Ética e Liderança Cristã: Instituto Jetro
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sexta-feira, 3 de agosto de 2018

4 Dicas fundamentais do relacionamento humano


Ernesto Artur Berg (*)

Somos seres humanos e todos queremos alcançar êxito e felicidade. Mas, é preciso reconhecer: seu sucesso e prosperidade dependem em grande parte de outras pessoas. Certamente que nossas escolhas, postura e atitude perante a vida são elementos fundamentais ao nosso sucesso, e isso é indiscutível. Contudo, já pensou alguma vez no enorme papel que os outros desempenham no nosso êxito e na nossa felicidade?
Reflita sobre isso e ficará convencido de que grande parte do que você conseguiu, ou irá conseguir, depende essencialmente da forma como você mantém relações com as outras pessoas. Isso se aplica a todas as áreas da nossa vida, seja profissional, familiar, conjugal, financeira, comunitária, religiosa, ou entre amigos. Sua ascensão profissional, por exemplo, depende mais de sessenta por cento do bom relacionamento que você tem com seu chefe. Se você não concorda com isso, sugiro então bater de frente com ele, e descobrirá que a corda, provavelmente, arrebentará do lado mais fraco: o seu.

Quatro dicas fundamentais do relacionamento humano

1. Troque positivamente
Um dos pontos essenciais das relações humanas é que no convívio com pessoas, todos nós queremos alguma coisa uns dos outros. O chefe quer lealdade e produtividade dos subordinados e os subordinados querem reconhecimento e segurança na empresa; os pais querem que os filhos obedeçam e os filhos querem que os pais os amem e protejam; os casais querem afeto e amor mútuos; o vendedor quer que os clientes comprem e os clientes desejam satisfação com a compra, e assim por diante. É fácil percebermos que ter sucesso nas relações humanas significa dar à outra pessoa algo que ela deseja em troca do que nós desejamos. Não se trata de egoísmo, mas de uma visão lúcida e inteligente que expressa a essência da arte de saber conviver e aprender com as pessoas. Desse entendimento dependem o crescimento e a maturidade dos nossos relacionamentos e, em boa parte, a nossa felicidade.

2. Contribua pessoalmente
Outro ponto fundamental das relações humanas é que todos nós possuímos em abundância várias coisas que as outras pessoas precisam de nós, ou gostariam de ter. Se você proporcionar essas coisas a elas, elas prazerosamente lhe oferecerão as coisas que você precisa ou deseja. Cabe a você aperfeiçoar-se e aprimorar-se, pessoal e profissionalmente, para que tenha muito com que contribuir com as outras pessoas. Uma pessoa próspera tem maior possibilidade de beneficiar os outros do que um indivíduo fracassado. Uma pessoa feliz tem chances muito maiores de disseminar felicidade do que um indivíduo infeliz. Se você encontrar uma pessoa de sucesso - seja homem ou mulher - em qualquer profissão ou campo de atividade, irá descobrir que esse indivíduo aprendeu a dominar a arte de relacionar-se bem com as pessoas e que soube tornar-se útil aos outros, porque tornou-se um caminho onde encontram ajuda.

3. Ganhe o coração das pessoas
Estamos na era da tecnologia e da informação. Os meios de comunicação (televisão, telefone, rádio, jornal), a internet e as mídias sociais aproximam as pessoas cada vez mais e tornam o mundo pequeno, ao alcance de uma ligação no celular ou um clique no mouse. As atividades profissionais e econômicas estão se tornando muito complexas e especializadas e, por conta disso, as pessoas passam a ser cada vez mais importantes para nós, pois as possibilidades de comunicação aumentaram exponencialmente. E, queira ou não, você vai ter que conviver diariamente com pessoas, goste delas ou não, por que elas estão aqui para ficar e, se você quiser ter sucesso no mundo de hoje, terá sempre que levar em consideração as outras pessoas.
Logo, se você refletir um pouco verá que uma das grandes dificuldades que as pessoas têm consiste num problema de relações humanas, e elas parecem não perceber que muitos dos seus fracassos surgem por não saberem relacionar-se apropriadamente com outros. Se você quiser ser realmente bem sucedido com pessoas, você precisa aprender a ganhar o coração delas, mais do que suas mentes.
Usar argumentos lógicos e racionais pode ser muito convincente, e também vantajoso, sempre que quisermos provar nosso ponto de vista ou obter aprovação de alguma demanda que fazemos. Mas, se quisermos interagir e construir sólidas relações com as pessoas, não é o racionalismo nem a inteligência que farão isso acontecer. É porque as pessoas, bem mais do que racionais, são - na grande maioria das vezes -, seres emocionais, e reagem primeiramente a fatores emotivos. É nisso que reside a psicologia do relacionamento humano: utilizar os comportamentos e atitudes que facilitam conviver, conquistar e conservar a cooperação e confiança das pessoas, respeitando-as e valorizando-as para que aflore um sentimento de aceitação, amizade e compartilhamento de experiências positivas.

4. Elogie
É muito comum acontecer que as pessoas a quem menos demonstramos respeito são as que mais convivem conosco, tanto no âmbito profissional quanto familiar. A intimidade pode provocar indiferença e falta de atenção. Curioso é que, para que as pessoas se sintam respeitadas, pequenas coisas são necessárias. O elogio é uma dessas pequenas coisas. Quando foi a última vez que você fez um elogio sincero a alguém da família - esposa, marido, filho, mãe, pai etc.-, a alguém no trabalho - colega, subordinado, chefe (sem a conotação de bajulação) -, a alguém que lhe prestou um bom serviço? A pessoa que disser que fez isso na semana passada está mal na fita, porque conseguiu lembrar-se de algo que ocorreu dias atrás, quando deveria fazê-lo diariamente, por várias vezes. Sempre encontraremos algo que podemos elogiar em alguém, mesmo que não apreciemos a pessoa: pela rapidez com que nos atendeu, por um trabalho bem feito, por uma refeição bem preparada, pelo esforço que fez, pela paciência com que nos aturou, pelo vestido bonito, pela bela camisa, pela perseverança que demonstrou etc.

Só para lembrar:
A inabilidade de conviver com os outros é a primeira causa das crises e infelicidades, tanto pessoais, quanto no trabalho. Aprender a desenvolver - e manter - um relacionamento humano de qualidade pode fazer mais por sua vida profissional e pessoal do que, provavelmente, qualquer outro fator em sua vida.

Texto extraído e condensado do livro O Livro das Relações Humanas - Seu Manual para Obter Sucesso com as Pessoas, de Ernesto Berg, Juruá Editora. Para maiores detalhes, ou adquirir a obra acesse www.quebrandobarreiras.com.br.

(*) Ernesto Artur Berg é administrador e sociólogo, com pós-graduação pela FGV de Brasília. Comandou a área de Desenvolvimento Gerencial do Serpro em Brasília, e foi Consultor Senior da Alexander Proudfoot Company de São Paulo. Sócio-diretor da Berg & Cia., empresa especializada em desenvolvimento organizacional e de recursos humanos. Prestou consultoria e conduziu cursos e seminários para mais de 400 empresas, como: Petrobras, Coca-Cola, Embratel, Correios, Citibank, Cia. Vale do Rio Doce, Bosch, O Boticário, Siemens, Renault, Unimed, Banco do Brasil, Caixa Econômica. É autor de 10 livros, dentre os quais Negociações Inteligentes, Manual do Chefe em Apuros, Quem Roubou o Meu Tempo? e Explosão de Idéias. Conheça o site do autor

Reprodução Autorizada desde que mantida a integridade dos textos, mencionado o autor e o site www.institutojetro.com

Gestão de Projeto


José Renato Santiago (*)

O dia a dia de cada um de nós tem estado cada vez mais cheio e repleto de responsabilidades. São inúmeros os diferentes papéis que devemos assumir ao longo de nova vida pessoal e profissional.
Além disso, os assuntos relacionados com cada um destes papéis, muitas vezes não têm qualquer alinhamento ou relação entre si. Há, no entanto algo, um artifício que seja, que permite potencializar o sucesso no atendimento dos objetivos traçados junto as várias atividades e atribuições que possuímos.
É fato que toda atividade deve possuir um objetivo ou meta a ser alcançada, sem a qual não se consegue sequer ter o entendimento sobre o real motivo da execução de qualquer atividade. Sendo assim, há: Objetivo.
Também é verdade que toda e qualquer atividade a ser desenvolvida, possui começo, meio e fim, isto é, há um prazo pré-definido a ser atendido. Sendo assim, há: Prazo.
Por fim, existem insumos, isto é, elementos e componentes com os quais e com quem devemos interagir tendo em vista viabilizar o atendimento da meta traçada. Sendo assim, há: Stakeholders (termo em inglês sem qualquer outra melhor tradução em português).
Ora, não é impossível identificar que estes três elementos são os componentes básicos que compõem um Projeto: Prazo, Objetivo e Stakeholders.
É imediato considerar que a gestão de qualquer atividade segue de maneira direta, a forma como se gerencia um projeto. Eis o óbvio que se torna tão necessário para se alcançar o sucesso. Toda atividade pode, e deve, seguir os preceitos que fundamentam a gestão de um projeto.
Tanto no campo pessoal como profissional cabe considerar a possibilidade de seguir este alinhamento, ou talvez uma receita:

- Definir o objetivo e meta;
- Definir o prazo de execução;
- Definir os stakeholders e insumos necessários para atendimento do objetivo, dentro do prazo desejado;

Assim como em qualquer organização, que necessita potencializar o sucesso de suas ações, não é diferente o entendimento a ser adotado por todo profissional presente na mesma.
E certamente, esta disciplina e organização potencializará sucesso similar no plano pessoal.

Reprodução Autorizada desde que mantida a integridade dos textos, mencionado o autor e o site http://www.institutojetro.com/

(*) Doutor e Mestre em Engenharia de Produção pela Escola Politécnica da USP. Pós-graduado em Engenharia da Qualidade - Educação Continuada em Engenharia da USP, Pós-graduado em Marketing pela ESPM e Graduado em Engenharia Elétrica com ênfase em Computadores pela FEI. Consultor de Empresas com grande experiência no desenvolvimento de projetos voltados para Inovação, Gestão do Conhecimento, Gestão de Pessoas, Capital Intelectual, Gestão de Projetos e Sustentabilidade. Tem atuado, por mais de 20 anos, em empresas nacionais e multinacionais nos segmentos de Engenharia, Construção, Eletroeletrônico, Tecnologia, Tratamento de Água e Bens de Consumo. Articulista e autor de dezenas de livros, dentre os quais se destacam, "Buscando o Equilíbrio", "Gestão do Conhecimento - A Chave para o Sucesso Empresarial" e "Capital Intelectual - O Grande Desafio das Organizações". Administrador do site www.boletimdoconhecimento.com.br

quarta-feira, 11 de julho de 2018

A lógica do servir


Rodolfo Garcia Montosa (*)

"Quem é o maior: o que está à mesa, ou o que serve? Não é o que está à mesa? Mas eu estou entre vocês como quem serve".
Com estas palavras, durante a última ceia narrada por Lucas (22:27), Jesus provoca todo o modelo mental reinante. A lógica em curso é que serve quem está "por baixo", e é servido aquele "mais importante". Não é a toa que este mundo funciona tão mal, tem tanta injustiça e tantas pessoas infelizes.
Jesus traz um ensino não somente com palavras, mas com sua própria vida. Ele é sério e muito determinado quando trata desse assunto de serviço. Sua palavra aos discípulos não soa como sugestiva, mas como ordem a ser cumprida. Como Ele é Senhor, pode ordenar. Ordena e manda com a autoridade de quem vive.
Mas, sendo bem franco, parece-me que a palavra do "mundo", que o maior deve ser servido, faz mais sentido. Pense comigo: Aquela pessoa que chegou naquela posição trabalhou, esforçou-se, destacou-se. Ela merece. Certo? Errado! Essa lógica é típica da natureza pecaminosa e decaída da humanidade. Faz parte de um pensamento egoísta e ensimesmado.
Conta-se de uma pessoa que se mudou para outro país. Este país era feito de pessoas muito generosas e educadas. Logo de início, um de seus novos colegas ofereceu-se para dar uma carona toda manhã. Chegavam cedo na empresa e seu amigo estacionava o carro bem longe da porta de entrada. Eram duas mil vagas no estacionamento. Demoravam algum tempo caminhando naquele grande estacionamento vazio. Nos primeiros dias ele não disse nada. Até que chegou um dia que perguntou: "Você tem lugar demarcado para estacionar aqui? Notei que chegamos bem cedo, o estacionamento sempre vazio, e você deixa o carro lá no final". Seu colega logo respondeu, simples assim: "é que chegamos cedo, então temos tempo de caminhar - quem chegar mais tarde já vai estar bem atrasado, melhor que fique mais perto da porta, você não acha?"
Essa pequena história traz luz de que existe uma grande lógica no princípio que Jesus ensinou. Imagine-se participando de um grupo de dez pessoas, sendo que todas as dez querem ser servidas. O que aconteceria? Algumas ou todas ficariam infelizes e insatisfeitas. Agora imagine que todas, sem exceção, decidissem servir umas às outras. Certamente todas ficariam felizes.
Essa é a lógica do servir: se todos servirem, todos serão servidos.
Não é difícil imaginar a revolução na sociedade se todos tivessem a atitude de servir o outro. O ensino de Jesus, portanto, é revolucionário. "Agora que vocês sabem estas coisas, felizes serão se as praticarem." (Jo 13:17).
Afinal, no Reino de Deus, quem não serve não serve!



(*) Graduado em Administração de Empresas pela FGV-SP e Teologia pela FTSA, pós-graduado em Administração Financeira pela FGV-SP e MBA Executivo pela USP- SP. É diretor e fundador do Instituto Jetro. Foi colunista da Revista Igreja e da Revista Saber e Fé. Fez parte dos Conselhos da Editora Mundo Cristão, e atualmente faz parte da Missão Portas Abertas e da Fundação Eduardo Carlos Pereira. Pastor titular da Primeira Igreja Presbiteriana Independente de Londrina e empresário no setor de serviços, sendo diretor presidente da BR Consórcios, empresa que administra diversas marcas de Consórcios no Brasil.

Reprodução Autorizada desde que mantida a integridade dos textos, mencionado o autor e o site www.institutojetro.com

quarta-feira, 11 de abril de 2018

Como escrever suas metas e tirá-las do papel


Wellington Moreira(*)

Todo início de ano marca um rito de passagem para muita gente, já que costuma gerar promessas do tipo: "Eu vou voltar a estudar!", "De agora em diante cuidarei da minha saúde!" e "Passarei mais tempo com os filhos!", entre outras. Mas várias dessas resoluções de ano-novo continuam apenas como boas intenções porque não se tornam verdadeiras metas ou as pessoas acabam gastando pouca energia em sua execução.
Se você me permite, quero dividir alguns aprendizados sobre esse assunto que podem ser úteis em sua vida:

1) Metas são diferentes de simples tarefas. Só podemos chamar de meta aquele alvo que revela um propósito desafiador, de realização possível, com significância pessoal e prazo máximo de execução. Ou seja, que exige esforço, competência e engajamento ao longo de algum tempo, é possível de ser feito e tem deadline.

2) Coloque tudo no papel. O ato de escrever é um importante exercício de racionalização, ajuda a elucidar o que realmente é prioritário para você e ainda aumenta o seu compromisso com as metas estabelecidas. Ou seja, não se trata de mero preciosismo.

3) Queira mais menos coisas. Muitas pessoas dirigem energia simultaneamente para várias iniciativas - que demandam tempo e dinheiro -, depois não conseguem dar conta delas e acabam desistindo de tudo. Lembre-se de que, além das suas metas, você ainda tem de cumprir uma rotina que já ocupa a maior parte do seu tempo.

4) Equilíbrio é fundamental. Alguns estudos mostram que precisamos estabelecer metas em quatro diferentes campos: pessoal, profissional, familiar e financeiro. Contudo, é importante tomar o cuidado de equilibrar os pleitos, pois é comum que metas no campo pessoal se choquem com objetivos financeiros ou então que um alvo profissional anule o propósito familiar maior - ou vice-versa.

5) Cuidado com aquilo que você quer. Todo objetivo grandioso exige renúncias e precisamos ter o cuidado de não fazer escolhas erradas, como é o caso de quem quer ter uma carreira executiva meteórica e ainda pretende dar atenção total à família e à sua saúde. É cada vez mais comum pessoas "chegarem lá" e logo depois se arrependerem do que escolheram para si.

6) Sem plano de ação só existem boas intenções. Qualquer tipo de meta exige um "como" estruturado. Se você não sabe o passo a passo que deve seguir até o cume da montanha, então possui um propósito que dificilmente se materializará. Para alcançar metas é fundamental desenvolver o lado pragmático das coisas, perguntando-se constantemente: "O que preciso fazer agora?"

7) Deixe de lado aquilo que não é prioritário. Reserve 20% da sua agenda para as metas que definiu ou, infelizmente, acabará consumido pela rotina. Esse tempo virá das coisas que hoje você faz, mas não costumam ajudá-lo a progredir.

8) Disciplina na execução. Muitas pessoas escrevem aquilo que dizem querer alcançar e depois esquecem a folha de papel em algum canto da casa. Lembre-se de que não é a qualidade da meta que o faz "chegar lá" e sim a capacidade de se manter focado naquilo que sabe ser o correto a fazer.

9) Crie lembretes. Colar as metas na porta do quarto, junto ao espelho do banheiro ou no papel de parede do computador parecem medidas muito simplórias, mas esse tipo de lembrete mantém você atento naquilo que realmente importa.

10) Estabeleça marcos de verificação. De tempos em tempos, é importante medir os progressos alcançados e a forma mais fácil de fazer isso é definir desde já quando é que você vai parar para ver o que está ok e o que precisa ser mudado logo. Uma forma simples e fácil de manter este tipo de controle é inserir desde já todos os marcos necessários em sua agenda de compromissos do smartphone.

Todo ser humano tem a necessidade de deixar um legado, mas antes é necessário construí-lo. Ao longo desse ano você fará inúmeras coisas, mas será que se dedicará àquilo que o fará evoluir e crescer? Faço votos que a resposta seja positiva.

(*) Mestre em Administração de Empresas, possui MBA em Gestão Estratégica de Pessoas e é especialista em Comunicação Empresarial.
Palestrantente e consultor empresarial nas áreas de Desenvolvimento Gerencial e Gestão de Carreiras, também é professor universitário em cursos de pós-graduação e conferencista em grandes eventos nacionais, como o CBTD (Congresso Brasileiro de Treinamento e Desenvolvimento). 
Membro do IBCO (Instituto Brasileiro de Consultores Organizacionais), também é colunista de diversos jornais e portais de internet, bem como autor três livros já publicados, entre eles "O Gerente Intermediário" (Ed. Qualitymark, 2010), referência no país. 
Diretor-executivo da Caput Consultoria, entre seus principais clientes corporativos constam organizações do porte de: Companhia Siderúrgica Nacional, OnixSat, Peróxidos do Brasil, Concessionários Scania, Atlas Schindler, Sonhart, Midiograf Gráfica e Editora, Confepar, Inusittá Ambientes Planejados, Dentalclean, Construtora Plaenge, Romagnole Produtos Elétricos, Folha de Londrina, Scriba Projetos Editoriais, Editora Positivo, Móveis Nicioli, Castrolanda, LDC-SEV, Uniodonto Brasil, Grupo Hayonik e Correios.

Reprodução Autorizada desde que mantida a integridade dos textos, mencionado o autor e o site www.institutojetro.com e comunicada sua utilização através do e-mail artigos@institutojetro.com

terça-feira, 27 de fevereiro de 2018

A importância do registro da organização religiosa


Flavio P. de Souza

O exercício regular da atividade religiosa por meio das Organizações Religiosas está condicionado, dentre outros, à constituição da personalidade jurídica destas. A não observância dos preceitos legais gera conseqüências negativas à liderança religiosa e seus membros, como veremos a seguir. Trataremos aqui, resumidamente, da importância do Registro da Organização Religiosa e das consequências negativas advindas do seu estado irregular. Todavia, convém esclarecer preliminarmente que quando nos referirmos a Organizações Religiosas, estamos nos referindo a todas as confissões religiosas, Igrejas e templos de qualquer culto, ok?
As Organizações Religiosas são pessoas jurídicas de direito privado, garantindo-se às mesmas a liberdade de criação, organização e estruturação interna, o que lhes dá efetividade para o exercício pleno da Liberdade Religiosa, nos termos do parágrafo 1º do art. 44 do Código Civil.
É bom esclarecer que essa liberdade não dispensa o cumprimento das formalidades estabelecidas em Lei, uma vez que para adquirir personalidade jurídica a Entidade Religiosa, como se verá adiante, deve ser registrada.
Outrossim, deve-se ter em mente que a Liberdade Religiosa assegurada na Constituição e implementada no Código Civil, deve ser exercida nos termos e limites legais, sob pena de ferir outros Direitos, como por exemplo, a vida, a dignidade da pessoa humana e a incolumidade física das pessoas. Neste sentido é o Enunciado Nº 143, da III Jornada de Direito Civil, Conselho da Justiça Federal, senão vejamos:

"A liberdade de funcionamento das organizações religiosas não afasta o controle de legalidade e legitimidade constitucional de seu registro, nem a possibilidade de reexame pelo judiciário da compatibilidade de seus atos com a Lei e com seus Estatutos".

Nesse contexto, para o devido registro da Instituição Religiosa, deve o líder religioso, primeiramente, elaborar o Estatuto e posteriormente a Ata de fundação, que será redigida no momento da Assembléia de fundação da Entidade Religiosa. Ato contínuo, tais documentos devem ser registrados no Cartório de Registro Civil de Pessoas Jurídicas, nos termos da Lei de registros públicos, Lei nº 6.015/73. Isto deve anteceder ao inicio das atividades Religiosas, pois somente com o registro dos referidos documentos é que a Instituição Religiosa gozará de personalidade jurídica própria.
Após o devido registro do Estatuto e da Ata, proceder-se-á junto a Receita Federal, a inscrição no CNPJ (Cadastro Nacional das Pessoas Jurídicas). Não obstante, deverão ser providenciadas as autorizações pertinentes junto a Prefeitura Municipal e Bombeiro Militar. Noutro giro, várias são as consequências negativas para os Líderes Religiosos que não cumprem os procedimentos legais acima expostos, uma vez que Instituição irregular perde vários benefícios e sofre vários riscos. São eles:

a) Não fará jus ao benefício da Imunidade religiosa - As Organizações Religiosas são imunes a impostos, como por exemplo, IRPJ, IPTU, ITBI, IPVA, ISS, ICMS, nos termos do art. 150, VI, "b" da CRFB/88;
b) Não poderá registrar-se no CNPJ, no Estado e no Município - sujeitando-se às sanções previstas nas leis tributárias;
c) Em virtude de a Organização Religiosa não possuir personalidade jurídica, o Líder e os membros, serão responsabilizados pessoalmente pelas infrações legais e responsabilidades junto a terceiros, de maneira análoga as sociedades de fato;
d) O Templo Religioso sofrerá Autuação pelos órgãos fiscalizadores, com aplicação de multas, bem como interdição.
e) Não havendo pessoa jurídica constituída, o Líder religioso poderá sofrer sanções Administrativas fiscais e criminais, em razão da confusão patrimonial dele com a atividade religiosa.

Portanto, verifica-se que a ausência de registro da Organização Religiosa trará muitas consequências negativas na condução das atividades religiosas, e isso por razões específicas. A uma, porque a situação irregular impedirá o gozo dos benefícios constitucionais. A duas, porque impede o funcionamento regular da Entidade, sujeitando seus lideres e - em alguns casos seus membros - a diversas sanções legais. Por isso, a sugestão é bem simples: antes de estabelecer uma Organização Religiosa, providencie de antemão o devido registro do seu Estatuto e Ata de fundação, a inscrição no CNPJ, bem como as autorizações pertinentes. Atue dentro da Lei!

Publicado originalmente em Instituto Jetro

As 3 chaves-mestras das pessoas vitoriosas




Você sabe o que é necessário fazer para ser promovido, ou então para ser altamente produtivo, ou ainda, ser reconhecido como uma pessoa realizadora? É simples: faça o que a maioria das pessoas não está disposta a fazer.
Seja você um membro de equipe, um gestor de equipe ou um dirigente, o sucesso das pessoas vitoriosas advém da disciplina em fazer as coisas que você sabe que precisam ser feitas, mesmo que você não sinta a menor vontade de fazê-las. Mas a verdade é que, se você regularmente praticar este tipo de autodisciplina, automaticamente irá se destacar do resto da turma, porque a maioria das pessoas não quer "pegar na enxada" e fazer o trabalho duro.
Elas preferem acomodar-se, pois sentem-se melhor fazendo as rotinas, ou as tarefas fáceis. Mas, no longo prazo, o que é fácil, ou simples de fazer, não leva a lugar algum e ainda pode criar problemas. O que é necessário fazer - mas que no momento parece difícil, ou mesmo chato -, vai tornar as coisas muito melhores e mais fáceis para você no futuro, mesmo que no momento você não sinta a menor vontade de realizar. Por isso, a palavra autodisciplina assusta muita gente, mas é apenas uma questão de como você encara isso. Gente de sucesso domina plenamente a arte da autodisciplina e não faz disso um drama.
Zig Ziglar, um dos maiores palestrantes motivacionais americanos estudou por mais de uma década alguns dos maiores homens de negócios daquele país tentando descobrir o que os tornava tão diferentes. A conclusão a que ele chegou é esta: eles não são mais inteligentes ou mais talentosos do que a maioria das pessoas. A grande diferença é que eles consistentemente fazem o que as outras pessoas não se dispõem a fazer. Eles adotam três princípios básicos:

1°- Faça, mesmo que tenha medo.
Um dos maiores sabotadores de nossos objetivos é o medo, porque ele inibe a ação. Da próxima vez que você não quiser agir por medo de fracassar, siga em frente e faça o que tem que fazer, apesar do medo, porque a ação paralisa o medo. A ação concentrada une mente e esforços, não dando espaço nem ambiente a dúvidas e receios.

2°- Adote hábitos, não resultados de curto prazo.
Só começar algo depois que tudo estiver perfeito é um dos maiores erros que podemos cometer, pois é uma atitude perfeccionista que adia indefinidamente o início de um projeto, empreendimento ou trabalho importante. Para manter-se motivado, cultive hábitos de trabalho consistentes, que levem a resultados, em vez de se preocupar com resultados imediatos. Pode levar algum tempo para ver os frutos desse trabalho, porque depende de continuidade e perseverança, mas concentrando-se no dia a dia o triunfo automaticamente acontecerá.

3°- Fixe os olhos no resultado final.
Os desafios de hoje talvez não o motivem muito, contudo você deve ter fé de que no longo prazo eles apenas representam esforços passageiros necessários. Veja o quadro na sua totalidade; veja a realização final. Com essa perspectiva, convicção e fé, você terá forças para avançar nos momentos mais difíceis, quando todos já recuaram. Logo, não se trata de autodisciplina, mas de você adotar comportamentos positivos repetidos diariamente que acabam tornando-se hábitos vencedores, e que levam você aos objetivos maiores. Pessoas bem-sucedidas compreendem melhor do que ninguém que, para realizarem seus sonhos, elas têm que também fazer muitas coisas das quais não gostam, mas são imprescindíveis, e não perdem tempo se lamentando por ter de fazê-las.
Perguntaram, certa vez, ao grande bilionário do petróleo H. L. Hunt qual o segredo do sucesso. Ele respondeu que, para ter sucesso, eram necessárias duas coisas e nada mais. Primeiro, disse ele, você precisa saber exatamente o que quer. A maioria das pessoas nunca chega a tomar essa decisão. Em segundo lugar, prosseguiu, você deve determinar o preço que terá de pagar para consegui-lo e começar a pagá-lo.

Portanto, faça!
A diferença básica entre os que realizam muito e os que realizam pouco é a "orientação para a ação". Os homens e mulheres que alcançam grandes feitos na vida têm grande autodisciplina e são intensamente orientados para a ação. Estão em constante movimento e sempre ocupados. Quando têm uma ideia, imediatamente começam a agir. Por outro lado, os que realizam pouco, ou nada, estão sempre cheios de boas intenções, mas sempre têm uma desculpa para não agir imediatamente. É com razão que se diz: que o inferno está cheio de gente com boas intenções.

Publicado originalmente em Instituto Jetro

sábado, 22 de abril de 2017

Líder, aprenda consigo mesmo

Ednilson Correia de Abreu

Não vai aqui nenhum surto de egocentrismo ou algo semelhante, mas uma palavra de despertamento para que possamos a todo instante buscar aprender com todas as nossas experiências vividas ao longo da jornada da vida.
Aquele que não aprende consigo, ou seja, que não procura crescer conscientemente através das suas próprias experiências está fadado a muito sofrimento, pois poderá sempre repetir os mesmos erros e ter uma vida frustrada, pois uma das funções das experiências pessoais é exatamente cooperar no nosso crescimento como seres humanos.
Na vida de um líder o auto-aprendizado se torna ainda mais poderoso, pois no somatório de nossa vivência poderemos ir acumulando insights que nos possibilitarão um desenvolvimento pessoal que jamais se conseguiria de outra forma.
O líder mais preparado não é aquele cheio de teorias nunca provadas e muito menos vividas, mas aquele que tem conseguido se manter atento às suas experiências e as tem usado para o seu próprio bem e de todos aqueles ao seu redor.
A teoria tem o seu lugar no preparo do líder exatamente porque ela é o fruto do estudo e das experiências de outros líderes que já vieram antes de nós, mas é vital que cada um tenha sua própria experiência. Ao usar o conhecimento acumulado e exposto por outros estamos sendo prudentes e sábios, mas não podemos parar ai, liderar é também arriscar e viver novas experiências e nunca deixar de aprender com elas.
Foi por isso que Jesus com a sua equipe não instituiu apenas uma sala de aula ou apenas uma biblioteca, mas desenvolveu um projeto de experiências diárias, que chamamos de discipulado. Ele os chamou a crescerem como pessoas através de sucessivas experiências que eram interpretadas e corrigidas e se tornavam o palco para a explanação dos seus ensinamentos.
Como líderes temos de ser os primeiros a buscar o auto-aprendizado, temos de continuar crescendo, pois isso agrada a Deus, vemos isso na vida dos discípulos como Pedro, por exemplo, veja como foi o seu inicio e veja no que ele se tornou, veja um Paulo, como era sua vida e veja no que ele veio a ser e assim mesmo ele dizia que continuava crescendo, continuava no caminho, continuava avançando no projeto de Deus para a sua vida através das experiências boas e ruins que ele tinha.
O caminho é este, continuar crescendo, aprendendo, mantendo-se atento às próprias experiências, interpretando-as à luz do seu relacionamento com Deus e do ensino da Palavra, e crescendo sempre nisso.
Não adianta simplesmente querer viver para imitar os grandes líderes, cada pessoa é única e Deus tem um plano especial para você. Use as experiências de outros, aprenda com os ensinos de outros, mas jamais ignore a si mesmo, pois você tem muito a ensinar a você mesmo.

Publicado originalmente em www.institutojetro.com

Liderança como um fio condutor

Armando Altino da Silva Júnior

“a fim de que todos sejam um; e como és tu, Ó Pai, em mim e eu em ti, também sejam eles em nós; para que o mundo creia que tu me enviaste.” João 17:21

Jesus nos ensina neste texto um princípio muito importante de liderança: a continuidade do processo. Você pode então pensar que está tudo certo, pois tem conduzido sua liderança de forma eficaz e tudo está correndo bem. A questão é, será que sua liderança irá fazer sentido depois que você não estiver mais a frente? Já pensou em sua igreja, sua empresa ou projeto sem sua liderança? Como ficariam as coisas?
É inspirador perceber a tranqüilidade de Jesus neste momento de transição. Ele não se desespera pensando que os discípulos não conseguiriam cumprir a missão sem sua presença ou por achar que tudo o que plantou poderia ter fim, nem argumenta com o Pai sobre mais tempo em seu ministério terreno. Jesus nos ensina sobre uma liderança saudável que não termina em si mesma, mas que é um fio condutor.
O líder que entende o fato de ser apenas um fio condutor sabe que sua liderança é uma parte do processo e por isto fica tranqüilo em confiar no outro, não entra em neuroses pensando no que estão fazendo quando não está por perto.
Ao contrário disto, existe liderança que ao invés de fio condutor se tornam um sistema próprio. Assim todos os projetos, todas as fases e decisões precisam começar e terminar na mesma fonte: o “líder sistema”. É ele quem sustenta todo o processo.
Líderes assim se consideram maiores que a missão e por isto tomam para si toda a responsabilidade, pois “sem eles nada do que é feito se faz”. Líderes assim não conseguem admitir reuniões sem sua presença, não confiam que as coisas possam andar sem suas diretivas, e se algo é feito em sua ausência se sentem traídos e afrontados.
Jesus nos ensina que a verdadeira liderança é baseada na confiança e no respeito mútuo. A liderança serva tem a ver com o fato de ser parte do processo e não o centro dele. Não é raro, em nosso meio, igrejas que se constroem sobre o carisma de um líder e não sobre o carisma da própria igreja. Toda visão vem dele e pode ser distorcida assim que o líder passa, ou então, pode acontecer divisão quando a visão deste líder é contestada.
Na oração de João 17, Jesus nos mostra que não está desesperado para saber se vão se lembrar do que falou ou realmente cumprir suas ordens, mas está tranqüilo, porque fez a sua parte. Ele transmitiu sua liderança com amor e paixão e agora a confiava àqueles que caminhavam com Ele.
Podemos perceber o real trabalho de um verdadeiro líder depois que ele passa, pois é neste momento que vemos se ele foi realmente um fio condutor. James Collins e Jerry Porras no livro “Feitas para durar” constatam que a maioria das grandes empresas não permanece por mais de um século, e isto se deve à falta de continuidade das lideranças.
A liderança tipo “sistema” não dura por muito tempo, pois assim que a liderança termina ou é substituída, o sistema perde a força, pois tudo é gerado por ela e para ela.
Stephen R. Covey em seu livro, “Os 7 hábitos das pessoas muito eficazes”, ressalta que, “Muita gente se recusa a delegar poderes aos outros, porque acreditam que leva muito tempo, dá muito trabalho e também, que podem fazer o serviço melhor sozinhas. Contudo, delegar poderes é possivelmente a atividade de alto nível mais poderosa que há.”
Jesus nos ensina uma liderança que não tem medo de delegar, de perder o poder, antes confia em seus liderados e os ensina e os orienta como alguém que vai embora amanhã. Líderes tipo fio condutor produzem verdadeiros discípulos e cristãos maduros que se multiplicam sem perder a essência. Ao contrário, líderes tipo “sistema” produzem liderados desconfiados, dependentes e egoístas.

Aprendamos com Jesus a ser um fio condutor como líderes nesta grande missão.

Publicado originalmente em www.institutojetro.com

sábado, 3 de outubro de 2015

Líderes comuns e pessoas que realmente lideram

Wellington Moreira

Líderes comuns e pessoas que realmente lideram: a sutil diferença entre eles está na forma com que se comunicam com o mundo.
Tempos atrás estive à frente de um projeto no qual chamava atenção o fato de que algumas pessoas realizavam seu trabalho mecanicamente há muitos anos sem terem ideia dos reais motivos de cada uma das regras, procedimentos e padrões que precisavam seguir no dia a dia e mencionei este problema - e suas consequências - numa reunião com a alta direção da empresa.
Contudo, a minha preocupação não foi bem recebida por um dos gerentes que, levantando a voz, afirmou que isto não acontecia em sua área e ainda chamou à sala um dos seus encarregados de setor para comprovar. Quando a pessoa chegou, logo perguntei: "Por que toda vez que a fumaça cinza fica branca vocês têm de seguir o protocolo 17?" Ele respondeu sem gaguejar: "Eu não sei por quê, mas quando isto acontece, eu realmente sigo tudo aquilo que está descrito no protocolo 17 e o problema é resolvido". Na sequência, o questionei: "E se a fumaça sair de outra cor, a não ser branca ou cinza?" Ele respondeu: "Daí eu não sei o que fazer".
A maior parte dos líderes se relaciona com as pessoas dizendo basicamente "o quê" deve ser feito. Fornecem orientações expressas e pouco descritivas que indicam o trabalho que cabe à equipe e depois esperam que as pessoas se virem para dar conta do recado.
Outros líderes têm por hábito explicar "como" as coisas precisam ser feitas. Eles detalham a forma com que acreditam que o trabalho será bem executado e respondem as perguntas que surgirem a fim de orientar aqueles que são responsáveis por colocar a mão na massa.
E há pessoas que lideram dizendo o "por quê" das coisas. Explicam a causa ou missão que está por detrás da tarefa a ser feita, esforçando-se por responder aquela indagação que a maior parte das pessoas não faz diretamente ao seu gestor, mas sempre passa pela cabeça delas: "Por que devo me importar?"
Muita gente me questiona qual é a principal diferença entre líderes comuns e pessoas que realmente lideram? A resposta é bem simples: a forma com que eles se comunicam com os outros e consigo próprios.
Líderes comuns dizem o quê, depois como e, por último, por quê as coisas devem ser feitas desta ou daquela forma. Pessoas que causam grande impacto na sociedade fazem exatamente o contrário: elas explicam primeiro o por quê da causa, depois mostram como o trabalho será feito e só por fim comunicam o que materializa a sua ideia.
O antropólogo norte-americano Simon Sinek, autor de "Por quê? Como grandes líderes inspiram à ação" (Ed. Saraiva), escreveu a respeito deste assunto e sentenciou: "As pessoas não compram o que fazemos, mas sim a razão por que o fazemos". Ou seja, é impossível ser um líder inspirador sem praticar o valor do porquê.
Quando você fala ao coração das pessoas, consegue extrair delas aquilo que têm de melhor. Alcança um nível de compromisso que as faz superar os mais diferentes obstáculos pelo simples fato de que elas encontram sentido naquilo que realizam. Aliás, é por isso que todo mundo só fala na liderança baseada em valores.
Até mesmo o nosso diálogo interno é orientado pelas causas emocionais e não apenas pelos motivos racionais. Pode ver: às vezes, você tem todas as informações necessárias à mão para tomar uma decisão, mas ainda assim se sente confuso sem saber se deve proceder desta ou daquela forma. Qual o problema? É provável que nestas situações ainda não tenha encontrado o seu "por quê?".
Quando você se esforça em pensar no porquê das coisas, está procurando encontrar um motivo suficientemente forte para se dedicar a uma causa e não simplesmente a um trabalho ou tarefa qualquer. Está preparando a sua mente e corpo para envolver-se em algo apaixonante e que possa arrebatá-lo.
Grandes líderes na história da humanidade sempre se esforçaram por fazer com que as pessoas acreditassem nas ideias em que eles acreditavam e não nas tarefas que estavam descritas em seu Plano de Metas. Eles não se esforçaram primeiramente em fazer com que todos entendessem o que seria executado e sim por que suas causas eram significativas.

Reprodução autorizada desde que mantida a integridade dos textos, mencionado o autor e a fonte como: http://www.institutojetro.com



segunda-feira, 10 de agosto de 2015

Cristo e a administração do tempo

Ernesto Artur Berg

"Tudo tem o seu tempo determinado, e há tempo para todo o propósito debaixo do céu: há tempo de nascer e tempo de morrer; tempo de plantar e tempo de colher; tempo de matar e tempo de curar; tempo de derribar e tempo de edificar; tempo de chorar e tempo de rir; tempo de prantear e tempo de saltar de alegria." Eclesiastes. 3. 1 a 4.
O que é tempo? Tempo é vida. Quem ganha tempo, ganha vida; quem perde tempo, perde vida. É um dos bens mais preciosos que o ser humano tem à sua disposição. O tempo tem características únicas que não iremos encontrar em nenhum outro momento ou lugar. Por exemplo:
1) O tempo é altamente deteriorável: envelhece a cada segundo. Ou você usa o tempo, ou ele simplesmente passa por você. O que você deixou de fazer hoje não conseguirá nunca mais recuperar amanhã. Poderá fazê-lo amanhã, mas o tempo já será outro. O de ontem, nunca mais...
2) O tempo não é estocável: não poderá economizar uma hora hoje e recuperá-lo daqui a dois ou três dias, caso viesse a necessitar de um tempo adicional.
3) O tempo é inelástico: o dia tem 24 horas, nem mais, nem menos. Não há como espichá-lo. Ele anda sempre no mesmo ritmo, não importa o nosso estado de espírito ou as nossas necessidades.
4) O tempo é um bem altamente democrático. Todos temos 24 horas por dia. O homem mais rico do planeta e o homem mais pobre da terra têm as mesmas 24 horas diárias.
O que varia é o que fazemos durante essas 24 horas: é a qualidade do tempo utilizado e a eficácia das nossas ações que fazem toda a diferença. Ou controlamos o tempo, ou ele nos controla. Ou gerenciamos os fatos, ou os fatos nos gerenciam. É um bem tão precioso quanto o ar e a água, mas as pessoas não se apercebem disso. Esbanjam o tempo como se fossem viver eternamente.

Cristo e a gestão do tempo
Cristo sabia da importância do tempo como fator determinante na busca de resultados. Sabia que o seu tempo para a divulgação da boa nova (evangelho) era restrito. Somente de 3 anos e meio para pregar a mensagem, arregimentar discípulos e estabelecer as bases do empreendimento multinacional da salvação de almas. Ele permaneceu em Israel, e adjacências, durante todo esse período, pois sua mensagem, inicialmente, era destinado ao povo judeu. Mas Jesus tinha também a clara percepção de que a sua mensagem não poderia jamais permanecer nos estreitos limites de uma nacionalidade e que se estenderia muito além disso.
Duas das premissas mais importantes da gerência do tempo são: 1) definir objetivos e prioridades e 2) escrever uma lista diária do que fazer, isto, é ter uma agenda das atividades que pretende executar durante o dia, iniciando sempre pelas mais importantes.
Nada indica que Cristo tivesse os objetivos e a lista diária devidamente anotados em seu bolso. Mas com certeza ele sabia sempre exatamente o que, quando e porque fazer algo, já que sua orientação vinha diretamente de Deus.

Tempo: visão de curto, médio e longo prazo.

1) Na visão de curto prazo Jesus afirma: "Não vos inquieteis, pois, pelo dia de amanhã, porque o dia de amanha cuidará de si mesmo. Basta a cada dia o seu mal". Mateus 6.34 Cristo está falando temporalmente no "aqui e agora", e não no "lá e então", em algum lugar futuro no céu. A afirmação é clara: viva o hoje, que já tem as suas próprias dificuldades. Esqueça o ontem, que já aconteceu, e o amanhã que ainda não veio. Dê a cada dia a sua atenção total, o foco de suas ações, já que só o presente constrói e reconstrói o futuro.
O que a grande maioria das pessoas não percebe é que vivemos eternamente no presente, pois o amanhã, quando chegar, será hoje. Da mesma forma como não podemos respirar novamente no dia de ontem ou antecipar a respiração do dia de amanhã - mas apenas fazê-lo agora -, a vida também só existe no presente. O problema são as recordações cristalizadas do que já ocorreu e as projeções receosas do que pode ocorrer no futuro.
Inúmeras pesquisas reiteradamente revelam que 50% dos pensamentos das pessoas são voltados para o passado, 40% para as preocupações do futuro, e apenas 10% dos pensamentos são concentrados no presente. Isso sim é que é viver fora do seu tempo! Logo, a maioria parece não ter consciência do "agora" e vive dopado na dimensão atemporal do passado e do futuro, desgastando e esvaziando a força do presente.

2) Na visão de médio prazo Cristo diz: "Ninguém que lança mão do arado e olha para trás é apto para o Reino de Deus". Lucas 9.62. Aqui a mensagem é de que, qualquer pessoa que abraçar a causa de Cristo e, ao mesmo tempo, ficar recordando ou sentir saudades do seu passado, não poderá usufruir plenamente da nova vida que lhe foi dada. É o passado, novamente, comprimindo e pressionando as pessoas inseguras a reconsiderarem a opção feita pelo novo. Gerenciar o tempo eficientemente é agir e pensar no "agora" sem tréguas a um passado infeliz e coercitivo. A vida é curta. Concentre os esforços no que realmente conta.

3) Na visão de longo prazo - A regra 20/80 da alta eficiência.
Oitenta por cento do nosso tempo diário são gastos em rotinas ou picuinhas, que tomam muito tempo e só rendem 20% de resultados. Por outro lado, os que sabem esgrimir com o tempo, concentram-se no que é essencial em suas vidas. Isto só toma 20% do seu dia, mas dá um retorno de 80% de ganhos.
Cabe aqui uma pergunta: "Você sabe quais são os 20% de suas atividades e tarefas do seu dia a dia que lhe dão um retorno multiplicado de 80% de ganhos? Talvez ainda não tenha descoberto. Neste caso os fatos estão administrando a sua vida, em vez de você administrar os fatos. Você está trabalhando em cima das prioridades, ou das picuinhas da vida, que lhe dão a impressão de estar vivendo intensamente, mas que, muitas das vezes, não passam de mera agitação e correria?
Agitação e correria não significam, necessariamente, atingimento de resultados. Significam apenas o que são: agitação e correria! Isso lembra a estória do homem montando um cavalo que corria em desabalada carreira pela pradaria, como se o próprio diabo estivesse em seus calcanhares. De passagem por um amigo, este pergunta apressadamente: "Ei, onde você vai com tanta pressa?"
"Isto eu não sei", respondeu o cavaleiro. "Pergunte ao cavalo".
Para a maioria das pessoas a vida é como se elas estivessem montadas naquele cavalo, totalmente desgovernado, galopando apressadamente em direção a coisa alguma. Já se perguntou para onde a vida o está levando? Quais são os seus reais objetivos? O que está construindo em sua vida e o que está fazendo com o seu tempo? Já se perguntou quais são as suas prioridades?
É bom todos nós pensarmos nisso e com presteza. Afinal não viveremos 1.000 anos, nem 200. Com toda ajuda da ciência atual talvez cheguemos, no futuro próximo, aos 120 ou 130 anos. E mesmo assim isso não passa de um segundo no relógio cósmico. "É preciso saber viver", diz a canção do Roberto Carlos.
Cristo era um mestre no manejo do tempo e na percepção do seu significado para a humanidade. Esta passagem revela isso: "Mas ele (Jesus), respondendo-lhes disse: Quando é chegado a tarde, dizeis: Haverá bom tempo, porque o céu está rubro. E pela manhã: Hoje haverá tempestade, porque o céu está de um vermelho sombrio. Tolos! Sabeis diferençar a face do céu e não conheceis os sinais dos tempos?"
O que ele estava dizendo é: "Vocês conhecem muito a respeito do mundo que os cerca, mas são incapazes de perceber e reconhecer que uma mensagem - e uma vida - muito superior a que vocês estão acostumados, está sendo entregue a vocês neste momento, por mim". Cristo estava entregando a mensagem dos 20/80 da alta eficiência espiritual.

Texto extraído e condensado do livro "O Maior Empreendedor do Mundo", de Ernesto Artur Berg. (Aguardando publicação).

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quarta-feira, 15 de julho de 2015

A Motivação da Doação

Enoque Caló

"Este não era o momento de aceitar prata, nem roupas, nem de cobiçar olivais, vinhas, ovelhas, bois, servos e servas."
II Reis 5:26

Esta foi a palavra que Eliseu falou para Geazi, seu assistente de ministério.
Uma palavra difícil para orientar seu possível sucessor mesmo sabendo que a situação financeira e econômica do ministério de Eliseu não estava tão boa.
Aprendo nesta lição a importância em "pesar a motivação da doação", independentemente do valor desta. Se olharmos pelo aspecto financeiro a rejeição de Eliseu era quase uma "tolice', como poderia recusar uma oferta milionária para um ministério carente?
Nos versos anteriores podemos perceber Naamã insistindo para que Eliseu aceitasse, mas ele jura em Nome do Senhor que não aceitaria.
Setenta e dois quilos de ouro ultrapassariam hoje, quem sabe, o valor de sete milhões de reais.
E nós, aceitaríamos tal valor ou recusaríamos? Ou até agradeceríamos numa exclamação: Nossa você não imagina o quanto eu estava orando para receber tão grande quantia!
Entendo a preocupação dos líderes em poder ter o sustento para si e para a obra, mas como "dividir" no momento presente a administração das almas e do patrimônio?
Eliseu quando recebe seu chamado estava administrando um patrimônio interessante e muito valioso por sinal: as doze juntas de bois. Ele não era um homem que não havia experimentado um bom momento, ele sabia o que era ter recursos. Após o reconhecimento do seu chamado ele se desfaz do patrimônio e oferece um "grande churrasco" para a população local (I Reis 19.21). Agora, diante do rico Naamã ele tem uma posição de recusa ao dizer: "Eu não aceitarei estes presentes". Fez isso pois pesou a motivação da doação.
Já seu assistente fica transtornado ao ver Eliseu rejeitando todo aquele valor. Ele quebra princípios, usa o nome ou crédito de Eliseu de forma imprópria e coloca seu plano em prática. Porém chegou o momento de encarar a realidade onde estaria novamente na frente de Eliseu. Neste momento Eliseu dá uma palavra de repreensão ao seu assistente que já havia deixado a corrupção tomar conta do seu coração. Interessante que aquilo que é apropriado sem a devida legalidade deverá ser escondido, foi isto que o assistente fez com os setenta quilos de prata e duas mudas de roupas.
O mesmo se aplica nos dias de hoje quando é apresentado patrimônio além da receita e este é colocado em nome de terceiros para que não seja pego por algum órgão fiscalizador.
Fico impressionado como alguns acham simples sustentar uma construção de projetos suntuosos que nem ao menos serão funcionais, passarão setenta por cento do tempo fechado sem utilidade. Poderiam ser abertos para atender a população local com projetos educacionais e sociais afim de que o evangelho fosse conhecido por estas portas, mas geralmente eles não existem.
Até quando a vaidade do nosso coração nos fará ignorar os princípios bíblicos e como nos desprender do material para investir nas pessoas? Será que como Eliseu teremos condição de ignorar o valor patrimonial e transformar este em instrumento de investimento em pessoas?

Sim ou não?
Ao longo do nosso ministério poderemos receber presença de "Naamãs" com presentes caros e significativos. O grande desafio será ter a mesma atitude de Eliseu em saber pesar a motivação da doação e estarmos prontos para rejeitar tais presentes sem perder o foco de colocar em prática o chamado. Ou, podemos ignorar esta sensibilidade e receber toda e qualquer oferta, pois quanto mais, melhor.
Todo momento ou tempo será tempo de receber? Pela instrução dada ao assistente, que não entendeu ou discerniu a motivação da doação, aprendemos que tem tempo de receber, e tempo de não receber.
Ao receber algo no tempo que não deveria ocasionou uma tragédia para o tempo presente do assistente e também para o futuro da sua família. A ambição pelas riquezas pode nos trazer marcas irreparáveis, que inclusive nossa descendência poderá também sofrer as consequências de um ato deliberado por um coração corrompido.
Como nos comportaríamos no lugar de Eliseu? Teremos condição de rejeitar uma proposta ou oferta milionária e estamos dispostos a pesar a motivação da doação?

Publicado em Instituto Jetro

Reprodução Autorizada desde que mantida a integridade dos textos, mencionado o autor e o site http://boo-box.link/AWNB/ e comunicada sua utilização através do e-mail artigos@institutojetro.com

quarta-feira, 3 de junho de 2015

Exercendo a liderança baseada no poder de Deus

Cezar Andrade Marques de Azevedo

"Vós não me escolhestes a mim, mas eu vos escolhi a vós, e vos designei, para que vades e deis frutos, e o vosso fruto permaneça, a fim de que tudo quanto pedirdes ao Pai em meu nome, ele vo-lo conceda." (Jo 15:16)

Drucker (1986) já havia chamado atenção para a principal tarefa da administração, que é o de atender uma finalidade produtiva comum. Cabe ao administrador, enquanto no exercício de sua liderança, buscar o atendimento das necessidades legítimas de seus liderados, razão do Senhor exortar para a importância de produzir fruto permanente, fruto este que é obra do Espírito Santo no coração daquele que administra segundo o poder de Deus (I Pd 4:11).
Este fruto, que objetiva a construção de relacionamentos duradouros, se desdobra em nove facetas: o amor, o gozo, a paz, a longanimidade, a benignidade, a bondade, a fidelidade. a mansidão, o domínio próprio; ..." (Gl 5:22b,23a)
O amor, que encabeça a lista, não se trata de um sentimento, mas de uma atitude que não exige nada em troca, por isso chamado de amor incondicional conforme definição desta palavra segundo o original grego, transliterado por "ágape". Este comportamento tem sua origem na percepção que o homem é a imagem, conforme a semelhança de Deus, portanto devendo ser tratado com todo respeito e apreço, não importando sua atitude. O sentimento pode variar, mas o comportamento não, por ser um ato de vontade, sendo esta a razão do amor ser a base da influência exercida pelo líder sobre seus liderados.
As demais variantes do fruto do Espírito são atributos do amor visto sob outra ótica, por isso todas elas se baseiam no comportamento adotado.
Por gozo entende-se a satisfação de estar com o liderado, resultante do calor humano, pois não há ninguém que não tenha algo a acrescentar. Nós somos seres interdependentes e não podemos fugir a questão levantada por Deus a Caim: "onde está seu irmão?" (Gn 4:9).
Paulo, escrevendo aos Corintios fala do valor de cada membro em particular para o conjunto do corpo, demonstrando que o menor é revestido de maior honra e que qualquer parte que seja não pode prescindir da outra. Se os olhos se rebelarem contra as mãos, basta um cisco para chamar a ajuda delas para que os olhos sejam guiados, enquanto persistem suas trevas momentâneas (I Co 12). Em uma empresa, qualquer cargo ou função ocupada por um indivíduo visa atender a uma necessidade desta organização, sendo imprescindível sua participação, caso contrário não teria sua existência assegurada. Deixe o café de ser feito ou o banheiro de ser limpo e imediatamente se percebe o valor destas tarefas menores para o bem estar de todos.
A paz reflete a ausência de animosidade, permitindo o entendimento harmonioso entre as partes. Ela é fundamental para o exercício da comunicação, pois neutraliza o preconceito, tão maléfico para a compreensão mútua. Jesus fez menção do exercício contínuo do perdão como base para o relacionamento (Mt 18:22), ensinando que sua aplicação se tornou possível por causa do perdão recebido da parte de Deus (Mt 18:27). É preciso entender que Deus renunciou Seu direito de punir o homem na mesma proporção do delito que este cometera, por ter satisfeito Seu senso de justiça na bendita pessoa do Senhor Jesus Cristo, que assumiu este castigo em lugar do homem. Por este ato Deus reconciliou-se com a humanidade, ato este extensivo a todo aquele que o aceita pela fé, sendo declarado justo perante Deus (Rm 3:24).
Assim o erro deve ser tratado com firmeza e honestidade, sem ressentimento, antes respeitando o direito de plena defesa. O ressentimento age como câncer, correndo o relacionamento, motivando a desconfiança e promovendo a discórdia. Uma regra útil para lidar com situações problemáticas é manter o foco sobre o problema, não sobre o indivíduo, buscando soluções eficazes para neutralizar o erro, promover o acerto e reforçar o controle.
Ser longânimo é agir com generosidade e nobreza para com o liderado, pois o relacionamento deve ser baseado na sinceridade, franqueza e honestidade. Esta atitude é reforçada pela benignidade, que é ser brando e agradável no trato pessoal, pois o sábio Salomão já aconselhava que "a resposta branda desvia o furor, mas a palavra dura suscita a ira" (Pv 15:1), mesmo "porque a ira do homem não opera a justiça de Deus" (Tg 1:20), razão do seguinte conselho do apóstolo Tiago: "todo homem seja pronto para ouvir, tardio para falar e tardio para se irar" (Tg 1:19).
A atitude seguinte esperada do líder é a qualidade de agir com apreço e atenção, pois todo indivíduo busca ser amado e integrado no meio que pertence. Atos de bondades motivam a pessoa a dar o melhor de si, como foi o caso da velhinha que, ao ofertar na casa do tesouro, Jesus elogiou publicamente seu feito, demonstrando que seu ato fora em superior qualidade a todos os outros que tinham ofertado naquele dia (Lc 21:3,4). Por outro lado o líder estar atento ao ensino do Senhor, quando falou que a repreensão deve ser feita a sós (Mt 18:15), evitando humilhar seu liderado, afetando sua auto-estima.
Num mundo onde pouco valor se dá ao contrato firmado, cabe ao líder agir com fidelidade, que é a qualidade pela qual ele cumpre com suas obrigações para com seus liderados, demonstrando seu comprometimento para com eles, sustentando suas escolhas. O líder deve conceber seu local de trabalho como um jardim, no qual são criadas as condições para o crescimento sadio das plantas, preparando-as para que os frutos possam ser colhidos com qualidade. Assim, o exercício da liderança visa construir as condições favoráveis para o aperfeiçoamento contínuo, permitindo que seus subordinados tenham segurança que não haverá mudanças repentinas, injustificadas, antes recebam treinamento adequado e sejam motivados ao crescimento profissional e pessoal.
A mansidão é uma qualidade desejável ao líder por transmitir aos liderados a serenidade necessária para lidar com situações adversas, complexas e difíceis. Mediante uma atitude tranqüila, o líder torna-se um porto seguro em meio às crises, alguém com quem se possa recorrer quando as coisas não estão caminhando bem. Com isso se tem à última e fundamental qualidade, que é o exercício do domínio próprio, qualidade esta resultante do conhecimento de causa sobre as questões que lhe são afeta a liderança.
O domínio próprio reside no exercício da autoridade, que é bem distinta daquela conhecida pela administração secular. Esta confunde a autoridade e o poder como uma só coisa, definindo-a como sendo "meios de manipular, usar e controlar os outros" (Rush, 2005, p 10). Autoridade, contudo, resulta na influência pessoal sobre o subordinado para motivá-lo a fazer, portanto, não é com atos de forças que será produzida esta motivação, mas atos comportamentais que tem por base o amor incondicional.

Administrar: Fruto do Espírito
Resumindo, administrar segundo o poder que Deus dá (I Pd 4:11) exige do líder a manifestação do fruto do Espírito para que sua influência possa realmente atender as necessidades legítimas de seus liderados. O exercício deste tipo de liderança resulta em uma equipe comprometida, leal e criativa, que produz resultados com qualidade e relacionamentos duradouros. Este líder age baseado no amor incondicional, fundamentado em atos de vontade gerados pelo Espírito de Deus, por isso ele age:

• com calor humano, satisfeito por estar em contato com seu liderado, convicto que o ser humano é uma obra prima da parte de Deus e interdependentes uns dos outros;
• sem animosidade, livre de ressentimento, tendo seu coração pacificado, perdoando as faltas cometidas, sendo firme e honesto no trato pessoal;
• com generosidade e nobreza, respeitando seus subordinados independente do cargo ou função que exerça;
• com benignidade, sendo pronto no ouvir, brando na palavra e tardio no irar;
• com bondade, recompensando publicamente as atitudes positivas e repreendendo sempre em particular pelos erros cometidos;
• com fidelidade, cumprindo com suas obrigações e criando um ambiente favorável ao desenvolvimento profissional e pessoal de seus liderados;
• com mansidão, lidando com serenidade nas situações adversas, complexas e difíceis;
• exercendo domínio próprio sobre seus sentimentos e atitudes, influenciando o comportamento de seus liderados mediante seu exemplo de vida.

Ninguém manifestará estas qualidades de modo natural, antes exigirá intensa disciplina para a mudança do comportamento, contudo o líder será recompensado pela alegria indescritível, pois o Senhor Jesus ensinou que a verdadeira liderança se exerce mediante a disposição de servir, nunca por conta do desejo de ser superior ao seu semelhante, dando Ele próprio como exemplo daquele que exerce este tipo de conduta (Mt 20:25-28).

Para que estas qualidades se transformem em hábito, resultando na solidificação do caráter do líder, este deve estar consciente que precisará passar por quatro estágios (Hunter, 2004):

1. estágio em que não há consciência do hábito ou tem por ele profundo desinteresse;
2. estágio que se tem consciência da necessidade de mudar o hábito, mas não possui habilidade para esta mudança. Neste estágio todo esforço empreendido aparenta ser antinatural e desanimador;
3. estágio que se torna experiente no exercício da habilidade aprendida;
4. estágio que o hábito adquirido se torna natural, incorporado ao caráter, portanto, sendo feito de forma inconsciente.

Assim, o caminho para o exercício da liderança é penoso, exige grande dose de disciplina e sacrifício pessoal, mas produzirá como resultante a habilidade de influenciar os liderados para que trabalhem como uma equipe, visando atingir os objetivos que atendam ao bem comum.

Reprodução Autorizada desde que mantida a integridade dos textos, mencionado o autor e o site www.institutojetro.com e comunicada sua utilização através do e-mail artigos@institutojetro.com
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Hunter, James C. O Monge e o Executivo. Uma história sobre a essência da administração. 10° Ed, Rio de Janeiro. Sextante, 2004.

segunda-feira, 26 de janeiro de 2015

Liderança em momentos de crise

Guilherme Ávilla Gimenez(*)

Uma grande maioria de pessoas se sente desconfortável quando precisa assumir a liderança diante de alguma situação ou momento histórico difícil. Quando as coisas vão bem, todos querem ser líderes, mas em situações de crise, poucos se apresentam para liderar. Porém é nesses momentos - de crise e dificuldade - que a figura de um líder se torna indispensável.
Pessoas buscam no líder um ponto de apoio, um reforço emocional e, principalmente, uma direção segura quando as incertezas aumentam. Um estudo recente da revista americana Educational Leadership mostra que a grande maioria dos líderes se sente amedrontada em assumir posições mais firmes em momentos de crise e prefere abraçar uma postura mais branda, passando quase despercebidos. Em situações assim, os líderes se mostram muito tímidos, deixando de lado uma oportunidade única de ajudar os liderados a superarem crises e aprenderem lições especiais sobre enfrentamento e amadurecimento.
Assumir a liderança em momentos de crise exige pelo menos três grandes virtudes do líder.

A primeira é a responsabilidade.
Líderes são como capitães em momentos de naufrágio: devem ser os últimos a abandonar a embarcação quanto está afundando. Ainda que muitas vezes a culpa de uma crise não seja do líder, cabe a ele assumir a responsabilidade da gestão da crise, sendo um personagem importante no processo de vitória e superação.
Líderes estão sempre diante de decisões que podem afetar radicalmente a vida de pessoas e de organizações. Uma impressão errada sobre determinado assunto ou uma escolha precipitada podem levar a decisões erradas e a consequências terríveis. Por esse motivo que alguns líderes preferem não tomar decisões e veem sua carreira ruir diante de situações que exigem uma tomada de decisão. Não há como sobreviver na liderança sem tomar decisões ou então esperando que alguém as tome por você. E, diante do medo de errar e da necessidade de agir surge uma inquietude no coração de todo líder, um peso de responsabilidade que por vezes incomoda tanto que alguns chegam a abrir mão da liderança para aquietar seu coração.
É possível amenizar esse peso da responsabilidade? Sim! Podemos usar a sabedoria para lidar com as decisões, dividindo responsabilidades e diminuindo riscos. O primeiro passo nesse processo é compartilhar decisões. Não falo em passar a responsabilidade a outras mas sim dividir temas difíceis e ouvir outras pessoas que talvez possam esclarecer pontos ainda obscuros e ajudar na tomada de decisão. Compartilhar decisões é um processo que depende de confiança, entrosamento de equipe e delegação de poder. Ao admitir que você precisa de ajuda, opinião ou de dicas estará se abrindo para ouvir e aprender com o outro e isso será proveitoso, gerando um ambiente de grande participação.
Além de compartilhar decisões é importante buscar o máximo de informações possíveis sobre o tema a ser tratado. Talvez seja necessário contratar um técnico que entenda melhor do que você - e de sua equipe - todas as consequências relacionadas a determinada decisão. Uma consultoria pode ser esclarecedora e trará uma opinião externa, nada passional e fortemente técnica. Dependendo da decisão, investir em consultoria é uma boa pois evitará gastos provenientes de uma eventual decisão errada. Ler artigos sobre o assunto e até fazer algum curso rápido também são maneiras de ter as informações necessárias para uma decisão acertada.
Cautela, paciência, entendimento amplo dos riscos, estudo de casos semelhantes e uma boa dose de prudência são outros elementos que ajudam bastante a amenizar o peso da responsabilidade. Mas, não se iluda: decidir sempre traz riscos e corrê-los é uma das facetas da liderança que nem todo mundo gosta de lidar. Compartilhe decisões, busque ajuda e esforce-se ao máximo para não errar. Na maioria dos casos essa somatória de precauções dá certo e o resultado é positivo. Mas, se tendo feito tudo certo você ainda vier a errar, então, é assumir a responsabilidade e encarar o próximo desafio, afinal, nada como um bom acerto para ameninar o erro cometido.

A segunda virtude é a influência positiva, ou a motivação.
Um bom líder sempre será uma influência positiva. Seu papel será o de incentivar, motivar e despertar no liderado a força necessária para vencer as crises. Diante de uma situação difícil, não podemos esperar outro papel de um líder senão o de produzir força e coragem nos liderados para que vençam os desafios. A motivação de um líder tem um poder incrível - comenta John Maxwell, em O Livro de Ouro da Liderança.

A terceira virtude é a indicação de alternativas viáveis para a solução dos problemas.
Líderes são como placas que indicam caminhos. E quando se está perdido, qualquer placa, ainda que pequena, já ajuda bastante; quanto mais um líder, que se torna em um verdadeiro outdoor, indicando boas alternativas para sair da crise e viver momentos de paz e alegria.
Quando um líder assume a liderança em momentos de crise, muitas coisas podem acontecer, dentre elas, a transformação da crise em um momento de grande aprendizado e superação. Mas se um líder se omite, a crise pode tornar-se destrutiva, a ponto de acabar com uma organização, uma empresa e até uma igreja. Líderes nunca deveriam desprezar o grande potencial que têm para ajudar seus liderados a vencer crises!

Assuma sua liderança. Todos ao seu redor agradecerão!


(*)Técnico em Administração de Empresas. Graduado em Teologia pelo Seminário Teológico Batista do Sul do Brasil (Rio de Janeiro), com Mestrado em Ciências da Religião pela UMESP (São Bernardo do Campo) e Doutorado em Teologia pelo ITEPAR (Paraná).
Também é pós-graduado em ministério pastoral pelo Seminário Teológico de Dallas (USA). MBA em Gestão de Projetos pela UNICESUMAR. Cursou Capelania no Seminário Teológico Batista do Sul do Brasil.

Reprodução autorizada desde que mantida a integridade dos textos, mencionado o autor e a fonte como: http://boo-box.link/AWNB/ e comunicada sua utilização através do e-mail artigos@institutojetro.com.

terça-feira, 18 de novembro de 2014

Elefantes brancos e os projetos


Guilherme Ávilla Gimenez

Com certeza, você já deve ter utilizado a expressão "elefante branco", principalmente em relação a alguma obra pública, cujo investimento financeiro não dá retorno algum à sociedade. Mas, você sabe de onde vem essa expressão idiomática? Para entender de onde vem "elefante branco", precisamos viajar para o sudeste asiático, onde encontramos elefantes albinos - considerados sagrados - principalmente em Laos, Tailândia, Myanmar e Camboja. Para os moradores dessa região, o elefante albino trazia paz e prosperidade e, por esse motivo, os governantes os tinham em sua propriedade, mas também os presenteavam aos seus cidadãos favoritos. Para os governantes sustentarem tais animais não era problema. Mas, para alguns que os recebiam de presente, o elefante se tornava um grande estorvo, principalmente pela despesa.
Os elefantes eram protegidos pela lei religiosa e não poderiam ser utilizados para o trabalho, de modo que serviam unicamente de enfeite. E que enfeite caro! Um elefante chega a consumir 150 quilos de alimento por dia e bebe 110 litros de água. E isso por aproximadamente 50 anos. Quando alguém ganhava um elefante branco, já sabia que, dali para frente, teria enormes gastos, que, em geral, não se justificavam pelos supostos favores espirituais que o animal poderia trazer. Daí a expressão ‘elefante branco', que serve para identificar tudo aquilo que se torna um consumidor de recursos sem um retorno satisfatório.

Elefantes brancos na liderança
Na liderança, precisamos ter cuidado para não construirmos, comprarmos ou recebermos "elefantes brancos". Todo líder, na ansiedade de fazer algo grande, corre o risco de um alto investimento em algo cujo retorno pode simplesmente não existir. Vivemos momentos de escassez de recursos, todos estão diminuindo seus gastos, e não há como implementarmos projetos que se tornarão, em tempo curto ou médio, verdadeiros "elefantes brancos". E isso vale até para a família e projetos pessoais.
Quem nunca ouviu a história daquela pessoa que sonhava em ter uma casa na praia, um carro mais caro ou um apartamento maior? Pouco tempo depois, a pessoa estava diante de um "elefante branco" e, em vez de aproveitar o bem adquirido, não via a hora de se desfazer dele. E aí temos a origem de mais uma expressão idiomática: "duas alegrias: uma quando compra e outra quando vende". A questão é que alguns "elefantes brancos" não podem ser simplesmente vendidos. Alguns se tornaram patrimônio emocional de um grupo, equipe ou corporação. Não se pode simplesmente se desfazer dele, pelo menos de maneira rápida. Então, é melhor pensar bem antes de permitir que o ‘elefante' seja comprado, recebido ou construído.

Elefantes e os projetos
É aí que entra uma matéria muito importante da gestão de projetos, a avaliação de risco. Será que vale a pena fazer tal coisa? Implementar esse ou aquele projeto? E os custos que virão quando o tivermos em funcionamento? Avaliar riscos é fundamental para não termos prejuízos que venham inviabilizar outras ações e até projetos mais importantes para a família, empresa ou sociedade em geral.
E o que fazer depois de ter um "elefante branco" na empresa ou em casa? A única alternativa é desmistificá-lo, torná-lo rentável e prático para o uso. Em um primeiro momento, isso será difícil, visto que há todo um imaginário ‘religioso' associado a ele. Mas ou o desmistificamos ou o veremos morrer de fome... Ou, então, nós morreremos de fome, diante do consumo dos quilos, litros e reais que um ‘elefante' consumirá em cada período. O que preferimos?
Temos exemplos de grandes empreendimentos sendo reinventados em sua função e utilidade. Projetos sendo redimensionados a fim de gerarem pelo menos sua autossustentabilidade.
Todo líder terá de fazer algo em relação aos "elefantes brancos" que estão diante de si. Alguns, em sua própria casa. Outros, em sua empresa. E alguns deles, já considerados até ‘membros da família'. Que tal fazer uma lista de todos eles e começar a tratá-los de um modo mais racional e prático, considerando todas as possibilidades razoáveis, moralmente corretas e inteligentes? Quem sabe a "segunda alegria" venha rápido e solucione grande parte de seus problemas atuais.

(*) Guilherme Ávilla Gimenez
É Técnico em Administração de Empresas. Graduado em Teologia pelo Seminário Teológico Batista do Sul do Brasil (Rio de Janeiro), com Mestrado em Ciências da Religião pela UMESP (São Bernardo do Campo) e Doutorado em Teologia pelo ITEPAR (Paraná).
Também é pós-graduado em ministério pastoral pelo Seminário Teológico de Dallas (USA). MBA em Gestão de Projetos pela UNICESUMAR. Cursou Capelania no Seminário Teológico Batista do Sul do Brasil.
Fez vários cursos nas áreas de Técnicas de Gerência de Projetos, Gestão de Pessoas (Fundação Getúlio Vargas) e Curso de Liderança Avançada - Emerging Leadership Iniciative (Reconhecido pela Universidade Cornell - Estados Unidos) - Austin/TX
Foi Conselheiro da Convenção Batista do Estado de São Paulo, Relator do Conselho de Ação Social da CBESP, Secretário da Junta de Missões Mundiais da CBB e Conselheiro da Convenção Batista Goiana. É docente da Faculdade Teológica Batista de São Paulo e articulista da Editora Vida Nova no Site Teologia Brasileira. Atualmente é Conselheiro da Convenção Batista do Estado de São Paulo.
É Pastor da Igreja Batista Betel em São Paulo e conferencista nas áreas de Liderança e Espiritualidade. Semanalmente publica artigos de liderança no site www.prgimenez.net .

Reprodução Autorizada desde que mantida a integridade dos textos, mencionado o autor e o site www.institutojetro.com

quinta-feira, 2 de outubro de 2014

Homem que é homem

Entrevista com o Pastor Marcelo Gomes

Os desafios que enfrentamos não são apenas tecnológicos, econômicos e ambientais. Um dos maiores desafios para os homens e mulheres é sobre o ser homem e o ser mulher.
Há 8 anos Pr. Marcelo Gomes começou uma reunião com homens. No início eram 7, hoje reúne 500 homens todas as semanas. Afinal, o que é ser homem no século 21?

O Instituto Jetro entrevistou o Pr. Marcelo Gomes que é Graduado em Teologia pelo Seminário Teológico Rev. Antonio de Godoy Sobrinho, em Londrina-PR, pastor da 1ª Igreja Presbiteriana Independente de Maringá - PR e administra o site Espaço Palavra, com artigos, sermões, estudos bíblicos e reflexões. É escritor, autor dos livros "Aprenda a Lidar com a Ansiedade", "Deus em Pessoa", "Fé para Transformar a Vida" e "Sabedoria para Viver e Ser Feliz", dentre outros.
É o idealizador e o apresentador dos programas "Insight da Pan" (Jovem Pan Maringá/Mercosul) e "Linha Reta" (Rede TV Maringá/Londrina), bem como palestrante motivacional e conferencista.

Em sua opinião, quais são os grandes desafios e a maior responsabilidade do homem neste século?
O mundo de hoje tem características muito peculiares que precisam ser discernidas e enfrentadas com coragem e sabedoria. Primeiro, tornou-se mais tecnológico e dinâmico, o que faz com que o tempo pareça insuficiente e as capacidades ou recursos pareçam sempre aquém do que seria necessário. Também tornou-se mais competitivo e trouxe à luz uma nova mulher, mais ambiciosa, independente e crítica. Enfim, mas longe de esgotar o assunto, tornou-se mais individualista. As redes de interesse, sejam profissionais ou de entretenimento, substituíram a verdadeira amizade. O individualismo tem gerado isolamento e solidão, mesmo que o homem esteja sempre cercado de muita gente. Por estas e outras razões, creio que a maior responsabilidade do homem nos nossos dias é ser ele homem, humano, sem ceder à tentação de ser apenas profissional, pai, marido, provedor ou o que quer que se espere dele. Só assim perceberá sua necessidade de depender de Deus e o quanto é amado por Deus.

É necessário refletir sobre a masculinidade e feminilidade. Como os homens podem ser "homens" depois do fim da sociedade patriarcal? De que "homem" estamos falando e de qual homem a sociedade precisa?
Homens serão sempre homens e mulheres serão sempre mulheres. Há, em minha opinião, uma determinação biológica que interage de modo maravilhoso com os demais aspectos da vida humana, sejam eles racionais, emocionais ou volitivos. Mulheres foram criadas, por exemplo, para gerar a vida em si mesmas, enquanto o homem foi criado para gerar fora de si mesmo. Isso influencia a constituição da personalidade. Homens sempre terão disposição maior para o desempenho e mulheres, para o controle. Homens sempre serão mais fascinados por conquistas, enquanto as mulheres, pela construção de ambientes seguros. Elas são ambientes. Ambientes são extensões delas mesmas. Eles correm o risco de vender a alma com maior facilidade. Por isso, ser homem é desempenhar-se com amor. Conquistar sem destruir. Avançar sem abandonar. Nossas mulheres e nossos filhos precisam de homens maduros, aptos, confiantes e, sobretudo, confiáveis. Como Jesus, que foi adiante até cumprir a missão (está consumado!) sem deixar para trás aqueles que amou (não perdi nenhum dos que me deste!).

O pastor e psicólogo Jim Conway, em seu livro Men in Midlife Crises, diz que "a crise da meia idade é quase publicamente ignorada na igreja, embora muitos de seus membros irão passar pelo problema". Poderia falar sobre esta crise da meia idade nos homens?
Não acredito que haja uma crise da meia idade, mas que há crises próprias da meia idade. Não é uma crise por chegar à meia idade, mas por chegar de determinado modo à meia idade. Por exemplo: homens que foram muito cobrados desde a infância (e o mundo cobra os homens de um modo muito específico) e chegaram à meia idade sem as conquistas que lhes foram impostas, tendem a viver um tipo de crise que consiste de um certo sentimento de fracasso. Dentre eles, alguns culparão a si mesmos e se tornarão apáticos enquanto outros culparão os demais e se tornarão rancorosos. Outra possibilidade: homens que pagaram preços muito elevados desde cedo para alcançar objetivos e, na meia idade, vão tentar proporcionar a si mesmos certas compensações, configurando uma espécie de regressão. Sabe quando um homem de meia idade parece um adolescente, comprando brinquedos de adolescentes e querendo namorar adolescentes? Também há os que não preencheram lacunas afetivas e, na meia idade, sobretudo quando há perdas (os pais, avós e, ocasionalmente, irmãos), ressentem-se de não terem amado ou sido amados como poderiam. Há muitos tipos de crise que a meia idade pode desencadear, mas não é uma questão de idade, mas de verdades que a vida que passa impõe sobre nós.

Richard Foster em seu livro: "Dinheiro, sexo e poder" afirma que esta tríade atinge de maneira profunda e universal os homens. Poderia falar a respeito?
Jesus comparou o dinheiro com uma divindade e isso nunca foi tão forte como em nossos dias. Virou um fim em si mesmo. O presbítero Ednaldo Michellon, da IPI em Maringá, escreveu um livro onde denuncia o moneycentrismo. Se não cuidarmos, seremos servos, súditos do dinheiro, não mordomos do que pertence a Deus. Sobre o sexo, nem precisamos insistir que nossa sociedade ficou mais sensual e expositiva dos corpos. Um detalhe é que os corpos virtuais, idealizados e perfeitos, estão acessíveis para a admiração e a construção de fantasias. Há uma crise das experiência sexuais reais em relação às que são fantasiadas artificialmente. Sobre o poder, quanto mais poderoso um homem quiser ser, tanto menos conhecerá o poder de Deus e a benção da exaltação que nasce da humildade. A Bíblia realmente ordena que fujamos dos perigos que essa tríade representa.

Quais as características do homem de Deus?
O homem de Deus tem, acima de tudo, consciência de pertencer a Deus. Sabe que depende dele. Um homem de Deus nunca se considera provedor (pois sabe que a verdadeira provisão vem de Deus), imprescindível (pois sabe que todos, inclusive sua família, precisam mais de Deus que dele, e vai ajudá-los nesse caminho) ou dono da situação (pois sabe que só Deus é soberano e que Dele vem a resposta certa para os planos do coração). Outra coisa sobre o homem de Deus é que não será vitimista, um mal dos homens de hoje. O vitimismo é fruto da combinação explosiva de nosso desejo de reconhecimento, com senso de justiça própria, rancores e autocobranças exageradas. Ninguém me entende, ninguém me ajuda, ninguém sabe o que estou passando... São frases de gente vitimista. Homens vitimistas são infantis, acusadores, fechados em si mesmos e agridem a identidade de suas mulheres e filhos. Somente em Cristo podem ser curados dessa enfermidade de alma.

Um exemplo clássico de como a influência do homem é, sem dúvida, expressiva no meio familiar é evidenciado em estudos que concluíram que quando uma criança assume um compromisso com a igreja, 2% da família se envolve juntamente com ela. Quando uma mulher ou uma mãe assume um compromisso com a igreja, 17% da família se envolve juntamente com ela. Já quando um homem ou um pai de família assume um compromisso com a igreja, esse número aumenta para 93%. Você concorda? Qual a sua sugestão para a Igreja de hoje alcançar e treinar homens para a liderança?
Concordo. Há 8 anos reúno, semanalmente, um grupo de homens que chegou a 500 participantes. Iniciamos em 7, numa padaria. Hoje nossos encontros acontecem num Buffett, na cidade de Maringá. Durante esse período, vi na prática essa afirmação: homens que se interessaram pelo evangelho nesses encontros foram para a igreja com suas famílias e amigos. Acredito que a razão pode ser a seguinte: quando uma mulher parte em busca de Deus, o homem a observa com desconfiança, isso quando não lhe impõe limites ou reservas. Raramente está disposto a acompanhá-la. Acha que suas características femininas (e é um enorme preconceito de sua parte, diga-se) a impedem de perceber os equívocos e perigos de suas escolhas. Contudo, quando é o homem que decide buscar a Deus, sua mulher e filhos prontamente decidem apoiá-lo (na maioria dos casos), pois consideram que essa decisão pode ser uma solução e um benefício para as relações familiares, normalmente prejudicadas por ações desse homem que vinha sem Deus e sem valores claros para conduzir seu lar. Parece-me que isso ajuda a entender o fenômeno...

Demais considerações que achar oportunas.
Acho muito importante que as comunidades cristãs invistam em trabalhos específicos para homens, o que não é fácil em hipótese alguma... Não por causa do desejo de crescimento da igreja, mas porque a saúde da sociedade passa pela saúde dos homens, assim como das mulheres. E a Bíblia sagrada está recheada de histórias e exemplos de homens de Deus, cujas biografias têm o poder de lançar luz, ainda hoje, sobre as nossas. E temos Jesus de Nazaré, referência maior para homens e mulheres de todos os tempos, em cujo Nome somos salvos, que pode ajudar, pelo Espírito que nos deu, a sermos homens de verdade.

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