terça-feira, 29 de maio de 2007

Reflexões sobre a ética

Deixa de ser bobo, todo mundo faz. Esta é a frase mais usada para justificar o comportamento ilícito. Dentro dela estão embutidas práticas como a do médico que solicita um "por fora" argumentando que a remuneração do plano de saúde não é satisfatória; do empresário que molha a mão do pessoal que libera carga na alfândega; do pai de família que trabalha sem carteira assinada e do empregador que contrata o pai de família; do vendedor que dá uma comissão ao comprador para fechar negócio; do comerciante que compra nota fria para tributar menos ou sonegar; do consumidor que compra produto pirateado porque senão não poderia comprar; da sacoleira que trabalha no mercado informal para sustentar quatro filhos; e assim por diante, numa lista de comportamentos interminável assimilados como "naturais" neste mercado selvagem.

O cenário comporta múltiplas abordagens, e qualquer um que acredite estar diante de um problema de fácil solução certamente está fazendo uma análise simplista. Por exemplo, basta lembrar que o comportamento ilícito tem suas variáveis. Pelo menos duas, para ser simples sem ser superficial. A primeira diz respeito aos agentes. A segunda, aos eventos. Quanto aos agentes, os não éticos podem ser divididos entre os que fazem por estilo de vida, como os criminosos que montam uma estrutura de mercado e governo paralelos; e os que fazem por necessidade, como os que se colocam à beira da calçada e estão mais para sobreviventes do que para imorais. Já em relação aos eventos, devemos admitir que há distinção entre a transgressão como recurso emergencial, como a do camarada que aceita ser achacado pela autoridade que criou a dificuldade para vender a facilidade, e a transgressão como meio de vida, como a da autoridade que vive criando dificuldade. De minha parte, embora coloque tudo no pacote do fracasso ético, aceito dialogar com quem acredita que "uma coisa é coisa e outra coisa é outra coisa".

Ética, moral e lei

Na busca de caminhos para o comportamento ético, podemos entrar pela porta das definições elementares. Devemos, por exemplo, fazer distinção entre ética e moral. O Frei Leonardo Boff ilumina nossa caminhada dizendo que "Ethos, ética, na língua grega designa a morada humana. O ser humano separa uma parte do mundo para, moldando-a ao seu jeito, construir um abrigo protetor e permanente. A ética, como morada humana, não é algo pronto e construído de uma só vez. O ser humano está sempre tornando habitável a casa que construiu para si. Ético significa, portanto, tudo aquilo que ajuda a tornar melhor o ambiente para que seja uma moradia saudável: materialmente sustentável, psicologicamente integrada e espiritualmente fecunda. A ética não se confunde com a moral. A moral é a regulação dos valores e comportamentos considerados legítimos por uma determinada sociedade, um povo, uma religião, uma certa tradição cultural etc. Há morais específicas, também, em grupos sociais mais restritos: uma instituição, um partido político... Há, portanto, muitas e diversas morais. Isto significa dizer que uma moral é um fenômeno social particular, que não tem compromisso com a universalidade, isto é, com o que é válido e de direito para todos os homens. Mas, então, todas e quaisquer normas morais são legítimas? Não deveria existir alguma forma de julgamento da validade das morais? Existe, e essa forma é o que chamamos de ética".

Moral identifica um modo de agir humano, regido por normas e valores, por hábitos e costumes. A moral se relaciona com o comportamento prático do homem. Ética é uma reflexão teórica que analisa, critica ou legitima os fundamentos e princípios que regem um determinado sistema moral.

• Ética é princípio; moral são aspectos de condutas específicas;

• Ética é permanente; moral é temporal;

• Ética é universal; moral é cultural;

• Ética é teoria; moral é prática.

As leis estão no campo da moral, e devem ser avaliadas a partir de seus pressupostos éticos. Para que você entenda melhor, a afirmação de que todos os seres humanos são iguais perante Deus é uma afirmação ética, um princípio universal, e a lei que considera crime a segregação racial é uma aplicação moral, bem como a lei que condena a escravidão.

A ética deve ser, portanto, aplicada moralmente através dos códigos legais. As leis são instrumentos de regulamentação social. De acordo com Clive Staples Lewis, teólogo inglês, as leis são necessárias, pelo menos por três razões. Em primeiro lugar, para promover uma arrumação e harmonização no interior de cada ser humano em particular. Depois, para promover a justiça e a harmonia entre os seres humanos. Finalmente, com o objetivo geral da vida humana como um todo, com o fim para o qual o homem foi criado, que se consolida na possibilidade de um mundo justo e fraterno habitado por seres humanos plenamente realizados, o que muitos de nós chamaríamos céu ou paraíso.

Em termos práticos, Lewis está dizendo que "a lei protege a pessoa", e por isso o Ministério da Saúde obriga advertências nos produtos tóxicos como fumo e álcool. Além disso, "a lei promove a justiça", o que justifica a tributação como instrumento de distribuição de renda. Por fim, a lei viabiliza a utopia, que se expressa, por exemplo, na Declaração Universal dos Direitos Humanos.

Cristianismo: ética, moral e consciência

É certo que o Cristianismo possui suas premissas éticas (grade de valores) que determinam sua moral (leis, mandamentos e costumes). Mas também é certo que a proposta do Cristianismo não é um chamado para que se viva em obediência a leis e mandamentos morais. O Cristianismo convida a uma nova consciência, isto é, desafia cada ser humano a interpretar a lei (moral) à luz da ética.

É fácil de explicar as razões deste desafio à consciência. Tenho basicamente quatro justificativas. Em primeiro lugar, todos sabemos que nem tudo o que é legal é ético, isto é, nem sempre a observância da lei é o melhor caminho para a realização do ideal ético e promoção da justiça. O aborto, a eutanásia e a pena de morte podem se tornar legais, mas ainda assim continuarão a suscitar discussões éticas.

A segunda justificativa da valorização da consciência acima da lei, é que a lei não é suficientemente abrangente. Uma vez que o ser humano é um universo infinito, também as relações entre seres humanos será um universo infinito. A lei nunca será abrangente o suficiente para promover a justiça em todos os espectros possíveis da complexidade das relações humanas. Cada sociedade vai desenvolver seus códigos morais em razão da necessidade da sobrevivência e da convivência. O Dr. Drauzio Varella discute bem essa questão em seu livro Carandiru, que retrata o dia-a-dia daquele que foi o maior complexo penitenciário da América Latina.

Um terceiro argumento está baseado no fato de que a lei se flexibiliza diante da ética. A lei, que em tese é rígida em sua norma, se submete à ética, que é dinâmica em sua hierarquia de valores. Por esta razão é que o sujeito que rouba para dar de comer aos filhos pode ser absolvido pelo tribunal: a vida é um valor maior que o direito à propriedade. Acredito que foi isso o que Jesus tentou ensinar ao afirmar que "o sábado foi feito por causa do homem, e não o homem por causa do sábado", isto é, a lei deve estar a favor da vida.

Finalmente, a lei é reguladora dos fatos sociais, e nesse caso, não havendo o fato que a justifica, a lei perde seu sentido. Quem ficaria parado de madrugada numa rua deserta só porque o sinal está fechado? O policial que lavrasse uma multa por avanço de sinal às duas da madrugada numa rua deserta estaria cumprindo a lei? Novamente voltamos ao paradoxo entre o sábado e o homem.

Fica claro, portanto, que somente o tolo obedece sempre, e somente o sábio é capaz de desobedecer a lei sem transgredir a ética. Poucos são os capazes de andar na ilegalidade sem cair na imoralidade. E isso faz do Direito uma ciência extraordinária e bela, pois visa a justiça, acima da lei. Está explicado porque o Cristianismo, em vez de apresentar um novo código moral, faz um convite desafiador à nova consciência.

Princípios éticos à luz do Cristianismo

Em relação à questão da vida profissional e das relações no mercado, posso dar exemplos de princípios éticos derivados dos valores cristãos. Falando de resultados, o Cristianismo, por exemplo, é diferente do Pragmatismo. O Pragmatismo diz que o que dá certo é certo, enquanto o Cristianismo diz que o que é certo vale mais do que o que dá certo. Isto é, nem tudo que dá certo é certo. Algumas coisas, inclusive, nós fazemos sabendo que resultarão em prejuízo para nós - darão "errado" - mas preservarão nossa dignidade e honra, isto é, a nossos valores éticos. O caráter sempre vale mais do que os resultados.

Falando de gente, as pessoas sempre valem mais do que os papéis que desempenham: o faxineiro é tão digno quanto o presidente da corporação. Os relacionamentos sempre valem mais do que os negócios. A fraternidade está acima do lucro. A solidariedade está acima das posses.

Falando de dinheiro, a justiça vale mais do que a prosperidade, e o bem comum vale mais do que a riqueza pessoal. O bem estar individual não pode existir às custas da indiferença social. Lembre da figura do vampiro que suga o sangue de todo mundo até sobrar apenas o sangue dele: o genocídio é uma espécie de suicídio. Riqueza sustentável é riqueza compartilhada. Dinheiro vivo é dinheiro circulando, repartido, distribuído.

Caminhos pessoais

Alguém já disse que a melhor maneira de mudar o mundo é fazer um circulo ao redor de si mesmo e começar as mudanças a partir do lado de dentro do círculo. Os alemães dizem que devemos pensar globalmente e agir localmente, o que deve ter dado origem ao seu provérbio que diz que "em pequenas vilas, pequenas pessoas estão fazendo pequenas coisas que estão mudando o mundo". Nesse caso, mesmo sabendo que esta questão não será equacionada sem a mobilização social e as transformações estruturais promovidas pela ação política, sugiro alguns compromissos pessoais-individuais.

#1 Jamais negocie os valores arraigados em sua consciência. Caráter não tem preço. É melhor dormir mal porque falta cama, do que dormir mal porque a consciência pesa. As pessoas que me procuram à guisa de dilemas éticos geralmente estão em defesa de seu padrão de vida, em vez de em luta pela sobrevivência. O problema de muita gente não é a impossibilidade de fazer o que é certo, mas a dificuldade ou recusa em assumir o ônus do que é certo. Muito raramente me deparo com pessoas que não sabem o que fazer. Geralmente encontro pessoas que não têm coragem de fazer o que sabem que devem fazer.

• É melhor ter pouco com o temor de Deus do que grande riqueza com inquietação. (Provérbios 15.16)

• É melhor ter pouco com retidão do que muito com injustiça. (Provérbios 16 .8)

• Melhor é um pedaço de pão seco com paz e tranqüilidade do que uma casa onde há banquetes, e muitas brigas. (Provérbios 17.1)

• Melhor é ser pobre do que mentiroso. (Provérbios 19.22)

• Melhor é o pobre íntegro em sua conduta do que o rico perverso em seus caminhos. (Provérbios 28.6)

#2 Faça distinção entre a prática eventual do ilícito e o estilo de vida ilícito. A Bíblia também recomenda: "Não seja excessivamente justo nem demasiadamente sábio; por que destruir-se a si mesmo? Não seja demasiadamente ímpio e não seja tolo; por que morrer antes do tempo? É bom reter uma coisa e não abrir mão da outra, pois quem teme a Deus evitará ambos os extremos" (Eclesiastes 7.16-18). Não encaro isso como "licença para ser imoral de vez em quando", mas como recomendação da sabedoria para julgar e discernir a partir de uma hierarquia de valores.

#3 Pratique a "ética temporal ascendente". Este é um conceito muito interessante desenvolvido por Lourenço Stelio Rega, em seu livro Dando um jeito no jeitinho (Editora Mundo Cristão). Este princípio foi utilizado, por exemplo, pelo apóstolo Paulo, que não se posicionou claramente contra a poligamia, mas exigiu dos líderes cristãos que "fossem maridos de uma só mulher". Naquele contexto social, a transição brusca da poligamia para a monogamia implicaria a condenação de muitas mulheres, que não possuíam quaisquer direitos legais, à miséria e à prostituição. Por isso, mesmo sendo a monogamia o ideal moral cristão, o apóstolo soube conviver com a poligamia o tempo necessário para promover a transição, de modo a evitar maiores complicações sociais.

#4 Participe dos processos de transformações sociais. A mobilização da população é o instrumento de transformação social em um estado de direito. O regime democrático implica mais do que o voto, na verdade, exige que o voto seja precedido pelo esclarecimento e sucedido pelo acompanhamento dos eleitos. A militância, geralmente associada à política partidária, deve ser encarada em seu espectro mais amplo, que inclui a sociedade civil em todas as suas dimensões de representatividade. Cumpra seu papel como cidadão. Comprometa-se com uma causa. Assuma uma postura. Associe-se com pessoas e organizações que trabalham para o bem comum. Incentive a solidariedade. Seja um doador. Faça trabalho voluntário. Divulgue boas notícias. Denuncie. Assine listas. Candidate-se. Proteste. Faça campanha. Não se omita. Faça alguma coisa. E se for o caso, chame sua turma e levante uma bandeira.

Conclusão

Geralmente se ouve que as pessoas se perguntam se vale à pena ser honesto. A profecia de Rui Barbosa se cumpriu: "De tanto ver triunfar as nulidades, de tanto ver prosperar a desonra, de tanto ver crescer a injustiça, de tanto ver agigantarem-se os poderes nas mãos dos maus, o homem chega a desanimar da virtude, a rir-se da honra, a ter vergonha de ser honesto". Mas receio que a questão seja um pouco pior: as pessoas já não se perguntam se a honestidade vale à pena, mas sim se a honestidade é possível.

Ainda não perdi a fé. Não perdi a esperança. Não deixei de acreditar na dignidade do ser humano. Aprendi que o mundo está dividido em três grupos de pessoas. Os otimistas ingênuos. Os pessimistas frustrados. E os realistas engajados. Espero somar entre os que estão de mangas arregaçadas.
Fonte: www.galilea.com.br

Fundamentos da Ética Cristã

Por: Rev. Augustus Nicodemus Lopes

Tomando Decisões
Todos nós tomamos diariamente dezenas de decisões. Fazemos escolhas, optamos, resolvemos e determinamos aquilo que tem a ver com nossa vida individual, a vida da empresa e de nossos semelhantes.
Ninguém faz isso no vácuo. Antigamente pensava-se que era possível pronunciar-se sobre um determinado assunto de forma inteiramente objetiva, isto é, isenta de quaisquer pré-concepções ou pré-convicções. Hoje, sabe-se que nem mesmo na área das chamadas ciências exatas é possível fazer pesquisa sem sermos influenciados pelo que somos, cremos, desejamos, objetivamos e vivemos.
As decisões que tomamos são invariavelmente influenciadas pelo horizonte do nosso próprio mundo individual e social. Ao elegermos uma determinada solução em detrimento de outra, o fazemos baseados num padrão, num conjunto de valores do que acreditamos ser certo ou errado. É isso que chamamos de ética.
A nossa palavra "ética" vem do grego eqikh, que significa um hábito, costume ou rito. Com o tempo, passou a designar qualquer conjunto de princípios ideais da conduta humana, as normas a que devem ajustar-se as relações entre os diversos membros de uma sociedade.
Ética é o conjunto de valores ou padrão pelo qual uma pessoa entende o que seja certo ou errado e toma decisões.

Alternativas Éticas
Cada um de nós tem uma ética. Cada um de nós, por mais influenciado que seja pelo relativismo e pelo pluralismo de nossos dias, tem um sistema de valores interno que consulta (nem sempre, a julgar pela incoerência de nossas decisões...!) no processo de fazer escolhas. Nem sempre estamos conscientes dos valores que compõem esse sistema, mas eles estão lá, influenciando decisivamente nossas opções.
Os estudiosos do assunto geralmente agrupam as alternativas éticas de acordo com o seu princípio orientador fundamental. As principais são: humanística, natural e religiosa.

Éticas Humanísticas
As chamadas éticas humanísticas são aquelas que tomam o ser humano como a medida de todas as coisas, seguindo o conhecido axioma do antigo pensador sofista Protágoras (485-410 AC). Ou seja, são aquelas éticas que favorecem escolhas e decisões voltadas para o homem como seu valor maior.

Hedonismo
Uma forma de ética humanística é o hedonismo. Esse sistema ensina que o certo é aquilo que é agradável. A palavra "hedonismo" vem do grego |hdonh, "prazer". Como movimento filosófico, teve sua origem nos ensinos de Epicuro e de seus discípulos, cuja máxima famosa era "comamos e bebamos porque amanhã morreremos". O epicurismo era um sistema de ética que ensinava, em linhas gerais, que para ter uma vida cheia de sentido e significado, cada indivíduo deveria buscar acima de tudo aquilo que lhe desse prazer ou felicidade. Os hedonistas mais radicais chegavam a ponto de dizer que era inútil tentar adivinhar o que dá prazer ao próximo.
Como conseqüência de sua ética, os hedonistas se abstinham da vida política e pública, preferiam ficar solteiros, censurando o casamento e a família como obstáculos ao bem maior, que é o prazer individual. Alguns chegavam a defender o suicídio, visto que a morte natural era dolorosa.
Como movimento filosófico, o hedonismo passou, mas certamente a sua doutrina central permanece em nossos dias. Somos todos hedonistas por natureza. Freqüentemente somos motivados em nossas decisões pela busca secreta do prazer. A ética natural do homem é o hedonismo. Instintivamente, ele toma decisões e faz escolhas tendo como princípio controlador buscar aquilo que lhe dará maior prazer e felicidade. O individualismo exacerbado e o materialismo moderno são formas atuais de hedonismo.
O hedonismo não tem muitos defensores modernos, mas podemos mencionar Gustav Fechner, o fundador da psicofísica, com sua interpretação do prazer como princípio psíquico de ação, a qual foi depois desenvolvida por Sigmund Freud como sendo o princípio operativo do nível psicanalítico do inconsciente.
Muito embora o cristianismo reconheça a legitimidade da busca do prazer e da felicidade individuais, considera a ética hedonista essencialmente egoísta, pois coloca tais coisas como o princípio maior e fundamental da existência humana.

Utilitarismo
Outro exemplo de ética humanística é o utilitarismo, sistema ético que tem como valor máximo o que considera o bem maior para o maior número de pessoas. Em outras palavras, "o certo é o que for útil". As decisões são julgadas, não em termos das motivações ou princípios morais envolvidos, mas dos resultados que produzem. Se uma escolha produz felicidade para as pessoas, então é correta. Os principais proponentes da ética utilitarista foram os filósofos ingleses Jeremy Bentham e John Stuart Mill.
A ética utilitarista pode parecer estar alinhada com o ensino cristão de buscarmos o bem das pessoas. Ela chega até a ensinar que cada indivíduo deve sacrificar seu prazer pelo da coletividade (ao contrário do hedonismo). Entretanto, é perigosamente relativista: quem vai determinar o que é o bem da maioria? Os nazistas dizimaram milhões de judeus em nome do bem da humanidade. Antes deles, já era popular o adágio "o fim justifica os meios". O perigo do utilitarismo é que ele transforma a ética simplesmente num pragmatismo frio e impessoal: decisões certas são aquelas que produzem soluções, resultados e números.
Pessoas influenciadas pelo utilitarismo escolherão soluções simplesmente porque elas funcionam, sem indagar se são corretas ou não. Utilitaristas enfatizam o método em detrimento do conteúdo. Eles querem saber como e não por que.
Talvez um bom exemplo moderno seja o escândalo sexual Clinton/Lewinski. Numa sociedade bastante marcada pelo utilitarismo, como é a americana, é compreensível que as pessoas se dividam quanto a um impeachment do presidente Clinton, visto que sua administração tem produzido excelentes resultados financeiros para o país.

Existencialismo
Ainda podemos mencionar o existencialismo, como exemplo de ética humanística. Defendido em diferentes formas por pensadores como Kierkegaard, Jaspers, Heiddeger, Sartre e Simone de Beauvoir, o existencialismo é basicamente pessimista. Existencialistas são céticos quanto a um futuro róseo ou bom para a humanidade; são também relativistas, acreditando que o certo e o errado são relativos à perspectiva do indivíduo e que não existem valores morais ou espirituais absolutos. Para eles, o certo é ter uma experiência, é agir — o errado é vegetar, ficar inerte.

Sartre, um dos mais famosos existencialistas, disse: "O mundo é absurdo e ridículo. Tentamos nos autenticar por um ato da vontade em qualquer direção". Pessoas influenciadas pelo existencialismo tentarão viver a vida com toda intensidade, e tomarão decisões que levem a esse desiderato. Aldous Huxley, por exemplo, defendeu o uso de drogas, já que as mesmas produziam experiências acima da percepção normal. Da mesma forma, pode-se defender o homossexualismo e o adultério.

O existencialismo é o sistema ético dominante em nossa sociedade moderna. Sua influencia percebe-se em todo lugar. A sociedade atual tende a validar eticamente atitudes tomadas com base na experiência individual. Por exemplo, um homem que não é feliz em seu casamento e tem um romance com outra mulher com quem se sente bem, geralmente recebe a compreensão e a tolerância da sociedade.

Ética Naturalística
Esse nome é geralmente dado ao sistema ético que toma como base o processo e as leis da natureza. O certo é o natural — a natureza nos dá o padrão a ser seguido. A natureza, numa primeira observação, ensina que somente os mais aptos sobrevivem e que os fracos, doentes, velhos e debilitados tendem a cair e a desaparecer à medida que a natureza evolui. Logo, tudo que contribuir para a seleção do mais forte e a sobrevivência do mais apto, é certo e bom; e tudo o que dificultar é errado e mau.
Por incrível que possa parecer, essa ética teve defensores como Trasímaco (sofista, contemporâneo de Sócrates), Maquiavel, e o Marquês de Sade. Modernamente, Nietzsche e alguns deterministas biológicos, como Herbert Spencer e Julian Huxley.
A ética naturalística tem alguns pressupostos acerca do homem e da natureza baseados na teoria da evolução: (1) a natureza e o homem são produtos da evolução; (2) a seleção natural é boa e certa. Nietzsche considerava como virtudes reais a severidade, o egoísmo e a agressividade; vícios seriam o amor, a humildade e a piedade.
Pode-se perceber a influência da ética naturalística claramente na sociedade moderna. A tendência de legitimar a eliminação dos menos aptos se observa nas tentativas de legalizar o aborto e a eutanásia em quaisquer circunstâncias. Os nazistas eliminaram doentes mentais e esterilizaram os "inaptos" biologicamente. Sade defendia a exploração dos mais fracos (mulheres, em especial). Nazistas defenderam o conceito da raça branca germânica como uma raça dominadora, justificando assim a eliminação dos judeus e de outros grupos. Ainda hoje encontramos pichações feitas por neo-nazistas nos muros de São Paulo contra negros, nordestinos e pobres. Conscientemente ou não, pessoas assim seguem a ética naturalística da sobrevivência dos mais aptos e da destruição dos mais fracos.
Os cristãos entendem que uma ética baseada na natureza jamais poderá ser legítima, visto que a natureza e o homem se encontram hoje radicalmente desvirtuados como resultado do afastamento da humanidade do seu Criador. A natureza como a temos hoje se afasta do estado original em que foi criada. Não pode servir como um sistema de valores para a conduta dos homens.

Éticas Religiosas
São aqueles sistemas de valores que procuram na divindade (Deus ou deuses) o motivo maior de suas ações e decisões. Nesses sistemas existe uma relação inseparável entre ética e religião. O juiz maior das questões éticas é o que a divindade diz sobre o assunto. Evidentemente, o conceito de Deus que cada um desse sistema mantém, acabará por influenciar decisivamente o código ético e o comportamento a ser seguido.

Éticas Religiosas Não Cristãs
No mundo grego antigo os deuses foram concebidos (especialmente nas obras de Homero) como similares aos homens, com paixões e desejos bem humanos e sem muitos padrões morais (muito embora essa concepção tenha recebido muitas críticas de filósofos importantes da época). Além de dominarem forças da natureza, o que tornava os deuses distintos dos homens é que esses últimos eram mortais. Não é de admirar que a religião grega clássica não impunha demandas e restrições ao comportamento de seus adeptos, a não ser por grupos ascéticos que seguiam severas dietas religiosas buscando a purificação.
O conceito hindú de não matar as vacas vem de uma crença do período védico que associa as mesmas a algumas divindades do hinduísmo, especialmente Krishna. O culto a esse deus tem elementos pastoris e rurais.
O que pensamos acerca de Deus irá certamente influenciar nosso sistema interno de valores bem como o processo decisório que enfrentamos todos os dias. Isso vale também para ateus e agnósticos. O seu sistema de valores já parte do pressuposto de que Deus não existe. E esse pressuposto inevitavelmente irá influenciar suas decisões e seu sistema de valores.
É muito comum na sociedade moderna o conceito de que Deus (ou deuses?) seja uma espécie de divindade benevolente que contempla com paciência e tolerância os afazeres humanos sem muita interferência, a não ser para ajudar os necessitados, especialmente seus protegidos e devotos. Essa concepção de Deus não exige mais do que simplesmente um vago código de ética, geralmente baseado no que cada um acha que é certo ou errado diante desse Deus.

A Ética Cristã
Á ética cristã é o sistema de valores morais associado ao Cristianismo histórico e que retira dele a sustentação teológica e filosófica de seus preceitos.
Como as demais éticas já mencionadas acima, a ética cristã opera a partir de diversos pressupostos e conceitos que acredita estão revelados nas Escrituras Sagradas pelo único Deus verdadeiro. São estes:

1. A existência de um único Deus verdadeiro, criador dos céus e da terra. A ética cristã parte do conceito de que o Deus que se revela nas Escrituras Sagradas é o único Deus verdadeiro e que, sendo o criador do mundo e da humanidade, deve ser reconhecido e crido como tal e a sua vontade respeitada e obedecida.
2. A humanidade está num estado decaído, diferente daquele em que foi criada. A ética cristã leva em conta, na sistematização e sintetização dos deveres morais e práticos das pessoas, que as mesmas são incapazes por si próprias de reconhecer a vontade de Deus e muito menos de obedecê-la. Isso se deve ao fato de que a humanidade vive hoje em estado de afastamento de Deus, provocado inicialmente pela desobediência do primeiro casal. A ética cristã não tem ilusões utópicas acerca da "bondade inerente" de cada pessoa ou da intuição moral positiva de cada uma para decidir por si própria o que é certo e o que é errado. Cegada pelo pecado, a humanidade caminha sem rumo moral, cada um fazendo o que bem parece aos seus olhos. As normas propostas pela ética cristã pressupõem a regeneração espiritual do homem e a assistência do Espírito Santo, para que o mesmo venha a conduzir-se eticamente diante do Criador.
3. O homem não é moralmente neutro, mas inclinado a tomar decisões contrárias a Deus, ao próximo. Esse pressuposto é uma implicação inevitável do anterior. As pessoas, no estado natural em que se encontram (em contraste ao estado de regeneração) são movidas intuitivamente, acima de tudo, pela cobiça e pelo egoísmo, seguindo muito naturalmente (e inconscientemente) sistemas de valores descritos acima como humanísticos ou naturalísticos. Por si sós, as pessoas são incapazes de seguir até mesmo os padrões que escolhem para si, violando diariamente os próprios princípios de conduta que consideram corretos.
4. Deus revelou-se à humanidade. Essa pressuposição é fundamental para a ética cristã, pois é dessa revelação que ela tira seus conceitos acerca do mundo, da humanidade e especialmente do que é certo e do que é errado. A ética cristã reconhece que Deus se revela como Criador através da sua imagem em nós. Cada pessoa traz, como criatura de Deus, resquícios dessa imagem, agora deformada pelo egoísmo e desejos de autonomia e independência de Deus. A consciência das pessoas, embora freqüentemente ignorada e suprimida, reflete por vezes lampejos dos valores divinos. Deus também se revela através das coisas criadas. O mundo que nos cerca é um testemunho vivo da divindade, poder e sabedoria de Deus, muito mais do que o resultado de milhões de anos de evolução cega. Entretanto é através de sua revelação especial nas Escrituras que Deus nos faz saber acerca de si próprio, de nós mesmos (pois é nosso Criador), do mundo que nos cerca, dos seus planos a nosso respeito e da maneira como deveríamos nos portar no mundo que criou.
Assim, muito embora a ética cristã se utilize do bom senso comum às pessoas, depende primariamente das Escrituras na elaboração dos padrões morais e espirituais que devem reger nossa conduta neste mundo. Ela considera que a Bíblia traz todo o conhecimento de que precisamos para servir a Deus de forma agradável e para vivermos alegres e satisfeitos no mundo presente. Mesmo não sendo uma revelação exaustiva de Deus e do reino celestial, a Escritura, entretanto, é suficiente naquilo que nos informa a esse respeito. Evidentemente não encontraremos nas Escrituras indicações diretas sobre problemas tipicamente modernos como a eutanásia, a AIDS, clonagem de seres humanos ou questões relacionadas com a bioética. Entretanto, ali encontraremos os princípios teóricos que regem diferentes áreas da vida humana. É na interação com esses princípios e com os problemas de cada geração, que a ética cristã atualiza-se e contextualiza-se, sem jamais abandonar os valores permanentes e transcendentes revelados nas Escrituras.
É precisamente por basear-se na revelação que o Criador nos deu que a ética cristã estende-se a todas as dimensões da realidade. Ela pronuncia-se sobre questões individuais, religiosas, sociais, políticas, ecológicas e econômicas. Desde que Deus exerce sua autoridade sobre todas as dimensões da existência humana, suas demandas nos alcançam onde nos acharmos – inclusive e principalmente no ambiente de trabalho, onde exercemos o mandato divino de explorarmos o mundo criado e ganharmos o nosso pão.
É nas Escrituras Sagradas, portanto, que encontramos o padrão moral revelado por Deus. Os Dez Mandamentos e o Sermão do Monte proferido por Jesus são os exemplos mais conhecidos. Entretanto, mais do que simplesmente um livro de regras morais, as Escrituras são para os cristãos a revelação do que Deus fez para que o homem pudesse vir a conhecê-lo, amá-lo e alegremente obedecê-lo. A mensagem das Escrituras é fundamentalmente de reconciliação com Deus mediante Jesus Cristo. A ética cristã fundamenta-se na obra realizada de Cristo e é uma expressão de gratidão, muito mais do que um esforço para merecer as benesses divinas.
A ética cristã, em resumo, é o conjunto de valores morais total e unicamente baseado nas Escrituras Sagradas, pelo qual o homem deve regular sua conduta neste mundo, diante de Deus, do próximo e de si mesmo. Não é um conjunto de regras pelas quais o homem poderá chegar a Deus – mas é a norma de conduta pela qual poderá agradar a Deus que já o redimiu. Por ser baseada na revelação divina, acredita em valores morais absolutos, que são a vontade de Deus para todos os homens, de todas as culturas e em todas as épocas.

OS VALORES DA ÉTICA

OS VALORES DA ÉTICA

“Como o homem imagina em sua alma, assim ele é”.
(Provérbios 23:7)

Esta passagem reflete uma verdade fundamental da vida e da existência: nós somos e agimos de acordo com aquilo em que acreditamos. Este ponto é fundamental para podermos entender a principal diferença entre a maneira cristã de ver o mundo e outras cosmovisões, em particular, no que tange à ética ou à tomada de decisões.

TOMANDO DECISÕES

Todos nós tomamos, diariamente, dezenas de decisões, resolvendo aquilo que tem a ver com nossa vida, com a vida da empresa e a de nossos semelhantes.

Ninguém faz isso no vácuo.

Antigamente pensava-se que era possível pronunciar-se sobre um determinado assunto de forma inteiramente objetiva, isto é, isenta de quaisquer pré-concepções. Hoje, sabe-se que, em quase nenhuma área do saber, é possível fazer pesquisa sem sermos influenciados por aquilo em que cremos.

Quando elegemos uma determinada solução em detrimento de outra, o fazemos baseados num padrão, num conjunto de valores e noções de é certo ou errado. É isso que chamamos de ética: o conjunto de valores, ou padrões, a partir dos quais uma pessoa entende o que seja certo ou errado e toma decisões.

Cada um de nós tem um sistema de valores interno que consulta (nem sempre, a julgar pela incoerência de nossas decisões...!) no processo de fazer escolhas. Nem sempre estamos conscientes dos valores que compõem esse sistema, mas eles estão lá, influenciado decisivamente nossas opções.

AS ALTERNATIVAS ÉTICAS

Os estudiosos do assunto geralmente agrupam as alternativas éticas de acordo com o seu princípio orientador fundamental.

As chamadas éticas humanísticas tomam o ser humano como seu princípio orientador, seguindo o axioma de Protágoras, "o homem é a medida de todas as coisas".

O hedonismo, por exemplo, ensina que o certo é aquilo que é agradável. Freqüentemente somos motivados em nossas decisões pela busca secreta do prazer. O individualismo e o materialismo modernos são formas atuais de hedonismo.

Já o utilitarismo tem como princípio orientador o que for útil para o maior número de pessoas. O nazismo, dizimando milhares de judeus em nome do que era útil, demonstrou que na falta de quem decida mais exatamente o sentido de "útil", tal princípio orientador acaba por justificar os interesses de poderosos inescrupulosos e o egoísmo dos indivíduos.

O existencialismo, por sua vez, defende que o certo e o errado são relativos à perspectiva do indivíduo e que não existem valores morais ou espirituais absolutos.
Seu principio orientador garante que o certo é ter uma experiência, é agir — o errado é vegetar, ficar inerte. O existencialismo é o sistema ético dominante na sociedade moderna, que tende a validar eticamente atitudes tomadas com base na experiência individual.

A ética naturalística toma como base o processo e as leis da natureza. O certo é o natural — a natureza nos dá o padrão a ser seguido. A natureza, numa primeira observação, ensina que somente os mais aptos sobrevivem e que os fracos, doentes, velhos e debilitados tendem a cair e desaparecer na medida em que a natureza evolui. Logo, tudo o que contribuir para a seleção do mais forte e a sobrevivência do mais apto é certo. Numa sociedade dominada pela teoria evolucionista não foi difícil para esse tipo de ética encontrar lugar. Cresce a aceitação pública do aborto (em caso de fetos deficientes) e da eutanásia (elimina doentes, velhos e inválidos).

Os cristãos entendem que éticas baseadas exclusivamente no homem e na natureza são inadequadas porque:

  • não fornecem base sólida para justificar a misericórdia, o perdão, o amor e a preservação da vida;
  • estão em constante mudança e não têm como oferecer paradigma duradouro e sólido;
  • tanto o homem quanto a natureza, como os temos hoje, estão profundamente afetados pelos efeitos da entrada do pecado no mundo.

A ÉTICA CRISTÃ

A ética cristã, por sua vez, parte de diversos pressupostos associados ao Cristianismo histórico. Tem como fundamento principal a existência de um único Deus, criador dos céus e da Terra. Vê o homem não como fruto de um processo natural evolutivo (o que o eximiria de responsabilidades morais), mas como criação de Deus, ao qual é responsável moralmente.

Entende que o homem pecou, afastando-se de Deus. Como tal, não é moralmente neutro, mas naturalmente inclinado a tomar decisões movidas, acima de tudo, pela cobiça e pelo egoísmo (por natureza, segue uma ética humanística ou naturalística).
Acredita, porém, na possibilidade de mudança de orientação mediante mudança da sua natureza.

A vontade de Deus para a humanidade encontra-se na Bíblia. Ela revela os padrões morais de Deus, como encontramos nos 10 mandamentos e no sermão do Monte.
Mais que isso, ela nos revela o que Deus fez para que o homem pudesse vir a obedecê-lo.

A ética cristã, portanto, é o conjunto de valores morais baseados nas Escrituras Sagradas, pelo qual o homem deve regular sua conduta nesse mundo, diante de Deus, do próximo e de si mesmo.

CONCLUSÃO

Como membros de uma universidade confessional que professa o cristianismo histórico, é importante que entendamos os valores e as crenças que estão por detrás dos processos decisórios e dos alvos da instituição.

Como membros de uma universidade confessional, devemos sempre guiar nosso labor acadêmico e administrativo pelos valores do Cristianismo.

terça-feira, 22 de maio de 2007

Ética, apenas ética!!!

A chave para a solução dos problemas atuais do Brasil pode ser a mesma que o ex-prefeito de Nova York e atual candidato a candidato a presidência dos EUA pelo Partido Republicano, Rudolph Giuliani usou há uma década atrás: o programa conhecido como Tolerância Zero e recentemente aplicado com sucesso total em Caracas, capital Venezuelana.

O programa é embasado em 10 mandamentos(já adaptados ao nosso país):

1. Você acha um absurdo a corrupção da polícia?

Solução: Nunca suborne nem aceite suborno!

2. Você acha um absurdo o roubo de carga, até mesmo com assassinatos dos motoristas?

Solução: Exija a nota fiscal em todas as suas compras!

3. Você acha um absurdo a desordem causada pelos camelôs?

Solução: Nunca compre nada deles! A maior parte de suas mercadorias são produtos roubados, falsificados ou sonegados.(Apesar do grande mercado informal que emprega grande parte de nosso país, este mandamento é uma verdade indiscutível.)

4. Você acha um absurdo o poder dos marginais das favelas?

Solução: Não compre e nem consuma drogas!

5. Você acha um absurdo o enriquecimento ilícito?

Solução: Não o admire, repudie-o.

6. Você acha um absurdo a quantidade de pedintes no sinal ou de flanelinhas nas ruas?

Solução: Nunca dê nada. Assistência social é obrigação do governo.

7. Você acha um absurdo que qualquer chuva alague a cidade?

Solução: Só jogue o lixo no lixo.

8. Você acha um absurdo haver cambistas para shows e espetáculos?

Solução: Não compre deles, nem que não assista ao evento.

9. Você acha um absurdo o trânsito da sua cidade?

Solução: Nunca feche o cruzamento.

10. Você está indignado com o desempenho de seus representantes na política?

Solução: Nunca mais vote neles e espalhe aos seus amigos seu desalento e o nome dos eleitos que o decepcionam.

Estamos passando por uma fase de falta de cidadania e patriotismo, aliás, nunca soubemos o que é cidadania e o patriotismo só aparece de quatro em quatro anos quando o país se embevece por causa de uma maldita bola. Precisamos mudar nosso comportamento para que possamos viver num país onde tenhamos orgulho de dizer: Eu sou brasileiro!
Ficando parado, você não contribui com nada; portanto não pode reclamar. Pratique os pontos com os quais você concordou e tente praticar também os que você não concordou. Vamos todos viver, ou pelo menos tentar viver, com ética.

quinta-feira, 17 de maio de 2007

Ler e Reflitir

quarta-feira, 16 de maio de 2007

Servindo como ao Senhor: desafios do trabalho voluntário

Lúcio César Menezes

Boa parte do trabalho desenvolvido por instituições eclesiásticas se deve à participação direta de voluntários, seja na condição de membros ou congregados.

Os líderes remunerados são responsáveis por equipar os voluntários, motivá-los e dar-lhes as condições necessárias para trabalhar.

Estimula-se a participação do leigo, considerando o serviço uma oportunidade de contribuir para o bem estar de outras pessoas. Evita-se, assim, a visão distorcida de que tudo deve ser feito pelos líderes remunerados, restando aos demais mera presença aos atos litúrgicos e reuniões sociais.

O trabalho voluntário traz vantagens inegáveis. Para o voluntário e para a organização.

O voluntário tem a oportunidade de exercitar qualidades e habilidades que servirão para melhorar seu desempenho em sua área profissional, em seu trabalho.

Assim, ser voluntário lhe garante agregar verdadeira requalificação profissional, acrescendo capacitações e reforçando ou lapidando habilidades já existentes.

Essa percepção nem sempre está presente. O resultado é que as pessoas deixam de ser voluntárias por só conseguirem ver dificuldades e desvantagens. Pensam que o serviço voluntário somente desgastará suas forças.

Bem ao contrário, a percepção correta poderá ser um motivador importante para que outros se associem.

Por exemplo, há um claro e inegável incentivo ao trabalho em grupo. Aprende-se a lidar com a diversidade de opiniões, de experiências e de formação acadêmica e cultural. A ligação da equipe não é pela força de cargos ou hierarquia, mas pela visão compartilhada e pelos desafios.

Além disso, força-se a flexibilização de instrumentos de trabalho, incentiva-se a criatividade, as novas idéias. O trabalho voluntário abre espaço para quebras de paradigmas e ajuda a liberar a mente de soluções restritivas.

Finalmente, a escassez de recursos é um parâmetro a induzir as pessoas a buscarem alcançar as metas da forma menos onerosa.

Não há empresa que não se beneficie de empregados que desenvolvam as qualidades antes citadas. Não admira o grande incentivo que tem sido dado a iniciativas neste sentido.

A organização também se beneficia, pois o maior número de pessoas integradas à visão e interessadas no cumprimento das metas é uma vantagem inegável para a consecução de seus objetivos.

Mas nem tudo é perfeito no mundo do trabalho voluntário. Há problemas que, ainda que superáveis, cobram tributo se não bem administrados.

Pesquisas na área destacam cinco problemas principais:

1. Absenteísmo: a ação começa com muitos voluntários e, paulatinamente, o número de ausências vai aumentando até inviabilizar o projeto. Como não há sanções, a desistência se dá de forma freqüente.

2. Falta de pontualidade: menos grave que o anterior, mas ainda capaz de comprometer a qualidade do projeto. Não há ponto a ser cortado, não há emprego a perder, pode-se chegar atrasado sem problemas. As pessoas “terão que compreender”, afinal, já estou fazendo um favor em comparecer.

3. Qualificação para o trabalho: não basta ser voluntário, é preciso ter qualificação para o serviço. Há um limite para a redução do nível de exigência, sob pena de os objetivos não serem alcançados. Por outro lado, nem sempre há recursos e condições para que a organização treine e capacite o voluntário. Mais grave ainda, não há qualquer garantia que o voluntário vá permanecer com a organização.

4. Disponibilidade: os compromissos pessoais e profissionais são prioritários e, muitas vezes, se interpõem à frente do serviço voluntário. A disponibilidade das pessoas é instável, gerando insegurança e falta de continuidade. Vai quando pode e do jeito que pode.

5. Avaliação de desempenho: a condição de não ser empregado e de o vínculo ser de ordem voluntária dificulta a avaliação de desempenho e a apuração se as metas estão sendo alcançadas. Compromete, assim, a descoberta de ações que poderiam ser implementadas para melhorar a qualidade do serviço prestado. Há o medo de as pessoas deixarem a organização por não concordarem em se submeter a avaliações.

Combinando-se as vantagens e os problemas relacionados ao serviço voluntário é preciso estabelecer as qualidades que os líderes devem ter para que as organizações sejam bem sucedidas.

Em primeiro lugar temos a persistência. Os que se abatem diante dos problemas e dificuldades não têm perfil para liderar voluntários. É necessário olhar à frente, sob pena de sucumbir diante das dificuldades diárias.

Em segundo, a conciliação ou flexibilidade. O líder deve ser sensível para contornar conflitos. Deve buscar a criação de um ambiente de tranqüilidade e harmonia, levando as pessoas a se “sentirem bem” na organização. Solidariedade é a palavra-chave.

Terceiro, deverá ser comprometido. As pessoas têm que perceber uma profunda ligação do líder com a organização ou projeto.

Pesadas as vantagens e as dificuldades do trabalho voluntário, penso que é a melhor forma de organizações eclesiásticas funcionarem. As pessoas são incentivadas a servirem uns aos outros, passando a ser atores no crescimento da organização.

Cumprem a orientação bíblica de que a principal função pastoral é capacitar os “santos” para a prática do ministério. Dão oportunidade, também, para que as pessoas coloquem em prática o(s) dom(ns) recebido(s) e sirvam à comunidade.

Se você já está servindo voluntariamente, aproveite para reciclar sua visão e perceber que há vantagens em servir.

Se você só conseguia perceber as dificuldades, espero que as idéias aqui expostas possam levá-lo a rever conceitos e a experimentar o voluntariado.

quarta-feira, 9 de maio de 2007

SEUL - A Coréia do Sul está criando um código de ética que deverá ser seguido pelas máquinas.

SEUL - A Coréia do Sul está criando um código de ética que deverá ser seguido pelas máquinas.

Fonte: Reuters

segunda-feira, 7 de maio de 2007

PICASA 2

Esqueça todos os visualizadores, editores e catalogadores de fotos que você já viu até agora, e abra os olhos pro Picasa 2 do Google, um novo conceito na organização e edição de fotos digitais.

O Picasa 2 é um software que o ajuda a encontrar, editar e compartilhar instantaneamente todas as imagens no PC. Sempre que você abre o Picasa 2, ele localiza automaticamente todas as imagens (inclusive aquelas que você nem lembrava mais) e classifica-as em álbuns visuais organizados por data com nomes de pastas facilmente reconhecidos. Arraste e solte imagens para organizar os álbuns e defina marcadores para criar novos grupos. O Picasa 2 garante que as imagens estarão sempre organizadas.

O Picasa 2 também simplifica a edição avançada de imagens com botões de correção e efeitos poderosos aplicáveis com um clique. Além disso, com o Picasa é muito fácil compartilhar imagens – você pode enviá-las por e-mail, imprimir fotos em diversos tamanhos, criar CDs e até publicar fotos diretamente no seu blog.

Clique no link abaixo e faça o download do Picasa 2 diretamente dos servidores do Google. Apenas 4,6Mb (baixa em poucos minutos)

Clique aqui ou na foto ao lado.

Ética é uma coisa relativa?

O sociólogo Peter Berger escreveu livrinho delicioso:
"Introdução à Sociologia".
Um dos seus capítulos tem um título estranho e delicioso:
"Como trapacear e se manter ético ao mesmo tempo".
Estranho à primeira vista.
Mas logo se percebe que, na política, é de suma importância juntar ética e trapaça.
Para explicar vou contar uma historieta. Havia numa cidade dos Estados Unidos uma igreja Batista.
Os batistas, como se sabe, são um ramo do cristianismo muito rigoroso nos seus princípios éticos.
Havia na mesma cidade uma fábrica de cerveja que, para a igreja Batista, era a vanguarda de Satanás.
O pastor não poupava a fábrica de cerveja nas suas pregações..
Aconteceu, entretanto, que, por razões pouco esclarecidas, a fábrica de cerveja fez uma doação de 500 mil dólares para a dita igreja. Foi um auê..
Os membros mais ortodoxos da igreja foram unânimes em denunciar aquela quantia como dinheiro do Diabo e que não poderia ser aceito.
Mas, passada a exaltação dos primeiros dias, acalmados os ânimos, os mais ponderados começaram a analisar os benefícios que aquele dinheiro poderia trazer: uma pintura nova para a igreja, um órgão de tubos, jardins mais bonitos, um salão social para festas.
Reuniu-se então a igreja em assembléia para a decisão democrática.
Depois de muita discussão registrou-se a seguinte decisão no livro de atas:

"A Igreja Batista Betel resolve aceitar a oferta de 500 mil dólares feita pela Cervejaria na firme convicção de que o Diabo ficará furioso quando souber que o seu dinheiro vai ser usado para a glória de Deus."

É isso aí
...

Fonte: Desconhecida Recebido por e-mail

sexta-feira, 4 de maio de 2007

O CONTROLE DA LÍNGUA

Uma palavra sobre maledicência.

Texto bíblico: "Portanto, abandonem tudo que é mau, toda mentira, fingimento, inveja e falatório da vida alheia".( I Pedro 2:1).
Definição: tendência a falar aquilo que é mal. Podemos entender e perceber quando alguém tem esta tendência através da sua maneira de falar, de se referir as outras pessoas.
Alguns pecados derivados da maledicência: fofoca, juramento falso, dolo (intenção de prejudicar, má-fé), malícia (propensão a encontrar mal em tudo, maldade), palavras de duplo impacto e/ou sentido, chocarrices (palavras atrevidas), palavras torpes (palavras imorais, obscenas, vergonhosas, impudicas, e os "palavrões" ).
A fofoca e a calúnia se alimentam em nosso egoísmo de 6 maneiras diferentes:

-Curiosidade (pessoas que não tem ocupação e começam dar ouvidos as "novidades" que outros falam).
-Ociosidade: (ocioso quer dizer: desocupado, preguiçoso, vadio, inútil, desnecessário, etc). "Elas aprendem a desperdiçar o tempo, indo de casa em casa; e, pior ainda aprendem a ser faladeiras e intrigantes, dizendo o que não devem" (I Timóteo 5:13).
-Vaidade (pessoas que gostam de ser o centro das atenções), empáfia! Salmo 119:37: "desvia os meus olhos de contemplarem a vaidade, e vivifica-me no teu caminho".
- Egocentrismo / orgulho: (pessoas que gostam de estar ou se colocar acima dos outros (complexo de superioridade / soberba, arrogância).
- Raiz de amargura. "tendo cuidado de que ninguém se prive da graça de Deus, e de nenhuma raiz de amargura, brotando vos perturbe, e por ela muitos se contaminem". (Hebreus. 12:15 ).
- Animosidade (um dos significados de animosidade é antipatia, rancor). Pessoas que ao falar provocam reações negativas. Outros conceitos derivados do linguajar malicioso: boatos, mexericos, calunia, fofoca.

Textos Bíblicos

Leia com muita atenção alguns versículos extraídos da palavra de Deus; (a Bíblia Sagrada), e veja alguns pecados trazidos pelo linguajar malicioso!
"Não saia da vossa boca nenhuma palavra torpe, mas somente a que for boa para a promover a edificação, para aquilo que vocês dizem faça bem aos que ouvem". (Efésios 4:29).
"... Não esta certo que a imoralidade , a indecência ou a avareza sejam nem mesmo assuntos de conversa entre vocês. Não usem palavras indecentes nem digam coisas tolas ou sujas, pois isso não convém a vocês. Ao contrário, digam palavras de gratidão a Deus. Estejam certos disto: nenhuma pessoa imoral, indecente, ou cobiçosa (porque a cobiça é um tipo de idolatria) jamais receberá a sua parte no reino de Cristo e de Deus". (Efésios 5:3-5).
"Eu afirmo que no dia do juízo cada um vai prestar conta de toda palavra inútil que falou. Porque essas palavras vão servir para julgar se você é inocente ou culpado". (Mateus 12:36 e 37)
"Vocês querem aproveitar a vida? Querem viver muito e serem felizes? Então procurem não dizerem coisas más e que contém mentiras. Afastem-se do mal e façam o bem, procurem a paz e façam de tudo para alcançá-la. Deus olha com atenção as pessoas honestas e sempre ouve os seus pedidos". (Salmos 34:12-15 ).
"Estas seis coisas aborrecem o senhor, e a sétima a sua alma abomina: olhos altivos, língua mentirosa, e mãos que derramam sangue inocente; coração que maquina pensamentos viciosos, pés que se apressam a correr para o mal; testemunha falsa que profere mentiras, e o que semeia contendas entre irmãos". ( Provérbios 6:16-19).
"O que eu digo é verdade, pois odeio a mentira. Tudo o que afirmo é verdadeiro; nada do que falo é enganoso ou falso". (Provérbios 8:7-8).
"A boca do justo é fonte de vida, mas a violência cobre a boca do perverso. O ódio excita contendas, mas o amor cobre todas as transgressões (ofensas). Nos lábios do entendido se acha a sabedoria ...". (Provérbios 10:11-13).
"As pessoas direitas sabem dizer coisas agradáveis, porém os maus estão sempre ofendendo os outros". (Provérbios 10:32).
"O Deus Eterno detesta os mentirosos, porém ama os que dizem verdade". (Provérbios 12:22).
"O sentimento sadio é vida para o corpo, mas a inveja é podridão para os ossos". (Provérbios 14:30).
"A resposta delicada acalma o furor, mas a palavra dura aumenta a raiva". (Provérbios 15:1).
"Se a nossa maneira de viver agrada a Deus, ele transforma os nossos inimigos em amigos". (Testemunho cristão) (Provérbios 16:7).
"Até um tolo pode passar por sábio se ficar calado". (Provérbios 17:28).
"Há mais esperança para um tolo do que para uma pessoa que fala sem pensar". (Provérbios 29:20).
"Nada façais por contenda ou por vanglória, mas por humildade; cada um considere os outros superiores a si mesmo". (Filipenses 2:3).
"E a paz de DEUS, que excede todo entendimento, guardará os vossos corações e os vossos sentimentos em Cristo Jesus. Quanto ao mais, irmãos, tudo o que é verdadeiro, tudo que é honesto, tudo que é justo, tudo que é puro, tudo que é amável, tudo que é de boa fama, se há alguma virtude, e se há algum louvor, nisso pensai". ( Filipenses 4:7,8).
"Mas agora despojai-vos também de tudo: da ira, da cólera, da malícia, da maledicência, das palavras torpes da vossa boca". (Colossenses 3:8).
"E digo isto, para que ninguém vos engane com palavras persuasivas. Tende cuidado para que ninguém vos faça presa sua, por meio de filosofias e vãs sutilezas, segundo a tradição dos homens, segundo os rudimentos do mundo, e não segundo Cristo". (Colossenses 2: 4 e 8 ).
"Suportando-vos uns aos outros, e perdoando-vos uns aos outros, se alguém tiver alguma queixa contra outro; assim como Cristo vos perdoou, assim fazei vós também. E, sobre tudo isto, revesti-vos de amor, que é o vínculo da perfeição. E a paz de DEUS, para a qual também fostes chamados em um corpo, domine em vossos corações; e sede agradecidos. A palavra de cristo habite em vós abundantemente, em toda a sabedoria, ensinando-vos e admoestando-vos uns aos outros, com salmos, hinos e cânticos espirituais, cantando ao senhor com graça em vosso coração". (Colossenses 3:13-16).
"Examinai tudo. Retendo o bem" (I Tessalonicenses 5:21).
"A finalidade desse conselho é aumentar o amor que vem de um coração puro, de uma consciência limpa e de uma fé verdadeira. Algumas pessoas se desviaram dessas coisas e se perderam em discussões tolas". ( I Timóteo 1:5 e 6 ).
"Lembrem-se disto, meus queridos irmãos: cada um esteja pronto para ouvir, mas demore para falar e ficar com raiva. Porque a raiva humana não produz o que Deus aprova. Portanto, deixem todo costume imoral e má conduta. Aceitem com humildade a mensagem que DEUS planta nos seus corações e que pode salvá-los". (Tiago 1:19-21 ).
"Não se enganem: 'as más companhias estragam os bons costumes. Voltem a viver uma vida séria e direita e parem de pecar..." . (I Coríntios 15:33 ).
"Que as suas conversas sejam sempre agradáveis e de bom gosto, e que vocês saibam dar a cada um a resposta certa" (Colossenses 4:6).
"Porque DEUS quer que vocês façam o bem para que os ignorantes e tolos não tenham nada a dizer contra vocês". (I Pedro 2:15). Testemunho
"Como dizem as Escrituras Sagradas: quem quiser gozar a vida e ter dias felizes não fale coisas más e pare de mentir. Afaste-se do mal e faça o bem; procure a paz e faça de tudo para alcançá-la. Pois o Senhor olha com atenção as pessoas honestas e sempre ouve os seus pedidos; mas Ele é contra os que fazem o mal". (I Pedro 3:10-12).
"A minha boca falará da sabedoria, e a meditação do meu coração será de entendimento". (Salmo 49:3).

Glossário

Virtude: disposição firme e habitual para a prática do bem; boa qualidade moral; modo austero de vida; eficácia.
Ética: exercício intelectual, um processo de reflexão, análise, decisão e avaliação, propósito é decidir o que é certo e o que é errado de se fazer. Ética acontece no intelecto (mental, pensar antes de se fazer algo) e no coração (sentimento).
Moral: aplicação prática das decisões éticas da vida diária. Relativo aos bons costumes (prática). Acontece na vida e na conduta (resulta nas ações; na prática do dia-a-dia).
Caráter: especialidade, índole(propensão natural),firmeza de vontade, constância e estabilidades relativas na maneira de agir e de reagir; qualidade inerente a certos modos de ser ou estados.
Temperância: qualidade ou virtude de quem é moderado; parcimônia; complacência.
Afeto: amizade, simpatia, carinho, amor.
Longanimidade: dificuldade em se irritar/ficar nervoso.
Orgulho: elevado conceito que uma pessoa pode fazer de si própria, amor próprio exagerado, soberba, altivez ufania, altivo, arrogância, auto-elevação, sobrançaria, desdém insolência, vangloriar-se, jactância, bazófia, vaidade, desvanecimento, desprezo com orgulho, desprezar, não fazer caso, mau procedimento, gabar-se, o "eu" em excesso.
Humildade: Virtude que nos dá sentimento de nossa fraqueza, modéstia, submissão, simplicidade, moderação nos desejos, aspirações e no procedimento (de forma geral), sem vaidade, obediente, respeitoso, sujeição, adesão espontânea da vontade de uma pessoa, naturalidade em seu procedimento (é a mesma pessoa em qualquer circunstância), ingenuidade, sinceridade, dependência, simplicidade, franqueza!

ÉTICA CRISTÃ PARA HOJE

Uma perspectiva Evangélica!

O que é Ética e o que é Moral?

O propósito do empreendimento ético é decidir o que é certo e o que é errado de se fazer. Sua preocupação principal é a conduta apropriada, mas também considera as atitudes e os motivos dos quais a conduta resulta. Conduta é o comportamento, o procedimento moral.
A distinção entre ética e moral é (basicamente) a diferença entre teoria e prática, ou pensar e fazer. Devemos observar a regra do ouro em Mateus 7:12 ("Portanto, tudo o que vós quereis que os homens vos façam, fazei-lho também vós, porque esta é a lei e os profetas"). Por que é difícil fazer as coisas certas? É mais fácil fazer o que é errado? Por que?
Tendemos a ser corruptos. O pecado é o aniquilamento do bem. O mal não tem existência independente (por si só ele não existe). Qualquer coisa má (atitude, comportamento, ação, pensamento, etc) é alguma coisa boa que saiu do controle. Exemplos: orgulho: amor próprio aumentado desproporcionalmente; ganância: apreciação por coisas que se tornou idolatria ou egoísmo, etc. Toda coisa má é alguma coisa boa que se corrompeu (se distorceu, saiu do controle).
Todos os seres humanos (sem exceção) foram criados para o bem; pois Deus nos fez a sua imagem e semelhança; com caráter e conduta semelhantes ao dele próprio; conferir em Gênesis 1:27,28 e I João 4:8 ("Aquele que não ama não conhece a Deus, porque Deus é amor"); mas infelizmente, a corrupção tem sido uma inclinação para o mal; é a ausência de uma coisa boa e necessária. É a atitude de se afastar de Deus; é a nossa rebeldia que ocasiona o pecado(Romanos 3:23 "porque todos pecaram e destituidos estão da glória de Deus").
O Espírito Santo constrói e restabelece o relacionamento com Deus; através do Evangelho (Boas Novas de Jesus Cristo), Ele estabelece a comunicação com Deus. Capacita a pessoa a aceitar o amor e perdão de Jesus Cristo; Ele cria e sustenta a fé.
O cristão é simultâneamente "duas pessoas": a velha e a nova. A primeira com idéias, valores e padrões distorcidos e suscetíveis (que recebe influência) de satanás. Já a nova pessoa tem comportamento que são parecidos com os de Jesus Cristo e suscetíveis a Deus. A nova pessoa tem aversão por coisas que ofendem a Deus e ferem os outros; opõe-se as influências más! ("what are you looking for the devil for, when you oughta be looking for the Lord?").
O que Deus faz por nós (através de Jesus Cristo e do Espírito Santo), nos dá razões para agirmos de acordo com a Sua vontade; temos o desejo de louvar a Deus e ajudar os outros. (Marcos 12:30-31 "Amarás, pois,ao Senhor teu Deus de todo o teu coração, e de toda a tua alma, e de todo o teu entendimento, e de todas as tuas forças: este é o primeiro mandamente. E o segundo, semelhante a este, é: Amarás o teu próximo como a ti mesmo. Não há outro mandamento maior do que estes.").
Em discussões éticas, normas são instrumentos que indicam e medem a correção moral. "Há vários tipos de normas". O mais específico são as regras; muito práticas e concretas (ex.: não se embriague). Através das regras vem os princípios: "coma e beba para a glória de Deus" é uma maneira de expressar o princípio por trás da regra contra a embriaguez. O supremo propósito da vida é glorificar a Deus!!! Deus que fez os seres humanos, nos conhece melhor que nós mesmos! Embora escrita por homens, a Bíblia é a autêntica e autorizada Palavra de Deus; seu propósito principal é comunicar as boas novas do perdão através do Sangue, Morte e Ressurreição de Jesus, e dar-nos entendimento da vontade de Deus para as nossas vidas.
Justificação é o dom do perdão de Deus por amor de Jesus. Santificação é o dom de Deus na nova personalidade (pessoa), também por amor de Cristo ( por ter morrido em nosso lugar - sacrifício vicário).
O Fruto do Espírito descrito em Gálatas 5:22 é: amor (I Co. 13), gozo, paz, longanimidade (que não se irrita facilmente; suporta as adversidades: situações contrárias), bondade (indulgência, complacência, benevolência, tolerância), fidelidade(lealdade, firmeza), mansidão, domínio próprio (sereno, pacífico, calmo, tem humildade). É agradável render-se à vontade de Deus reconhecida como superior e melhor que a nossa. (Deus esquadrinha os nossos corações, não é por força, persuação, medo,etc.)
O desejo de testemunhar nasce diretamente da consideração à Deus. É o anseio de glorificá-lo e ajudar aos outros a notá-Lo e apreciá-Lo. A preocupação com as pessoas (com seu bem estar) é a fonte motivadora de testemuho. O amor manifesta-se no respeito aos outros.
Muitas qualidades surpreendentes caracterizam o amor* (conferir I Co. 13, Fil. 5:25,28,31,33; etc.). O amor não é só intensificação ou variação do amor por alguém (apego, inclinação a uma determinada pessoa); pelo contrário, tem elementos Divinos e transcedentes (superiores, e exteriores). É dom e ação de Deus. Para enfatizar a singularidade do amor que Deus gera na nova pessoa, o Novo Testamento no original grego emprega um termo especial: ágape. Outros tipos de amor (philía e éros) referem-se a outros tipos de amor humano.
Uma das impressionantes qualidades do amor é o desprendimento. O amor ágape é ativado não (somente) pelo atrativo ou utilidade do outro, mas sim pela sua necessidade. Mesmo os que são indignos e não merecedores tornam-se alvo. (Uma vez que não há digno ou merecedor, conferir Ef. 2; Jo. 3:16; Rom.3:23, Jo. 15:13; Rom. 5:8; etc.).
"Nisto conhecemos o amor: que Cristo deu a sua vida por nós; e nós devemos dara a vida pelos irmãos" (I Jo. 3:16). A consideração pelos outros é a base da integridade Cristã. Amar os outros envolve perdão: "Mas se confessarmos os nossos pecados a Deus, Ele é fiel e justo para nos perdoar os pecados e nos purificar de toda injustiça" (I Jo. 1:9). De forma ampla, a ética cristão é uma tentativa de entender a vontade de Deus em assuntos difíceis e confusos que não são discutidos claramente. Isto requer sabedoria e ela pode ser nossa pelo pedir "Mas se alguém tem falta de sabedoria, peça a Deus, e Ele dará porque é generoso e dá com bondade a todos". (Tiago 1:5). Com isto temos a oportunidade de consultar a Deus na sua Palavra e Oração, somados ao auxílio do Espírito Santo.
Somente através da doação amorosa e vicária de Cristo podemos escapar da condenação e esperar o perdão (isto só é possível mediante a fé em Jesus Cristo: Ef. 2:8). Apenas o que crê é perdoado e salvo. Há pelo menos 3 fases para a resposta a fé:
1- descubro que preciso de Cristo e de Sua ajuda (estou consciênte que sou pecador e estou perdido sem Ele)
2- quero Cristo (desejo e anseio por Ele e seu auxílio)
3- aceito-O (confio em suas promessas, sei com certeza que possuo Aquele de quem preciso e quero).
Segurança temos de que nossas falhas não nos condenarão no julgamento final. Cada erro cometido, cada oportunidade para o bem não aproveitada, cada motivo e inclinação corruptos são apagados pelo perdão de Deus (perdão, este, que só tem aqueles que entregaram sua vida para Jesus e reconheceram-no como Único e Suficiênte Salvador, admitindo-o como autor e consumador de suas vidas). A verdade é que não há nada em nós para termos motivo de nos orgulharmos;a não ser da experiência da conversão. Se somos justificados é apenas porque reconhecemos humildemente o pecado e aceitamos o perdão de Deus por amor do sacrifício remidor de Jesus (morte/ressurreição).
A melhor e mais elevada liberdade é a oportunidade de se submeter à vontade de Deus (reconhecida como melhor), de encontrar satisfação na obediência a Ele.
Deus é desonrado por aqueles que dizem crer nele quando dão poucas evidências (provas) na sua conduta; mas Deus é notado e louvado como resultado de nosso progresso (resultado da nossa Salvação).
O padrão moral é o conjunto de crenças e julgamentos sobre o que é certo e errado fazer. Princípios são diretrizes mais gerais, regras são mais específicas; a direção à Deus é a base adequada para a ação. Ele promete graça para cobrir os erros éticos e morais que inevitavelmente cometemos, embora tentamos evitá-los consciosamente!

Glossário

Virtude: Disposição firme e habitual para a prática do bem; boa qualidade moral; modo austero de vida; eficácia no viver.
Virtuoso: que tem virtudes.
Moral: Relativo aos bons costumes, atitudes (prática).
Ética: Ciência da moral; intelecto, modo de pensar (teoria).

Fonte: http://pibi.tripod.com/

quinta-feira, 3 de maio de 2007

Paulo e a mentoria

David Kornfield

Quando me pediram para escrever sobre Paulo e o ministério pastoral em homenagem ao pr. Irland Azevedo, optei por focalizar o MAPI - Artigos assunto mentoreamento. Andando com esse patriarca nestes últimos anos, percebo quão envolvido ele está com o tema. Ora às voltas com o pastoreio de pastores, com sua paixão por capacitar novos pastores ou por ajudar no crescimento de outros mais experientes, ora escrevendo ou ensinando sobre o assunto.

Não raro podemos ver Irland encorajar um líder ou pastor a prosseguir em seu chamado. Por isso, espero poder homenageá-lo de forma especial ao focar o assunto.

Barnabé como mentor de Paulo

Para entender claramente como Paulo mentoreava, precisamos saber como ele próprio foi mentoreado.

Em Atos 22.3, Paulo afirma: “Sou judeu, nascido em Tarso da Cilícia, mas criado nesta cidade [Jerusalém]. Fui instruído rigorosamente por Gamaliel na lei de nossos antepassados, sendo tão zeloso por Deus quanto qualquer de vocês hoje” (grifo do autor).
Essa afirmação sugere que Paulo foi para Jerusalém tão-logo atingiu idade suficiente para ser instruído pelo rabi mais honrado e famoso do primeiro século, o qual possivelmente foi neto de Hillel.

Como o próprio Hillel, tradicionalmente alistado entre os “cabeças das escolas”, Gamaliel possuía uma visão equilibrada. Sua sabedoria singular e seu discernimento se destacaram ao proteger os apóstolos do Sinédrio, que desejava matá-los (At 5.33-40).

Nesse momento, Deus separou outro mentor para Paulo. Seu nome era José, mais conhecido no entanto pelo apelido de Barnabé. Para compreender a formação que Paulo obteve com Barnabé, precisamos conhecê-lo melhor.

No século II, Clemente de Alexandria escreveu sobre Barnabé mencionando que ele integrara o grupo dos 72. Vejamos a descrição do ministério desse grupo para chegar a um entendimento melhor sobre esse mentor:

Depois disso o Senhor designou outros setenta e dois e os enviou dois a dois, adiante dele, a todas as cidades e lugares para onde ele estava prestes a ir. E lhes disse: “A colheita é grande, mas os trabalhadores são poucos. Portanto, peçam ao Senhor da colheita que mande trabalhadores para a sua colheita. Vão! Eu os estou enviando como cordeiros entre lobos. Não levem bolsa, nem saco de viagem, nem sandálias; e não saúdem ninguém pelo caminho. Quando entrarem numa casa, digam primeiro: Paz a esta casa. Se houver ali um homem de paz, a paz de vocês repousará sobre ele; se não, ela voltará para vocês. Fiquem naquela casa, e comam e bebam o que lhes derem, pois o trabalhador merece o seu salário. Não fiquem mudando de casa em casa. Quando entrarem numa cidade e forem bem recebidos, comam o que for posto diante de vocês. Curem os doentes que ali houver e digam-lhes: O Reino de Deus está próximo de vocês. Mas quando entrarem numa cidade e não forem bem recebidos, saiam por suas ruas e digam: Até o pó da sua cidade, que se apegou aos nossos pés, sacudimos contra vocês. Fiquem certos disto: o Reino de Deus está próximo. Eu lhes digo: Naquele dia haverá mais tolerância para Sodoma do que para aquela cidade”. [...]

“Aquele que lhes dá ouvidos, está me dando ouvidos; aquele que os rejeita, está me rejeitando; mas aquele que me rejeita, está rejeitando aquele que me enviou” (Lc 10.1-12, 16).

Muitas são as características que poderíamos destacar do mentor idôneo:
* Trabalho em equipe: mandados dois a dois (v. 1).
* Visão: enxerga a colheita e a necessidade de levantar obreiros (v. 2).
* Oração: coloca-se diante de Deus antes de iniciar o ministério (v. 2).
* Coragem: vai em frente, sem receio, mesmo ciente de que será como ovelha entre lobos e que haverá batalha (v. 3).
* Fé e estilo de vida simples: não se preocupa com dinheiro, bagagem e outros recursos, mas permanece na dependência de Deus (v. 4).
* Pessoa de paz: estende e reconhece a paz (shalom), a harmonia (v. 5).
* Pessoa que se relaciona: estabelece-se numa casa, numa família, finca raízes. Não apenas parece boa, mas é de fato boa e íntegra (v. 5-7).
* Pessoa do Reino de Deus: é submissa ao Rei e por isso tem autoridade (v. 9, 11).
* Discernimento: percebe quem compartilha o mesmo espírito (v. 6).
* Humildade suficiente para receber: consegue depender de outros com graça (v. 7, 8).
* Capaz de lidar com conflitos: fala a verdade quando necessário e enfrenta a rejeição sem levar para o lado pessoal (v. 10-12, 16).

Essas se constituem em algumas das qualidades que de fato caracterizaram Barnabé, como mentor idôneo que foi. O livro de Atos corrobora essa idéia, como podemos perceber claramente :

José, um levita de Chipre a quem os apóstolos deram o nome de Barnabé, que significa “encorajador”, vendeu um campo que possuía, trouxe o dinheiro e o colocou aos pés dos apóstolos (4.36, 37).

Barnabé é caracterizado não apenas como um estudioso da Bíblia, mas com experiência transcultural e muito amado entre os apóstolos. Um homem de coragem contagiante (encorajador), comprometido com o Reino, desprendido das coisas materiais, generoso, confiante nos apóstolos e, com maior simplicidade, a eles submisso. A fé, o compromisso e a integridade de Barnabé contrastaram frontalmente com Ananias e Safira, cujas ações também são narradas no livro de Atos.

As ações de Barnabé voltam a destacar-se logo após a conversão de Paulo :

Quando [Paulo] chegou a Jerusalém, tentou reunir-se aos discípulos, mas todos estavam com medo dele, não acreditando que fosse realmente um discípulo. Então Barnabé o levou aos apóstolos e lhes contou como, no caminho, Saulo vira o Senhor, que lhe falara, e como em Damasco ele havia pregado corajosamente em nome de Jesus. Assim, Saulo ficou com eles, e andava com liberdade em Jerusalém, pregando corajosamente em nome do Senhor (At 9.26-28).

Como se pode ver do texto, Barnabé demonstra possuir discernimento espiritual. Vê o que ninguém mais foi capaz, nem mesmo os apóstolos. Tinha coragem. Superou o medo e constatou que Paulo realmente nascera de novo.

A coragem de Barnabé é mais uma vez evidenciada ao se tornar patrocinador ou advogado de Paulo, arriscando a vida em tornar-se conhecido de Paulo e arriscando sua amizade com os apóstolos ao levar Paulo até eles. Seu testemunho e a confiança que os apóstolos depositavam em Barnabé permitiram que Paulo fosse aceito pela igreja e andasse com liberdade em Jerusalém, ministrando dentro e fora da igreja.

Cerca de treze anos mais tarde, a igreja em Antioquia se expande grandemente. Os apóstolos, preocupados com as notícias de que gentios se convertiam, mandaram alguém de absoluta confiança e com experiência transcultural para cuidar da igreja. E esse era Barnabé.

Notícias deste fato (de gentios se converterem) chegaram aos ouvidos da igreja em Jerusalém, e eles enviaram Barnabé a Antioquia. Este, ali chegando e vendo a graça de Deus, ficou alegre e os animou a permanecerem fiéis ao Senhor, de todo o coração. Ele era um homem bom, cheio do Espírito Santo e de fé; e muitas pessoas foram acrescentadas ao Senhor. Então Barnabé foi a Tarso procurar Saulo e, quando o encontrou, levou-o para Antioquia. Assim, durante um ano inteiro Barnabé e Saulo se reuniram com a igreja e ensinaram a muitos. Em Antioquia, os discípulos foram pela primeira vez chamados cristãos (At 11.22-26).

Esse texto de Atos nos fornece uma descrição objetiva e clara de Barnabé. Entre suas muitas qualidades, mais uma vez destaca-se o discernimento espiritual. Primeiro na habilidade de “ver” a graça de Deus (v. 23) e, mais tarde, em perceber que a igreja de Antioquia precisava de um líder como aquele que ainda permanecia esquecido e quase desconhecido na igreja primitiva: Saulo.

Nos treze anos que se passaram desde os fatos descritos em Atos 9 até os mencionados em Atos 11, não há nenhum relato de que Paulo tenha estabelecido um ministério significativo. Os historiadores da igreja não se referem a nenhuma igreja, em Tarso, fundada por Paulo.

Aparentemente o apóstolo permanecia inativo quando Barnabé o chamou para se juntar a ele na igreja de Antioquia. O teor dos versículos mencionados indica que não foi fácil encontrá-lo. Mais uma vez, alguém acreditou em Paulo, quando ninguém mais acreditava.
Depois de um ano, durante o qual Barnabé agiu como mentor de Paulo em Antioquia, uma reunião da liderança daquela igreja mudaria a história da Igreja de Jesus Cristo:

Na igreja de Antioquia havia profetas e mestres: Barnabé, Simeão, chamado Níger, Lúcio de Cirene, Manaém, que fora criado com Herodes, o tetrarca, e Saulo. Enquanto adoravam o Senhor e jejuavam, disse o Espírito Santo: “Separem-me Barnabé e Saulo para a obra a que os tenho chamado”. Assim, depois de jejuar e orar, impuseram-lhes as mãos e os enviaram (At 13.1-3).

Nestes versículos, como nas passagens anteriores (11.26, 30; 12.25), Barnabé é alistado antes de Saulo, indicando a liderança e importância dele. Seria natural que ele fosse o primeiro entre os iguais na equipe de liderança da igreja de Antioquia. Se a ordem de menção nesse primeiro versículo indica deferência, talvez Saulo não passasse do calouro da equipe.

Essa ordem se mantém até o início da viagem (At 13.7), quando ocorre uma surpreendente mudança. Ao saírem de Pafos, Lucas relata que “Paulo e seus companheiros navegaram para Perge, na Panfília. João os deixou ali e voltou para Jerusalém” (13.13), o que demonstra claramente que Barnabé deixara de o líder da equipe.

Tudo indica que Barnabé, tendo percebido que Paulo estava pronto para assumir a liderança, passou-a para ele. Talvez João Marcos tenha abandonado a equipe por não se sentir pronto para apoiar Paulo, querendo permanecer numa equipe liderada por Barnabé, seu parente.

Daí em diante, o nome de Paulo passa a figurar sozinho ou antes de Barnabé (13.42, 43, 46, 50; 14.1, 3), com uma exceção. Em Listra, Paulo curou um homem aleijado desde o nascimento. Diante disso a multidão clamava que os deuses haviam descido até eles em forma humana. Então, chamaram Barnabé de Zeus e Paulo, de Hermes, “porque era ele quem trazia a palavra” (14.12). Paulo e Barnabé, ao ouvirem a multidão, “rasgaram as roupas e correram para o meio da multidão, gritando e protestando que não eram deuses” (14.14).

Pela designação feita de Paulo e Barnabé, parece que a multidão via Barnabé como a autoridade maior, a cobertura espiritual de Paulo, por isso Barnabé foi chamado de Zeus, que era considerado o rei dos deuses, e Paulo, Hermes, porque este era o mensageiro, o porta-voz de Zeus.

Nesse momento crítico, se a ordem de menção dos nomes de fato é significativa, como muitos crêem, Barnabé teria assumido a liderança temporariamente. No entanto, assim que a questão foi resolvida, o nome de Paulo volta a figurar antes do nome de Barnabé (14.20, 23).

Paulo e Barnabé voltam para Antioquia, onde Barnabé naturalmente seria recebido como o primeiro, o “pastor titular”, como saíra. No entanto, mais uma vez Atos 15.2 deixa claro que Paulo vem primeiro no contexto dessa igreja. Aparentemente, Barnabé conseguira transmitir aos crentes de Antioquia, e eles aceitaram, seu apoio à liderança de Paulo.

A igreja de Antioquia, então, os envia como representantes no concílio de Jerusalém. No início do concílio, Barnabé é mencionado antes de Paulo (15.12). Para a igreja de Jerusalém, e especialmente para os apóstolos, Barnabé naturalmente seria o primeiro, o amado, o homem de sua confiança.

Entretanto, no final do concílio, mais uma vez o nome de Paulo precede o de Barnabé (15.22, 25) e assim permanece na volta a Antioquia (15.35). A exemplo do ocorrera com a igreja de Antioquia, provavelmente Barnabé transmitira à igreja de Jerusalém o mesmo conceito, e fora aceito.

Agora como líder, Paulo naturalmente toma a iniciativa de promover uma segunda viagem missionária. Barnabé propõe levar João Marcos, mas Paulo discorda de forma inegociável. Esse desentendimento entre Paulo e Barnabé resulta na separação destes (15.36-41). A partir daí, o livro de Atos deixa de mencionar o nome de Barnabé.

Talvez Barnabé tenha visto algo em João Marcos que os demais não viram, nem mesmo o apóstolo Paulo. É como se assistíssemos ao mesmo filme de anos atrás, quando ninguém acreditava em Paulo, nem os apóstolos de Jerusalém. Barnabé arriscara tudo para elevar a pessoa de Paulo, desacreditada, mas em quem ele discernia um potencial que outros não podiam ver. E, aparentemente, fez o mesmo com João Marcos.

No entanto, com o passo do tempo, descobrimos nas epístolas de Paulo que Marcos se tornou companheiro dele: “Aristarco, meu companheiro de prisão, envia-lhes saudações, bem como Marcos, primo de Barnabé. Vocês receberam instruções a respeito de Marcos, e se ele for visitá-los, recebam-no” (Cl 4.10, grifo do autor).

Paulo não só recebera Marcos como envia cartas de recomendação de seu, agora, companheiro. Mais adiante, Paulo se refere a Marcos como um de seus “cooperadores” (Fm 1.24). Mas o toque de ouro está nas últimas palavras de Paulo, já ciente de que sua vida findara (observe os verbos no passado): “Combati o bom combate, terminei a corrida, guardei a fé” (2Tm 4.7, grifo do autor). Sabendo que está com os dias contados e seu ministério acabado, ele escreve para Timóteo:

Procure vir logo ao meu encontro, pois Demas, amando este mundo, abandonou-me e foi para Tessalônica. Crescente foi para a Galácia, e Tito, para a Dalmácia. Só Lucas está comigo. Traga Marcos com você, porque ele me é útil para o ministério (2Tm 4.9-11).

Quando seu tempo se esgotava, quando se sentiu abandonado e quando possivelmente se deixava abater pelo desânimo, Paulo queria ter duas pessoas a seu lado: Timóteo, seu amado filho, e Marcos, “porque ele me é útil para o ministério”. Quando Paulo já não divisava nenhum ministério para si, viu em Marcos alguém em quem depositar o que ainda tinha a dar, para que o ministério não morresse quando sua vida findasse.

O mais interessante nessa história não está em Paulo ter aceitado Marcos de volta, como companheiro de sua equipe, mas o fato de este ter aceitado Paulo como líder. A Bíblia não relata, mas imagino que a fonte disso tenha sido Barnabé. Paulo rejeitara Marcos no passado porque este o abandonara em plena viagem (At 15.38).

Depois desse conflito sem precedentes na igreja primitiva, Marcos deve ter ficado duplamente magoado com Paulo: por ter sido rejeitado tão veementemente e por saber que, por sua causa, a rejeição também acabara estendendo-se a Barnabé. Curar ou restaurar um coração ferido não é nada fácil (v. Pv 18.19). Aparentemente Barnabé trabalhou a alma de Marcos de tal forma que lhe devolveu o respeito e a apreciação por Paulo.

Barnabé depositou o espírito de reconciliação dentro do Marcos. Isso se manifesta mais uma vez em ele ser não apenas muito querido do Paulo, mas também do Pedro. Às vezes Pedro e Paulo tinham dificuldades de relacionamento ou entendimento (veja Ga 2.11-14; 2 Pe 3.16), mas Marcos chegou a ser não apenas uma das poucas pessoas que Paulo queria a seu lado no final de sua vida, mas também o filho espiritual de Pedro (1 Pe 5.13). E como resultado disso, Marcos escreveu o primeiro evangelho, expressando em grande parte a perspectiva de Pedro que nunca escreveu um evangelho, mas em certo sentido, através de Marcos, escreveu sim.

Barnabé teve a graça de não apenas elevar Paulo à categoria de líder, mas de apoiá-lo e mantê-lo como tal, enfrentando a oposição, possivelmente até de João Marcos, da multidão em Listra, da igreja de Antioquia após a primeira viagem missionária, a dos apóstolos e da igreja de Jerusalém. Foi um mentor incomum, alguém que abriu caminho para que o próprio Paulo entendesse como mentorear outros.

Sem Barnabé, talvez não tivesse existido o ministério de Paulo, suas cartas, o ministério de Marcos e seu evangelho e os evangelhos sinópticos de Mateus e Lucas como os conhecemos hoje, já que se basearam no evangelho de Marcos, escrito antes. Barnabé fica, para mim, como o melhor modelo de mentor na Bíblia, depois de Jesus. Uma das provas disso é na forma que seu mentoreado, o Paulo, se multiplica em relacionamentos de mentoria.

Que muitos de nós possamos também ser filhos de Barnabé!

Paulo como Mentor de Timóteo

Paulo mentoreou muitas pessoas, no entanto foi com Timóteo que esse trabalho sem dúvida destacou-se mais claramente. A imagem de mentor transparece em 1 e 2 Timóteo, em especial no início de 2Timóteo. Experimente numerar, nos versículos citados a seguir, cada palavra, frase ou conceito que você considere expressão típica de um mentor:

Paulo, apóstolo de Cristo Jesus pela vontade de Deus, segundo a promessa da vida que está em Cristo Jesus, a Timóteo, meu amado filho: Graça, misericórdia e paz da parte de Deus Pai e de Cristo Jesus, nosso Senhor.

Dou graças a Deus, a quem sirvo com a consciência limpa, como o serviram os meus antepassados, ao lembrar-me constantemente de você, noite e dia, em minhas orações. Lembro-me das suas lágrimas e desejo muito vê-lo, para que a minha alegria seja completa. Recordo-me da sua fé não fingida, que primeiro habitou em sua avó Lóide e em sua mãe, Eunice, e estou convencido de que também habita em você. Por essa razão, torno a lembrar-lhe que mantenha viva a chama do dom de Deus que está em você mediante a imposição das minhas mãos. Pois Deus não nos deu espírito de covardia, mas de poder, de amor e de equilíbrio.

Portanto, não se envergonhe de testemunhar do Senhor, nem de mim, que sou prisioneiro dele, mas suporte comigo os meus sofrimentos pelo evangelho, segundo o poder de Deus [...].

Retenha, com fé e amor em Cristo Jesus, o modelo da sã doutrina que você ouviu de mim. Quanto ao que lhe foi confiado, guarde-o por meio do Espírito Santo que habita em nós. Você sabe que todos os da província da Ásia me abandonaram, inclusive Fígelo e Hermógenes[...].

Portanto, você, meu filho, fortifique-se na graça que há em Cristo Jesus. E as palavras que me ouviu dizer na presença de muitas testemunhas, confie-as a homens fiéis que sejam também capazes de ensinar outros (2Tm 1.1-8, 13-15; 2.1-2).

Vejo que o mentor, como também o pai espiritual, o líder pastoral ou o discipulador será bem-aventurado se reunir as qualidades de Paulo descritas nessas passagens. Vejamos brevemente algumas delas:

* Relacionamento paternal e familiar: Paulo trata Timóteo, repetidas vezes, como filho (1Tm 1.2, 18 e 2Tm 1.2; 2.1). Hoje, parece que carecemos tanto de pais espirituais como de filhos. A desestruturação e o desajuste familiar na atual geração é terrível. Precisamos muito de pessoas que saibam gerar filhos espirituais.

* Amor: Vale a pena destacar como Paulo se referia a Timóteo: “meu amado filho” (v. 2). Palavras semelhantes foram ditas pelo Pai após o batismo de Jesus: “Este é o meu Filho amado, em quem me agrado” (Mt 3.17). As Escrituras trazem mais oito frases similares com referência a Jesus, o que mostra quão fundamental isso foi para a vida e a identidade de Cristo (v. Is 42.1; Mt 12.18, 17.5; Mc 1.11, 9.7; Lc 3.22, 9.35 e 2Pe 1.17). Quantos líderes e pastores não estão convictos de que são realmente amados, aceitos pelo Pai celeste ou por um mentor ou pai espiritual aqui na terra.
* Intercessão: a ligação profunda entre Paulo e Timóteo transparecia no relacionamento de Paulo com Deus. O apóstolo lembrava-se de Timóteo constantemente, dia e noite (v. 3). Que privilégio contar com um mentor intercessor!
* Intimidade: Timóteo tinha liberdade de chorar com Paulo, e este não se envergonhava disso (v. 4). Na verdade o próprio Paulo também sabia ser transparente e compartilhar emoções profundas que também o levavam às lágrimas. Dirigindo-se aos anciãos de Éfeso, a igreja que mais tarde Timóteo supervisionaria, Paulo afirmou que serviu “ao Senhor com toda a humildade e com lágrimas” (At 20.19); instou-os a cuidarem de si mesmos e a vigiarem, lembrando-lhes “que durante três anos jamais [cessara] de advertir cada um [deles] disso, noite e dia, com lágrimas” (At 20.31). Não devemos nos surpreender de que nessa despedida “todos choraram muito, e, abraçando-o, o beijavam” (At 20.37). O verdadeiro mentor não só deixa seu coração transparecer, a ponto das lágrimas fazerem parte de sua vida e de seu ministério comum, como encoraja seus seguidores a fazerem o mesmo.
* Saudade e alegria (v. 4): Paulo, afinal, possuía um lado afetivo e sabia expressá-lo. Desenvolveu uma ligação afetiva com seu mentoreado. Alegrava-se com seu mentoreado e realmente buscava oportunidades de compartilhamento (veja 2Tm 4.9). Mais uma vez a alegria de Paulo reflete a alegria do Pai no Filho quando diz: “Este é o meu Filho amado, em quem me agrado” (grifo do autor).
* Reafirmação do que é bom (v. 5): Paulo citava qualidades de Timóteo e das boas experiências que compartilharam. Não insistia sempre em que seu mentoreado precisava melhorar, mas comunicava um profundo sentimento de aceitação.
* Exortação (v. 6): Paulo não só reafirmava claramente seu amor, sua aceitação e alegria, mas também sabia como desafiar seu mentoreado para o crescimento.
* Ministração: mais que uma vez Paulo impõe as mãos sobre Timóteo (v. 6) e, em oração, vê o Espírito Santo agir de forma sobrenatural na vida deste (v. 1Tm 4.14). O poder e a graça de Deus fluíam de Paulo para Timóteo.
* Discernimento das necessidades do mentoreado: Paulo sabia que Timóteo sofria dificuldades por causa da timidez ou do medo, por isso ministrava-lhe diretamente a respeito (v. 7) com palavras que encorajaram milhares de outros Timóteos através dos anos.
* Desejo de manter o mentoreado junto a si: Timóteo foi chamado a participar da vida de Paulo e a segui-lo de perto (2Tm 3.10,11, 4.9), até em seus sofrimentos (2Tm 1.8). Paulo não escondia de Timóteo a realidade nem o fato de que a vida cristã apresentava desafios e dificuldades. Também não o deixou enfrentá-los sozinho. O mentor se parece ao Paracletos, que se aproxima de nós e nos chama para junto de si.
* Exemplo (v. 13): Paulo mostrou a Timóteo como ensinar e viver (2Tm 3.10,11), não como um ser perfeito, mas como alguém que permanecia em constante crescimento rumo à perfeição (Fp 3.11-14).
* Reafirmação do chamado do mentoreado: Paulo lembrou Timóteo de manter viva a chama do dom de Deus que estava nele (v. 6) e ainda estimulou-o a guardar o que lhe foi confiado ou depositado (v. 14).
* Compartilhamento de dificuldades: o mentor não se vale de máscaras para levar o mentoreado a crer que tudo está sempre bem (v. 15). Em vez disso, compartilha suas dores, suas decepções e sua solidão (2Tm 4.9-16).
* Discipulado: o estilo de ensino de Paulo, ao contrário do professor, não se baseia em conteúdo e em programas, mas no que flui do coração de um pai para um filho espiritual (2 Tm 1,2; 2.1,2). Paulo repassa vida, a sua e a de Cristo, demonstrando as verdades que queria que Timóteo aprendesse através de como vivia e como se relacionava com ele (2 Tm 2.3-17).
* Orientação do mentoreado no pensamento estratégico: Paulo desafia Timóteo a reproduzir o que recebeu dele. Mais que isso. Desafia-o a multiplicar-se através de escolher as pessoas certas para que estas, por sua vez, ensinem a outros o que receberam (2Tm 2.2).

Qualidades do mentoreado

É muito comum as pessoas procurarem um mentor como Barnabé e Paulo e se decepcionarem quando ele não corresponde a tudo o que elas buscavam. Não raro, tais pessoas não compreendem que, assim como o mentor, o mentoreado também deve apresentar algumas qualificações para a função.

Vejamos uma passagem que nos ajude a ver essa relação mais uma vez, mas agora focando algumas qualidades do mentoreado, do seguidor:

Não estou tentando envergonhá-los ao escrever estas coisas, mas procuro adverti-los, como a meus filhos amados. Embora possam ter dez mil tutores em Cristo, vocês não têm muitos pais, pois em Cristo Jesus eu mesmo os gerei por meio do evangelho. Portanto, suplico-lhes que sejam meus imitadores. Por esta razão estou lhes enviando Timóteo, meu filho amado e fiel no Senhor, o qual lhes trará à lembrança a minha maneira de viver em Cristo Jesus, de acordo com o que eu ensino por toda parte, em todas as igrejas. Alguns de vocês se tornaram arrogantes, como se eu não fosse mais visitá-los (1Co 4.14-18).

Embora esta passagem revele características de um pai espiritual ou mentor, podemos ressaltar oito características de um filho espiritual ou mentoreado:

* Trata seu líder como pai espiritual (v. 15): demonstra carinho, amor, respeito e agradecimento pela confiança que o mentor ou líder depositou nele e pelo tempo investido. Reconhece-o como mentor, e não apenas como um professor ou mestre. O mentor ocupa um lugar especial na vida do mentoreado, inclusive na área de autoridade espiritual. O mentoreado procura entender o coração do mentor e alinhar-se com ele, de modo a abençoá-lo em vez de constituir-se em peso para o mentor (Hb 13.17).
* Imita o líder (v. 16): julga-o um modelo a seguir, um exemplo. O mentoreado, contudo, deve ter em mente que, por sua humanidade, o mentor também pode apresentar falhas ou certas características que contrariam o caráter de Cristo propriamente dito. Seu discernimento o capacitará a imitar o que é saudável, bom, procurando reproduzir isso em sua vida.
* Tem uma identidade espiritual firme e saudável: entende que é um filho amado (v. 17) e que sua identidade de filho é a base para tudo. Serve, mas não como servo obrigado ou compulsivo e sim pelo transbordar de um coração de filho agradecido. Não procura no pai espiritual sua base de sentir-se bem.
* É fiel (v. 17): ao Senhor e no Senhor para com o mentor. O mentoreado não murmura com terceiros a respeito das falhas do mentor ou dos problemas que possa ter de enfrentar. A relação entre ambos tem de ser de mútua transparência. O mentoreado é um escudeiro para seu mentor, protegendo-o e até carregando, quando puder, algo penoso para o líder.
* Vive o que o mentor ensina sobre Jesus (v. 17): em certo sentido, ao ser observado, o mentoreado deve corresponder ao ditado: “Tal Pai, tal filho.” As pessoas devem ser capazes de conhecer o coração e a visão do mentor pelo simples fato de conviver com o mentoreado.
* Compreende os ensinos sob as atitudes do mentor (v. 17): não se limita a imitar sem compreender. Segue o modelo do mentor exatamente porque percebe o que motiva o comportamento dele. Como os discípulos de Jesus, deve expressar suas dúvidas ou o que lhe é incompreensível.
* Não se envergonha de seu mentor (v. 14): talvez seu mentor seja mais velho e não tenha concluído tantos cursos como o mentoreado; é possível que seja do sexo oposto, estrangeiro ou, como a maioria dos líderes, alvo de muitas críticas. Independentemente das razões, o mentoreado não deve se envergonhar do mentor, mas agradecer-lhe e até orgulhar-se (no sentido positivo da palavra) pelo fato dessa pessoa ser seu líder ou mentor.
* Não é arrogante (v. 18): em outras palavras, o mentoreado é humilde e ensinável e não rejeita a correção. Deseja ouvir a avaliação de sua vida e de seu ministério, de modo a poder crescer. Creio que ser ensinável é a característica mais importante de um discípulo ou mentoreado, pois se precisar de aprimoramento ou correção em quaisquer outras áreas, será possível trabalhá-las, sem traumas.

À procura de mentores e mentoreados

A relação mentoreado/mentor é muito preciosa e não pode ser tratada de modo superficial. Na verdade, esse relacionamento é um dom divino, algo parecido ao que Jesus diz a seus discípulos, seus mentoreados:

Já não os chamo servos [hoje, possivelmente uma palavra semelhante poderia ser “obreiros” ou “estudantes”], porque o servo não sabe o que o seu senhor faz. Em vez disso, eu os tenho chamado amigos, porque tudo o que ouvi de meu Pai eu lhes tornei conhecido. Vocês não me escolheram, mas eu os escolhi para irem e darem fruto, fruto que permaneça (Jo 15.15, 16).

Ao referir-se a esta passagem, C. S. Lewis afirma que não escolhemos nossos amigos; Deus os escolhe para nós. Se, de um lado, essa afirmação nos leva a descansar no Senhor quanto a ele inserir e retirar pessoas de nossa vida, de outro haverá situações em que teremos que tomar a iniciativa e nos esforçar a favor de nosso mentor ou mentoreado. É o caso da busca pela pessoa que será nosso cônjuge, por exemplo. Embora essa relação seja uma dádiva do céu, para que dê certo, é preciso entregar nossa vida a ela!

Uma relação de mentor e mentoreado é algo muito semelhante e precioso. O aprofundamento é um processo longo, como ocorreu entre Jesus e os Doze. Foi necessário um ano e meio desde o primeiro chamado em João 1 até que Jesus os separasse como os Doze (Mc 3.13-19; Lc 6.12-16).

Em certo sentido o crescimento gradativo dessa relação pode ser comparado ao processo natural de amizade, namoro, noivado e casamento. O ideal é que seja lento e flua sem artificialismos e sem pressões.

Para muitos, encontrar a pessoa certa para atuar como mentor (ou até para mentorear) é quase tão difícil como encontrar alguém para se casar, especialmente quando aquele que busca o mentor é também pastor. Mas vejamos o que dizem as Escrituras: “... busquem, e encontrarão; batam, e a porta lhes será aberta” (Mt 7.7).

O significado desses verbos, em grego, demonstra uma ação continuada. Se não desistirmos, se realmente formos sérios em nossa procura, Deus nos revelará o líder pastoral, o discipulador ou o mentor que precisamos.

Ao buscar essa pessoa, recomendo os seguintes passos:

1. Liste três pessoas que poderiam ajudá-lo de alguma forma nesse papel. Ainda que não se revelem as ideais, escolha as três melhores opções, pensando em pessoas cujas vidas já estão ligadas de algum modo à sua ou é possível ligá-las. 2. Priorize as pessoas por meio da oração. Dirija-se à primeira e peça-lhe que ore quanto a um encontro inicial para conversarem sobre a possibilidade de ela vir a ser seu mentor (discipulador ou líder pastoral).
3. Se a pessoa aceitar, e o encontro inicial for boa, faça uma experiência de três a seis meses. Se o resultado for positivo, glória a Deus! Se não, passe para a segunda pessoa de sua lista e repita o processo.

A meu ver, a maior responsabilidade para o bom relacionamento entre mentor e mentoreado cabe a este último. Normalmente, o mentor possui muitas ocupações, cabendo, assim, ao mentoreado fazer os ajustes necessários para se adaptar à rotina do mentor. Ele deve ter a iniciativa de buscar o mentor e assegurar que o relacionamento se desenvolva adequadamente. Se você já tem um mentor ou líder pastoral, eu o encorajo a meditar em Hebreus 13.17. Expresse-lhe o que Deus lhe mostra nesse versículo.

Será mais produtivo se a relação entre mentor e mentoreado não for apenas individual, de um para um, mas dentro de um grupo ou equipe. Esse era o procedimento de Jesus Cristo. Não há relatos de encontros individuais com os discípulos, mas de encontros em grupo.
Paulo reafirma a Timóteo que o que este recebia “na presença de muitas testemunhas” (2Tm 2.2), pela imposição de mãos, não provinha apenas de Paulo, mas também dos presbíteros (1Tm 4.14). No livro de Atos, Paulo aparece quase sempre em grupo ou em equipe. Algumas cartas de Paulo, como 1 e 2 Tessalonicenses, por exemplo, trazem como remetentes “Paulo, Silvano e Timóteo”.

Mentorear pessoas no contexto de uma equipe ou grupo, entre outras vantagens, permite reunir a riqueza das múltiplas perspectivas à interdependência (que é uma proteção contra a dependência). Isso também confere ao mentoreado mais oportunidade para dar, em vez de apenas receber. Ademais, haverá outras pessoas envolvidas que poderão ajudar a solucionar possíveis conflitos, o que torna o mentor menos vulnerável à perda de amizades, como facilmente ocorre quando o conflito é gerado numa relação individual.

Encerrando, quero dizer que tenho sido muito abençoado por meio do pr. Irland. Em sua paixão pelo mentoreamento, ele demonstra um espírito ensinável que me surpreende. Com a maior alegria entrega-se, como mentoreado, à orientação de pastores de diferentes denominações ou até mesmo de pastores bem mais jovens, ganhando e crescendo por meio desses relacionamentos. Sem dúvida a habilidade do pr. Irland de aprender de quase qualquer pessoa fornece-lhe subsídios para que ele mesmo atue como mentor de quase qualquer pessoa!

Obrigado, Irland, por mostrar o caminho para tantos de nós que queremos ser como nosso Senhor Jesus Cristo mas sabemos que sozinhos não lograremos êxito. Precisamos de companheiros de jugo, do pastoreio de pastores, de aprendizagem contínua, de mentoreamento. Enfim, de qualidades tão evidentes em sua atuação que nos encorajam a absorvê-las e praticá-las. Podemos colocar em prática o que você nos ensina “na presença de muitas testemunhas” e confiar isso “a homens fiéis que sejam também capazes de ensinar outros”!

Bibliografia

AZEVEDO, Irland. De pastor para pastores: um testemunho pessoal. Rio de Janeiro: JUERP, 2001.
HENDRICKS, Howard. Aprenda a mentorear. Belo Horizonte: Betânia, 1999, principalmente parte 2.
HOUSTON, James. E. Mentoria espiritual: o desafio de transformar indivíduos em pessoas. São Paulo: Sepal, 2003.
KORNFIELD, David. As bases na formação de discipuladores. São Paulo: Sepal, 1996. Na verdade, toda a literatura na área de discipulado está muito relacionada ao mentoreamento.
_____. Equipes de ministério que mudam o mundo: oito características de equipes de alto rendimento. São Paulo: Sepal, 2002. Trata-se de uma ferramenta que ajuda o líder e sua equipe a diagnosticar a saúde e o rendimento da equipe visando a planejar estratégias de aperfeiçoamento. Embora não esteja propriamente relacionado ao tema mentoreamento, pode ajudar no desenvolvimento desse conceito em grupos pequenos ou equipes.

Sites de consulta na Internet

MAPI (Ministério de Apoio a Pastores e Igrejas): www.mapi-sepal.org.br.
Mentorlink International:
www.mentorlink.org.
TOPIC Brasil (Trainers of Pastors International Coalition ou Aliança Internacional de Capacitadores de Pastores - AICP):
www.topicbrasil.org.

Fonte: http://www.mapi-sepal.org.br/

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