido, Maquiavel delineia o perfil ideal de um homem político desprovido de escrúpulos – um perfil que tem muito a ver com os condottieri da Renascença italiana – em franca oposição ao padrão tradicional da ética cristã.
Num tempo de conflitos entre o poder da Igreja e o Estado, Maquiavel sustenta que a razão de Estado se sobrepõe a tudo e a todos, inclusive ao próprio arcabouço legal que, teoricamente, o próprio Estado deveria manter e defender. Aqui, Maquiavel advoga uma racionalidade eminentemente instrumental, sem importar-se com os valores éticos tradicionais, sejam eles sagrados ou profanos.
Mas isto não quer dizer que, para Maquiavel, a ética seja indiferente. Ao contrário, ele vai reconceituá-la e ressignificá-la: para ele, a busca do êxito (e o exercício da coisa pública) faz com que determinados valores sejam éticos, na medida em que eles tendem ao fim desejado. Neste sentido, a Política é a esfera do Poder por excelência: ela tem a prioridade sobre todas as demais esferas (pública, privada, religiosa, profana), pois ela é, por excelência, a atividade constitutiva da existência coletiva… É neste novo (e descomunal!) sentido da palavra que, para Maquiavel, a arte da Política e o uso do Poder que lhe é correlato são éticos, uma vez que eles estão a serviço do bem público. Os meios empregados são, portanto, correspondentes e consentâneos aos fins que os comandam.
Os dois capítulos em foco demonstram este princípio de forma cabal: para Maquiavel, a política se revela como esfera autônoma, não mais subordinada à religião e tampouco à filosofia, sua irmã gêmea… É exatamente por isso que Maquiavel não tem o que fazer com os princípios e as doutrinas do Cristianismo e da filosofia na definição dos princípios instrumentais da arte da política: a ética dele é ética apenas e enquanto se coloca a serviço dos interesses do Estado, os quais interesses, supostamente, seriam coincidentes com o bem público. É deste novo campo de estudo (a Política) – independente da religião e da filosofia (entenda-se, mais precisamente, da filosofia escolástica) – que Maquiavel vai procurar investigar as regras e a dinâmica subjacentes. Regras e dinâmica que, diga-se claramente, nada mais devem a considerações privadas e morais pautadas pelo Cristianismo.
Temos, então, a Política como algo além do Bem e do Mal, a serviço de alvos que identificam, acriticamente, os interesses do Estado com o bem público (o qual bem público pode ser – como de fato costuma ser – algo muito diferente daquilo que a Bíblia conceitua como Bem). Em última instância, o Poder – e não mais o direito – legitima qualquer coisa.
A noção que Maquiavel tem do ser humano nos ajuda a entender ainda melhor suas concepções políticas. O homem é, fundamentalmente, alguém dominado por apetites e interesses. Nem essencialmente boa, nem fundamentalmente má (embora o homem costume praticar o mal em medida muito maior do que o bem), a natureza humana é sempre a mesma: ela não muda e não é passível de aperfeiçoamentos. É vã a religião – como o é a filosofia – no seu intuito de levar o homem a um crescimento moral e espiritual. Antes, o extremo pragmatismo de Maquiavel o leva a usar tudo o que é humano – e, principalmente, aquilo que, muitas vezes, é tachado de mau – a serviço da estruturação do Estado e da consecução do bem público. Na medida em que tudo se corrompe e se degenera – e isto vale, também, para os princípios e as normas que norteiam a conduta humana – deve-se utilizar os apetites e as virtú humanas (que nada têm a ver com as virtudes cristãs!) como alavancas para manter a ordem e fazer o país prosperar.
Para Maquiavel, a violência inerente ao homem há de ser canalizada e utilizada para o bem coletivo – e não tolamente negada. Além de pragmática, é também pessimista a visão de Maquiavel acerca do ser humano. Tudo – ou quase tudo – se resume a uma questão de cálculo de custo/benefício e, nisto, a nossa natureza animal saberá distinguir, em obediência ao princípio da sobrevivência, o que lhe é mais conveniente em cada momento. Sem dúvida, muito dessa concepção se deve tanto ao clima conturbado da época, como também às próprias tribulações e injustiças sofridas por Maquiavel ao longo de toda a vida. A própria falta de sentido que Maquiavel enxerga no meio de todo o rebuliço de sua época o leva a procurar princípios estruturadores de ordem na figura do Estado, da política e do Príncipe que, momentaneamente, encarna alguns destes princípios.
Por isso, manter a palavra dada é algo, para o Príncipe, a ser avaliado a cada instante: em muitos momentos, revogar a palavra dada será a expressão máxima da virtú, pois patenteará que a defesa do bem público e do interesse do Estado exigem habilidade, astúcia e colocação acima de manifestações emocionais e de fraquezas humanas (sendo uma dessas fraquezas o fato de acreditar, acriticamente, na palavra alheia. Se isso não for sinal de imbecilidade, é, no mínimo, um indício deplorável de ingenuidade, além de denotar profundo desconhecimento da natureza humana: algo imperdoável para um governante que queira continuar governando!).
Da mesma forma, com relação aos secretários e ministros de que o Príncipe houver por bem cercar-se, o senso de observação e de oportunidade do Príncipe deverá levá-lo a escolher pessoas inteligentes que antes pensem nele do que em si mesmas…
… O que é quase que impossível, uma vez que é a ambição pessoal e a satisfação de interesses particulares que movem a imensa maioria da humanidade – ainda quando tal ambição e tais interesses venham habilmente disfarçados e mascarados de comprometimento com a coisa pública, o bem público, o interesse do Estado e o serviço abnegado ao Príncipe… Conseqüentemente, deverá o Príncipe comprar a lealdade de seus conselheiros e ministros, desde que compense fazê-lo à vista das habilidades deles: conhecendo o ponto fraco de cada um de seus secretários, o Príncipe amarrará cada qual às suas próprias vaidades, seja com honrarias, cargos, embaixadas, riquezas e quejandos – entretanto, obrigando cada um deles para com a pessoa do Príncipe, de tal forma que o estreito laço de dependência de muitos para com este seja não apenas mantido, mas sempre fortalecido, devendo ficar claro que o Príncipe, por dispensar proteção e favores a seus conselheiros, é dono da vida deles.
Portanto, de fonte de benesses para com eles, o Príncipe também pode transformar-se repentinamente em fonte de desgraças, se ele assim quiser. Sabedores disso, os secretários terão prudência no agir e aversão a mudanças que possam alterar sua fortuna. Ligados ao Príncipe de tal sorte pelo jogo de compensação de interesses, eles sempre serão levados a desejar o sucesso dele (para também serem aclamados e recolherem um pouco que seja da fama dele) e nunca a ruína. Tal princípio, se ele não elimina de tudo a traição, reduz entretanto o risco que ela representa à estabilidade de um Governo.
Assim, transformará o Príncipe aquilo que, no início, não passava de fraquezas ou vaidades de seus secretários, em preciosas virtú colocadas a serviço da arte de governar. A confiança que se estabelece então entre o Príncipe e seus secretários (e entre os próprios secretários) vem deste sábio equilíbrio e da justa dosagem entre as ambições de cada um (sendo as ambições dos secretários a um só tempo reconhecidas e alimentadas na medida certa e refreadas naquilo que elas possam ter de ameaçadoras para o Príncipe).
E hoje?
O panorama da política no Brasil reflete muitos dos postulados de Maquiavel, embora se saiba que a maioria dos nossos governantes nunca o tenham lido. É assim que se explica a visão de ser humano que hoje perpassa todas as esferas da vida pública: uma visão utilitarista, pragmática e fundamentada no cálculo frio e racional da relação custos/benefícios. É, claramente, uma visão antibíblica e pessimista, a qual faz do ser humano decaído e pecaminoso a medida de todo e qualquer princípio de ação política.
O que é interessante – depois de tudo o que acaba de ser dito neste artigo sobre os fundamentos e os pressupostos filosóficos e irreligiosos da visão de Maquiavel – é que legiões de políticos que se dizem evangélicos seguem tal visão e aplicam zelosamente os seus princípios. Em vez de fazer do Evangelho o anúncio das Boas-Novas e da promessa da emancipação global do ser humano – nas esferas espiritual, moral, afetiva, racional, relacional, psicológica, física e material – a grande massa de políticos evangélicos reza por outra cartilha: a do reforço da alienação global, em nome de um interesse público e de uma razão de Estado que mal escondem a podridão dos valores que são tomados por referenciais. Valores esses que são antibíblicos e falham inteiramente em resgatar a perspectiva ética das Sagradas Escrituras. Por isso também, o discurso alienante e despolitizador da Ética na Política, próprio das forças conservadoras, não passa de outro embuste: o de fazer com que o povo acredite que possa existir, em política, outra ética verdadeira que não a ética bíblica nas relações entre os seres humanos.
Com efeito e afinal de contas, se o pecado é, antes de mais nada, de cunho relacional (o assim-chamado Pecado Original, de fato, representa a quebra unilateral, pelo homem, do vínculo relacional de amor que a Santa Trindade mantinha com ele, como expressão – estendido ao outro – do padrão relacional ideal que as três Pessoas divinas mantêm eternamente entre si), cabe aos políticos evangélicos zelar, então, pela restauração de relacionamentos bíblicos na esfera pública – com base na ética do Reino de Deus e não na ética de Maquiavel. Naturalmente, parte-se da premissa de que tais políticos evangélicos sejam regenerados…
Uma observação importante: não se nega, aqui, que o político cristão deva ser prudente e ter o senso das oportunidades (sem ser oportunista). Hábil, sim, e profundo conhecedor da natureza humana (nisto o poderão ajudar tanto a Bíblia como a leitura das obras de Maquiavel): nunca ingênuo, o político cristão tem de reconhecer a acuidade e a profunda honestidade intelectual de muitas observações de Maquiavel (honestidade e conhecimento do ser humano que são preferíveis ao discurso falsamente moralizador e abertamente hipócrita que costumamos ouvir por aí!). Isto, entretanto, deveria ser apenas um ponto de partida, e não de chegada, como o tem sido
De fato, o político evangélico, ao mesmo tempo em que deve proclamar/anunciar o Evangelho, precisa denunciar as estruturas pecaminosas na sociedade e no ser humano. O político evangélico deve ser o arauto da contracultura do Reino de Deus, o que o leva, mais cedo ou mais tarde, a confrontar radicalmente as estruturas pecaminosas do mundo. Neste sentido, ele deveria desempenhar, na sociedade hodierna, o mesmo papel e ofício do Profeta do Antigo Testamento (o que o tornaria profundamente antipático à maioria de seus contemporâneos, num primeiro momento…). Infelizmente, longe de ser o proclamador dos valores eternos e supraculturais do Evangelho (valores que se destinam a transformar todas as culturas humanas existentes), o político evangélico, pelo menos no Brasil, tem se acomodado a uma estrutura de poder que espelha pressupostos ontológicos, filosóficos e religiosos claramente antibíblicos.

O envolvimento dos políticos ora com o bem, ora com o mal

É preciso que ele [o Príncipe] tenha um espírito disposto a voltar-se segundo os ventos da sorte e as variações dos fatos o determinem e, como acima se disse, não apartar-se do bem, podendo, mas saber entrar no mal, se necessário.
Maquiavel é o fundador da ciência política. É como pensador político e como cientista, portanto, que ela equaciona os dados políticos.
O que Maquiavel quer dizer, na passagem que ora analisamos, é que o Príncipe deve estar atento às circunstâncias políticas para poder aproveitá-las em benefício de seu Governo. Contrariamente ao que se pensa comumente, Maquiavel não advoga algum tipo de volubilidade, mas sim daquilo que chamaríamos hoje, no linguajar de nossa época, de proatividade. O Príncipe deve estar atento aos sinais dos tempos e ter a sabedoria de antecipar-se aos desdobramentos dos acontecimentos, sem se deixar prender e escravizar por eles.
Conforme já foi dito no parágrafo anterior, o senso de ética de Maquiavel está acima do bem e do mal. Sustentamos, aliás, que a ética dele (devidamente ressignificada) se volta para o atendimento ao que ele define como sendo o bem público e o interesse de Estado (é a mesma ética que a República Popular da China, por exemplo, aplica no controle da natalidade), razão pela qual tal ética desvincula-se de qualquer valor eterno, sobrenatural ou transcendental, seja ele filosófico ou religioso e, particularmente, dos imperativos da moral cristã.
De mais a mais, já foi dito, anteriormente, que a ética de Maquiavel radica numa concepção fundamentalmente amoral do ser humano (não imoral, mas, sim, amoral), o que faz com que as categorias filosóficas e religiosas de bem e de mal deixem de ser referenciais absolutos no sistema dele. Na melhor das hipóteses, tais conceitos serão utilizados como instrumentos de governo, tendentes a fins políticos (de manutenção de poder, estabilidade, bem público, etc) e perderão a sua conotação tradicional.
Por isso, embora seja conveniente, de acordo com os preconceitos e os (tolos…) condicionamentos da sociedade, que o Príncipe aparente siga os princípios do bem, isto absolutamente não o deve prender e escravizar a tais “princípios”. O fim a ser alcançado (a estabilidade da ordem social, o atendimento ao bem público e ao interesse do Estado, a vontade do Príncipe) é que vai ditar, em definitivo, o uso de tal ou qual instrumento, de acordo com as circunstâncias. O Príncipe, portanto, deve ter acuidade e senso político (duas virtú essenciais para um bom governante) para discernir se ele deve continuar seguindo um ou outro princípio – sem que a isso seja atrelada qualquer consideração de ordem moral ou metafísica.
Ressalta-se, uma vez mais, que tal prática – embora eficaz (mas não é de eficácia que tratamos aqui) – reflete uma cosmovisão e pressupostos que não são cristãos e não se destinam a transformar a natureza e as estruturas humanas no sentido do Evangelho.
E-mail para Presb. Alain Paul: alain@correios.com.br.
Fonte: www.ipcg.org.br

Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...
Grupos do Google
Receba em seu e-mail, Textos Reformados Selecionados
E-mail:
Visitar este grupo