terça-feira, 24 de janeiro de 2012

Davi: Um pastor de verdade


Armando Altino da Silva Júnior

Então disse Davi a Saul: Teu servo apascentava as ovelhas de seu pai; e quando vinha um leão e um urso, e tomava uma ovelha do rebanho, eu saía após ele e o feria, e livrava-a da sua boca; e, quando ele se levantava contra mim, lançava-lhe mão da barba, e o feria e o matava. I Samuel 17:34-35

Quando começo a ver as histórias dos personagens bíblicos, gosto muito de observar a vida do pastorzinho Davi, não aquele Davi institucionalizado e as vezes até mesmo arrogante; gosto muito daquele Davi -pastor de ovelhas- que sentava na grama gelada das pastagens e tocava sua harpa entoando lindos louvores a Deus.
O Davi de atitudes simples e corajosas que caminhava entre as ovelhas e as contava uma a uma chamando-as pelo nome, cuidando as suas feridas e as levando para as "águas de descanso".
Não tenho dúvidas que foi naquelas pastagens que Deus forjou o caráter do grande Rei de Israel. Este Davi anterior a Golias e ao reinado, que era humilde e destemido, o qual chamou a atenção de Deus para si por seu coração tão humano. Não aquele que assassinou Urias simplesmente para justificar seu prazer.
Davizinho, como lhe chamavam por ser ainda aquele pequeno jovenzinho, que certa vez quando estava apascentando suas ovelhas teve que defender uma delas de um leão.
Fico pensando no raciocínio de Davi naquela hora, o leão poderia ter lhe matado mas também não poderia deixar a ovelha morrer, ele então optou em fazer com o risco de sua própria vida, aquilo para o qual foi designado.
Algumas lições podemos aprender com este menino:
I - Davi valorizava toda vida
Hoje em dia vemos pessoas morrendo a todo instante e por motivos variados, então chega um hora em nosso coração, que vidas passam a ser números estatísticos. Morreram 785 este ano, mas, estamos indo bem porque no ano passado foram 1580.
Esta é uma visão guiada pela "boa média".
Davi gastou todas as suas forças para salvar uma ovelha (I Sam 17:34). Talvez alguém vendo a situação aconselhasse a Davi: "Ei cara, ovelhas são atacadas por leões e ursos todos os dias, então pare de bancar o herói porque assim vai acabar morrendo. Amanhã virá um outro leão e então não haverá jeito, a vida é assim mesmo".
Davi sabia que não poderia resolver todos os problemas da vida, não resolveria o problema de todos os rebanhos, nem de todas as ovelhas, mas aquela ovelha não morreria enquanto ele pudesse fazer alguma coisa. Ele se entregou de coração em defesa daquela ovelha sem pensar se salvar aquele animal valeria a pena ou não.
Davi valorizou a vida e ponto final, sem questionamentos ou probabilidades, ele fez a opção pela vida.
Parece haver uma diferença gigantesca entre o Rei Davi que não tinha receio em dispor de vidas nas suas empreitadas de conquistas e aquele pastorzinho que não permitia que uma ovelha sua morresse na boca de leões. 
II - Davi não se omitia
Ouvimos constantemente, "cada um com seus problemas" ou, "a responsabilidade não é minha" e se a responsabilidade não é minha de fato e de direito, eu não preciso mover um dedo para fazer alguma coisa. A lógica é que se não é por minha culpa que a desgraça está acontecendo eu não tenho que interferir em nada.
Quando aquele pastorzinho chegou nas fileiras de guerra levando marmitas para seus irmãos (I Sam 17:17), não pode deixar de se envolver com o problema.
Davi era pastor de ovelhas, não entendia nada de guerra mas mesmo assim não se pôs de lado apenas observando o problema.
Os seus irmãos ainda tentaram persuadí-lo a não se meter naquele negócio, porém seu compromisso com Deus e com o povo de Deus falou mais alto.
Muitas vezes é mais fácil nos esconder atrás de normas, regras, de posição, de nossas impossibilidades e dizer para o outro "eu não posso fazer nada por você".
Ninguém precisa realmente enfrentar gigantes pelo outro, mas pelo menos podemos nos colocar ao lado do guerreiro, ajudá-lo em suas feridas.
Davi sabia que existem circunstâncias que devemos fazer muito mais do que nos é exigido, precisamos nos doar muito mais do que se espera.
II - Davi amava incondicionalmente
Às vezes temos a prática de escolher a quem amamos e a quem vale a pena doar nossos esforços.
Davi sabia naquele momento - em que aquela ovelha estava ameaçada -  que teria de fazer alguma coisa. Davi não ficou pensando se valeria a pena, se aquela ovelha já lhe dera muito trabalho ou não, se ela não era tão gorda assim ou se sua lã não era lá aquelas coisas, ele apenas a amou.
Ele não agiu com amor porque aquela ovelha lhe era a melhor e mais querida, mas porque apesar de qualquer coisa ele a decidiu amar com sua vida.
Amar com palavra é fácil, dizer que te amo não é coisa tão complicada assim, viver o amor que se dá sem nada em troca é que é difícil.
Não podemos esquecer a nossa história "e estando nós mortos em nossos delitos, nos deu vida juntamente com Cristo" Efésios 2:5. Deus nos amou quando não tínhamos nada para dar em troca, nos amou quando não éramos.
Conclusão: Quando olho para aquele menino, lutando com todas as suas forças pela vida daquela pequena ovelha, sinto o desejo de ser como aquele pastorzinho.

Reprodução Autorizada desde que mantida a integridade dos textos, mencionado o autor e o sitehttp://www.institutojetro.com/

O líder e a comunicação eficiente


Oswaldo Luiz Gomes Jacob
O filósofo Aristóteles ensinou aos seus discípulos que uma comunicação eficiente depende de três substantivos: Ethos, Pathos e Logia. São três palavras gregas muito pertinentes. Achei esta colocação sugestiva e gostaria de examiná-la com você na perspectiva da liderança cristã. Presenciamos o surgimento de lideranças comprometidas com o status e com um personalismo que têm feito muito mal à Igreja de Jesus. Vamos examinar cada substantivo para o nosso proveito como líderes cristãos, comprometidos com o Senhor Jesus.
Ethos significa ética, integridade, retidão. A nossa comunicação deve ser pautada na verdade, integridade, retidão e coerência. A nossa postura deve ser caracterizada pela integridade. Revelar quem realmente somos é uma demonstração do modo ethos de viver. Então, viver eticamente quer dizer que estou comprometido com a integridade, com uma postura retilínea. Jesus é  o nosso exemplo do ser ético. Sabia o momento de falar e o momento de calar. Suas manifestações eram verdadeiras. O seu ser era coerente com o seu viver. Palavras e ações eram sincronizadas. Ele nos ensinou que a palavra do cristão deve ser "sim, sim; não, não" (Mt 5.37). Viver de modo autêntico, íntegro e coerente era normal em Jesus. A Sua autoridade estava calcada na ética do Pai. Ele era e é a verdade revelada.
Pathos é o segundo substantivo na comunicação do líder cristão. Quer dizer empatia, simpatia, sensibilidade para com o outro. O líder cristão é movido pela sensibilidade em entender as pessoas. Ele deve tratar as pessoas com empatia, com a sensibilidade de Jesus. Todas as suas relações devem ser caracterizadas pela maneira fácil de conviver com o outro. Jesus era movido por íntima compaixão, principalmente para com os necessitados. Jesus chorou ao ver os habitantes de Jerusalém mergulhados na incredulidade; chorou ao saber da morte de Lázaro e foi muito sensível aos enfermos, aos rejeitados pela sociedade da Palestina. Diante da fome do povo que O acompanhava, Ele multiplicou pães e peixes. O coração do Mestre era movido pelo pathos, por uma profunda compaixão.
O terceiro elemento de uma comunicação eficiente é a logia, isto é, a palavra, a linguagem acessível, fácil. A palavra tem vida. Ela é semente. Comunica ética e sentimento. A nossa palavra deve ser sempre temperada com sal para sabermos comunicar de forma eficiente. Também, equilibrada, cheia de sabedoria. Deve haver coerência nas palavras que utilizamos para comunicarmos pensamentos, ideias e conceituações. Jesus é o fundamento da palavra que comunicamos às pessoas, sempre carregada de ética e paixão ou empatia. A comunicação do líder pressupõe clareza e profundidade. A palavra que uso na comunicação deve ser produto do que sou verdadeiramente.
Como líderes, sejamos eficientes em nossa comunicação utilizando o ethos, o pathos e a logia. Três substantivos de uma comunicação bem sucedida. Que haja em nossas relações integridade (sinceridade), empatia (sensibilidade) e palavra coerente (lógica, racional). A sabedoria em nossa comunicação como lideres está no uso correto desses três substantivos. O Pai nos revelou na Sua Palavra a ética, a empatia e a coerência visando uma liderança eficiente neste mundo. Os súditos do Reino têm estes traços bem definidos. Sejamos líderes assim.  

Reprodução Autorizada desde que mantida a integridade dos textos, mencionado o autor e o site http://www.institutojetro.com/

Mudanças tecnológicas e a pastoral urbana

Thiago Gigo Pereira

O mundo está em permanente transição. Com a corrida tecnológica, a Internet, cabos de fibra ótica e sofisticadas invenções cibernéticas, o globo terrestre tem se tornado mais uniforme e informado. A comunicação ultrapassou os limites geográficos e as distâncias continentais com a ascensão dos computadores mobiles, microprocessadores cada vez mais velozes, plataformas de internet sofisticadíssimas e invencionices científicas cada vez mais diversificadas. A Igreja evangélica brasileira tem acompanhado esse momentum histórico mundial.
A Igreja tem absorvido várias tecnologias, bem como as influências da contemporaneidade. Historicamente ela sempre acaba aspirando as mudanças culturais, políticas e agora, tecnológicas. Isso se torna evidente quando analisamos os períodos vividos no Brasil e as respostas dos movimentos evangélicos, por exemplo: no tempo da ditadura militar proclamava-se, mais enfaticamente, a parousia; sem preterir os fatos históricos mais antigos, da década de setenta até agora (2011) houveram substanciais alterações no modus operandi da Igreja. Talvez o movimento neo-pentecostal e suas idiossincrasias simbolizem essas absorvências com mais clareza, pois teve origem no pensamento pós-moderno.
A pós-modernidade e seus sub-valores foi, sem dúvida, a maior responsável pelo surgimento de uma mentalidade evangélica utilitarista, pragmática e sincrética, bem como co-responsável pela confecção de teologias pobres e anti-exegéticas. Embora muitas interpretações dualísticas de alguns religiosos desprezem tais influências sociológicas separando a Igreja do mundo, a Igreja está no mundo, faz parte dele e acompanha seu desenvolvimento histórico, sócio-cultural, político e não menos importante, tecnológico.
Diante de tais considerações poderíamos salientar várias assimilações, alterações na rotina pastoral e o quanto as mudanças tecnológicas desafiam a pastoral urbana, especialmente a pessoa do pastor urbano. Um dos desafios da pastoral urbana é contextualizar os ministérios bíblicos à realidade do cotidiano. Fazer leituras das realidades, dos tempos, da cidade e das pessoas a fim de que sejamos mais profícuos na pregação do Evangelho do Reino de Deus.
O escritor Jorge Barro chama isso de exegese da cidade: "Precisamos também aprender a fazer exegese da cidade, para que a Palavra de Deus tenha sentido e pertinência às pessoas. " Numa leitura superficial, mesmo sem a necessidade de uma pesquisa de campo minuciosa, é evidente a importância das ferramentas tecnológicas para o ministério pastoral urbano.
Torna-se cada vez mais comum a presença de equipamentos sofisticados nas igrejas, tais como: projetores, telão eletrônico, ar condicionado, aparelhos eletrônicos para sonoplastia de última geração, instrumentos musicais que utilizam processadores e microcomputadores, câmeras para monitoramento, TVs de plasma e até cartões magnéticos para controle da saída e entrada das pessoas. É comum a utilização de sites para a evangelização e divulgação de atividades, transmissão via satélite, mala direta eletrônica para a comunicação com os fiéis.
Até as igrejas mais ortodoxas, com templos em arquitetura medieval aderem às novas tecnologias do mundo hodierno. Um exemplo disso é o visível contraste na 1ª Igreja Presbiteriana Independente de Bauru entre arcaicidade e contemporaneidade. Seu templo em estilo arquitetônico gótico francês possui sala de multimídia, equipamento para divulgação dos cultos on-line, projeção com telão eletrônico, piano eletrônico além de vários outros aparelhos que aperfeiçoam as atividades eclesiásticas. E não é somente a igreja que absorve os benefícios da tecnologia.
O pastor rural é cada vez mais raro. Após o êxodo rural as grandes cidades tiveram um expressivo crescimento, juntamente com ele vieram os problemas sociais. Um exemplo clássico é a notória expansão do mercado de segurança eletrônica, batendo recordes de crescimento. Num Brasil quase 100% urbanizado, com o surgimento das grandes cidades e seus desafios, tais como: falta de segurança, isolamento pessoal, estresse, depressão, dentre outros, a pessoa do pastor urbano se tornou uma necessidade para a pregação do Evangelho de maneira eficaz. O pastor urbano não consegue viver privilégios que o pastor rural desfrutou no passado, tais como tempo hábil para dar atenção aos membros, igreja pequena e membros com relativo tempo para servir. O mundo mudou e com as alterações histórico-sociais vieram as tecnologias que facilitam ou não, as atividades pastorais. O pastor urbano deve dominar inúmeras tecnologias para a execução de atividades do ministério. É cada vez mais comum a utilização de e-mails, em detrimento do telefonema para a comunicação com os membros. O celular se tornou um companheiro inseparável e o pastor pode ser encontrado em qualquer lugar. Programas para exegese (como o Bible Works), para a confecção de sermões, bíblias eletrônicas e softwares práticos para administração eclesiástica são cada vez mais utilizados por pastores que não andam sem o notebook.
O computador se tornou uma ferramenta tão indispensável quanto a Bíblia. O carro possui GPS para facilitar a localização dos membros nas grandes cidades. As atividades pastorais têm sido profundamente influenciadas pelas novas tecnologias. O ostracismo do pastor urbano avesso à tecnologia pode prejudicá-lo no ministério. O mundo moderno não tolera mais pastores sem celular, desinformatizados e desconectados do mundo cibernético. O que Jesus faria em nosso lugar? Ele seria um pregador que polarizaria o mundo tecnológico e a igreja ou utilizaria das coisas do mundo para apresentar o Reino de Deus? Jesus demonizaria a tecnologia?
Ao analisar as parábolas do Mestre, nota-se que o Senhor Jesus Cristo utilizou-se das novidades do seu tempo, da cultura semita e das realidades do seu Sitz in lebem (lugar vivencial) para expor as verdades do Reino de Deus. Os quatro evangelhos apresentam a Jesus como um profundo intérprete das necessidades do seu tempo. O Sermão da Montanha, por exemplo, (Mateus 5 a 7) é também um modelo de pregação que assimila perfeitamente as coisas e realidades contextuais com a mensagem emitida, ou seja, a linguagem de Jesus é repleta de exemplos retirados da agricultura, da ordem política, do comportamento ético-moral do povo e da religiosidade da época.
Jesus, modelo supra de comportamento pastoral, não desprezou a importância da cultura e dos costumes do povo, antes, compreendia que a conscientização do discípulo do Reino acontecia por meio das coisas simples cotidianas como ferramentas úteis para a pregação do Evangelho. Jesus utilizou-se das "tecnologias" e recursos do seu tempo, de maneira consciente, para a promoção do Reino de Deus, sem alterar a essência do Evangelho.
Sendo assim, as mudanças supracitadas servem para a reflexão sobre o comportamento do pastor urbano diante dos desafios do mundo presente. Felizmente ou não, a relevância das novidades tecnológicas é indiscutível. A Igreja deve se preparar para expor as verdades do Evangelho fazendo uso dos meios tecnológicos disponíveis.
Seria uma desventura não fazer uso da velocidade proporcionada pelos meios tecnológicos para pregar a Palavra de Deus, mesmo com suas esquisitices. A comunicação do Evangelho precisa acompanhar as mudanças culturais, históricas e psicossociais sem receber suas influências maléficas. Esse talvez seja um dos maiores desafios da Pastoral urbana da Igreja evangélica brasileira.
Texto cedido gentilmente pelo autor e originalmente publicado em seu blog http://inteligenciaparaavida.blogspot.com

Reprodução Autorizada desde que mantida a integridade dos textos, mencionado o autor e o site http://www.institutojetro.com/

Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...
Grupos do Google
Receba em seu e-mail, Textos Reformados Selecionados
E-mail:
Visitar este grupo