Ética e Liderança Cristã

sexta-feira, 5 de setembro de 2014

Bíblia: O livro proeminente da administração


Leonardo Posich(*)

O amor ao dinheiro é raiz de todos os males. Algumas pessoas, por cobiçarem o dinheiro, desviaram-se da fé e atormentaram a si mesmas com muitos sofrimentos. 1 Tm 6:10
Em meio a rotina estupefata de estudante do curso de administração de empresas, muito me debrucei sobre os livros clássicos dessa magnífica ciência, e que tantos condenam a sua importância para o mundo dos negócios.
Ao passar horas estudando as teorias e vivências de Taylor ou até mesmo tentando responder algumas dúvidas que pairavam sobre minha mente acerca dos pensamentos mais profundos e inestimáveis de Drucker, jamais tive a mesma experiência de ter dedicado parte do meu precioso tempo, lendo e praticando a Palavra de Deus.
Deixando de lado um pouco dos nossos valores, crenças e nem muito menos questionando a veracidade ou o tamanho da sua fé, te convido a se despir da sua rotulariedade e encarar o fato, que esse magnífico livro tem, valiosos ensinamentos tanto para sua vida quanto para os seus negócios.
Um dos principais personagens (se não o principal) e o divisor de águas entre o antigo e o novo testamento (Jesus Cristo) nos deixa claro como ser um ótimo líder. Seu legado milenar esta enraizado no cerne da humanidade e seus ensinamentos continuam mudando vidas.
Não precisa ser especialista e nem muito estudado, para entender, que líderes não são profissionais que sabem somente lidar com metas, números e objetivos mas acima de tudo, sabem influenciar e inspirar pessoas em prol de um objetivo comum.
Em Salmos 16:32 diz o seguinte:
Muito melhor é o homem paciente que o guerreiro, mais vale controlar as emoções e os ímpetos do que conquistar toda uma cidade.
O líder ou qualquer profissional paciente, é mais assertivo em sua tomada de decisões. Muitos reinados sucumbiram perante a sua própria impaciência. Na pressa, cometemos nossos piores erros. Mais importante que a velocidade é a própria direção.
"Prefiro dar passos curtos e firmes sem perder o sentido, do que andar em alta velocidade e perder o rumo".
Você só saberá se chegou, se estiver focado aonde é o seu destino.
Há quem diga que palavra de Deus condena o próprio o dinheiro. Os ensinamentos bíblicos são claros com relação ao uso do próprio capital. Quanto a avareza, a palavra de Deus é mais transparente que uma bolha de sabão.
O avaro procura prazer em seu próprio dinheiro e acaba sempre soterrado em sua própria ganância. Dinheiro é um excelente servo e um péssimo senhor. Deixo aqui uma pergunta: Você morre servindo ao dinheiro, ou você vive servido pelo dinheiro?
Não trabalhe pelo dinheiro, faça o dinheiro trabalhar para você. Ele não é o fim, mas sim o meio. Tão bom quanto ganhar dinheiro é poder mudar a vida de alguém.
Dinheiro não é ruim ele é bom. Mas pode ser melhor ainda se for usado para o bem. Porém não é tudo. Enquanto o avaro pensa somente em seu enriquecimento próprio, o empreendedor (generoso) visa gerar valor (empregar pessoas e gerar renda) dentro da sociedade.

Lei da abundância: aquele que plantar pouco, o pouco colherá. Falando de forma ainda mais clara e direta. A árvore boa não dará frutos ruins e a árvore ruim não dará frutos bons. Se você tem um bom negócio (produtos e serviços de qualidade) clientes satisfeitos e felizes você terá.
As suas atitudes falam tão alto que chega a ensurdecer o seu discurso. No mundo dos negócios, se você não é honesto, não vai pra frente. E se for pra frente, logo tropeça e não levanta mais. Quem é feliz no pouco, será feliz no muito. Quem honra as pequenas coisas, honrará as grandes obras e será incubido de grandes responsabilidades.
O invejoso é ávido pela riqueza, é capaz de passar por cima de todos e de tudo para o seu próprio enriquecimento, e é péssimo para entregar valor para aqueles que o cercam. A inveja é algo que corrói a sua alma e destrói seu espírito. Muitos líderes foram destronados pela sua própria inveja. Você já leu a história do rei Saul?
Eu costumo dizer para mim mesmo todos os dias, hoje serei melhor do que ontem. Falo isso, porque sei que o maior concorrente que eu posso ter, sou eu mesmo. Minha mente esta a todo tempo tentando matar meus próprios sonhos. Costumamos nos auto sabotar e é engraçado como a bíblia fala muito sobre isso.
Eu poderia passar horas escrevendo esse artigo acerca desse importante livro de administração (embora não visto dessa forma por inúmeras pessoas) e ainda assim, seria pouco para externalizar tamanho ensinamento.
A Bíblia diz, que aquele que tiver preguiça, cairá em um profundo sono. Quem trabalha bem, trabalha bem até de graça. A insatisfação com o trabalho é uma das principais causas da baixa produtividade. Não ter prazer no que faz, é um sério agravante para o insucesso.
Existem muitos profissionais que costumam arranjar desculpas com relação a sua produtividade. Diz não trabalhar bem, por conta do péssimo salário. Outros são capazes de entregar um trabalho medíocre e usar como desculpa, a má remuneração.
Como todo e qualquer livro, esse só fará diferença em sua vida, se você dedicar parte do seu precioso tempo lendo, estudando e praticando aquilo que lhe é ensinado. Um livro pode ser somente um simples objeto de capa dura, repleto de folhas brancas com vastas palavras, empoeirado no fundo de uma gaveta e nenhuma diferença fará em sua vida.
Se tivesse lido a Bíblia quando estudava administração, tenho certeza que minha curva de aprendizado seria muito menor. Teria quebrado menos e acertado mais.
“Quem tenta enriquecer-se depressa não ficará sem castigo" (Prov 28:20).
Não existe sucesso sem trabalho árduo e esperar que Deus faça as coisas por você, não te fará alguém melhor!

(*)Leonardo Posich é formado em administração de empresas, pela faculdade Cesusc. Empreendedor digital (ijumper) e ex-sócio do Mundo Canibal Games (dos jurássicos da internet Rodrigo e Ricardo Piologo). Especialistas em captação de novos negócios (prospecção, geração de tráfego qualificado e vendas). Atualmente esta escrevendo um livro na área de relacionamentos (a base de qualquer negócio) além disso é uma pessoa super comprometida com o seu sucesso!

Administradores

terça-feira, 19 de agosto de 2014

O líder e os traços vitais de um relacionamento saudável

Oswaldo Luiz Gomes Jacob

Há muita gente na liderança em nossas igrejas com um grau enorme de dificuldade na área de relacionamento.
Seja por causa da timidez; seja em função de traumas do passado; com uma porção de preconceitos e atitudes egoístas; com um temperamento explosivo, pavio curto, sem o mínimo de paciência; gente que critica negativamente, que possui uma postura ácida; pessoas com uma insatisfação crônica; gente que murmura, pragueja; que age com falsidade, dissimulação, relacionando-se hipocritamente.
Todas essas tendências e práticas pertencem à natureza de Adão, que herdamos em nossa constituição humana, pecaminosa e perversa. Jeremias trouxe da parte de Deus o seguinte diagnóstico do nosso coração ou da nossa natureza: "O coração é enganoso e incurável, mais que todas as coisas; quem pode conhecê-lo? Eu, o Senhor, examino a mente e provo o coração, para retribuir a cada um segundo os seus caminhos e segundo o fruto das suas ações" (Jr 17.9,10).
Tiago, inspirado pelo Espírito Santo, líder da Igreja em Jerusalém, nos dá uma exortação preciosa: "Meus amados irmãos, tende certeza disto: todo homem deve estar pronto para ouvir, ser tardio para falar e tardio para se irar. Porque a ira do homem não produz a justiça de Deus" (Tg 1.19,20). A confrontação do apóstolo aqui é muito eficaz. Funciona mesmo. Creio que ele aprendeu a lidar melhor com as pessoas no exercício da sua liderança. Ele coloca muito bem aqui os três traços vitais de um relacionamento saudável: Amor, humildade e mansidão. Então, o amor tem disposição para ouvir o próximo; a humildade sabe esperar o momento para falar e a mansidão não reage negativamente. Jesus era assim. Em todo o Seu riquíssimo ministério, sendo Ele o nosso modelo de liderança, teve atitudes e atos marcados pelo amor, pela humildade e pela mansidão. Deixou muito claro que o Seu amor era incomparável (João 15.13,14) e que devemos aprender dEle que é manso e humilde de coração (Mt 11.29).
O amor, reparte conosco o apóstolo Paulo, "tudo sofre, tudo crê, tudo espera e tudo suporta" (1 Co 13.4-8). O amor supera preconceitos, diferenças, temperamentos, egoísmo, timidez e quaisquer outros sentimentos que não estão em Cristo Jesus. O amor supera todas as barreiras e fossos estabelecidos pelo homem. O amor perdoa, abençoa, encoraja, compreende, aceita e coopera. No amor não há extratos, níveis sociais e econômicos. A linguagem do amor é a da aceitação, do perdão e da festa. O amor ouve, espera e descansa nAquele que tudo pode (Fil 4.13). No amor não há medo. A linguagem do amor é a da coragem, franqueza, legitimidade e coerência.

No verdadeiro amor não há máscaras. O amor olha nos olhos e diz a verdade pura e simples. A humildade, por sua vez, significa que reconheço a minha pequenez, minhas limitações como líder e que sou pó. Como dizia o padre Antonio Vieira, somos pó em pé. Fomos alcançados pela graça. Perdoados por um pecado que não podíamos cobrir e resgatar. Jesus nos libertou a todos pelo Seu sangue derramado na cruz. O Seu poder se aperfeiçoa em nossa fraqueza, debilidade. A humildade é o oposto da arrogância. Devemos reconhecer sempre as nossas mazelas. Jesus foi humilde de coração (Mt 11.29). Por isso, a humildade sabe ouvir, esperar e descansar. Na humildade considero o outro superior a mim mesmo. A humildade é uma grande benção de Deus nos relacionamentos. Esta foi a orientação sábia de Paulo aos irmãos em Filipos (2.5-8). A humildade é a linguagem da igualdade. Todos nos encontramos no mesmo nível - o da cruz.
A mansidão é o terceiro traço vital nos relacionamentos de um líder. Ser manso é submeter todos os meus direitos ao Senhor. Depositar a minha pretensa reputação aos Seus pés. Jesus sempre foi manso. A mansidão é uma atitude da pessoa regenerada, salva pela graça de Deus em Cristo Jesus. Ela nos aponta para a não-reação negativa, para o caminhar a segunda milha, para o sofrer em silêncio e abençoar os que nos perseguem. Significa vivermos em paz com os outros (Rm 12.18). Então, a mansidão aprende a ouvir, esperar e descansar. Estevão, diante do sofrimento, foi manso. Ele possuía o caráter de Cristo, o caráter do Cordeiro que foi para o matadouro mudo, sem abrir a Sua boca. O profeta Isaías fala claramente acerca desta verdade: "Ele foi oprimido e afligido, mas não abriu a boca; como um cordeiro que é levado ao matadouro, e como ovelha muda diante dos seus tosquiadores, ele não abriu a boca" (Is 53.7).
Que esses traços vitais estejam em nós como líderes e nos nossos relacionamentos. Que o Senhor Jesus Cristo domine completamente as nossas relações a partir do nosso coração. Que a Sua paz seja o árbitro em nossos corações e sejamos agradecidos (Col 3.15). Louvemos a Deus, dignifiquemos o Seu grandioso nome, pelos nossos irmãos aos quais servimos na liderança. Não respondamos ao agravo. Reconheçamos as nossas profundas limitações, falhas e os nossos defeitos. Então, sejamos prontos para ouvir; tardios para falar e tardios para se irar. A justiça de Deus vai agir na vida dos líderes que vivem o amor, a humildade e a mansidão à semelhança de Jesus, nosso Salvador e Senhor.

Reprodução Autorizada desde que mantida a integridade dos textos, mencionado o autor e o site http://www.institutojetro.com

A Ética do Reino de Deus

Rodolfo Garcia Montosa

Ame o Senhor, seu Deus, com todo o coração, com toda a alma, com toda a mente e com todas as forças. Ame os outros como você ama a você mesmo.
(Marcos 12.28-34).

Todos os dias tomamos diversas decisões em nossas vidas. Toda decisão por uma determinada opção em detrimento de outra acontece com base em nosso conjunto de crenças e valores do que pensamos ser certo, ou errado. A isso chamamos de ética. A palavra “ética” vem do grego ethos que significa modo de ser, caráter, comportamento e inclui hábitos, costumes e práticas. A ética não nos faz entrar no reino de Deus, mas o reino apresenta uma ética própria e bem definida. Dentre muitos padrões éticos exigidos na Bíblia, Jesus apresenta um resumo de três principais pilares da ética do reino de Deus.
O primeiro pilar diz respeito à ética para com Deus. Aqui está o comportamento mais importante apresentado por Jesus recitando o Pentateuco (Dt 6.5). O comportamento citado é de amarmos o Senhor com tudo o que temos e somos em primeiro lugar. De fato, o temor ao Senhor é o princípio de toda a sabedoria para se viver (Jó 28.28; Sl 111.10; 112.1; Pv 1.7; 9.10; Ec 12.13). O comportamento correto diante de Deus precede e dirige nosso comportamento perante tudo o que ele criou, quer sejam pessoas ou toda a natureza.
Outro importante pilar diz respeito à ética para comigo mesmo. De um lado, vemos muitas pessoas que não se amam, não se cuidam, agridem-se a si mesmas com palavras ou fisicamente. Em extremos, recusam cuidarem de si mesmas até nos aspectos mais elementares de higiene e aparência. Por outro lado, vemos muitas pessoas que se cuidam com tanta intensidade como se fossem os únicos seres humanos sobre a face da terra. Vão ao extremo da vaidade e da busca insaciável da estética e do bem estar. Mas, amor próprio, segundo a ética do Reino, deve ser equilibrado. O primeiro fundamento para o equilíbrio do amor próprio está na compreensão e aceitação do grande amor que o Pai Celestial tem por mim (Jo 15.16; 1 Jo 4.10 e 19). Quando entendemos a profundidade do amor do Senhor por nós somos libertos de todo desamor próprio. O outro fundamento é que devo amar a mim mesmo na mesma intensidade que amo ao próximo. Quando compreendemos que a ética do reino inclui o outro no mesmo nível que o amor próprio, somos libertos de uma vida egoísta, hedonista e utilitária em relação aos outros.
Por último, temos a ética para com o outro. As relações sociais são muito desafiadoras para o comportamento ético. De um lado, implica em não fazer ao outro o que não gostaríamos que o outro fizesse conosco. Por outro lado, significafazer ao outro o que queremos que o outro faça a nós. Alguns verbos são tão poderosos quanto desafiadores: perdoar, ouvir, tolerar, apreciar, suportar, abençoar, respeitar, submeter-se, compartilhar, dentre muitos outros. Na verdade, inúmeros são os textos bíblicos que trazem o padrão ético do reino de Deus para nosso comportamento em relação às outras pessoas (At 4.32; Rm 15.1; 1 Co 13.7; Gl 6.2; Ef 4.2,3; 5.1-2; Fp 2.3; 1 Ts 5.14; 2 Tm 2.24-26; Tt 3.2).
O padrão ético do reino de Deus pode ser visto e estudado na vida de Jesus. Não só falou, mas viveu integralmente o padrão ético do reino. Uma pergunta muito simples que poderia nos ajudar a encontrar o comportamento ideal em cada circunstância, segundo a ética do reino de Deus, seria: em meu lugar que faria Jesus?

Reprodução Autorizada desde que mantida a integridade dos textos, mencionado o autor e o site www.institutojetro.com

quinta-feira, 7 de agosto de 2014

Chamados para sermos íntegros, não perfeitos!


José Roberto Cristofani

O tema da "perfeição cristã" foi amplamente discutido por John Wesley.
Em um longo tratado Wesley apresentou a tese, as questões dela derivadas e as respostas às objeções feitas sobre o assunto. Basicamente, Wesley defendeu a ideia de que o cristão pode e deve buscar a perfeição pelo processo de santificação. Ele cria que se uma pessoa pudesse ficar um minuto sem pecar, ela poderia ficar dois, depois três e assim por diante. Ressalto, entretanto, que a questão, como apresentada por Wesley, é bem mais complexa e profunda do que apresentada aqui. Por hora basta colocá-la assim.
Muitos aspectos desta ideia wesleyana ainda são correntes nos dias de hoje no meio cristão. Bem como muitos questionamentos sobre se é possível nos tornarmos perfeitos ou não. O debate prossegue.
Para o nosso propósito aqui, é suficiente destacar o estreito vínculo que foi estabelecido entre "perfeição" e "pecado". Este vínculo reduziu a questão ao seu aspecto teológico, apenas. Em tese, ser perfeito é estar sem pecado. Será mesmo possível alguém chegar a tal estado de "perfeição"? A discussão não tem fim.

Retradução da palavra perfeito
"Completo serás para com o Senhor teu Deus". Dt 18:13. Ao retraduzir o texto de Deuteronômio 18.13 encontro pistas valiosas para uma nova abordagem do texto. A retradução deste versículo abre uma janela de novas possibilidades para iluminar um caminho possível. Vejamos:

"Completo serás para com o Senhor teu Deus"
A diferença é enorme. Entre "perfeito" (que não tem defeitos; ideal; impecável) e "completo" (que contém todos os elementos necessários; inteiro, acabado) existe uma grande diferença, mesmo em português.
Outras traduções possíveis para a palavra hebraica (tamim) usada no texto de Deuteronômio 18.13 seguem abaixo:
You must walk blamelessly before the Lord your God. (Você deve andar sem culpa diante do Senhor seu Deus.) The Living Bible
You must remain completely loyal to the Lord your God. (Você deve permanecer completamente leal ao Senhor seu Deus.) NRSV
Serás íntegro para con Jehovah tu Dios. (Será íntegro para com Jeová teu Deus.) RVA
Sé íntegro en tu trato con el Señor, tu Dios; (Seja íntegro em seu trato com o Senhor teu Deus;) Biblia del Peregrino
You must be "wholehearted" with the Lord your God. (Você deve ser "completa e sinceramente devotado, determinado, entusiasmado, marcado pelo completo compromisso, livre de toda reserva e hesitação" com o Senhor seu Deus.) Tanakh
O foco dessas traduções do vocábulo "tamim" gira ao redor do campo semântico de: lealdade, integridade, sinceridade. Ademais, a mesma palavra "tamim" é usada para descrever anos completos (Gênesis 47.18); sacrifícios de animais saudáveis (Levítico 22.21-22); inteireza do galho da videira (Ezequiel 15.5); discurso verdadeiro (Amós 5.10); construções terminadas (1 Reis 6.22); cumprimento da destruição do povo (Números 14.33).
Como podemos ver, os indicativos do uso deste termo apontam sempre para a ideia de completude, algo inteiro, aquilo que tem todas as partes e nada falta. Sendo utilizado para diversos âmbitos da vida, tais como: o calendário, as práticas religiosas, os objetos, a comunicação, o trabalho, o conflito etc.
Com esta compreensão em mente, podemos entender melhor como algumas pessoas no Primeiro Testamento foram consideradas "perfeitas", isto é, "completas". São exemplos: Noé (Gênesis 6.9 - Eis a história de Noé. Noé era homem justo (tsadiq) e íntegro (tamim) entre os seus contemporâneos; Noé andava com Deus.); Abrão (Gênesis 17.1 - Quando atingiu Abrão a idade de noventa e nove anos, apareceu-lhe o Senhor e disse-lhe: Eu sou o Deus Todo-Poderoso; anda na minha presença e sê perfeito (tamim).); Davi (2 Samuel 22.24 - Também fui inculpável (tamim) para com ele e me guardei da iniquidade.).
Também temos Jó que é chamado de "íntegro" (Jó 1.1 - Havia um homem na terra de Uz, cujo nome era Jó; homem íntegro (tam) e reto, temente a Deus e que se desviava do mal.). Obviamente que aqui é usada outra palavra "tam". Mas ela é sinônima de "tamim" e "tom" (que significa "integridade").
É importante observar que tanto Noé como Abrão, Davi e Jó, entre outros, não eram "perfeitos" em qualquer sentido. Porém, foram "completos" em seus relacionamentos com o Senhor e com as pessoas da sua geração.
Portanto, traduzo "tamim" em Deuteronômio 18.13 por "Completo" resgatando o sentido de integralidade do ser humano. Recolocando, assim, a exigência bíblica dentro da sua semântica original, a saber, que a pessoa deve relacionar-se com o Senhor de forma íntegra.
"Sede vós completos como completo é o vosso Pai celeste" Mt 5:48
A versão Almeida Revista e Atualizada traduz o texto de Mateus 5.48 da seguinte maneira:
"Portanto, sede vós perfeitos como perfeito é o vosso Pai celeste."
O vocábulo em questão é "teleios", traduzido, aqui, por "perfeito". Opção adotada pela grande maioria das versões em diversas línguas. Por exemplo:
Vós, portanto, sereis perfeitos, como é perfeito vosso Pai celeste. TEB
Portanto, sejam perfeitos como perfeito é o Pai celestial de vocês. NVI
Sed pues perfectos como vuestro Padre del cielo es perfecto. (Sede, pois, perfeitos como vosso Pai do Céu é perfeito. Biblia del Peregrino
A palavra "teleios" significa algo completo, indivisível. Aquilo que tem a totalidade como seu componente principal. É o contrário de parcial ou de limitado. É a medida das coisas cheias, completas, inteiras.
Quando usamos o termo "teleios" para pessoas, queremos indicar que a mesma é madura, desenvolvida. Sendo contrária a imaturidade, a palavra é usada para descrever pessoas espiritualmente maduras. Desenvolvidas inteiramente, completamente preparadas e prontas para relacionamentos e ações responsáveis. O Segundo Testamento faz uso de "teleios" em diversas ocasiões. As passagens mais relevantes, para o nosso propósito, são:
Disse-lhe Jesus: Se queres ser perfeito (teleios), vai, vende os teus bens, dá aos pobres e terás um tesouro no céu; depois, vem e segue-me. (Mateus 19.21)
Entretanto, expomos sabedoria entre os experimentados (teleios); não, porém, a sabedoria deste século, nem a dos poderosos desta época, que se reduzem a nada; (1 Coríntios 2.6)
Irmãos, não sejais meninos no juízo; na malícia, sim, sede crianças; quanto ao juízo, sede homens amadurecidos (teleios). (1 Coríntios 14.20)
Até que todos cheguemos à unidade da fé e do pleno conhecimento do Filho de Deus, à perfeita (teleios) varonilidade, à medida da estatura da plenitude de Cristo (Efésios 4.13)
Saúda-vos Epafras, que é dentre vós, servo de Cristo Jesus, o qual se esforça sobremaneira, continuamente, por vós nas orações, para que vos conserveis perfeitos (teleios) e plenamente convictos em toda a vontade de Deus. (Colossenses 4.12)
Mas o alimento sólido é para os adultos (teleios), para aqueles que, pela prática, têm as suas faculdades exercitadas para discernir não somente o bem, mas também o mal. (Hebreus 5:14)
Ora, a perseverança deve ter ação completa (teleios), para que sejais perfeitos (teleios) e íntegros (holokleros), em nada deficientes. (Tiago 1.4). Aqui "íntegros" traduz "holokleros", sinônimo de "teleios".
Porque todos tropeçamos em muitas coisas. Se alguém não tropeça no falar, é perfeito (teleios) varão, capaz de refrear também todo o corpo. (Tiago 3.2)
Como podemos ver pelos exemplos transcritos, o campo semântico de "teleios" é bastante similar ao de "tamim". Fala-se, nos textos, sobre completude, indivisibilidade, integridade, inteireza etc.
Assim, ao traduzir Deuteronômio 18.13 por "Completo serás para com o Senhor teu Deus" e Mateus 5.48 por "Sedes completos como é completo o vosso Pai celeste.", quero expressar a compreensão de que não se trata de "perfeição cristã" ou de qualquer outra espécie de perfeição. Mas expressa a integralidade do ser humano diante de Deus e de seus semelhantes.
Portanto, o que os textos bíblicos enfatizam é um estado permanente de desenvolvimento e aprendizagem dos valores do Reino de Deus e da busca pela maturidade pessoal íntegra.

Reprodução Autorizada desde que mantida a integridade dos textos, mencionado o autor e o site http://www.institutojetro.com

quinta-feira, 24 de julho de 2014

Você é um líder?


Ou é um Líder de Crachá?

"Se o líder não for uma pessoa motivada, sua equipe estará morta"

Gilclér Regina

Uma das diferenças mais gritantes que existem nas empresas é o líder de fato e o líder de crachá. O primeiro é motivador de pessoas, inspirador... O segundo age na mesmice (como chefe), vira e mexe procura erros, toma decisões em detalhes equivocados, simplesmente para fazer valer sua “autoridade”, um autêntico inseguro.
Neste caso, para este tipo de “chefinho” o relatório é muito mais importante que o resultado.
Uma pergunta que sempre tenho que responder é a seguinte: De onde surge a motivação do ser humano? Desde que o mundo é mundo, a motivação existe e sempre estará relacionada à escolha de caminhos e atitudes na tomada de decisão.
O ser humano usou seu cérebro inicialmente para sua sobrevivência, sempre vivendo em grupos, vamos chamar aqui de família. Essa motivação persiste até os dias atuais. E hoje, o que mais importa para se obter toda essa vivência de resultados chama-se relacionamento.
A arte de liderar é igual a arte da política: Sempre em dois caminhos como tudo na vida. Ou você escolhe a arte de “fazer amigos” mesmo sabendo dizer “NÃO” quando é preciso, ou então será um míope corporativo, um fazedor de inimigos e um construtor de resultados medíocres.
O Rei Salomão disse: “O coração alegre é bom remédio, mas o espírito abatido faz secar os ossos”. Sempre teremos dois caminhos, vivemos mesmo num mundo de escolhas.

O líder deve saber trabalhar com duas situações:
• Primeiro que ele estará diante de pessoas e estas são na sua essência muito diferentes, com reações e perfis diferentes.
• Segundo, reconhecer o que a maioria das lideranças no mundo reconhece, isto é, entender que o grande desafio para se atingir metas e objetivos passa por uma equipe motivada.

O que fazer? Saber aceitar as diferenças individuais e ao mesmo tempo trabalhar o potencial de cada um. Não se pode construir uma empresa 100% em excelência e resultados com uma equipe 50% em comprometimento com metas, qualidade ou mesmo na aceitação de desafios. Afinal, não existe meia-meta!
Mas também não se constrói metas com líderes de crachás (figurinha carimbada de alguns chefes) que trabalham o terrorismo no dia-a-dia, e sua ênfase é “somente respeitar as normas” e cobrar relatórios. Neste caso, adeus resultados!

Pense nisso, um forte abraço e esteja com Deus!

domingo, 13 de julho de 2014

Escutatória

Em 1707, o almirante britânico Clowdisley Shovell voltava triunfante para casa após vencer uma importante batalha com os franceses no Mediterrâneo, quando seus navios tiveram que enfrentar um forte e denso nevoeiro por vários dias. Ao questionar os marujos sobre a localização correta dos navios, foi tranquilizado com a notícia de que estavam numa rota segura, porém, um deles expressou uma opinião completamente diferente que, de acordo com seus cálculos, eles estavam numa rota que poderia ser fatal, já que seguiam em direção a um arquipélago de 150 minúsculas ilhas a sudoeste da Inglaterra.
Inconformado com a ousadia do marujo, além de ignorar suas recomendações, o almirante ordenou seu enforcamento. Pouco tempo depois, quatro navios se espatifaram nas ilhas citadas pelo marujo, matando cerca de dois mil homens.

Por que será que encontramos tantos cursos de oratória, e nenhum de “escutatória”?
Eu acredito que seja pelo fato de que o ato de falar dá muito mais “status” do que escutar. Um bom orador consegue a atenção e admiração de muitas pessoas em poucos minutos, enquanto um bom “escutador” pode levar horas ouvindo uma única pessoa, sem muito glamour. Contudo, alguém já disse que ouvir é tão importante, que foi esta a razão de Deus nos haver criado com dois ouvidos e não duas bocas, por isso, em liderança, não há como obter os melhores resultados sem escutar verdadeiramente as pessoas a sua volta.
E a escuta verdadeira é a escutar empática, que vai muito além de ouvir com os ouvidos, porque o leva a colocar-se no lugar da outra pessoa, compreender sua realidade e tentar entender o que ela sente; algo imprescindível para uma o bom líder, já que uma das principais características da liderança é a empatia.
No início, pode parecer complicado, mas, como a maioria das competências de liderança, a escuta empática depende apenas do genuíno interesse do líder pelas pessoas, de um pouco de boa vontade e de certa dose de disciplina. Por isso, compartilho com vocês algumas iniciativas de meus clientes de coaching, que deram certo e os ajudaram a desenvolver a escuta empática:

Quando se reunir com alguém para conversar, procure fazê-lo em ambientes em que você não se distraia ou se disperse. Se você sabe que tem dificuldade para se concentrar em ambientes abertos, busque um lugar mais apropriado para a conversa. Seja qual for o local onde estiver conversando, desligue-se de tudo. Se estiver em sua sala, feche a porta, desligue a tela do computador ou desative o alarme de “novos e-mails”, se possível tire o telefone do gancho ou desvie as ligações, desligue o celular, vire-se em direção à pessoa, olhe para ela e escute-a com atenção. Pare o que estiver fazendo e escute. Se isso não for possível no momento, ou se você não tiver tempo suficiente para conversar sobre o assunto em questão, marque outro horário, mas faça do jeito certo.

Concentre-se no que a outra pessoa estiver dizendo.
A maior parte dos indivíduos fala numa velocidade entre 175 a 200 palavras por minuto. Entretanto, pesquisas mostram que somos capazes de processar palavras numa velocidade de 600 a 1.000 palavras por minuto. Como o papel do líder é muito dinâmico e complexo e, considerando que o cérebro não utiliza toda a sua capacidade ao ouvir, sua mente talvez devaneie pensando em perguntas e explicações que ainda estão por vir, em vez de ouvir a mensagem presente. Essa energia mental não utilizada pode ser uma barreira para ouvir efetivamente, fazendo com que o líder perca ou mal interprete o que os outros estão falando. É importante, portanto, que o líder se concentre naquilo que os outros estiverem dizendo, de forma que uma comunicação efetiva possa se estabelecer.

Evite conclusões prematuras.
Considerando que o ouvinte pode escutar em uma velocidade maior que aquela com que a maior parte dos locutores fala, existe uma tendência a concluir rápido demais. Essa tendência talvez seja o maior obstáculo para ouvir efetivamente. É especialmente importante evitar conclusões prematuras, quando se ouve uma pessoa com a qual você não concorda. Quando os ouvintes começam a discordar da mensagem enviada, eles tendem a interpretar mal o restante da informação e a distorcer o significado originalmente pretendido, de forma que se torne consistente com as suas próprias crenças.

Evite ficar na defensiva.
Escutar empaticamente não significa que você sempre vai concordar com o ponto de vista do outro, mas significa que você vai tentar ouvir o que a outra pessoa está dizendo, sem ficar exageradamente na defensiva. Se você gasta muito tempo explicando, elaborando e defendendo sua decisão ou posição, é um claro sinal de que você não está ouvindo. Depois de ouvir uma posição ou uma sugestão que você não concorda, simplesmente responda com algo do tipo: “Entendo o seu ponto. Apenas discordamos nessa questão.” Ouvintes efetivos podem ouvir calmamente outra pessoa, mesmo quando essa outra pessoa estiver discorrendo críticas injustas.

Ouça mais e fale menos.
Demonstre interesse pelo que a pessoa está dizendo e procure entendê-la. Muitas vezes, o simples fato de estar prestando a atenção nela o ajudará a perceber sinais e expressões que falam mais que as palavras, ainda que ela não revele o que a está incomodando diretamente. A forma como a pessoa se posiciona, o tom de sua voz e a inflexão que utiliza, bem como o que ela está fazendo com as suas mãos, tudo isso faz parte da mensagem que está sendo enviada. Uma pessoa que altera sua voz está, provavelmente, ou zangada ou frustrada. Uma pessoa, olhando para baixo enquanto fala, está, provavelmente, ou inibida ou envergonhada. Interrupções podem sugerir medo ou falta de confiança. Pessoas que fazem contato visual e se inclinam à frente estão, em princípio, exibindo confiança.

Parafraseie.
Parafrasear significa colocar em suas próprias palavras aquilo que você considera que ouviu e dizê-lo de volta a outra pessoa. Parafrasear é uma excelente técnica para melhorar suas habilidades de ouvir e resolver problemas. Primeiro, porque você tem de ouvir com muito cuidado; segundo, porque pode ajudar a manter um nível adequado de calma e serenidade na conversa, porque, mesmo que a outra pessoa esteja usando um tom um pouco mais agressivo, ao parafrasear, você pode conduzir a conversa para um tom mais tranquilo; e terceiro, porque uma resposta parafraseada ajuda a esclarecer ao locutor se sua mensagem foi corretamente recebida, e o encoraja a expandir aquilo que está tentando comunicar.

Faça Perguntas.
Bons ouvintes se asseguram de que escutaram corretamente a mensagem que está sendo enviada. Faça perguntas para esclarecer pontos ou para obter informação adicional. Questões abertas são as melhores. Isso vai assegurar a outra pessoa que você está interessado em obter mais e melhores dados. E, quanto mais informações você tiver, melhor será sua interação na comunicação.

Demonstre compreensão e respeito.
Faça desse momento uma oportunidade para reforçar sua aliança com a pessoa, e para evidenciar que você é um líder que valoriza e prioriza o ser humano.
Momentos de silêncio também fazem parte da conversa. Não tenha pressa em falar, responder ou expressar sua opinião. Se não souber o que dizer, simplesmente não diga, ou apenas diga: “não sei o que dizer”.
Faça desse momento uma oportunidade de aprendizado. Escute as pessoas e se interesse por suas sugestões.

Lembre-se: o corpo fala e as mensagens não verbais são mais poderosas do que as verbais, portanto, evite bocejar, olhar para os lados, menear a cabeça negativamente, ficar olhando no relógio ou se voltar para qualquer outra manifestação que possa denotar pouco interesse pelo que está sendo dito.
Quando escutamos verdadeiramente as pessoas, demonstramos interesse genuíno por elas, derrubamos as barreiras da comunicação e desobstruímos os caminhos da sinergia e da criatividade, já que elas se sentem respeitadas pelo fato de suas sugestões estarem sendo consideradas pelo líder e pela organização e, naturalmente, estarão motivadas a trabalhar por algo que também é fruto da opinião delas. O Líder só consegue dar daquilo que tem, e apenas colherá aquilo que plantou. Portanto, se quer ser ouvido pelas pessoas, tente primeiro ouvi-las.
Líderes que sabem escutar as pessoas, conseguem entendê-las antes de liderá-las, aprendem com elas, evitam que problemas simples ou mesmo complexos se avolumem, estabelecem uma relação de confiança com seus liderados, fortalecem a organização por meio do respeito e da participação e, naturalmente, se tornam mais eficazes em sua liderança.

Blog da Liderança

quarta-feira, 2 de julho de 2014

Líderes Servos


Jorge Noda

“Sabeis que os governantes dos povos os dominam e que os maiorais exercem autoridade sobre eles. Não é assim entre vós; pelo contrário, quem quiser tornar-se grande entre vós, será esse o que vos sirva; e quem quiser ser o primeiro entre vós, será vosso servo; tal como o Filho do Homem que não veio para ser servido,mas para servir e dar a sua vida em resgate por muitos” (Mt 20: 2:28).
Nesta passagem, Jesus faz um contraste revolucionário sobre o conceito de liderança. Enquanto os líderes seculares governam pelo domínio e são servidos pelos seus liderados, no reino de Deus a liderança é exercida pelo serviço.
Em Jesus temos o modelo da verdadeira liderança espiritual. Ele, mais do que nenhum outro, tinha condições de exercer a sua liderança pela dominação e controle de outras pessoas. Ele era o próprio Messsias, descendente de Davi segundo a promessa e Filho Unigênito de Deus. Sua autoridade para operar milagres e sua absoluta autoridade sobre os anjos daria a ele todas as condições para ser um líder segundo os padrões da sua época.
Surpreendentemente,entretanto, Ele quebrou esse paradigma vivendo uma vida de humilde serviço aos outros. O ápice de sua vida de servo foi a sua própria vida entregue voluntariamente na cruz em nosso lugar.
Jesus deixou para nós esse padrão de liderança. Reconhecendo que a liderança segundo o mundo é caracterizada pelo domínio e autoritarismo, ele, contudo, afirmou categoricamente: “Não é assim entre vós”. Todos nós que pertencemos à igreja fundada pelo Senhor Jesus fomos chamados a desenvolver uma liderança caracterizada pelo serviço.
O líder, mais do que ninguém, é um servo. Todos os dons e talentos do líder cristão são dedicados à nobre vocação de equipar os santos para o desempenho do seu serviço e, assim, fazer conhecida a glória de Deus.

quarta-feira, 25 de junho de 2014

Escola nos EUA inclui aula de caráter no currículo

A rede de escolas KIPP (Knowlegde is Power Program - Programa Conhecimento é Poder, em tradução livre), fundada em 1994 nos Estados Unidos, tem como meta levar seus alunos – 86% são de famílias pobres – até a universidade. Para garantir que todos tenham confiança de que são capazes de aprender, não aposta apenas no rigor acadêmico, mas promove diferentes atividades para despertar entusiasmo, perseverança, autocontrole, gratidão, otimismo, inteligência social e curiosidade em seus alunos.
Dentro desse contexto, uma de suas 141 escolas, a KIPP Infinity Middle School, no Harlem, em Nova York, decidiu radicalizar o ensino de competências socioemocionais e criou, há dois anos, uma aula diferente: de caráter.
"Nós sentimos que, se não ensinarmos caráter explicitamente, não podemos esperar que eles [os alunos] adquiram isso", afirmou a diretora da escola e professora dessas classes, Leyla Bravo-Willey.
O projeto desenvolvido pela professora em parceria com um centro de estudos socioemocional da Universidade da Pensilvânia ainda está em fase piloto e estabelece um currículo abrangente. Para desenvolver o caráter dos alunos, a escola aposta no ensino de habilidades não cognitivas – como comunicação, resiliência e determinação – em todas aulas, oficinas para pais e momentos de trocas entre os estudantes chamados de Kipp Circles.
As classes de caráter acontecem duas vezes por semana para as 5ª e 6ª séries e nelas Leyla dá aulas expositivas para mostrar aos alunos como eles são capazes de aprender, como podem enfrentar seus pontos fracos, como devem estabelecer relações saudáveis com outras pessoas e como podem usar a mente para conseguir o que querem. Não se trata de uma simples lição de autoajuda, garante a professora, mas momentos para se fazer conexões com a ciência e explicar como o cérebro funciona, desenvolver técnicas de meditação, concentração e até praticar yoga. "Primeiro, eu explico os conceitos e depois faço com que eles pratiquem", conta a diretora da Infinity Middle School.
Em uma aula sobre como enfrentar pontos fracos, por exemplo, a professora perguntou como os alunos se sentiam quando eram os últimos a serem escolhidos para formar um time de basquete. Alguns responderam algo como "Que saco, eu de novo no fim", mas alguém disse "Não tô nem aí, sou bom mesmo no futebol". Segundo Tonia Casarin, mestranda brasileira em educação na Universidade de Columbia que acompanha o projeto piloto na escola de Nova York, as diferentes reações fazem os alunos se darem conta de como podem pensar diferente. "As conversas ajudam a desenvolver a autoestima das crianças, elas aprendem a mudar a própria perspectiva", diz.
Esse tipo de reflexão não acontece apenas nas classes específicas de caráter, mas durante todas as atividades da escola. Os professores da Infinity Middle School são preparados a relacionar questões socioemocionais com conteúdos cognitivos. Assim, numa aula de inglês, os alunos analisam as características dos personagens dos textos que leem, e nas de história, discutem motivações por trás de fatos importantes.
Além disso, antes mesmo da criação das aulas de caráter, já ocorriam os Kipp Circles, períodos de 20 a 30 minutos em que as turmas são divididas em grupos e os alunos devem trocar ideias e ajudar uns aos outros a melhorar suas atitudes e resultados acadêmicos. "Nos círculos os alunos discutem o que entenderam das minhas aulas e se estão aplicando o que aprenderam", explica Leyla.

Uol

quinta-feira, 8 de maio de 2014

Líder, aprenda consigo mesmo

Ednilson Correia de Abreu

Não vai aqui nenhum surto de egocentrismo ou algo semelhante, mas uma palavra de despertamento para que possamos a todo instante buscar aprender com todas as nossas experiências vividas ao longo da jornada da vida.
Aquele que não aprende consigo, ou seja, que não procura crescer conscientemente através das suas próprias experiências está fadado a muito sofrimento, pois poderá sempre repetir os mesmos erros e ter uma vida frustrada, pois uma das funções das experiências pessoais é exatamente cooperar no nosso crescimento como seres humanos.
Na vida de um líder o auto-aprendizado se torna ainda mais poderoso, pois no somatório de nossa vivência poderemos ir acumulando insights que nos possibilitarão um desenvolvimento pessoal que jamais se conseguiria de outra forma.
O líder mais preparado não é aquele cheio de teorias nunca provadas e muito menos vividas, mas aquele que tem conseguido se manter atento às suas experiências e as tem usado para o seu próprio bem e de todos aqueles ao seu redor.
A teoria tem o seu lugar no preparo do líder exatamente porque ela é o fruto do estudo e das experiências de outros líderes que já vieram antes de nós, mas é vital que cada um tenha sua própria experiência. Ao usar o conhecimento acumulado e exposto por outros estamos sendo prudentes e sábios, mas não podemos parar ai, liderar é também arriscar e viver novas experiências e nunca deixar de aprender com elas.
Foi por isso que Jesus com a sua equipe não instituiu apenas uma sala de aula ou apenas uma biblioteca, mas desenvolveu um projeto de experiências diárias, que chamamos de discipulado. Ele os chamou a crescerem como pessoas através de sucessivas experiências que eram interpretadas e corrigidas e se tornavam o palco para a explanação dos seus ensinamentos.
Como líderes temos de ser os primeiros a buscar o auto-aprendizado, temos de continuar crescendo, pois isso agrada a Deus, vemos isso na vida dos discípulos como Pedro, por exemplo, veja como foi o seu inicio e veja no que ele se tornou, veja um Paulo, como era sua vida e veja no que ele veio a ser e assim mesmo ele dizia que continuava crescendo, continuava no caminho, continuava avançando no projeto de Deus para a sua vida através das experiências boas e ruins que ele tinha.
O caminho é este, continuar crescendo, aprendendo, mantendo-se atento às próprias experiências, interpretando-as à luz do seu relacionamento com Deus e do ensino da Palavra, e crescendo sempre nisso.
Não adianta simplesmente querer viver para imitar os grandes líderes, cada pessoa é única e Deus tem um plano especial para você. Use as experiências de outros, aprenda com os ensinos de outros, mas jamais ignore a si mesmo, pois você tem muito a ensinar a você mesmo.

Reprodução Autorizada desde que mantida a integridade dos textos, mencionado o autor e o site www.institutojetro.com e comunicada sua utilização através do e-mail artigos@institutojetro.com

quinta-feira, 13 de março de 2014

Conselhos Práticos e as Diferenças no Discipulado de Homens e Mulheres


Deepak Reju
Débora me chamou na sexta-feira porque estava passando por um momento difícil em seu casamento. Como muitos pastores, eu regularmente apago incêndios como esse. Eu conversei e orei com ela, e depois liguei para o seu marido para conversar sobre a situação.
Há mil questões nas quais tenho que meditar quando pastoreio João e Débora (que não são seus nomes verdadeiros). Eu invisto mais tempo em João e indico a Débora uma mulher piedosa? Eu encontro ambos para aconselhamento conjugal? Devo encontrar com Débora e, se sim, qual é a minha responsabilidade pastoral para com ela?
Mas não são apenas questões práticas com as quais preciso lutar em uma situação como essa. Em um nível mais básico, como o ensino bíblico sobre homens e mulheres fundamenta meu trabalho pastoral?
“Complementarismo” é um termo para o ensino bíblico que chama homens a uma liderança sacrificial tanto em casa quanto na igreja, e chama mulheres a alegremente se submeterem à mesma liderança. Este curto artigo discorre sobre como o complementarismo afeta os detalhes práticos do aconselhamento e do discipulado. Duas questões definirão a nossa discussão: 1) Em que um pastor precisa pensar ao discipular e aconselhar um homem? 2) Em que um pastor precisa pensar ao discipular ou aconselhar uma mulher?
Pensamentos sobre o pastor discipulando homens
O que um pastor precisa ter em mente quando discípula e aconselha homens?
Uma visão bíblica para o discipulado masculino
Comecemos com uma visão bíblica para discipular homens: devemos encorajar a semelhança com Cristo através de discipulado pessoal. Homens cristãos mais velhos devem deliberadamente investir em homens cristãos mais jovens, encorajando seu crescimento espiritual (Tt 2.1).
Nossa visão bíblica pode ser expandida em duas maneiras específicas: 1) devemos encorajar homens a amar a Palavra de Deus (Sl 1.2; Js 1.8) e a amar o povo de Deus (Ef 4.11-16); 2) devemos encorajar os homens a uma liderança forte, sacrificial e servil no lar e na igreja. Homens são chamados a olhar para Cristo, imitando o seu serviço sacrificial que concede vida (Ef 5.21-33).
Estratégia prática para o discipulado masculino
Movendo da visão para a estratégia, vale a pena notar que pastores frequentemente negligenciam o desenvolver de fortes homens líderes na congregação, porque usam o seu tempo e energia defensivamente. A tirania da urgência governa as suas agendas. Eles permitem que seu tempo seja gasto de maneira reativa a várias crises, ou preparando lições, sermões e eventos para o domingo seguinte. Como resultado, muitos pastores não têm estratégia de longo prazo para cultivar liderança masculina na igreja e em casa. Como conseguimos tal estratégia?
Comece com pouco. Escolha poucos homens que têm o potencial para ser bons líderes e organize almoços regulares com eles. Seja proativo em construir um relacionamento com esses homens. E, se você tem uma equipe de liderança, encoraje-os a fazer o mesmo.
Discipular homens é extremamente importante. Como pastor, você deve ser exemplo para outros nisso. Mas se você quer mais resultados, você pode considerar desenvolver um grupo de discipulado masculino que ajude os homens a pensar teologicamente a respeito de tudo na vida. Escolha bons recursos teológicos que ajudem os homens a aplicar teologia a questões como casamento, comunicação, finanças, sexo, paternidade, trabalho secular, etc. Você pode encontrar um bom exemplo desse tipo de desenvolvimento de liderança no livro do pastor Mike McKinley Plantar Igrejas é Para os Fracos (veja o capítulo sete).
Pensamentos sobre o pastor discipulando mulheres
Se pastores deveriam discipular homens para serem líderes no lar e na igreja, como isso difere de discipular mulheres?
Uma visão bíblica para o discipulado feminino
Comecemos novamente com uma visão bíblica. Assim como com os homens, os pastores deveriam buscar encorajar uma maior semelhança com Cristo em discipulado pessoal, só que nesse caso, as mulheres devem fazer a grande maioria desse discipulado. No curso normal dos relacionamentos na igreja, os homens devem discipular homens e mulheres devem discipular mulheres. Então encoraje cristãs mais velhas a investir nas cristãs mais novas, ajudando-as a crescer espiritualmente, o que é precisamente o que Paulo manda Tito a fazer, ou seja, instruir as mulheres em sua igreja (Tt 2.3-5).
Como, então, um pastor (que é homem) deveria pensar sobre conhecer, cuidar e pastorear as mulheres em sua congregação?
Se pensamos em discipulado como orientação de longo prazo deliberada, não parece sábio que um pastor discipule uma mulher (por exemplo, encontrando-se com ela semanalmente ao longo de um ano). Nós devemos reservar esse tipo de orientação espiritual intensa para relacionamentos de gêneros específicos. Nos resta, então,o aconselhamento, que é uma atividade  de curto prazo.
Embora alguns argumentem que pastores nunca deveriam aconselhar uma mulher, isso não parece estar em concordância com o que a Escritura diz sobre o pastor conhecendotodas as suas ovelhas (At 20.28; Jo 10.12, 16), e o exemplo específico que Jesus define para nós. Em João 4, Cristo tem uma conversa muito pessoal com uma mulher samaritana, entre os dois somente. Pastores precisam sim pastorear pessoalmente as mulheres em suas congregações.
Quais são algumas das coisas específicas que os pastores deveriam encorajar as mulheres a fazer? Pastores devem encorajar o amor delas pela Palavra e pela igreja, o respeito pela autoridade, o desejo de tornar o lar primário (mesmo que elas trabalhem fora de casa) e o crescimento em evangelismo pessoal. Para mulheres casadas, os pastores devem encorajar a suscetibilidade à liderança do marido. Para mulheres solteiras, os pastores devem encorajá-las a seguir a autoridade piedosa na igreja, especialmente quando seu pai não está envolvido espiritualmente em sua vida.
Ainda assim, os pastores devem primariamente buscar pastorear mulheres nesses caminhos através da capacitação de mulheres na congregação para discipular outras mulheres. Como pastores podem facilitar e construir essa cultura de mulheres discipulando mulheres?
Estratégia prática no discipulado feminino
Para construir uma cultura na igreja que encoraja o discipulado entre mulheres, os pastores devem ensinar sobre a importância do discipulado sempre que isso naturalmente surgir na Escritura durante uma série de sermões nos domingos. O objetivo nisso é encorajar as mulheres mais velhas da igreja a discipular as mais jovens.
Podemos também ensinar sobre discipulado em outros locais. Por exemplo, na minha igreja nós regularmente oferecemos um seminário no sábado sobre discipulado para ajudar novos membros a pensar em como serem discipulados e em como discipular outros. Também oferecemos uma classe de EBD de três meses de duração sobre discipulado todos os anos. Na última vez que ensinamos na classe, eu abordei várias mulheres mais velhas na igreja e as encorajei a participar. Ensino e modelo ajudam a construir uma cultura na igreja que leva a sério o discipulado.
Essas são algumas maneiras de construir uma cultura de discipulado, mas como o pastor pastoreia pessoalmente os membros do sexo feminino? Obviamente, haverá diversas oportunidades para fazer reuniões de aconselhamento em grupo, onde o pastor fornece conselhos gerais e aconselhamento bíblico para os problemas diários da vida.
Se o problema requer mais do que uma reunião, o pastor tem que julgar quando o aconselhamento de curto prazo precisa passar a ser um discipulado de longo prazo. Mas antes que as coisas sequer alcancem esse ponto, muitos pastores precisam parar de se reunir por causa das pressões de suas agendas cheias. Ao invés de eles mesmos se reunirem com as mulheres, eles sabiamente conectam o membro do sexo feminino com outra pessoa na igreja (como um membro feminino da diretoria, a esposa do pastor ou uma mulher mais velha na congregação) ou alguém de fora que possa ajudar (como uma conselheira local ou uma organização paraeclesiástica que seja especializada em questões como violência doméstica).
Para aconselhar mulheres sabiamente, os pastores precisam criar alguns limites:
  1. Limite o número de reuniões que você tem com qualquer mulher. Você deve ser cuidadoso para não alimentar uma dependência emocional do pastor. Especialmente, no caso de mulheres em maus casamentos, você não deve ser um substituto emocional ou espiritual de seus maridos.
  2. Seja muito, muito cauteloso com mulheres emocionalmente dependentes. Mulheres muito necessitadas anseiam por encontrar um homem que deem atenção a elas, e pastores frequentemente possuem um ouvido compreensivo e são bons ouvintes. Embora você deva sim oferecer aconselhamento gentil e piedoso, você não deve alimentar intimidade ou dependência emocional errôneas.
  3. Sempre que possível — dependendo da situação de sua família — inclua a sua esposa.
  4. Certifique-se de fazer o aconselhamento em um gabinete onde você seja sempre muito visível. Coloque a sua cadeira na linha de visão daqueles fora do gabinete. Se a porta do seu gabinete não tiver vidro, substitua por uma que tenha.
  5. Faça aconselhamento com mulheres apenas durante horário comercial, para que a secretária da igreja ou outros funcionários estejam presentes no prédio da igreja. Nunca fique sozinho com uma mulher na igreja para que você seja sempre irrepreensível (1Tm 3.2).
  6. Se possível, posicione a mesa da secretária próximo à porta do seu gabinete.
  7. Alguns pastores preferem manter a porta escorada levemente aberta (ou totalmente aberta), certificando-se de que, caso a secretária ouça a conversa, mantenha o sigilo.
  8. Não faça aconselhamento em uma parte isolada da igreja, mas em algum lugar onde haja bastante movimento, com pessoas passando constantemente.
  9. Certifique-se de que pelo menos um membro da diretoria conheça (ou pelo menos tenha acesso à) sua agenda. Se ninguém mais sabe o que você está fazendo, há mais potencial para você esconder coisas.
  10. Certifique-se de que você tenha uma prestação de contas regular com outro pastor ou líder em sua igreja, o que inclui conversar sobre as suas mais difíceis situações de aconselhamento.
O privilégio de pastorear o rebanho de Jesus
Que privilégio imenso é ser um pastor auxiliar de Jesus. Quer sejam homens ou mulheres, esperamos cuidar bem das ovelhas confiadas ao nosso cuidado. Pastores, aprendam com o exemplo de Cristo: “Eu sou o bom pastor. O bom pastor dá a vida pelas ovelhas” (Jo 10.11).
Tradução: Alan Cristie
Original em: Fiel
Deepak Reju
AutorDeepak Reju
Deepak Reju é pastor auxiliar na Capitol Hill Baptist Church em Washington, DC. Reju serve na área de aconselhamento e famílias.

quinta-feira, 6 de março de 2014

Precisa-se de Líderes que liderem

Ednilson Correia de Abreu

Parece uma contradição o tema deste artigo, mas não é, pois existe um tipo de líder que tem o cargo ou a função de líder, mas na verdade, nos momentos em que ele precisa provar a sua liderança fazendo aquilo a que ele é chamado a fazer, ele simplesmente se esconde, desaparece, intimidade-se e se torna omisso e inoperante.
Temos assistido esta cena em nosso país. O caos aéreo serve como um exemplo clássico dessa realidade. Temos uma série de instituições, a começar do próprio presidente, ligadas ao setor. Cada instituição com os seus respectivos líderes, mas até agora nenhum destes se mostrou capaz de dar uma resposta adequada, assumindo sua liderança, trazendo àqueles que dependem de sua direção uma visão de solução para toda esta realidade terrível que vivemos nessa área.

Uma série de erros destes líderes têm se somado sistematicamente, levando até mesmo a perda de vidas.

Temos assistido apenas a desculpas esfarrapadas, desinformação, contradições, atitudes esdrúxulas e a falta de ações relevantes e concretas que tragam alguma esperança ou mesmo solução para o problema, pois se o sistema de navegação e transporte aéreo funciona em outros países, com um tráfego maior do que o nosso, por que não tem funcionando no Brasil?
Faltam líderes, pessoas certas para os lugares certos, fazendo as coisas certas. Sabemos que os verdadeiros líderes se revelam nos momentos de crise, nos momentos decisivos da vida. O contrário também é verdade, se alguém está exercendo a função de liderança em algum setor, mas não é líder de verdade, será reprovado na hora da crise, pois lhe faltarão os recursos para demonstrar sua capacidade de liderar o povo através dos tempos difíceis. Uma liderança não pode ser mantida baseada apenas em títulos acadêmicos, conchavos políticos ou pela verbosidade daquele que se diz líder, mas sim por atitudes reais que sejam capazes de conduzir aqueles que estão na dependência da liderança por um caminho que vislumbre uma luz ao final de tudo.
Ainda usando o caos aéreo como exemplo, de todas as instituições envolvidas diretamente com o problema nenhum líder foi capaz de se levantar e assumir suas responsabilidades, ficando um esperando ou empurrando o peso para o outro, a ponto de um assessor direto do presidente dentro do palácio presidencial se regozijar obscenamente com o fato de saber que aparentemente a tragédia de Congonhas poderia ter tido um razão mecânica e não estrutural, ligada diretamente ao governo. Esquecendo-se ele de que ainda que isso fosse verdade, não isenta o governo de suas responsabilidades sob uma situação que é muita mais ampla e caótica do que uma peça defeituosa em um avião, e que entre outras razões se deve a falta de liderança adequada do governo e suas instituições do setor aeroportuário.
Em síntese, tem faltado um líder de verdade, alguém que se levante diante da nação e assuma o peso dos erros, encare as responsabilidades e que busque e apresente soluções reais, independentemente de seu custo político ou financeiro, pois o que tem estado em jogo são vidas humanas e estas não têm preço. Em tudo isso fica também para todos nós, entre tantas lições, o exemplo de como não ser líder. Líder é aquele que lidera e que lidera principalmente nas horas críticas, nas horas de pânico, de terror, de caos. Líder é aquele que é capaz de se levantar no meio da fumaça e dizer vamos por ali, e segue na frente de todos.
Em qualquer estância ou nível de liderança a essência da liderança é a mesma. Portanto, em qualquer lugar as pessoas estão sempre esperando que alguém possa assumir liderança sobre elas. O mundo é assim e a história nos ensina isso.
Um bom exemplo bíblico dessa verdade encontra-se na história de Davi. Um dia ele juntou um grupo de homens, até então marginalizados, e assumiu a liderança sobre eles. A Bíblia diz: “Davi fugiu da cidade de Gate e foi para a caverna de Adulão. Quando seus irmãos e a família de seu pai souberam disso, foram até lá para encontrá-lo. Também juntaram-se a ele todos os que estavam em dificuldades, os endividados e os descontentes, e ele se tornou o líder deles. Havia cerca de quatrocentos homens com ele (2 Samuel 22.1-2)”.
Em 1 Samuel 30 encontramos um relato maravilhoso de como Davi foi capaz de, ao mesmo tempo em que sofria a dor e a pressão das circunstâncias, liderar os homens e ver a situação mudar. Seu segredo está na afirmação do final do verso 6: “Davi, porém, fortaleceu-se no SENHOR, o seu Deus.”
Davi enfrentou batalhas, incompreensões, inadequações e fraquezas pessoais, assumiu a sua parte. Mas Davi dependeu de Deus, andou na presença do Senhor. Deus o capacitou e ele transformou um grupo problemático e estigmatizado em conquistadores. Tornou-se rei e edificou um reino forte e estável em um tempo caracterizado pela instabilidade. Ele pagou um alto preço, mas assumiu sua missão de liderar em momentos decisivos.

Mais do que nunca, em todas as esferas da vida, precisamos de líderes que liderem.

Você tem sido um líder que lidera?

Reprodução Autorizada desde que mantida a integridade dos textos, mencionado o autor e o site www.institutojetro.comhttp://ads.tt/U978

Caráter e Liderança

Oswaldo Luiz Gomes Jacob

Os substantivos caráter e liderança têm tudo a ver.
Caráter significa "um conjunto de características e traços relativos à maneira de agir e de reagir de um indivíduo ou de um grupo. É um feitio moral. É a firmeza e coerência de atitudes". A verdadeira liderança é exercida com o caráter. Sem caráter, é ditadura. Sem caráter é impostura. O caráter define o líder. Jesus exerceu a Sua liderança com autoridade, baseada no Seu caráter, na Sua integridade. Havia coerência entre o que Ele falava e praticava (Mt 7.29). Os escribas e fariseus eram líderes sem caráter. Na vida deles palavras e ações eram desconexas. Jesus os diagnosticou como "sepulcros caiados", ou seja, bonitos por fora, mas podres por dentro.
Exercer a liderança cristã é fazê-lo com a coerência de Cristo Jesus. Ter dignidade. Agir com honestidade, lisura. É dizer sempre a verdade em amor como o Senhor Jesus Cristo fazia excelentemente bem. É ter as características das bem-aventuranças (Mt 5.1-12). O caráter e a coerência de José
Quando olhamos atentamente para a liderança de José do Egito podemos observar o seu caráter íntegro a toda a prova. Um jovem que sofreu nas mãos de Potifar e sua mulher, mas aprendeu com o Senhor grandes lições. Ele percebeu, por um discernimento dado pelo Senhor, que tudo o que ele passou foi de grande valia para o seu povo e para si, deixando também um legado para as outras gerações. Quando ele se revela aos irmãos que o haviam vendido para os mercadores ismaelitas (Gn 37.27,28), disse: "Agora, não vos entristeçais nem guardeis remorso por me terdes vendido para cá; pois foi para preservar vidas que Deus me enviou adiante de vós. Porque já houve dois anos de fome na terra, e ainda restam cinco anos sem lavoura e sem colheita. Deus enviou-me diante de vós, para vos conservar descendência na terra e para vos preservar a vida com um grande livramento" (Gn 45.5-7).
Ele já era o Governador Geral do Egito, abaixo de Faraó. Este testemunho de José me fascina. Um líder autêntico, sem remorso, ressentimento, amargura, mas resolvido, consciente dos propósitos sábios de Javé. José era um líder absorvido pela santidade e fidelidade de Deus. José é um exemplo de coerência ou caráter na liderança. O líder coerente é aquele que tem caráter. Tem palavra. Age como Jesus ensinou: "sim, sim; não, não" (Mt 5.37).

Não podemos divorciar liderança do caráter.
Se queremos ser usados como líderes cristãos e deixarmos um legado que faça toda a diferença, precisamos imitar José. Ser líder é pagar o preço de uma vida de integridade a toda a prova. O líder cristão ora, planeja com os seus liderados, delega responsabilidades, acompanha ou avalia a execução e aprende as lições de todo o processo. Ele vislumbra os resultados coerentes com o caráter de Deus na sua liderança e, como servo, aprende no contexto do Seu Reino. Uma liderança que cresce no solo da transparência tem conteúdo denso para repartir.
Então, não podemos divorciar liderança do caráter. É como uma moeda com dois lados ou como dois papéis colados um no outro. A liderança cristã é eminentemente estigmatizada pelo caráter íntegro, formado na cumplicidade com o Senhor Jesus Cristo, que é maior do que José.
O verdadeiro líder cristão é alguém firme em suas convicções, solidário, empático, servo, encorajador, transparente, resiliente e aglutinador em amor. Ele alinha a equipe em torno de um projeto nobre, catalisador e que beneficiará muitas pessoas. O líder comprometido com Cristo tem prazer em servir às pessoas com profundo amor, se interessando por elas, sua história, e as valorizando, as encorajando e orientando dentro de propósitos que exaltarão a Deus. Vale muito a pena ser um líder de caráter para a Glória de Deus!

Reprodução Autorizada desde que mantida a integridade dos textos, mencionado o autor e o site http://www.institutojetro.com/http://ads.tt/U96L