terça-feira, 20 de setembro de 2011

NAAMÃ: O LÍDER QUE SABIA OUVIR

Sempre que o nome de Naamã é citado, a associação que se faz é com a maneira sobrenatural com que foi curado de sua lepra. Acontece, é que o comandante do exército do rei da Síria tem muito o que ensinar aos líderes de hoje.
As qualidades da liderança de Naamã são logo percebidas pelo conceito que gozava da parte de seu rei:

"Naamã, comandante do exército do rei da Síria, era grande homem diante do seu senhor e de muito conceito, porque por ele o SENHOR dera vitória à Síria; era ele herói da guerra, porém leproso." (2 Rs 5.1)

Um grande homem, de muito conceito e herói de guerra. Um guerreiro valente, íntegro, hábil, inteligente, e estrategista, são qualificações que sem dúvida alguma cooperaram para o alto conceito e respeito que Naamã conquistou. Contudo, dentre tantas qualidades que este líder tinha, a que vamos explorar aqui é a sua capacidade de ouvir. Observemos de que forma essa virtude se manifestou na vida de Naamã.

NAAMÃ SABIA OUVIR A SUA ESPOSA
"Saíram tropas da Síria, e da terra de Israel levaram cativa uma menina, que ficou ao serviço da mulher de Naamã. Disse ela à sua senhora: Tomara o meu senhor estivesse diante do profeta que está em Samaria; ele o restauraria da sua lepra." (2 Rs 5.2-3)

A esposa de Naamã ouviu da menina que lhe servia sobre a possibilidade de cura para o seu esposo. Amando o seu marido, e desejosa de vê-lo curado de sua lepra, embora não explícito no texto, entende-se pela sequência dos fatos que esta dedicada esposa comunicou ao seu marido o que ouviu da garota. Antes de avançarmos na história, cabe aqui algumas observações e lições a serem aprendidas:

- Líderes precisam dedicar tempo para ouvir a opinião da esposa em assuntos relacionados à sua liderança. Muitos líderes na atualidade não param mais para ouvir a esposa. As mulheres possuem uma série de qualidades, e um jeito diferente e detalhado de perceber a realidade, que em muito pode ajudar o seu marido. A esposa pode cooperar com a sua opinião em questões relacionadas à liderança do marido na igreja. Não há nada de errado, diante das mais diversas situações que implicam numa decisão do líder, deste buscar o conselho, a opinião e orientação da sua esposa. Tal opinião deve ser analisada, ponderada, objeto de oração, e sendo entendida como a melhor solução ou sugestão, deve ser aplicada. É preciso alertar, que em algumas situações, a busca pela orientação e conselho da esposa acaba indo para um outro extremo. Há lideres que se tornaram plenamente dependentes da opinião da esposa, ao ponto de deixarem de ter opinião própria. Deixaram de liderar ou pastorear, para serem liderados ou pastoreados pela esposa. Geralmente quando isso acontece, a igreja ou os liderados logo percebem. As consequências para a reputação e autoridade deste líder são trágicas. Um pastor amigo meu contou-me, que certo obreiro foi chamado ao gabinete do pastor presidente para prestar contas de como estava o trabalho em seu setor ou área eclesiástica. Como o referido obreiro se enquadrava no rol daqueles que terceirizaram para a esposa as decisões em torno do trabalho, além do próprio trabalho, levou-a consigo para conversar com o seu pastor presidente. No gabinete, quando o pastor presidente dirigiu a palavra ao pastor setorial perguntando sobre o trabalho, de imediato o pastor setorial pediu que a esposa relatasse os fatos. O pastor presidente logo retrucou: - Quem é o pastor lá? Você ou a sua esposa? Envergonhado e tentando sem sucesso justificar a sua postura, o pastor setorial teve que ser corrigido e orientado na maneira de se conduzir como líder diante da igreja.

- Líderes precisam dedicar tempo para ouvir a opinião da esposa em assuntos relacionados à vida no lar. Mesmo na condição de mantenedor do lar, um líder sensato sempre buscará ouvir a sua esposa nas questões domésticas. Na hora fazer um grande investimento, de comprar ou trocar um terreno, uma casa, um apartamento ou um carro, o líder deve buscar a opinião da sua mulher. Em se tratando da compra de móveis ou eletrodomésticos, ninguém está mais habilitado em saber das reais necessidade do lar do que a esposa, que é quem geralmente lida com o cotidiano das tarefas domésticas. Em boas parte dos casos de aquisições mal feitas, o desejo do marido é o de fazer uma surpresa. Acontece, que a surpresa pode acabar sendo desagradável aos olhos da esposa.

- Líderes precisam dedicar tempo para ouvir a opinião da esposa em assuntos relacionados à vida pessoal. Os líderes estão cada vez mais envolvidos com o trabalho, o que leva a falta de tempo para pensarem e cuidarem de si próprios. Uma esposa zelosa, ao observar que o marido está "esticando demais a corda", buscará a oportunidade para lhe aconselhar no sentido de que ele tenha cuidado com o excesso da carga de trabalho. Uma outra área pessoal onde os líderes pecam por não ouvir a esposa é a financeira. Há muitos maridos endividados, pendurados, "quebrados" e em grande dificuldade financeira por não ouvir a sua esposa. Há esposas que não sabem quanto o seu marido ganha, ou pior, quanto devem na "praça". Além disso, assim como a esposa de Naamã, uma esposa amorosa e cuidadosa se preocupará também com a saúde do marido. No caso de Naamã, temos alguém enfermo, que precisa de tratamento urgente. Percebendo a possibilidade da cura de seu esposo, e sabendo que tinha um marido que lhe dava ouvidos, ela não perdeu tempo. Na condição de bom ouvinte, Naamã buscou logo em providenciar os meios necessários para possibilitar o seu tratamento. Diferente de Naamã, há líderes na atualidade que além de não terem tempo para ouvir a esposa em assuntos relacionados a sua vida pessoal, quando a escuta, não age imediatamente, e fica protelando o tratamento urgente e necessário.

NAAMÃ SABIA OUVIR O SEU REI
"Então, foi Naamã e disse ao seu senhor: Assim e assim falou a jovem que é da terra de Israel. Respondeu o rei da Síria: Vai, anda, e enviarei uma carta ao rei de Israel. Ele partiu e levou consigo dez talentos de prata, seis mil siclos de ouro e dez vestes festivais." (2 Rs 5.4-5)

Naamã não abusava do grande conceito que tinha diante de seu rei. Aliás, um grande conceito para com quem está investido de autoridade sobre nós não se conquista apenas com uma notória habilidade ou qualificação na realização de coisas. Conquistar e preservar a confiança contribui para melhorar o nosso conceito diante daqueles a quem temos de prestar contas. Em vez de partir imediatamente para Israel em busca de sua cura, Naamã foi relatar o fato ao seu senhor. Foi ouvi-lo.
Tenho observado que há muitos líderes achando que não precisam mais prestar contas a ninguém. Cresceram demais. Conheço casos de pastores auxiliares e outros obreiros que se ausentam de suas cidades ou estados sem que o seu pastor presidente ou líder imediato tome conhecimento. Vão passear, atender agendas, fazer visitas, cuidar de um problema de saúde, e não se preocupam ou se interessam em comunicar tal fato. Nesse grupo se enquadram alguns pregadores (ou conferencistas), que no anseio de ganhar projeção local, regional, nacional ou internacional, não consideram as necessidades e responsabilidades do trabalho local, firmando agendas e compromissos sem a devida aprovação ou conhecimento do seu pastor. Se você sente uma chamada para um ministério itinerante, compartilhe isso com o seu pastor, e acima de tudo, ouça-o com atenção, atendendo o seu conselho.
Uma outra área onde os líderes devem buscar orientação é no cotidiano do trabalho. Desejosos em "mostrar serviço", alguns líderes tomam decisões em questões delicadas sem consultar os seus líderes imediatos. Quando compartilhamos as decisões com os mais experientes e experimentados, temos com isso a oportunidade de errarmos menos.
Naamã foi ouvir o seu líder. Soube honrar e foi honrado. Saiu com uma carta de recomendação nas mãos e partiu para o seu destino. A submissão nos torna recomendáveis.

NAAMÃ SABIA OUVIR OS SEUS OFICIAIS
"Naamã, porém, muito se indignou e se foi, dizendo: Pensava eu que ele sairia a ter comigo, pôr-se-ia de pé, invocaria o nome do SENHOR, seu Deus, moveria a mão sobre o lugar da lepra e restauraria o leproso. Não são, porventura, Abana e Farfar, rios de Damasco, melhores do que todas as águas de Israel? Não poderia eu lavar-me neles e ficar limpo? E voltou-se e se foi com indignação. Então, se chegaram a ele os seus oficiais e lhe disseram: Meu pai, se te houvesse dito o profeta alguma coisa difícil, acaso, não a farias? Quanto mais, já que apenas te disse: Lava-te e ficarás limpo. Então, desceu e mergulhou no Jordão sete vezes, consoante a palavra do homem de Deus; e a sua carne se tornou como a carne de uma criança, e ficou limpo." (2 Rs 5.11-14)

As coisas não saíram exatamente como planejadas por Naamã. Esperando talvez um tratamento mais "adequado", indignou-se ao ponto de querer abrir mão da cura de sua enfermidade. É nesse exato momento que os seus oficiais (ou assessores) interferem com um conselho.
Há pelo menos dois tipos de oficiais auxiliares ou assessores: Os cooperadores e os bajuladores. Os cooperadores são aqueles cuja atividades e conselhos agregam valor e ajudam o seu líder. Com muita sabedoria e respeito, sempre que observam o líder agindo de maneira equivocada procuram convencê-lo a mudar o curso da ação, mesmo correndo o risco de não serem bem compreendidos. Já os bajuladores, concordam com todas as palavras e ações de seus líderes. Nunca omitem opinião contrária com receio de perderem prestígio ou posição. Não agregam valor algum.
Aqui, Naamã nos deixa dois grandes exemplos. O primeiro, é que devemos nos cercar sempre de bons auxiliares e assessores. Há líderes que fazem questão de ter ao seu lado apenas bajuladores. Dessa forma, ninguém lhes contesta, nem se sentem ameaçados por ninguém. São líderes fracos e inseguros. A qualidade e o perfil de um líder pode ser percebida pela qualidade e perfil de seus auxiliares e assessores.
O segundo exemplo que Naamã nos deixa é com respeito a humildade em ouvir os seus oficiais auxiliares (ou assessores). Há líderes que não escutam os bons conselhos de seus auxiliares e assessores. Não basta se cercar de gente que pode agregar valor. É preciso saber ouvi-los. Há lideres que fingem ouvir. Convocam reuniões para ouvir os seus oficiais auxiliares, mas já tem posição firmada e irredutível sobre as questões que serão discutidas. Fazem de conta que são bons ouvintes, mas não são. Fingem estar abertos para opiniões, quando na verdade estão fechados em suas próprias obstinações. Demonstram um estilo de liderança participativa, mas na realidade são ditadores camuflados.
O habilidoso líder e bom ouvinte Naamã alcançou os seus objetivos. Foi curado (2 Rs 5.14). Quais são os teus atuais objetivos ou desafios? Quais são os planos para alcançá-los ou superá-los? Você já procurou ouvir as pessoas que lhe cercam sobre o assunto?
Saber ouvir é uma grande qualidade e necessidade na vida de um líder. Saber ouvir é condição indispensável para o sucesso na liderança.

terça-feira, 6 de setembro de 2011

Executar o planejado. Eis o desafio

Alexandre Freire


Normalmente, falamos em planejamento estratégico, administração estratégica, Balanced Score Card e tudo que possamos utilizar que nos ajude a criar a estratégia certa. A questão é: não basta ter a estratégia certa. A menos que as grandes idéias sejam traduzidas em passos concretos de ação, a estratégia será inútil.
Quando olhamos para o ano que passou, e identificamos os maus resultados, as pessoas tendem a culpar a estratégia.
Cuidado! O problema pode estar na execução. Para fazer acontecer, significa, antes de tudo, atentar para alguns pontos:
1. Buscar comprometimento interno;
2. Ter as pessoas certas nos lugares certos;
3. Recompensar quem faz;
4. Ter disciplina.

Primeiro ponto - Para fazer acontecer, o plano estratégico da empresa deve ser elaborado e pertencer àqueles que vão executá-lo, isto é, o pessoal de linha. Afinal, eles estão na ponta, conhecem o ambiente e as habilidades da empresa. Eles estão no centro das operações e do mercado.
Um bom processo de planejamento é uma das melhores formas de ensinar seu pessoal sobre executar e de comprometê-los com a execução.

Segundo ponto - Para fazer acontecer, precisa de pessoas certas nos lugares certos. O erro principal é cometido quando nos cercamos de pessoas chamadas "gente boa", aquelas que sempre concordam conosco, pensam exatamente como nós e seguem nosso modelo de agir corretamente.
As pessoas certas são aquelas que desafiam, de maneira positiva, os processos, o "modus operandis" e são melhores que nós mesmos em determinadas áreas. Os lugares certos, serão determinados pela sua capacidade de desvendar as competências e atitudes de cada pessoa em relação às necessidades de cada estratégia a ser executada.

Terceiro ponto - Recompensar quem faz. Parece óbvio, mas não é. Muitos de nós não distinguimos entre aqueles que atingem resultados dos que não atingem, ou seja, os que fazem acontecer e os que não fazem. Falta firmeza emocional de nossa parte para recompensar somente os primeiros.
Mantemos os que são apenas razoáveis, recompensando todos da mesma forma. Assim, não criamos uma cultura de execução.

Último ponto - Ter disciplina. Disciplina para levar adiante o que foi decidido no plano, ser realista com todos, mesmo que isto doa, terminar aquilo que se iniciou, e rediscutir aquilo que possa ter mudado por forças externas à empresa. Quantas empresas literalmente "engavetam" os planos estratégicos ao menor sinal de mudanças no ambiente externo ou interno da empresa. Falta rigor, coragem e convicção a elas!
Enfim, fazer acontecer, é parte da estratégia, não uma função isolada da gestão de empresas. Faça a seguinte pergunta a você mesmo? Na minha empresa, o problema está na estratégia ou na execução? Pense nisto...

http://www.institutojetro.com/

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