Ética e Liderança Cristã: Copiado
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terça-feira, 28 de maio de 2019

Mitos da Liderança: Será que o exercício da Liderança é realmente para você?


Por Amanda Gomes, cofundadora da Escola ELAS

Algumas pessoas se questionam com certa frequência:

- Será que a liderança é pra mim?
- Será que eu devo investir em funções de liderança ou carreiras especialistas?

Muitas vezes essas perguntas estão na fala das pessoas que já possuem alguns anos de carreira e estão prestes a dar um novo passo, profissionais que acabaram de chegar em uma função de gestão de pessoas, ou, até mesmo, pessoas que já lideram equipes e que sofrem com a pressão do dia a dia para melhorar suas relações no trabalho. A dúvida é, geralmente, originada pelo mito de que a liderança é uma vocação, um dom de pessoas com certas características, como, por exemplo, a facilidade de se comunicar, de se posicionar ou, ainda, afirmar que o exercício da liderança não é adequada para pessoas tímidas.

Eu acredito que o mito principal é associar a liderança à obrigatoriedade do exercício de um cargo/função voltados à gestão de pessoas. Todas essas afirmações, na minha visão, são mitos sustentados por anos, criando, às vezes, uma aversão ao tema ou a uma condição obrigatória de decidir: “ser ou não ser”.

Você já se viu questionando sobre isso? Eu afirmo que a liderança definitivamente não tem a ver diretamente com o exercício de um cargo! Confuso isso, né? Liderança é uma habilidade e, na minha opinião, a mais importante que qualquer ser humano deve aprender para progredir em sua vida profissional e pessoal, independentemente se a escolha é uma carreira voltada para área especialista ou na área de gestão. Na minha visão, não se trata de uma opção, mas, sim, uma condição que qualquer pessoa precisa exercer para se sentir realizada com a sua vida e com as suas escolhas. Por isso, entendo como a melhor definição de liderança a capacidade de influenciar os seus pensamentos, os seus sentimentos e suas atitudes em congruência com aquilo que você deseja viver e realizar. O exercício da liderança tem a ver com uma mudança de estado interno (sentimentos/emoções) para lidar com as diversas situações que estamos dispostos diariamente.

Um exemplo que reforça essa afirmação é que, hoje, 90% da rotatividade voluntária dos colaboradores dentro das empresas, que acabam encontrando uma nova oportunidade, está relacionada a conflitos de relacionamentos com os líderes (em sua grande maioria) e pares do trabalho. Muitas vezes, profissionais que são extremamente competentes, terão que “começar” tudo novamente em outro lugar, por não terem conseguido lidar com suas emoções negativas (raiva, falta de reconhecimento, frustração) motivadas pelas relações do antigo trabalho e por questionar os valores dos seus líderes e colegas.

Essa falta de inteligência emocional de todas as pessoas envolvidas fortalece um crescimento cada vez maior do estresse e doenças associadas a ele. Profissionais, muitas vezes, interrompem suas jornadas que poderiam ser mais prósperas por não saber lidar com essas cobranças e simplesmente afirmar: “esse mundo não é para mim!”. Que mundo? O mundo das relações humanas? Não dá para fugir disso, a liderança, como eu acredito, não tem definidamente a ver com a função que você exerce, mas, sim, com a capacidade de gerir e blindar as suas emoções, agindo de forma mais madura ao lidar com as diferenças entre as pessoas. Faz sentido? Imagine, agora, você com mais recursos para lidar com suas emoções. Os seus resultados seriam diferentes? Você acredita que conseguiria influenciar melhor o seu meio e ter resultados melhores? A liderança é o efeito dos resultados vindo do exercício da inteligência emocional.

Quando aprendemos a influenciar a nossa própria vida, conseguiremos pelo nosso próprio exemplo, influenciar as pessoas em nossa volta, sejam elas dependentes de nossa orientação direta, pares, colegas, gestores e familiares. Quando aprendemos a enxergar as nossas possibilidades, vemos que o mundo tem muitas possibilidades também, encontramos novas formas de chegar a resultados sem desistir daquilo que é realmente importante para nós e podemos contribuir com o desenvolvimento das pessoas com muito mais assertividade.

Por isso, a todos que leem esse texto, na minha visão, aprender sobre liderança não é uma opção, é uma condição para você ser feliz! Comece investindo em autoconhecimento e você se surpreenderá no que essa habilidade de liderar suas emoções pode trazer de resultados extraordinários!

Publicado em Rede Jornal Contábil

sexta-feira, 12 de abril de 2019

Como falar em público? 5 dicas para falar como um grande negociador


Falar em público costuma ser uma das principais dificuldades para a maioria das pessoas. Algumas, inclusive, acabam comprometendo situações extremamente importantes, como apresentações ou mesmo o fechamento de um negócio por não saber como se comunicar bem.

Porém, saber como falar em público é crucial para o sucesso profissional. Afinal, ser capaz de unir boas práticas de oratória e comunicação faz toda a diferença na hora de fechar uma negociação.

Pensando nisso, trouxemos 5 dicas essenciais para você aprender a falar em público. Acompanhe a leitura e confira!

A importância da oratória
Podemos definir a oratória como a capacidade de falar bem em público. Apesar de objetivo, esse significado está longe de traduzir tudo o que ela é, considerada uma verdadeira arte.

Utilizar a oratória é essencial para conseguir convencer sua audiência de um determinado ponto de vista ou ideia.

Um bom orador não faz uso apenas de um bom argumento, mas, principalmente, de um modo de falar envolvente e agradável, conquistando todo mundo que está ouvindo.

Ao longo da história, algumas personalidades se destacaram por apresentarem uma ótima oratória, sendo capazes de hipnotizar todos que os assistiam.

Martin Luther King Jr., em 1963, eternizou um dos discursos mais admirados de todos os tempos, conhecido como “Eu tenho um sonho” (I have a dream, em inglês).


Nesse discurso, ele faz um apelo às autoridades pelos direitos civis e igualdade à população negra norte-americana.

Até os dias de hoje, esse discurso é considerado como um dos mais importantes da história.

Embora a oratória esteja intimamente conectada à política, não podemos falar que seu uso se dá apenas em palanques e em discursos dirigidos às grandes massas.

Essa habilidade de falar e conquistar pessoas pode ser utilizada em diversos cenários, como reuniões profissionais, discursos de formatura, negociações, entrevistas de emprego e muitas outras situações.

A oratória é uma poderosa ferramenta para aquela pessoa que precisa conquistar seus ouvintes, mas muito se engana quem imagina que falar em público é um dom natural. Na verdade, isso é o resultado de muita prática e treino, e pode ser desenvolvido por qualquer pessoa.

5 dicas para falar em público
Se tornar um mestre orador demanda tempo e dedicação. Porém, não são todas as pessoas que pretendem investir tanto esforço nessa habilidade.

Mesmo assim, se você quer aprender a falar em público esperando apenas adquirir o necessário para melhorar suas capacidades de comunicação em curto prazo, ainda há algumas boas práticas que você pode acompanhar.

As principais são:

1. Utilize o storytelling
Uma das técnicas de comunicação mais antigas da história da humanidade, a contação de histórias (ou storytelling), foi pouco usada no mundo dos negócios, tendo sido introduzida apenas há alguns anos de maneira massiva e organizada.

Contar histórias faz parte da nossa natureza e é uma forma de captar a atenção de todos rapidamente.

Você não precisa inventar uma obra de ficção sempre que for falar, mas pode usar o storytelling de maneira mais simples, exemplificando situações que aconteceram com você ou com conhecidos para ilustrar o seu discurso.

Assim, em uma negociação, você oferecerá para a outra parte mais do que números ou oportunidades, mas sim uma experiência a ser recordada.

Sabendo conectar as histórias com o seu objetivo, as chances de conseguir alcançar o sucesso são muito maiores.

2. Treine suas falas
Em algumas situações em que precisamos improvisar, dificilmente lançaremos mão de alguma fala pronta. Nesses casos, é fundamental estar sempre preparado para conseguir desenvolver uma boa conversa.

Entretanto, em outras situações, é perfeitamente possível preparar totalmente o discurso.

Um dos maiores problemas encontrados por quem não sabe como falar em público é a insegurança. Por isso, dedicar um tempo na elaboração do seu discurso, inclusive treinando cada uma das falas, é a melhor maneira de ganhar confiança para falar quando for necessário.

3. Respire fundo e controle o ritmo
Alguns aspectos da fala influenciam diretamente uma apresentação em público, principalmente no que diz respeito à entonação.

Nesse sentido, dois grandes problemas ganham destaque:

O uptalk: quando as afirmações acabam soando como indagações;
O vocal fry: quando a voz fica baixa e falha, particularmente nas partes finais das sentenças.
Para corrigir esses problemas, o ideal é respirar fundo, mantendo o fôlego até o final das frases. Dessa forma, você consegue manter um ritmo suficiente para que a entonação não se perca no decorrer do discurso.

4. Reduza seus níveis de estresse
O estresse está sempre à espreita quando estamos falando em público.

Existem diversas maneiras de se estressar nessas situações, pois elas, por si só, já criam uma predisposição para tal.

Atrasos, problemas técnicos, falta de familiarização com o espaço onde será o discurso, entre outros elementos, contribuem para aumentar os níveis de estresse.

É claro que algumas situações estão completamente fora do nosso controle. Entretanto, para a maioria dos casos, é possível tomar uma atitude de reversão.

Por isso, procure chegar mais cedo, andar pelo palco onde será sua apresentação, conversar com seu público, entre outras atitudes.

Isso ajuda muito na hora de se sentir “em casa”, quebrando a ideia de uma plateia totalmente desconhecida e, consequentemente, reduzindo seus níveis de estresse.

5. Cuide da sua postura
Um dos fatores que mais influenciam a confiança e, consequentemente, a qualidade da fala em público é a sua postura corporal.

Além de um conteúdo interessante e de uma boa oratória, o nosso corpo diz muito sobre a maneira como nos posicionamos.

Dependendo daquilo que pretendemos passar para nossos ouvintes, adotar uma linguagem corporal correta pode fazer toda a diferença nos seus objetivos.

De maneira geral, o ideal é manter o seu corpo ereto, cuidando da gesticulação e articulando as palavras com calma e imposição.

Partindo desses pontos, você passará uma mensagem de confiança e autoridade para sua plateia que, consequentemente, ouvirá seu discurso com muito mais atenção e disponibilidade para seus argumentos.

A oratória e os gatilhos mentais
Saber como falar em público é uma arte que precisa de muito treino e testes, descobrindo assim o que funciona melhor para os seus objetivos.

Dependendo da sua capacidade de oratória, você será capaz de incluir diversos gatilhos mentais na sua plateia ou na outra parte que está participando da negociação.

Os gatilhos mentais são diretrizes que o cérebro humano adota para evitar os trabalhos longos de reflexão para as tomadas de decisão.

Isso significa que, muitas vezes, a nossa mente acaba trabalhando no modo automático. E você pode se aproveitar disso, utilizando e aplicando os gatilhos mentais de forma correta para engajar pessoas e motivar determinadas ações.

Publicado originalmente em Hotmart

quinta-feira, 23 de agosto de 2018

O líder antifrágil


Vanessa Prado

Quem nunca se programou para chegar cedo a um compromisso e perdeu a hora porque encontrou um congestionamento terrível no meio do caminho? É comum sermos surpreendidos por situações aleatórias não previstas que geralmente causam desconforto e irritação. Mas não precisa ser sempre assim.
Diante do caos, algumas pessoas preferem a paralisia, outras mobilizam seus esforços para enfrentar a adversidade e tem gente que simplesmente cresce com o ocorrido. Aliás, é por isso que a imprevisibilidade do mundo atual revela três diferentes tipos de líderes: os frágeis, os resilientes e os antifrágeis.
Os frágeis são aqueles muito sensíveis a qualquer tipo de mudança externa. Enquanto os negócios vão bem, eles sustentam o autocontrole; mas, quando são expostos à desordem, desfalecem e perdem o rumo. Os resilientes têm a capacidade de suportarem a pressão e não sucumbir enquanto a tormenta passa, graças à sua flexibilidade. Já os antifrágeis não apenas resistem às intempéries provocadas pelo contexto VUCA (de volatilidade, incerteza, complexidade e ambiguidade), como também aproveitam a instabilidade para crescer.
O conceito do líder antifrágil apareceu pela primeira vez em 2012, no livro “Antifrágil: coisas que se beneficiam com o caos” (Ed. Best Business), escrito pelo libanês Nassim Nicholas Taleb. Segundo ele, o principal pesadelo da maioria dos gestores é perceber que o mercado que controlam de repente muda e suas convicções pouco valem dali em diante. Líder antifrágil, portanto, é quem não se amedronta diante do novo; pelo contrário, até aprecia a mudança porque sabe que ela é o motor do seu progresso.
Essa lógica veio romper com o antigo entendimento de que o oposto de fragilidade é a força ou a resistência e que essas são características do líder resiliente. Inclusive, Taleb faz uma comparação: dizer que algo resistente é o oposto de frágil é como afirmar que neutro é o oposto de negativo.
Agir como uma pessoa antifrágil não implica em ser masoquista ou ficar procurando situações caóticas. Tem a ver, sim, com uma percepção positiva acerca dos desafios e a convicção de que o desconforto é a mola propulsora de qualquer amadurecimento significativo na vida.
Infelizmente, muitos líderes apertam o “botão catástrofe” diariamente. Diante de qualquer chateação, já se abatem. Assemelham-se a vasos de porcelana que, frente ao menor impacto, logo se quebram. E suas equipes percebem isso na hora.
Pode prestar atenção. Líderes antifrágeis adoram promover o progresso quando o caos se estabelece e enquanto a maior parte dos profissionais comuns instintivamente procura abrigo para se proteger. Eles não temem o erro, as incertezas e alguns desgostos pontuais.
Como bem lembra Taleb, fala-se muito sobre o estresse pós-traumático, mas poucos comentam acerca do amadurecimento de quem enfrenta um trauma. Os garotos tailandeses que ficaram na caverna durante aqueles 18 intermináveis dias, possivelmente saíram de lá com algumas sequelas emocionais e boa parte delas favorecerá – em vez de prejudicar – o tipo de vida que eles terão daqui em diante. Sim! Quem enfrenta uma situação-limite dessa natureza tende a enxergar a maior parte dos problemas como tempestade em copo d’água.
Cada vez mais iremos nos deparar com situações aleatórias que trarão desordem e angústias. A questão é que o faremos com elas: iremos quebrar como um vaso de porcelana, resistir aos fortes ventos como um bambu chinês que não sai do lugar ou nos fortalecer como o sistema imunológico do corpo humano, que evolui ao lidar com diferentes vírus ou bactérias?

Publicado originalmente em Wellington Moreira

terça-feira, 24 de julho de 2018

Primeira Consultoria de Jesus Cristo

Convide Alguém que possa te Ajudar

Deide Claudino da Costa

Em uma festa muitas coisas desagradáveis podem acontecer, entre elas uma é a falta de bebidas, e foi bem isto que aconteceu em um casamento no povoado de Caná, na região da Galileia (João 2.1-10).
Os noivos não souberam calcular a quantidade de convidados e deixaram o vinho acabar antes do término do evento, a demanda não foi capaz de atender a procura, o que em uma empresa gera muitas reclamações e perdas de clientes.
Já não havendo soluções por parte do bufê contratado, eis que entre os convidados Jesus Cristo se solidarizou com os noivos, e prestou sua primeira consultoria, uma aula teórica e prática para os organizadores. Pediu para encher seis potes de pedras, que cabiam entre oitenta e cento e vinte litros de água cada um, mostrando assim a quantidade necessária para atender a todos convidados presentes.
Criar tumulto é fácil, deixe isto para os amadores, se pretende ter sucesso em seus projetos, convide alguém que verdadeiramente tenha conhecimento, pois quando surgir um problema ele saberá soluciona-lo.

Publicado em Administradores

quinta-feira, 19 de julho de 2018

Limites: você sabe reconhecer os seus?


Por Ricardo Pereira(*)

Você conhece os seus limites? Ou espera que a vida te mostre quais são? Muitas vezes achamos que somos como o super homem ou a mulher maravilha e vamos acumulando tarefas e obrigações sem nos dar conta de que, sim, somos somente seres humanos.
Quando tudo está bem, é fácil fazer mais uma coisinha aqui, outra ali, e de repente, quando menos nos damos conta, o acúmulo destas coisas ficou tão grande que a vida não está mais equilibrada, e aí é hora de parar. Acredito que você já tenha passado por momentos assim, não é? E como descobriu que já havia ultrapassado os limites de um equilíbrio saudável?
Eu costumo fazer muita coisa ao mesmo tempo. Brinco que minha mente está sempre trabalhando e pensando em novas ideias e projetos. Também não gosto de ficar parada fisicamente. Volta e meia preciso sair, dar uma caminhada, fazer alguns exercícios. Gostaria de encontrar mais amigos, mas muitas vezes a correria impede. Porém, nos últimos dias, o excesso de atividades acabou me levando a parar de forma compulsória. Fiquei dois dias sem poder realizar muita coisa e isso me serviu para repensar o que estava fazendo de errado. A resposta: limites, ou melhor, a falta deles.
Na ânsia ou empolgação por realizar tantas atividades legais ao mesmo tempo, simplesmente esqueci de que sou apenas humana, e que, sim, muitas vezes é preciso parar e me adequar ao que posso fazer sem prejuizo ao meu equilíbrio físico e emocional. Tenhamos certeza de que se a gente não sabe impor limites a si mesmo, a vida o fará. E às vezes nem demora muito! Aliás, agradeça quando não demorar muito, porque aí dá mais tempo de acertar as pontas antes!

Parada compulsória
Quanta gente que trabalha feito louca, sem horas de descanso nem momentos de lazer com a família, de uma hora para a outra descobre que está doente e precisa parar compulsoriamente? Essas historias são super comuns. E depois, em geral, estas mesmas pessoas saem dessa fase mais equilibradas, dando mais valor à qualidade de vida, tempo livre e equílibrio em tudo que fazem?
Estes momentos também servem para nos mostrar que não somos insubstituíveis na maioria dos casos. Quando eu tinha minha agência de comunicação, alguns anos atrás, também aconteceu comigo. Cuidava de tantas coisas ao mesmo tempo e achava que não poderia parar. Mas aí tive que ficar quieta no meu canto por cerca de duas semanas por questões de saúde, e percebi que tudo continuou. Nessas horas sempre aparecem as melhores pessoas e a ajuda certeira para fazer a vida seguir. E aí resta olharmos de camarote, para que, de uma próxima vez, tenhamos a sabedoria de parar antes de ultrapassarmos os nossos limites, e a humildade de reconhecer que o mundo gira, mesmo quando estamos parados.

Dê limites para os outros também
Algo importante que costuma acontecer é que, em geral, pessoas que fazem muitas coisas ao mesmo tempo e assumem muitas responsabilidades para si, também acabam deixando a porta aberta para surgirem ainda mais coisas e responsabilidades em suas costas. É como se houvesse uma plaquinha em suas testas onde estaria escrito algo assim: “Pode deixar comigo. Eu dou conta de mais essa tarefa”. Só que não pode ser desta forma.
Muitas vezes aquela tarefa curta de meia hora que você topa fazer de última hora é exatamente a meia hora de descanso que você planejava ter, percebe? Portanto, é preciso dar limites para os outros também, saber dizer “não” sem culpa, ou simplesmente explicar que no momento não é possível, mas podem conversar de novo adiante. Tudo é uma questão de equilíbrio!
É claro que muito do que coloquei aqui depende da fase de vida em que estamos. Há momentos em que precisamos dar tudo de nós, fazer o melhor que pudermos para as coisas funcionarem bem. Se você está com um projeto novo e importante, se acabou de ter bebê, se está trabalhando e estudando para terminar logo a faculdade e ganhar mais… talvez sejam momentos onde provavelmente terá que ultrapassar um pouco os limites e se dedicar mais, dormir menos, deixar a balança pender um pouco mais de um lado do que de outro. Mas esse tipo de coisa não pode ser constante, percebe? É preciso que, após essa fase, exista uma outra de maior equilíbrio para recarregar as energias.
Espero que este artigo de hoje sirva para lembrá-lo que, apesar de às vezes não parecer, você precisa e merece um pouco de descanso também. E deve parar aquele momento necessário para refletir o que anda saindo do controle. Lembre-se que se não fizer isso voluntariamente, em algum momento a vida acaba lhe cobrando, portanto, alguns minutinhos para repensar e colocar a rotina em ordem parecem ser a fórmula mais adequada para conseguir os melhores resultados, concorda? Boa sorte e muito equilíbrio!

(*) Educador financeiro, palestrante, Sócio cofundador do Dinheirama e autor do livro "Dinheirama" (Blogbooks), trabalhou no Banco de Investimentos Credit Suisse. No Twitter: @RicardoPereira E no Linkedin: Ricardo Pereira

Publicado originalmente em Dinheirama

quinta-feira, 26 de abril de 2018

Habilidade para liderança é talento ou aprendizado?


Quem não tem talento para liderar consegue reverter com aprendizado? Confira o que diz Eduardo Ferraz, que acaba de lançar o livro "Gente de Resultados".

O consultor Eduardo Ferraz escolhe ficar exatamente no meio de duas correntes de liderança opostas. Não acredita que liderar seja só um talento inato, tampouco que seja virtude totalmente passível de aprendizagem, influenciada apenas pelo ambiente.

“Existe um componente genético e há fortíssimo componente ambiental”, diz Ferraz, que acaba de lançar o livro “Gente de Resultados: Manual Prático para formar e liderar equipes enxutas e de alta performance” (Ed. Planeta Estratégia).

Predisposição inata fica evidente, por exemplo, em jovens que, quase sem experiência profissional, demonstram facilidade em influenciar colegas de faculdade ou de estágio em trabalhos e atividades em grupo.
A genética de dominância é percebida e valorizada em seleções de programas de trainee, que, em geral, recrutam os candidatos com mais potencial de liderança.
Na visão do especialista, treinamentos aperfeiçoam a habilidade de liderança em quem já tem talento e podem desenvolver essa competência em quem não apresenta essa característica naturalmente. Mas até certo ponto.

“Por experiência, digo que é possível aprimorar bastante a habilidade com treinamento. Mas, em uma pessoa totalmente submissa, com aversão a comandar é extremamente difícil que isso aconteça”, explica.

A metáfora usada pelo ganhador do Nobel de economia em 2000, James Heckman, que compara a personalidade a um prédio, é uma das principais referências de Eduardo Ferraz. Mudar a estrutura de um edifício é impossível, mas reformas que alterem o acabamento são possíveis. Você não muda um prédio de lugar, mas pode alterar a sua cor, a iluminação, entre outros aspectos.
“É possível que uma pessoa tímida aprenda a fazer palestras. É trabalho, é esforço, mas é possível”, diz Ferraz. No entanto, não há treinamento que transforme essa mesma pessoa introvertida em alguém extrovertido.
Na teoria de Heckman, a introversão é comparável à estrutura do prédio e a habilidade de falar em público e a introversão, ao acabamento. “Uma palestra dura duas horas, mas como fazer isso com a liderança? O sujeito não pode bancar o chefe por uma ou duas horas. Por isso, existe um limite de aprendizado de liderança”, diz.

Aptidão e motivação
Numa escala de zero a 100 na liderança, ninguém vai de um oposto a outro apenas com treinamento e estudo, garante Ferraz. “É necessário que ela tenha alguma aptidão, ou que seja neutra, nem submissa, nem dominante”, diz. Ele cita como exemplo alguém que não busca cargo de liderança, mas também não a rejeitaria caso aparecesse uma oportunidade assim na sua carreira.
É que mais do que aptidão, a uma palavra-chave de abertura para o desenvolvimento da liderança é motivação. Confira a relação das duas virtudes (aptidão e motivação) no desenvolvimento de um líder, em cinco cenários diferentes:

Aptidão alta e motivação alta
Obviamente, o melhor cenário para o sucesso em cargo de liderança surge da união entre vontade de aprender e talento para liderar.

Aptidão baixa e motivação baixa
“Se você não tem aptidão e não tem motivação diga não com todas as letras a uma proposta trabalho em cargo de liderança”, recomenda o especialista. Pessoas assim se dão melhor em atividades mais técnicas que não exijam gestão de pessoas.

Aptidão alta e motivação baixa
Ainda que o profissional tenha talento, a falta de motivação é crítica e não é indicado forçar a barra. “Quando percebo que a pessoa não gosta digo que não vale a pena aceitar um cargo de liderança seja para agradar o chefe ou por cona da pressão de assumir uma empresa familiar”, diz Ferraz.

Aptidão média e motivação média
Medianamente motivado e apto, o profissional terá que lançar mão de algum esforço caso queira se aprimorar em função de liderança, segundo o autor do livro “Gente de Resultados”. Caso não se motive mais é provável que não consiga passar de um líder também mediano na sua carreira.

Aptidão baixa e motivação alta
Uma pessoa com baixa aptidão para liderança, mas que esteja extremamente motivada tem mais chance de ter sucesso como líder do que a pessoa que tem talento, mas não tem motivação, segundo o especialista. “ Sem aptidão, vai ser mais difícil, precisa de muito mais esforço mas, é possível”, diz Ferraz.

Publicado originalmente em Exame

quarta-feira, 25 de abril de 2018

Você é um bom ou ótimo líder?


Joel Comiskey(*)

Um livro que impactou a minha vida grandemente é o From Good to Great (Do Bom ao Ótimo, em tradução livre), de Jim Collins. Collins comparou grandes empresas que registraram vendas recordes por longos períodos de tempo com empresas de “comparação” ou “medíocres”, que existiam no mesmo período de tempo. As empresas de “comparação” ou estagnaram ou apenas experimentaram um crescimento modesto, enquanto as grandes empresas continuaram a bater recordes por longos períodos de tempo. Collins e sua equipe de pesquisa fizeram a pergunta “por quê”? Quais foram os fatores por trás do sucesso das empresas recordistas? Por que as empresas “medíocres” não conseguiram acompanhar?
Uma das principais razões foi o foco. Collins compara grandes empresas ao ouriço, um animal com a aparência de um porco espinho, que faz uma coisa bem: defender-se. As empresas medíocres, de comparação, eram como raposas que perseguem muitos objetivos e interesses ao mesmo tempo. Ouriços são lentos, firmes e despretensiosos. Mas, ao contrário da raposa, eles são capazes de simplificar o mundo e se concentrar em uma visão abrangente.
Escrevendo sobre os líderes das grandes empresas, Collins diz: “Os líderes do bom ao ótimo foram capazes de eliminar muito barulho e bagunça e focar apenas nas poucas coisas que teriam o maior impacto” (p. 87). Eles não ouviram o clamor das multidões, mas focaram suas empresas em uma visão simples. Por outro lado, Collins escreve: “As empresas de comparação lançaram muitos novos programas, frequentemente com grande fanfarra e alvoroço para motivar as tropas” (p. 178). Elas queriam eventos externos para motivar as tropas. Os ótimos líderes, por outro lado, não precisavam do alvoroço porque estavam firmemente focados em sua visão.
Collins escreve sobre a clareza e simplicidade nos ótimos líderes: “Eles têm uma percepção penetrante que lhes permite ver através da complexidade e discernir os padrões subjacentes. Ouriços veem o que é essencial e ignoram o resto ”(91). Por outro lado, Collins escreve: “As empresas de comparação eram dispersas, difusas e inconsistentes” (92).
A igreja em células é muito simples: faça discípulos. O perigo é complicar essa simplicidade e adicionar bagunça e alvoroço. Pode parecer certo envolver as pessoas com eventos e atividades sem fim, mas a atenção delas se dispersa e o discipulado sofre.
Ao escrever sobre as empresas de comparação, Collins diz: “Elas são dispersas ou difusas, movendo-se em muitos níveis, nunca integrando seu pensamento em um conceito geral ou visão unificadora.” Mas então ele diz: “Ouriços simplificam um mundo complexo em uma única ideia organizadora, um princípio básico ou conceito que unifica e guia tudo. Não importa o quão complexo seja o mundo, um ouriço reduz todos os desafios e dilemas a simples – de fato, quase simplistas- ideias de ouriço ”(91).
E você? Você é um ouriço ou uma raposa? Você está claramente focado em fazer discípulos através do ministério celular? Ou está sempre procurando novas maneiras de manter as pessoas ocupadas e entretidas? Dizer não àquelas coisas que fazem com que você se desvie da visão é uma coisa boa. Você também precisará dizer sim a todas aquelas coisas que ajudam você a fazer discípulos que fazem discípulos. A igreja em células é muito simples. Não complique demais.

Publicado originalmente em MDA

(*)É uma das maiores autoridades mundiais sobre o movimento de igrejas em células. Tem PhD em crescimento da igreja pelo Seminário Teológico de Fuller. Foi missionário no Equador.

sábado, 21 de abril de 2018

A ética cristã e o aborto


Por Eliseu Antonio Gomes

INTRODUÇÃO
Na maior parte dos grandes questionamentos éticos, a Bíblia Sagrada possui posicionamento definido e cristalino.
A ética embasada na Lei de Deus e no ensinamento de Cristo é obviamente uma escolha melhor, revela lógica e bom senso, do que uma ética que ambiciona basear-se no iluminismo ou em filosofias mais nova. A partir de um ponto de vista bíblico, é possível declarar por qual motivo o cristão deve ser ético, e também qual é a verdadeira origem da sua vontade de ser ético.

I – ABORTO: CONCEITO GERAL E BÍBLICO

1.1 Conceito geral de aborto
O aborto é o fim da gravidez, a interrupção do nascimento, é a remoção de um embrião ou feto antes que ele possa sobreviver fora do útero, ou seja, é causar a morte do embrião ou feto. Ao ocorrer espontaneamente, é descrito como aborto espontâneo. Se o aborto é causado de propósito, é então chamado de aborto induzido ou "aborto espontâneo induzido". A palavra aborto é freqüentemente usada para significar apenas abortos induzidos.
Hipócrates (460 a.C. - 370 a.C.), foi médico grego, considerado o pai da medicina na cultura ocidental, autor do juramento que leva seu nome. O Juramento de Hipócrates, escrito entre o terceiro e quinto século a.C. é um dos mais conhecidos textos médicos gregos e considerado mais que um rito de passagem para graduados em medicina. O juramento feito solenemente pelos médicos, por ocasião de sua formatura, é a expressão mais antiga da ética médica no mundo ocidental. Apresenta as bases de vários princípios aos profissionais na área da saúde que continuam sendo de suma importância na atualidade. A síntese deste documento aborda os deveres que o médico deve ter para com o seu professor e para com a profissão; inclui os princípios de sigilo e não maleficência; abrange a integridade de vida, a assistência aos doentes e o desprezo pela sua própria pessoa.
Por conta do Juramento de Hipócrates, é amplamente visto como questionável o exercício da interrupção da gravidez na área legal da medicina.

A militância pró-aborto costuma salientar os seguintes argumentos a favor da sua posição:
• O direito da mulher sobre o seu corpo;
• O fato de não se autorizar o aborto faz com que haja muitos abortos clandestinos que envolvem riscos graves para a saúde;
• As mães pobres, que são forçadas a dar à luz aos seus filhos, têm muitos problemas financeiros;
• As mulheres não devem ser forçadas a trazer filhos indesejados ao mundo;
• As mulheres não devem ser obrigadas a trazer filhos gravemente deficientes ao mundo;
• As vítimas de violação ou de incesto não devem ser forçadas a seguir com a gravidez;
• A dissuasão, se for usada, deve ser verbal e pessoal, e não legal;
• O apoio oficial a mães que tiveram filhos sem terem condições materiais para isso é muito dispendioso.

1.2 O aborto no contexto legal.
A consciência da pós-modernidade alega que quando permitido por lei, o aborto no mundo desenvolvido pode ser um dos procedimentos mais seguros na medicina. É discutível a afirmação da Organização Mundial de Saúde quando diz que os abortos induzidos não aumentam o risco de problemas mentais ou físicos a longo prazo, segundo matéria do Journal of Obstetrics and Gynaecology Canada, abortos realizados em instalações insalubres causam 47 mil mortes e 5 milhões de internações hospitalares a cada ano, com cerca de 45% de fracassos.
As leis do aborto e as visões culturais ou religiosas dos abortos são diferentes em todo o mundo. Em algumas áreas, o aborto só é legal em casos específicos, como estupro, problemas com o feto , pobreza , risco à saúde da mulher ou incesto. Em muitos lugares, há muito debate sobre as questões morais, éticas e legais do aborto. Aqueles que se opõem ao aborto freqüentemente sustentam que um embrião ou feto é um humano com direito à vida , e assim eles podem comparar o aborto ao assassinato. Aqueles que defendem a legalidade do aborto freqüentemente sustentam que uma mulher tem o direito de tomar decisões sobre seu próprio corpo. Outros favorecem o aborto legal e acessível como uma medida de saúde pública.

1.3 Conceito bíblico de aborto.
Tal como a eutanásia, o aborto não é objeto de nenhum estudo específico nos livros da Bíblia Sagrada. Contudo, mais ainda do que em relação à eutanásia o texto de Êxodo 23.7, que aborda a defesa do Senhor ao inocente e ao justo, deve ser entendido como pondo de lado qualquer possibilidade de concretizar esse ato, pois Deus não justificará o ímpio. Na lei mosaica, provocar a encerramento da gravidez de uma mulher era tratado como ato criminoso, causar a morte do feto era cabível do pedido de retaliação (Êxodo 21.22,23).

1.4 O aborto na história da igreja.
Em 1973, Jane Wade foi à Justiça americana afirmando que sua gravidez tinha origem em um ato de violação e reclamava a exigência do Estado em que mantivesse a sua gravidez. Ela alegou seu direito a privacidade, com base na Constituição, e afirmou que essa privacidade se entendia ao útero. Seu caso ficou conhecido como Processo Roe-Wade. A sentença dada pelo Tribunal defendeu seu direito à privacidade e consequentemente arrastou vários outros casos de desejo ao aborto a uma situação de extrema permissividade. Vários anos depois que Jane Wade ganhou seu processo e abortou, admitiu que havia mentido, declarou que não havia sido violada e a gravidez fora consequência de falha nos métodos contraceptivos que usara. Em 1995 ela se converteu a Cristo, deixou seu trabalho em uma clínica de aborto e integrou-se a uma igreja cujo pastor é um dos líderes do Movimento Militante Pró-Vida.

II – O EMBRIÃO E O FETO SÃO UM SER HUMANO

2.1 Quando começa a vida?
A Bíblia nos ensina sobre a origem da vida: "E formou o Senhor Deus o homem do pó da terra e soprou em seus narizes o fôlego da vida; e o homem foi feito alma vivente' (Gênesis 2.7). Após o homem ser formado através do processo sobrenatural da combinação das substâncias que há na terra, o Criador lhe soprou o fôlego da vida, dando início, assim, à vida humana. Baseado neste nesse fato, entendemos que, cada ser que é formado, a partir da fecundação, o sopro de vida lhe é assegurado pela lei biológica estabelecida por Deus.
Em Isaías 49.1, encontramos o inicio do segundo dos quatro Cânticos do Servo, que retrata a missão do Messias e há a exortação para que a nação de Israel despreze os conselhos de sabedoria humana. A passagem bíblica refere-se a Jesus Cristo, que se tornaria um ser humano desde o ventre de Maria, que teria que se encarnar e seria conhecido como o Emanuel, que significa Deus conosco (Isaías 7.14).
Sobre a chamada ao ministério profético de Jeremias temos, no capítulo 1 e versículo 5, a informação que Deus o chamou antes que ele fosse formado no útero de sua mãe. Não se trata de reencarnação, trata-se do conhecimento absoluto que Deus tinha de Jeremias e do seu plano soberano para a vida dele antes que ele fosse concebido.
Em Gálatas 1.15, Paulo escreve que Deus o separou ao ministério apostólico antes que ele nascesse. Com isso, não queria dizer que sobre nascer e ser separado fisicamente de sua mãe, e sim sobre ser separado e colocado à parte por Deus para o serviço desde o seu nascimento.

2.2 O que diz a bíblia.
A Bíblia mostra claramente que, no entender de Deus, o feto é uma pessoa.
• Jó 3.3 pressupõe a continuidade entre o ser que é concebido e o ser que nasce.
• Jeremias 1.5 e Isaías 49.1 descrevem a forma como Deus se relaciona com a pessoa quando esta ainda está no ventre de sua mãe.
• O Livro de Salmos, em 139.13-16, revela de maneira comovente que Deus é quem cria o ser humano desde o útero, desenvolve o ser humano no ventre de sua mãe.
• Salmo 51.5 diz que a pessoa tem a tendência de pecar desde o ventre
• Em Lucas 1.41, João Batista é descrito como "criancinha" (brephos, em grego). O texto narra o episódio em que ele saltou de alegria quando ainda estava no ventre de sua mãe Isabel, quando esta recebeu a saudação de Maria, que viria a ser a mãe do Salvador. E em Lucas 2.16, o mesmo termo grego é usado para descrever Jesus, já nascido.

2.3 Qual a posição da igreja?
No mundo greco-romano era comum a prática do aborto. Foi preciso que os pais da igreja entrassem em cena para condenar essa prática. No Didaquê (século II): "Não matarás o embrião por meio do aborto, nem farás que morra o recém nascido". Essa questão contribuiu para estabelecer o debate acirrado, primeiro entre os gregos e depois entre os cristãos, sobre o momento em que o bebê, ainda em formação, recebia a alma, tornando-se um ser humano. Por influência de Aristóteles, o pensamento cristão aderiu à ideia de que o feto era animado pela alma humana apenas em uma fase tardia de sua gestação. Tomás de Aquino afirmou depois que na primeira fase o feto tinha uma alma vegetal, na segunda tinha uma alma animal e só na terceira recebia uma alma que podia ser considerada humana. Em 1588, o Papa Xisto V eliminou esse princípio aristotélico.

III – TIPOS DE ABORTO E SUAS IMPLICAÇÕES ÉTICAS
A legislação brasileira autoriza a interrupção da gravidez em três casos somente. Neste tópico apresentamos as principais implicações éticas para estes tipos de aborto.

3.1 Aborto de Anencéfalo
Em 2012, o Supremo Tribunal Federal (STF) legalizou a interrupção da gravidez de feto anencéfalo (má-formação rara do tubo neural). A principal implicação ética desta decisão está no descarte de um ser humano por apresentar uma má formação cerebral. Trata-se de uma ideologia racista chamada "eugenia" que defende a sobrevivência apenas dos seres saudáveis e fortes. Uma nítida incoerência de quem defende os direitos humanos e ao mesmo tempo age de modo discriminatório. Neste quesito enfatizam as Escrituras: para com Deus, não há acepção de pessoas (Romanos 2.11). Como aceitar a ideia de que Deus não rejeitaria um ser humano em seus primeiros dias de existência?

3.2 Aborto em caso de estupro
Como não é necessária a comprovação do crime de estupro e nem autorização judicial para o aborto, a lei é permissiva e complacente com a interrupção da gravidez sob a alegação de estupro sem que ele tenha ocorrido. Assim, discute-se a inviolabilidade do direito à vida do nascituro (Art. 5°, CF e Art. 2° do CC). Outra questão ética relaciona-se ao fato de que um crime não pode justificar outro crime.
Para os cristãos o ensino bíblico é claro: "Não te deixes vencer do mal, mas vence o mal com o bem" (Romanos 12.21). Não convém reagir ao mal com outro mal, o que só produz mais mal. A reação do crente convertido a Cristo é mudar a situação da maldade para atitudes de bondade, benevolência, benignidade, magnanimidade.

3.3 Aborto terapêutico
Procura-se justificar clinicamente esta ação sob a alegação de que a vida de um adulto tem maior valor que a de um ser em gestação. Daí surge questões éticas quanto à valoração da vida humana. Uma pessoa merece viver e outra não? Tertuliano, em sua obra Apologeticum (197), ensinava que não existe diferença entre uma pessoa que já tenha nascido e um ser em gestação. Outra questão é acerca do poder sobre a existência.
É Deus quem dá a vida e nos permite viver em nosso corpo físico. Podemos decidir quem deve viver ou morrer? É apenas da alçada de Deus levar o homem à beira da tumba e quando toda a esperança parece ter tido o fim, levantá-lo outra vez. Estar neste mundo ou deixá-lo é uma decisão que cabe ao Criador e jamais algo que satisfaça aos desejos pessoais de alguma criatura humana. Cada ser gerado tem um propósito nobre a cumprir, maior que a vontade pessoal, portanto, interromper uma gestação é notadamente um enorme equívoco. Portanto, ajamos com sabedoria, prudência e critério, nunca nos esquecendo da sacralidade da vida humana. As Escrituras Sagradas afirmam que a vida e a morte são, unicamente, da alçada divina (1Samuel 2.6; Filipenses 1.21-24).

CONCLUSÃO
Todos os cristãos comparecerão diante do tribunal de Cristo, , no segundo advento, portanto deve estar empenhado em pregar a revelação da Palavra de Deus exatamente como ela é. estar sempre preparado para proclamar a Verdade, deve abordar a questão do pecado na vida daqueles que servem ao Senhor e na vida de quem é pecador não arrependido. A doutrina de Cristo deve ser exposta com mansidão, mesmo que rejeitada (1Timóteo 4.1,2).
Valorizar a dignidade humana, o direito à vida e o cuidado à pessoa vulnerável são princípios imutáveis do cristianismo. Na sociedade secular, o cristão autentico deve tomar cuidado com relativismo e estar alerta quanto às ações de manipulação de sua consciência e o desrespeito à vida humana,

https://en.wikipedia.org/wiki/Hippocratic_Oath
https://en.wikipedia.org/wiki/Abortion

Para conhecer mais leia "Ética Cristã: Confrontando as Questões Morais de Nosso Tempo", CPAD, p.44.

Material em fase de conclusão

Publicado originalmente em Eliseu Antonio Gomes

terça-feira, 27 de fevereiro de 2018

A importância do registro da organização religiosa


Flavio P. de Souza

O exercício regular da atividade religiosa por meio das Organizações Religiosas está condicionado, dentre outros, à constituição da personalidade jurídica destas. A não observância dos preceitos legais gera conseqüências negativas à liderança religiosa e seus membros, como veremos a seguir. Trataremos aqui, resumidamente, da importância do Registro da Organização Religiosa e das consequências negativas advindas do seu estado irregular. Todavia, convém esclarecer preliminarmente que quando nos referirmos a Organizações Religiosas, estamos nos referindo a todas as confissões religiosas, Igrejas e templos de qualquer culto, ok?
As Organizações Religiosas são pessoas jurídicas de direito privado, garantindo-se às mesmas a liberdade de criação, organização e estruturação interna, o que lhes dá efetividade para o exercício pleno da Liberdade Religiosa, nos termos do parágrafo 1º do art. 44 do Código Civil.
É bom esclarecer que essa liberdade não dispensa o cumprimento das formalidades estabelecidas em Lei, uma vez que para adquirir personalidade jurídica a Entidade Religiosa, como se verá adiante, deve ser registrada.
Outrossim, deve-se ter em mente que a Liberdade Religiosa assegurada na Constituição e implementada no Código Civil, deve ser exercida nos termos e limites legais, sob pena de ferir outros Direitos, como por exemplo, a vida, a dignidade da pessoa humana e a incolumidade física das pessoas. Neste sentido é o Enunciado Nº 143, da III Jornada de Direito Civil, Conselho da Justiça Federal, senão vejamos:

"A liberdade de funcionamento das organizações religiosas não afasta o controle de legalidade e legitimidade constitucional de seu registro, nem a possibilidade de reexame pelo judiciário da compatibilidade de seus atos com a Lei e com seus Estatutos".

Nesse contexto, para o devido registro da Instituição Religiosa, deve o líder religioso, primeiramente, elaborar o Estatuto e posteriormente a Ata de fundação, que será redigida no momento da Assembléia de fundação da Entidade Religiosa. Ato contínuo, tais documentos devem ser registrados no Cartório de Registro Civil de Pessoas Jurídicas, nos termos da Lei de registros públicos, Lei nº 6.015/73. Isto deve anteceder ao inicio das atividades Religiosas, pois somente com o registro dos referidos documentos é que a Instituição Religiosa gozará de personalidade jurídica própria.
Após o devido registro do Estatuto e da Ata, proceder-se-á junto a Receita Federal, a inscrição no CNPJ (Cadastro Nacional das Pessoas Jurídicas). Não obstante, deverão ser providenciadas as autorizações pertinentes junto a Prefeitura Municipal e Bombeiro Militar. Noutro giro, várias são as consequências negativas para os Líderes Religiosos que não cumprem os procedimentos legais acima expostos, uma vez que Instituição irregular perde vários benefícios e sofre vários riscos. São eles:

a) Não fará jus ao benefício da Imunidade religiosa - As Organizações Religiosas são imunes a impostos, como por exemplo, IRPJ, IPTU, ITBI, IPVA, ISS, ICMS, nos termos do art. 150, VI, "b" da CRFB/88;
b) Não poderá registrar-se no CNPJ, no Estado e no Município - sujeitando-se às sanções previstas nas leis tributárias;
c) Em virtude de a Organização Religiosa não possuir personalidade jurídica, o Líder e os membros, serão responsabilizados pessoalmente pelas infrações legais e responsabilidades junto a terceiros, de maneira análoga as sociedades de fato;
d) O Templo Religioso sofrerá Autuação pelos órgãos fiscalizadores, com aplicação de multas, bem como interdição.
e) Não havendo pessoa jurídica constituída, o Líder religioso poderá sofrer sanções Administrativas fiscais e criminais, em razão da confusão patrimonial dele com a atividade religiosa.

Portanto, verifica-se que a ausência de registro da Organização Religiosa trará muitas consequências negativas na condução das atividades religiosas, e isso por razões específicas. A uma, porque a situação irregular impedirá o gozo dos benefícios constitucionais. A duas, porque impede o funcionamento regular da Entidade, sujeitando seus lideres e - em alguns casos seus membros - a diversas sanções legais. Por isso, a sugestão é bem simples: antes de estabelecer uma Organização Religiosa, providencie de antemão o devido registro do seu Estatuto e Ata de fundação, a inscrição no CNPJ, bem como as autorizações pertinentes. Atue dentro da Lei!

Publicado originalmente em Instituto Jetro

As 3 chaves-mestras das pessoas vitoriosas




Você sabe o que é necessário fazer para ser promovido, ou então para ser altamente produtivo, ou ainda, ser reconhecido como uma pessoa realizadora? É simples: faça o que a maioria das pessoas não está disposta a fazer.
Seja você um membro de equipe, um gestor de equipe ou um dirigente, o sucesso das pessoas vitoriosas advém da disciplina em fazer as coisas que você sabe que precisam ser feitas, mesmo que você não sinta a menor vontade de fazê-las. Mas a verdade é que, se você regularmente praticar este tipo de autodisciplina, automaticamente irá se destacar do resto da turma, porque a maioria das pessoas não quer "pegar na enxada" e fazer o trabalho duro.
Elas preferem acomodar-se, pois sentem-se melhor fazendo as rotinas, ou as tarefas fáceis. Mas, no longo prazo, o que é fácil, ou simples de fazer, não leva a lugar algum e ainda pode criar problemas. O que é necessário fazer - mas que no momento parece difícil, ou mesmo chato -, vai tornar as coisas muito melhores e mais fáceis para você no futuro, mesmo que no momento você não sinta a menor vontade de realizar. Por isso, a palavra autodisciplina assusta muita gente, mas é apenas uma questão de como você encara isso. Gente de sucesso domina plenamente a arte da autodisciplina e não faz disso um drama.
Zig Ziglar, um dos maiores palestrantes motivacionais americanos estudou por mais de uma década alguns dos maiores homens de negócios daquele país tentando descobrir o que os tornava tão diferentes. A conclusão a que ele chegou é esta: eles não são mais inteligentes ou mais talentosos do que a maioria das pessoas. A grande diferença é que eles consistentemente fazem o que as outras pessoas não se dispõem a fazer. Eles adotam três princípios básicos:

1°- Faça, mesmo que tenha medo.
Um dos maiores sabotadores de nossos objetivos é o medo, porque ele inibe a ação. Da próxima vez que você não quiser agir por medo de fracassar, siga em frente e faça o que tem que fazer, apesar do medo, porque a ação paralisa o medo. A ação concentrada une mente e esforços, não dando espaço nem ambiente a dúvidas e receios.

2°- Adote hábitos, não resultados de curto prazo.
Só começar algo depois que tudo estiver perfeito é um dos maiores erros que podemos cometer, pois é uma atitude perfeccionista que adia indefinidamente o início de um projeto, empreendimento ou trabalho importante. Para manter-se motivado, cultive hábitos de trabalho consistentes, que levem a resultados, em vez de se preocupar com resultados imediatos. Pode levar algum tempo para ver os frutos desse trabalho, porque depende de continuidade e perseverança, mas concentrando-se no dia a dia o triunfo automaticamente acontecerá.

3°- Fixe os olhos no resultado final.
Os desafios de hoje talvez não o motivem muito, contudo você deve ter fé de que no longo prazo eles apenas representam esforços passageiros necessários. Veja o quadro na sua totalidade; veja a realização final. Com essa perspectiva, convicção e fé, você terá forças para avançar nos momentos mais difíceis, quando todos já recuaram. Logo, não se trata de autodisciplina, mas de você adotar comportamentos positivos repetidos diariamente que acabam tornando-se hábitos vencedores, e que levam você aos objetivos maiores. Pessoas bem-sucedidas compreendem melhor do que ninguém que, para realizarem seus sonhos, elas têm que também fazer muitas coisas das quais não gostam, mas são imprescindíveis, e não perdem tempo se lamentando por ter de fazê-las.
Perguntaram, certa vez, ao grande bilionário do petróleo H. L. Hunt qual o segredo do sucesso. Ele respondeu que, para ter sucesso, eram necessárias duas coisas e nada mais. Primeiro, disse ele, você precisa saber exatamente o que quer. A maioria das pessoas nunca chega a tomar essa decisão. Em segundo lugar, prosseguiu, você deve determinar o preço que terá de pagar para consegui-lo e começar a pagá-lo.

Portanto, faça!
A diferença básica entre os que realizam muito e os que realizam pouco é a "orientação para a ação". Os homens e mulheres que alcançam grandes feitos na vida têm grande autodisciplina e são intensamente orientados para a ação. Estão em constante movimento e sempre ocupados. Quando têm uma ideia, imediatamente começam a agir. Por outro lado, os que realizam pouco, ou nada, estão sempre cheios de boas intenções, mas sempre têm uma desculpa para não agir imediatamente. É com razão que se diz: que o inferno está cheio de gente com boas intenções.

Publicado originalmente em Instituto Jetro

sábado, 20 de agosto de 2016

5 estilos de liderança e quando eles funcionam melhor

Tomar decisões, direcionar a equipe e comandar projetos são algumas das atribuições de um líder.
Não existe, porém, uma fórmula única para executar essas tarefas com sucesso. Dependendo do objetivo a ser alcançado, o estilo da chefia pode variar – e muito.
O professor George Kohlrieser, da escola de negócios suíça IMD, uma das mais importantes do mundo, criou um guia com cinco tipos de liderança, indicando para quais situações eles funcionam melhor.
O trabalho foi baseado em conceitos definidos pelo psicólogo e consultor Daniel Goleman e foi cedido com exclusividade a EXAME.com.
Veja abaixo:

1. Liderança coercitiva
O que é: é aquele estilo de liderança retratado no ditado "manda quem pode, obedece quem tem juízo". É marcado por controle e comando.
Funciona? Sim, mas nó no curto prazo. "Ameaças funcionam se você aumentar o grau delas cada vez mais. Quando líderes coercitivos ficam sem ameaças novas, eles não conseguem fazer as coisas", escreve Kohlrieser.
Deve ser usado? É uma boa alternativa para situações de crise, para ajudar no início de uma recuperação ou solução de um problema. Mas, se o líder sabe demonstrar seu "senso de confiança e autenticidade", provavelmente não precisará disso, reforça o professor.

2. Liderança confiante
O que é: é marcado pela habilidade do líder de inspirar outras pessoas a confiar em sua visão e segui-la por vontade própria. É um estilo "forte, positivo e visionário", nas palavras de Kohlrieser, e que exige um vínculo forte baseado na confiança.
Funciona? Sim, pois a equipe confia na ligação que tem com o líder e, por isso, irá segui-lo. É um tipo de liderança crucial quando uma nova visão é exigida ou quando é necessária uma direção clara.
Deve ser usado? Sim. É a melhor forma que os chefes têm para conseguir que seus subordinados atinjam alto desempenho no longo prazo, segundo o especialista.

3. Liderança afiliativa
O que é: é um tipo de liderança que coloca as pessoas em primeiro lugar e evita conflitos.
Funciona? É efetivo para curar feridas em equipes divididas e para motivar durante períodos de estresse. Mas, por outro lado, "líderes afiliativos podem ter dificuldades em dar feedbacks duros ou chamar a atenção", pondera o professor.
Deve ser usado? Com parcimônia. Kohlrieser lembra que o estilo tem pontos positivos, mas que o líder precisa ter uma postura mais confiante quando uma ação crítica for necessária.

4. Liderança democrática
O que é: é o viés seguido pelo chefe que considera a opinião de todos e espera um consenso para tomar decisões.
Funciona? Pode até dar certo, mas com ressalvas. Esperar que todos participem para decidir algo pode demorar muito e criar uma "burocracia terrível". Mas pode ser positivo nas organizações que conseguirem simplificar a democracia para que ela não impeça o progresso, diz o professor.
Deve ser usado? Em partes. Algumas características desse estilo podem ser combinadas com as da liderança confiante. Nas equipes em que as pessoas confiam umas nas outras e nos seus líderes, cada funcionário está disposto a permitir que os demais tomem decisões em seu nome, mas também a opinar quando for preciso.

5. Liderança de ritmo
O que é: é o clássico modo do líder que pressiona o time por meio da definição de metas duras.
Funciona? Depende. Se a equipe for altamente motivada, pode ser eficaz para trazer resultados rápidos. Se combinado com empatia e compaixão, pode ajudar a desenvolver a equipe; sem esses pontos, terá inevitavelmente um efeito negativo, escreve Kohlrieser.
Deve ser usado? Sim, desde que seja no curto prazo e que esteja aliado à empatia e compaixão. "Caso contrário, não use", adverte o especialista.

Publicado em Exame


terça-feira, 25 de agosto de 2015

5 mentiras que mantêm você preso na sua zona de conforto

Um rei foi presenteado com dois jovens falcões. Este, imediatamente contratou um mestre em falcões para treiná-los. Depois de vários meses, o instrutor disse ao rei que um dos falcões foi bem educado, mas não sabia o que estava acontecendo com o outro.
Desde que ele tinha chegado ao palácio, ele não havia se mudado de galho, ainda tinha que levar a comida diariamente a ele.
O rei chamou diversos curadeiros, especialistas em aves, mas nenhum pode fazer o pássaro voar. Desesperado, ele emitiu um decreto proclamando uma recompensa para aqueles que fizessem o falcão voar.
Na manhã seguinte, o rei viu o pássaro voando em seus jardins.
– Traga o autor deste milagre! Ordenou o rei.
Apareceu diante dele um simples camponês. O rei perguntou:
– Como você conseguiu fazer o falcão voar? Você é um mago?
– Não foi muito difícil meu rei – disse sorrindo o homem. – Eu só cortei o galho que ele estava. Naquela ocasião, o pássaro foi deixado sem nenhuma outra alternativa senão levantar vôo.

Esta fábula ensina-nos que às vezes é necessário permanecer em uma zona campo para recarregar, mas permanecer aí por um longo tempo, nunca saberemos o quão longe poderíamos chegar.
Portanto, precisamos expandir cada vez mais nossa zona de conforto. Nós só crescemos fora da zona de conforto.
Quer gostemos ou não, a capacidade de deixar conscientemente nossa zona de conforto e se atrever a descobrir novos horizontes e realizar nossos sonhos é o que nos torna diferentes dos outros, é o que nos permite ter novas experiências que enriquecem e dão sentido a nossas vidas.
Infelizmente, a maioria das pessoas preferem ficar em sua zona de conforto, o espaço em que eles se sentem mais ou menos confortável e seguro.
Para entender a zona de conforto pode imaginar dois círculos concêntricos, um pequeno dentro de um maior.
O pequeno círculo representa todas as coisas a que estamos acostumados, nossos hábitos e rotinas que normalmente visitam os locais e pessoas que frequentam. É nossa zona de conforto.

À primeira vista, tudo pode parecer grande, mas o fato é que a permanência dentro desse círculo não é uma garantia de felicidade e não garante que no final de sua vida não terá arrependimentos.
Na verdade, ficar na zona de conforto limita você, porque não lhe permite descobrir nada de novo. Assim, você pode morrer um pouco a cada dia. Lembre-se de que a vida começa onde termina sua zona de conforto.
No entanto, há um círculo muito maior, composto de coisas que você não conhece, o desconhecido, seus sonhos, novos lugares … É o círculo da aprendizagem, ai que ocorre a expansão.
Para muitas pessoas dar esse salto assusta-os demasiadamente, porque não sabem o que vão encontrar no outro círculo, de modo que colocam em prática um mecanismo de auto-sabotagem, para permanecer em sua zona de conforto e não ser forçado a sair.

As mentiras que contamos a nós mesmos para não sair da zona de conforto:

1. “Eu não tenho por que fazer”
É verdade, ninguém pode empurrá-lo para fora de sua zona de conforto e você não é obrigado a sair, mas se você ficar dentro da caixinha, não irá crescer. Lembre-se que não crescemos simplesmente pelo passar dos anos, mas pelos os desafios que enfrentamos.
Quando você pensa em um projeto que representa um grande desafio e de repente sua voz interior lhe diz que você não tem porque fazer, em realidade o que você está expressando é uma resistência à mudança, porque uma parte de você deseja que fique dentro dos limites do conhecido.
No entanto, se você pensar que não há nenhuma razão para realizar algo novo, lembre-se que simplesmente fato de crescer e descobrir, são razões mais que suficientes.

2. “Não é o momento certo”
Condições perfeitas para empreender algo raramente ocorrem, mas para perseguir um sonho significa lutar contra o vento e a maré, criando condições ao longo do caminho.
Quando você diz a si mesmo que não é o momento certo, você está ativando o medo, provavelmente um intenso medo do fracasso inoculado em você desde a infância.
Claro, não se trata de se lançar-se a uma aventura sem avaliar os prós e contras, mas se nós realmente queremos alçar vôo, devemos ser conscientes que não podemos ficar parados, precisamos ir em pequenos passos.
E quando percebermos já estamos caminhando melhor.

3. “Vou começar quando …”
Esta é uma das desculpas mais comuns para ficar seguro em nossa zona de conforto. Na prática, é o engano perfeito, porque não estamos desistindo do sonho ou do projeto que temos em mente, mas apenas colocando-o de lado até que determinada situação ocorre.
O problema é que essa desculpa leva diretamente a procrastinação, por isso é provável que quando a condição da demanda for atendida, criaremos outra, e mais outras.
Desta forma, mantemos a esperança viva, mas ao mesmo tempo, temos que trabalhar duro para tornar esse sonho uma realidade.

4. “Não é para mim”
Basicamente, por trás dessa frase a ideia de que nós não somos o suficiente bom ou capazes. Esta é a desculpa perfeita para inseguros e pessoas com baixa auto-estima. Também é uma desculpa usada por pessoas que têm medo do mundo e se fecham para novas experiências. Em qualquer caso, você não pode saber se algo que você gosta ou não até prová-lo.
Na verdade, é provável que em mais de uma ocasião tenha pensado que algo não foi feito para você, mas depois de provar, você amou e se tornou empolgado com a nova situação. Portanto, não feche para novas experiências nem se limite como uma pessoa. É a pior coisa que poderia fazer.

5. “Eu não sei como fazer”
As coisas novas podem assustar, então uma das desculpas que inventamos para ficar em nossa zona de conforto é dizer-nos que não sabemos como enfrentar o desafio.
Podemos pensar que não temos habilidades ou que nunca podemos desenvolver. No entanto, lembre-se que quando você tem um “quê”, os “comos” vem sozinhos.
É verdade, para realizar determinados projetos a preparação é necessária, mas isso não significa que você não pode fazê-lo, significa apenas que levará mais tempo ou precisa de alguém para ajudá-lo.
Nenhuma habilidade vem do nada, todos tem na sua base muita paixão e esforço para o que a realiza, é assim com todos que atingiram esses patamares.
No fechamento, tenha sempre em mente o que Nelson Mandela disse: “Impossível é tudo aquilo que não se tenta” ou como disse Michel Jordan: “Você erra 100% das bolas que não arremessa“

Publicado em Yogui

quinta-feira, 7 de maio de 2015

Síndrome de Burnout



Estudo mostra que cerca de 1.500 pastores abandonam o ministério pastoral todos os meses.


A saúde dos líderes pastorais tem sido colocada em cheque constantemente por uma série de males que têm acometido vários pastores nos últimos dias. Os pastores lutam com desafios espirituais em sua essência, mas, não se limitam a estes. Como sujeitos “bio-fisio-psico-sócio-espirituais” lidamos o tempo todo com outros indivíduos que mantém a mesma complexidade. Desta dinâmica de relacionamentos uma série de males pode emergir.
Dentre as doenças que têm sido diagnosticadas existe uma sobre a qual eu nunca havia ouvido falar até a pouco tempo. É a chamada “Síndrome de Burnout”, um mal que parece ter sido feito sob medida para os líderes pastorais que tem na ministração a outros a sua marca de trabalho.
Pregar, ensinar, liderar, aconselhar, visitar, consolar, encorajar, corrigir, planejar, mediar etc. São tarefas que têm tudo a ver com a possibilidade do líder sofrer desta síndrome. Já foi constatado em pesquisas que os profissionais expostos a altos níveis de estresse e aqueles que trabalham em funções em que precisam se doar mais como pessoas são os que mais apresentam este mal.
Os pastores têm todo o perfil para serem vítimas comuns dessa síndrome. Podemos traduzir a palavra “burnout” como “combustão completa”, ou seja, algo queimado totalmente. Psicologicamente falando este termo se aplica a uma situação de completa exaustão e entrega ao desencorajamento.
Este termo pode ser aplicado ao pastor quando este se vê “queimado” com reflexos espirituais, emocionais e físicos. Este mal é terrível e infelizmente temos de constatar que muitos colegas já estão sofrendo dele. Há muitos líderes “queimados”, que já há muito tempo têm revelado sintomas dessa síndrome, talvez eles mesmos não notem, mas quem está ao seu redor sim!
Outro dia atendi um pastor de outra denominação no gabinete que chegou apresentando exatamente os sintomas dessa síndrome. Ele chegou ao ponto de dizer que, em determinados momentos, tinha vontade de jogar o carro no poste. Graças a Deus hoje ele está bem. Nenhum pastor está livre disso.

Quais são os sintomas dessa síndrome?

Segundo estudiosos os principais sintomas são:

  • Exaustão emocional com uma profunda falta de estímulo profissional. As perspectivas se perdem, os sonhos são abandonados e a ansiedade ganha espaço.
  • Despersonalização com uma insensibilização diante de tudo e de todos ao redor. O pastor veste uma couraça de auto-proteção diante das tensões interpessoais e circunstâncias do dia-a-dia laboral.
  • Perde-se a capacidade de produzir criativamente e as tarefas que ainda continuam sendo feitas se transformam em simples obrigação e rotina.
  • Apresenta comportamento agressivo e irritadiço sem motivo aparente e um mau humor frequente.
  • Sentimento de baixa realização e desencorajamento profissional com uma avaliação muito negativa sobre si mesmo.
  • Sentimento de derrota e abatimento também são comuns.
  • Além disso tudo, ainda pode surgir a depressão e dores.

Pela natureza do trabalho, os pastores estão na linha de frente daqueles que podem sofrer da “Síndrome de Burnout”. Um pastor acometido dessa síndrome irá gerar problemas para si mesmo, para sua família e para as pessoas a quem tem de ministrar.

Como podemos buscar prevenir este mal?

Penso que não uma, mas muitas ações são indicadas para prevenção:

  • descanso frequente, férias e passeios,
  • um sono reparador(dormir sempre no mesmo horário. Sono de 7 horas no mínimo),
  • a prática de um hobbie ou esportes saudáveis e contínuos,
  • uma alimentação correta,
  • uma saúde em dia,
  • uma visão de si mesmo equilibrada,
  • a manutenção de expectativas realistas em relação si mesmo e ao ministério,
  • o compartilhar contínuo de fardos,
  • uma vida devocional coerente,
  • o desenvolvimento de amizades verdadeiras,
  • uma divisão mais equitativa de horários(tempo para lazer, alimentação, família etc),
  • a quebra eventual da rotina de vida,
  • o não acumulo de emoções negativas,
  • mudanças na vida sempre que possíveis e necessárias,
  • o desfrutar de aspectos mais simples da vida como um abraço de um filho, o carinho da esposa e o sorriso de um amigo leal,
  • uma caminhada em um local tranquilo,
  • uma leitura por prazer, etc.

Tudo isso pode cooperar. Se você percebe que está sofrendo desse mal, não se desespere, procure ajuda, há cura. Não tenha vergonha de abrir o coração com alguém que de fato possa lhe ajudar neste momento. Sua vida é muito preciosa para ser “queimada”.
Talvez a pior consequência da “Síndrome de Burnout” seja a possibilidade de nos levar a perder a capacidade de descansar no Senhor, mas é ai que reside a base para a prevenção e a cura desse mal.
Se como pastores estamos na linha de frente para sermos pegos por este mal, por outro lado, temos ao nosso dispor o maior recurso do universo para sermos sarados - a mão de Jeová-Rafa estendida em nossa direção.
Que Ele nos abençoe, nos guarde e nos cure.

Pr. Ednilson C. de Abreu e Centro de apoio a família.

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O jornalista Marcelo Brasileiro publicou uma matéria na revista Cristianismo Hoje na qual falou sobre a quantidade crescente de pastores que abandonam o ministério pastoral por não suportarem as cobranças que esse sacerdócio exige.
A reportagem aponta pesquisas como a realizada pelo ministério LifeWay, que aponta que apesar de se sentirem privilegiados pelo cargo que ocupavam (item expresso por 98% dos entrevistados), mais da metade dos pastores entrevistados, ou 55%, afirmaram que se sentiam solitários em seus ministérios e concordavam com a afirmação “acho que é fácil ficar desanimado”.
Outra pesquisa sobre o tema é a do Instituto Francis Schaeffer, que revelou que, no último ano, cerca de 1,5 mil pastores têm abandonado seus ministérios todos os meses por conta de desvios morais, esgotamento espiritual ou algum tipo de desavença na igreja. Em uma das maiores denominações pentecostais do país, a Igreja do Evangelho Quadrangular (IEQ), cerca de 70 pastores saíram da igreja por mês desde o ano passado.
Não se trata de pessoas que abandonam a fé cristã, mas de líderes que deixam o púlpito por não suportarem o as exigências do cargo.
Temos como exemplo o pastor José Nilton Lima Fernandes, 41 anos, que durante todo o ano de 2011 esteve de licença e afirma que essa experiência lhe mostrou que é possível servir ao ministério pastoral sem estar dirigindo uma igreja. “Não acredito mais que um ministério pastoral só possa ser exercido dentro da igreja, que o chamado se aplica apenas dentro do templo. Quebrei essa visão clerical”, explica.
“Eu entrei num processo de morte. Adoeci e tive que procurar ajuda médica para me restabelecer”, completou o pastor, que conta ter pedido licença da sua função na Igreja Presbiteriana Independente (IPI) no final de 2010, depois de quase 15 anos enfrentando problemas.
Atualmente Nilton retomou seu trabalho como pastor em uma IPI da zona leste da capital paulista.

quinta-feira, 13 de novembro de 2014

Liderança capacitadora

Jómarson Dias

Nenhuma igreja que quer crescer pode negligenciar a primeira marca de qualidade: Liderança capacitadora. Preste atenção que o termo não é liderança “capaz”, mas “capacitadora”.
A diferença é simples: – “liderança capaz” dá a entender que você tem um líder cheio de autoridade, capacitado em todas as áreas e com uma grande visão. Este líder só precisa de alguns liderados que o ajudem a colocar sua visão em prática.
Em algumas igrejas essa figura é real e às vezes ele é chamado de “dono da igreja” – esse tipo de líder não é tão raro. Até há quem diga que ele contém um modo de liderar eficiente: de uma lado o líder/”dono da igreja” com grande visão, de outro lado a infantaria de membros, que são dóceis à disposição do líder todo-poderoso na implementação do sonho da sua vida.
A igreja tem a cara desse líder e muitos membros têm a sensação de que as boas programações dessa igreja trarão um crescimento inevitável.
A pesquisa de Schwarz, todavia, mostrou que existem poucas coisas mais distantes da verdade. Se há uma coisa que os líderes de igrejas que crescem não tentam fazer é ampliar sua capacidade a ponto de se tornarem todo-poderosos.
Eles agem de forma exatamente oposta: uma das suas tarefas mais importantes consiste em ajudar os outros cristãos a chegar cada vez mais ao nível de capacidade que Deus planejou para eles.
Eles capacitam, apoiam, motivam, acompanham cada cristão, para que se torne aquilo que Deus desde o começo planejou para ele.
O líder “capacitador” não tem a pretensão de se perpetuar no poder, porque seu ministério maior consiste em mentorear novos líderes e sucessores.

Publicado por Treinandoigrejas.com

terça-feira, 4 de novembro de 2014

Líderes não sabem gerenciar a si mesmos, diz César Souza

Para César Souza, presidente do Grupo Empreenda e um dos maiores experts em gestão do Brasil, "o calcanhar de Aquiles da maioria dos líderes é o autogerenciamento".
A afirmação foi feita durante a HSM Expomanagement, nesta segunda-feira, em São Paulo.
De acordo com Souza, que presta consultoria a 70 administradores das maiores empresas do país, o que falta aos comandantes não é competência, mas sim o cuidado com eles mesmos.
"Competências são possíveis de construir, aprender, ou complementar com o conhecimento de outras pessoas", afirmou.
Segundo ele, um dos principais problemas que os líderes encontram ao se "autogerenciar" é a administração do próprio tempo. "O tempo é igual para todo mundo. O que é necessário é saber dizer não e definir prioridades", disse.
Outro ponto em que os gestores pecam, de acordo com Souza, é a conciliação das diversas dimensões da vida (como saúde, amigos, vida espiritual e em comunidade) com o trabalho.
"Há um preconceito de que se preocupar com essas coisas tira o tempo do trabalho. Mas o que importa não é trabalhar mais, e sim melhor. E quando você se exercita, está oxigenando o cérebro. Quando está com os amigos, amplia seu network. Quando trabalha em comunidade, se sente bem. O sucesso está no equilíbrio", afirmou.
Além disso, de acordo com ele, quem lidera precisa ser exemplo, ter inteligência emocional e coerência entre o que diz e o que faz.

Dogmas ultrapassados
Conseguir gerir a si mesmo, entretanto, não é o único desafio dos líderes. Falta saber formar outros líderes, planejar sucessão e conseguir executar o que é planejado.
Muitos desses problemas, para Souza, são causados por crenças e práticas ultrapassadas que ainda estão muito presentes no dia a dia das companhias.
"Continuamos dirigindo empresas olhando pelo retrovisor, com princípios de gestão da era industrial, pós-guerra. Também existem ideias mortas, dogmas do passado, que precisamos sepultar", disse.
Uma dessas ideias, segundo Souza, é a de que "o segredo é a alma do negócio". Para ele, se a estratégia não for compartilhada, as pessoas jamais irão se engajar e se "o segredo" não for passado adiante, cedo ou tarde morrerá com o seu dono, que levará junto consigo toda a organização.
"É necessário criar condições na empresa para que outras lideranças apareçam, para que a genialidade delas apareça. O verdadeiro líder é aquele que tem gente ao redor de si, não atrás. Seu papel é formar outros".

Exame

quarta-feira, 24 de setembro de 2014

A essência e a prática da liderança servidora

Mais do que um novo modelo de gestão ou mera técnica administrativa, a liderança servidora é fruto de uma filosofia de vida.
Muito já se falou sobre liderança servidora durante os últimos anos e especialmente após a curiosa repercussão que a obra “O Monge e o Executivo”, do consultor norte-americano James Hunter, obteve no país. Contudo, ainda hoje é fácil encontrar pessoas que não sabem exatamente quais são seus princípios e nem como praticá-la no dia a dia.
Primeiramente, ser um líder servidor não tem nada a ver com rebaixar-se ou bancar tudo aquilo que seus liderados querem que você faça; isso é querer para si o papel de tolo. Servidor é quem se torna acessível e se coloca a serviço das pessoas com o interesse genuíno de ajudá-las, sejam elas subordinadas ou não.
Explico: muito daquilo que se escreve e é falado correntemente sobre este tema trata das questões típicas que envolvem seu exercício junto aos liderados diretos, ignorando que no relacionamento com os chefes e aqueles que são pares na estrutura organizacional também é possível comportar-se como um líder servidor. Você só tem que compreender que dependendo da posição que ocupam, as expectativas das pessoas serão muito diferentes.
Por exemplo, quando se tem subordinados diretos, a liderança servidora depende da sua capacidade de mostrar que cuida deles, procura protegê-los e se importa com aquilo que dizem. E isto implica tornar-se próximo o suficiente para que as pessoas revelem as inseguranças e os anseios que carregam dentro de si.
No entanto, se o objetivo é praticar a liderança servidora junto ao chefe, o caminho é diferente. Neste caso, é importante que você dê o suporte necessário para que o superior imediato alcance os objetivos que estão sob sua responsabilidade.
Ou seja, é preciso demonstrar que realmente se preocupa com aquilo que é importante para ele. Mas convenhamos, é muito difícil fornecer este tipo de apoio estratégico se o relacionamento de vocês é formal e distante, não tem a mínima ideia das metas-chave dele ou só costuma apresentar problemas em vez de propostas ou soluções.
Quem assume a responsabilidade por aquele tipo de trabalho que ninguém da equipe quer fazer ou então resolve problemas envolvendo pessoas com os quais o seu gestor não se dá bem exerce a liderança servidora para cima e ainda constrói uma sólida relação de confiança com ele. Aliás, conheço um gerente que se tornou o conselheiro informal do CEO da empresa na qual trabalha exatamente porque conseguiu captar tão bem as necessidades do big boss que nenhum dos quatro diretores goza credibilidade semelhante na hora de defender uma ideia ou projeto.
Mas, como ser visto como um líder servidor por quem é seu par na organização? Não existe outro caminho senão transmitir sinais evidentes do “tamu junto”. Muitas vezes as pessoas querem as mesmas coisas dentro das empresas, só que transmitem suas boas intenções de forma equivocada. Isto é, parecem jogar contra.
Existe um ditado que diz: “querer sempre estar certo é o primeiro passo para conseguir um divórcio”. Se estendermos esta mesma ideia para o trabalho colaborativo com quem não está nem acima nem abaixo de nós na estrutura organizacional, não tenha dúvidas de que às vezes é preciso recuar, mesmo que a razão esteja do nosso lado.
Como você já deve ter percebido, a liderança servidora não tem nada a ver com modernas técnicas administrativas. Trata-se tão somente de uma filosofia universal na qual o líder se interessa de verdade pelas pessoas independentemente da cadeira que elas ocupam na empresa. E até mesmo quando elas não sentam em cadeira alguma.
Você até pode se fazer de garçon da galera no próximo churrasco da empresa ou então quebrar o galho do chefe num dia qualquer, mas se este tipo de gesto for decorrente de benevolência arquitetada, não acredite que se tornou o modelo de líder servidor. Ter espírito de servir é, em seu íntimo, fruto da disposição de se doar ao próximo incondicionalmente e não uma estratégia manipuladora para conseguir das pessoas aquilo que se quer.

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