quarta-feira, 26 de agosto de 2009

Liderança e integridade de coração

Liderança “Nada do que tocamos é eterno”

Por: Ronaldo Lidório

Esta é uma frase de Charles Kerman que nos ajuda quando tentamos responder a seguinte pergunta: quais são os critérios com os quais Jesus julga a minha vida?

Frequentemente julgamos a vida alheia a partir de valores mais externos, contábeis e visíveis, do que pelo que se passa no coração. E assim nos encantamos com homens, histórias, livros e lideranças que não encantam a Deus.

A presente sociedade leva-nos a crer que somos aquilo que aparentamos e não são raras as vezes em que somos julgados pelos nossos títulos, realizações, influência e tantas outras credenciais que tentam plasticamente definir nossa aparência pública. Entretanto, no Reino de Deus, pregado por Jesus, estas roupagens não representam a nossa identidade, quem de fato somos.

Possuimos uma tendência natural para nos escondermos. Somos, portanto, seres construtores de máscaras. Construímos máscaras com o mesmo intuito que o fazem os povos tribais em rituais xamânicos: para o engano do próximo e manipulação social. Creio que as máscaras que somos tentados a construir possuem, em um primeiro momento, a intenção de apresentar uma imagem que julgamos ideal para os de longe. Comumente esta imagem não representa a verdade do nosso ser, mas sim uma idéia utilitária que tentamos exportar. Se temos sucesso na construção de máscaras que vendam esta imagem aos de longe somos tentados a construir máscaras mais elaboradas, refinadas, que possam enganar também os de perto. É por isto que podemos nos surpreender com alguém bem perto de nós, de nosso círculo de amizade e relacionamento, que repentinamente se desvenda como portador de valores e práticas antagônicas com a imagem que dele tínhamos. É que não o conhecíamos. Olhávamos para ele, mas enxergávamos sua máscara. Mas não paramos aí.

Como seres construtores de máscaras, ao chegarmos ao ponto do engano coletivo aos de longe e perto nos propomos a uma nova empreitada, ainda mais desafiadora: construir máscaras que enganem não apenas o outro mas a nós mesmos. Chamo tais máscaras de máscaras do auto-engano. Aconselhava um cristão que se surpreendeu consigo mesmo ao trair a confiança de um líder que amava e admirava. Em meio a lágrimas exclamou: como pude fazer isto? Então pensei: quantas vezes esta pergunta nos persegue? O auto-engano não é apenas possível, mas infelizmente frequente. Pode levar homens e mulheres e jamais confrontarem suas mazelas e pecados levando-os a viverem como se tudo estivesse bem.

A construção de máscaras de engano e auto-engano é uma prática pecaminosa que nos leva para longe de uma conversa franca e necessária sobre a nossa vida, fugindo assim de um dos assuntos mais controvertidos e evitados pelo homem desde sua queda: a verdade.

No Reino da luz a verdade é o fundamento para qualquer avaliação. Não por acaso a Palavra nos diz que ela nos libertará. A ausência da verdade, por outro lado, nos mantém cativos às mesmas masmorras psíquicas, volitivas e comportamentais de sempre. E o auto-engano, quando a psiquê humana mente para ela mesma tentando racionalizar o pecado e a fraqueza, torna-se uma das fortes oposições à verdade.

O elemento principal com o qual Jesus nos avalia é bem menos visível menos contábil e certamente menos observado por aqueles que nos cercam, pois Ele nos vê no íntimo, sem máscaras, manipulações ou enganos. A Palavra usa expressões como “coração puro ”, “de todo o teu coração” , “integridade do coração” , e “santidade ao Senhor” para nos fazer entender que somos mais avaliados por Cristo pelas coisas do coração e não pela nossa roupagem. Entenda claramente algo: Jesus conhece o secreto da sua vida. Ele certamente não se impressiona pelas grandes construções que levantou, realizações aplaudidas por multidões ou teses defendidas debaixo dos holofotes. O Carpinteiro olha direto para o seu coração e vasculha a sua alma. E é justamente neste campo que você será encontrado fiel, ou não.

Em 1 Samuel 16 o profeta buscava o ungido do Senhor entre os filhos de Jessé. Antes de indicar Davi, que viria a ser rei sobre Israel, o Senhor diz a Samuel: “... Não atentes para a sua aparência, nem para a grandeza da sua estatura, porque eu o rejeitei; porque o Senhor não vê como vê o homem, pois o homem olha para o que está diante dos olhos, porém o Senhor olha para o coração”.

William Hersey Davis, tentando fazer-nos diferenciar entre a ilusão do palco e a realidade da vida, compara caráter e reputação quando diz:

“As circunstâncias nas quais você vive determinam sua reputação.
A verdade na qual você crê determina o seu caráter.
Reputação é o que pensam a seu respeito.
Caráter é quem você é.
Reputação é a sua fotografia.
Caráter é a sua face.
A reputação fará de você rico ou pobre.
O caráter fará de você feliz ou infeliz.
Reputação é o que os homens dizem a seu respeito no dia do seu funeral.
Caráter é o que os anjos falam de você perante o trono de Deus” .

É certo que não podemos purificar nosso próprio coração. Dentre tantas verdades marcantes do Cristianismo uma delas é esta: nós dependemos de Deus. E dependemos dEle para crer, para segui-lo e para nos parecermos mais e mais com o Filho. Assim creio que o objetivo de Cristo é tão somente levar-nos a orar como o salmista: “Cria em mim, ó Deus, um coração puro, e renova dentro em mim um espírito inabalável ”.

SEPAL

quinta-feira, 6 de agosto de 2009

Paulo Freire e o Líder como Educador

No blog da HSM foram publicados dois posts muito interessantes sobre a questão da educação (clique aqui e aqui para ler). Em um deles é citado um dos maiores educadores mundiais, o brasileiro Paulo Freire. Como estudioso, ativista social e trabalhador cultural, Freire desenvolveu, mais do que uma prática de alfabetização, uma pedagogia crítico-libertadora . Em sua proposta, o ato de conhecimento tem como pressuposto fundamental a cultura do educando; não para cristalizá-la, mas como “ponto de partida” para que ele avance na leitura do mundo, compreendendo-se como sujeito da história. É através da relação dialógica que se consolida a educação como prática da liberdade. Paulo Freire representa um dos maiores e mais significantes educadores do século XX. Sua pedagogia mostra um novo caminho para a relação entre educadores e educandos. Caminho este que, consolida uma proposta político-pedagógica elegendo educador e educando como sujeitos do processo de construção do conhecimento mediatizados pelo mundo, visando a transformação social e construção de uma sociedade justa, democrática e igualitária.
Seu pensamento rompeu a relação cristalizadora de dominação, buscando pensar a realidade dentro do universo do educando, construindo a prática educacional considerando a linguagem e a história da coletividade elementos essenciais dessa prática. Seu trabalho revela dedicação e coerência aliados a convicção de luta por uma sociedade justa, voltada para o processo permanente de humanização entre as pessoas onde ninguém é excluído ou posto à margem da vida. Paulo Freire provou que é possível educar para responder aos desafios da sociedade, neste sentido a educação deve ser um instrumento de transformação global do homem e da sociedade.
O principio central da proposta pedagógica do professor Paulo Freire é o da educação transformadora, na qual a educação é uma atividade onde professores e alunos, mediatizados pela realidade que apreendem e da qual extraem o conteúdo da aprendizagem, atingem um nível de consciência dessa mesma realidade, a fim de nela atuarem para transformá-la, ou seja, a principal característica da proposta é refletir sobre a própria realidade, para que seja possível levantar hipóteses e procurar soluções para transformar a realidade.
Paulo Freire rejeitava as tendências que buscam formatar o aluno como ente passivo e mero receptor/repetidor de conteúdos formatados. A experiência revela que os indivíduos assim formatados se tornam medíocres, sem estímulo para a criação. Um educador nega a educação e forma seres de consciência ingênua quando acha que os educandos devem repetir o que ele diz em sala de aula. Isso significa tratar o aluno como objeto e não reconhecê-lo como sujeito do processo educacional.
Diante disso, o homem não é um ser para adaptação, uma vez que adaptar significa acomodar, contrapondo-se a criar e transformar indo contra o ímpeto próprio do ser humano que é a criação.
Agora, vamos traçar um paralelo com o papel dos líderes nas empresas. O líder deve ter um compromisso com a formação e o desenvolvimento das pessoas. Líderes são inconformistas por natureza e, por essa razão, estão sempre em busca de quebrar paradigmas, principalmente aqueles ilustrados pela famosa frase “Aqui sempre foi assim” que caracteriza a repetição eterna de ações e posturas. Seu compromisso deve ser com a transformação das pessoas e da realidade.
Seu compromisso deve ser encarar a realidade de frente, por mais que ela seja cruel e pertubadora, atuando com franqueza e com compromisso com a ética e não com a visão míope de pessoas paralisadas pela tentativa de manutenção do status quo.
Deve atuar mais com perguntas do que oferecendo respostas. Questionar é preciso. Diante disso, terá que adotar uma postura mais humilde e menos competitiva com sua equipe. Terá que exercer a função do lider moderno que é transformar o conhecimento em resultados. Deve exercer sua liderança a partir das pessoas que compõem a sua equipe, assim como o educador deve atuar a partir da realidade do educando. Ao invés de impor, deve desafiar sua equipe a buscar soluções para os problemas que surgem no cotidiano das empresas, atuando efetivamente na construção do futuro da empresa. Deve ter o compromisso com a formação de pessoas com espírito critico e questionador das muitas verdades absolutas existentes dentro das empresas.
Durante todo esse processo, deve adotar postura humilde de aprender com seus colaboradores focando nos benefícios da interdisciplinaridade e da troca de experiências que concretizam a idéia da mútua dependência entre as partes e o todo. A relação deve ser horizontal dentro de um processo democrático de aprendizagem mútua, pautada pelo respeito e o diálogo por meio da troca de experiências. Assim como Paulo Freire preconizava que quem ensina aprende ao ensinar e quem aprende ensina ao aprender, o líder deve estar preparado para liderar e ser liderado pela sua equipe.
Não estamos mais em tempos da economia industrial, os chamados “Tempos Modernos”, em que o princípio vingente era o da repetição desvinculado do pensamento. Estamos em uma nova economia, a economia do conhecimento, da sabedoria e das pessoas. Isso muda tudo na relação de liderança com as equipes fazendo com que o líder cada vez mais tenha que adotar o papel de educador dentro das empresas, encarando de frente a realidade e buscando a transformação da empresa e o compromisso com a ética e a sustentabilidade.

Blog do Marcelão

quarta-feira, 5 de agosto de 2009

A liderança e as marcas da integridade

por Ronaldo Lidório

A verdade é um valor inegociável; defendê-la e praticá-la é pressuposto fundamental do caráter cristão.

Se você deseja conhecer a integridade de um líder, observe os detalhes. Conheça-o na informalidade do lar, no trato com amigos chegados, na conversa ao telefone. O conselho bíblico de sermos fiéis no pouco para sermos colocados sobre o muito pressupõe um grau de dificuldade e detalhamento. O pouco nos prova, como também nos expõe – é, portanto, no pouco, nos detalhes da vida, que podemos diagnosticar nossas carências e limitações, e ali aprender com o Mestre. Platão, o célebre filósofo grego, foi claro: “Você pode descobrir mais sobre uma pessoa em uma hora de brincadeira do que em um ano de conversa”. A informalidade nos expõe com maior freqüência, pois nos encontra em estado de espontaneidade.

Um dos desafios mais difíceis que enfrentamos é a tradução de nossos valores espirituais e morais para atitudes espirituais e morais em nossa vida diária. Permitam-me listar aqui, dentre tantas atitudes que buscam a construção de um caráter íntegro, algumas que observo de extrema colaboração neste sentido.

Calar-se - Vivemos em uma sociedade onde o simbolismo é elemento definidor das relações humanas. Assim, valorizamos a comunicação verbal, os discursos, as respostas bem colocadas, o jogo de palavras. Se por um lado isto colabora para desenvolver uma comunicação mais ativa, por outro tem nos levado a esquecer o valor do silêncio. A integridade de um líder é testada na adversidade e uma das atitudes mais comuns perante a adversidade relacional é o confronto. Freqüentemente, falamos quando deveríamos nos calar, especialmente em contextos ministeriais onde as críticas nos bastidores ganham a nossa atenção – e somos levados a reagir de forma desproporcional, desnecessária ou mesmo inapropriada.

Certamente há momentos de falar, de fazer-se ouvir. Mas reconheço que os homens de Deus que tenho conhecido buscavam mais o silêncio do que o confronto verbal perante as adversidades, e faziam a obra do Senhor. Um dos grandes investimentos que podemos fazer em relação ao outro é justamente ouvi-lo. Lincoln dizia que, ao dialogar com alguém, gastava um terço do tempo pensando no que falar e dois terços pensando no que o outro falava.

A maior dificuldade para se ouvir é quando não é preciso ouvir. Penso aqui em uma figura de autoridade que, em sua função – seja um professor, um chefe, um líder de equipe ou um pastor –, não precisaria ouvir e poderia tão somente falar. Talvez esse seja um dos maiores e mais freqüentes riscos da liderança.

Não negociar a verdade - O texto de Provérbios 12:19 diz que “o lábio verdadeiro permanece para sempre; mas a língua mentirosa, apenas por um momento”. Há certos valores que precisam estar sempre presentes em nossas vidas, relacionamentos e processos de liderança. Um deles é não negociar a verdade. Isto inclui, de forma especial, a manipulação da verdade. Quando a Palavra nos ensina que a posição do crente, o seu falar, deve ser “sim, sim”, “não, não”, o que se advoga não é uma atitude de extremos; o assunto aqui é a verdade: dizer “sim” quando for sim e “não” quando for não. No cenário do genuíno cristianismo, a verdade não pode ser negociada. Ela é um dos grandes blocos que constrói uma vida íntegra.

Abraham Lincoln foi um dos estadistas mais atacados em toda a história dos Estados Unidos da América. Foi chamado de desonesto, corrupto, incapaz, mentiroso e adúltero. O Illinois State Register referia-se a ele como o “político mais desonesto da história americana”. Todavia, quando aconselhado a negociar benefícios para os donos dos grandes jornais a fim de que sua imagem fosse poupada, Lincoln respondeu: “Quando deixar este escritório, gostaria de sair com um amigo fiel ao meu lado: minha consciência”.

Ao falar sobre a verdade de forma mais objetiva (o que é verdadeiro), podemos dar a entender, erroneamente, que esta é a única forma de verdade que importa. Mas há uma verdade subjetiva a qual também devemos valorizar – trata-se da verdade volitiva, ou seja, os motivos que nos levam a agir e reagir, a fazer ou deixar de fazer alguma coisa, inclusive a falar e calar. Tais verdades motivacionais precisam ser observadas de perto, pois elas representam o atual estado de nosso coração. Muitos líderes podem desenvolver realizações corretas por motivações erradas. A integridade que não negocia a verdade, seja objetiva ou subjetiva, alimenta um caráter mais parecido com Cristo.

Assumir a responsabilidade - Quando nos posicionamos ao lado da verdade, normalmente somos chamados a assumir responsabilidades, seja pela irredutível defesa de algo que no senso comum poderia passar despercebido, seja por falhas e pecados em nossas vidas que precisam ser confrontados, perdoados e abandonados.

Segundo o escritor francês François la Rochefoucauld, quase todas as nossas falhas são mais perdoáveis do que os métodos que concebemos para escondê-las. Uma vida íntegra leva em consideração a possibilidade da falha, do pecado e da queda. Ou seja, precisamos assumir a responsabilidade perante nossas atitudes, a fim de mantermos a integridade espiritual e moral. E esta é uma das lições mais difíceis de serem aprendidas. O caminho aparentemente mais curto no caso de uma queda – a negação do pecado e sua responsabilidade sobre ele – não é de fato curto, pois não nos leva aonde Deus nos quer.

Há líderes que possuem grande dificuldade de pedir perdão de maneira verbal e clara, ou de voltar atrás em decisões tomadas mesmo quando francamente equivocadas. Esta postura provém de um coração soberbo. É o sentimento de soberba que os faz pensar sobre a sua suposta superioridade – talvez, nutrida pelo seu conhecimento, ou pela posição de liderança, ou ainda em face de sua função de destaque, de seus ganhos ou merecimentos. Muitos não percebem, porém, que este é o caminho de morte. Seu coração se lança em uma rota de colisão com o temor do Senhor e a sabedoria, o entendimento de que somos todos igualmente dependentes da graça de Cristo para viver.

Há também aqueles que, ao reconhecer um erro e assumir a responsabilidade, fazem-no sob protesto e acusações. São os que, perante seu próprio pecado, racionalizam que o outro também pecou, que não foi leal ou submisso. Grande erro. Estas razões não passam de sombras nas quais tentam esconder seus próprios corações da humildade necessária para o quebrantamento.

Leon Tolstoi dizia que “todos pensam em mudar a humanidade, mas ninguém pensa em mudar a si mesmo”, atestando que é sempre mais fácil falar sobre os problemas universais do que sobre o pecado do coração. Já Wertheimer escreveu que “somente depois de as termos praticado é que as faltas nos mostram quão facilmente as poderíamos ter evitado”.

Nenhum de nós está isento da possibilidade do erro. Uma das admiráveis atitudes de Davi foi justamente assumir integralmente a sua responsabilidade quando Natã, após falar sobre um homem que roubara a única ovelha do vizinho, afirmou: “Este homem és tu, ó rei.” Davi não deu desculpas. Não racionalizou seu erro, não tentou esquivar-se dizendo que muitos outros haviam feito coisa semelhante. Tampouco tentou explicar suas motivações. Ao contrário – caiu de joelhos e colocou-se nas mãos de Deus, rogando seu perdão. Davi assumiu a responsabilidade, quebrantou-se diante do Senhor e se tornou “o homem segundo o coração de Deus”.

Que Deus nos ajude a administrar o orgulho e a vergonha, bem como a eventual humilhação, a fim de assumirmos a responsabilidade pelo pecado e seguirmos em frente no perdão transformador do Senhor.

Aprender com os erros - Precisamos compreender que integridade não é uma atitude medida pela ausência de erros, mas pela decisão em não repeti-los. Quando assumimos responsabilidades, fazemo-lo também em relação aos nossos erros. Precisamos compreender que integridade é um hábito que se ganha na rotina diária, quando procuramos agir de forma pura e justa. Mesmo quando isso não acontece, devemos aprender com nossos erros. Para que assim caminhemos será preciso, primeiramente, desmistificá-los. Dale Carnegie escreveu, na década de 1950, o livro Como evitar preocupações e começar a viver. Nesta obra, Carnegie ensina que devemos deixar o medo de encarar os nossos erros; antes devemos analisá-los e compreendê-los. Ele usa William James para nos ensinar que a aceitação do que aconteceu é o primeiro passo para se vencer as conseqüências de qualquer infortúnio.

Devemos compreender o que foi muito bem colocado por Kevin Cashman, ao expor que a habilidade que temos em crescer como líderes é limitada pela habilidade de crescermos como pessoas. Jamais devemos distinguir nossa função de liderança (mesmo porque é passageira) de nossa identidade pessoal. Um grande engano em época de empreendedorismo é um auto-investimento no perfil de liderança. Não que isto não seja efetivo; porém, precisamos ter bem claro que é passageiro. Investir tempo, forças e energia para se qualificar como um bom líder pode lhe privar de investir o mesmo tempo, forças e energia para crescer como pessoa e como servo do Senhor. Como líder, posso dar-me ao luxo de seguir em frente mesmo tendo cometido erros; porém, como pessoa e cristão, meus erros, após praticá-los, se tornam minha melhor oportunidade de conserto e crescimento.

Para aprendermos com nossos erros é necessário levá-los a sério. Um temperamento explosivo não é apenas um temperamento forte, mas algo que machuca pessoas, entristece o Espírito Santo pela falta de domínio próprio e nos pretere de vivermos mais tranquilos com nossas próprias reações. A crítica não é apenas uma questão de objetividade, ou de ser direto, como muitas vezes justificamos. A crítica compulsiva é um agente do diabo para a destruição da vida alheia. Trata-se de um desencorajamento que pode marcar uma pessoa pelo resto de sua vida, além de um mecanismo que faz o coração do crítico adoecer com a amargura. Não conheço pessoas críticas felizes.

C.S.Lewis nos ensina que “quando um homem se torna melhor, compreende cada vez mais claramente o mal que ainda existe em si. Quando um homem se torna pior, percebe cada vez menos a sua própria maldade”. Para aprendermos com nossos erros é necessário levá-los a sério, conversar com o Pai sobre eles, pedir forças para mudarmos e amadurecermos, crescendo sempre um pouco mais.

Cuidar do seu coração - O Senhor sonda nosso coração. Portanto, é nossa imagem interna, e não externa, que precisa de maior cuidado. Em dias de ufanismo e triunfalismo, somos levados a procurar sempre o que nos destaca, ou destaca o nosso trabalho – um grave engano, visto que o Senhor não sonda nossos relatórios, mas sim nossos corações. O doutor Augustus Nicodemus, profundo expositor da Palavra, afirma que Deus não nos chama para termos sucesso sempre, mas sim para sermos fiéis.

Compreender a marcante diferença entre caráter e reputação não pressupõe que faremos uma escolha legítima. É preciso estar disposto a priorizar a verdade. O mesmo Lincoln gostava de afirmar que “caráter é como uma árvore, e reputação, a sombra. A sombra é o que nós pensamos sobre isso. A árvore é a realidade”. Muitas vezes confundimos inteligência, conhecimento e sabedoria. Podemos aplicar as palavras “a inteligência é uma espada; o caráter, a empunhadeira”, de Bodenstedt, dizendo que é o caráter que delineará a sabedoria no agir. Outras vezes confundimos temperamento brando com bom caráter. Ao contrário, como disse Pierre Azaïz, “o caráter é a esperança do temperamento”. Um temperamento brando, quieto ou mais vagaroso pode dar a impressão de domínio próprio, escondendo as paixões mais carnais.

Mas o Senhor nos sonda e nos conhece e julga-nos com exatidão, pesa a nossa alma e avalia todos os nossos sentimentos mais profundos. Você é quem Deus diz que você é. Convictos desta verdade, é preciso crescer. Não priorize o crescimento da sua reputação, ministério ou carreira. São coisas importantes, porém transitórias. Priorize o crescimento do seu caráter e sua vida com o Pai. Enfim, escolha a melhor parte.

Entrevista com Lorin Woolfe, consultor de gestão

Na esteira da corrente formada por publicações como O Monge e o Executivo e Jesus, o Maior Líder que Já Existiu, o consultor em gestão Lorin Woolfe buscou nas figuras bíblicas traços que se repetem em casos atuais de sucesso empresarial para escrever Liderança na Bíblia – Lições e Práticas de Liderança que Ensinam, Inspiram e Iluminam (M. Books, 2008). O livro explora as histórias de personagens relevantes, especialmente do Antigo Testamento. O autor foi um dos convidados do Fórum Global de Liderança, realizado pela Estação Business School, em Curitiba, na semana passada. Em entrevista à Gazeta do Povo, Woolfe falou sobre a onda de espiritualidade nos negócios e sobre valores morais aplicados na gestão.

Exitem vários livros que transpõem valores religiosos para o campo da administração. A que se deve a demanda por essas publicações?

Muitas pessoas estão olhando este tópico porque é algo que está emergindo na consciência humana. As pessoas têm espiritualidade e quando chegam no trabalho a deixam do lado de fora. Elas não podem viver em contradição. Então há um movimento de se conciliar a espiritualidade com o trabalho. Mais recentemente, passamos a buscar nos valores espirituais uma forma de melhorar a gestão de negócios.

De que forma essa relação pode ser feita com a Bíblia?

O profeta Samuel, quando escolheu um rei para Israel, perguntou “eu me apropriei do gado de alguém, do jumento de alguém, eu aceitei propina?”. Ele foi honesto e honrou suas responsabilidades. Temos um líder moderno, Charles Wang, que diz que você deve dizer a verdade e honrar seus contratos para ser bem-sucedido. Se você não tem valores você será tentado pela riqueza fácil. Isso acontece frequentemente.

Os bônus pagos a executivos americanos, quando suas empresas apresentavam problemas, é um exemplo?
As pessoas que tomaram esses bônus se esqueceram de todos os valores, inclusive da coragem. No período pré-crise, alguém devia ter alertado: “isso é perigoso, temos de parar com isso”. Mas ninguém teve a coragem para isso. Os bônus deveriam estar conectados também ao comportamento ético e aos resultados de longo prazo, não apenas aos resultados trimestrais.
Você acredita numa mudança de mentalidade após a crise financeira?

Com certeza. As pessoas mais jovens olham o atual cenário e se perguntam: “Vamos fazer o que essas pessoas fizeram? Acho que não”. Isso porque viram o resultado em primeira mão.

portal.rpc.com.br

Liderança ou Coaching?

"A questão crucial para qualquer pessoa responsável por outros - seja como pastor de uma igreja ou como gerente de uma empresa: quando é que eu lidero o meu grupo, e quando eu os treino, através do coaching?" Artigo do psicólogo cristão Christoph Schalk faz esta reflexão: "Para responder a esta pergunta você deve primeiramente estar ciente dos princípios básicos da liderança e do coaching. Você pode então decidir, dependendo da situação, se é necessária liderança ou coaching e qual deles levará ao objetivo desejado". Continue lendo o artigo.
"Liderar significa assegurar que as instruções estão sendo seguidas, definir limites e esclarecer as condições gerais. Exemplos disso na vida da igreja são do tipo: "A partir de janeiro o boletim da igreja irá circular a cada dois meses, em vez de uma vez por trimestre", ou "Todos os líderes de grupos devem prestar contas ao pastor". Em uma empresa poderá ser assim: "Telefonemas pessoais não são permitidos durante o horário de expediente", ou "A partir de janeiro os departamentos X e Y serão fundidos em um só". Estas decisões e limitações não deixam margem para discussão ou mudança. Nesses casos, o pastor/líder tem de certificar-se que as regras foram observadas, ou seja, demonstrar uma liderança clara.
"Coaching, por outro lado, é adequado para situações em que um colaborador é livre para agir e criar. É importante esclarecer o alcance desta liberdade diretamente com o funcionário – caso contrário, mal-entendidos e conflitos podem ocorrer e o coaching não funcionará corretamente. A liberdade de ação no exemplo do boletim da igreja pode significar que a pessoa responsável pode decidir como ele pretende resolver a questão de edições mais frequentes, por exemplo, seja aumentando o número de colaboradores ou reduzindo o tamanho do boletim. O pastor coach o apoia em sua busca pela melhor solução e pela implementação de medidas adequadas. Tal como acontece com a combinação dos dois departamentos na empresa, o diretor pode utilizar o coaching para orientar seus colaboradores a desempenhar um papel ativo e criativo no processo de reestruturação. Ele pode incentivá-los a assumir a responsabilidade, a pensar em medidas por eles próprios, e colocá-las em prática."

Coaching faz uso do potencial dos colaboradores

"Coaching é uma boa maneira de incentivar os colaboradores a atingir seus próprios objetivos pessoais (que são subordinados aos objetivos globais da igreja ou da empresa) e de apoiá-los nos respectivos processos de planejamento e execução. Coaching é também útil em prover treinamento avançado no trabalho e em garantir que a igreja ou a empresa realmente obtenha benefícios a partir dos recém adquiridos conhecimentos e habilidades dos colaboradores.
"O coach pode orientar os colaboradores focando sua atenção nas coisas que já estão funcionando bem com questionamentos do tipo: Quais os pontos fortes, as aptidões e as abordagens já disponíveis? Que habilidades os colaboradores possuem? O que já funciona bem? A tarefa do pastor/líder ou executivo é reforçar a consciência dos colaboradores acerca dos aspectos positivos, mostrar seu apreço por eles e fornecer encorajamento. Os colaboradores têm, muitas vezes, todas as competências e os recursos necessários, mas se sentem presos em suas tarefas específicas ou situação. Nesses casos, o coach os relembra de seus pontos fortes e os motiva a adotar uma perspectiva mais positiva, concentrando-se no que é possível e que dará precedência sobre o que parece impossível. Geralmente, tudo que é necessário para esclarecer a situação são respostas a algumas perguntas simples e, dessa forma, os colaboradores se sentem aptos a agir.
"Exemplos de questões que suscitam a sensibilização de uma pessoa para soluções em potencial são: "Aonde exatamente você quer chegar?", "Tem alguma ideia sobre como encontrar uma solução?", "Como os de fora saberão que enfrentamos este problema?","O que tem funcionado bem até agora?" Questões simples como estas - orientadas para uma possível solução - têm produzido alguns resultados surpreendentes."

Coaching significa deixar seguir
"Coaching significa tornar os colaboradores conscientes da sua própria capacidade para encontrar soluções. O colaborador deve, então, também ser autorizado a assumir a responsabilidade de escolher as soluções e adotá-las. A linha entre a liderança e coaching pode ser atravessada durante o processo. No exemplo do boletim da igreja isso significaria: "A partir de janeiro o boletim da igreja irá circular a cada dois meses, em vez de uma vez por trimestre" (declaração clara - líderança). A conversa poderá então avançar para questões como: "Tem alguma ideia de como poderíamos proceder a este respeito? O que precisa acontecer, a fim de alcançar esta meta? "(Espaço para ideias próprias - coaching).
"Para as pessoas em cargos executivos uma parte essencial do coaching é aprender a deixar seguir: você tem que deixar seguir suas próprias idéias, sugestões e ajudas concretas - caso contrário, é o coach, que acaba por resolver o problema. Coaching significa também dar às pessoas a liberdade de ação. Você tem que dar-lhes a oportunidade de demonstrar as suas próprias habilidades, ideias, conhecimento e competência. Eles têm de se sentir livres para tomar suas próprias decisões, tomar a iniciativa, encontrar soluções e planejar seus passos rumo à meta desejada."

Alimento para os pensamentos...

Que liberdade de ação meus colaboradores têm em suas tarefas? Como foi, exatamente, formulada essa liberdade de ação? Que problemas ainda precisam ser esclarecidos? Quais instruções eu preciso dar-lhes? Como? Em que áreas posso treiná-los? Na realização dos seus próprios objetivos? Planejar como atingir o objetivo e colocar em prática? Em seu próprio desenvolvimento pessoal?

* O autor deste artigo, Christoph Schalk, é psicólogo (Mestrado em Psicologia Organizacional), e trabalha como coach e formador de coaches. Durante os últimos 15 anos, treinou pessoalmente mais de 300 dirigentes e executivos, e cerca de 600 coaches em mais de 25 países. Seu tema favorito neste momento: "O líder/executivo como coach".

Agência Soma

terça-feira, 4 de agosto de 2009

Liderança em Davi

Lições Baseadas na vida de Davi.

· Introdução:

Davi se refugiou na caverna de Adulão fugindo de Saul; quando ouviram isso seus irmãos e toda a casa de seu pai, desceram ali para ter com ele. Ajuntaram-se a ele todos os homens que se achavam em aperto, e todo homem endividado, e todos os amargurados de espírito, e ele se fez chefe deles; e eram com ele uns quatrocentos homens. (I Sm 22: 1-3)
Davi retorna ao território de Judá, mas não muito distante da fronteira de Israel com a Filistia. Ele se esconde de Saul na caverna de Adulão. A localização de Adulão não é exata, mas parece ter se sido há algumas milhas a leste de Gate, na direção de Belém e Jerusalém. Parece que Davi encontrou um esconderijo isolado e seguro, longe o suficiente de Gate e não muito perto de Saul. (Adulão será o Q.G. da Davi).
Davi parece estar sozinho, até agora. Mas, quando se esconde na caverna de Adulão, uma porção de gente começa a chegar esperando juntar-se a ele. Os primeiros a ouvir sobre seus parentes, que se unem a ele na caverna. Eles devem sentir que, uma vez que Davi é visto como inimigo de Saul, eles também não estão seguros. Penso eu, ser a melhor posição teológica, com base no destino dos sacerdotes (ver I Sm 22). Outros os seguem, aqueles que estão em perigo, em dívida, ou não são a favor de Saul. Eles vêm a Davi como seu novo líder. Aqueles que se juntam a Davi durante sua estadia na caverna chegam aproximadamente a 400 homens.

1. Como líder, Davi nunca menosprezou aqueles que o Senhor lhe enviava.

Davi atraia estes homens sem procurá-los. ( II Sm 22:1-3).

2. Como líder, Davi tinha a habilidade necessária para treinar homens que não possuíam nenhuma capacidade. Transformado estes homens na Elite Militar da sua época. Um verdadeiro exército de Deus.

· De covardes, Davi os fez valentes e poderosos (II Sm 23:8).
· De aflitos, Davi os fez soldados valorosos. Um Exercito de Deus (I Cro 12:22).
· De endividados, Davi os fez mais valiosos do que ouro. O menor valia por 10 homens e o maior por 1000. (I Cro 12: 14).

3. Como líder, Davi não tinha medo ou receio de colocar ao seu lado homens que teriam seus potenciais maximizados no decorrer do treinamento. Muitos destes Valentes seriam melhores do que Davi na arte da guerra. (I Sm 23:8-17).

· Josebe matou 800 com uma lança.
· Eleazar com sua mão pegada à espada atacou os filisteus e os feriu.
· Samá defendeu seu campo de lentilhas, efetuando grande combate.

4. Como líder, Davi tinha admiração e respeito pela vida e serviço fiel dos seus liderados. (II Sm 23:17).

· Os valentes ouvem o suspiro por água do seu líder e agem imediatamente em missão.
· Não era uma ordem de Davi, nem um pedido, era apenas um desejo pela água da fonte de Belém. Todavia, estes homens romperam as barreiras e obstáculos por causa do desejo de servir ao ungido do Senhor.


5. Seus liderados o amavam, respeitavam, obedeciam e lhe devotavam total admiração.


A lealdade destes homens não era interesseira, não estavam atrás de promoção, nem eram bajuladores ou hipócritas.
Davi nunca procurou a fidelidade destes homens.
Todavia extraiu deles lealdade e serviço por meio da sua devoção para com eles.
Davi publicamente honrou o sacrifício dos valentes presenteando a Deus com a água que eles trouxeram em oferta a Davi.
Será que em nossos dias ainda existem homens valentes, a ponto de arriscarem suas vidas, rompendo limites e obstáculos em favor do seu líder.
Será que ainda existem homens como Davi (devotado aos seus liderados). Homens cuja sua atitude de amor, zelo e admiração pelos seus liderados falam mais alto que suas palavras.

6. Como líder, Davi era a inspiração de seus liderados. Ele era alguém que resplandecia a luz do Senhor. Ele era a lâmpada de Israel (II Sm 21:17).

· Davi já estava velho. Seus pais já descansam no sepulcro. A vida estava passando e os anos se abreviaram. Davi já não é mais o garoto que matava leões e ursos que ameaçavam rebanhos.
· Também não é mais o jovem destemido que, com uma funda e cinco pedrinhas, derrubara o gigante Golias.
· Mas ainda acha que pode guerrear, é verdade. Acaba de enfrentar outro gigante, Isbi-Benobe, mas quase morre desta vez, não fosse pela intervenção de Abisai. Por isso, seus próprios soldados lhe aconselharam: Por favor, rei, fica em casa, para que “não apagues a lâmpada de Israel”. Como a luz flui da lâmpada, o calor do fogo, e os pensamentos da mente, assim Davi era o símbolo da Providencia e Promessas de Deus para Israel. Nesta altura dos acontecimentos Davi compõe um cântico a Deus, que corresponde ao Salmo 18, e que expressa agradecimentos por livrá-lo “da palma da mão de todos os seus inimigos e da palma de Saul”.
· Suas responsabilidade como líder da nação no Salmo 18 inicia com a sua declaração de amor a Deus; e como líder Davi expressa seu amor: obedecendo a Deus... 1) em justiça de vida (20,24); 2) em pureza diante de Deus (20,24); 3) Guardando os caminhos do Senhor que é perfeito (21,30); 4) Não se apartando de Deus (21); 5) Ter diante de si a Palavra de Deus que é provada (22,30); 6) Sendo íntegro e se guardando da iniqüidade (23); 7) Sendo sempre agradecido (46); 8) Bendizendo e engrandecendo a Deus (46); 9) Glorificá-Lo publicamente (49); 10) Cantar louvores ao Seu nome (3,49); 11) Testemunho sua gloria e majestade (49).
· Saber que podemos contar com a ajuda de Deus e de nossos liderados nos momentos mais difíceis da nossa é um grande alento e mui agradável balsamo para a alma dos pastores, que por vezes, estão exaustos e afadigados do combate cristão.

7. Como líder, Davi sabia que o ministério exige a excelência daqueles que são vocacionados. E que passar pelos desertos das provações lapidaria seu caráter e forjaria sua alma no fogo do Espírito do Senhor. (I Sm 23-24). Davi passa a ter consciência do sagrado.
Todos aqueles que desejam ter um profundo relacionamento com Deus passam pelo deserto, devem se refugia em Adulão. (Moises, Elias, Paulo e nosso Senhor Jesus passaram pelos desertos. O deserto faz parte da pedagogia de Deus).
Davi não escolheu o deserto, mas foi forçado a se refugiar dos ataques de Saul na região do Neguebe por aproximadamente 10 anos de sua vida.
Davi recebeu o seu Ph.D em ministério depois de passar pelas faculdades do deserto de Zife; de Maom; Em-Gedi e Parã.
Os anos de provações no deserto levaram Davi a ter uma percepção mais clara do sagrado e do profano, da santidade e da impureza, da beleza e do desespero, da obediência e do pecado; Davi foi capaz de ver a gloria de Deus onde ninguém mais podia ver, isto é, na vida de Saul, o ungido de Deus. (I Sm 24:10). O deserto nos torna mais humano e menos anjo.
Adulão significado refugio. Foi no deserto que Davi escondeu-se de Saul numa caverna em Adulão (1Sm 22:1; 2Sm 23:13; 1Cr 11:15). Adulão é lugar de sair da superficialidade e buscar profundidade insondável.
Na caverna de Adulão, existem lugares profundos ainda não sondados, lugares onde não se conseguia medir a profundidade.
Mas Davi conhecia em profundidade ao Senhor, ele conhecia o Bom Pastor (Salmo 23) aquele que o havia livrado do Urso e do Leão, aquele que havia entregado o gigante e todos os filisteus em suas mãos. Davi conhecia ao Senhor, e seu conhecimento não era superficial.
Precisamos entrar em Adulão para conhecermos ao Senhor com intimidade. Adulão é lugar de transformar a exaltação em humilhação.

8. Como líder, Davi fez no deserto da adversidade o que não conseguimos fazer nos oásis igrejeiros: “Davi fez de homens perdedores, campeões; de amargurados em cheios de graça; de endividados em pedras preciosas; de espírito abatidos em Valentes de Deus”.

Davi era matador de gigantes, por sua vez exigia que seus liderados também fizessem o mesmo. (I Sm 21). Abisai, Sibecai, El-Hanã, Jônatas, todos estes mataram gigantes nas guerras pelo Rei e pelo Reino.
Davi sabia compartilhar com os seus liderados as glorias recebidas em batalha. (I Cro 27). Reinou, pois, Davi sobre todo o Israel; e Davi fazia direito e justiça a todo o seu povo. II Samuel 8:15
Quando Golias desafiou o exército de Israel, ele estava batalhando em nome dos seus deuses. Logo, se Golias vencesse, seria considerada a vitória dos deuses dos filisteus sobre o Deus de Israel... Entretanto, pelo que parece, ninguém entendeu desta forma... O povo de Israel estava ofendido e magoado, cada um pensando em si e no seu justo espírito nacionalista, entendendo que Golias estava simplesmente afrontando ao povo...Davi foi o único que enfocou teologicamente o problema, quem percebeu a gravidade dos fatos: Golias havia afrontado não a um exército comum, mas ao exército do Deus vivo.
Davi, o menino pastor, estava dando seus primeiros passos na liderança espiritual, mas já sabia que o seu povo era guiado e protegido por Deus; era o povo da Aliança. Davi não olhava os fatos como se ocorressem por um mero e insensível acaso...Ele tinha consciência de que Deus levantava homens... E, se assim o é, já que não surgia ninguém, porque não ele?
Deus sempre levantou homens: Moisés, Josué, Jefté, Baraque, Gideão, Sansão, Isaías, Jeremias, os apóstolos, Paulo, etc. Os Reformadores: Lutero, Melanchton, Calvino, etc. Estes homem também se depararam com gigantes... Entretanto tiveram consciência de que Deus usa homens... Eles se prontificaram, dizendo: “Eis-me aqui, envia-me a mim” (Is 6.8)
Há gigantes à nossa frente? Por certo há muitos: A frieza, a indiferença, a escassez de recursos financeiros, a falta de pessoas comprometidas com a obra; pessoas a serem lideradas, lapidados, moldadas e muitas ainda precisam ser conquistadas para Cristo. Mas... Se Deus levanta homens. Por que não eu?
Deus age através da História e nós, somos os instrumentos de Deus. Muitas vezes os grandes desafios de Deus começam nas coisas mais simples de nossa vida: Todo o processo de luta de Davi com Golias e a sua vitória começou com a sua simples e justa obediência ao seu pai Jessé, indo levar alimento para os seus irmãos no campo de batalha; lembremo-nos de que Davi já fora ungido rei de Israel...
Um dos primeiros passos para que possamos entender a questão da liderança cristã é adotarmos a perspectiva correta sobre Deus, Sua Palavra e Sua Obra.
· Davi se dispôs a lutar porque entendeu que Golias havia ofendido a Deus e isso ele não poderia tolerar... Davi tinha zelo por Deus e pelos ungidos de Deus, por isso nunca levantou-se contra o rei Saul.. Davi esperou pela providencia de Deus para ascender ao trono de Israel e com muito resignação e paciência, deixou Deus ser Deus em sua vida... Os valentes de Davi outrora eram covardes, tímidos, espiritualmente fracos, mas como muita sabedoria, graça, unção e dedicação, Davi investiu todos os seus recursos nestes “desqualificados” aos olhos humanos, pois Davi tinha experiência pessoal de que Deus escolheu as coisas loucas deste mundo para confundir as sábias; e Deus escolheu as coisas fracas deste mundo para confundir as fortes; 28 E Deus escolheu as coisas vis deste mundo, e as desprezíveis, e as que não são, para aniquilar as que são; 29 Para que nenhuma carne se glorie perante ele. 1 Co 1:27-29 .
· Deus no seu processo revelador e salvador sempre se valeu de homens e mulheres. Há muitas coisas a serem feitas na Seara do Senhor; então, por que não podem ser realizadas através de mim?
· Devemos ser obedientes a Deus, fazendo o que nos compete, usando dos recursos que Ele mesmo nos forneceu em nossa caminhada. Deus sempre conduz o Seu povo em triunfo, mesmo em meios aos mais escaldantes desertos da vida.

Fonte: ISET

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