domingo, 27 de dezembro de 2009

Lei sobre ortotanásia pode abrir brecha para eutanásia

Por Miguel Martini

Legislar sobre a ortotanásia — que é o decorrer natural do processo de morte, sem intervenção de tratamento artificial que prolongue a vida vegetativa do paciente — pode abrir brechas para a aprovação da eutanásia no país. Por essa razão, somos contra uma lei a respeito desse tema. Consideramos melhor disciplinar sobre os procedimentos assegurados ao paciente.
Por isso, preocupado com o tema, apresentamos o projeto de lei 6.544/09, que dispõe sobre os cuidados devidos a pacientes que se encontram em fase terminal de enfermidade.
A vida humana deve receber todo cuidado e toda atenção, desde a concepção até completar seu curso natural, pois todo ser humano tem direito de nascer, crescer e chegar ao fim de sua vida com dignidade.
Sabemos que drogas e máquinas de última geração são capazes de manter um cidadão "vivo" por muito tempo, às vezes, por anos, sem nenhuma perspectiva concreta de recuperação.
No entanto, a ética, o bom senso e a caridade determinam ser desnecessário prolongar a vida artificialmente se tal procedimento não levar à esperança de reversão do quadro clínico ou da recuperação do paciente em casos terminais.
Um exemplo claro do que estamos falando — e que o mundo inteiro tomou conhecimento — ocorreu com o papa João Paulo 2º. Diante de sua enfermidade, mantê-lo vivo artificialmente, sobrevivendo por aparelhos, em nada melhoraria seu quadro, além de prolongar seu sofrimento e o de todos que o amavam.
É importante ressaltar que uma decisão da prática da ortotanásia deve sempre ser tomada com aquiescência do paciente e dos seus familiares e/ou responsáveis, conforme aconteceu com o papa João Paulo 2º.
À luz do projeto de lei que queremos aprovar, é mais ético e moral que se procure aliviar a dor do paciente e que se lhe ofereça qualidade de vida junto a seus familiares, evitando intervenções agressivas que não trazem esperança de vida, e sim mais sofrimento e desgaste para o paciente e para a família.
Urge alertar a classe médica para um sério discernimento sobre as condições do paciente e dos meios terapêuticos à disposição, pois a renúncia a meios extraordinários ou desproporcionados não equivale ao suicídio ou à eutanásia. O projeto de lei 6.544/09 distingue-se em tudo e por tudo da eutanásia, que não é aceitável.
O médico deve esclarecer ao paciente em fase terminal de enfermidade, à sua família e ao seu representante legal as modalidades terapêuticas, adequadas e proporcionais para o tratamento do seu caso específico.
O papa Pio 12, em 1957, afirmava que é lícito suprimir a dor por meio de narcóticos, mesmo com a consequência de limitar a consciência e abreviar a vida, "se não existem outros meios e se, naquelas circunstâncias, isso em nada impede o cumprimento de outros deveres religiosos e morais".
No entanto, também deve ser considerado que a Igreja Católica nos diz, no Código Canônico (nº 65): "Não se deve privar o paciente da consciência de si mesmo, sem motivo grave. Quando se aproxima a morte, as pessoas devem estar em condições de poder satisfazer as suas obrigações morais e familiares e devem sobretudo poder preparar-se com plena consciência para o encontro definitivo com Deus".
Os dois princípios devem ser considerados antes de qualquer decisão. Consideramos, ainda, fundamental que haja mecanismos que permitam, com segurança, detectar casos semelhantes a esses e que os pacientes deles se beneficiem, sem, no entanto, abrir-se à possibilidade da prática da eutanásia.
Acreditamos que, com a aprovação do projeto de lei de nossa autoria, daremos os balizadores necessários para que a comissão de ética multidisciplinar em cada unidade hospitalar possa intervir com segurança nesses casos.
O assunto certamente levará a profundos debates na Comissão de Seguridade Social e Família, onde tramitam as duas proposições.
Assim, daremos uma resposta à sociedade atendendo aos pressupostos da ética médica, da dignidade humana e do profundo respeito aos direitos do paciente.

[Artigo publicado originalmente na Folha de S.Paulo, em 26 de dezembro de 2009.]

quarta-feira, 23 de dezembro de 2009

Liderar para cima

por José Bernardo

“Disse, pois, o faraó a José: Uma vez que Deus lhe revelou todas essas coisas, não há ninguém tão criterioso e sábio como você. Você terá o comando de meu palácio, e todo o meu povo se sujeitará às suas ordens. Somente em relação ao trono serei maior que você.” Gênesis 41:39,40 [NVI]
Já servi sob pessoas sem habilidades de relacionamento, sem visão do próximo, sem objetivos claros, sem metodologias definidas e, o que é pior, sem valores consistentes. Pode parecer uma situação desconfortável mas, conforme o ensino de Jesus, essa é a posição mais promissora para liderar – a posição de servo (Mc 9:35). Foi em situações assim que pensei em liderar para cima.
Primeiro é preciso perceber que a idéia de um servo liderando o chefe é até frequente em nosso dia a dia. Quando você contrata um cabelereiro, por exemplo, é você quem está pagando, é você quem diz o que quer, no entanto, logo depois, está obedecendo a cada mínima ordem que ele dá. – Abaixe a cabeça, diz o servo, você abaixa; – Vire de lado, diz o servo, você vira. Aquele que está servindo é quem lidera, e você o segue.
Por que o servo manda? Porque ele é especializado no serviço que executa. Ele sabe o que faz, tem experiência e, por isso, quando ele manda o chefe obedece. Ao liderar para cima, devemos nos concentrar em fazer um trabalho excelente e constante. Isso é decisivo.
Por que o chefe obedece? O desejo ou a necessidade de obter um determinado resultado é a motivação que orienta todas as ações dos seres humanos. O chefe obedece porque vê a possibilidade de ser suprido. Ao liderar para cima, é preciso entender e prover o que o chefe deseja ou precisa.
Por que o ciclo se estabelece? O chefe que obedeceu fica satisfeito porque teve suas necessidades atendidas, o servo que liderou fica satisfeito porque recebe o pagamento pelo seu esforço. Se esse ciclo de satisfação puder ser mantido, a liderança fica definitivamente revertida.
Foi o que o servo José experimentou no Egito. Indepedente do Faraó que esteja assentado no trono à sua frente, o trabalho especializado e a satisfação pelos resultados podem colocar você no comando do palácio e do povo, para a glória de Deus e satisfação de todas as partes. Se você é um servo, lidere para cima. Se você não é um servo, trate de ser!

AMME

quarta-feira, 2 de dezembro de 2009

Medo de liderar?

por José Bernardo

Você tem medo de liderar? Recentemente, em uma reunião, nossos missionários falaram sobre o medo que a maioria das pessoas tem de assumir uma posição de liderança. Talvez eu não estivesse muito atento para isso, mas pensar que as pessoas têm medo de liderar me deixou admirado e apreensivo.
Fiquei admirado porque não conheço outro caminho para a melhoria, o desenvolvimento ou o progresso se não houver alguém na liderança, apontando para um novo objetivo e animando as pessoas a alcançarem-no. Fiquei apreensivo porque a evangelização é essencialmente liderança – se o crente não quer liderar, se não se dispõe a ser um líder, nunca evangeliza.
A palavra líder guarda a primeira conexão com a evangelização já em sua origem no inglês antigo (lithan = ir / Merriam-Webster). Ir é o significado original de líder e a ordem de Jesus à sua igreja. Uma das melhores definições de liderança e, possivelmente, a mais precisa é atribuída a Peter Druker, reconhecido especialista em administração: “A única definição de líder é alguém que possui seguidores”. Uma definição assim evoca imediatamente a figura de Jesus dizendo àqueles empresários da pesca – “sigam-me e eu farei de vocês pescadores de homens” (Mt 4:19). “Vão e façam discípulos” (Mt 28:19) reflete a mesma ideia. Jesus liderou assim, mostrou como se faz e nos mandou fazer o mesmo.
O coronelismo e a pobreza de muitos anos podem ter sido as razões de havermos desenvolvido uma cultura popular de seguidores, gente que acha mais santo e mais humilde ficar para trás, mas é fato que grande parte dos brasileiros não assume a liderança. Entre os evangélicos, isso quer dizer que não evangelizam – não tomam a iniciativa, não vão e fazem discípulos.

AMME

Liderar é bom

por José Bernardo

“Fiel é a palavra: se alguém aspira ao episcopado, excelente obra almeja.”
1Timóteo 3:1

Eu me lembro de um seminarista a quem ofereceram o pastorado de uma igreja. Inicialmente, mesmo querendo aceitar, ele disse que não queria, depois, quando a igreja chamou outro, aquele seminarista tornou-se um problema para o novo pastor, para a igreja e para si mesmo. Muitas pessoas agem desta forma, parece a elas que desejar a liderança é algo indecente, então fingem que não querem liderar.
Paulo não pensava assim, e disse ao jovem Timóteo para considerar melhor o desejo pelo episcopado – ou seja, supervisionar outros crentes. Então, por que desejar a liderança veio a parecer tão ruim? Penso que o primeiro problema está no que entendemos por liderança. Nosso país viveu sob a sombra do coronelismo. Em seu despótico uso das pessoas, este vício político afeta ainda hoje todos os poderes em nossa nação e invalida a nossa democracia. Esse mal também estende suas garras para dentro das igrejas e produz competição, manipulação, violência, dissensões e divisões.
Mas liderar é bom. A primeira indicação do porquê Paulo pensar assim é a palavra “excelente”, seguida por uma descrição do caráter e da conduta de quem pode ser efetivamente aceito como líder. Fica claro o conceito de liderar pelo exemplo e pelo serviço. Liderar é bom porque nos desafia a sermos o exemplo e a oferecer nossa vida como modelo.
Uma outra indicação da importância da liderança vem no final do assunto, quando Paulo explica por que está dando tais instruções: “…para que, se eu tardar, fiques ciente de como se deve proceder na casa de Deus…” 1Tm 3:15. A igreja precisa de líderes para realizar o propósito de Deus e é bom que esses líderes apareçam. Sem líderes a igreja não evangeliza, não cumpre sua vocação.
Liderar é bom. Qualquer que seja o trauma que você tenha contra a liderança, qualquer que seja o motivo de você fugir dessa posição, supere tudo e pense sobre essas palavras de Paulo. Para que milhões sejam evangelizados, transformados e preparados para continuar a obra de Deus, os líderes são necessários. É bom que apareçam. É bom que você seja um deles.

AMME

Liderar depois do fracasso

por José Bernardo

Projetos evangelísticos que poderiam ter sido, enfim, bem sucedidos, são enterrados e esquecidos por causa de um fracasso inicial. O fracasso horroriza e paralisa os líderes, inclusive os evangelistas, mas é preciso enfrentar isso.
Quando penso em fracasso, há um texto bíblico que me salta à mente: O fracasso de Josué e seu povo diante da cidadezinha de Ai (Josué 7). É fácil tomar esse texto pelo ângulo da santificação e ensinar sobre o risco do pecado oculto. Mas o foco do texto não é esse – ele fala principalmente do fracasso e do sucesso no enfrentamento em Ai.
A primeira coisa que nos chama atenção é o sucesso. Josué e seu povo haviam acabado de obter uma vitória esmagadora em Jericó e estavam vivendo a euforia do sucesso. O sucesso é a condição fundamental para o fracasso: ninguém fracassa enquanto não é bem sucedido. Josué não aparece falando com Deus antes de invadir Ai, ele apenas enviou espias e se sentiu seguro em atacar com uns poucos soldados apenas. A euforia do sucesso nos deixa arrogantes, desatentos e nos leva a minimizar os riscos.
Depois do fracasso veio a prostação. Josué e sua equipe ficaram prostrados, lamentando-se. Eles não sairiam daquela posição, como muitos líderes não saem, já que algumas coisas bem comuns os algemava ali. Primeiro estavam procurando um culpado para seu fracasso e acharam que o culpado era Deus – que novidade! Depois começaram a achar que o erro havia sido avançar, inovar – a mesmice pareceu mais confortável e segura. Finalmente mostraram seu verdadeiro temor – o que os outros vão pensar? O que os outros vão fazer? Nenhuma dessas três atitudes tão comuns nos tira do fracasso.
Então Deus disse a Josué: Levanta-te! Isso foi o começo da superação do fracasso. Deus requereu três coisas de Josué para a superação do fracasso. Primeiro uma pesquisa, uma inquirição, não por um culpado mas pela causa do fracasso. Depois uma medida de enfrentamento que envolveu confissão, correção e restituição. Finalmente um novo plano de ataque aproveitando, vejam só, a arrogância, desatenção e menosprezo dos homens de Ai, eufóricos com seu sucesso anterior.
Não há garantias de que evitaremos sempre o fracasso. Mas podemos ter certeza de que é possível seguir liderando mesmo depois de fracassar. Levanta-te!

AMME

O caminho da unidade

por José Bernardo

“Como é bom e agradável quando os irmãos convivem em união!” Salmo 133:1 [NVI]

Um dos grandes desafios da liderança é a unidade. Manter um grupo de jovens unidos no propósito da evangelização, manter a igreja unida no esforço missionário – são desafios assim que o evangelista, como líder, sempre enfrenta. Quando pensamos em liderança, logo lembramos do salmo 133, texto áureo da unidade. Nesse salmo aprendemos muito sobre como manter unidas as pessoas que lideramos.
O salmo, atribuido a Davi e classificado como ‘cântico dos degraus’, mostra logo uma ótima idéia quando o assunto é unidade. O líder ministra sobre o assunto de forma simples, elementar, usando uma canção, que as pessoas cantavam enquanto caminhavam juntas em suas peregrinações a Jerusalém, para manter princípios básicos da unidade sempre em sua mente.
O texto não exorta à unidade, nem ordena ou convida, nem mesmo procura convencer as pessoas a se unirem. O texto apresenta as vantagens da unidade, divulga que é bom e agradável, oferece algo que elas querem. Muito sábio, porque quando a união é algo obrigatório, sofrível, sacrificial, parece nunca acontecer.
A divulgação das vantagens também não fica vazia. O líder torna essas vantagens bem tangíveis, usando duas ilustrações que as pessoas podiam entender. Para a vantagem espiritual ele usa a ilustração da unção sacerdotal, que significava a escolha e o favor de Deus. Para a vantagem material ele usa a ilustração do orvalho no monte Hermom que, com seu cume coberto de neve era uma bênção para a agricultura durante as secas de verão.
O breve e eficaz ensino é concluído perfeitamente na última frase onde o líder assegura que, vivendo em unidade, as pessoas receberiam de Deus a bênção espiritual e a vida material, deixando à sua escolha o andarem unidas ou não. Que poderosa mensagem essa, que atravessou três milênios e ainda é nosso principal texto sobre unidade! Que precioso recurso para nosso aprendizado e prática como líderes.
Davi começou a aprender sobre liderança muito cedo. Por volta dos dezesseis anos ele estava derrubando gigantes. Precisamos ajudar os “Davi” de nosso tempo, preparando-os para a tarefa que Deus tem para eles. Para isso preparamos a Escola Intensiva de Evangelização da AMME. De 15 a 30 de janeiro vamos preparar adolescentes e jovens para serem líderes.

AMME

Líderes dispensáveis

por José Bernardo

“Meus irmãos, não vos torneis, muitos de vós, mestres, sabendo que havemos de receber maior juízo.” Tg 3:1 ARA.

Sempre me intriga a comparação entre Paulo dizendo a Timóteo que o desejo de liderar é bom (1Tm 3:1), e Tiago desestimulando pessoas de ambicionarem a liderança.
Contudo, detendo-nos um pouco no que Tiago ensinou, vemos que ele estava propondo uma espécie de vestibular da liderança, uma prova para saber quem pode e quem não pode ser líder. A prova é o controle da lígua.
Tiago começa a falar sobre este assunto como sequência de seu ensino sobre a natureza funcional da fé “Assim, também a fé, se não tiver obras, por si só está morta.” Tg 2:17 ARA. No capítulo três ele destaca o falar como uma das obras mais significativas que alguém pode fazer: “Se alguém não tropeça no falar, é perfeito varão” Tg 3:2 ARA. Tiago compara a língua ao pequeno leme que manobra um grande navio. Excelente figura de liderança.
De fato, sendo o ensino é a expressão essencial da liderança – principalmente para os crentes que devem ir fazer discípulos – falar é a ferramenta básica da liderança cristã. Se não formos capazes de usar corretamente a língua, mas tivermos um falar impuro, que provoca brigas e separações, mais destruiremos do que construiremos, mais dispersaremos do que ajuntaremos.
Paulo, mesmo enfatizando o bom que é desejar a liderança, faz sua própria lista de critérios, entre eles a aptidão para o ensino e a capacidade de controlar seus próprios impulsos. No contexto, em outras de suas cartas, também outros autores em toda a Bíblia, em Provérbios de modo especial – o tema do uso da língua é amplamente ensinado nas Escrituras.
Para selecionar líderes que utilizem bem a fala para liderar e não para destruir, Tiago acena com o maior rigor com que os líderes serão julgados. Jesus também falou sobre isso quando disse: “Mas àquele a quem muito foi dado, muito lhe será exigido; e àquele a quem muito se confia, muito mais lhe pedirão.” Lc 12:48.
A intenção manifesta do texto não é desestimular as pessoas de liderar, mas obter líderes que saibam usar a língua para ensinar, evangelizar, abençoar, orientar. Se alguém não domina sua língua é dispensável como líder.
Comunicação é essencial para a liderança. Para ajudar jovens com isso, preparamos a Escola Intensiva de Evangelização da AMME. De 15 a 30 de janeiro vamos preparar adolescentes e jovens para serem líderes que se comuniquem bem.

AMME

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