sábado, 27 de dezembro de 2008

Lições de Liderança baseadas na vida de Davi.

Davi retirou-se dali e se refugiou na caverna de Adulão; quando ouviram isso seus irmãos e toda a casa de seu pai, desceram ali para ter com ele. Ajuntaram-se a ele todos os homens que se achavam em aperto, e todo homem endividado, e todos os amargurados de espírito, e ele se fez chefe deles; e eram com ele uns quatrocentos homens. (I Sm 22: 1-3)

Davi retorna ao território de Judá, mas não muito distante da fronteira de Israel com a Filistia. Ele se esconde de Saul na caverna de Adulão. A localização de Adulão não é exata, mas parece ter se sido há algumas milhas a leste de Gate, na direção de Belém e Jerusalém. Parece que Davi encontrou um esconderijo isolado e seguro, longe o suficiente de Gate e não muito perto de Saul. (Adulão será o Q.G. da Davi).
Davi parece estar sozinho, até agora. Mas, quando se esconde na caverna de Adulão, uma porção de gente começa a chegar esperando juntar-se a ele. Os primeiros a ouvir sobre seus parentes, que se unem a ele na caverna. Eles devem sentir que, uma vez que Davi é visto como inimigo de Saul, eles também não estão seguros. Penso eu, ser a melhor posição teológica, com base no destino dos sacerdotes (ver I Sm 22). Outros os seguem, aqueles que estão em perigo, em dívida, ou não são a favor de Saul. Eles vêm a Davi como seu novo líder. Aqueles que se juntam a Davi durante sua estadia na caverna chegam aproximadamente a 400 homens.
1.     Como líder, Davi nunca menosprezou aqueles que o Senhor lhe enviava.
  • Davi atraia estes homens sem procurá-los. ( II Sm 22:1-3).
2.     Como líder, Davi tinha a habilidade necessária para treinar homens que não possuíam nenhuma capacidade. Transformado estes homens na Elite Militar da sua época. Um verdadeiro exército de Deus.
·        De covardes, Davi os fez valentes e poderosos (II Sm 23:8).
·        De aflitos, Davi os fez soldados valorosos. Um Exercito de Deus (I Cro 12:22).
·        De endividados, Davi os fez mais valiosos do que ouro. O menor valia por 10 homens e o maior por 1ooo. (I Cro 12: 14).
3.     Como líder, Davi não tinha medo ou receio de colocar ao seu lado homens que teriam seus potenciais maximizados no decorrer do treinamento. Muitos destes Valentes seriam melhores do que Davi na arte da guerra. (I Sm 23:8-17).
·        Josebe matou 800 com uma lança.
·        Eleazar com sua mão pegada à espada atacou os filisteus e os feriu.
·        Samá defendeu seu campo de lentilhas, efetuando grande combate.
4.     Como líder, Davi tinha admiração e respeito pela vida e serviço fiel dos seus liderados. (II Sm 23:17).
·        Os valentes ouvem o suspiro por água do seu líder e agem imediatamente em missão.
·        Não era uma ordem de Davi, nem um pedido, era apenas um desejo pela água da fonte de Belém. Todavia, estes homens romperam as barreiras e obstáculos por causa do desejo de servir ao ungido do Senhor.
5.     Seus liderados o amavam, respeitavam, obedeciam e lhe devotavam total admiração.
  • A lealdade destes homens não era interesseira, não estavam atrás de promoção, nem eram bajuladores ou hipócritas.
  • Davi nunca procurou a fidelidade destes homens.
  • Todavia extraiu deles lealdade e serviço por meio da sua devoção para com eles.
  • Davi publicamente honrou o sacrifício dos valentes presenteando a Deus com a água que eles trouxeram em oferta a Davi.
  • Será que em nossos dias ainda existem homens valentes, a ponto de arriscarem suas vidas, rompendo limites e obstáculos em favor do seu líder.
  • Será que ainda existem homens como Davi (devotado aos seus liderados). Homens cuja sua atitude de amor, zelo e admiração pelos seus liderados falam mais alto que suas palavras.
6.     Como líder, Davi era a inspiração de seus liderados. Ele era alguém que resplandecia a luz do Senhor. Ele era a lâmpada de Israel (II Sm 21:17). 
·        Davi já estava velho. Seus pais já descansam no sepulcro. A vida estava passando e os anos se abreviaram. Davi já não é mais o garoto que matava leões e ursos que ameaçavam rebanhos.
·        Também não é mais o jovem destemido que, com uma funda e cinco pedrinhas, derrubara o gigante Golias.
·        Mas ainda acha que pode guerrear, é verdade. Acaba de enfrentar outro gigante, Isbi-Benobe, mas quase morre desta vez, não fosse pela intervenção de Abisai. Por isso, seus próprios soldados lhe aconselharam: Por favor, rei, fica em casa, para que “não apagues a lâmpada de Israel”. Como a luz flui da lâmpada, o calor do fogo, e os pensamentos da mente, assim Davi era o símbolo da Providencia e Promessas de Deus para Israel. Nesta altura dos acontecimentos Davi compõe um cântico a Deus, que corresponde ao Salmo 18, e que expressa agradecimentos por livrá-lo “da palma da mão de todos os seus inimigos e da palma de Saul”.
·        Suas responsabilidade como líder da nação no Salmo 18 inicia com a sua declaração de amor a Deus; e como líder Davi expressa seu amor: obedecendo a Deus... 1) em justiça de vida (20,24); 2) em pureza diante de Deus (20,24); 3) Guardando os caminhos do Senhor que é perfeito (21,30); 4) Não se apartando de Deus (21); 5) Ter diante de si a Palavra de Deus que é provada (22,30); 6) Sendo íntegro e se guardando da iniqüidade (23); 7) Sendo sempre agradecido (46); 8) Bendizendo e engrandecendo a Deus (46); 9) Glorificá-Lo publicamente (49); 10) Cantar louvores ao Seu nome (3,49); 11) Testemunho sua gloria e majestade (49).
·        Saber que podemos contar com a ajuda de Deus e de nossos liderados nos momentos mais difíceis da nossa é um grande alento e mui agradável balsamo para a alma dos pastores, que por vezes, estão exaustos e afadigados do combate cristão.
7.     Como líder, Davi sabia que o ministério exige a excelência daqueles que são vocacionados. E que passar pelos desertos das provações lapidaria seu caráter e forjaria sua alma no fogo do Espírito do Senhor. (I Sm 23-24). Davi passa a ter consciência do sagrado.
  • Todos aqueles que desejam ter um profundo relacionamento com Deus passam pelo deserto, devem se refugia em Adulão. (Moises, Elias, Paulo e nosso Senhor Jesus passaram pelos desertos. O deserto faz parte da pedagogia e mistagogia de Deus).
  • Davi não escolheu o deserto, mas foi forçado a se refugiar dos ataques de Saul na região do Neguebe por aproximadamente 10 anos de sua vida.
  • Davi recebeu o seu Ph.D em ministério depois de passar pelas faculdades do deserto de Zife; de Maom; Em-Gedi e Parã.
  • Os anos de provações no deserto levaram Davi a ter uma percepção mais clara do sagrado e do profano, da santidade e da impureza, da beleza e do desespero, da obediência e do pecado; Davi foi capaz de ver a gloria de Deus onde ninguém mais podia ver, isto é, na vida de Saul, o ungido de Deus. (I Sm 24:10). O deserto nos torna mais humano e menos anjo.
  • Adulão significado refugio. Foi no deserto que Davi escondeu-se de Saul numa caverna em Adulão (1Sm 22:1; 2Sm 23:13; 1Cr 11:15).  Adulão é lugar de sair da superficialidade e buscar profundidade insondável.
  • Na caverna de Adulão, existem lugares profundos ainda não sondados, lugares onde não se conseguia medir a profundidade.
  • Mas Davi conhecia em profundidade ao Senhor, ele conhecia o Bom Pastor (Salmo 23) aquele que o havia livrado do Urso e do Leão, aquele que havia entregado o gigante e todos os filisteus em suas mãos. Davi conhecia ao Senhor, e seu conhecimento não era superficial.
  • Precisamos entrar em Adulão para conhecermos ao Senhor com intimidade. Adulão é lugar de transformar a exaltação em humilhação.
8.     Como líder, Davi fez no deserto da adversidade o que não conseguimos fazer nos oásis igrejeiros: “Davi fez de homens perdedores, campeões; de amargurados em cheios de graça; de endividados em pedras preciosas; de espírito abatidos em Valentes de Deus”.
  • Davi era matador de gigantes, por sua vez exigia que seus liderados também fizessem o mesmo. (I Sm 21). Abisai, Sibecai, El-Hanã, Jônatas, todos estes mataram gigantes nas guerras pelo Rei e pelo Reino.
  • Davi sabia compartilhar com os seus liderados as glorias recebidas em batalha. (I Cro 27). Reinou, pois, Davi sobre todo o Israel; e Davi fazia direito e justiça a todo o seu povo. II Samuel 8:15
  • Quando Golias desafiou o exército de Israel, ele estava batalhando em nome dos seus deuses. Logo, se Golias vencesse, seria considerada a vitória dos deuses dos filisteus sobre o Deus de Israel... Entretanto, pelo que parece, ninguém entendeu desta forma... O povo de Israel estava ofendido e magoado, cada um pensando em si e no seu justo espírito nacionalista, entendendo que Golias estava simplesmente afrontando ao povo...Davi foi o único que enfocou teologicamente o problema, quem percebeu a gravidade dos fatos: Golias havia afrontado não a um exército comum, mas ao exército do Deus vivo.
  • Davi, o menino pastor, estava dando seus primeiros passos na liderança espiritual, mas já sabia que o seu povo era guiado e protegido por Deus; era o povo da Aliança. Davi não olhava os fatos como se ocorressem por um mero e insensível acaso...Ele tinha consciência de que Deus levantava homens... E, se assim o é, já que não surgia ninguém, porque não ele?
  • Deus sempre levantou homens: Moisés, Josué, Jefté, Débora, Baraque, Gideão, Sansão, Isaías, Jeremias, os apóstolos, Paulo, etc. Os Reformadores: Lutero, Melanchton, Calvino, etc. Estes homem também se depararam com gigantes... Entretanto tiveram consciência de que Deus usa homens... Eles se prontificaram, dizendo: “Eis-me aqui, envia-me a mim” (Is 6.8)
  • Há gigantes à nossa frente? Por certo há muitos: A frieza, a indiferença, a escassez de recursos financeiros, a falta de pessoas comprometidas com a obra; pessoas a serem lideradas, lapidados, moldadas e muitas ainda precisam ser conquistadas para Cristo. Mas... Se Deus levanta homens. Por que não eu?
  • Deus age através da História e nós, somos os instrumentos de Deus. Muitas vezes os grandes desafios de Deus começam nas coisas mais simples de nossa vida: Todo o processo de luta de Davi com Golias e a sua vitória começou com a sua simples e justa obediência ao seu pai Jessé, indo levar alimento para os seus irmãos no campo de batalha; lembremo-nos de que Davi já fora ungido rei de Israel...
Um dos primeiros passos para que possamos entender a questão da liderança cristã é adotarmos a perspectiva correta sobre Deus, Sua Palavra e Sua Obra.
·        Davi se dispôs a lutar porque entendeu que Golias havia ofendido a Deus e isso ele não poderia tolerar... Davi tinha zelo por Deus e pelos ungidos de Deus, por isso nunca levantou-se contra o rei Saul.. Davi esperou pela providencia de Deus para ascender ao trono de Israel e com muito resignação e paciência, deixou Deus ser Deus em sua vida... Os valentes de Davi outrora eram covardes, tímidos, espiritualmente fracos, mas  como muita sabedoria, graça, unção e dedicação, Davi investiu todos os seus recursos nestes “desqualificados” aos olhos humanos, pois Davi tinha experiência pessoal de que Deus escolheu as coisas loucas deste mundo para confundir as sábias; e Deus escolheu as coisas fracas deste mundo para confundir as fortes;  28 E Deus escolheu as coisas vis deste mundo, e as desprezíveis, e as que não são, para aniquilar as que são;  29 Para que nenhuma carne se glorie perante ele. 1 Co 1:27-29 .
·        Deus no seu processo revelador e salvador sempre se valeu de homens e mulheres. Há muitas coisas a serem feitas na Seara do Senhor; então, por que não podem ser realizadas através de mim?
·        Devemos ser obedientes a Deus, fazendo o que nos compete, usando dos recursos que Ele mesmo nos forneceu em nossa caminhada. Deus sempre conduz o Seu povo em triunfo, mesmo em meios aos mais escaldantes desertos da vida.
Que Deus abençoe Sua Igreja.
* Sermão em esboço proferido pelo Pastor George Emanuel diante dos alunos do curso de liderança cristã (modulo I), da Igreja Congregacional Emanuel em Fortaleza-Ce.

sexta-feira, 19 de dezembro de 2008

Tomando Decisões

Todos nós tomamos diariamente dezenas de decisões. Fazemos escolhas, optamos, resolvemos e determinamos aquilo que tem a ver com nossa vida individual; a vida da empresa, da igreja, a vida da nossa família... Enfim, a vida de nossos semelhantes.

Ninguém faz isso no vácuo. Antigamente pensava-se que era possível pronunciar-se sobre um determinado assunto de forma inteiramente objetiva, isto é, isenta de quaisquer pré-concepções ou pré-convicções. Hoje, sabe-se que nem mesmo na área das chamadas “ciências exatas” é possível fazer pesquisa sem sermos influenciados pelo que somos, cremos, desejamos, objetivamos e vivemos.

As decisões que tomamos são invariavelmente influenciadas pelo horizonte do nosso próprio mundo individual e social. Ao elegermos uma determinada solução em detrimento de outra, o fazemos baseados num padrão, num conjunto de valores do que acreditamos ser certo ou errado. É isso que chamamos de ética.

A nossa palavra "ética" vem do grego eqikh, que significa um hábito, costume ou rito. Com o tempo, passou a designar qualquer conjunto de princípios ideais da conduta humana, as normas a que devem ajustar-se as relações entre os diversos membros de uma sociedade.

Ética é o conjunto de valores ou padrão pelo qual uma pessoa entende o que seja certo ou errado e toma decisões.


Alternativas Éticas


Cada um de nós tem uma ética. Cada um de nós, por mais influenciado que seja pelo relativismo e pelo pluralismo de nossos dias, tem um sistema de valores interno que consulta (nem sempre, a julgar pela incoerência de nossas decisões...!) no processo de fazer escolhas. Nem sempre estamos conscientes dos valores que compõem esse sistema, mas eles estão lá, influenciando decisivamente nossas opções.

Os estudiosos do assunto geralmente agrupam as alternativas éticas de acordo com o seu princípio orientador fundamental. As principais são: humanística, natural e religiosa.


Éticas Humanísticas


As chamadas éticas humanísticas são aquelas que tomam o ser humano como a medida de todas as coisas, seguindo o conhecido axioma do antigo pensador sofista Protágoras (485-410 AC). Ou seja, são aquelas éticas que favorecem escolhas e decisões voltadas para o homem como seu valor maior.


Hedonismo


Uma forma de ética humanística é o hedonismo. Esse sistema ensina que o certo é aquilo que é agradável. A palavra "hedonismo" vem do grego |hdonh, "prazer". Como movimento filosófico, teve sua origem nos ensinos de Epicuro e de seus discípulos, cuja máxima famosa era "comamos e bebamos porque amanhã morreremos". O epicurismo era um sistema de ética que ensinava, em linhas gerais, que para ter uma vida cheia de sentido e significado, cada indivíduo deveria buscar acima de tudo aquilo que lhe desse prazer ou felicidade. Os hedonistas mais radicais chegavam a ponto de dizer que era inútil tentar adivinhar o que dá prazer ao próximo.

Como conseqüência de sua ética, os hedonistas se abstinham da vida política e pública, preferiam ficar solteiros, censurando o casamento e a família como obstáculos ao bem maior, que é o prazer individual. Alguns chegavam a defender o suicídio, visto que a morte natural era dolorosa.

Como movimento filosófico, o hedonismo passou, mas certamente a sua doutrina central permanece em nossos dias. Somos todos hedonistas por natureza. Freqüentemente somos motivados em nossas decisões pela busca secreta do prazer. A ética natural do homem é o hedonismo. Instintivamente, ele toma decisões e faz escolhas tendo como princípio controlador buscar aquilo que lhe dará maior prazer e felicidade. O individualismo exacerbado e o materialismo moderno são formas atuais de hedonismo.

Muito embora o cristianismo reconheça a legitimidade da busca do prazer e da felicidade individuais, considera a ética hedonista essencialmente egoísta, pois coloca tais coisas como o princípio maior e fundamental da existência humana.


Utilitarismo

Outro exemplo de ética humanística é o utilitarismo, sistema ético que tem como valor máximo o que considera o bem maior para o maior número de pessoas. Em outras palavras, "o certo é o que for útil". As decisões são julgadas, não em termos das motivações ou princípios morais envolvidos, mas dos resultados que produzem. Se uma escolha produz felicidade para as pessoas, então é correta. Os principais proponentes da ética utilitarista foram os filósofos ingleses Jeremy Bentham e John Stuart Mill.

A ética utilitarista pode parecer estar alinhada com o ensino cristão de buscarmos o bem das pessoas. Ela chega até a ensinar que cada indivíduo deve sacrificar seu prazer pelo da coletividade (ao contrário do hedonismo). Entretanto, é perigosamente relativista: quem vai determinar o que é o bem da maioria? Os nazistas dizimaram milhões de judeus em nome do bem da humanidade. Antes deles, já era popular o adágio "o fim justifica os meios". O perigo do utilitarismo é que ele transforma a ética simplesmente num pragmatismo frio e impessoal: decisões certas são aquelas que produzem soluções, resultados e números.

Pessoas influenciadas pelo utilitarismo escolherão soluções simplesmente porque elas funcionam, sem indagar se são corretas ou não. Utilitaristas enfatizam o método em detrimento do conteúdo. Eles querem saber “como” e não “por quê?”.

Talvez um bom exemplo moderno seja o escândalo sexual Clinton/Lewinski. Numa sociedade bastante marcada pelo utilitarismo, como é a americana, é compreensível que as pessoas se dividam quanto a um impeachment do presidente Clinton, visto que sua administração tem produzido excelentes resultados financeiros para o país.


Existencialismo


Ainda podemos mencionar o existencialismo, como exemplo de ética humanística. Defendido em diferentes formas por pensadores como Kierkegaard, Jaspers, Heiddeger, Sartre e Simone de Beauvoir, o existencialismo é basicamente pessimista. Existencialistas são céticos quanto a um futuro róseo ou bom para a humanidade; são também relativistas, acreditando que o certo e o errado são relativos à perspectiva do indivíduo e que não existem valores morais ou espirituais absolutos. Para eles, o certo é ter uma experiência, é agir — o errado é vegetar, ficar inerte.

Sartre, um dos mais famosos existencialistas, disse: "O mundo é absurdo e ridículo. Tentamos nos autenticar por um ato da vontade em qualquer direção". Pessoas influenciadas pelo existencialismo tentarão viver a vida com toda intensidade, e tomarão decisões que levem a esse desiderato. Aldous Huxley, por exemplo, defendeu o uso de drogas, já que as mesmas produziam experiências acima da percepção normal. Da mesma forma, pode-se defender o homossexualismo e o adultério.

O existencialismo é o sistema ético dominante em nossa sociedade moderna. Sua influencia percebe-se em todo lugar. A sociedade atual tende a validar eticamente atitudes tomadas com base na experiência individual. Por exemplo, um homem que não é feliz em seu casamento e tem um romance com outra mulher com quem se sente bem, geralmente recebe a compreensão e a tolerância da sociedade.


Ética Naturalística

Esse nome é geralmente dado ao sistema ético que toma como base o processo e as leis da natureza. O certo é o natural — a natureza nos dá o padrão a ser seguido. A natureza, numa primeira observação, ensina que somente os mais aptos sobrevivem e que os fracos, doentes, velhos e debilitados tendem a cair e a desaparecer à medida que a natureza evolui. Logo, tudo que contribuir para a seleção do mais forte e a sobrevivência do mais apto, é certo e bom; e tudo o que dificultar é errado e mau.

Por incrível que possa parecer, essa ética teve defensores como Trasímaco (sofista, contemporâneo de Sócrates), Maquiavel, e o Marquês de Sade. Modernamente, Nietzsche e alguns deterministas biológicos, como Herbert Spencer e Julian Huxley.

A ética naturalística tem alguns pressupostos acerca do homem e da natureza baseados na teoria da evolução: (1) a natureza e o homem são produtos da evolução; (2) a seleção natural é boa e certa. Nietzsche considerava como virtudes reais a severidade, o egoísmo e a agressividade; vícios seriam o amor, a humildade e a piedade.


Pode-se perceber a influência da ética naturalística claramente na sociedade moderna. A tendência de legitimar a eliminação dos menos aptos se observa nas tentativas de legalizar o aborto e a eutanásia em quaisquer circunstâncias. Os nazistas eliminaram doentes mentais e esterilizaram os "inaptos" biologicamente. Sade defendia a exploração dos mais fracos (mulheres, em especial). Nazistas defenderam o conceito da raça branca germânica como uma raça dominadora, justificando assim a eliminação dos judeus e de outros grupos. Ainda hoje encontramos pichações feitas por neo-nazistas nos muros de São Paulo contra negros, nordestinos e pobres. Conscientemente ou não, pessoas assim seguem a ética naturalística da sobrevivência dos mais aptos e da destruição dos mais fracos.

Os cristãos entendem que uma ética baseada na natureza jamais poderá ser legítima, visto que a natureza e o homem se encontram hoje radicalmente desvirtuados como resultado do afastamento da humanidade do seu Criador. A natureza como a temos hoje se afasta do estado original em que foi criada. Não pode servir como um sistema de valores para a conduta dos homens.


Éticas Religiosas

São aqueles sistemas de valores que procuram na divindade (Deus ou deuses) o motivo maior de suas ações e decisões. Nesses sistemas existe uma relação inseparável entre ética e religião. O juiz maior das questões éticas é o que a divindade diz sobre o assunto. Evidentemente, o conceito de Deus que cada um desse sistema mantém, acabará por influenciar decisivamente o código ético e o comportamento a ser seguido.


Éticas Religiosas Não Cristãs


No mundo grego antigo os deuses foram concebidos (especialmente nas obras de Homero) como similares aos homens, com paixões e desejos bem humanos e sem muitos padrões morais (muito embora essa concepção tenha recebido muitas críticas de filósofos importantes da época). Além de dominarem forças da natureza, o que tornava os deuses distintos dos homens é que esses últimos eram mortais. Não é de admirar que a religião grega clássica não impunha demandas e restrições ao comportamento de seus adeptos, a não ser por grupos ascéticos que seguiam severas dietas religiosas buscando a purificação.

O conceito hindú de não matar as vacas vem de uma crença do período védico que associa as mesmas a algumas divindades do hinduísmo, especialmente Krishna. O culto a esse deus tem elementos pastoris e rurais.

O que pensamos acerca de Deus irá certamente influenciar nosso sistema interno de valores bem como o processo decisório que enfrentamos todos os dias. Isso vale também para ateus e agnósticos. O seu sistema de valores já parte do pressuposto de que Deus não existe. E esse pressuposto inevitavelmente irá influenciar suas decisões e seu sistema de valores.

É muito comum na sociedade moderna o conceito de que Deus (ou deuses?) seja uma espécie de divindade benevolente que contempla com paciência e tolerância os afazeres humanos sem muita interferência, a não ser para ajudar os necessitados, especialmente seus protegidos e devotos. Essa concepção de Deus não exige mais do que simplesmente um vago código de ética, geralmente baseado no que cada um acha que é certo ou errado diante desse Deus.


A Ética Cristã


Á ética cristã é o sistema de valores morais associado ao Cristianismo histórico e que retira dele a sustentação teológica e filosófica de seus preceitos.

Como as demais éticas já mencionadas acima, a ética cristã opera a partir de diversos pressupostos e conceitos que acredita estão revelados nas Escrituras Sagradas pelo único Deus verdadeiro. São estes:

1. A existência de um único Deus verdadeiro, criador dos céus e da terra. A ética cristã parte do conceito de que o Deus que se revela nas Escrituras Sagradas é o único Deus verdadeiro e que, sendo o criador do mundo e da humanidade, deve ser reconhecido e crido como tal e a sua vontade respeitada e obedecida.

2. A humanidade está num estado decaído, diferente daquele em que foi criada. A ética cristã leva em conta, na sistematização e sintetização dos deveres morais e práticos das pessoas, que as mesmas são incapazes por si próprias de reconhecer a vontade de Deus e muito menos de obedecê-la. Isso se deve ao fato de que a humanidade vive hoje em estado de afastamento de Deus, provocado inicialmente pela desobediência do primeiro casal. A ética cristã não tem ilusões utópicas acerca da "bondade inerente" de cada pessoa ou da intuição moral positiva de cada uma para decidir por si própria o que é certo e o que é errado. Cegada pelo pecado, a humanidade caminha sem rumo moral, cada um fazendo o que bem parece aos seus olhos. As normas propostas pela ética cristã pressupõem a regeneração espiritual do homem e a assistência do Espírito Santo, para que o mesmo venha a conduzir-se eticamente diante do Criador.

3. O homem não é moralmente neutro, mas inclinado a tomar decisões contrárias a Deus, ao próximo. Esse pressuposto é uma implicação inevitável do anterior. As pessoas, no estado natural em que se encontram (em contraste ao estado de regeneração) são movidas intuitivamente, acima de tudo, pela cobiça e pelo egoísmo, seguindo muito naturalmente (e inconscientemente) sistemas de valores descritos acima como humanísticos ou naturalísticos. Por si sós, as pessoas são incapazes de seguir até mesmo os padrões que escolhem para si, violando diariamente os próprios princípios de conduta que consideram corretos.

4. Deus revelou-se à humanidade. Essa pressuposição é fundamental para a ética cristã, pois é dessa revelação que ela tira seus conceitos acerca do mundo, da humanidade e especialmente do que é certo e do que é errado. A ética cristã reconhece que Deus se revela como Criador através da sua imagem em nós. Cada pessoa traz, como criatura de Deus, resquícios dessa imagem, agora deformada pelo egoísmo e desejos de autonomia e independência de Deus. A consciência das pessoas, embora freqüentemente ignorada e suprimida, reflete por vezes lampejos dos valores divinos. Deus também se revela através das coisas criadas. O mundo que nos cerca é um testemunho vivo da divindade, poder e sabedoria de Deus, muito mais do que o resultado de milhões de anos de evolução cega. Entretanto é através de sua revelação especial nas Escrituras que Deus nos faz saber acerca de si próprio, de nós mesmos (pois é nosso Criador), do mundo que nos cerca, dos seus planos a nosso respeito e da maneira como deveríamos nos portar no mundo que criou.

Assim, muito embora a ética cristã se utilize do bom senso comum às pessoas, depende primariamente das Escrituras na elaboração dos padrões morais e espirituais que devem reger nossa conduta neste mundo. Ela considera que a Bíblia traz todo o conhecimento de que precisamos para servir a Deus de forma agradável e para vivermos alegres e satisfeitos no mundo presente. Mesmo não sendo uma revelação exaustiva de Deus e do reino celestial, a Escritura, entretanto, é suficiente naquilo que nos informa a esse respeito. Evidentemente não encontraremos nas Escrituras indicações diretas sobre problemas tipicamente modernos como a eutanásia, a AIDS, clonagem de seres humanos ou questões relacionadas com a bioética. Entretanto, ali encontraremos os princípios teóricos que regem diferentes áreas da vida humana. É na interação com esses princípios e com os problemas de cada geração, que a ética cristã atualiza-se e contextualiza-se, sem jamais abandonar os valores permanentes e transcendentes revelados nas Escrituras.

É precisamente por basear-se na revelação que o Criador nos deu que a ética cristã estende-se a todas as dimensões da realidade. Ela pronuncia-se sobre questões individuais, religiosas, sociais, políticas, ecológicas e econômicas. Desde que Deus exerce sua autoridade sobre todas as dimensões da existência humana, suas demandas nos alcançam onde nos acharmos – inclusive e principalmente no ambiente de trabalho, onde exercemos o mandato divino de explorarmos o mundo criado e ganharmos o nosso pão.

É nas Escrituras Sagradas, portanto, que encontramos o padrão moral revelado por Deus. Os Dez Mandamentos e o Sermão do Monte proferido por Jesus são os exemplos mais conhecidos. Entretanto, mais do que simplesmente um livro de regras morais, as Escrituras são para os cristãos a revelação do que Deus fez para que o homem pudesse vir a conhecê-lo, amá-lo e alegremente obedecê-lo. A mensagem das Escrituras é fundamentalmente de reconciliação com Deus mediante Jesus Cristo. A ética cristã fundamenta-se na obra realizada de Cristo e é uma expressão de gratidão, muito mais do que um esforço para merecer as benesses divinas.

A ética cristã, em resumo, é o conjunto de valores morais total e unicamente baseado nas Escrituras Sagradas, pelo qual o homem deve regular sua conduta neste mundo, diante de Deus, do próximo e de si mesmo. Não é um conjunto de regras pelas quais os homens poderão chegar a Deus – mas é a norma de conduta pela qual poderá agradar a Deus que já o redimiu. Por ser baseada na revelação divina, acredita em valores morais absolutos, que são à vontade de Deus para todos os homens, de todas as culturas e em todas as épocas.

Por: Rev. Augustus Nicodemus Lopes

quarta-feira, 17 de dezembro de 2008

Mitos e realidades sobre o suícídio assistido na Suíça

Os pacientes de EXIT ingerem uma solução de pentobarbital sódico para pôr fim à vida.
Legenda da foto: Os pacientes de EXIT ingerem uma solução de pentobarbital sódico para pôr fim à vida. (Rodrigo Carrizo Couto)

Os casos recentes de Daniel James e Craig Ewert, dois cidadãos britânicos que morreram na Suíça, trouxe novamente à atualiade o debate sobre o "direito a uma morte digna".

Para compreender melhor esse tema delicado, swissinfo entrevistou o dr. Jerôme Sobel, presidente da EXIT, associação suíça que ajuda pacientes terminais que pedem assistência para morrrer.
O caso de Craig Ewert, acometido de uma grave doença neurológica, foi noticiado recentemente por toda a imprensa internacional. O professor aposentado de 59 anos pôs fim à vida diante das câmeras da televisão Sky News, suscitando uma grande polêmica.
Não foram poucos os jornais europeus a afirmar que a na Suíça a eutanásia era legal, o que é falso. Neste país, não é crime a assistência ao suicídio de um doente que deseje pôr fim à vida e cumpra uma série de requisitos estritos, enquanto a eutanásia continua sendo punida pela lei.
Uma das pessoas com maior autoridade na Suíça para falar desse tema é o dr. Jerôme Sobel. Cirurgião baseado em Lausanne, oeste da Suíça, ele dirige a EXIT, Associação pelo Direito a uma Morte Digna. Durante uma longa conversa, ele esclarece os mitos e realidade do suicídio assistido na Suíça e analisa a situação na Europa.

swissinfo: Qual é a situação atual do suicídio assistido na Suíça?

Doctor Jerôme Sobel: Em 11 de dezembro de 2001, foi decidido descriminar a assistência ao suicídio. O Código Penal, graças a uma interpretação "aberta" de um de seus artigos, permite a assistência, salvo e caso de interesses pessoais. Ou seja, não podemos ser herdeiros do paciente, para dar um exemplo. Na Europa, países como Holanda e Bélgica descriminaram a eutanásia ativa com controle médico.

Com que critérios a EXIT assiste um candidato ao suicídio?

O primeiro critério é que o pedido de assistência seja sério e repetido durante algum tempo. Depois, que tenha uma doença incurável, com morte previsível. Que essa doença provoque no paciente sofrimentos psíquicos e físicos que tornem sua existência insuportável.

Quantos pacientes foram diagnosticados como depressivos no momento de solicitar o suicídio assistido?

Este é justamente o quinto requisito fundamental para ter acesso a nossos serviços: a capacidade de discernimento. Não se pode discernir dentro de um quadro depressivo. O paciente pode estar triste, porém a tristeza em si mesma não é sintoma de depressão.
Jerôme Sobel, presidente de EXIT.
Jerôme Sobel, presidente de EXIT.   (Rodrigo Carrizo Couto)

Na Suíça existem duas associações de assistência ao suicídio: EXIT e Dignitas.Qual a diferença entre elas?

A diferença central está na raiz dos casos divulgados recentemente (dos britânicos Daniel James e Craig Ewert). Digntas aceita assistir cidadãos estrangeiros e tem um custo econômico para o paciente. Não é o caso de EXIT.

Quais são condições exigidas por EXIT?

A principal é que só atendemos pedidos de cidadãos suíços ou estrangeiros que sejam residentes permanentes na Suíça. Por uma simples razão: dispomos de poucos acompanhantes e muitos pedidos de assistência.

O que é um "acompanhante"?

É a pessoa que se ocupa do acompanhamento personalizado do paciente. São voluntários que estudam o caso, encontram familiares e amigos e, chegado o momento, proporcionam ao paciente a solução letal.

Não há qualquer custo econômico?

Nenhum. Os membros de nossa associação pagam uma cotização de 30 francos suíços (20 euros) por ano. A associação existe desde 1982 e tem 70 mil membros.

Como acontece o passo final?

Existe um período "de graça" entre o pedido de suicídio assistido e o momento de colocá-lo em prática. Concede-se um tempo para que o paciente possa acertar as contas com a vida e despedir-se dos familiares e amigos. Quando é fixada uma data definitiva, pede-se uma confirmação ao paciente de que essa é, efetivamente, sua vontade.

O que ocorre então?

Proporciona-se uma solução com umas 10 gramas de pentabarbital de sódio misturada com um suco que o paciente deve, necessariamente, ser capaz de ingerir com suas próprias forças. Se não fosse assim, se trataria de uma eutanásia e não de suicídio assistido. É uma matiz sutil, mas muito importante.

Qual o índice de aceitação de EXIT na Suíça?

Segundo uma sondagem recente feita pelo jornal 24 Horas, de Lausanne, 87% dos cidadãos suíços concordam com a possibilidade de assistência ao suicídio.

Como é a relação de EXIT com as crenças religiosas?

Aos crentes gostaria de dizer que no suicídio assistido há espaço para a religiosidade, a fé e a espiritualidade profunda. Aqui vêm protestantes, católicos e judeus. As pessoas que pensam por si mesmas não pertencem concretamente a nenhuma religião. Pessoalmente, sou crente e penso que Deus me deu a vida, porém também me deu algo mais importante: o sentido de responsabilidade e a liberdade de escolher.

Com os casos de Craig Ewert e Daniel James muito meios de comunicação falaram de eutanásia A confusão é proposital?

É incrível que se continue a manipular a opinião pública agitando o fantasma da eutanásia! Parece que não se quer entender a enorme diferença que existe entre eutanásia e suicídio assistido. Neste último caso, só o paciente pode dar o último passo para cumprir sua própria vontade.

O que o sr. espera no futuro próximo?

Meu sonho é incluir o fim da vida nos programas de estudo das faculdades de Medicina. Gostaria que os médicos de família (clínicos gerais) que desejassem pudessem se ocupar dos casos terminais. Gostaria que que EXIT desaparecesse porque a assistência ao suicídio estaria regularizada e aceita social e politicamente.
Desejo também a descriminação da eutanásia ativa para casos excepcionais. Essa é a grande questão pendente. A sociedade européia não tem nada a temer, já que ninguém obrigará ninguém a fazer o que não quer. Isso criaria um espaço de liberdade que permitisse partir com dignidade a que assim necessita. Perder o medo será uma imensa vitória. Todos nós vamos ganhar com isso.

Swissinf/Notícias Cristãs

quinta-feira, 11 de dezembro de 2008

Verdades sobre liderança

O guru americano John C. Maxwell concorda com a tese de que qualquer um pode se tornar líder. E enfatiza: nada compensa a falta dessa competência na carreira

John C. Maxwell: “A capacidade de influenciar o chefe, os subordinados e os pares é uma das facetas da liderança”
Para saber se você é um líder de verdade, conte quantas pessoas prestam atenção ao que você diz. Isso poderá revelar a medida de sua capacidade de liderança, a influência que você exerce sobre os outros. Competência fundamental para um gerente, porque para um diretor ou um CEO é muito mais fácil se fazer ouvir. Quem afirma isso é o norte- americano John C. Maxwell, autor de As 21 Irrefutáveis Leis da Liderança e O Líder 360º (ambos da Editora Thomas Nelson Brasil). Ele já tem cerca de 50 livros publicados e 13 milhões de exemplares vendidos. E vem ao Brasil pela primeira vez este ano para a conferência O Segredo do Líder 360º, que deve ocorrer no fim deste mês, em São Paulo. Para o americano, nenhuma outra habilidade pode compensar a falta de liderança de um profissional. No entanto, com um plano de desenvolvimento bem elaborado, qualquer um pode se tornar um bom líder. Como? Veja o que ele diz nesta entrevista exclusiva concedida à VOCÊ S/A.
Como liderar para cima, para baixo e para os lados?
A capacidade de influenciar o chefe, os subordinados e os pares é uma das facetas da liderança — a liderança 360º. Aliás, verificar isso é uma ótima maneira de observar se alguém é realmente um líder. Seu gestor, por exemplo, tem esse poder sobre o próprio chefe?
Se ele não tiver, o que deveria fazer para conseguir influenciar?
Para influenciar ou liderar os superiores é preciso entregar excelência de resultados. A liderança sobre os subordinados tem a ver com investir no crescimento e no desenvolvimento da equipe. E liderar os pares se baseia na construção de relacionamentos feitos de amizade e respeito.
Antigamente, o líder era alguém que sabia mais do que a equipe. Hoje, a informação está ao alcance de todos e as pessoas questionam mais a autoridade dos gestores. Com isso, ficou muito difícil liderar?
Não necessariamente. A liderança se baseia, na verdade, muito mais na confiança que a equipe tem no caráter do gestor que tem integridade e ética e na sua capacidade, ou seja, a habilidade que ele tem para executar seu trabalho.
A influência que um profissional exerce sobre os outros não está diretamente ligada ao cargo que essa pessoa ocupa? Como saber se um alto executivo ainda seria influente num cargo inferior?
Um líder com caráter e competência seria influente em qualquer que fosse a sua posição. Competências interpessoais, habilidade de comunicação e atitudes grandiosas sempre destacarão um líder. É importante ressaltar que liderança não é um cargo ou uma posição. A posição não faz o líder, o líder é quem faz a posição.
Um bom líder também deve ser influenciável?
Certamente. Um bom líder está sempre querendo ouvir as idéias das outras pessoas. Costumo dizer que qualquer grande idéia é apenas uma coleção de boas idéias consolidadas numa idéia maior. Um bom líder ouve e é seguro o suficiente para implementar idéias que vêm dos seus subordinados.
Então ele não é sempre o dono das melhores idéias?
De forma alguma. Ele é, sim, a pessoa que melhor reúne as boas idéias. Uma pessoa que não é criativa pode ser um grande líder desde que aprenda a ouvir as idéias dos outros.
Até que ponto um profissional eficiente que não se torna um líder está arriscando o sucesso da sua carreira?
Quem não desenvolve essa capacidade corre o risco de ficar para trás. Toda e qualquer pessoa que esteja numa empresa precisa de um plano de desenvolvimento pessoal e profissional. O mundo se transforma o tempo todo. Ou crescemos e evoluímos, ou nos tornamos obsoletos.
Alguma outra habilidade pode compensar a falta de liderança num profissional?
Habilidades interpessoais, capacidade de comunicação, atitude positiva e um certo talento natural são vantagens claras. Tudo isso pode ser um bom começo, mas nunca será o suficiente. Não há o que substitua a capacidade de liderança.
E qual é o inimigo número 1 da liderança?
A insegurança. Se eu tenho medo de ajudar os outros a crescer, vou sabotar toda a minha equipe.
Quais são os principais erros dos grandes líderes atualmente?
O maior erro é se contentarem com o sucesso que já alcançaram e se recusarem a pagar o preço de continuar crescendo pessoal e profissionalmente.
Um gestor que tem apenas líderes em sua equipe tem mais chance de alcançar uma boa performance do que aquele que tem na equipe uma porção de líderes e outra de liderados?
Uma grande equipe deve ser um grupo diversificado, que ofereça uma variedade de dons e habilidades. Um time de futebol, por exemplo, que tem apenas goleiros não pode ser um time de verdade. O líder deve saber recrutar jogadores que sejam fortes naquilo em que ele é fraco.
Homens e mulheres têm chances iguais de se tornar líderes?
Nem sempre. Em algumas culturas e sociedades existem obstáculos que podem atrapalhar o desenvolvimento das mulheres. No entanto, quando há oportunidades iguais para ambos os sexos, as mulheres têm como provar que podem ser líderes altamente eficientes.
Quais perguntas um profissional pode fazer a si mesmo para saber se é um bom líder?
Ele deve se perguntar se as pessoas prestam atenção quando ele expõe sua opinião sobre um produto ou um programa, por exemplo. Também deve se perguntar se é capaz de atrair voluntários para suas iniciativas. Se as respostas forem positivas, ele tem chance de ser um bom líder.
Como se constrói um plano de crescimento pessoal para desenvolver a liderança?
Esse plano deve misturar alguns dos seguintes ingredientes: conferências, livros, vídeos e, possivelmente, um mentor particular ou um coach.
Um “líder construído” pode ser tão eficiente quanto um “líder natural”?
Ele pode ser mais eficiente. Se a vida fosse uma maratona, eu diria que um líder natural teria a vantagem de largar na frente. No entanto, isso não garante que ele vá fazer uma boa prova nem que alcançará o sucesso na linha de chegada. O líder natural normalmente é uma pessoa a quem nós nos referimos como talentosa. No entanto, talento não é o suficiente. O líder disciplinado que está comprometido por toda a vida com a caminhada do crescimento será sempre o melhor dirigente.
Em seu livro, você cita 21 leis irrefutáveis da liderança. Se só houvesse espaço para falar de três, quais delas você destacaria?
Eu destacaria as três primeiras. A mais importante é definitivamente a primeira delas, a Lei do Limite, que afirma que o grau de eficiência de alguém é determinado, ou limitado, pela sua capacidade de liderança. Se a pessoa não acreditar nisso, ela não vai encontrar razão para crescer. Em seguida, eu destacaria a Lei da Influência. A influência é a verdadeira medida da liderança. Se você não tem influência, não conseguirá liderar os outros — e isso independe do cargo que ocupa. A terceira que eu destacaria é a Lei do Processo, que esclarece que os líderes são pessoas comuns que apenas aprimoram essa capacidade diariamente, seguindo um plano de desenvolvimento. Líderes não nascem prontos.

Você S/A

terça-feira, 9 de dezembro de 2008

Um Ano Novo com Propósitos para suas Finanças

Esta época de festas é sempre um momento especial para refletirmos sobre o que fizemos durante este ano, e também propícia para pensarmos no ano novo como um novo período que Deus está nos concedendo para vivermos uma vida com propósitos renovados.
Convido você a investir alguns primeiros minutos nesta leitura e depois se aprofundar no estabelecimento de algumas metas que poderá mudar de forma substancial sua vida financeira e, quem sabe, outros aspectos de sua vida.

"Não esgote suas forças tentando ficar rico; tenha bom senso! As riquezas desaparecem assim que você as contempla; elas criam asas e voam como águias pelo céu." (Provérbios 23:4-5)

Eu realmente desejo que as posses ocupem o lugar apropriado na sua vida e da sua família. Muitos estão terminando este ano completamente esgotados na tentativa de acumular dinheiro e bens materiais e perderam momentos preciosos com Deus, suas famílias e amigos.
Embora as riquezas ajudem em muito a suprir nossas necessidades e até mesmo nossos desejos, quando perdemos o bonde do bom senso e sabedoria para lidar com elas, normalmente investimos demasiadamente nosso tempo tentado amealhar mais uma porção maior da riqueza espalhada pelo mundo e aí começamos a perder o verdadeiro sentido da vida, que certamente não é o de acumular bens indefinidamente.

Aqui vão algumas dicas práticas para o novo ano que se aproxima:

*Considere que "seu dinheiro" realmente pertence a Deus. E preste contas e Ele das suas decisões financeiras. Você está terminando o ano fazendo muitas decisões financeiras, principalmente de gastos. Vai iniciar o ano tomando novas decisões que afetam o dinheiro de Deus. Estar convicto de que o seu dinheiro realmente pertence ao Senhor mudará dramaticamente sua vida financeira. "Do SENHOR é a terra e tudo o que nela existe, o mundo e os que nele vivem" (Salmos 24:1-NIV)

*Livre-se de Dívidas. Muitas doenças estão fazendo as pessoas sofrerem em nosso país e no mundo. Poucas, no entanto, apresentam estatísticas tão alarmantes quanto esta doença chamada "dívida". E o pior de tudo é que a consideramos um mal normal, sem o qual não podemos adquirir os bens que necessitamos e principalmente os que desejamos. A dívida nunca fez parte do plano de Deus para seus filhos, por isso posso lhe afirmar categoricamente que este será um dos maiores ganhos para você e sua família. Mesmo que não seja um processo rápido, vale a pena no final. "Não devam nada a ninguém, a não ser o amor de uns pelos outros" (Romanos 13:8a-NVI)

*Estabeleças Alvos Financeiros. Para atingir o sucesso financeiro, é fundamental estabelecer alvos aprovados por Deus. Exemplos são: alvos de dar (dízimo, ofertas), pagamento de dívidas, estilo de vida e investimento.

*Faça reserva para as contas que vão chegar. Aproveite seu 13o para engordar sua reserva, assim você terá os recursos suficientes para as contas do início do ano, tais como IPVA, Imposto Predial, etc.

*Viva dentro do Orçamento. O orçamento é um plano de gastos, e uma ferramenta básica para o equilíbrio financeiro. Se ainda não tem um, encorajo-o a estabelecer e manter um. Você nunca mais terá mais que perguntar: "para onde foi o dinheiro?"

*Submeta a Deus suas decisões de gasto. Lembre-se que, como o dinheiro não lhe pertence, e sim a Deus, submeta a ele cada decisão de gasto, pois também são decisões espirituais. Se for casado, encorajo-o a compartilhar estas decisões com o seu cônjuge.

*Eduque-se Financeiramente. Como tudo na vida, é fundamental aprofundar nossos conhecimentos na área financeira, principalmente dentro de uma perspectiva cristã. A Bíblia tem mais de 2350 versículos que apresentam princípios para administrar de forma segura o dinheiro e as posses materiais.

"...Pois aprendi a adaptar-me a toda e qualquer circunstância. Sei o que é passar necessidade e sei o que é ter fartura. Aprendi o segredo de viver contente em toda e qualquer situação, seja bem alimentado, seja com fome, tendo muito, ou passando necessidade. Tudo posso naquele que me fortalece. (Filipenses 4:11-13-NVI)

Desejo-lhe um Ano Novo com propósitos para suas finanças!

Paulo de Tarso

Sobre o Paulo de Tarso
É o idealizador do Portal Finanças para a Vida.

Durante sua vida profissional, sentiu-se impelido a aprender e ensinar os princípios financeiros contidos na Bíblia. Desde então, tem empreendido um esforço pessoal para influenciar pessoas através do ensino bíblico financeiro.

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