segunda-feira, 18 de junho de 2007

Espiritualidade, ética e moral

Ricardo Barbosa
De uns tempos para cá, temos sido atropelados por uma infinidade de temas sérios que atingem e comprometem toda a sociedade, e que se agravam a cada dia apesar das tentativas de contê-los. Corrupção, violência, imoralidade, miséria e pobreza, prostituição infantil e abusos sexuais, drogas e alcoolismo, são alguns destes temas. Sempre que surge um novo escândalo em qualquer uma dessas áreas, educadores protestam contra a falta de investimento na educação, psicólogos analisam o comportamento das pessoas, sociólogos estudam o efeito das mudanças na civilização, políticos nomeiam comissões e jornalistas noticiam cada um buscando alternativas para uma realidade que cresce e perturba os mais acomodados.

A civilização ocidental foi moldada pela tradição cristã, que tem nos mandamentos divinos sua base ética e moral. Durante séculos, o temor a Deus e a consciência de dever para com seus mandamentos moldaram o caráter não só dos cristãos, mas de toda a sociedade. Porém, vivemos hoje uma rejeição a qualquer norma ou princípio que venha de fora. Toda a possibilidade de se estabelecer fronteiras, limites, bem como a idéia de “autoridade”, perturbam as mentes mais pacíficas. Cada um — e não Deus — elabora suas próprias normas e define a forma como irá viver.
A rejeição moderna aos mandamentos de Deus tem suas raízes no secularismo materialista e narcisista. A intensificação do individualismo, a busca pela auto-realizaçã o, tem levado muitos, inclusive cristãos, a criarem um mundo exclusivo onde o sentir-se bem é o valor supremo, e, neste mundo, os mandamentos e o temor a Deus têm de desaparecer. Em nome da liberdade vamos nos tornando mais tolerantes, uma vez que os interesses pessoais se sobrepõem aos mandamentos divinos.

A tendência moderna de rejeição aos mandamentos seria percebida de forma insuficiente se não considerássemos o conflito que se encontra por trás dela: a negação de Deus e a assumida autonomia humana. É assim que o salmista descreve esta realidade: “Os reis da terra se levantam, e os príncipes conspiram contra o Senhor e contra o seu Ungido, dizendo: Rompamos os laços e sacudamos de nós as suas algemas” (Sl 2.2-3). Este é o horizonte maior sobre o qual nossos olhos devem se concentrar.

Se olharmos a Palavra de Deus com este tema em mente, ficaremos surpresos ao perceber sua relevância e importância tanto para a espiritualidade pessoal como para a moral e ética de uma sociedade. Os mandamentos revelam o amor e cuidado de Deus por suas criaturas; eles foram dados depois que Deus os libertou da escravidão — “Eu sou o Senhor, teu Deus, que te tirei da casa da servidão” (Êx 20.2). E nossa obediência a eles revela também nosso amor por ele — “Se guardardes os meus mandamentos, permanecereis no meu amor; assim como também eu tenho guardado os mandamentos do meu Pai, e no seu amor permaneço” (Jo 15.10). Além de estabelecer este relacionamento pessoal, eles constituem o fundamento da ética e da moral, que, em outras palavras, é a forma como nos relacionamos com um profundo senso de respeito e amor para com o próximo. A espiritualidade pessoal requer um compromisso ético e moral.
As propostas de educadores, psicólogos e tantos outros profissionais que se interessam pela solução dos grandes temas nacionais têm seu valor; mas a atitude consciente ou não de rompimento com os mandamentos divinos encontra-se na base destes grandes temas. Nossos olhos já não estão mais voltados exclusivamente para Deus em adoração e obediência; banalizamos o seu nome; atropelamos o tempo e não celebramos o descanso como expressão da confiança na providência divina; não damos mais a honra devida aos pais e aos idosos; matamos e destruímos a dignidade do outro com palavras e gestos; perdemos a capacidade de permanecer fiéis, de nos contentar com o que temos, de fazer da nossa palavra um testamento e não desejar nada que não seja nosso.

Por trás de cada ato de violência, corrupção ou imoralidade está, muito antes das deficiências na educação ou dos distúrbios de comportamento, a quebra de um mandamento. Alguns buscam uma espiritualidade sem ética ou moral; outros, uma ética e moral sem espiritualidade. Porém as duas precisam andar sempre juntas.


• Ricardo Barbosa de Sousa é pastor da Igreja Presbiteriana do Planalto e coordenador do Centro Cristão de Estudos, em Brasília. É autor de Janelas para a Vida e O Caminho do Coração.
http://www.ibmorumb i.com.br/ debora/pais_ 2006.asp

sábado, 16 de junho de 2007

Líder por Excelência!

sexta-feira, 15 de junho de 2007

A espiritualidade do líder

Ednilson Correia de Abreu

O tema da espiritualidade está na moda. Se por um lado isso é positivo, por chamar a atenção do mundo para uma perspectiva muitas vezes ignorada, por outro, corre-se o risco de uma banalização e um desvirtuamento do tema. Mas, e para os líderes, que implicações o tema da espiritualidade tem?

Falar que o líder cristão precisa ser espiritual, é um truísmo. Não se pode ser um líder cristão e não ser espiritual. Como manter uma liderança cristã relevante sem manter um vital relacionamento com Cristo?

Não basta apenas ser líder, conhecer as técnicas e as estratégias mais modernas do mundo da liderança. O líder eficaz, antes de fazer, precisa ser, e ser espiritual.
Muitos caem aqui. Começaram bem como líderes espirituais, mas no decorrer da jornada se tornaram apenas líderes, firmando-se apenas em suas habilidades gerenciais, eloqüência, personalidade, manipulações, etc.

Fatores geradores de problemas na espiritualidade do líder

Pragmatismo – Muitos líderes perderam o seu relacionamento vital com Deus por conta de um comprometimento radical com o pragmatismo. Como estratégias de sucesso, passaram a pautar seus atos pelos resultados, acabaram negociando valores antes inegociáveis. Os fins acabaram justificando os meios e com isso a perspectiva espiritual sadia foi para o espaço.

Competição com outros ministérios - Uma visão competitiva extrema pode produzir uma perda ou enfraquecimento da vivência espiritual do líder. É quando ele passa apenas a lutar pelo seu lugar no mercado, como se a sua própria sobrevivência ou dignidade humana dependesse disso. Líderes cristãos não são competidores entre si. Somos partes de um mesmo time.

Visão materialista do ministério - Quando um líder desenvolve uma visão materialista do ministério é um sinal forte de que a sua espiritualidade encontra-se extinta ou em vias disso. Quando o homem perde a visão espiritual da vida ele precisa substituí-la por outras realidades e a mais comum é o apego às coisas materiais e a aparente segurança que elas promovem.

Perda do cultivo de um relacionamento real com Deus - Creio que a raiz disso tudo está na perda de um relacionamento diário, real e equilibrado com Deus. Quando o líder se deixa enredar por uma rotina dura e fria e ignora a necessidade de se manter na presença do Senhor como um estilo de vida, isso terá um efeito decisivo sobre o seu poder e relevância.

Um caminho de prevenção e cura espiritual do líder

Lembre-se de quem você realmente é
Todo líder cristão precisa se lembrar que é um cristão. Parece óbvio, mas o problema é que, por ser óbvio, acabamos nos esquecendo disso, e deixamos a rotina se instalar e achamos que funcionaremos em uma espécie de piloto automático. Isso não existe. Espiritualidade sadia requer ações proativas de nossa parte, o tempo não nos torna mais espirituais nem o fato de estarmos envolvidos em afazeres eclesiásticos ou para-eclesiásticos. Espiritualidade sadia é vida em Deus e com Deus.

Viva perto de Deus
Precisamos viver com Deus de verdade. Quanto mais perto de Deus estivermos, mais aptos estaremos para levar as pessoas sob a nossa influência para mais perto dele. A palavra profética de Miquéias nos chama atenção aqui quando diz:
“O Senhor já nos mostrou o que é bom, ele já disse o que exige de nós. O que ele quer é que façamos o que é direito, que amemos uns aos outros com dedicação e que vivamos em humilde obediência ao nosso Deus. Miquéias 6.8 (NTLH)

O que gera a proximidade de Deus

Transformação pessoal ética – Um líder espiritual será um líder ético, cujo moral é ilibada e limpa diante dos homens e de Deus; cujo coração é levado a amar e perdoar como ele mesmo é amado e perdoado por Deus.

Sabedoria – Na luz do Senhor, veremos a luz para nos iluminar ao longo dos caminhos difíceis e das decisões do dia-a dia. A sabedoria verdadeira vem de Deus para nós.

Visão – Aliada à sabedoria, uma vida de proximidade de Deus produzirá visão, que é aquela capacidade de poder ver aquilo que a maioria não vê. Um líder que anda com Deus de verdade é capacitado e enxergar.

Consolo – Temos carências e limitações, enfrentamos tragédias e tristezas, como todo ser humano. A liderança não nos isenta de experiências dolorosas. Mas temos um Deus que prometeu caminhar conosco em todos os momentos, inclusive nos vales de lágrimas.

Paz – Liderar não é fácil e a todo instante algo tenta roubar a nossa paz, por isso, quanto mais próximo do Senhor estivermos, mais de sua paz receberemos.

Esperança – Sem esperança não podemos liderar. A esperança energiza os sonhos. Um líder que vive perto de Deus terá suas esperanças renovadas diariamente e assim seus sonhos serão renovados na mesma medida.

Encorajamento – Há dias em que parece que tudo está contra nós, que o Diabo jogou todas as suas armas em nossa direção. Mas uma vida próxima de Deus vai trazer encorajamento, Deus usará os seus meios maravilhosos para nos mostrar que ele está lá ao nosso lado para nos fortalecer.

Vitória espiritual – Um líder espiritual obterá vitórias espirituais e estas são as mais importantes da vida, pois elas fundamentarão todas as outras que podemos ter no trabalho, na família, nos relacionamentos e etc.

Concluindo, quero lembrar três coisas:

O mundo precisa de líderes espirituais
O mundo precisa de líderes com conteúdo espiritual verdadeiro, homens e mulheres que sejam referencias de vidas iluminadas pelo sobrenatural, marcadas por um poder transcendente que vem de um Deus que é capaz de usar vasos de barros, como nós, transformando-os em utensílios tremendos, cheios de graça e poder influenciador de vidas.

A sociedade está buscando um caminho espiritual
A sociedade está em busca de um caminho espiritual seguro e quem melhor do que os líderes deste tempo para apontarem este caminho?
Líderes espirituais, comprometidos seriamente com Deus e sua vontade na terra podem influenciar decisivamente a sociedade enferma em que vivemos hoje.

Jesus como o maior líder espiritual discipulou os seus liderados como homens espirituais
Portanto devemos seguir a mesma rota. Se há uma marca que precisamos deixar sobre os nossos liderados, esta precisa ser essencialmente espiritual. Eles precisam entender e ver em nós o poder de uma vida realmente comprometida em viver com Deus todos os dias.

Cuidado para que não ocorra em sua vida aquilo que Bill Hybels citou: “O ritmo no qual estou fazendo a obra de Deus está destruindo a obra de Deus em mim”. Ao contrário, Deus espera que a nossa liderança seja exercida em sua presença e que esta nos leve cada vez para mais perto dele, levando junto conosco aqueles que estão sob a nossa influência.

Que Deus nos abençoe assim.

Dar e receber conselhos - todo cuidado é pouco

Ednilson Correia de Abreu

Dizem que se conselho fosse bom não era dado, mas vendido. Discordo. Existem poderosos conselhos dados gratuitamente que têm transformado vidas.

O líder é alguém que, entre outras coisas, costuma dar muitos conselhos e receber tantos outros. Isso nos coloca numa posição estratégica de influência que algumas vezes extrapola a nossa própria consciência do peso dessa posição.

O propósito desta reflexão é de chamar a nossa atenção para que, como líderes, estejamos mais atentos aos tipos de conselhos que ministramos e que recebemos, pois, por razões óbvias, nem sempre acertamos naquilo que falamos ou recebemos na forma de sugestões para vida ou conselhos.

Muitas vezes nos dirigimos às pessoas e falamos coisas que não percebemos o impacto disso na vida de quem nos ouve. Outras vezes, somos nós que recebemos conselhos que, se aceitos na íntegra, irão fazer a diferença entre o fracasso e o sucesso de nossa jornada.

Nossas palavras realmente têm um peso de valor grande, não no aspecto místico, como tem sido muito propagado hoje em dia, mas porque somos líderes e temos pessoas sob a nossa influência e também somos influenciados por outros, porque também precisamos do apoio que pode vir na forma de um bom e sábio conselho.

Eu mesmo, uma vez, quando vivia uma crise no ministério que inclusive afetava a minha família, recebi de um outro líder o conselho para desistir do ministério junto com a minha família. Na época, eu era um missionário no sul do Brasil. Já se passaram cerca de 15 anos depois de ter recebido este conselho, que graças a Deus não aceitei. Depois disso, já pude cooperar na organização de três igrejas, apoiar uma igreja em transição pastoral, trabalhar na recuperação de duas outras, editei um livreto, fiz parte de uma abençoada equipe pastoral em uma igreja em franco crescimento, lecionei em dois seminários e em uma faculdade teológica cooperando na formação de outros líderes e pastores, concluí um mestrado em ministério, escrevo artigos para publicações em sites evangélicos, prego no rádio, aconselho centenas de pessoas, já preguei outras centenas de sermões e ministro outros tantos estudos.

Hoje continuo sendo pastor ativo de uma igreja na mesma denominação em que me converti junto com a minha abençoada família. Muitas lutas foram vencidas e outras certamente o serão, mas graças à misericórdia de Deus não aceitei aquele conselho para desistir.

Quanta coisa teria deixado de realizar na obra do Senhor se tivesse aceito tal conselho?

Há poder em nossos conselhos. Assim sendo, temos de ter equilíbrio, sobriedade, humildade, dependência de Deus, perspectiva bíblica, discernimento e sabedoria para sugerir algo que possa influenciar a trajetória de vida de uma pessoa. Principalmente quando somos líderes, nunca é demais lembrar que nossa palavra passa a ter um peso maior sobre os demais.

Às vezes é melhor calar do que se ver obrigado a dar um conselho sobre o que você não sabe e acabar confundindo ou influenciando negativamente alguém.

Que Deus nos livre de sermos conselheiros molestos e nos dê a graça de sermos encorajadores do bem na vida daqueles que Deus coloca sob a influência dos nossos conselhos.

Invista em novos líderes - seu trabalho não será em vão

O desenvolvimento de líderes emergentes é desafiador e, ao mesmo tempo, recompensador. Nem todas as pessoas nas quais você investe tempo vão se tornar os líderes que têm potencial para ser. Mas, se você desenvolver suas habilidades de mentorear e investir continuamente neles, Deus vai abençoar você com um Josué que chegará ao mais alto degrau de liderança.
(John C. Maxwell, 21 minutos de poder na vida de um líder)

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