domingo, 27 de dezembro de 2009

Lei sobre ortotanásia pode abrir brecha para eutanásia

Por Miguel Martini

Legislar sobre a ortotanásia — que é o decorrer natural do processo de morte, sem intervenção de tratamento artificial que prolongue a vida vegetativa do paciente — pode abrir brechas para a aprovação da eutanásia no país. Por essa razão, somos contra uma lei a respeito desse tema. Consideramos melhor disciplinar sobre os procedimentos assegurados ao paciente.
Por isso, preocupado com o tema, apresentamos o projeto de lei 6.544/09, que dispõe sobre os cuidados devidos a pacientes que se encontram em fase terminal de enfermidade.
A vida humana deve receber todo cuidado e toda atenção, desde a concepção até completar seu curso natural, pois todo ser humano tem direito de nascer, crescer e chegar ao fim de sua vida com dignidade.
Sabemos que drogas e máquinas de última geração são capazes de manter um cidadão "vivo" por muito tempo, às vezes, por anos, sem nenhuma perspectiva concreta de recuperação.
No entanto, a ética, o bom senso e a caridade determinam ser desnecessário prolongar a vida artificialmente se tal procedimento não levar à esperança de reversão do quadro clínico ou da recuperação do paciente em casos terminais.
Um exemplo claro do que estamos falando — e que o mundo inteiro tomou conhecimento — ocorreu com o papa João Paulo 2º. Diante de sua enfermidade, mantê-lo vivo artificialmente, sobrevivendo por aparelhos, em nada melhoraria seu quadro, além de prolongar seu sofrimento e o de todos que o amavam.
É importante ressaltar que uma decisão da prática da ortotanásia deve sempre ser tomada com aquiescência do paciente e dos seus familiares e/ou responsáveis, conforme aconteceu com o papa João Paulo 2º.
À luz do projeto de lei que queremos aprovar, é mais ético e moral que se procure aliviar a dor do paciente e que se lhe ofereça qualidade de vida junto a seus familiares, evitando intervenções agressivas que não trazem esperança de vida, e sim mais sofrimento e desgaste para o paciente e para a família.
Urge alertar a classe médica para um sério discernimento sobre as condições do paciente e dos meios terapêuticos à disposição, pois a renúncia a meios extraordinários ou desproporcionados não equivale ao suicídio ou à eutanásia. O projeto de lei 6.544/09 distingue-se em tudo e por tudo da eutanásia, que não é aceitável.
O médico deve esclarecer ao paciente em fase terminal de enfermidade, à sua família e ao seu representante legal as modalidades terapêuticas, adequadas e proporcionais para o tratamento do seu caso específico.
O papa Pio 12, em 1957, afirmava que é lícito suprimir a dor por meio de narcóticos, mesmo com a consequência de limitar a consciência e abreviar a vida, "se não existem outros meios e se, naquelas circunstâncias, isso em nada impede o cumprimento de outros deveres religiosos e morais".
No entanto, também deve ser considerado que a Igreja Católica nos diz, no Código Canônico (nº 65): "Não se deve privar o paciente da consciência de si mesmo, sem motivo grave. Quando se aproxima a morte, as pessoas devem estar em condições de poder satisfazer as suas obrigações morais e familiares e devem sobretudo poder preparar-se com plena consciência para o encontro definitivo com Deus".
Os dois princípios devem ser considerados antes de qualquer decisão. Consideramos, ainda, fundamental que haja mecanismos que permitam, com segurança, detectar casos semelhantes a esses e que os pacientes deles se beneficiem, sem, no entanto, abrir-se à possibilidade da prática da eutanásia.
Acreditamos que, com a aprovação do projeto de lei de nossa autoria, daremos os balizadores necessários para que a comissão de ética multidisciplinar em cada unidade hospitalar possa intervir com segurança nesses casos.
O assunto certamente levará a profundos debates na Comissão de Seguridade Social e Família, onde tramitam as duas proposições.
Assim, daremos uma resposta à sociedade atendendo aos pressupostos da ética médica, da dignidade humana e do profundo respeito aos direitos do paciente.

[Artigo publicado originalmente na Folha de S.Paulo, em 26 de dezembro de 2009.]

quarta-feira, 23 de dezembro de 2009

Liderar para cima

por José Bernardo

“Disse, pois, o faraó a José: Uma vez que Deus lhe revelou todas essas coisas, não há ninguém tão criterioso e sábio como você. Você terá o comando de meu palácio, e todo o meu povo se sujeitará às suas ordens. Somente em relação ao trono serei maior que você.” Gênesis 41:39,40 [NVI]
Já servi sob pessoas sem habilidades de relacionamento, sem visão do próximo, sem objetivos claros, sem metodologias definidas e, o que é pior, sem valores consistentes. Pode parecer uma situação desconfortável mas, conforme o ensino de Jesus, essa é a posição mais promissora para liderar – a posição de servo (Mc 9:35). Foi em situações assim que pensei em liderar para cima.
Primeiro é preciso perceber que a idéia de um servo liderando o chefe é até frequente em nosso dia a dia. Quando você contrata um cabelereiro, por exemplo, é você quem está pagando, é você quem diz o que quer, no entanto, logo depois, está obedecendo a cada mínima ordem que ele dá. – Abaixe a cabeça, diz o servo, você abaixa; – Vire de lado, diz o servo, você vira. Aquele que está servindo é quem lidera, e você o segue.
Por que o servo manda? Porque ele é especializado no serviço que executa. Ele sabe o que faz, tem experiência e, por isso, quando ele manda o chefe obedece. Ao liderar para cima, devemos nos concentrar em fazer um trabalho excelente e constante. Isso é decisivo.
Por que o chefe obedece? O desejo ou a necessidade de obter um determinado resultado é a motivação que orienta todas as ações dos seres humanos. O chefe obedece porque vê a possibilidade de ser suprido. Ao liderar para cima, é preciso entender e prover o que o chefe deseja ou precisa.
Por que o ciclo se estabelece? O chefe que obedeceu fica satisfeito porque teve suas necessidades atendidas, o servo que liderou fica satisfeito porque recebe o pagamento pelo seu esforço. Se esse ciclo de satisfação puder ser mantido, a liderança fica definitivamente revertida.
Foi o que o servo José experimentou no Egito. Indepedente do Faraó que esteja assentado no trono à sua frente, o trabalho especializado e a satisfação pelos resultados podem colocar você no comando do palácio e do povo, para a glória de Deus e satisfação de todas as partes. Se você é um servo, lidere para cima. Se você não é um servo, trate de ser!

AMME

quarta-feira, 2 de dezembro de 2009

Medo de liderar?

por José Bernardo

Você tem medo de liderar? Recentemente, em uma reunião, nossos missionários falaram sobre o medo que a maioria das pessoas tem de assumir uma posição de liderança. Talvez eu não estivesse muito atento para isso, mas pensar que as pessoas têm medo de liderar me deixou admirado e apreensivo.
Fiquei admirado porque não conheço outro caminho para a melhoria, o desenvolvimento ou o progresso se não houver alguém na liderança, apontando para um novo objetivo e animando as pessoas a alcançarem-no. Fiquei apreensivo porque a evangelização é essencialmente liderança – se o crente não quer liderar, se não se dispõe a ser um líder, nunca evangeliza.
A palavra líder guarda a primeira conexão com a evangelização já em sua origem no inglês antigo (lithan = ir / Merriam-Webster). Ir é o significado original de líder e a ordem de Jesus à sua igreja. Uma das melhores definições de liderança e, possivelmente, a mais precisa é atribuída a Peter Druker, reconhecido especialista em administração: “A única definição de líder é alguém que possui seguidores”. Uma definição assim evoca imediatamente a figura de Jesus dizendo àqueles empresários da pesca – “sigam-me e eu farei de vocês pescadores de homens” (Mt 4:19). “Vão e façam discípulos” (Mt 28:19) reflete a mesma ideia. Jesus liderou assim, mostrou como se faz e nos mandou fazer o mesmo.
O coronelismo e a pobreza de muitos anos podem ter sido as razões de havermos desenvolvido uma cultura popular de seguidores, gente que acha mais santo e mais humilde ficar para trás, mas é fato que grande parte dos brasileiros não assume a liderança. Entre os evangélicos, isso quer dizer que não evangelizam – não tomam a iniciativa, não vão e fazem discípulos.

AMME

Liderar é bom

por José Bernardo

“Fiel é a palavra: se alguém aspira ao episcopado, excelente obra almeja.”
1Timóteo 3:1

Eu me lembro de um seminarista a quem ofereceram o pastorado de uma igreja. Inicialmente, mesmo querendo aceitar, ele disse que não queria, depois, quando a igreja chamou outro, aquele seminarista tornou-se um problema para o novo pastor, para a igreja e para si mesmo. Muitas pessoas agem desta forma, parece a elas que desejar a liderança é algo indecente, então fingem que não querem liderar.
Paulo não pensava assim, e disse ao jovem Timóteo para considerar melhor o desejo pelo episcopado – ou seja, supervisionar outros crentes. Então, por que desejar a liderança veio a parecer tão ruim? Penso que o primeiro problema está no que entendemos por liderança. Nosso país viveu sob a sombra do coronelismo. Em seu despótico uso das pessoas, este vício político afeta ainda hoje todos os poderes em nossa nação e invalida a nossa democracia. Esse mal também estende suas garras para dentro das igrejas e produz competição, manipulação, violência, dissensões e divisões.
Mas liderar é bom. A primeira indicação do porquê Paulo pensar assim é a palavra “excelente”, seguida por uma descrição do caráter e da conduta de quem pode ser efetivamente aceito como líder. Fica claro o conceito de liderar pelo exemplo e pelo serviço. Liderar é bom porque nos desafia a sermos o exemplo e a oferecer nossa vida como modelo.
Uma outra indicação da importância da liderança vem no final do assunto, quando Paulo explica por que está dando tais instruções: “…para que, se eu tardar, fiques ciente de como se deve proceder na casa de Deus…” 1Tm 3:15. A igreja precisa de líderes para realizar o propósito de Deus e é bom que esses líderes apareçam. Sem líderes a igreja não evangeliza, não cumpre sua vocação.
Liderar é bom. Qualquer que seja o trauma que você tenha contra a liderança, qualquer que seja o motivo de você fugir dessa posição, supere tudo e pense sobre essas palavras de Paulo. Para que milhões sejam evangelizados, transformados e preparados para continuar a obra de Deus, os líderes são necessários. É bom que apareçam. É bom que você seja um deles.

AMME

Liderar depois do fracasso

por José Bernardo

Projetos evangelísticos que poderiam ter sido, enfim, bem sucedidos, são enterrados e esquecidos por causa de um fracasso inicial. O fracasso horroriza e paralisa os líderes, inclusive os evangelistas, mas é preciso enfrentar isso.
Quando penso em fracasso, há um texto bíblico que me salta à mente: O fracasso de Josué e seu povo diante da cidadezinha de Ai (Josué 7). É fácil tomar esse texto pelo ângulo da santificação e ensinar sobre o risco do pecado oculto. Mas o foco do texto não é esse – ele fala principalmente do fracasso e do sucesso no enfrentamento em Ai.
A primeira coisa que nos chama atenção é o sucesso. Josué e seu povo haviam acabado de obter uma vitória esmagadora em Jericó e estavam vivendo a euforia do sucesso. O sucesso é a condição fundamental para o fracasso: ninguém fracassa enquanto não é bem sucedido. Josué não aparece falando com Deus antes de invadir Ai, ele apenas enviou espias e se sentiu seguro em atacar com uns poucos soldados apenas. A euforia do sucesso nos deixa arrogantes, desatentos e nos leva a minimizar os riscos.
Depois do fracasso veio a prostação. Josué e sua equipe ficaram prostrados, lamentando-se. Eles não sairiam daquela posição, como muitos líderes não saem, já que algumas coisas bem comuns os algemava ali. Primeiro estavam procurando um culpado para seu fracasso e acharam que o culpado era Deus – que novidade! Depois começaram a achar que o erro havia sido avançar, inovar – a mesmice pareceu mais confortável e segura. Finalmente mostraram seu verdadeiro temor – o que os outros vão pensar? O que os outros vão fazer? Nenhuma dessas três atitudes tão comuns nos tira do fracasso.
Então Deus disse a Josué: Levanta-te! Isso foi o começo da superação do fracasso. Deus requereu três coisas de Josué para a superação do fracasso. Primeiro uma pesquisa, uma inquirição, não por um culpado mas pela causa do fracasso. Depois uma medida de enfrentamento que envolveu confissão, correção e restituição. Finalmente um novo plano de ataque aproveitando, vejam só, a arrogância, desatenção e menosprezo dos homens de Ai, eufóricos com seu sucesso anterior.
Não há garantias de que evitaremos sempre o fracasso. Mas podemos ter certeza de que é possível seguir liderando mesmo depois de fracassar. Levanta-te!

AMME

O caminho da unidade

por José Bernardo

“Como é bom e agradável quando os irmãos convivem em união!” Salmo 133:1 [NVI]

Um dos grandes desafios da liderança é a unidade. Manter um grupo de jovens unidos no propósito da evangelização, manter a igreja unida no esforço missionário – são desafios assim que o evangelista, como líder, sempre enfrenta. Quando pensamos em liderança, logo lembramos do salmo 133, texto áureo da unidade. Nesse salmo aprendemos muito sobre como manter unidas as pessoas que lideramos.
O salmo, atribuido a Davi e classificado como ‘cântico dos degraus’, mostra logo uma ótima idéia quando o assunto é unidade. O líder ministra sobre o assunto de forma simples, elementar, usando uma canção, que as pessoas cantavam enquanto caminhavam juntas em suas peregrinações a Jerusalém, para manter princípios básicos da unidade sempre em sua mente.
O texto não exorta à unidade, nem ordena ou convida, nem mesmo procura convencer as pessoas a se unirem. O texto apresenta as vantagens da unidade, divulga que é bom e agradável, oferece algo que elas querem. Muito sábio, porque quando a união é algo obrigatório, sofrível, sacrificial, parece nunca acontecer.
A divulgação das vantagens também não fica vazia. O líder torna essas vantagens bem tangíveis, usando duas ilustrações que as pessoas podiam entender. Para a vantagem espiritual ele usa a ilustração da unção sacerdotal, que significava a escolha e o favor de Deus. Para a vantagem material ele usa a ilustração do orvalho no monte Hermom que, com seu cume coberto de neve era uma bênção para a agricultura durante as secas de verão.
O breve e eficaz ensino é concluído perfeitamente na última frase onde o líder assegura que, vivendo em unidade, as pessoas receberiam de Deus a bênção espiritual e a vida material, deixando à sua escolha o andarem unidas ou não. Que poderosa mensagem essa, que atravessou três milênios e ainda é nosso principal texto sobre unidade! Que precioso recurso para nosso aprendizado e prática como líderes.
Davi começou a aprender sobre liderança muito cedo. Por volta dos dezesseis anos ele estava derrubando gigantes. Precisamos ajudar os “Davi” de nosso tempo, preparando-os para a tarefa que Deus tem para eles. Para isso preparamos a Escola Intensiva de Evangelização da AMME. De 15 a 30 de janeiro vamos preparar adolescentes e jovens para serem líderes.

AMME

Líderes dispensáveis

por José Bernardo

“Meus irmãos, não vos torneis, muitos de vós, mestres, sabendo que havemos de receber maior juízo.” Tg 3:1 ARA.

Sempre me intriga a comparação entre Paulo dizendo a Timóteo que o desejo de liderar é bom (1Tm 3:1), e Tiago desestimulando pessoas de ambicionarem a liderança.
Contudo, detendo-nos um pouco no que Tiago ensinou, vemos que ele estava propondo uma espécie de vestibular da liderança, uma prova para saber quem pode e quem não pode ser líder. A prova é o controle da lígua.
Tiago começa a falar sobre este assunto como sequência de seu ensino sobre a natureza funcional da fé “Assim, também a fé, se não tiver obras, por si só está morta.” Tg 2:17 ARA. No capítulo três ele destaca o falar como uma das obras mais significativas que alguém pode fazer: “Se alguém não tropeça no falar, é perfeito varão” Tg 3:2 ARA. Tiago compara a língua ao pequeno leme que manobra um grande navio. Excelente figura de liderança.
De fato, sendo o ensino é a expressão essencial da liderança – principalmente para os crentes que devem ir fazer discípulos – falar é a ferramenta básica da liderança cristã. Se não formos capazes de usar corretamente a língua, mas tivermos um falar impuro, que provoca brigas e separações, mais destruiremos do que construiremos, mais dispersaremos do que ajuntaremos.
Paulo, mesmo enfatizando o bom que é desejar a liderança, faz sua própria lista de critérios, entre eles a aptidão para o ensino e a capacidade de controlar seus próprios impulsos. No contexto, em outras de suas cartas, também outros autores em toda a Bíblia, em Provérbios de modo especial – o tema do uso da língua é amplamente ensinado nas Escrituras.
Para selecionar líderes que utilizem bem a fala para liderar e não para destruir, Tiago acena com o maior rigor com que os líderes serão julgados. Jesus também falou sobre isso quando disse: “Mas àquele a quem muito foi dado, muito lhe será exigido; e àquele a quem muito se confia, muito mais lhe pedirão.” Lc 12:48.
A intenção manifesta do texto não é desestimular as pessoas de liderar, mas obter líderes que saibam usar a língua para ensinar, evangelizar, abençoar, orientar. Se alguém não domina sua língua é dispensável como líder.
Comunicação é essencial para a liderança. Para ajudar jovens com isso, preparamos a Escola Intensiva de Evangelização da AMME. De 15 a 30 de janeiro vamos preparar adolescentes e jovens para serem líderes que se comuniquem bem.

AMME

segunda-feira, 23 de novembro de 2009

O OUTRO O CONDUZIRÁ

por Henri Nouwen

O mundo diz: “Quando vocês são jovens são dependentes de seus pais e não podem ir aonde querem, mas quando ficarem mais velhos serão capazes de tomarem suas próprias decisões, tomar seus próprios caminhos e controlar seus próprios destinos”.
Mas Jesus nos dá uma visão completamente diferente da maturidade: é a habilidade e a disposição de ser guiado pelos outros.
O caminho do líder cristão ao é o caminho da ascensão, no qual o mundo investe tanto. É o caminho descendente que termina na cruz.
Aqui nós focamos na qualidade mais importante da liderança cristã no futuro. Não é uma liderança de poder e domínio, mas uma liderança de fraqueza e humildade, através da qual o servo sofredor de Deus, Jesus Cristo, se manifesta. Obviamente, não estou falando sobre uma liderança psicologicamente fraca, na qual o líder cristão é simplesmente a vítima passiva das manipulações do seu meio. Não, estou falando de uma liderança na qual o poder é constantemente abandonado em favor do amor. É uma verdadeira liderança espiritual.
O líder cristão do futuro precisa ser radicalmente pobre, viajando sem nada a não ser um cajado (“sem pão, sem mochila, sem dinheiro, sem uma segunda túnica” Mac. 6:8).
O que há de bom em ser pobre? Nada, exceto que isto nos oferece a possibilidade de exercer liderança, deixando que outros nos liderem.
Passaremos a depender das respostas positivas ou negativas daqueles a quem somos enviados e, dessa forma, seremos realmente conduzidos para onde o Espírito de Jesus nos quer guiar.
A abundância e as riquezas nos impedem de realmente discernir o caminho de Jesus.
Paulo escreve a Timóteo:”Mas os que querem ser ricos caem em tentação e cilada, e em muitas concupiscências insensatas e perniciosas, as quais afogam os homens na ruína e perdição” (I Tim. 6:9).
Se há alguma esperança para a Igreja no futuro, será a esperança de uma Igreja poder, que tem líderes dispostos a serem liderados.

Retirado do livro: Líder Cristão do século XXI

sexta-feira, 6 de novembro de 2009

Liderança cristã e o meio ambiente

Há, sem duvida alguma, uma relação intima entre liderança cristã e o meio ambiente. Não é possível exercer a liderança sem se preocupar com o cuidado do meio ambiente. Na verdade, o meio ambiente é o nosso mundo. Cuidar do meio ambiente é cuidar do ser humano, pois a qualidade de vida é essencial para a saúde do homem. A Igreja deve ser o exemplo de comunidade que ensina e pratica a coleta seletiva do lixo; a economia de água e energia; o plantio de árvores; a diminuição dos poluentes. O líder cristão, uma vez na direção da igreja, há de ensinar o povo a cuidar muito bem da natureza que Deus criou com tanto amor. Cuidar do meio ambiente é muito mais que moda, é estilo de vida saudável. O cristão como cidadão deve ser o exemplo de responsabilidade social e desenvolvimento sustentável. A destruição das florestas, a contaminação dos rios e mares, estão intimamente ligados à questão econômica. Motivados pela ganância e pelo egoísmo, o homem é um predador insaciável da natureza. Tem-se muito pouco respeito pela fauna e pela flora. Os números do desmatamento, das erosões e poluição dos rios é simplesmente alarmante. É uma vergonha para um país minimizar a questão ambiental. O agente vital da sustentação do eco-sistema é o homem. Deus deu ao homem a condição de ecônomo, isto é, de administrador dos recursos naturais.

Em seu livro “Poluição e Morte do Homem”, o Dr. Francis Schaeffer já estava alertando para o perigo da irrelevância do meio ambiente para o homem moderno. Poucos buscam unir empreendimento comercial com a sustentabilidade do meio ambiente. “O homem tem o poder para dominar a natureza, porém o usa de modo errado. O cristão tem a responsabilidade de mostrar este domínio, porém corretamente: concedendo às coisas seu valor real; dominando, porém sem destruir. A Igreja sempre deveria ter ensinado este fato, porém, de modo geral, tem fracassado em fazê-lo, e necessitamos confessar nosso fracasso. Francis Bacon compreendeu isto, e assim outros cristãos de outros tempos o têm entendido também, mas devemos dizer que durante muito tempo os mestres cristãos, incluindo os teólogos mais ortodoxos, têm mostrado uma autêntica pobreza com respeito a este ponto” (Schaeffer, 1976, 80). Na verdade, é o chamado ‘empreendimento saudável’ que procura unir o útil ao agradável. O cristão comprometido com as Escrituras tem uma visão bem apurada do eco-sistema. Ele é um participante efetivo do desenvolvimento sustentável. Ele planta e estimula a plantar árvores, trabalha na despoluição dos rios e conscientiza as pessoas acerca da coleta seletiva e do uso econômico da água e da energia. Tratar o meio ambiente com responsabilidade é uma tarefa continua do líder cristão comprometido com a ética do Reino de Deus. As Igrejas, lideradas pelos seus pastores, devem ser conscientizadas acerca das diversas ações eficientes com relação a questão ambiental. O líder cristão deve ser um leitor e pesquisador deste assunto tão atual e desafiador. Não há como ser diferente. A liderança cristã deve estar sempre atenta para os movimentos ambientais ao redor do mundo. Todos os tratados ambientais devem ser conhecidos. Como cristãos, a nossa posição será sempre a do equilíbrio entre o meio ambiente e a produção de bens e serviços. O binômio economia-ecosistema deve definir a agenda do desenvolvimento de um país. Todo o mundo deve estar atento para as políticas de gerenciamento ambiental. Há vários manuais que ajudam a tratar com responsabilidade as questões ambientais. Somos, como cristãos comprometidos com os valores do Reino de Deus, responsáveis pelo treinamento dos nossos filhos e netos no quesito ambiental. Deus será glorificado à medida que nós tratamos a Sua natureza com amor e responsabilidade.

Oswaldo Luiz Gomes Jacob

segunda-feira, 21 de setembro de 2009

Liderança não é para qualquer um

Ed René Kivitz

O exercício da liderança é um privilégio e uma responsabilidade de poucos. Usando nossa linguagem teológica, as “pessoas dons” (Efésios 4: 11) são sempre em número muito menor do que as “pessoas com dons” (Efésios 4.12).
As pessoas dons são responsáveis pela eficácia (fazer as coisas certas) e a eficiência (fazer as coisas da maneira certa) da organização. Quando você tem um problema de liderança, você tem um problema de líderes, e não de liderados. Espera-se, portanto, que os líderes sejam líderes, isto é, tenham no mínimo, uma visão clara do futuro para onde conduzem seus liderados, uma sensibilidade aguçada para que este futuro seja fruto dos sonhos e anseios dos liderados e um senso de responsabilidade para com a organização/organismo, pois os líderes não são servos dos liderados, mas servos da visão comum. Servir os liderados é a maneira como os líderes servem à visão, e não sua finalidade essencial.
Diante destas responsabilidades, acredito que ninguém será capaz de exercer satisfatoriamente a função de liderança, sem o desenvolvimento de pelo menos três capacidades.
A capacidade de conviver com a solidão. Líderes são líderes porque enxergam, percebem, sentem, sabem, estão dispostos a sacrifícios, possuem paixão diferenciados em relação aos liderados. Um líder na média dos seus liderados é um liderado que está no lugar errado, a saber, ocupando a posição de líder. Águias não voam em bandos.
A capacidade de tomar decisões impopulares. John Kennedy disse que o segredo do fracasso é “tentar agradar todo mundo”. O líder deve sempre tentar construir consenso, mas deve ter coragem para tomar decisões e assumir responsabilidades. Caso contrário, será um “facilitador de discussões”, e não um líder de fato.
A capacidade de conviver com críticas. Como se diz no popular, “nem Jesus Cristo agradou todo mundo”. Nesse caso, uma vez que o líder se posiciona, assumindo sua responsabilidade de levar todo mundo rumo ao bem comum, certamente contrariará interesses particulares, e conseqüentemente será alvo de palavras duras e imerecidas. Sempre.
Eis as razões porque o exercício da liderança não é para qualquer um.

©2005 Ed René Kivitz
Igreja Batista de Água Branca/SEPAL

quarta-feira, 26 de agosto de 2009

Liderança e integridade de coração

Liderança “Nada do que tocamos é eterno”

Por: Ronaldo Lidório

Esta é uma frase de Charles Kerman que nos ajuda quando tentamos responder a seguinte pergunta: quais são os critérios com os quais Jesus julga a minha vida?

Frequentemente julgamos a vida alheia a partir de valores mais externos, contábeis e visíveis, do que pelo que se passa no coração. E assim nos encantamos com homens, histórias, livros e lideranças que não encantam a Deus.

A presente sociedade leva-nos a crer que somos aquilo que aparentamos e não são raras as vezes em que somos julgados pelos nossos títulos, realizações, influência e tantas outras credenciais que tentam plasticamente definir nossa aparência pública. Entretanto, no Reino de Deus, pregado por Jesus, estas roupagens não representam a nossa identidade, quem de fato somos.

Possuimos uma tendência natural para nos escondermos. Somos, portanto, seres construtores de máscaras. Construímos máscaras com o mesmo intuito que o fazem os povos tribais em rituais xamânicos: para o engano do próximo e manipulação social. Creio que as máscaras que somos tentados a construir possuem, em um primeiro momento, a intenção de apresentar uma imagem que julgamos ideal para os de longe. Comumente esta imagem não representa a verdade do nosso ser, mas sim uma idéia utilitária que tentamos exportar. Se temos sucesso na construção de máscaras que vendam esta imagem aos de longe somos tentados a construir máscaras mais elaboradas, refinadas, que possam enganar também os de perto. É por isto que podemos nos surpreender com alguém bem perto de nós, de nosso círculo de amizade e relacionamento, que repentinamente se desvenda como portador de valores e práticas antagônicas com a imagem que dele tínhamos. É que não o conhecíamos. Olhávamos para ele, mas enxergávamos sua máscara. Mas não paramos aí.

Como seres construtores de máscaras, ao chegarmos ao ponto do engano coletivo aos de longe e perto nos propomos a uma nova empreitada, ainda mais desafiadora: construir máscaras que enganem não apenas o outro mas a nós mesmos. Chamo tais máscaras de máscaras do auto-engano. Aconselhava um cristão que se surpreendeu consigo mesmo ao trair a confiança de um líder que amava e admirava. Em meio a lágrimas exclamou: como pude fazer isto? Então pensei: quantas vezes esta pergunta nos persegue? O auto-engano não é apenas possível, mas infelizmente frequente. Pode levar homens e mulheres e jamais confrontarem suas mazelas e pecados levando-os a viverem como se tudo estivesse bem.

A construção de máscaras de engano e auto-engano é uma prática pecaminosa que nos leva para longe de uma conversa franca e necessária sobre a nossa vida, fugindo assim de um dos assuntos mais controvertidos e evitados pelo homem desde sua queda: a verdade.

No Reino da luz a verdade é o fundamento para qualquer avaliação. Não por acaso a Palavra nos diz que ela nos libertará. A ausência da verdade, por outro lado, nos mantém cativos às mesmas masmorras psíquicas, volitivas e comportamentais de sempre. E o auto-engano, quando a psiquê humana mente para ela mesma tentando racionalizar o pecado e a fraqueza, torna-se uma das fortes oposições à verdade.

O elemento principal com o qual Jesus nos avalia é bem menos visível menos contábil e certamente menos observado por aqueles que nos cercam, pois Ele nos vê no íntimo, sem máscaras, manipulações ou enganos. A Palavra usa expressões como “coração puro ”, “de todo o teu coração” , “integridade do coração” , e “santidade ao Senhor” para nos fazer entender que somos mais avaliados por Cristo pelas coisas do coração e não pela nossa roupagem. Entenda claramente algo: Jesus conhece o secreto da sua vida. Ele certamente não se impressiona pelas grandes construções que levantou, realizações aplaudidas por multidões ou teses defendidas debaixo dos holofotes. O Carpinteiro olha direto para o seu coração e vasculha a sua alma. E é justamente neste campo que você será encontrado fiel, ou não.

Em 1 Samuel 16 o profeta buscava o ungido do Senhor entre os filhos de Jessé. Antes de indicar Davi, que viria a ser rei sobre Israel, o Senhor diz a Samuel: “... Não atentes para a sua aparência, nem para a grandeza da sua estatura, porque eu o rejeitei; porque o Senhor não vê como vê o homem, pois o homem olha para o que está diante dos olhos, porém o Senhor olha para o coração”.

William Hersey Davis, tentando fazer-nos diferenciar entre a ilusão do palco e a realidade da vida, compara caráter e reputação quando diz:

“As circunstâncias nas quais você vive determinam sua reputação.
A verdade na qual você crê determina o seu caráter.
Reputação é o que pensam a seu respeito.
Caráter é quem você é.
Reputação é a sua fotografia.
Caráter é a sua face.
A reputação fará de você rico ou pobre.
O caráter fará de você feliz ou infeliz.
Reputação é o que os homens dizem a seu respeito no dia do seu funeral.
Caráter é o que os anjos falam de você perante o trono de Deus” .

É certo que não podemos purificar nosso próprio coração. Dentre tantas verdades marcantes do Cristianismo uma delas é esta: nós dependemos de Deus. E dependemos dEle para crer, para segui-lo e para nos parecermos mais e mais com o Filho. Assim creio que o objetivo de Cristo é tão somente levar-nos a orar como o salmista: “Cria em mim, ó Deus, um coração puro, e renova dentro em mim um espírito inabalável ”.

SEPAL

quinta-feira, 6 de agosto de 2009

Paulo Freire e o Líder como Educador

No blog da HSM foram publicados dois posts muito interessantes sobre a questão da educação (clique aqui e aqui para ler). Em um deles é citado um dos maiores educadores mundiais, o brasileiro Paulo Freire. Como estudioso, ativista social e trabalhador cultural, Freire desenvolveu, mais do que uma prática de alfabetização, uma pedagogia crítico-libertadora . Em sua proposta, o ato de conhecimento tem como pressuposto fundamental a cultura do educando; não para cristalizá-la, mas como “ponto de partida” para que ele avance na leitura do mundo, compreendendo-se como sujeito da história. É através da relação dialógica que se consolida a educação como prática da liberdade. Paulo Freire representa um dos maiores e mais significantes educadores do século XX. Sua pedagogia mostra um novo caminho para a relação entre educadores e educandos. Caminho este que, consolida uma proposta político-pedagógica elegendo educador e educando como sujeitos do processo de construção do conhecimento mediatizados pelo mundo, visando a transformação social e construção de uma sociedade justa, democrática e igualitária.
Seu pensamento rompeu a relação cristalizadora de dominação, buscando pensar a realidade dentro do universo do educando, construindo a prática educacional considerando a linguagem e a história da coletividade elementos essenciais dessa prática. Seu trabalho revela dedicação e coerência aliados a convicção de luta por uma sociedade justa, voltada para o processo permanente de humanização entre as pessoas onde ninguém é excluído ou posto à margem da vida. Paulo Freire provou que é possível educar para responder aos desafios da sociedade, neste sentido a educação deve ser um instrumento de transformação global do homem e da sociedade.
O principio central da proposta pedagógica do professor Paulo Freire é o da educação transformadora, na qual a educação é uma atividade onde professores e alunos, mediatizados pela realidade que apreendem e da qual extraem o conteúdo da aprendizagem, atingem um nível de consciência dessa mesma realidade, a fim de nela atuarem para transformá-la, ou seja, a principal característica da proposta é refletir sobre a própria realidade, para que seja possível levantar hipóteses e procurar soluções para transformar a realidade.
Paulo Freire rejeitava as tendências que buscam formatar o aluno como ente passivo e mero receptor/repetidor de conteúdos formatados. A experiência revela que os indivíduos assim formatados se tornam medíocres, sem estímulo para a criação. Um educador nega a educação e forma seres de consciência ingênua quando acha que os educandos devem repetir o que ele diz em sala de aula. Isso significa tratar o aluno como objeto e não reconhecê-lo como sujeito do processo educacional.
Diante disso, o homem não é um ser para adaptação, uma vez que adaptar significa acomodar, contrapondo-se a criar e transformar indo contra o ímpeto próprio do ser humano que é a criação.
Agora, vamos traçar um paralelo com o papel dos líderes nas empresas. O líder deve ter um compromisso com a formação e o desenvolvimento das pessoas. Líderes são inconformistas por natureza e, por essa razão, estão sempre em busca de quebrar paradigmas, principalmente aqueles ilustrados pela famosa frase “Aqui sempre foi assim” que caracteriza a repetição eterna de ações e posturas. Seu compromisso deve ser com a transformação das pessoas e da realidade.
Seu compromisso deve ser encarar a realidade de frente, por mais que ela seja cruel e pertubadora, atuando com franqueza e com compromisso com a ética e não com a visão míope de pessoas paralisadas pela tentativa de manutenção do status quo.
Deve atuar mais com perguntas do que oferecendo respostas. Questionar é preciso. Diante disso, terá que adotar uma postura mais humilde e menos competitiva com sua equipe. Terá que exercer a função do lider moderno que é transformar o conhecimento em resultados. Deve exercer sua liderança a partir das pessoas que compõem a sua equipe, assim como o educador deve atuar a partir da realidade do educando. Ao invés de impor, deve desafiar sua equipe a buscar soluções para os problemas que surgem no cotidiano das empresas, atuando efetivamente na construção do futuro da empresa. Deve ter o compromisso com a formação de pessoas com espírito critico e questionador das muitas verdades absolutas existentes dentro das empresas.
Durante todo esse processo, deve adotar postura humilde de aprender com seus colaboradores focando nos benefícios da interdisciplinaridade e da troca de experiências que concretizam a idéia da mútua dependência entre as partes e o todo. A relação deve ser horizontal dentro de um processo democrático de aprendizagem mútua, pautada pelo respeito e o diálogo por meio da troca de experiências. Assim como Paulo Freire preconizava que quem ensina aprende ao ensinar e quem aprende ensina ao aprender, o líder deve estar preparado para liderar e ser liderado pela sua equipe.
Não estamos mais em tempos da economia industrial, os chamados “Tempos Modernos”, em que o princípio vingente era o da repetição desvinculado do pensamento. Estamos em uma nova economia, a economia do conhecimento, da sabedoria e das pessoas. Isso muda tudo na relação de liderança com as equipes fazendo com que o líder cada vez mais tenha que adotar o papel de educador dentro das empresas, encarando de frente a realidade e buscando a transformação da empresa e o compromisso com a ética e a sustentabilidade.

Blog do Marcelão

quarta-feira, 5 de agosto de 2009

A liderança e as marcas da integridade

por Ronaldo Lidório

A verdade é um valor inegociável; defendê-la e praticá-la é pressuposto fundamental do caráter cristão.

Se você deseja conhecer a integridade de um líder, observe os detalhes. Conheça-o na informalidade do lar, no trato com amigos chegados, na conversa ao telefone. O conselho bíblico de sermos fiéis no pouco para sermos colocados sobre o muito pressupõe um grau de dificuldade e detalhamento. O pouco nos prova, como também nos expõe – é, portanto, no pouco, nos detalhes da vida, que podemos diagnosticar nossas carências e limitações, e ali aprender com o Mestre. Platão, o célebre filósofo grego, foi claro: “Você pode descobrir mais sobre uma pessoa em uma hora de brincadeira do que em um ano de conversa”. A informalidade nos expõe com maior freqüência, pois nos encontra em estado de espontaneidade.

Um dos desafios mais difíceis que enfrentamos é a tradução de nossos valores espirituais e morais para atitudes espirituais e morais em nossa vida diária. Permitam-me listar aqui, dentre tantas atitudes que buscam a construção de um caráter íntegro, algumas que observo de extrema colaboração neste sentido.

Calar-se - Vivemos em uma sociedade onde o simbolismo é elemento definidor das relações humanas. Assim, valorizamos a comunicação verbal, os discursos, as respostas bem colocadas, o jogo de palavras. Se por um lado isto colabora para desenvolver uma comunicação mais ativa, por outro tem nos levado a esquecer o valor do silêncio. A integridade de um líder é testada na adversidade e uma das atitudes mais comuns perante a adversidade relacional é o confronto. Freqüentemente, falamos quando deveríamos nos calar, especialmente em contextos ministeriais onde as críticas nos bastidores ganham a nossa atenção – e somos levados a reagir de forma desproporcional, desnecessária ou mesmo inapropriada.

Certamente há momentos de falar, de fazer-se ouvir. Mas reconheço que os homens de Deus que tenho conhecido buscavam mais o silêncio do que o confronto verbal perante as adversidades, e faziam a obra do Senhor. Um dos grandes investimentos que podemos fazer em relação ao outro é justamente ouvi-lo. Lincoln dizia que, ao dialogar com alguém, gastava um terço do tempo pensando no que falar e dois terços pensando no que o outro falava.

A maior dificuldade para se ouvir é quando não é preciso ouvir. Penso aqui em uma figura de autoridade que, em sua função – seja um professor, um chefe, um líder de equipe ou um pastor –, não precisaria ouvir e poderia tão somente falar. Talvez esse seja um dos maiores e mais freqüentes riscos da liderança.

Não negociar a verdade - O texto de Provérbios 12:19 diz que “o lábio verdadeiro permanece para sempre; mas a língua mentirosa, apenas por um momento”. Há certos valores que precisam estar sempre presentes em nossas vidas, relacionamentos e processos de liderança. Um deles é não negociar a verdade. Isto inclui, de forma especial, a manipulação da verdade. Quando a Palavra nos ensina que a posição do crente, o seu falar, deve ser “sim, sim”, “não, não”, o que se advoga não é uma atitude de extremos; o assunto aqui é a verdade: dizer “sim” quando for sim e “não” quando for não. No cenário do genuíno cristianismo, a verdade não pode ser negociada. Ela é um dos grandes blocos que constrói uma vida íntegra.

Abraham Lincoln foi um dos estadistas mais atacados em toda a história dos Estados Unidos da América. Foi chamado de desonesto, corrupto, incapaz, mentiroso e adúltero. O Illinois State Register referia-se a ele como o “político mais desonesto da história americana”. Todavia, quando aconselhado a negociar benefícios para os donos dos grandes jornais a fim de que sua imagem fosse poupada, Lincoln respondeu: “Quando deixar este escritório, gostaria de sair com um amigo fiel ao meu lado: minha consciência”.

Ao falar sobre a verdade de forma mais objetiva (o que é verdadeiro), podemos dar a entender, erroneamente, que esta é a única forma de verdade que importa. Mas há uma verdade subjetiva a qual também devemos valorizar – trata-se da verdade volitiva, ou seja, os motivos que nos levam a agir e reagir, a fazer ou deixar de fazer alguma coisa, inclusive a falar e calar. Tais verdades motivacionais precisam ser observadas de perto, pois elas representam o atual estado de nosso coração. Muitos líderes podem desenvolver realizações corretas por motivações erradas. A integridade que não negocia a verdade, seja objetiva ou subjetiva, alimenta um caráter mais parecido com Cristo.

Assumir a responsabilidade - Quando nos posicionamos ao lado da verdade, normalmente somos chamados a assumir responsabilidades, seja pela irredutível defesa de algo que no senso comum poderia passar despercebido, seja por falhas e pecados em nossas vidas que precisam ser confrontados, perdoados e abandonados.

Segundo o escritor francês François la Rochefoucauld, quase todas as nossas falhas são mais perdoáveis do que os métodos que concebemos para escondê-las. Uma vida íntegra leva em consideração a possibilidade da falha, do pecado e da queda. Ou seja, precisamos assumir a responsabilidade perante nossas atitudes, a fim de mantermos a integridade espiritual e moral. E esta é uma das lições mais difíceis de serem aprendidas. O caminho aparentemente mais curto no caso de uma queda – a negação do pecado e sua responsabilidade sobre ele – não é de fato curto, pois não nos leva aonde Deus nos quer.

Há líderes que possuem grande dificuldade de pedir perdão de maneira verbal e clara, ou de voltar atrás em decisões tomadas mesmo quando francamente equivocadas. Esta postura provém de um coração soberbo. É o sentimento de soberba que os faz pensar sobre a sua suposta superioridade – talvez, nutrida pelo seu conhecimento, ou pela posição de liderança, ou ainda em face de sua função de destaque, de seus ganhos ou merecimentos. Muitos não percebem, porém, que este é o caminho de morte. Seu coração se lança em uma rota de colisão com o temor do Senhor e a sabedoria, o entendimento de que somos todos igualmente dependentes da graça de Cristo para viver.

Há também aqueles que, ao reconhecer um erro e assumir a responsabilidade, fazem-no sob protesto e acusações. São os que, perante seu próprio pecado, racionalizam que o outro também pecou, que não foi leal ou submisso. Grande erro. Estas razões não passam de sombras nas quais tentam esconder seus próprios corações da humildade necessária para o quebrantamento.

Leon Tolstoi dizia que “todos pensam em mudar a humanidade, mas ninguém pensa em mudar a si mesmo”, atestando que é sempre mais fácil falar sobre os problemas universais do que sobre o pecado do coração. Já Wertheimer escreveu que “somente depois de as termos praticado é que as faltas nos mostram quão facilmente as poderíamos ter evitado”.

Nenhum de nós está isento da possibilidade do erro. Uma das admiráveis atitudes de Davi foi justamente assumir integralmente a sua responsabilidade quando Natã, após falar sobre um homem que roubara a única ovelha do vizinho, afirmou: “Este homem és tu, ó rei.” Davi não deu desculpas. Não racionalizou seu erro, não tentou esquivar-se dizendo que muitos outros haviam feito coisa semelhante. Tampouco tentou explicar suas motivações. Ao contrário – caiu de joelhos e colocou-se nas mãos de Deus, rogando seu perdão. Davi assumiu a responsabilidade, quebrantou-se diante do Senhor e se tornou “o homem segundo o coração de Deus”.

Que Deus nos ajude a administrar o orgulho e a vergonha, bem como a eventual humilhação, a fim de assumirmos a responsabilidade pelo pecado e seguirmos em frente no perdão transformador do Senhor.

Aprender com os erros - Precisamos compreender que integridade não é uma atitude medida pela ausência de erros, mas pela decisão em não repeti-los. Quando assumimos responsabilidades, fazemo-lo também em relação aos nossos erros. Precisamos compreender que integridade é um hábito que se ganha na rotina diária, quando procuramos agir de forma pura e justa. Mesmo quando isso não acontece, devemos aprender com nossos erros. Para que assim caminhemos será preciso, primeiramente, desmistificá-los. Dale Carnegie escreveu, na década de 1950, o livro Como evitar preocupações e começar a viver. Nesta obra, Carnegie ensina que devemos deixar o medo de encarar os nossos erros; antes devemos analisá-los e compreendê-los. Ele usa William James para nos ensinar que a aceitação do que aconteceu é o primeiro passo para se vencer as conseqüências de qualquer infortúnio.

Devemos compreender o que foi muito bem colocado por Kevin Cashman, ao expor que a habilidade que temos em crescer como líderes é limitada pela habilidade de crescermos como pessoas. Jamais devemos distinguir nossa função de liderança (mesmo porque é passageira) de nossa identidade pessoal. Um grande engano em época de empreendedorismo é um auto-investimento no perfil de liderança. Não que isto não seja efetivo; porém, precisamos ter bem claro que é passageiro. Investir tempo, forças e energia para se qualificar como um bom líder pode lhe privar de investir o mesmo tempo, forças e energia para crescer como pessoa e como servo do Senhor. Como líder, posso dar-me ao luxo de seguir em frente mesmo tendo cometido erros; porém, como pessoa e cristão, meus erros, após praticá-los, se tornam minha melhor oportunidade de conserto e crescimento.

Para aprendermos com nossos erros é necessário levá-los a sério. Um temperamento explosivo não é apenas um temperamento forte, mas algo que machuca pessoas, entristece o Espírito Santo pela falta de domínio próprio e nos pretere de vivermos mais tranquilos com nossas próprias reações. A crítica não é apenas uma questão de objetividade, ou de ser direto, como muitas vezes justificamos. A crítica compulsiva é um agente do diabo para a destruição da vida alheia. Trata-se de um desencorajamento que pode marcar uma pessoa pelo resto de sua vida, além de um mecanismo que faz o coração do crítico adoecer com a amargura. Não conheço pessoas críticas felizes.

C.S.Lewis nos ensina que “quando um homem se torna melhor, compreende cada vez mais claramente o mal que ainda existe em si. Quando um homem se torna pior, percebe cada vez menos a sua própria maldade”. Para aprendermos com nossos erros é necessário levá-los a sério, conversar com o Pai sobre eles, pedir forças para mudarmos e amadurecermos, crescendo sempre um pouco mais.

Cuidar do seu coração - O Senhor sonda nosso coração. Portanto, é nossa imagem interna, e não externa, que precisa de maior cuidado. Em dias de ufanismo e triunfalismo, somos levados a procurar sempre o que nos destaca, ou destaca o nosso trabalho – um grave engano, visto que o Senhor não sonda nossos relatórios, mas sim nossos corações. O doutor Augustus Nicodemus, profundo expositor da Palavra, afirma que Deus não nos chama para termos sucesso sempre, mas sim para sermos fiéis.

Compreender a marcante diferença entre caráter e reputação não pressupõe que faremos uma escolha legítima. É preciso estar disposto a priorizar a verdade. O mesmo Lincoln gostava de afirmar que “caráter é como uma árvore, e reputação, a sombra. A sombra é o que nós pensamos sobre isso. A árvore é a realidade”. Muitas vezes confundimos inteligência, conhecimento e sabedoria. Podemos aplicar as palavras “a inteligência é uma espada; o caráter, a empunhadeira”, de Bodenstedt, dizendo que é o caráter que delineará a sabedoria no agir. Outras vezes confundimos temperamento brando com bom caráter. Ao contrário, como disse Pierre Azaïz, “o caráter é a esperança do temperamento”. Um temperamento brando, quieto ou mais vagaroso pode dar a impressão de domínio próprio, escondendo as paixões mais carnais.

Mas o Senhor nos sonda e nos conhece e julga-nos com exatidão, pesa a nossa alma e avalia todos os nossos sentimentos mais profundos. Você é quem Deus diz que você é. Convictos desta verdade, é preciso crescer. Não priorize o crescimento da sua reputação, ministério ou carreira. São coisas importantes, porém transitórias. Priorize o crescimento do seu caráter e sua vida com o Pai. Enfim, escolha a melhor parte.

Entrevista com Lorin Woolfe, consultor de gestão

Na esteira da corrente formada por publicações como O Monge e o Executivo e Jesus, o Maior Líder que Já Existiu, o consultor em gestão Lorin Woolfe buscou nas figuras bíblicas traços que se repetem em casos atuais de sucesso empresarial para escrever Liderança na Bíblia – Lições e Práticas de Liderança que Ensinam, Inspiram e Iluminam (M. Books, 2008). O livro explora as histórias de personagens relevantes, especialmente do Antigo Testamento. O autor foi um dos convidados do Fórum Global de Liderança, realizado pela Estação Business School, em Curitiba, na semana passada. Em entrevista à Gazeta do Povo, Woolfe falou sobre a onda de espiritualidade nos negócios e sobre valores morais aplicados na gestão.

Exitem vários livros que transpõem valores religiosos para o campo da administração. A que se deve a demanda por essas publicações?

Muitas pessoas estão olhando este tópico porque é algo que está emergindo na consciência humana. As pessoas têm espiritualidade e quando chegam no trabalho a deixam do lado de fora. Elas não podem viver em contradição. Então há um movimento de se conciliar a espiritualidade com o trabalho. Mais recentemente, passamos a buscar nos valores espirituais uma forma de melhorar a gestão de negócios.

De que forma essa relação pode ser feita com a Bíblia?

O profeta Samuel, quando escolheu um rei para Israel, perguntou “eu me apropriei do gado de alguém, do jumento de alguém, eu aceitei propina?”. Ele foi honesto e honrou suas responsabilidades. Temos um líder moderno, Charles Wang, que diz que você deve dizer a verdade e honrar seus contratos para ser bem-sucedido. Se você não tem valores você será tentado pela riqueza fácil. Isso acontece frequentemente.

Os bônus pagos a executivos americanos, quando suas empresas apresentavam problemas, é um exemplo?
As pessoas que tomaram esses bônus se esqueceram de todos os valores, inclusive da coragem. No período pré-crise, alguém devia ter alertado: “isso é perigoso, temos de parar com isso”. Mas ninguém teve a coragem para isso. Os bônus deveriam estar conectados também ao comportamento ético e aos resultados de longo prazo, não apenas aos resultados trimestrais.
Você acredita numa mudança de mentalidade após a crise financeira?

Com certeza. As pessoas mais jovens olham o atual cenário e se perguntam: “Vamos fazer o que essas pessoas fizeram? Acho que não”. Isso porque viram o resultado em primeira mão.

portal.rpc.com.br

Liderança ou Coaching?

"A questão crucial para qualquer pessoa responsável por outros - seja como pastor de uma igreja ou como gerente de uma empresa: quando é que eu lidero o meu grupo, e quando eu os treino, através do coaching?" Artigo do psicólogo cristão Christoph Schalk faz esta reflexão: "Para responder a esta pergunta você deve primeiramente estar ciente dos princípios básicos da liderança e do coaching. Você pode então decidir, dependendo da situação, se é necessária liderança ou coaching e qual deles levará ao objetivo desejado". Continue lendo o artigo.
"Liderar significa assegurar que as instruções estão sendo seguidas, definir limites e esclarecer as condições gerais. Exemplos disso na vida da igreja são do tipo: "A partir de janeiro o boletim da igreja irá circular a cada dois meses, em vez de uma vez por trimestre", ou "Todos os líderes de grupos devem prestar contas ao pastor". Em uma empresa poderá ser assim: "Telefonemas pessoais não são permitidos durante o horário de expediente", ou "A partir de janeiro os departamentos X e Y serão fundidos em um só". Estas decisões e limitações não deixam margem para discussão ou mudança. Nesses casos, o pastor/líder tem de certificar-se que as regras foram observadas, ou seja, demonstrar uma liderança clara.
"Coaching, por outro lado, é adequado para situações em que um colaborador é livre para agir e criar. É importante esclarecer o alcance desta liberdade diretamente com o funcionário – caso contrário, mal-entendidos e conflitos podem ocorrer e o coaching não funcionará corretamente. A liberdade de ação no exemplo do boletim da igreja pode significar que a pessoa responsável pode decidir como ele pretende resolver a questão de edições mais frequentes, por exemplo, seja aumentando o número de colaboradores ou reduzindo o tamanho do boletim. O pastor coach o apoia em sua busca pela melhor solução e pela implementação de medidas adequadas. Tal como acontece com a combinação dos dois departamentos na empresa, o diretor pode utilizar o coaching para orientar seus colaboradores a desempenhar um papel ativo e criativo no processo de reestruturação. Ele pode incentivá-los a assumir a responsabilidade, a pensar em medidas por eles próprios, e colocá-las em prática."

Coaching faz uso do potencial dos colaboradores

"Coaching é uma boa maneira de incentivar os colaboradores a atingir seus próprios objetivos pessoais (que são subordinados aos objetivos globais da igreja ou da empresa) e de apoiá-los nos respectivos processos de planejamento e execução. Coaching é também útil em prover treinamento avançado no trabalho e em garantir que a igreja ou a empresa realmente obtenha benefícios a partir dos recém adquiridos conhecimentos e habilidades dos colaboradores.
"O coach pode orientar os colaboradores focando sua atenção nas coisas que já estão funcionando bem com questionamentos do tipo: Quais os pontos fortes, as aptidões e as abordagens já disponíveis? Que habilidades os colaboradores possuem? O que já funciona bem? A tarefa do pastor/líder ou executivo é reforçar a consciência dos colaboradores acerca dos aspectos positivos, mostrar seu apreço por eles e fornecer encorajamento. Os colaboradores têm, muitas vezes, todas as competências e os recursos necessários, mas se sentem presos em suas tarefas específicas ou situação. Nesses casos, o coach os relembra de seus pontos fortes e os motiva a adotar uma perspectiva mais positiva, concentrando-se no que é possível e que dará precedência sobre o que parece impossível. Geralmente, tudo que é necessário para esclarecer a situação são respostas a algumas perguntas simples e, dessa forma, os colaboradores se sentem aptos a agir.
"Exemplos de questões que suscitam a sensibilização de uma pessoa para soluções em potencial são: "Aonde exatamente você quer chegar?", "Tem alguma ideia sobre como encontrar uma solução?", "Como os de fora saberão que enfrentamos este problema?","O que tem funcionado bem até agora?" Questões simples como estas - orientadas para uma possível solução - têm produzido alguns resultados surpreendentes."

Coaching significa deixar seguir
"Coaching significa tornar os colaboradores conscientes da sua própria capacidade para encontrar soluções. O colaborador deve, então, também ser autorizado a assumir a responsabilidade de escolher as soluções e adotá-las. A linha entre a liderança e coaching pode ser atravessada durante o processo. No exemplo do boletim da igreja isso significaria: "A partir de janeiro o boletim da igreja irá circular a cada dois meses, em vez de uma vez por trimestre" (declaração clara - líderança). A conversa poderá então avançar para questões como: "Tem alguma ideia de como poderíamos proceder a este respeito? O que precisa acontecer, a fim de alcançar esta meta? "(Espaço para ideias próprias - coaching).
"Para as pessoas em cargos executivos uma parte essencial do coaching é aprender a deixar seguir: você tem que deixar seguir suas próprias idéias, sugestões e ajudas concretas - caso contrário, é o coach, que acaba por resolver o problema. Coaching significa também dar às pessoas a liberdade de ação. Você tem que dar-lhes a oportunidade de demonstrar as suas próprias habilidades, ideias, conhecimento e competência. Eles têm de se sentir livres para tomar suas próprias decisões, tomar a iniciativa, encontrar soluções e planejar seus passos rumo à meta desejada."

Alimento para os pensamentos...

Que liberdade de ação meus colaboradores têm em suas tarefas? Como foi, exatamente, formulada essa liberdade de ação? Que problemas ainda precisam ser esclarecidos? Quais instruções eu preciso dar-lhes? Como? Em que áreas posso treiná-los? Na realização dos seus próprios objetivos? Planejar como atingir o objetivo e colocar em prática? Em seu próprio desenvolvimento pessoal?

* O autor deste artigo, Christoph Schalk, é psicólogo (Mestrado em Psicologia Organizacional), e trabalha como coach e formador de coaches. Durante os últimos 15 anos, treinou pessoalmente mais de 300 dirigentes e executivos, e cerca de 600 coaches em mais de 25 países. Seu tema favorito neste momento: "O líder/executivo como coach".

Agência Soma

terça-feira, 4 de agosto de 2009

Liderança em Davi

Lições Baseadas na vida de Davi.

· Introdução:

Davi se refugiou na caverna de Adulão fugindo de Saul; quando ouviram isso seus irmãos e toda a casa de seu pai, desceram ali para ter com ele. Ajuntaram-se a ele todos os homens que se achavam em aperto, e todo homem endividado, e todos os amargurados de espírito, e ele se fez chefe deles; e eram com ele uns quatrocentos homens. (I Sm 22: 1-3)
Davi retorna ao território de Judá, mas não muito distante da fronteira de Israel com a Filistia. Ele se esconde de Saul na caverna de Adulão. A localização de Adulão não é exata, mas parece ter se sido há algumas milhas a leste de Gate, na direção de Belém e Jerusalém. Parece que Davi encontrou um esconderijo isolado e seguro, longe o suficiente de Gate e não muito perto de Saul. (Adulão será o Q.G. da Davi).
Davi parece estar sozinho, até agora. Mas, quando se esconde na caverna de Adulão, uma porção de gente começa a chegar esperando juntar-se a ele. Os primeiros a ouvir sobre seus parentes, que se unem a ele na caverna. Eles devem sentir que, uma vez que Davi é visto como inimigo de Saul, eles também não estão seguros. Penso eu, ser a melhor posição teológica, com base no destino dos sacerdotes (ver I Sm 22). Outros os seguem, aqueles que estão em perigo, em dívida, ou não são a favor de Saul. Eles vêm a Davi como seu novo líder. Aqueles que se juntam a Davi durante sua estadia na caverna chegam aproximadamente a 400 homens.

1. Como líder, Davi nunca menosprezou aqueles que o Senhor lhe enviava.

Davi atraia estes homens sem procurá-los. ( II Sm 22:1-3).

2. Como líder, Davi tinha a habilidade necessária para treinar homens que não possuíam nenhuma capacidade. Transformado estes homens na Elite Militar da sua época. Um verdadeiro exército de Deus.

· De covardes, Davi os fez valentes e poderosos (II Sm 23:8).
· De aflitos, Davi os fez soldados valorosos. Um Exercito de Deus (I Cro 12:22).
· De endividados, Davi os fez mais valiosos do que ouro. O menor valia por 10 homens e o maior por 1000. (I Cro 12: 14).

3. Como líder, Davi não tinha medo ou receio de colocar ao seu lado homens que teriam seus potenciais maximizados no decorrer do treinamento. Muitos destes Valentes seriam melhores do que Davi na arte da guerra. (I Sm 23:8-17).

· Josebe matou 800 com uma lança.
· Eleazar com sua mão pegada à espada atacou os filisteus e os feriu.
· Samá defendeu seu campo de lentilhas, efetuando grande combate.

4. Como líder, Davi tinha admiração e respeito pela vida e serviço fiel dos seus liderados. (II Sm 23:17).

· Os valentes ouvem o suspiro por água do seu líder e agem imediatamente em missão.
· Não era uma ordem de Davi, nem um pedido, era apenas um desejo pela água da fonte de Belém. Todavia, estes homens romperam as barreiras e obstáculos por causa do desejo de servir ao ungido do Senhor.


5. Seus liderados o amavam, respeitavam, obedeciam e lhe devotavam total admiração.


A lealdade destes homens não era interesseira, não estavam atrás de promoção, nem eram bajuladores ou hipócritas.
Davi nunca procurou a fidelidade destes homens.
Todavia extraiu deles lealdade e serviço por meio da sua devoção para com eles.
Davi publicamente honrou o sacrifício dos valentes presenteando a Deus com a água que eles trouxeram em oferta a Davi.
Será que em nossos dias ainda existem homens valentes, a ponto de arriscarem suas vidas, rompendo limites e obstáculos em favor do seu líder.
Será que ainda existem homens como Davi (devotado aos seus liderados). Homens cuja sua atitude de amor, zelo e admiração pelos seus liderados falam mais alto que suas palavras.

6. Como líder, Davi era a inspiração de seus liderados. Ele era alguém que resplandecia a luz do Senhor. Ele era a lâmpada de Israel (II Sm 21:17).

· Davi já estava velho. Seus pais já descansam no sepulcro. A vida estava passando e os anos se abreviaram. Davi já não é mais o garoto que matava leões e ursos que ameaçavam rebanhos.
· Também não é mais o jovem destemido que, com uma funda e cinco pedrinhas, derrubara o gigante Golias.
· Mas ainda acha que pode guerrear, é verdade. Acaba de enfrentar outro gigante, Isbi-Benobe, mas quase morre desta vez, não fosse pela intervenção de Abisai. Por isso, seus próprios soldados lhe aconselharam: Por favor, rei, fica em casa, para que “não apagues a lâmpada de Israel”. Como a luz flui da lâmpada, o calor do fogo, e os pensamentos da mente, assim Davi era o símbolo da Providencia e Promessas de Deus para Israel. Nesta altura dos acontecimentos Davi compõe um cântico a Deus, que corresponde ao Salmo 18, e que expressa agradecimentos por livrá-lo “da palma da mão de todos os seus inimigos e da palma de Saul”.
· Suas responsabilidade como líder da nação no Salmo 18 inicia com a sua declaração de amor a Deus; e como líder Davi expressa seu amor: obedecendo a Deus... 1) em justiça de vida (20,24); 2) em pureza diante de Deus (20,24); 3) Guardando os caminhos do Senhor que é perfeito (21,30); 4) Não se apartando de Deus (21); 5) Ter diante de si a Palavra de Deus que é provada (22,30); 6) Sendo íntegro e se guardando da iniqüidade (23); 7) Sendo sempre agradecido (46); 8) Bendizendo e engrandecendo a Deus (46); 9) Glorificá-Lo publicamente (49); 10) Cantar louvores ao Seu nome (3,49); 11) Testemunho sua gloria e majestade (49).
· Saber que podemos contar com a ajuda de Deus e de nossos liderados nos momentos mais difíceis da nossa é um grande alento e mui agradável balsamo para a alma dos pastores, que por vezes, estão exaustos e afadigados do combate cristão.

7. Como líder, Davi sabia que o ministério exige a excelência daqueles que são vocacionados. E que passar pelos desertos das provações lapidaria seu caráter e forjaria sua alma no fogo do Espírito do Senhor. (I Sm 23-24). Davi passa a ter consciência do sagrado.
Todos aqueles que desejam ter um profundo relacionamento com Deus passam pelo deserto, devem se refugia em Adulão. (Moises, Elias, Paulo e nosso Senhor Jesus passaram pelos desertos. O deserto faz parte da pedagogia de Deus).
Davi não escolheu o deserto, mas foi forçado a se refugiar dos ataques de Saul na região do Neguebe por aproximadamente 10 anos de sua vida.
Davi recebeu o seu Ph.D em ministério depois de passar pelas faculdades do deserto de Zife; de Maom; Em-Gedi e Parã.
Os anos de provações no deserto levaram Davi a ter uma percepção mais clara do sagrado e do profano, da santidade e da impureza, da beleza e do desespero, da obediência e do pecado; Davi foi capaz de ver a gloria de Deus onde ninguém mais podia ver, isto é, na vida de Saul, o ungido de Deus. (I Sm 24:10). O deserto nos torna mais humano e menos anjo.
Adulão significado refugio. Foi no deserto que Davi escondeu-se de Saul numa caverna em Adulão (1Sm 22:1; 2Sm 23:13; 1Cr 11:15). Adulão é lugar de sair da superficialidade e buscar profundidade insondável.
Na caverna de Adulão, existem lugares profundos ainda não sondados, lugares onde não se conseguia medir a profundidade.
Mas Davi conhecia em profundidade ao Senhor, ele conhecia o Bom Pastor (Salmo 23) aquele que o havia livrado do Urso e do Leão, aquele que havia entregado o gigante e todos os filisteus em suas mãos. Davi conhecia ao Senhor, e seu conhecimento não era superficial.
Precisamos entrar em Adulão para conhecermos ao Senhor com intimidade. Adulão é lugar de transformar a exaltação em humilhação.

8. Como líder, Davi fez no deserto da adversidade o que não conseguimos fazer nos oásis igrejeiros: “Davi fez de homens perdedores, campeões; de amargurados em cheios de graça; de endividados em pedras preciosas; de espírito abatidos em Valentes de Deus”.

Davi era matador de gigantes, por sua vez exigia que seus liderados também fizessem o mesmo. (I Sm 21). Abisai, Sibecai, El-Hanã, Jônatas, todos estes mataram gigantes nas guerras pelo Rei e pelo Reino.
Davi sabia compartilhar com os seus liderados as glorias recebidas em batalha. (I Cro 27). Reinou, pois, Davi sobre todo o Israel; e Davi fazia direito e justiça a todo o seu povo. II Samuel 8:15
Quando Golias desafiou o exército de Israel, ele estava batalhando em nome dos seus deuses. Logo, se Golias vencesse, seria considerada a vitória dos deuses dos filisteus sobre o Deus de Israel... Entretanto, pelo que parece, ninguém entendeu desta forma... O povo de Israel estava ofendido e magoado, cada um pensando em si e no seu justo espírito nacionalista, entendendo que Golias estava simplesmente afrontando ao povo...Davi foi o único que enfocou teologicamente o problema, quem percebeu a gravidade dos fatos: Golias havia afrontado não a um exército comum, mas ao exército do Deus vivo.
Davi, o menino pastor, estava dando seus primeiros passos na liderança espiritual, mas já sabia que o seu povo era guiado e protegido por Deus; era o povo da Aliança. Davi não olhava os fatos como se ocorressem por um mero e insensível acaso...Ele tinha consciência de que Deus levantava homens... E, se assim o é, já que não surgia ninguém, porque não ele?
Deus sempre levantou homens: Moisés, Josué, Jefté, Baraque, Gideão, Sansão, Isaías, Jeremias, os apóstolos, Paulo, etc. Os Reformadores: Lutero, Melanchton, Calvino, etc. Estes homem também se depararam com gigantes... Entretanto tiveram consciência de que Deus usa homens... Eles se prontificaram, dizendo: “Eis-me aqui, envia-me a mim” (Is 6.8)
Há gigantes à nossa frente? Por certo há muitos: A frieza, a indiferença, a escassez de recursos financeiros, a falta de pessoas comprometidas com a obra; pessoas a serem lideradas, lapidados, moldadas e muitas ainda precisam ser conquistadas para Cristo. Mas... Se Deus levanta homens. Por que não eu?
Deus age através da História e nós, somos os instrumentos de Deus. Muitas vezes os grandes desafios de Deus começam nas coisas mais simples de nossa vida: Todo o processo de luta de Davi com Golias e a sua vitória começou com a sua simples e justa obediência ao seu pai Jessé, indo levar alimento para os seus irmãos no campo de batalha; lembremo-nos de que Davi já fora ungido rei de Israel...
Um dos primeiros passos para que possamos entender a questão da liderança cristã é adotarmos a perspectiva correta sobre Deus, Sua Palavra e Sua Obra.
· Davi se dispôs a lutar porque entendeu que Golias havia ofendido a Deus e isso ele não poderia tolerar... Davi tinha zelo por Deus e pelos ungidos de Deus, por isso nunca levantou-se contra o rei Saul.. Davi esperou pela providencia de Deus para ascender ao trono de Israel e com muito resignação e paciência, deixou Deus ser Deus em sua vida... Os valentes de Davi outrora eram covardes, tímidos, espiritualmente fracos, mas como muita sabedoria, graça, unção e dedicação, Davi investiu todos os seus recursos nestes “desqualificados” aos olhos humanos, pois Davi tinha experiência pessoal de que Deus escolheu as coisas loucas deste mundo para confundir as sábias; e Deus escolheu as coisas fracas deste mundo para confundir as fortes; 28 E Deus escolheu as coisas vis deste mundo, e as desprezíveis, e as que não são, para aniquilar as que são; 29 Para que nenhuma carne se glorie perante ele. 1 Co 1:27-29 .
· Deus no seu processo revelador e salvador sempre se valeu de homens e mulheres. Há muitas coisas a serem feitas na Seara do Senhor; então, por que não podem ser realizadas através de mim?
· Devemos ser obedientes a Deus, fazendo o que nos compete, usando dos recursos que Ele mesmo nos forneceu em nossa caminhada. Deus sempre conduz o Seu povo em triunfo, mesmo em meios aos mais escaldantes desertos da vida.

Fonte: ISET

quarta-feira, 22 de julho de 2009

Ética


Blogado do Rir e Pensar

Fidelidade e Honestidade

''Portanto, se estiveres apresentando a tua oferta no altar, e aí te lembrares que teu irmão tem alguma coisa contra ti, deixa ali diante do altar a tua ofer-ta, e vai reconciliar- te primeiro com teu irmão, e depois vem apresentar a tua oferta." Mateus 5.22-28

INTRODUÇÃO
Interessante em quase todos estes tópicos sobre os confron-tos na vida,no caso desta semana, nos aspectos da fidelida-de e honestidade, que o Senhor Jesus evidencia sempre co-mo uma espécie de gradação para o erro, partindo do mais grave para o mais simples, como veremos a partir do primeiro versículo que abordaremos.
O que ele está ensinando aos seus discípulos é a necessidade de corações puros. Os atos maldosos da humanidade não se expressam apenas quando eles se exteriorizam mas; também, quando guardados no coração do homem produzem sentimentos negativos, raiva embutida, ódio recolhido. Podemos não tornar visível o nosso sentimento íntimo, mas ali está ele corroendo o nosso coração, predispondo- nos a atos impensados e violentos contra outrem.

"Eu,porém,vos digo que todo aquele que se encolerizar contra seu irmão,se rá réu de juízo;e quem disser a seu irmão: Raca, será réu diante do sinédrio; e quem lhe disser: Tolo, será réu do fogo do inferno" Mateus 5.22

Cristo faz ver ao povo que o conceito divino para o"não matar" era muito mais amplo, muito mais pro-fundo. Na dimensão divina, o simples ato de se irar contra o próximo, desejando em pensamento a sua morte, ou ofendendo-o verbalmente, é a mesma coisa que o ato extremo de violência que se exterioriza por meio do crime cometido contra aquela vida.
No julgamento divino, ambas as atitudes são passíveis de punição. O sentimento de cólera ou de ira contra o irmão mesmo que em pensamento;a ofensa mediante a palavra"raca",termo de origem ara-maica que significaria algo como "estúpido"; ou mesmo, por meio da palavra "tolo", embora, em níveis diferentes, tornariam o ofensor, igualmente, passível do julgamento divino.

"Portanto,se estiveres apresentando a tua oferta no altar,e aí te lembrares que teu irmão tem alguma coisa contra ti" Mateus 5.23

A nossa consciência deve ser um termômetro para a nossa vida cristã.Diante de determinadas situa-ções, ela nos deve alertar para atos ou pensamentos que, adotados pelo homem secular, não podem fazer parte do padrão de vida do crente. Tal qual um sinal de trânsito sinalizando- nos com as cores verde, amarelo e vermelho o fluir do tráfego, assim deve ser a consciência do crente para o seu agir. É hora de parar, de refletir ou de seguir em frente?
Sim,não há como explicar uma atitude predisposta ao bem,se em nosso coração existe algum mal embutido. É para isto que o Senhor Jesus está chamando a atenção. Como oferecer ofertas de boa vontade, sob qualquer pretexto e a qualquer pessoa, quando o nosso coração tem algo negativo dentro çiele contra alguém? É um contra censo, diria o Senhor Jesus. Daí, a lembrança que faz, neste versículo, deixando para o versículo seguinte o conselho que dará.

"Deixa ali diante do altar a tua oferta, e vai reconciliar• te primeiro com teu irmão, e depois vem apresentar a tua oferta" Mateus 5.24
O texto, agora, se completa. Se no item anterior nos vimos apenas diante da primeira ideia do ensino de Cristo, e já retiramos dela proveito, vejamos agora, quando ela se completa, o que mais podemos considerar.
A conclusão dele é muito clara quanto ao que devemos fazer diante da constatação de que guarda-mos em nosso coração algum sentimento negativo com respeito a alguém. Além de ser clara é, tam-bém, impeditiva. Ou seja, não somos dignos de ir ao altar do Senhor, quando o nosso coração amar-ga a dor do ressentimento ou da ira. Aí é que entra a necessidade de uma consciência pura.
Precisamos estar estribados em princípios cristãos de paz e de amor, para termos tal discernimento.
O homem do mundo não chega a este nível.De tal maneira sua consciência está cauterizada pelo pe-cado, que não se move diante de situações como estas.Seu coração é insensível a tais conclusões.

"Concilia-te depressa com o teu adversário, enquanto estás no caminho com ele; para que não aconteça que o adversário te entregue ao guarda, e sejas lançado na prisão" Mateus 5.25

Depois da reflexão vem a ação. O servo de Cristo não pode ser uma pessoa apenas contemplativa.
Interiorizando os seus pensamentos, reflete sobre onde agiu bem ou onde falhou, mede as circuns-tâncias, avalia sua reação e conclui confessando com sinceridade, diante do Pai, o seu erro, se for este o caso. Mas não pode parar aí a reação esperada daquele que é uma nova criatura.
O ensino de Cristo é claro no sentido de que,depois da conclusão interior,há de se tomar a iniciativa do acerto, da conciliação, da renovação de propósitos. Por isso, ele aconselha em tom de ordem o que lemos no texto acima. Cabe ao crente a iniciativa da reconciliação, principalmente quando o pro-blema for com outro irmão em Cristo.Aliás,imaginem a alegria dos dois ao constatarem, surpresos, que se encontraram em meio ao caminho da reconciliação, pois ambos,ao mesmo tempo,a iniciaram.

"Em verdade te digo que de maneira nenhuma sairás dali enquanto não pagares o último ceitil" Mateus 5.26

Cristo chama a atenção para a consequência advinda do julgamento humano. ~ando tentamos resol-ver as coisas, com os recursos apenas de nossa mente racional e material, sem o devido respaldo moral e espiritual, geralmente, as coisas não nos correm bem. Daí a afirmação de que, no caso de estarmos em falta, iremos pagar o último centavo de nossos recursos financeiros em discussões sem fim e que nos levam à condenação mais tarde.
O que ele está recomendando é que, sempre que possível, como crentes em Cristo, devemos tentar a conciliação pelo diálogo, conversa franca, de forma que não sejamos obrigados, como se diria modernamente, a arcar com a perda do processo e ainda a pagar as custas processuais.
Como discípulos de Jesus, se nos virmos envolvidos em tais situações, devemos ter o cuidado de cumprir os nossos compromissos até o fim, mesmo que a lei nos permita adotar recursos outros. A afirmativa que faz no versículo 25 é para que honremos até o último centavo de nossa dívida.

"Ouvistes que foi dito: Não adulterarás"  Mateus 5.27

Cristo vai dar continuidade, agora, ao segundo argumento da parte antagônica de seu sermão. Esta vai ser a segunda vez, das cinco neste sermão, em que suas palavras o colocam em posição de antagonismo àquilo que os escribas e líderes religiosos diziam. Não, com isto, que os condenasse inteiramente mas, sim, porque eles não iam além do que a letra dizia. Como ele mesmo disse abrindo o sermão, ele não veio para destruir a lei, mas para cumpri-Ia. E cumpri-Ia de forma integral, completa, além do que a leitura simples e superficial poderia dizer.
É quando se refere, então, a este mandamento, uma bem rigorosa determinação contrária ao divórcio, procedimento que teve inúmeros acertos na cultura judaica para justificá-Io em sua prática. Em meio ao povo judeu, em que a mulher era tida como objeto, eles vão criar inúmeros recursos que justificassem uma vida sem muito compromisso conjugal. Motivos os mais diversos eram conduzidos insidiosamente de forma a darem ensejo a desenlaces do matrimônio sem muitos prejuízos para o homem, sempre. É contra isto que Cristo se coloca quando enuncia a lei com palavras tão duras como veremos a seguir.

"Eu,porém,vos digo que todo aquele que olhar para uma mulher para a cobi-çar, Já em seu coração cometeu adultério com ela" Mateus 5.28

O objetivo de Jesus é evidenciar para os seus seguidores que, para segui-Io, não seria exigido apenas o simples cumprimento dos "termos da lei", mas que, como crentes, eles precisariam atentar mais ainda para "o espírito da lei".
A pureza de coração é um dos maiores desafios da vida cristã. De tal maneira estamos impregnados pela atmosfera do pecado que circunda o mundo, que somos, muitas vezes, sem que o percebamos, consumidos por ela. Assim, vamos admitindo, em nosso dia-a-dia, comportamentos indevidos no trato, palavras torpes no linguajar, pensamentos maliciosos nos relacionamentos, de tal forma que, quando menos esperamos, estamos com o nosso coração inteiramente conformado ao mal que nos rodeia.
Diante desta realidade,Cristo vai demonstrar que devemos ser cuidadosos na manutenção deste cora-ção puro, quando nos alerta para o fato de que, mesmo a cobiça íntima que,aparentemente, nenhum mal produz, já é pecado em si mesma e é a porta que se abre para que o pecado se consuma amanhã na vida do crente.

CONCLUSÃO
O que Jesus está nos ensinando com tais recomendações é que devemos ser cuidadosos e disciplinados em nosso viver.O mundo de hoje nos aponta muitas tentações, para ambos os sexos, em prol do relacionamento livre e permissivo que a sociedade aceita e acha normal. Aquele que é uma nova criatura não pode viver sob este padrão,pois o simples engendrar de situa-ções favoráveis a desvi-os desta natureza, no crivo de Cristo, já se consti-tui pecado diante de Deus.

A Diferença entre Reputação e Caráter

“O que nós somos comunica muito mais eloqüentemente do que qualquer coisa que nós falamos ou fazemos”.

Vejam que há pessoas que nós confiamos apenas por conhecer o caráter delas, independente se são eloqüentes ou não, se detém técnicas de relacionamento ou se têm alguma talento especial.
Confiamos nestas pessoas, pelo bom caráter, exemplos e com isto temos sucesso trabalhando com elas.
Porém caráter não pode ser confundido com reputação.

Reputação é aquilo que você é aparenta ou é conhecido por ser.
Caráter diz o quem você é.
Reputação é uma fotografia.
Caráter é a face verdadeira.
Reputação vem de fora para dentro.
Caráter nasce de dentro para fora.
Reputação é aquilo que você traz quando chega numa nova comunidade.
Caráter é marca que você quando vai embora.
Reputação é feita em um momento.
Caráter é construído durante toda uma vida.
Sua Reputação cresce como um cogumelo.
Teu Caráter dura uma eternidade.
Reputação pode lhe fazer ficar rico ou pobre.
Caráter pode lhe tornar alguém feliz ou miserável.
Reputação é aquilo que os homens falarão de ti sobre o teu túmulo após a tua morte.
Caráter é aquilo que os anjos falarão a teu respeito diante do trono de Deus.


Uma boa reputação é sem duvida algo muito valioso, o livro de provérbios diz:

“O bom nome é mais desejável do que muitas riquezas" - Provérbios 22.11

Porém a boa reputação é reflexo do caráter de uma pessoa.
Portanto tome conta de teu caráter e a tua reputação dara conta dela mesma.

Existem 3 perguntas básicas que devemos fazer antea se concluir qualquer processo de decisão.

1-É legal? Estarei violando alguma lei ou política da empresa ou organização que lidero?
2-É equilibrado? Ou seja, justo e correto para todos no curto e também a longo prazo?
3-Como isto me fará sentir a respeito de mim mesmo? Terei orgulho, se o que fiz for publicado num jornal, ou aparecer na televisão?

Pense nisto...

Certa feita numa comparação entre Reputação e Caráter Abraam Lincon disse.

“Caráter é como uma arvore e Reputação como a sombra. A sombra reflete a imagem do que parece ser, A arvore é a coisa verdadeira”.

Não deixe sombras de dúvidas, afinal de contas pelo fruto se conhece a árvore.

Texto adaptado e extraído do Livro “Empowering Leadership”. Dr Anthony D´souza, Haggai Institute for Advanced Leadership Training. (tradução livre)



Nelson Aprigio de Lima
- Professor de Comércio Exterior e Faculty do Haggai Institute International in Singapore e executivo de uma rede varejista.

sexta-feira, 3 de julho de 2009

Liderança e Motivação

O líder e seus colaboradores.

Segundo o dicionário, Liderança:
- é o ato de liderar pessoas e Motivação, entre várias definições, é uma “espécie de energia psicológica ou tensão que põe em movimento o organismo humano, determinando um dado comportamento”.
Então, Liderança e Motivação, é o ato de liderar pessoas em busca dessa força, de forma a aplicá-la em benefício da própria pessoa e do grupo no qual esse membro está inserido.
Motivar pessoas e mantê-las motivadas é um desafio a ser enfrentado diariamente por lideres de quaisquer organizações. E não é um desafio qualquer. Liderar equipe requer conhecimentos e habilidades para que se possa identificar em cada colaborador (pessoa que colabora – trabalham de iguais iniciativas), isoladamente e na equipe como um todo, pontos fortes, pontos fracos e oportunidades.

(Hebreus 6:12) – Para que vos não façais negligentes, mas sejais imitadores dos que pela fé e paciência herdam as promessas.

Seres humanos são muito diferentes entre si na maneira de pensar, agir e expressar seus sentimentos. E muitas vezes, diferente de si mesmo, conforme o momento que está vivendo. Diversos fatores interferem no estado físico e psicológico do indivíduo. Tais influências refletem diretamente no desempenho do trabalho dessa pessoa e conseqüentemente no resultado final do grupo.

Judas: (João 13:2) – E, acabada a ceia, tendo o diabo posto no coração de Judas Iscariotes, filho de Simão, que o traísse,

No entanto, sabemos que é muito difícil definir e identificar quais fatores são motivacionais ou não para determinado indivíduo, ou para um grupo. O que motiva uma pessoa pode desmotivar outra!
Um problema pessoal reflete na produtividade de um colaborador de maneira diferente. Podemos observar uma queda na operosidade em razão de tal problema, ou um aumento no rendimento em resposta à dificuldade enfrentada. Do mesmo modo, uma grande alegria pode levar a pessoa a produzir mais e melhor, ou simplesmente, passar o dia todo (ou grande parte dele) pensando na boa notícia e assim prejudicar seu desempenho na realização de suas tarefas e no relacionamento com seus irmãos.

Paulo : (II Corintios 12:7) – E, para que não me exaltasse pela excelência das revelações, foi-me dado um espinho na carne, a saber, um mensageiro de Satanás para me esbofetear, a fim de não me exaltar.

E quando a alegria de um se torna a tristeza do outro? Ou, ainda, da maioria do grupo? Um exemplo clássico nesse caso é a escolha de Deus por uma pessoa em determinada função.

Moisés: (Números 12:10) – E a nuvem se retirou de sobre a tenda; e eis que Miriã ficou leprosa como a neve; e olhou Arão para Miriã, e eis que estava leprosa.

Por isso que administrar pessoas é tão desafiante. Quanto mais preparado estiver o líder e seus colaboradores, maiores as chances de se obter os resultados esperados.

Original em Educação Cristã Bauru

terça-feira, 30 de junho de 2009

MOTORISTA OLHE A PISTA

Nelson Aprígio(*)

Há pouco tempo tive uma experiência bem interessante.
De volta para casa dei carona para dois executivos da empresa que participaram do curso juntamente comigo no interior de São Paulo.
Estávamos na Rodovia BR 116 conhecida por muitos como a rodovia da morte ,o que me custou uma atenção redobrada na condução do veiculo.
Enquanto meus colegas se divertiam , eu mal pude piscar meus olhos, estava totalmente concentrado na direção, olhando para os retrovisores laterais , observando os carros mais adiante e sempre com atenção ao limite de velocidade sem esquecer dos outros motoristas.
Tudo isto pelo fato de ter vidas sob minha responsabilidade, num trecho que merece atenção extremada.
Reafirmei aquilo que acabara de discutir no treinamento.

"Há grande diferença entre ser Motorista e Passageiro"

Quando somos passageiros podemos; nos divertir, olhar a paisagem, ouvir som na maior altura, virar o rosto para os lados , ler um livro e até mesmo tirar uma soneca.
O passageiro também pode interagir sem a menor preocupação com as pessoas de dentro e fora do carro sem a menor preocupação, afinal de contas ele pode aproveitar a viagem do já que o motorista é quem tem o volante nas mãos e sabe para onde deve ir.

Deixamos de ser passageiros quando assumimos a liderança.

- não podemos agir como se tudo dependesse dos outros.
- não podemos alegar não saber o destino ou a rota a seguir.
- não podemos mais esquecer de colocar combustível no veiculo..
- não devemos esquecer de checar os equipamentos
- não pode delegar responsabilidade do veiculo (neste caso o depto ou a área que lideram)

Quando se deixa de ser passageiro a empresa espera mais de ti...as coisas mudam, teus líderes aguardam uma postura de CONDUTOR.

Como Motorista

- está nas tuas mãos a condução da equipe - Liderança Servidora.
- querem que você chegue no local e hora devida – Atinja as metas dentro dos prazos!
- o tempo que temos é usado para olhar à frente – Foco nos objetivos da semana.
- nada de distrações com a paisagem - Fuja da fofoca e conversa sem valor, desligue a radio peão.
- você deve conhecer o bem o carro que dirige - Esteja a par do que ocorre no teu negocio!
- faça as revisões periodicamente - Invista em treinamento
- isto aumenta a qualidade.
- não ponha motor de fusquinha numa carreta - Pessoas preparadas nos lugares certos.

Tenha sempre um pequeno manual à tua vista com algumas dicas de viagem

MANTENHA-SE NA VISÃO E MISSAO - tem gente que depende do caminho que você escolher
DIRIJA SEM EMOÇÃO - existem famílias que esperam da tua liderança sabedoria e conhecimento
EVITE ACIDENTES! - não durma no volante, converse com o time
COMPETIÇÃO A TODO TEMPO - há outros motoristas correndo na mesma pista
CONHEÇA OS SINAIS - tem gente boa na pista, porém existe muita gente ruim maldosa
ENTREGUE NO PRAZO - respeite as regras da estrada - não seja devagar demais
NÃO ATROPELE – respeite a velocidade máxima – caso contrario você perde o controle.
SE ESTIVER PERDIDO PEÇA AJUDA – fale com alguém que já passou por este caminho.
PARE QUANDO ATINGIR O TEU LIMITE – Trabalhar em excesso, perder finais de semana sempre é colocar os outros em situação de risco, Tire férias.

Finalmente – Não se esqueça do principal você é apenas um motorista e não o dono da estrada.

A Humildade precede a honra!

(*) Nelson Aprigio de Lima
Professor de Comércio Exterior e Faculty do Haggai Institute International in Singapore e executivo de uma rede varejista.

sexta-feira, 26 de junho de 2009

Ouvir os clientes...

No aeroporto, o pessoal estava na sala de espera aguardando a chamada para embarcar. Nisso aparece o Co-piloto, todo uniformizado, de óculos escuros e de bengala, tateando pelo caminho. A atendente da companhia o encaminha até o avião e assim que volta, explica que, apesar dele ser cego, é o melhor Co-piloto da companhia.
Alguns minutos depois, chega outro funcionário também uniformizado,de óculos escuros, de bengala branca e amparado por duas aeromoças.
A atendente mais uma vez informa que, apesar dele ser cego, é o melhor piloto da empresa e, tanto ele quanto o Co-piloto, fazem a melhor dupla da companhia.
Todos os passageiros embarcam no avião preocupados com os pilotos.
O comandante avisa que o avião vai levantar vôo e começa a correr pela pista, cada vez com mais velocidade.. Todos os passageiros se olham, suando, com muito medo da situação. O avião vai aumentando a velocidade e nada de levantar vôo. A pista está quase acabando e nada do avião sair do chão. Todos começam a ficar cada vez mais preocupados. O avião correndo e a pista acabando. O desespero toma conta de todo mundo.
Começa uma gritaria histérica no avião.
Nesse exato momento o avião decola, ganhando o céu e subindo suavemente.
O piloto vira para o Co-piloto e diz:
- Se algum dia o pessoal não gritar, a gente tá perdido!!!!!!


Moral: OUVIR OS CLIENTES É FUNDAMENTAL!!

quarta-feira, 10 de junho de 2009

É possível ser advogado e crente?

Entrevista com David Teixeira de Azevedo

Alguns pensam, de forma preconceituosa, que advocacia e cristianismo não podem andar juntos e que, ao procurarmos um advogado, estamos em busca de auxílio para burlar a lei. Exatamente sobre isto o vice-presidente do Instituto dos Juristas Cristãos do Brasil afirma: “o advogado é alguém que faz cumprir a lei”.
Nosso entrevistado é o Dr. David Teixeira de Azevedo, um dos mais talentosos e respeitados advogados do Brasil. Possui graduação em Ciências Jurídicas e Sociais, mestrado e doutorado em Direito pela Universidade de São Paulo e especialização em Direito Penal Econômico e Europeu pela Universidade de Coimbra – Portugal.
Atualmente é professor da Faculdade de Direito da USP, vice-presidente do Instituto dos Juristas Cristãos do Brasil – IJCB e atende em escritório profissional em São Paulo. É autor de diversos livros, dentre os quais, Atualidades no Direito e Processo Penal, pela Editora Método.

É possível ser um crente fiel a Deus e viver da advocacia no Brasil?
David - Claro que sim. A advocacia não traz nenhuma incompatibilidade com os princípios cristãos. Mais, a advocacia não é conflitante de nenhum modo com a fidelidade ao Senhor. Deve o advogado exercer sua atividade profissional com todo o tirocínio e competência, estabelecendo uma relação de empatia com o cliente, fazendo suas as angústias e ansiedades deste, sem, contudo, perder a capacidade de posicionar-se estrategicamente na causa, medir os melhores argumentos, avaliar equidistantemente os elementos de prova então existentes. Paixão pela causa entregue à sua responsabilidade, empatia com o cliente, capacidade de raciocínio técnico e exercício da profissão segundo um reto e por isso ético juízo, tudo isto compõe os ingredientes para um exercício profissional conciliado com a fé e com os valores cristãos.

O que é mais difícil para um cristão no exercício da advocacia?
David - É estabelecer linha fronteiriça entre a verdade e o exercício do direito de defesa. Devem caminhar juntos, inseparáveis. Mas que verdade? A verdade histórica tal qual reproduzida na investigação preliminar e no processo.

Haveria alguma especialidade do direito na qual o advogado crente enfrentaria mais causas que vão de encontro ao Evangelho?
David - O terreno é igualmente espinhoso em todas as áreas. Porém, no âmbito da recuperação judicial e no âmbito criminal as questões são mais sensíveis.

Há um pensamento corrente de que ao procurar um advogado procuramos alguém para burlar a lei. O que o senhor pensa sobre isso?
David - É um pensamento absolutamente preconceituoso. O advogado não é aquele que burla a lei, mas sim alguém que faz cumprir a lei. Devemos lembrar que a experiência jurídica é o resultado da tríade fato, valor e norma, como expôs o pensamento de um dos mais extraordinários juristas do século passado e início deste, Prof. Miguel Reale. O direito vai além da norma jurídica, que é provisória e está sujeita à alteração constante, em razão da mudança dos valores que lhe deram significado e em virtude dos nossos fatos sociais. Cabe ao advogado, buscar a razão última da norma, identificar o valor que a empolga, perceber com sensibilidade as mudanças sociais que justificam uma releitura ou mudança da norma. Dentro desse trabalho é que se pleiteará o melhor direito, que inclusive pode estar escondido por detrás da lei.

Aumentou muito o número de igrejas que têm contratado um advogado para defendê-las em várias áreas. Como deve agir o advogado quando é contratado e sabe que a igreja agiu incorretamente?
David - Em primeiro lugar, o advogado não está vinculado somente às causas boas. O advogado tem o compromisso de bem defender seu cliente, extraindo da norma e do universo jurídico a que ela pertence a melhor e mais adequada disciplina jurídica para seu cliente. Se a igreja errou, o trabalho do advogado é de grande responsabilidade no que se refere à advocacia consultiva. Deve indicar os meios e modos jurídicos de adequar o funcionamento da igreja aos preceitos legais. A defesa em juízo deve dirigir-se a mostrar, se for este o caso, como o direito - e não necessariamente uma norma jurídica isolada - pode guardar os interesses da igreja e, assim, apontar conclusivamente pela ilegalidade da atuação do poder público.

Temos também lido sobre líderes e pastores que não assumem seus erros e colocam-se acima da lei. Que conselhos o irmão daria para estes irmãos?
David - É o conselho de Pedro de estarmos sujeitos, e exemplarmente, a toda autoridade humana (I Pe. 2:13). Esses pastores e líderes saibam que "a ira do homem não opera a justiça de Deus” (Tiago 1:20) e que os tribunais estão para corrigir com a vara quem não se conduz debaixo da Graça.

E para os vários advogados crentes que freqüentam as igrejas brasileiras? Que recomendação o senhor daria para que também dêem bom testemunho como profissionais?
David - Uma das melhores e mais ricas imagens bíblicas é a do advogado, em especial quando Jesus Cristo é comparado a um advogado junto ao Pai, ou seja, o Parakletos: I João 2:1 “Meus filhinhos, estas coisas vos escrevo, para que não pequeis; mas, se alguém pecar, temos um Advogado para com o Pai, Jesus Cristo, o Justo.” Nosso ministério como ministros do direito, e não meramente operadores técnicos dele, é estar ao lado de quem sofre a injustiça, a violência, quem tem seu direito afligido. A dignidade da advocacia, como serviço essencial à Administração da Justiça, entendida como materialmente justa, recebeu grafia no texto constitucional e devemos com toda autoridade e desassombro exercer nossa profissão de modo a contribuir para que a sociedade seja mais justa, que o direito seja efetivamente dado na exata medida em que ele pertencer a cada membro da comunhão social. E mais, devemos aproveitar esta oportunidade para testemunhar que nosso Deus é quem faz justiça, que se põe como Juiz dos juízes, interpretando as circunstâncias por vezes aflitiva e adversa como o caminho escolhido, pela soberania de Deus, para trabalhar com o coração do homem.

Reprodução Autorizada desde que mantida a integridade dos textos, mencionado o site www.institutojetro.com

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