segunda-feira, 26 de janeiro de 2015

Liderança em momentos de crise

Guilherme Ávilla Gimenez(*)

Uma grande maioria de pessoas se sente desconfortável quando precisa assumir a liderança diante de alguma situação ou momento histórico difícil. Quando as coisas vão bem, todos querem ser líderes, mas em situações de crise, poucos se apresentam para liderar. Porém é nesses momentos - de crise e dificuldade - que a figura de um líder se torna indispensável.
Pessoas buscam no líder um ponto de apoio, um reforço emocional e, principalmente, uma direção segura quando as incertezas aumentam. Um estudo recente da revista americana Educational Leadership mostra que a grande maioria dos líderes se sente amedrontada em assumir posições mais firmes em momentos de crise e prefere abraçar uma postura mais branda, passando quase despercebidos. Em situações assim, os líderes se mostram muito tímidos, deixando de lado uma oportunidade única de ajudar os liderados a superarem crises e aprenderem lições especiais sobre enfrentamento e amadurecimento.
Assumir a liderança em momentos de crise exige pelo menos três grandes virtudes do líder.

A primeira é a responsabilidade.
Líderes são como capitães em momentos de naufrágio: devem ser os últimos a abandonar a embarcação quanto está afundando. Ainda que muitas vezes a culpa de uma crise não seja do líder, cabe a ele assumir a responsabilidade da gestão da crise, sendo um personagem importante no processo de vitória e superação.
Líderes estão sempre diante de decisões que podem afetar radicalmente a vida de pessoas e de organizações. Uma impressão errada sobre determinado assunto ou uma escolha precipitada podem levar a decisões erradas e a consequências terríveis. Por esse motivo que alguns líderes preferem não tomar decisões e veem sua carreira ruir diante de situações que exigem uma tomada de decisão. Não há como sobreviver na liderança sem tomar decisões ou então esperando que alguém as tome por você. E, diante do medo de errar e da necessidade de agir surge uma inquietude no coração de todo líder, um peso de responsabilidade que por vezes incomoda tanto que alguns chegam a abrir mão da liderança para aquietar seu coração.
É possível amenizar esse peso da responsabilidade? Sim! Podemos usar a sabedoria para lidar com as decisões, dividindo responsabilidades e diminuindo riscos. O primeiro passo nesse processo é compartilhar decisões. Não falo em passar a responsabilidade a outras mas sim dividir temas difíceis e ouvir outras pessoas que talvez possam esclarecer pontos ainda obscuros e ajudar na tomada de decisão. Compartilhar decisões é um processo que depende de confiança, entrosamento de equipe e delegação de poder. Ao admitir que você precisa de ajuda, opinião ou de dicas estará se abrindo para ouvir e aprender com o outro e isso será proveitoso, gerando um ambiente de grande participação.
Além de compartilhar decisões é importante buscar o máximo de informações possíveis sobre o tema a ser tratado. Talvez seja necessário contratar um técnico que entenda melhor do que você - e de sua equipe - todas as consequências relacionadas a determinada decisão. Uma consultoria pode ser esclarecedora e trará uma opinião externa, nada passional e fortemente técnica. Dependendo da decisão, investir em consultoria é uma boa pois evitará gastos provenientes de uma eventual decisão errada. Ler artigos sobre o assunto e até fazer algum curso rápido também são maneiras de ter as informações necessárias para uma decisão acertada.
Cautela, paciência, entendimento amplo dos riscos, estudo de casos semelhantes e uma boa dose de prudência são outros elementos que ajudam bastante a amenizar o peso da responsabilidade. Mas, não se iluda: decidir sempre traz riscos e corrê-los é uma das facetas da liderança que nem todo mundo gosta de lidar. Compartilhe decisões, busque ajuda e esforce-se ao máximo para não errar. Na maioria dos casos essa somatória de precauções dá certo e o resultado é positivo. Mas, se tendo feito tudo certo você ainda vier a errar, então, é assumir a responsabilidade e encarar o próximo desafio, afinal, nada como um bom acerto para ameninar o erro cometido.

A segunda virtude é a influência positiva, ou a motivação.
Um bom líder sempre será uma influência positiva. Seu papel será o de incentivar, motivar e despertar no liderado a força necessária para vencer as crises. Diante de uma situação difícil, não podemos esperar outro papel de um líder senão o de produzir força e coragem nos liderados para que vençam os desafios. A motivação de um líder tem um poder incrível - comenta John Maxwell, em O Livro de Ouro da Liderança.

A terceira virtude é a indicação de alternativas viáveis para a solução dos problemas.
Líderes são como placas que indicam caminhos. E quando se está perdido, qualquer placa, ainda que pequena, já ajuda bastante; quanto mais um líder, que se torna em um verdadeiro outdoor, indicando boas alternativas para sair da crise e viver momentos de paz e alegria.
Quando um líder assume a liderança em momentos de crise, muitas coisas podem acontecer, dentre elas, a transformação da crise em um momento de grande aprendizado e superação. Mas se um líder se omite, a crise pode tornar-se destrutiva, a ponto de acabar com uma organização, uma empresa e até uma igreja. Líderes nunca deveriam desprezar o grande potencial que têm para ajudar seus liderados a vencer crises!

Assuma sua liderança. Todos ao seu redor agradecerão!


(*)Técnico em Administração de Empresas. Graduado em Teologia pelo Seminário Teológico Batista do Sul do Brasil (Rio de Janeiro), com Mestrado em Ciências da Religião pela UMESP (São Bernardo do Campo) e Doutorado em Teologia pelo ITEPAR (Paraná).
Também é pós-graduado em ministério pastoral pelo Seminário Teológico de Dallas (USA). MBA em Gestão de Projetos pela UNICESUMAR. Cursou Capelania no Seminário Teológico Batista do Sul do Brasil.

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