Ética e Liderança Cristã: Ética
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terça-feira, 9 de julho de 2019

Deus chamou você para liderar!


O chamado à liderança é para todos! Você pode estar se perguntando como eu posso fazer uma afirmação tão ousada. É porque cada pessoa que aceitou Cristo foi chamada para influenciar outras pessoas. Muitas delas. Assim, a liderança não é apenas para um grupo seleto.

Há alguns anos, em seu livro Spiritual Leadership, J. Oswald Sanders deu a melhor definição de liderança que eu já li. Ele apenas afirmou: “Liderança é influência”. Eu assimilei essa definição e a ensinei a milhares de pessoas ao longo dos anos. Se você é um seguidor de Cristo, então reconhece que foi chamado para influenciar os outros. Jesus disse isso da seguinte maneira: “Vóis sois o sal da terra… Vós sois a luz do mundo… Assim brilhe também a vossa luz diante dos homens, para que vejam as vossas boas obras e glorifiquem a vosso Pai que está nos céus” (Mt 5.13-16).

Não importa se você é o presidente de uma empresa ou uma dona de casa; se você se considera cristão, então você é chamado a influenciar outros. Por isso, é importante que você aprenda como se tornar um líder melhor – sendo você um pai de família, o pastor de uma igreja, o dono de uma empresa ou um líder em potencial para a próxima geração.

O problema é que, se você for como a maioria das pessoas, talvez não acorde cedo, olhe-se no espelho e diga: “Eis aí um líder dedicado e eficaz!” Hoje em dia, a maioria das pessoa não acredita que é capaz de causar um impacto relevante e positivo no mundo em que vive. Até mesmo a maioria dos pastores pensa assim. Em 1997, o Barna Research Group relatou que 95% dos pastores americanos disseram que não acreditavam ter o dom espiritual da liderança. Eles também não acreditavam ter sido devidamente preparados para a tarefa de liderança.

A verdade é que poucas pessoas podem ser consideradas líderes natas. Mas qualquer uma tem potencial. Eu acredito que você pode se tornar um líder melhor, independentemente de sua idade, gênero, estado civil ou profissão.

Os sociólogos dizem que até as pessoas introvertidas influenciarão uma média de 10 mil pessoas durante sua vida. Pense nisso! Alguém que nem está tentando liderar acabará por impactar muitas pessoas. Apenas pense no que pode fazer aquele que tem a intenção de liderar – como Jesus nos orientou a fazer. Que tipo de potencial de impacto Deus colocou dentro de você?

Eu quero que você se veja como um verdadeiro líder. Eu quero que você aprenda com os melhores líderes que já viveram: os homens e as mulheres da Bíblia. Não importa quão forte ou fraca seja a sua liderança; eu quero que você melhore e alcance todo seu potencial de liderança para a glória de Deus!*

John C. Maxwell – Bíblia da Liderança Cristã, Sociedade Bíblica do Brasil

sexta-feira, 18 de maio de 2018

'Enigma do trem' fará você questionar a racionalidade de suas decisões


O dilema do trem questiona os valores de nossas decisões

A situação é a complicada: um trem avança sem freios e está prestes a atropelar cinco pessoas que estão sobre a linha férrea. Você está ao lado da estrada, em frente a uma alavanca que, caso seja puxada, consegue desviar o trajeto da composição. No entanto, se você acionar o equipamento, o trem vai atropelar outra pessoa na linha ao lado.
Você tem dez segundos para tomar uma decisão. Se não fizer nada, cinco pessoas morrem. Se você puxar a alavanca, elas serão salvas, mas, como consequência, outra pessoa vai morrer. O que fazer?
Esse experimento, conhecido como "o dilema do trem", é um cenário clássico entre filósofos e sociólogos - ele é usado para estudar o modo como tomamos decisões e para confrontar diferentes perspectivas sobre uma mesma situação.

Conflito ético
Por um lado, há quem acredite que o correto seria causar o menor dano possível, ou seja, a melhor opção seria puxar a alavanca para salvar mais vidas, mesmo que uma pessoa acabe morrendo.
Do outro lado, alguns argumentam que seria imoral intervir na situação, causando um dano que não ocorreria sem a interferência, mesmo que as intenções sejam boas.
A espiral de perguntas poderia ser infinita: salvar cinco pessoas é melhor que salvar apenas uma? É correto salvar cinco pessoas, mas matar uma que não estava correndo risco? Quem escolheu não puxar a alavanca, mudaria de opinião se fossem 100 pessoas a morrer e não apenas cinco?


Segundo pesquisadores, nossa opinião sobre o dilema muda quando deparamos com ele na prática

Na prática
"Esse dilema é sobre o bem-estar do indivíduo em contraponto ao bem-estar de um grupo", diz o sociólogo Dries Bostyn, da Universidade de Gante, na Bélgica.
Bostyn liderou uma equipe de pesquisadores que tentou aplicar na prática o dilema hipotético. Eles usaram um caso diferente, mas que segue a mesma lógica.
Para seu experimento, Bostyn reuniu um grupo de 300 voluntários que se dispuseram a enfrentar o problema.
Ele perguntou para uma parte deles: em uma jaula há cinco ratos e em outra apenas um. Com uma contagem regressiva de 20 segundos, caso o voluntário não faça nada, os cinco ratos vão sofrer um choque elétrico que causará dor. Se antes do tempo acabar, a pessoa apertar um botão, apenas um rato, que está em outra jaula, levará o choque.
Segundo o sociólogo, 66% dos voluntários disseram que apertariam o botão para que o rato solitário recebesse o choque, o que evitaria que o grupo de cinco sofresse. Outros 34% disseram que não fariam nada e, consequentemente, os cinco ratos receberiam a descarga.


Para seu teste, Bostyn colocou cinco ratos em uma gaiola e um animal em outra; no meio, um botão que supostamente acionava um choque elétrico 

Depois, os pesquisadores colocaram outro grupo de voluntários diante da situação real. O resultado foi divergente. Eles ficaram diante da gaiola com cinco roedores e da outra, com apenas um.
Entre as caixas, havia o botão para aplicar o choque (na realidade, ele não produzia choque elétrico de fato, mas os participantes foram levados a acreditar que sim). O cronômetro começava a avançar e as pessoas tinham que decidir o que fazer, rapidamente.
Neste caso, 84% dos voluntários apertaram o botão para salvar os cinco ratos. Somente 16% não fizeram nada para evitar o possível efeito - resultado diferente de quando o teste é aplicado apenas na teoria.

Mudança
Para Bostyn, esse resultado sugere que "o que as pessoas pensam não corresponde ao o que elas fazem na prática".
Um dos resultados mais interessantes do teste, segundo os pesquisadores, foi o sentimento contraditório experimentado pelos participantes.
"Foi fascinante ver as pessoas que acharam ter tomado uma boa decisão e depois pediram desculpas por sua escolha', diz Bostyn. "É uma questão muito interessante para estudar no futuro."
O experimento de Bostyn ainda tem várias limitações, pois é difícil comparar a morte de um rato com a de um ser humano.
No futuro, o pesquisador pretende fazer um teste em que a mesma pessoa responde ao caso hipotético e, depois, é submetida à experiência real.

Voltando ao trem, você mudou de opinião?

Publicado originalmente em BBCBrasil

sábado, 21 de abril de 2018

A ética cristã e o aborto


Por Eliseu Antonio Gomes

INTRODUÇÃO
Na maior parte dos grandes questionamentos éticos, a Bíblia Sagrada possui posicionamento definido e cristalino.
A ética embasada na Lei de Deus e no ensinamento de Cristo é obviamente uma escolha melhor, revela lógica e bom senso, do que uma ética que ambiciona basear-se no iluminismo ou em filosofias mais nova. A partir de um ponto de vista bíblico, é possível declarar por qual motivo o cristão deve ser ético, e também qual é a verdadeira origem da sua vontade de ser ético.

I – ABORTO: CONCEITO GERAL E BÍBLICO

1.1 Conceito geral de aborto
O aborto é o fim da gravidez, a interrupção do nascimento, é a remoção de um embrião ou feto antes que ele possa sobreviver fora do útero, ou seja, é causar a morte do embrião ou feto. Ao ocorrer espontaneamente, é descrito como aborto espontâneo. Se o aborto é causado de propósito, é então chamado de aborto induzido ou "aborto espontâneo induzido". A palavra aborto é freqüentemente usada para significar apenas abortos induzidos.
Hipócrates (460 a.C. - 370 a.C.), foi médico grego, considerado o pai da medicina na cultura ocidental, autor do juramento que leva seu nome. O Juramento de Hipócrates, escrito entre o terceiro e quinto século a.C. é um dos mais conhecidos textos médicos gregos e considerado mais que um rito de passagem para graduados em medicina. O juramento feito solenemente pelos médicos, por ocasião de sua formatura, é a expressão mais antiga da ética médica no mundo ocidental. Apresenta as bases de vários princípios aos profissionais na área da saúde que continuam sendo de suma importância na atualidade. A síntese deste documento aborda os deveres que o médico deve ter para com o seu professor e para com a profissão; inclui os princípios de sigilo e não maleficência; abrange a integridade de vida, a assistência aos doentes e o desprezo pela sua própria pessoa.
Por conta do Juramento de Hipócrates, é amplamente visto como questionável o exercício da interrupção da gravidez na área legal da medicina.

A militância pró-aborto costuma salientar os seguintes argumentos a favor da sua posição:
• O direito da mulher sobre o seu corpo;
• O fato de não se autorizar o aborto faz com que haja muitos abortos clandestinos que envolvem riscos graves para a saúde;
• As mães pobres, que são forçadas a dar à luz aos seus filhos, têm muitos problemas financeiros;
• As mulheres não devem ser forçadas a trazer filhos indesejados ao mundo;
• As mulheres não devem ser obrigadas a trazer filhos gravemente deficientes ao mundo;
• As vítimas de violação ou de incesto não devem ser forçadas a seguir com a gravidez;
• A dissuasão, se for usada, deve ser verbal e pessoal, e não legal;
• O apoio oficial a mães que tiveram filhos sem terem condições materiais para isso é muito dispendioso.

1.2 O aborto no contexto legal.
A consciência da pós-modernidade alega que quando permitido por lei, o aborto no mundo desenvolvido pode ser um dos procedimentos mais seguros na medicina. É discutível a afirmação da Organização Mundial de Saúde quando diz que os abortos induzidos não aumentam o risco de problemas mentais ou físicos a longo prazo, segundo matéria do Journal of Obstetrics and Gynaecology Canada, abortos realizados em instalações insalubres causam 47 mil mortes e 5 milhões de internações hospitalares a cada ano, com cerca de 45% de fracassos.
As leis do aborto e as visões culturais ou religiosas dos abortos são diferentes em todo o mundo. Em algumas áreas, o aborto só é legal em casos específicos, como estupro, problemas com o feto , pobreza , risco à saúde da mulher ou incesto. Em muitos lugares, há muito debate sobre as questões morais, éticas e legais do aborto. Aqueles que se opõem ao aborto freqüentemente sustentam que um embrião ou feto é um humano com direito à vida , e assim eles podem comparar o aborto ao assassinato. Aqueles que defendem a legalidade do aborto freqüentemente sustentam que uma mulher tem o direito de tomar decisões sobre seu próprio corpo. Outros favorecem o aborto legal e acessível como uma medida de saúde pública.

1.3 Conceito bíblico de aborto.
Tal como a eutanásia, o aborto não é objeto de nenhum estudo específico nos livros da Bíblia Sagrada. Contudo, mais ainda do que em relação à eutanásia o texto de Êxodo 23.7, que aborda a defesa do Senhor ao inocente e ao justo, deve ser entendido como pondo de lado qualquer possibilidade de concretizar esse ato, pois Deus não justificará o ímpio. Na lei mosaica, provocar a encerramento da gravidez de uma mulher era tratado como ato criminoso, causar a morte do feto era cabível do pedido de retaliação (Êxodo 21.22,23).

1.4 O aborto na história da igreja.
Em 1973, Jane Wade foi à Justiça americana afirmando que sua gravidez tinha origem em um ato de violação e reclamava a exigência do Estado em que mantivesse a sua gravidez. Ela alegou seu direito a privacidade, com base na Constituição, e afirmou que essa privacidade se entendia ao útero. Seu caso ficou conhecido como Processo Roe-Wade. A sentença dada pelo Tribunal defendeu seu direito à privacidade e consequentemente arrastou vários outros casos de desejo ao aborto a uma situação de extrema permissividade. Vários anos depois que Jane Wade ganhou seu processo e abortou, admitiu que havia mentido, declarou que não havia sido violada e a gravidez fora consequência de falha nos métodos contraceptivos que usara. Em 1995 ela se converteu a Cristo, deixou seu trabalho em uma clínica de aborto e integrou-se a uma igreja cujo pastor é um dos líderes do Movimento Militante Pró-Vida.

II – O EMBRIÃO E O FETO SÃO UM SER HUMANO

2.1 Quando começa a vida?
A Bíblia nos ensina sobre a origem da vida: "E formou o Senhor Deus o homem do pó da terra e soprou em seus narizes o fôlego da vida; e o homem foi feito alma vivente' (Gênesis 2.7). Após o homem ser formado através do processo sobrenatural da combinação das substâncias que há na terra, o Criador lhe soprou o fôlego da vida, dando início, assim, à vida humana. Baseado neste nesse fato, entendemos que, cada ser que é formado, a partir da fecundação, o sopro de vida lhe é assegurado pela lei biológica estabelecida por Deus.
Em Isaías 49.1, encontramos o inicio do segundo dos quatro Cânticos do Servo, que retrata a missão do Messias e há a exortação para que a nação de Israel despreze os conselhos de sabedoria humana. A passagem bíblica refere-se a Jesus Cristo, que se tornaria um ser humano desde o ventre de Maria, que teria que se encarnar e seria conhecido como o Emanuel, que significa Deus conosco (Isaías 7.14).
Sobre a chamada ao ministério profético de Jeremias temos, no capítulo 1 e versículo 5, a informação que Deus o chamou antes que ele fosse formado no útero de sua mãe. Não se trata de reencarnação, trata-se do conhecimento absoluto que Deus tinha de Jeremias e do seu plano soberano para a vida dele antes que ele fosse concebido.
Em Gálatas 1.15, Paulo escreve que Deus o separou ao ministério apostólico antes que ele nascesse. Com isso, não queria dizer que sobre nascer e ser separado fisicamente de sua mãe, e sim sobre ser separado e colocado à parte por Deus para o serviço desde o seu nascimento.

2.2 O que diz a bíblia.
A Bíblia mostra claramente que, no entender de Deus, o feto é uma pessoa.
• Jó 3.3 pressupõe a continuidade entre o ser que é concebido e o ser que nasce.
• Jeremias 1.5 e Isaías 49.1 descrevem a forma como Deus se relaciona com a pessoa quando esta ainda está no ventre de sua mãe.
• O Livro de Salmos, em 139.13-16, revela de maneira comovente que Deus é quem cria o ser humano desde o útero, desenvolve o ser humano no ventre de sua mãe.
• Salmo 51.5 diz que a pessoa tem a tendência de pecar desde o ventre
• Em Lucas 1.41, João Batista é descrito como "criancinha" (brephos, em grego). O texto narra o episódio em que ele saltou de alegria quando ainda estava no ventre de sua mãe Isabel, quando esta recebeu a saudação de Maria, que viria a ser a mãe do Salvador. E em Lucas 2.16, o mesmo termo grego é usado para descrever Jesus, já nascido.

2.3 Qual a posição da igreja?
No mundo greco-romano era comum a prática do aborto. Foi preciso que os pais da igreja entrassem em cena para condenar essa prática. No Didaquê (século II): "Não matarás o embrião por meio do aborto, nem farás que morra o recém nascido". Essa questão contribuiu para estabelecer o debate acirrado, primeiro entre os gregos e depois entre os cristãos, sobre o momento em que o bebê, ainda em formação, recebia a alma, tornando-se um ser humano. Por influência de Aristóteles, o pensamento cristão aderiu à ideia de que o feto era animado pela alma humana apenas em uma fase tardia de sua gestação. Tomás de Aquino afirmou depois que na primeira fase o feto tinha uma alma vegetal, na segunda tinha uma alma animal e só na terceira recebia uma alma que podia ser considerada humana. Em 1588, o Papa Xisto V eliminou esse princípio aristotélico.

III – TIPOS DE ABORTO E SUAS IMPLICAÇÕES ÉTICAS
A legislação brasileira autoriza a interrupção da gravidez em três casos somente. Neste tópico apresentamos as principais implicações éticas para estes tipos de aborto.

3.1 Aborto de Anencéfalo
Em 2012, o Supremo Tribunal Federal (STF) legalizou a interrupção da gravidez de feto anencéfalo (má-formação rara do tubo neural). A principal implicação ética desta decisão está no descarte de um ser humano por apresentar uma má formação cerebral. Trata-se de uma ideologia racista chamada "eugenia" que defende a sobrevivência apenas dos seres saudáveis e fortes. Uma nítida incoerência de quem defende os direitos humanos e ao mesmo tempo age de modo discriminatório. Neste quesito enfatizam as Escrituras: para com Deus, não há acepção de pessoas (Romanos 2.11). Como aceitar a ideia de que Deus não rejeitaria um ser humano em seus primeiros dias de existência?

3.2 Aborto em caso de estupro
Como não é necessária a comprovação do crime de estupro e nem autorização judicial para o aborto, a lei é permissiva e complacente com a interrupção da gravidez sob a alegação de estupro sem que ele tenha ocorrido. Assim, discute-se a inviolabilidade do direito à vida do nascituro (Art. 5°, CF e Art. 2° do CC). Outra questão ética relaciona-se ao fato de que um crime não pode justificar outro crime.
Para os cristãos o ensino bíblico é claro: "Não te deixes vencer do mal, mas vence o mal com o bem" (Romanos 12.21). Não convém reagir ao mal com outro mal, o que só produz mais mal. A reação do crente convertido a Cristo é mudar a situação da maldade para atitudes de bondade, benevolência, benignidade, magnanimidade.

3.3 Aborto terapêutico
Procura-se justificar clinicamente esta ação sob a alegação de que a vida de um adulto tem maior valor que a de um ser em gestação. Daí surge questões éticas quanto à valoração da vida humana. Uma pessoa merece viver e outra não? Tertuliano, em sua obra Apologeticum (197), ensinava que não existe diferença entre uma pessoa que já tenha nascido e um ser em gestação. Outra questão é acerca do poder sobre a existência.
É Deus quem dá a vida e nos permite viver em nosso corpo físico. Podemos decidir quem deve viver ou morrer? É apenas da alçada de Deus levar o homem à beira da tumba e quando toda a esperança parece ter tido o fim, levantá-lo outra vez. Estar neste mundo ou deixá-lo é uma decisão que cabe ao Criador e jamais algo que satisfaça aos desejos pessoais de alguma criatura humana. Cada ser gerado tem um propósito nobre a cumprir, maior que a vontade pessoal, portanto, interromper uma gestação é notadamente um enorme equívoco. Portanto, ajamos com sabedoria, prudência e critério, nunca nos esquecendo da sacralidade da vida humana. As Escrituras Sagradas afirmam que a vida e a morte são, unicamente, da alçada divina (1Samuel 2.6; Filipenses 1.21-24).

CONCLUSÃO
Todos os cristãos comparecerão diante do tribunal de Cristo, , no segundo advento, portanto deve estar empenhado em pregar a revelação da Palavra de Deus exatamente como ela é. estar sempre preparado para proclamar a Verdade, deve abordar a questão do pecado na vida daqueles que servem ao Senhor e na vida de quem é pecador não arrependido. A doutrina de Cristo deve ser exposta com mansidão, mesmo que rejeitada (1Timóteo 4.1,2).
Valorizar a dignidade humana, o direito à vida e o cuidado à pessoa vulnerável são princípios imutáveis do cristianismo. Na sociedade secular, o cristão autentico deve tomar cuidado com relativismo e estar alerta quanto às ações de manipulação de sua consciência e o desrespeito à vida humana,

https://en.wikipedia.org/wiki/Hippocratic_Oath
https://en.wikipedia.org/wiki/Abortion

Para conhecer mais leia "Ética Cristã: Confrontando as Questões Morais de Nosso Tempo", CPAD, p.44.

Material em fase de conclusão

Publicado originalmente em Eliseu Antonio Gomes

segunda-feira, 3 de outubro de 2016

Ética bíblica versus ética cultural

A proposta da ética do mundo é manter o desfrute dos prazeres pecaminosos, eliminando suas consequências naturais. A pílula do dia seguinte mata o óvulo fecundado antes da nidação, que é sua fixação nas paredes do útero para desenvolvimento (algo que acontece cerca de dez dias após a relação sexual). Dizem que um óvulo nos primeiros dias após a fecundação não é um ser humano. Por conseguinte, não possui dignidade ou direitos humanos.
Biblicamente, o melhor modo de impedir uma gravidez indesejada é resguardar-se sexualmente para o casamento. Nossos atos acarretam resultados, isso se chama responsabilidade.
Quanto à legalização da prostituição, todas as pessoas devem ser tratadas com respeito e jamais rechaçadas por preconceito ou orgulho. Ademais, cabe ao Estado garantir aos cidadãos o acesso à saúde, educação, segurança e inclusão social. Até um criminoso deve ser tratado como gente, criatura de Deus. Mas não se pode concordar com a erotização cultural, a banalização do sexo e a comercialização do corpo. Essas práticas afetam tanto a vida física, quanto espiritual (1Co 6.9-20; 1Ts 4.1-8). Sendo assim, os cristãos discordam do estabelecimento da prostituição como profissão.
Resumindo, não é bom ou certo, aquilo que a Bíblia diz que é ruim e errado. Além disso, evitamos até mesmo aquelas coisas que não são necessariamente pecaminosas, mas podem gerar obstáculos ao testemunho e evangelização (1Co 9.16-27; 1Ts 55.22).
Dito de outro modo, há um sentido em que a fé bíblica é contracultural e parece antiquada. Orientados pela noção de que o ser e a autoridade de Deus devem ser percebidos em todas as áreas da vida, nos posicionamos a favor de qualquer proposição que, ao mesmo tempo, beneficie o ser humano e honre devidamente a Deus.

***
Autor: Rev. Misael Nascimento
Fonte: IPB Rio Preto

Publicado em Bereianos

quinta-feira, 2 de junho de 2016

Ética e a pena de morte

Embora o texto [Gênesis 9.6] proíba terminantemente tirar a vida humana e ordene também terminantemente que se tire a vida de qualquer um que derrame sangue, podemos supor que a expressão é uma hipérbole e que o texto fala de tirar a vida de pessoas inocentes. Isso ocorre porque a Lei determina que se tire a vida de alguém em alguns casos, como homicídio doloso (Êx 21.12-16), mas não no caso de homicídio culposo, isto é, sem a intenção de matar (Nm 35.6-34).
O princípio da lei do talião (i.e., vida por vida) fica esclarecido nos mandamentos que Eu Sou dá ao povo da aliança acerca do homicida (Nm 35.16-21) e no ensino paulino sobre o cristão e o Estado. No caso de homicídio culposo, o condenado é banido para uma cidade de refúgio, não para uma penitenciaria, até a morte do sacerdote (Nm 35.22-28). No entanto, no caso de homicídio doloso, aquele cometido com intenção de matar, exige-se a pena de morte. No NT, os cristãos não devem se vingar por nenhum mal que venham a sofrer, mas deixar que a ira de Deus vingue esse mal (Rm 12.19). Por sua vez, Deus estabelece o governo como seu ministro, um vingador que executa a ira sobre aquele que pratica o mal (Rm 13.4). O Senhor e Rei supremo municia as autoridades públicas com a espada, o instrumento de morte, para o castigo do malfeitores. A lei que diz: "Quem derramar sangue de homem, terá seu sangue derramado pelo homem" (Gn 9.6) é prova de que, como ministros de Deus, as autoridades públicas têm a responsabilidade de executar a pena de morte no caso de crime de morte. Essa é uma obrigação, não uma opção. Deus diz três vezes: "Cobrarei" (Gn 9.5).
O sangue inocente derramado no caso de assassinato tem de ser compensador: Deus exige prestação de contas por esse sangue, porque ele é vingador (2Rs 9.26; Sl 9.12; Hb 12.24), mas os textos não especificam como. O sangue inocente contamina o culpado e é expiado pela morte do assassino (1Rs 2.32) ou mediante propiciação (Dt 21.7-9). Mesmo no caso de homicídio culposo, o homicida não pode ser posto em liberdade antes da morte do sumo sacerdote. Se o sangue inocente não for expiado, Deus trará condenação à terra (Dt 19.13; 2Sm 21; 1Rs 2.5, 6, 31-33). Se a pessoa que derramar sangue inocente não for castigada, a comunidade que se recusa a estabelecer a justiça será castigada por esse sangue derramado. Por causa do valor que tem a vida humana, por levar a imagem de Deus, e por causa da justiça exigida por derramar sangue inocente, Deus outorga à humanidade a autoridade judicial de impor a pena de morte. Isso demonstra mais uma vez que ele designou a raça humana para governar essa terra em seu nome. Essa autoridade é a base do governo organizado (Rm 13.1-7). Deus institui o lar antes da Queda, para criar uma sociedade em que o amor pode prosperar. Após o diluvio, ele institui o Estado para evitar o crime. Nahum M. Sarna diz: "A destruição do antigo mundo requer o repovoamento da terra e a correção dos males que trouxeram o Dilúvio. Dai por diante, a sociedade tem de estar firmada em bases morais mais seguras".
A lei tinha o cuidado de proteger quem era acusado falsamente. Eram necessárias pelo menos duas ou três testemunhas para se condenar alguém por um crime (Dt 19.15). Se uma testemunha cometesse perjúrio, o juiz responsável pelo processo deveria impor ao perjuro o mesmo que este pretendia fazer com o acusado, até mesmo a vida pela vida (Dt 19.16-21). Por fim, as próprias testemunhas tinham de participar da execução (Dt 17.2-7).
Entretanto, o assassino que se arrepende de verdade de seu crime, deve ser tratado com misericórdia (Pv 28.13). Embora tenha tirado a castidade de Bate-Seba e assassinado o marido dela, Davi experimentou perdão com base nos atributos divinos e sublimes da graça, do amor inesgotável e da misericórdia (2Sm 12.13-14; Sl 51). O sangue de Cristo fez a propiciação definitiva por todos os pecados de todos os seus eleitos (Hb 7.23-28).

Autor:Bruce K. Waltke
Fonte: WALTKE, K. Bruce. Teologia do Antigo Testamento: uma abordagem exegética, canônica e temática. São Paulo: Vida Nova, 2015, p.343-4.

Publicado em Apologética e Teologia Reformada


quinta-feira, 10 de dezembro de 2015

Princípio da Ética


Enriquecimento religioso ilícito

O estilo de vida empresarial ridiculariza a simplicidade do cristianismo.

Por Ian Leão(*)

Há algum tempo surgiu uma falsa doutrina do evangelho conhecida como “teologia da prosperidade”, que vem sendo denunciada por líderes cristãos. No entanto, hoje não se trata apenas de falsos mestre, pregadores de uma falsa doutrina, oriunda de um falso evangelho, mas de um verdadeiro enriquecimento ilícito de “Líderes cristãos” que deveriam ser exemplo de vida modesta e equilibrada não só para a comunidade Cristã, mas para toda sociedade.
Nossos valores, nos ensinaram que um Líder Religioso deve viver uma vida simples, essa simplicidade deve se estender a todos os âmbitos de sua vida, pois como exemplo, Cristo também viveu de forma simples.
Se voltarmos a história do cristianismo, vamos constatar que todos os Apóstolos e Profetas da história bíblica eram homens simples. Se observarmos, poucos homens ricos aparecem nas Escrituras Sagradas, estes eram homens sem vocação ministerial, foram Patriarcas, foram Reis, mas também vocacionados por Deus em seu tempo. Porém, a grande maioria dos homens dedicados ao trabalho religioso de tempo integral, era constituída de homens simples.
O estilo de vida empresarial, que domina o pensamento dos templos dos nossos dias, praticamente ridicularizou a simplicidade do cristianismo, fazendo com que muitos líderes busquem uma vida mais sofisticada.
Particularmente eu não acredito que seja o propósito cristão que o líder de uma igreja seja rico, com salário exorbitante, e que viva um estilo de vida muito superior ao da maioria dos membros de sua comum congregação.
Em certa ocasião no Evangelho de Jesus segundo o relato de Mateus, no capítulo 8 e verso 20, vamos encontrar uma situação em que um Escriba queria seguir a Jesus e foi informado por Ele que: “As raposas têm seus covis, e as aves do céu, ninhos; mas o Filho de Deus não tem onde reclinar a cabeça.” Nos tempo de Cristo, os Escribas eram dominadores da letra, ou doutores da lei, eram homens de grande importância, haja vista que no Sinédrio, serviam como juristas e intérpretes da Lei Mosaica, no que diz respeito aos assuntos governamentais, administrativos e jurídicos, quando na sinagoga, eram os intérpretes das Escrituras Sagradas, ajudando o povo a fazer aplicações práticas dos ensinos da lei para o cotidiano. Eles também eram os professores que ensinavam o povo a ler e escrever. Embora não fizessem parte da alta sociedade, tinham privilégios superiores aos da maioria do povo. A resposta de Cristo a este Escriba é, portanto, um esclarecimento de que uma liderança religiosa proposta por Cristo e vivenciada por seus Apóstolos era muito simples se comparada com o estilo de vida que ele estava acostumado.
A história nos deixa a indicação de que este Escriba desistiu de seus planos após as palavras de Cristo. Será que seguiríamos a Cristo, como ministros do seu santo evangelho, se nós ouvíssemos dele tais palavras? Mas elas ainda ressoam em alto e bom tom para aqueles que se dizem chamados para o trabalho religioso.
É certo que hoje a nossa sociedade abriu oportunidades maiores para aqueles que chamamos bivocacionais, ou seja, pessoas que exercem atividades religiosas e uma profissão secular. Trata-se, muitas vezes, de homens zelosos pela causa do evangelho e que, quando assumiram sua tarefa, já eram ricos ou tinham uma vida abastarda. Nesse caso, acredito que o princípio cristão histórico referente à economia deve ser observado.
Tem uma passagem de John Wesley, onde ele ensinou aos homens dos seus dias: “Trabalhe o mais duro que você pode, economize o tanto quanto você pode, doe o tanto quanto você pode.” É certo que todo trabalho honesto e decente é sagrado para Deus, não vejo razão para que um líder religioso deixe de ganhar dinheiro. Neste caso, o princípio de “trabalhar o mais duro que você pode”, certamente continuará a trazer benefícios financeiros. O que fazer com esse benefício financeiro? A segunda orientação de Wesley foi: “Economize o tanto quanto você pode.” Hoje, o desperdício de dinheiro pelo consumismo desenfreado, chega a ser uma ofensa àqueles que nada têm e que muitas vezes lutam para ter o que comer. Não seria ético para um líder cristão viver em um mundo de fartura e consumismo e, ao mesmo tempo, subir nas tribunas para ministrar um sermão aos que vivem uma vida modesta. O que fazer então com o que foi economizado? Wesley disse: “Doe o tanto quanto você pode.”
Eu acredito que a ética cristã deve motivar todos quantos possuem além daquilo que precisam para uma vida boa, para contribuir com o auxílio do necessitado e para o avanço da causa do evangelho, a fraternidade. Esses três princípios, na realidade, valem para todos quantos querem cumprir o mandamento de sagrado em suas vidas. Amar o próximo como a ti mesmo. Quem ama, ajuda! Se de alguma forma temos além do que precisamos, devemos doar.
Agora, simplesmente, é inaceitável que alguém venham a enriquecer à custa dos fiéis. Alguns justificam suas contas ao fato de serem dignos de receber seus salários equivalentes aos de grandes industriais, diretores executivos de grandes incorporações, etc. O conselho do mestre Jesus segundo o Apóstolo Lucas no capítulo 7 e verso 10 de seu evangelho, foi: “Digno é o trabalhador do seu salário”, todo líder religioso é digno de um salário suficiente para a provisão decente de sua vida e de sua família. Viver uma vida religiosa lucrativa financeiramente é diferente do ideal cristão para o homem e portanto é um enriquecimento ilícito para com a ética cristã.
Estes tais “líderes” devem ser denunciados por suas posturas; os fiéis deve ser alertados para se afastarem de homens assim, pois não se assemelham em nada com o Cristo e seus apóstolos. Temos que ter cuidado, pois estes, são cuidadosos no uso das palavras e enganam a muitos. Paulo, um exemplo de cristão nos alertou, através de sua segunda carta a Timóteo, que haverá tempo em que não suportarão a sã doutrina; pelo contrário, cercar-se-ão de mestres segundo as suas próprias cobiças, como que sentindo coceira nos ouvidos; e se recusarão a dar ouvidos à verdade, entregando-se às fábulas” – (2ª Carta de Paulo a Timóteo, capítulo 4, versos 3,4 e 5.

(*)Ian Leão, membro da Sociedade Dramática e Literária de Morrinhos, articulista e acadêmico de Direito – Fafich


Publicado em DM


quarta-feira, 15 de julho de 2015

A Motivação da Doação

Enoque Caló

"Este não era o momento de aceitar prata, nem roupas, nem de cobiçar olivais, vinhas, ovelhas, bois, servos e servas."
II Reis 5:26

Esta foi a palavra que Eliseu falou para Geazi, seu assistente de ministério.
Uma palavra difícil para orientar seu possível sucessor mesmo sabendo que a situação financeira e econômica do ministério de Eliseu não estava tão boa.
Aprendo nesta lição a importância em "pesar a motivação da doação", independentemente do valor desta. Se olharmos pelo aspecto financeiro a rejeição de Eliseu era quase uma "tolice', como poderia recusar uma oferta milionária para um ministério carente?
Nos versos anteriores podemos perceber Naamã insistindo para que Eliseu aceitasse, mas ele jura em Nome do Senhor que não aceitaria.
Setenta e dois quilos de ouro ultrapassariam hoje, quem sabe, o valor de sete milhões de reais.
E nós, aceitaríamos tal valor ou recusaríamos? Ou até agradeceríamos numa exclamação: Nossa você não imagina o quanto eu estava orando para receber tão grande quantia!
Entendo a preocupação dos líderes em poder ter o sustento para si e para a obra, mas como "dividir" no momento presente a administração das almas e do patrimônio?
Eliseu quando recebe seu chamado estava administrando um patrimônio interessante e muito valioso por sinal: as doze juntas de bois. Ele não era um homem que não havia experimentado um bom momento, ele sabia o que era ter recursos. Após o reconhecimento do seu chamado ele se desfaz do patrimônio e oferece um "grande churrasco" para a população local (I Reis 19.21). Agora, diante do rico Naamã ele tem uma posição de recusa ao dizer: "Eu não aceitarei estes presentes". Fez isso pois pesou a motivação da doação.
Já seu assistente fica transtornado ao ver Eliseu rejeitando todo aquele valor. Ele quebra princípios, usa o nome ou crédito de Eliseu de forma imprópria e coloca seu plano em prática. Porém chegou o momento de encarar a realidade onde estaria novamente na frente de Eliseu. Neste momento Eliseu dá uma palavra de repreensão ao seu assistente que já havia deixado a corrupção tomar conta do seu coração. Interessante que aquilo que é apropriado sem a devida legalidade deverá ser escondido, foi isto que o assistente fez com os setenta quilos de prata e duas mudas de roupas.
O mesmo se aplica nos dias de hoje quando é apresentado patrimônio além da receita e este é colocado em nome de terceiros para que não seja pego por algum órgão fiscalizador.
Fico impressionado como alguns acham simples sustentar uma construção de projetos suntuosos que nem ao menos serão funcionais, passarão setenta por cento do tempo fechado sem utilidade. Poderiam ser abertos para atender a população local com projetos educacionais e sociais afim de que o evangelho fosse conhecido por estas portas, mas geralmente eles não existem.
Até quando a vaidade do nosso coração nos fará ignorar os princípios bíblicos e como nos desprender do material para investir nas pessoas? Será que como Eliseu teremos condição de ignorar o valor patrimonial e transformar este em instrumento de investimento em pessoas?

Sim ou não?
Ao longo do nosso ministério poderemos receber presença de "Naamãs" com presentes caros e significativos. O grande desafio será ter a mesma atitude de Eliseu em saber pesar a motivação da doação e estarmos prontos para rejeitar tais presentes sem perder o foco de colocar em prática o chamado. Ou, podemos ignorar esta sensibilidade e receber toda e qualquer oferta, pois quanto mais, melhor.
Todo momento ou tempo será tempo de receber? Pela instrução dada ao assistente, que não entendeu ou discerniu a motivação da doação, aprendemos que tem tempo de receber, e tempo de não receber.
Ao receber algo no tempo que não deveria ocasionou uma tragédia para o tempo presente do assistente e também para o futuro da sua família. A ambição pelas riquezas pode nos trazer marcas irreparáveis, que inclusive nossa descendência poderá também sofrer as consequências de um ato deliberado por um coração corrompido.
Como nos comportaríamos no lugar de Eliseu? Teremos condição de rejeitar uma proposta ou oferta milionária e estamos dispostos a pesar a motivação da doação?

Publicado em Instituto Jetro

Reprodução Autorizada desde que mantida a integridade dos textos, mencionado o autor e o site http://boo-box.link/AWNB/ e comunicada sua utilização através do e-mail artigos@institutojetro.com

quarta-feira, 1 de outubro de 2014

As bases bíblicas da ética cristã


Alderi Souza de Matos (*)

A palavra “ética” vem do grego ethos e se refere aos costumes ou práticas que são aprovados por uma cultura. A ética é a ciência da moral ou dos valores e tem a ver com as normas sob as quais o indivíduo e a sociedade vivem. Essas normas podem variar grandemente de uma cultura para outra e dependem da fonte de autoridade que lhes serve de fundamento.
A ética cristã tem elementos distintivos em relação a outros sistemas. O teólogo Emil Brunner declarou que a ética cristã é a ciência da conduta humana que se determina pela conduta divina. Os fundamentos da ética cristã encontram-se nas Escrituras do Antigo e do Novo Testamento, entendidas como a revelação especial de Deus aos seres humanos.
A ética é importante para a vida diária do cristão. A cada momento precisamos tomar decisões que afetam a outros e a nós mesmos. A ética cristã ajuda as pessoas a encarar seus valores e deveres de uma perspectiva correta, a perspectiva de Deus. Ela mostra ao ser humano o quanto está distante dos alvos de Deus para a sua vida, mas o ajuda a progredir em direção esse ideal.
Se fosse possível declarar em uma só sentença a totalidade do dever social e moral do ser humano, poderíamos fazê-lo com as palavras de Jesus: “Amarás o Senhor teu Deus de todo o teu coração, de toda a tua alma e de todo o teu entendimento... e amarás o teu próximo como a ti mesmo”. (Mt 22, 37 e 39)

1. A ÉTICA DO ANTIGO TESTAMENTO

1.1 O caráter ético de Deus
A religião dos judeus tem sido descrita como “monoteísmo ético”. O Velho Testamento fala da existência de um único DEUS, o criador e Senhor de todas as coisas. Esse Deus é pessoal e tem um caráter positivo, não negativo ou neutro. Esse caráter se revela em seus atributos morais. Deus é Santo (Lv 11, 45; Sl 99, 9), justo (Sl 11, 7; 145, 17), verdadeiro (Sl 119, 160; Is 45, 19), misericordioso (Sl 103, 8; Is 55, 7), fiel (Dt 7, 9; Sl 33, 4).

1.2 A natureza moral do homem
A Escritura afirma que Deus criou o ser humano à sua semelhança (Gn 1, 26-27). Isso significa que o homem partilha, ainda que de modo limitado, do caráter moral de seu Criador. Embora o pecado haja distorcido essa imagem divina no ser humano, não a destruiu totalmente. Deus requer uma conduta ética das suas criaturas: “Sede santos porque eu sou santo” (Lv 19, 2; 20, 26).

1.3 A Lei de Deus
A lei expressa o desejo que Deus tem de que as suas criaturas vivam vidas de integridade. Há três tipos de leis no Antigo Testamento: cerimoniais, civis e morais. Todas visavam disciplinar o relacionamento das pessoas com Deus e com o seu próximo. A lei inculca valores como a solidariedade, o altruísmo, a humildade, a veracidade, sempre visando o bem-estar do indivíduo, da família e da coletividade.

1.4 Os Dez Mandamentos
A grande síntese da moralidade bíblica está expressa nos Dez Mandamentos (Ex 20, 1-17; Dt 5, 6-21). As chamadas “duas tábuas da lei” mostram os deveres das pessoas para com Deus e para com o seu próximo. O Reformador João Calvino falava nos três usos da Lei: judicial, civil e santificador. Todas as confissões de fé reformadas dão grande destaque à exposição dos Dez Mandamentos.

1.5 A contribuição dos profetas
Alguns dos preceitos éticos mais nobres do Antigo Testamento são encontrados nos livros dos Profetas, especialmente Isaías, Oséias, Amós e Miquéias. Sua ênfase está não só na ética individual, mas social. Eles mostram a incoerência de cultuar a Deus e oferecer-lhe sacrifícios, sem todavia ter um relacionamento de integridade com o semelhante. Ver Isaías 1, 10-17; 5, 7 e 20; 10 1-2; 33, 15; Oséias 4, 1-2; 6, 6; 10, 12; Amós 5, 12-15, 21-24; Miquéias 6, 6-8.

2. A ÉTICA DO NOVO TESTAMENTO

1. A ética do Novo Testamento não contrasta com a do Antigo, mas nele se fundamenta. Jesus e os Apóstolos desenvolvem e aprofundam princípios e temas que já estavam presentes nas Escrituras Hebraicas, dando também algumas ênfases novas.
2. A ética de Jesus: a ética de Jesus está contida nos seus ensinos e é ilustrada pela sua vida. O tema central da mensagem de Jesus é o conceito do “reino de Deus”. Esse reino expressa uma nova realidade em que a vontade de Deus é reconhecida e aceita em todas as áreas. Jesus não apenas ensinou os valores do reino, mas os exemplificou com a vida e o seu exemplo.
3. O Sermão da Montanha: uma das melhores sínteses da ética de Jesus está contida no Sermão da Montanha (Mateus Caps. 5 a 7). Os seus discípulos (os Filhos do Reino) devem caracterizar-se pela humildade, mansidão, misericórdia, integridade, busca da justiça e da paz, pelo perdão, pela veracidade, pela generosidade e acima de tudo pelo amor. A moralidade deve ser tanto externa como interna (sentimentos, intenções): Mt 5, 28. A fonte do mal está no coração: Mc 7, 21-23.
4. A vontade de Deus: Jesus acentua que a vontade ou o propósito de Deus é o valor supremo. Vemos isso, por exemplo, em Mt 19, 3-6. O maior pecado do ser humano é o amor próprio, o egocentrismo (Lc 12, 13-21; 17, 33). Daí a ênfase nos dois grandes mandamentos que sintetizam toda a lei: Mt 22, 37-40. Outro princípio importante é a famosa “regra de ouro”: Mt 7, 12.
5. A ética de Paulo: Paulo baseia toda a sua ética na realidade da redenção em Cristo. Sua expressão característica é “em Cristo” (II Co 5, 17; Gl 2, 20; 3, 28; Fp 4, 1). Somente por estar em Cristo e viver em Cristo, profundamente unido a Ele pela fé, o cristão pode agora viver uma nova vida, dinamizado pelo Espírito de Cristo. Todavia, o cristão não alcançou ainda a plenitude, que virá com a consumação de todas as coisas. Ele vive entre dois tempos: o “já” e o “ainda não”.
6. Tipicamente em suas cartas, depois de expor a obra redentora de Deus por meio de Cristo, Paulo apresenta uma série de implicações dessa redenção para a vida diária do crente em todos os aspectos (Rm 12, 1-2; Ef 4, 1)
7. Entre os motivos que devem impulsionar as pessoas em sua conduta está a imitação de Cristo (Rm 15, 5; Gl 2, 20; Ef 5, 1-2; Fp 2, 5). Outro motivo fundamental é o amor (Rm 12, 9-10; I Co 13, 1-13; 16, 14; Gl 5, 6). O viver ético é sempre o fruto do Espírito (Gl 5, 22-23).
8. Na sua argumentação ética, Paulo dá ênfase ao bem-estar da comunidade, o corpo de Cristo (Rm 12, 5; I Co 10, 17; 12, 13 e 27; Ef 4, 25; Gl 3, 28). Ao mesmo tempo, ele valoriza o indivíduo, o irmão por quem Cristo morreu (Rm 14, 15; I Co 8, 11; I Ts 4, 6; Fm 16)
9. Acima de tudo, o crente deve viver para Deus, de modo digno dele, para o seu inteiro agrado: Rm 14, 8; II Co 5, 15; Fp 1, 27; Cl 1, 10; I Ts 2, 12; Tt 2, 12.

(*) Alderi de Souza Matos

Professor de História da Igreja, Coordenador da área de Teologia Histórica.Graduou-se em teologia pelo Seminário Presbiteriano de Campinas (1974), sendo também bacharel em Filosofia pela Universidade Católica do Paraná (1979) e em Direito pela Escola de Direito de Curitiba (1983). Após vários anos de ministério no Paraná, fez seu mestrado em Novo Testamento (S.T.M.) na Andover Newton Theological School , em Newton Centre, Massashusetts, EUA (1988) e seu doutorado em História da Igreja na Boston University School of Theology (1996). 
      Em 1997, o Dr. Alderi veio trabalhar no CPAJ, onde também atua como co-editor da revista teológica Fides Reformata. É historiador oficial da Igreja Presbiteriana do Brasil, pastor auxiliar da Igreja Presbiteriana Ebénezer de São Paulo e articulista conhecido em diversos periódicos acadêmicos e populares. Acaba de publicar seu primeiro livro, "Os Pioneiros Presbiterianos do Brasil (1859-1900): Missionários, Pastores e Leigos do Século 19", tendo também dois novos títulos em preparação.


Portal Mackenzie

terça-feira, 19 de agosto de 2014

A Ética do Reino de Deus

Rodolfo Garcia Montosa

Ame o Senhor, seu Deus, com todo o coração, com toda a alma, com toda a mente e com todas as forças. Ame os outros como você ama a você mesmo.
(Marcos 12.28-34).

Todos os dias tomamos diversas decisões em nossas vidas. Toda decisão por uma determinada opção em detrimento de outra acontece com base em nosso conjunto de crenças e valores do que pensamos ser certo, ou errado. A isso chamamos de ética. A palavra “ética” vem do grego ethos que significa modo de ser, caráter, comportamento e inclui hábitos, costumes e práticas. A ética não nos faz entrar no reino de Deus, mas o reino apresenta uma ética própria e bem definida. Dentre muitos padrões éticos exigidos na Bíblia, Jesus apresenta um resumo de três principais pilares da ética do reino de Deus.
O primeiro pilar diz respeito à ética para com Deus. Aqui está o comportamento mais importante apresentado por Jesus recitando o Pentateuco (Dt 6.5). O comportamento citado é de amarmos o Senhor com tudo o que temos e somos em primeiro lugar. De fato, o temor ao Senhor é o princípio de toda a sabedoria para se viver (Jó 28.28; Sl 111.10; 112.1; Pv 1.7; 9.10; Ec 12.13). O comportamento correto diante de Deus precede e dirige nosso comportamento perante tudo o que ele criou, quer sejam pessoas ou toda a natureza.
Outro importante pilar diz respeito à ética para comigo mesmo. De um lado, vemos muitas pessoas que não se amam, não se cuidam, agridem-se a si mesmas com palavras ou fisicamente. Em extremos, recusam cuidarem de si mesmas até nos aspectos mais elementares de higiene e aparência. Por outro lado, vemos muitas pessoas que se cuidam com tanta intensidade como se fossem os únicos seres humanos sobre a face da terra. Vão ao extremo da vaidade e da busca insaciável da estética e do bem estar. Mas, amor próprio, segundo a ética do Reino, deve ser equilibrado. O primeiro fundamento para o equilíbrio do amor próprio está na compreensão e aceitação do grande amor que o Pai Celestial tem por mim (Jo 15.16; 1 Jo 4.10 e 19). Quando entendemos a profundidade do amor do Senhor por nós somos libertos de todo desamor próprio. O outro fundamento é que devo amar a mim mesmo na mesma intensidade que amo ao próximo. Quando compreendemos que a ética do reino inclui o outro no mesmo nível que o amor próprio, somos libertos de uma vida egoísta, hedonista e utilitária em relação aos outros.
Por último, temos a ética para com o outro. As relações sociais são muito desafiadoras para o comportamento ético. De um lado, implica em não fazer ao outro o que não gostaríamos que o outro fizesse conosco. Por outro lado, significafazer ao outro o que queremos que o outro faça a nós. Alguns verbos são tão poderosos quanto desafiadores: perdoar, ouvir, tolerar, apreciar, suportar, abençoar, respeitar, submeter-se, compartilhar, dentre muitos outros. Na verdade, inúmeros são os textos bíblicos que trazem o padrão ético do reino de Deus para nosso comportamento em relação às outras pessoas (At 4.32; Rm 15.1; 1 Co 13.7; Gl 6.2; Ef 4.2,3; 5.1-2; Fp 2.3; 1 Ts 5.14; 2 Tm 2.24-26; Tt 3.2).
O padrão ético do reino de Deus pode ser visto e estudado na vida de Jesus. Não só falou, mas viveu integralmente o padrão ético do reino. Uma pergunta muito simples que poderia nos ajudar a encontrar o comportamento ideal em cada circunstância, segundo a ética do reino de Deus, seria: em meu lugar que faria Jesus?

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quinta-feira, 7 de agosto de 2014

Chamados para sermos íntegros, não perfeitos!


José Roberto Cristofani

O tema da "perfeição cristã" foi amplamente discutido por John Wesley.
Em um longo tratado Wesley apresentou a tese, as questões dela derivadas e as respostas às objeções feitas sobre o assunto. Basicamente, Wesley defendeu a ideia de que o cristão pode e deve buscar a perfeição pelo processo de santificação. Ele cria que se uma pessoa pudesse ficar um minuto sem pecar, ela poderia ficar dois, depois três e assim por diante. Ressalto, entretanto, que a questão, como apresentada por Wesley, é bem mais complexa e profunda do que apresentada aqui. Por hora basta colocá-la assim.
Muitos aspectos desta ideia wesleyana ainda são correntes nos dias de hoje no meio cristão. Bem como muitos questionamentos sobre se é possível nos tornarmos perfeitos ou não. O debate prossegue.
Para o nosso propósito aqui, é suficiente destacar o estreito vínculo que foi estabelecido entre "perfeição" e "pecado". Este vínculo reduziu a questão ao seu aspecto teológico, apenas. Em tese, ser perfeito é estar sem pecado. Será mesmo possível alguém chegar a tal estado de "perfeição"? A discussão não tem fim.

Retradução da palavra perfeito
"Completo serás para com o Senhor teu Deus". Dt 18:13. Ao retraduzir o texto de Deuteronômio 18.13 encontro pistas valiosas para uma nova abordagem do texto. A retradução deste versículo abre uma janela de novas possibilidades para iluminar um caminho possível. Vejamos:

"Completo serás para com o Senhor teu Deus"
A diferença é enorme. Entre "perfeito" (que não tem defeitos; ideal; impecável) e "completo" (que contém todos os elementos necessários; inteiro, acabado) existe uma grande diferença, mesmo em português.
Outras traduções possíveis para a palavra hebraica (tamim) usada no texto de Deuteronômio 18.13 seguem abaixo:
You must walk blamelessly before the Lord your God. (Você deve andar sem culpa diante do Senhor seu Deus.) The Living Bible
You must remain completely loyal to the Lord your God. (Você deve permanecer completamente leal ao Senhor seu Deus.) NRSV
Serás íntegro para con Jehovah tu Dios. (Será íntegro para com Jeová teu Deus.) RVA
Sé íntegro en tu trato con el Señor, tu Dios; (Seja íntegro em seu trato com o Senhor teu Deus;) Biblia del Peregrino
You must be "wholehearted" with the Lord your God. (Você deve ser "completa e sinceramente devotado, determinado, entusiasmado, marcado pelo completo compromisso, livre de toda reserva e hesitação" com o Senhor seu Deus.) Tanakh
O foco dessas traduções do vocábulo "tamim" gira ao redor do campo semântico de: lealdade, integridade, sinceridade. Ademais, a mesma palavra "tamim" é usada para descrever anos completos (Gênesis 47.18); sacrifícios de animais saudáveis (Levítico 22.21-22); inteireza do galho da videira (Ezequiel 15.5); discurso verdadeiro (Amós 5.10); construções terminadas (1 Reis 6.22); cumprimento da destruição do povo (Números 14.33).
Como podemos ver, os indicativos do uso deste termo apontam sempre para a ideia de completude, algo inteiro, aquilo que tem todas as partes e nada falta. Sendo utilizado para diversos âmbitos da vida, tais como: o calendário, as práticas religiosas, os objetos, a comunicação, o trabalho, o conflito etc.
Com esta compreensão em mente, podemos entender melhor como algumas pessoas no Primeiro Testamento foram consideradas "perfeitas", isto é, "completas". São exemplos: Noé (Gênesis 6.9 - Eis a história de Noé. Noé era homem justo (tsadiq) e íntegro (tamim) entre os seus contemporâneos; Noé andava com Deus.); Abrão (Gênesis 17.1 - Quando atingiu Abrão a idade de noventa e nove anos, apareceu-lhe o Senhor e disse-lhe: Eu sou o Deus Todo-Poderoso; anda na minha presença e sê perfeito (tamim).); Davi (2 Samuel 22.24 - Também fui inculpável (tamim) para com ele e me guardei da iniquidade.).
Também temos Jó que é chamado de "íntegro" (Jó 1.1 - Havia um homem na terra de Uz, cujo nome era Jó; homem íntegro (tam) e reto, temente a Deus e que se desviava do mal.). Obviamente que aqui é usada outra palavra "tam". Mas ela é sinônima de "tamim" e "tom" (que significa "integridade").
É importante observar que tanto Noé como Abrão, Davi e Jó, entre outros, não eram "perfeitos" em qualquer sentido. Porém, foram "completos" em seus relacionamentos com o Senhor e com as pessoas da sua geração.
Portanto, traduzo "tamim" em Deuteronômio 18.13 por "Completo" resgatando o sentido de integralidade do ser humano. Recolocando, assim, a exigência bíblica dentro da sua semântica original, a saber, que a pessoa deve relacionar-se com o Senhor de forma íntegra.
"Sede vós completos como completo é o vosso Pai celeste" Mt 5:48
A versão Almeida Revista e Atualizada traduz o texto de Mateus 5.48 da seguinte maneira:
"Portanto, sede vós perfeitos como perfeito é o vosso Pai celeste."
O vocábulo em questão é "teleios", traduzido, aqui, por "perfeito". Opção adotada pela grande maioria das versões em diversas línguas. Por exemplo:
Vós, portanto, sereis perfeitos, como é perfeito vosso Pai celeste. TEB
Portanto, sejam perfeitos como perfeito é o Pai celestial de vocês. NVI
Sed pues perfectos como vuestro Padre del cielo es perfecto. (Sede, pois, perfeitos como vosso Pai do Céu é perfeito. Biblia del Peregrino
A palavra "teleios" significa algo completo, indivisível. Aquilo que tem a totalidade como seu componente principal. É o contrário de parcial ou de limitado. É a medida das coisas cheias, completas, inteiras.
Quando usamos o termo "teleios" para pessoas, queremos indicar que a mesma é madura, desenvolvida. Sendo contrária a imaturidade, a palavra é usada para descrever pessoas espiritualmente maduras. Desenvolvidas inteiramente, completamente preparadas e prontas para relacionamentos e ações responsáveis. O Segundo Testamento faz uso de "teleios" em diversas ocasiões. As passagens mais relevantes, para o nosso propósito, são:
Disse-lhe Jesus: Se queres ser perfeito (teleios), vai, vende os teus bens, dá aos pobres e terás um tesouro no céu; depois, vem e segue-me. (Mateus 19.21)
Entretanto, expomos sabedoria entre os experimentados (teleios); não, porém, a sabedoria deste século, nem a dos poderosos desta época, que se reduzem a nada; (1 Coríntios 2.6)
Irmãos, não sejais meninos no juízo; na malícia, sim, sede crianças; quanto ao juízo, sede homens amadurecidos (teleios). (1 Coríntios 14.20)
Até que todos cheguemos à unidade da fé e do pleno conhecimento do Filho de Deus, à perfeita (teleios) varonilidade, à medida da estatura da plenitude de Cristo (Efésios 4.13)
Saúda-vos Epafras, que é dentre vós, servo de Cristo Jesus, o qual se esforça sobremaneira, continuamente, por vós nas orações, para que vos conserveis perfeitos (teleios) e plenamente convictos em toda a vontade de Deus. (Colossenses 4.12)
Mas o alimento sólido é para os adultos (teleios), para aqueles que, pela prática, têm as suas faculdades exercitadas para discernir não somente o bem, mas também o mal. (Hebreus 5:14)
Ora, a perseverança deve ter ação completa (teleios), para que sejais perfeitos (teleios) e íntegros (holokleros), em nada deficientes. (Tiago 1.4). Aqui "íntegros" traduz "holokleros", sinônimo de "teleios".
Porque todos tropeçamos em muitas coisas. Se alguém não tropeça no falar, é perfeito (teleios) varão, capaz de refrear também todo o corpo. (Tiago 3.2)
Como podemos ver pelos exemplos transcritos, o campo semântico de "teleios" é bastante similar ao de "tamim". Fala-se, nos textos, sobre completude, indivisibilidade, integridade, inteireza etc.
Assim, ao traduzir Deuteronômio 18.13 por "Completo serás para com o Senhor teu Deus" e Mateus 5.48 por "Sedes completos como é completo o vosso Pai celeste.", quero expressar a compreensão de que não se trata de "perfeição cristã" ou de qualquer outra espécie de perfeição. Mas expressa a integralidade do ser humano diante de Deus e de seus semelhantes.
Portanto, o que os textos bíblicos enfatizam é um estado permanente de desenvolvimento e aprendizagem dos valores do Reino de Deus e da busca pela maturidade pessoal íntegra.

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quinta-feira, 6 de março de 2014

Caráter e Liderança

Oswaldo Luiz Gomes Jacob

Os substantivos caráter e liderança têm tudo a ver.
Caráter significa "um conjunto de características e traços relativos à maneira de agir e de reagir de um indivíduo ou de um grupo. É um feitio moral. É a firmeza e coerência de atitudes". A verdadeira liderança é exercida com o caráter. Sem caráter, é ditadura. Sem caráter é impostura. O caráter define o líder. Jesus exerceu a Sua liderança com autoridade, baseada no Seu caráter, na Sua integridade. Havia coerência entre o que Ele falava e praticava (Mt 7.29). Os escribas e fariseus eram líderes sem caráter. Na vida deles palavras e ações eram desconexas. Jesus os diagnosticou como "sepulcros caiados", ou seja, bonitos por fora, mas podres por dentro.
Exercer a liderança cristã é fazê-lo com a coerência de Cristo Jesus. Ter dignidade. Agir com honestidade, lisura. É dizer sempre a verdade em amor como o Senhor Jesus Cristo fazia excelentemente bem. É ter as características das bem-aventuranças (Mt 5.1-12). O caráter e a coerência de José
Quando olhamos atentamente para a liderança de José do Egito podemos observar o seu caráter íntegro a toda a prova. Um jovem que sofreu nas mãos de Potifar e sua mulher, mas aprendeu com o Senhor grandes lições. Ele percebeu, por um discernimento dado pelo Senhor, que tudo o que ele passou foi de grande valia para o seu povo e para si, deixando também um legado para as outras gerações. Quando ele se revela aos irmãos que o haviam vendido para os mercadores ismaelitas (Gn 37.27,28), disse: "Agora, não vos entristeçais nem guardeis remorso por me terdes vendido para cá; pois foi para preservar vidas que Deus me enviou adiante de vós. Porque já houve dois anos de fome na terra, e ainda restam cinco anos sem lavoura e sem colheita. Deus enviou-me diante de vós, para vos conservar descendência na terra e para vos preservar a vida com um grande livramento" (Gn 45.5-7).
Ele já era o Governador Geral do Egito, abaixo de Faraó. Este testemunho de José me fascina. Um líder autêntico, sem remorso, ressentimento, amargura, mas resolvido, consciente dos propósitos sábios de Javé. José era um líder absorvido pela santidade e fidelidade de Deus. José é um exemplo de coerência ou caráter na liderança. O líder coerente é aquele que tem caráter. Tem palavra. Age como Jesus ensinou: "sim, sim; não, não" (Mt 5.37).

Não podemos divorciar liderança do caráter.
Se queremos ser usados como líderes cristãos e deixarmos um legado que faça toda a diferença, precisamos imitar José. Ser líder é pagar o preço de uma vida de integridade a toda a prova. O líder cristão ora, planeja com os seus liderados, delega responsabilidades, acompanha ou avalia a execução e aprende as lições de todo o processo. Ele vislumbra os resultados coerentes com o caráter de Deus na sua liderança e, como servo, aprende no contexto do Seu Reino. Uma liderança que cresce no solo da transparência tem conteúdo denso para repartir.
Então, não podemos divorciar liderança do caráter. É como uma moeda com dois lados ou como dois papéis colados um no outro. A liderança cristã é eminentemente estigmatizada pelo caráter íntegro, formado na cumplicidade com o Senhor Jesus Cristo, que é maior do que José.
O verdadeiro líder cristão é alguém firme em suas convicções, solidário, empático, servo, encorajador, transparente, resiliente e aglutinador em amor. Ele alinha a equipe em torno de um projeto nobre, catalisador e que beneficiará muitas pessoas. O líder comprometido com Cristo tem prazer em servir às pessoas com profundo amor, se interessando por elas, sua história, e as valorizando, as encorajando e orientando dentro de propósitos que exaltarão a Deus. Vale muito a pena ser um líder de caráter para a Glória de Deus!

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quarta-feira, 4 de dezembro de 2013

Viver ou Juntar Dinheiro?

Max Gehringer

Recebi uma mensagem muito interessante de um ouvinte da CBN e peço licença para lê-la na íntegra, porque ela nem precisa dos meus comentários. Lá vai: "Prezado Max, meu nome é Sérgio, tenho 61 anos e pertenço a uma geração azarada: Quando era jovem as pessoas diziam para escutar os mais velhos, que eram mais sábios. Agora dizem que tenho que escutar os jovens, porque são mais inteligentes.
Na semana passada li numa revista um artigo no qual jovens executivos davam receitas simples e práticas para qualquer um ficar rico. E eu aprendi muita coisa... Aprendi, por exemplo, que se eu tivesse simplesmente deixado de tomar um cafezinho por dia, durante os últimos 40 anos, eu teria economizado R$ 30.000,00. Se eu tivesse deixado de comer uma pizza por mês, teria economizado R$ 12.000,00 e assim por diante. Impressionado, peguei um papel e comecei a fazer contas, então descobri, para minha surpresa, que hoje eu poderia estar milionário.
Bastava não ter tomado as caipirinhas que tomei, não ter feito muitas das viagens que fiz, não ter comprado algumas das roupas caras que comprei e, principalmente, não ter desperdiçado meu dinheiro em itens supérfluos e descartáveis.
Ao concluir os cálculos, percebi que hoje eu poderia ter quase R$ 500.000,00 na conta bancária.
É claro que eu não tenho este dinheiro. Mas, se tivesse, sabe o que este dinheiro me permitiria fazer?
Viajar, comprar roupas caras, me esbaldar com itens supérfluos e descartáveis, comer todas as pizzas que eu quisesse e tomar cafezinhos à vontade. Por isso acho que me sinto absolutamente feliz em ser pobre.
Gastei meu dinheiro com prazer e por prazer, porque hoje, aos 61 anos, não tenho mais o mesmo pique de jovem, nem a mesma saúde. Portanto, viajar, comer pizzas e cafés, não faz bem na minha idade e roupas, hoje, não vão melhorar muito o meu visual!
Recomendo aos jovens e brilhantes executivos que façam a mesma coisa que eu fiz. Caso contrário, chegarão aos 61 anos com um monte de dinheiro em suas contas bancárias, mas sem ter vivido a vida".

terça-feira, 26 de novembro de 2013

18 coisas que não me arrependerei de fazer com minha esposa

TIM CHALLIES


 Há algumas semanas, eu compartilhei 18 coisas que não me arrependerei de fazer com meus filhos e o tempo que gastei escrevendo aquele artigo me fez pensar sobre os quinze anos de casamento com Aileen (e mais os três anos anteriores de namoro). Eu senti que seria correto pensar em outras 18 coisas e, dessa vez, eu faço essa lista em honra dela.
Aqui estão 18 coisas que eu sei que não me arrependerei de fazer com minha esposa.
1. Orar com ela. Demorou muito para nós dois começarmos a realmente orar juntos; mesmo agora, temos um longo caminho a percorrer. Contudo, eu tenho aprendido a importância de orar juntos e nunca me arrependo dos momentos que gastamos juntos diante do Senhor.
2. Sair com ela. Todos nós ouvimos centenas de vezes sobre como é importante continuar saindo, mesmo depois de casados. Isso é mais fácil falar que fazer quando os filhos são novos e exigem muita atenção, mas descobrimos que é muito mais fácil agora que os filhos são um pouco mais velhos. Eu nunca me arrependerei desses momentos a sós.
3. Servir com ela. Embora a maior parte do meu relacionamento com Aileen seja vivido cara-a-cara, nós sempre trabalhamos muito bem lado-a-lado. Nós já planejamos e executamos todo tipo de eventos e programas no passado, e inevitavelmente tornamo-nos mais próximos enquanto fizemos essas coisas. Eu nunca me arrependerei do tempo que gastamos servindo juntos.
4. Relembrar com ela. Alguns dos nossos momentos mais doces foram usados para contemplar memórias de dias passados – os diários ridículos que tínhamos quando namorávamos, as fotos do nosso casamento e as crianças quando eram pequenas. Relembrar é um prazer genuíno e nunca nos arrependeremos desse tempo junto, lembrando o que o Senhor fez e até onde ele nos levou.

Relembrar é um prazer genuíno e nunca nos arrependeremos desse tempo junto, lembrando o que o Senhor fez e até onde ele nos levou.

5. Liderá-la em amor. Estou convencido de que Deus me chamou para amorosamente liderar minha esposa. Esse tipo de liderança não me veio com facilidade, mas sei que há um preço alto a se pagar caso recuse a aceitá-lo. Eu nunca me arrependerei de liderar Aileen, quando eu lidero com o bem dela como meu objetivo e com Cristo como meu modelo.
6. Comprar-lhe flores. Estou casado há 15 anos e ainda fico encabulado de carregar um buquê de flores por um estacionamento. Mas as flores continuam especiais, ela continua amando e eu continuo adorando dar esse presente. Eu nunca me arrependerei de demonstrar amor dessa forma.
7. Pedir-lhe perdão. É uma realidade estranha e terrível que a pessoa a quem mais amo seja a pessoa contra quem eu mais peco. Eu tenho oportunidades ilimitadas de pedir seu perdão. Embora isso exija engolir meu orgulho, eu sei que nunca me arrependerei de pedir-lhe que me perdoe quando eu pequei contra ela.
8. Perdoá-la. É claro que isso acontece dos dois lados, e ela também peca contra mim. Como eu, ela pode lutar para pedir perdão. Assim, quando ela pede, eu nunca me arrependo de imediata e sinceramente perdoá-la e tirar aquela ofensa da minha cabeça.

É uma realidade estranha e terrível que a pessoa a quem mais amo seja a pessoa contra quem eu mais peco. Eu tenho oportunidades ilimitadas de pedir seu perdão.

9. Segurar sua mão. É fácil deixar que aquilo que costumava ser especial torne-se desinteressante e esquecido. Dar as mãos é um daqueles hábitos doces que podem ser perdidos muito rapidamente. Eu nunca me arrependerei de estender a mão e caminhar com ela de mãos dadas.
10. Planejar seu tempo livre. Aileen entrega muito de si para o lar e a família, mas tende a estar melhor quando tem um hobby para dedicar parte de seu tempo e de sua atenção. Eu nunca me arrependerei do tempo que usamos para planejar como ela poderia dedicar tempo para as atividades que ama.
11. Lavá-la com a Palavra. O livro de Efésios deixa claro que uma das alegres responsabilidades do marido é lavar sua esposa na água da Palavra de Deus. Enquanto nosso casamento prossegue, tenho visto mais e mais claramente o valor e a beleza de fazer exatamente isso. Eu nunca me arrependerei dos momentos que gastamos juntos, ouvindo de Deus por meio de sua Palavra.
12. Escutá-la. Eu sou rápido demais para dar minha opinião, criar desculpas, falar sem realmente ouvir e escutar. Mas estou aprendendo que nunca me arrependerei das vezes em que pacientemente ouvi e permiti que Aileen falasse sem interrupções, sem intervenções, sem que eu ficasse na defensiva.
13. Ler com ela. Se você quer conversar sobre compatibilidade dentro do casamento, bem, Aileen e eu somos bastante incompatíveis em relação aos livros que amamos ler. Mas, quando nós achamos um desses livros e quando nos comprometemos a lê-lo juntos, eu nunca me arrependo do tempo e do esforço.
14. Deleitar-se nela. Com todo pecado, estresse e tensão que a vida pode oferecer, é fácil perder aquele senso de admiração e deleite na dádiva que é uma esposa. Eu nunca me arrependerei de pensar sobre ela, agradecer a Deus por ela, e aumentar meu deleite nela.

É fácil perder aquele senso de admiração e deleite na dádiva que é uma esposa. Eu nunca me arrependerei de pensar sobre ela, agradecer a Deus por ela, e aumentar meu deleite nela.

15. Desfrutar de interesses em comum. Uma das primeiras coisas que fiz quando comecei a namorar Aileen foi aprender a gostar de tênis; este foi apenas o primeiro dos muitos interesses que aprendemos a desfrutar juntos. Eu nunca me arrependi de aprender a gostar de alguma coisa por causa dela e do nosso relacionamento.


16. Adorar com ela. Uma das minhas grandes alegrias na vida é adorar ao Senhor lado-a-lado com aquela pessoa que amo mais do que qualquer outra. Esta é uma pequena prévia do céu, apenas um vislumbre da eternidade, onde o adoraremos perfeitamente para sempre. Eu nunca me arrependo de priorizar a igreja e o culto com Aileen.
17. Viajar com ela. Nós amamos nossas férias em família, com nós cinco esparramados na praia ou espremidos em uma cabana. Mas Aileen e eu também encontramos grande benefício em férias a sós, sejam dois dias por perto ou uma semana longe de casa. Eu nunca me arrependerei de interromper a vida normal com esses maravilhosos momentos juntos.
18. Dizer eu te amo. Sim, mesmo o “eu te amo” pode tornar-se um hábito vazio em vez de uma declaração séria. Quando eu paro por apenas um momento, quando eu penso sobre o que estou dizendo, essa pequena frase ganha um sentido muito mais profundo. Eu nunca me arrependi e nunca me arrependerei de olhar Aileen nos olhos e dizer: “eu te amo”.

A alegria dessa lista é que eu poderia facilmente listar mais dezoito itens e outros dezoito mais. O Senhor me abençoou com muito mais do que mereço.

Traduzido por Josaías Jr | Reforma21.org | Original aqui

terça-feira, 19 de novembro de 2013

18 coisas que não me arrependerei de fazer com meus filhos

Por Tim Challies

Como a maioria dos pais, eu tenho aqueles momentos em que culpa e arrependimento me atingem como uma onda. Eu penso, então, em como boa parte do meu tempo como pai já passou e quão pouco resta. Meu filho mais velho tem treze anos. Ele já é um adolescente, restando-lhe apenas mais um ano até o ensino médio, somente oito anos até a idade que eu tinha quando saí de casa para me casar. Minhas meninas o acompanham de perto. Quando aquela onda se levanta, quando sinto que poderia afogar-me debaixo de toda aquela tristeza, às vezes, eu considero estas coisas das quais nunca me arrependerei.

Aqui estão 18 coisas que eu sei que não me arrependerei de fazer com meus filhos.

1. Orar com eles por eles. Fico perplexo com o fato de que uma das coisas que mais me intimida é orar com meus filhos. Não estou falando de orar com toda a família antes ou depois de uma refeição, mas orar com a minha filha por minha filha ou com meu filho por meu filho. No entanto, este tipo de oração permite-lhes perceber que estou preocupado com o que lhes preocupa e permite-nos unir-se em oração por essas mesmas coisas. Eu sei que preciso priorizar isso porque nunca me arrependerei de orar com eles por eles.

2. Ler livros para eles. Quando o verão torna-se outono, quando os dias ficam mais curtos e as noites esfriam, passamos muitas das nossas noites juntos na sala de estar, enquanto eu leio livros em voz alta. Nós lemos sobre o nosso caminho por este mundo, e por muitos outros, nós lemos sobre o porvir na história e sobre dias há muito no passado; nós conhecemos heróis e vilões, e experimentamos tudo isso juntos como uma família. Eu nunca me arrependerei de ler livros para os meus filhos .

3. Dar beijos de boa noite. Os dias se alongam e eu fico tão cansado. Na hora em que as crianças vão para a cama, às vezes estou tão desgastado que a última coisa que quero fazer é vê-los na cama e dar beijos de boa noite. Mas eu sempre me alegro por fazê-lo e, muitas vezes, descubro aquele momento em que as crianças estão mais abertas, mais ansiosas para falar, e mais ansiosas para ouvir. Eu sei que nunca me arrependerei de todos aqueles beijos de boa noite.
Eu sei que nunca me arrependerei de todos aqueles beijos de boa noite.

4. Levá-los para a igreja. Há tanta alegria em estar juntos na igreja como família, adorar juntos o Senhor e juntos ouvir sobre ele em sua Palavra. Eu não levo meus filhos à igreja para que eles possam aprender boas maneiras ou serem pessoas melhores, eu os levo à igreja para que possam saber quem são, para que possam aprender sobre quem é Deus, e para que possam encontrar e experimentar a graça. Eu nunca me arrependerei de priorizar a igreja.

5. Levá-los para tomar café da manhã. Uma tradição muito amada em nossa família é levar meus filhos para tomar café nas manhãs de sábado – um deles por semana. É uma tradição que perdi, mas voltou, perdi novamente e voltou mais uma vez. É uma tradição que vale a pena manter. A despesa de 10 ou 20 dólares e o tempo que leva nada são em comparação com o investimento em suas vidas. Eu nunca me arrependerei dos nossos cafés da manhã com o papai.

6. Deixar meus amigos serem seus amigos. Adoro quando meus filhos fazem amizade e tornam-se amigos dos meus amigos. Eu quero que meus filhos tenham amigos mais velhos e mais sábios do que eles e amigos que possam ajudá-los nas áreas em que sou fraco. Eu nunca me arrependerei de incentivar meus amigos a serem amigos deles.

7. Fazer devocionais em família. Devocional em família é uma disciplina difícil de manter, especialmente quando as crianças ficam mais velhas e têm mais lição de casa e responsabilidades. Mas, nós nos comprometemos, nos re-comprometemos e perseveramos, porque estes são momentos preciosos – apenas alguns minutos juntos para ler a Bíblia, para falar sobre o que ouvimos e para orar. Eu sei que nunca me arrependerei de um único momento buscando o Senhor juntos.

8. Discipliná-los. Eu odeio disciplinar meus filhos, eu odeio ter que discipliná-los. Contudo, estou absolutamente convencido de que se recusar a discipliná-los é recusar-se a amá-los e respeitá-los. O privilégio revogado, a conversa severa, o tempo gasto sozinho em seu quarto – essas coisas são vistas como ódio no momento, porém, percebidas como amor mais tarde. Eu nunca me arrependerei de disciplinar meus filhos com amor.

9. Fazer coisas especiais. Grande parte da vida é vivida em situações cotidianas e o amor normalmente é demonstrado no dia-a-dia. Mas também há valor no jogo à tarde, na noite de balé, as viagens com o papai. Eu nunca me arrependerei de fazer essas coisas especiais com meus filhos.

10. Pedir perdão. Eu tenho mais dificuldade em pedir desculpas aos meus filhos do que a qualquer outra pessoa. Em algum lugar lá no fundo da minha mente, eu estou convencido de que desculpar-me com eles é revelar fraqueza; mas, nos meus melhores momentos, eu sei que pedir desculpas a eles – pedir perdão quando pequei contra eles – é honrar a Deus e a eles. Eu nunca me arrependerei daquelas vezes em que já pedi perdão a eles.

11. Perdoá-los. Minha grande fraqueza é um dos grandes pontos fortes dos meus filhos. Quando eles pecam, quase sempre são rápidos em buscar o meu perdão. Eu nunca me arrependerei de sincera e imediatamente conceder o perdão que eles pedem.

12. Amar a mãe deles. Eu sei que a estabilidade de uma mãe e um pai que estão firmemente comprometidos um com o outro traz estabilidade para toda a família. Eu posso amar meus filhos ao assegurar-lhes o meu amor por sua mãe por meio das minhas palavras, atos e afeição. Eu nunca me arrependerei de regularmente reafirmar o meu amor pela mãe deles.

13. Identificar a graça de Deus. Enquanto meus filhos fazem suas profissões de fé e começam a crescer em piedade , tem sido uma alegria ver a graça de Deus em suas vidas. Estou aprendendo a contar-lhes o que eu observo, a elogiá-los por isso, e apontar para Aquele que fez tudo. Eu sei que nunca me arrependerei de identificar esse tipo de graça em suas vidas.

14. Expressar afeto. Gosto de andar de mãos dadas com as minhas filhas e adoro abraçar o meu filho antes de ele ir para a escola. Esta afeição física os faz sentirem-se seguros e amados ao ensinar limites e toques apropriados e platônicos. Eu nunca me arrependerei de continuamente expressar afeto físico.

15. Planejar pequenas surpresas. Os pequenos e ocasionais presentes de quando eu volto para casa depois de uma palestra, uma rosa para minhas meninas enquanto eu compro um buquê de flores para a mamãe, o jantar no McDonalds sem qualquer motivo especial. Eu nunca me arrependerei de planejar e a executar essas pequenas surpresas especiais.

16. Dar-lhes toda a minha atenção. Eu quase sempre tenho um dispositivo eletrônico à mão e, muitas vezes, tenho dois ou três deles. É tão fácil interromper uma conversa a cada zumbido ou bip, quebrar o contato visual e perder a concentração. Eu sei que eu nunca me arrependerei de dar aos meus filhos toda a minha atenção quando eles têm algo a dizer.

17. Conduzir ao evangelho. O evangelho não é apenas uma porta de entrada para a vida cristã, mas a própria fonte de esperança e alegria na vida cristã . Precisamos voltar ao evangelho continuamente, precisamos do evangelho todos os dias. E eu nunca me arrependerei de conduzir meus filhos ao evangelho.

18. Dizer-lhes “eu te amo”. Eu amo profundamente meus filhos e posso demonstrar esse amor de cada uma das maneiras que listei acima. Mas, quando eles vão para a escola, quando eles saem com os amigos, quando me ligam do escritório, quando usamos o Skype à distância, eu nunca me arrependerei de dizer-lhes novamente: “Eu te amo”.

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Traduzido por Josaías Jr | Reforma21.org | Original aqui.