Ética e Liderança Cristã: Vida Pessoal
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quinta-feira, 19 de julho de 2018

Limites: você sabe reconhecer os seus?


Por Ricardo Pereira(*)

Você conhece os seus limites? Ou espera que a vida te mostre quais são? Muitas vezes achamos que somos como o super homem ou a mulher maravilha e vamos acumulando tarefas e obrigações sem nos dar conta de que, sim, somos somente seres humanos.
Quando tudo está bem, é fácil fazer mais uma coisinha aqui, outra ali, e de repente, quando menos nos damos conta, o acúmulo destas coisas ficou tão grande que a vida não está mais equilibrada, e aí é hora de parar. Acredito que você já tenha passado por momentos assim, não é? E como descobriu que já havia ultrapassado os limites de um equilíbrio saudável?
Eu costumo fazer muita coisa ao mesmo tempo. Brinco que minha mente está sempre trabalhando e pensando em novas ideias e projetos. Também não gosto de ficar parada fisicamente. Volta e meia preciso sair, dar uma caminhada, fazer alguns exercícios. Gostaria de encontrar mais amigos, mas muitas vezes a correria impede. Porém, nos últimos dias, o excesso de atividades acabou me levando a parar de forma compulsória. Fiquei dois dias sem poder realizar muita coisa e isso me serviu para repensar o que estava fazendo de errado. A resposta: limites, ou melhor, a falta deles.
Na ânsia ou empolgação por realizar tantas atividades legais ao mesmo tempo, simplesmente esqueci de que sou apenas humana, e que, sim, muitas vezes é preciso parar e me adequar ao que posso fazer sem prejuizo ao meu equilíbrio físico e emocional. Tenhamos certeza de que se a gente não sabe impor limites a si mesmo, a vida o fará. E às vezes nem demora muito! Aliás, agradeça quando não demorar muito, porque aí dá mais tempo de acertar as pontas antes!

Parada compulsória
Quanta gente que trabalha feito louca, sem horas de descanso nem momentos de lazer com a família, de uma hora para a outra descobre que está doente e precisa parar compulsoriamente? Essas historias são super comuns. E depois, em geral, estas mesmas pessoas saem dessa fase mais equilibradas, dando mais valor à qualidade de vida, tempo livre e equílibrio em tudo que fazem?
Estes momentos também servem para nos mostrar que não somos insubstituíveis na maioria dos casos. Quando eu tinha minha agência de comunicação, alguns anos atrás, também aconteceu comigo. Cuidava de tantas coisas ao mesmo tempo e achava que não poderia parar. Mas aí tive que ficar quieta no meu canto por cerca de duas semanas por questões de saúde, e percebi que tudo continuou. Nessas horas sempre aparecem as melhores pessoas e a ajuda certeira para fazer a vida seguir. E aí resta olharmos de camarote, para que, de uma próxima vez, tenhamos a sabedoria de parar antes de ultrapassarmos os nossos limites, e a humildade de reconhecer que o mundo gira, mesmo quando estamos parados.

Dê limites para os outros também
Algo importante que costuma acontecer é que, em geral, pessoas que fazem muitas coisas ao mesmo tempo e assumem muitas responsabilidades para si, também acabam deixando a porta aberta para surgirem ainda mais coisas e responsabilidades em suas costas. É como se houvesse uma plaquinha em suas testas onde estaria escrito algo assim: “Pode deixar comigo. Eu dou conta de mais essa tarefa”. Só que não pode ser desta forma.
Muitas vezes aquela tarefa curta de meia hora que você topa fazer de última hora é exatamente a meia hora de descanso que você planejava ter, percebe? Portanto, é preciso dar limites para os outros também, saber dizer “não” sem culpa, ou simplesmente explicar que no momento não é possível, mas podem conversar de novo adiante. Tudo é uma questão de equilíbrio!
É claro que muito do que coloquei aqui depende da fase de vida em que estamos. Há momentos em que precisamos dar tudo de nós, fazer o melhor que pudermos para as coisas funcionarem bem. Se você está com um projeto novo e importante, se acabou de ter bebê, se está trabalhando e estudando para terminar logo a faculdade e ganhar mais… talvez sejam momentos onde provavelmente terá que ultrapassar um pouco os limites e se dedicar mais, dormir menos, deixar a balança pender um pouco mais de um lado do que de outro. Mas esse tipo de coisa não pode ser constante, percebe? É preciso que, após essa fase, exista uma outra de maior equilíbrio para recarregar as energias.
Espero que este artigo de hoje sirva para lembrá-lo que, apesar de às vezes não parecer, você precisa e merece um pouco de descanso também. E deve parar aquele momento necessário para refletir o que anda saindo do controle. Lembre-se que se não fizer isso voluntariamente, em algum momento a vida acaba lhe cobrando, portanto, alguns minutinhos para repensar e colocar a rotina em ordem parecem ser a fórmula mais adequada para conseguir os melhores resultados, concorda? Boa sorte e muito equilíbrio!

(*) Educador financeiro, palestrante, Sócio cofundador do Dinheirama e autor do livro "Dinheirama" (Blogbooks), trabalhou no Banco de Investimentos Credit Suisse. No Twitter: @RicardoPereira E no Linkedin: Ricardo Pereira

Publicado originalmente em Dinheirama

segunda-feira, 28 de dezembro de 2015

Liderando como Deus quer

O pastor deve manter-se longe dos perigos que ameaçam a integridade de seu ministério.
por Russel Shedd(*)

Samuel, filho do pastor da igreja da qual eu era membro, conversava com seus colegas da escola sobre a importância das profissões dos seus pais. Um gabava-se: “Meu pai é químico; ele descobre produtos úteis para a sociedade”. Outro dizia: “O meu é engenheiro. Ele constrói pontes e estradas”. Notando o silêncio de Samuel, os colegas perguntaram-lhe: “E o seu pai, o que ele faz?” O adolescente encolheu os ombros, meio encabulado, e confessou: “Meu pai não faz nada – somente fala.”
Acredito que muitos pastores repassam a impressão geral de que o líder de uma igreja tem uma vida isenta de responsabilidades mais pesadas. Um colega, certa vez, me contou como chegara a escolher a carreira de pastor. Quando jovem, ele passava na frente da casa de um ministro do Evangelho. Observava que ele pulava da cama depois das nove horas da manhã e, depois, seguia uma rotina bem suave – ia pescar quando lhe convinha, conversava alegremente com os amigos, era constantemente convidado para as celebrações das famílias da igreja. Nas horas mais vagas, preparava uma homilia de vinte minutes para o culto nos domingos. O jovem percebeu que aquele pastor era honrado na sociedade e recebia um salário bom, e esta foi a vida que escolheu para si.
Não me admirei em ouvir, tampos depois, que aquele jovem, já guindado à condição de pastor, havia se divorciado da esposa e seduzido a mulher de um líder da sua igreja. Acabou saindo do país com ela, indo pastorear uma igreja no exterior, onde, quem sabe, a história se repetiria. Acabei perdendo contato com aquele “pastor lobo”, vestido de pele de ovelha.
Como ele, há muitos e muitos por aí. Pastores que não fazem caso das exigências bíblicas para o pastorado, especialmente aquela que requer que o bispo seja “irrepreensível”(registrada em I Timóteo 3.2), são uma ameaça para a igreja! O mais devastador dos perigos do ministério é a falta de integridade, quando o pastor prega aquilo que não vive e ilude os membros da igreja, fingindo ser um homem chamado por Deus. Quando a igreja não tem um padrão de qualidade e não requer de seu pastor que preste contas a alguém, há o perigo da preguiça. Gastar pouco tempo com Deus ou imaginar que um curso de seminário é suficiente para o pastoreio não qualifica ninguém para o ministério. Muitos pastores pensam que nada mais é exigido do pregador senão de colecionar um acervo de boas histórias e ler um texto da Bíblia para logo esquecê-lo, sem se preocupar com o sentido da passagem ou como as Sagradas Letras deveriam ser aplicadas às vidas de seus ouvintes.

GRANDE OBRA
O professor de um seminário pediu que seus alunos procurassem saber dos membros de suas igrejas o que achavam das pregações dos seus pastores. O consenso colhido foi o de que os pastores leem a Bíblia, mas não a explicam, nem aplicam o texto para a vida diária das pessoas. Outra conclusão do estudo foi a impressão generalizada de que os líderes têm mais interesse nos negócios das igrejas do que na vida espiritual dos membros.
Robert Murray McCheyne, um jovem pastor de Dundee, na Escócia, e muito usado por Deus, disse: “A grande obra do pastor, na qual deve depositar as forças do seu corpo e mente, é a pregação. Por mais fraco, passível de menosprezo, ou louco (no mesmo sentido como chamaram a Paulo de louco) que possa parecer, este é o grande instrumento que Deus tem em suas mãos e para que, por ele, pecadores sejam salvos e os santos sejam aptos para a glória. Aprouve a Deus, pela loucura da pregação, salvar aos que creem. Foi para isso que o nosso bendito Senhor dedicou os poucos anos de seu próprio ministério – e esta foi a grande obra de Paulo e de todos os apóstolos. Por isso, Jesus nos deu este mandamento: ‘Ide por todo o mundo e pregai o Evangelho’.” Com efeito, o sucesso eterno do ministério de qualquer pastor será medido pelo poder de sua pregação. Comentou Cotton Mather: “O desenho e intenção principal do pregador é restaurar o trono e domínio de Deus nas almas dos homens.”
Outro perigo envolve as finanças do pastor. Raras vezes seu salário tem alguma folga. O cartão de crédito parece ser uma providência divina para adquirir “necessidades” que estouram o orçamento. Parece que o pastor acredita que os membros têm a responsabilidade de socorrer ministros que gastam mais do que recebem. Acontece que o que parece ao pastor ser uma necessidade não convencerá os membros da comunidade, que via de regra vivem com salários inferiores ao que seu pastor recebe. Se o dinheiro é a motivação, sua alegria não virá do ministério, mas das coisas que pode comprar. Paulo combate esta ameaça, dizendo: “Não devam nada a ninguém, a não ser o amor de uns pelos outros” (Romanos 13.8). A integridade do pastor se reflete na honestidade com que trata o dinheiro da igreja.
Uma pesquisa feita na escola de missões do Seminário de Fuller, nos Estados Unidos, sobre a vida de 900 líderes evangélicos, tanto na história como no presente, revelou que eles reconhecem que a autoridade espiritual é a base principal do poder, isto é, o impacto de um ministério que transforma vidas depende da intimidade que o líder tem com Jesus. Essa intimidade se nutre através de pureza pessoal, adoração e uma vida fiel de oração. Uma das principais ameaças do ministério se revela no profissionalismo que busca sucesso de outras fontes de poder. O líder cristão pode decidi raprimorar-se na psicologia, na oratória ou com conhecimentos intelectuais. Contudo, em qualquer outro foco de um ministério faltará a vitalidade que somente o Espírito Santo é capaz de suprir. O exemplo do apóstolo Paulo nos desafia a todos: “Aprendi o segredo de viver contente em toda e qualquer situação, seja bem alimentado, seja com fome; tendo muito, ou passando necessidade” (Filipenses 4.12).
Muitos ministros não sentem que a tentação sexual possa ser problema. Pensam que esse tipo de atração pode ser perigosa para os outros, mas não para eles. No entanto, a lamentável frequência com que os escândalos têm abalado a reputação das igrejas evangélicas sinaliza para a necessidade de cuidados especiais. Paulo advertiu seu filho na fé nos seguintes termos: “Fuja dos desejos malignos da juventude” (II Timóteo 2.22). Prevenção requer um plano eficaz para repelir as tentações que assolam a vida de muitos pastores. O texto coloca justiça, fé, amor e paz e, especialmente, a companhia de pessoas que, de coração puro, invocam o Senhor como baluarte contra a atração sexual pecaminosa.
A internet tem trazido para dentro de casa a possiblidade de contaminar o coração do pastor com a pornografia. Ainda que poucos ministros confessem esse vício secreto, a praga moderna ameaça a estabilidade de muitas famílias e o relacionamento de pastores com suas igrejas. Qualquer líder que não mantém a fé e a boa consciência enfrenta o perigo de “naufragar na fé”, conforme Paulo admoesta a Timóteo. Jesus ensinou que os puros de coração são felizes porque eles verão a Deus. E que dizer do que maculam suas mentes com pornografia?

AVALIAÇÃO CONSTANTE
De minhas muitas décadas de ministério pastoral, tenho aprendido, continuamente, a desenvolver disciplinas pessoais e espirituais que podem nos manter a salvo na questão da integridade sexual. Em primeiro lugar, é preciso avaliar nossa condição espiritual regularmente, sabendo que a falta de oração e comunhão com Deus é fatal. Em segundo lugar, o pastor precisa manter um casamento de qualidade, com comunicação, evitando sentimentos de descontentamento, pobreza no relacionamento sexual e frieza na intimidade. Não se pode ser omisso na busca por um bom relacionamento espiritual e emocional. Além disso, é necessário, sempre, demonstrar respeito e amor, as chaves de um casamento saudável. O servo do Senhor também precisa tomar precauções básicas, fugindo de qualquer pessoa que o atraia sexualmente e evitando aconselhamentos com pessoas do sexo oposto sem a presença do cônjuge. A descoberta de um bom amigo com quem se possa abrir o coração para revelar qualquer sentimento que não seja puro e saudável deve ser uma prioridade. Por fim, deve-se ter em mente, sempre, o poder destrutivo que uma queda no pecado sexual tem sobre ministério abençoado por Deus.
Na lista de qualificações que o pastor deve ter, Paulo inclui o governo da família. O líder deve ter “os filhos sujeitos a ele”. “Se não sabe governar sua própria família, como poderá cuidar da igreja de Deus?”, questiona o apóstolo (I Timóteo 3.4,5)? Na cultura brasileira, muitos pais não exigem a obediência dos filhos. O individualismo reina de tal modo que os pais chegam a se cercar de cuidados para não contrariar seus filhos. Todavia, a Bíblia ensina com clareza que filhos e pais são pecadores. Todos necessitam disciplina para aprender a obedecer aos pais, tal como os pais precisam de disciplina bíblica para submeter-se a Deus. Por isso, Paulo faz a conexão do líder responsável pela igreja e a responsabilidade de chefiar a família.
Algumas qualificações são mais determinantes do sucesso no ministério do que outras. Acredito que a que mais importa para o pastor é o amor pelas pessoas e sua humildade, além de coragem. Jesus convidou os cansados e sobrecarregados a aprender dele a se tornaram humildes e mansos (Mateus 11.29). Se Jesus Cristo for realmente o modelo que norteia o ministério, não há que se duvidar de que essa qualidade tenha importância singular. Alguns pastores esquecem que são ovelhas que também precisam do pastoreio do Bom Pastor (I Pedro 5.4). Essa atitude de altivez é especialmente perigosa nos tempos em que vivemos, nos quais o sucesso ministerial é medido por números e marcas externas de uma igreja. Jesus não teve um sucesso notável ou popularidade. Tanto, que ele rejeitou a proposta do povo, que queria aclamá-lo como rei (João 6.14).
Os líderes de igrejas no presente século percebem que a liderança de uma comunidade de maneira bíblica ficou mais difícil. Mas aqueles que combatem o bom combate, pregando a Palavra e guardando a fé, receberão a coroa da justiça que o Senhor, o justo juiz, lhes dará no dia final. O ministro que combater para vencer, como o apóstolo Paulo lutou, receberá a recompensa prometida na vinda do Senhor.

Russel Philip Shedd é doutor em teologia com estudos de pós-doutorado em Novo Testamento, escritor e conferencista. Americano radicado no Brasil desde 1962, é presidente emérito de Edições Vida Nova e missionário aposentado da missão World Venture.

Publicado em Cristianismo Hoje




quinta-feira, 7 de maio de 2015

Síndrome de Burnout



Estudo mostra que cerca de 1.500 pastores abandonam o ministério pastoral todos os meses.


A saúde dos líderes pastorais tem sido colocada em cheque constantemente por uma série de males que têm acometido vários pastores nos últimos dias. Os pastores lutam com desafios espirituais em sua essência, mas, não se limitam a estes. Como sujeitos “bio-fisio-psico-sócio-espirituais” lidamos o tempo todo com outros indivíduos que mantém a mesma complexidade. Desta dinâmica de relacionamentos uma série de males pode emergir.
Dentre as doenças que têm sido diagnosticadas existe uma sobre a qual eu nunca havia ouvido falar até a pouco tempo. É a chamada “Síndrome de Burnout”, um mal que parece ter sido feito sob medida para os líderes pastorais que tem na ministração a outros a sua marca de trabalho.
Pregar, ensinar, liderar, aconselhar, visitar, consolar, encorajar, corrigir, planejar, mediar etc. São tarefas que têm tudo a ver com a possibilidade do líder sofrer desta síndrome. Já foi constatado em pesquisas que os profissionais expostos a altos níveis de estresse e aqueles que trabalham em funções em que precisam se doar mais como pessoas são os que mais apresentam este mal.
Os pastores têm todo o perfil para serem vítimas comuns dessa síndrome. Podemos traduzir a palavra “burnout” como “combustão completa”, ou seja, algo queimado totalmente. Psicologicamente falando este termo se aplica a uma situação de completa exaustão e entrega ao desencorajamento.
Este termo pode ser aplicado ao pastor quando este se vê “queimado” com reflexos espirituais, emocionais e físicos. Este mal é terrível e infelizmente temos de constatar que muitos colegas já estão sofrendo dele. Há muitos líderes “queimados”, que já há muito tempo têm revelado sintomas dessa síndrome, talvez eles mesmos não notem, mas quem está ao seu redor sim!
Outro dia atendi um pastor de outra denominação no gabinete que chegou apresentando exatamente os sintomas dessa síndrome. Ele chegou ao ponto de dizer que, em determinados momentos, tinha vontade de jogar o carro no poste. Graças a Deus hoje ele está bem. Nenhum pastor está livre disso.

Quais são os sintomas dessa síndrome?

Segundo estudiosos os principais sintomas são:

  • Exaustão emocional com uma profunda falta de estímulo profissional. As perspectivas se perdem, os sonhos são abandonados e a ansiedade ganha espaço.
  • Despersonalização com uma insensibilização diante de tudo e de todos ao redor. O pastor veste uma couraça de auto-proteção diante das tensões interpessoais e circunstâncias do dia-a-dia laboral.
  • Perde-se a capacidade de produzir criativamente e as tarefas que ainda continuam sendo feitas se transformam em simples obrigação e rotina.
  • Apresenta comportamento agressivo e irritadiço sem motivo aparente e um mau humor frequente.
  • Sentimento de baixa realização e desencorajamento profissional com uma avaliação muito negativa sobre si mesmo.
  • Sentimento de derrota e abatimento também são comuns.
  • Além disso tudo, ainda pode surgir a depressão e dores.

Pela natureza do trabalho, os pastores estão na linha de frente daqueles que podem sofrer da “Síndrome de Burnout”. Um pastor acometido dessa síndrome irá gerar problemas para si mesmo, para sua família e para as pessoas a quem tem de ministrar.

Como podemos buscar prevenir este mal?

Penso que não uma, mas muitas ações são indicadas para prevenção:

  • descanso frequente, férias e passeios,
  • um sono reparador(dormir sempre no mesmo horário. Sono de 7 horas no mínimo),
  • a prática de um hobbie ou esportes saudáveis e contínuos,
  • uma alimentação correta,
  • uma saúde em dia,
  • uma visão de si mesmo equilibrada,
  • a manutenção de expectativas realistas em relação si mesmo e ao ministério,
  • o compartilhar contínuo de fardos,
  • uma vida devocional coerente,
  • o desenvolvimento de amizades verdadeiras,
  • uma divisão mais equitativa de horários(tempo para lazer, alimentação, família etc),
  • a quebra eventual da rotina de vida,
  • o não acumulo de emoções negativas,
  • mudanças na vida sempre que possíveis e necessárias,
  • o desfrutar de aspectos mais simples da vida como um abraço de um filho, o carinho da esposa e o sorriso de um amigo leal,
  • uma caminhada em um local tranquilo,
  • uma leitura por prazer, etc.

Tudo isso pode cooperar. Se você percebe que está sofrendo desse mal, não se desespere, procure ajuda, há cura. Não tenha vergonha de abrir o coração com alguém que de fato possa lhe ajudar neste momento. Sua vida é muito preciosa para ser “queimada”.
Talvez a pior consequência da “Síndrome de Burnout” seja a possibilidade de nos levar a perder a capacidade de descansar no Senhor, mas é ai que reside a base para a prevenção e a cura desse mal.
Se como pastores estamos na linha de frente para sermos pegos por este mal, por outro lado, temos ao nosso dispor o maior recurso do universo para sermos sarados - a mão de Jeová-Rafa estendida em nossa direção.
Que Ele nos abençoe, nos guarde e nos cure.

Pr. Ednilson C. de Abreu e Centro de apoio a família.

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O jornalista Marcelo Brasileiro publicou uma matéria na revista Cristianismo Hoje na qual falou sobre a quantidade crescente de pastores que abandonam o ministério pastoral por não suportarem as cobranças que esse sacerdócio exige.
A reportagem aponta pesquisas como a realizada pelo ministério LifeWay, que aponta que apesar de se sentirem privilegiados pelo cargo que ocupavam (item expresso por 98% dos entrevistados), mais da metade dos pastores entrevistados, ou 55%, afirmaram que se sentiam solitários em seus ministérios e concordavam com a afirmação “acho que é fácil ficar desanimado”.
Outra pesquisa sobre o tema é a do Instituto Francis Schaeffer, que revelou que, no último ano, cerca de 1,5 mil pastores têm abandonado seus ministérios todos os meses por conta de desvios morais, esgotamento espiritual ou algum tipo de desavença na igreja. Em uma das maiores denominações pentecostais do país, a Igreja do Evangelho Quadrangular (IEQ), cerca de 70 pastores saíram da igreja por mês desde o ano passado.
Não se trata de pessoas que abandonam a fé cristã, mas de líderes que deixam o púlpito por não suportarem o as exigências do cargo.
Temos como exemplo o pastor José Nilton Lima Fernandes, 41 anos, que durante todo o ano de 2011 esteve de licença e afirma que essa experiência lhe mostrou que é possível servir ao ministério pastoral sem estar dirigindo uma igreja. “Não acredito mais que um ministério pastoral só possa ser exercido dentro da igreja, que o chamado se aplica apenas dentro do templo. Quebrei essa visão clerical”, explica.
“Eu entrei num processo de morte. Adoeci e tive que procurar ajuda médica para me restabelecer”, completou o pastor, que conta ter pedido licença da sua função na Igreja Presbiteriana Independente (IPI) no final de 2010, depois de quase 15 anos enfrentando problemas.
Atualmente Nilton retomou seu trabalho como pastor em uma IPI da zona leste da capital paulista.

quinta-feira, 7 de agosto de 2014

Chamados para sermos íntegros, não perfeitos!


José Roberto Cristofani

O tema da "perfeição cristã" foi amplamente discutido por John Wesley.
Em um longo tratado Wesley apresentou a tese, as questões dela derivadas e as respostas às objeções feitas sobre o assunto. Basicamente, Wesley defendeu a ideia de que o cristão pode e deve buscar a perfeição pelo processo de santificação. Ele cria que se uma pessoa pudesse ficar um minuto sem pecar, ela poderia ficar dois, depois três e assim por diante. Ressalto, entretanto, que a questão, como apresentada por Wesley, é bem mais complexa e profunda do que apresentada aqui. Por hora basta colocá-la assim.
Muitos aspectos desta ideia wesleyana ainda são correntes nos dias de hoje no meio cristão. Bem como muitos questionamentos sobre se é possível nos tornarmos perfeitos ou não. O debate prossegue.
Para o nosso propósito aqui, é suficiente destacar o estreito vínculo que foi estabelecido entre "perfeição" e "pecado". Este vínculo reduziu a questão ao seu aspecto teológico, apenas. Em tese, ser perfeito é estar sem pecado. Será mesmo possível alguém chegar a tal estado de "perfeição"? A discussão não tem fim.

Retradução da palavra perfeito
"Completo serás para com o Senhor teu Deus". Dt 18:13. Ao retraduzir o texto de Deuteronômio 18.13 encontro pistas valiosas para uma nova abordagem do texto. A retradução deste versículo abre uma janela de novas possibilidades para iluminar um caminho possível. Vejamos:

"Completo serás para com o Senhor teu Deus"
A diferença é enorme. Entre "perfeito" (que não tem defeitos; ideal; impecável) e "completo" (que contém todos os elementos necessários; inteiro, acabado) existe uma grande diferença, mesmo em português.
Outras traduções possíveis para a palavra hebraica (tamim) usada no texto de Deuteronômio 18.13 seguem abaixo:
You must walk blamelessly before the Lord your God. (Você deve andar sem culpa diante do Senhor seu Deus.) The Living Bible
You must remain completely loyal to the Lord your God. (Você deve permanecer completamente leal ao Senhor seu Deus.) NRSV
Serás íntegro para con Jehovah tu Dios. (Será íntegro para com Jeová teu Deus.) RVA
Sé íntegro en tu trato con el Señor, tu Dios; (Seja íntegro em seu trato com o Senhor teu Deus;) Biblia del Peregrino
You must be "wholehearted" with the Lord your God. (Você deve ser "completa e sinceramente devotado, determinado, entusiasmado, marcado pelo completo compromisso, livre de toda reserva e hesitação" com o Senhor seu Deus.) Tanakh
O foco dessas traduções do vocábulo "tamim" gira ao redor do campo semântico de: lealdade, integridade, sinceridade. Ademais, a mesma palavra "tamim" é usada para descrever anos completos (Gênesis 47.18); sacrifícios de animais saudáveis (Levítico 22.21-22); inteireza do galho da videira (Ezequiel 15.5); discurso verdadeiro (Amós 5.10); construções terminadas (1 Reis 6.22); cumprimento da destruição do povo (Números 14.33).
Como podemos ver, os indicativos do uso deste termo apontam sempre para a ideia de completude, algo inteiro, aquilo que tem todas as partes e nada falta. Sendo utilizado para diversos âmbitos da vida, tais como: o calendário, as práticas religiosas, os objetos, a comunicação, o trabalho, o conflito etc.
Com esta compreensão em mente, podemos entender melhor como algumas pessoas no Primeiro Testamento foram consideradas "perfeitas", isto é, "completas". São exemplos: Noé (Gênesis 6.9 - Eis a história de Noé. Noé era homem justo (tsadiq) e íntegro (tamim) entre os seus contemporâneos; Noé andava com Deus.); Abrão (Gênesis 17.1 - Quando atingiu Abrão a idade de noventa e nove anos, apareceu-lhe o Senhor e disse-lhe: Eu sou o Deus Todo-Poderoso; anda na minha presença e sê perfeito (tamim).); Davi (2 Samuel 22.24 - Também fui inculpável (tamim) para com ele e me guardei da iniquidade.).
Também temos Jó que é chamado de "íntegro" (Jó 1.1 - Havia um homem na terra de Uz, cujo nome era Jó; homem íntegro (tam) e reto, temente a Deus e que se desviava do mal.). Obviamente que aqui é usada outra palavra "tam". Mas ela é sinônima de "tamim" e "tom" (que significa "integridade").
É importante observar que tanto Noé como Abrão, Davi e Jó, entre outros, não eram "perfeitos" em qualquer sentido. Porém, foram "completos" em seus relacionamentos com o Senhor e com as pessoas da sua geração.
Portanto, traduzo "tamim" em Deuteronômio 18.13 por "Completo" resgatando o sentido de integralidade do ser humano. Recolocando, assim, a exigência bíblica dentro da sua semântica original, a saber, que a pessoa deve relacionar-se com o Senhor de forma íntegra.
"Sede vós completos como completo é o vosso Pai celeste" Mt 5:48
A versão Almeida Revista e Atualizada traduz o texto de Mateus 5.48 da seguinte maneira:
"Portanto, sede vós perfeitos como perfeito é o vosso Pai celeste."
O vocábulo em questão é "teleios", traduzido, aqui, por "perfeito". Opção adotada pela grande maioria das versões em diversas línguas. Por exemplo:
Vós, portanto, sereis perfeitos, como é perfeito vosso Pai celeste. TEB
Portanto, sejam perfeitos como perfeito é o Pai celestial de vocês. NVI
Sed pues perfectos como vuestro Padre del cielo es perfecto. (Sede, pois, perfeitos como vosso Pai do Céu é perfeito. Biblia del Peregrino
A palavra "teleios" significa algo completo, indivisível. Aquilo que tem a totalidade como seu componente principal. É o contrário de parcial ou de limitado. É a medida das coisas cheias, completas, inteiras.
Quando usamos o termo "teleios" para pessoas, queremos indicar que a mesma é madura, desenvolvida. Sendo contrária a imaturidade, a palavra é usada para descrever pessoas espiritualmente maduras. Desenvolvidas inteiramente, completamente preparadas e prontas para relacionamentos e ações responsáveis. O Segundo Testamento faz uso de "teleios" em diversas ocasiões. As passagens mais relevantes, para o nosso propósito, são:
Disse-lhe Jesus: Se queres ser perfeito (teleios), vai, vende os teus bens, dá aos pobres e terás um tesouro no céu; depois, vem e segue-me. (Mateus 19.21)
Entretanto, expomos sabedoria entre os experimentados (teleios); não, porém, a sabedoria deste século, nem a dos poderosos desta época, que se reduzem a nada; (1 Coríntios 2.6)
Irmãos, não sejais meninos no juízo; na malícia, sim, sede crianças; quanto ao juízo, sede homens amadurecidos (teleios). (1 Coríntios 14.20)
Até que todos cheguemos à unidade da fé e do pleno conhecimento do Filho de Deus, à perfeita (teleios) varonilidade, à medida da estatura da plenitude de Cristo (Efésios 4.13)
Saúda-vos Epafras, que é dentre vós, servo de Cristo Jesus, o qual se esforça sobremaneira, continuamente, por vós nas orações, para que vos conserveis perfeitos (teleios) e plenamente convictos em toda a vontade de Deus. (Colossenses 4.12)
Mas o alimento sólido é para os adultos (teleios), para aqueles que, pela prática, têm as suas faculdades exercitadas para discernir não somente o bem, mas também o mal. (Hebreus 5:14)
Ora, a perseverança deve ter ação completa (teleios), para que sejais perfeitos (teleios) e íntegros (holokleros), em nada deficientes. (Tiago 1.4). Aqui "íntegros" traduz "holokleros", sinônimo de "teleios".
Porque todos tropeçamos em muitas coisas. Se alguém não tropeça no falar, é perfeito (teleios) varão, capaz de refrear também todo o corpo. (Tiago 3.2)
Como podemos ver pelos exemplos transcritos, o campo semântico de "teleios" é bastante similar ao de "tamim". Fala-se, nos textos, sobre completude, indivisibilidade, integridade, inteireza etc.
Assim, ao traduzir Deuteronômio 18.13 por "Completo serás para com o Senhor teu Deus" e Mateus 5.48 por "Sedes completos como é completo o vosso Pai celeste.", quero expressar a compreensão de que não se trata de "perfeição cristã" ou de qualquer outra espécie de perfeição. Mas expressa a integralidade do ser humano diante de Deus e de seus semelhantes.
Portanto, o que os textos bíblicos enfatizam é um estado permanente de desenvolvimento e aprendizagem dos valores do Reino de Deus e da busca pela maturidade pessoal íntegra.

Reprodução Autorizada desde que mantida a integridade dos textos, mencionado o autor e o site http://www.institutojetro.com

domingo, 13 de julho de 2014

Escutatória

Em 1707, o almirante britânico Clowdisley Shovell voltava triunfante para casa após vencer uma importante batalha com os franceses no Mediterrâneo, quando seus navios tiveram que enfrentar um forte e denso nevoeiro por vários dias. Ao questionar os marujos sobre a localização correta dos navios, foi tranquilizado com a notícia de que estavam numa rota segura, porém, um deles expressou uma opinião completamente diferente que, de acordo com seus cálculos, eles estavam numa rota que poderia ser fatal, já que seguiam em direção a um arquipélago de 150 minúsculas ilhas a sudoeste da Inglaterra.
Inconformado com a ousadia do marujo, além de ignorar suas recomendações, o almirante ordenou seu enforcamento. Pouco tempo depois, quatro navios se espatifaram nas ilhas citadas pelo marujo, matando cerca de dois mil homens.

Por que será que encontramos tantos cursos de oratória, e nenhum de “escutatória”?
Eu acredito que seja pelo fato de que o ato de falar dá muito mais “status” do que escutar. Um bom orador consegue a atenção e admiração de muitas pessoas em poucos minutos, enquanto um bom “escutador” pode levar horas ouvindo uma única pessoa, sem muito glamour. Contudo, alguém já disse que ouvir é tão importante, que foi esta a razão de Deus nos haver criado com dois ouvidos e não duas bocas, por isso, em liderança, não há como obter os melhores resultados sem escutar verdadeiramente as pessoas a sua volta.
E a escuta verdadeira é a escutar empática, que vai muito além de ouvir com os ouvidos, porque o leva a colocar-se no lugar da outra pessoa, compreender sua realidade e tentar entender o que ela sente; algo imprescindível para uma o bom líder, já que uma das principais características da liderança é a empatia.
No início, pode parecer complicado, mas, como a maioria das competências de liderança, a escuta empática depende apenas do genuíno interesse do líder pelas pessoas, de um pouco de boa vontade e de certa dose de disciplina. Por isso, compartilho com vocês algumas iniciativas de meus clientes de coaching, que deram certo e os ajudaram a desenvolver a escuta empática:

Quando se reunir com alguém para conversar, procure fazê-lo em ambientes em que você não se distraia ou se disperse. Se você sabe que tem dificuldade para se concentrar em ambientes abertos, busque um lugar mais apropriado para a conversa. Seja qual for o local onde estiver conversando, desligue-se de tudo. Se estiver em sua sala, feche a porta, desligue a tela do computador ou desative o alarme de “novos e-mails”, se possível tire o telefone do gancho ou desvie as ligações, desligue o celular, vire-se em direção à pessoa, olhe para ela e escute-a com atenção. Pare o que estiver fazendo e escute. Se isso não for possível no momento, ou se você não tiver tempo suficiente para conversar sobre o assunto em questão, marque outro horário, mas faça do jeito certo.

Concentre-se no que a outra pessoa estiver dizendo.
A maior parte dos indivíduos fala numa velocidade entre 175 a 200 palavras por minuto. Entretanto, pesquisas mostram que somos capazes de processar palavras numa velocidade de 600 a 1.000 palavras por minuto. Como o papel do líder é muito dinâmico e complexo e, considerando que o cérebro não utiliza toda a sua capacidade ao ouvir, sua mente talvez devaneie pensando em perguntas e explicações que ainda estão por vir, em vez de ouvir a mensagem presente. Essa energia mental não utilizada pode ser uma barreira para ouvir efetivamente, fazendo com que o líder perca ou mal interprete o que os outros estão falando. É importante, portanto, que o líder se concentre naquilo que os outros estiverem dizendo, de forma que uma comunicação efetiva possa se estabelecer.

Evite conclusões prematuras.
Considerando que o ouvinte pode escutar em uma velocidade maior que aquela com que a maior parte dos locutores fala, existe uma tendência a concluir rápido demais. Essa tendência talvez seja o maior obstáculo para ouvir efetivamente. É especialmente importante evitar conclusões prematuras, quando se ouve uma pessoa com a qual você não concorda. Quando os ouvintes começam a discordar da mensagem enviada, eles tendem a interpretar mal o restante da informação e a distorcer o significado originalmente pretendido, de forma que se torne consistente com as suas próprias crenças.

Evite ficar na defensiva.
Escutar empaticamente não significa que você sempre vai concordar com o ponto de vista do outro, mas significa que você vai tentar ouvir o que a outra pessoa está dizendo, sem ficar exageradamente na defensiva. Se você gasta muito tempo explicando, elaborando e defendendo sua decisão ou posição, é um claro sinal de que você não está ouvindo. Depois de ouvir uma posição ou uma sugestão que você não concorda, simplesmente responda com algo do tipo: “Entendo o seu ponto. Apenas discordamos nessa questão.” Ouvintes efetivos podem ouvir calmamente outra pessoa, mesmo quando essa outra pessoa estiver discorrendo críticas injustas.

Ouça mais e fale menos.
Demonstre interesse pelo que a pessoa está dizendo e procure entendê-la. Muitas vezes, o simples fato de estar prestando a atenção nela o ajudará a perceber sinais e expressões que falam mais que as palavras, ainda que ela não revele o que a está incomodando diretamente. A forma como a pessoa se posiciona, o tom de sua voz e a inflexão que utiliza, bem como o que ela está fazendo com as suas mãos, tudo isso faz parte da mensagem que está sendo enviada. Uma pessoa que altera sua voz está, provavelmente, ou zangada ou frustrada. Uma pessoa, olhando para baixo enquanto fala, está, provavelmente, ou inibida ou envergonhada. Interrupções podem sugerir medo ou falta de confiança. Pessoas que fazem contato visual e se inclinam à frente estão, em princípio, exibindo confiança.

Parafraseie.
Parafrasear significa colocar em suas próprias palavras aquilo que você considera que ouviu e dizê-lo de volta a outra pessoa. Parafrasear é uma excelente técnica para melhorar suas habilidades de ouvir e resolver problemas. Primeiro, porque você tem de ouvir com muito cuidado; segundo, porque pode ajudar a manter um nível adequado de calma e serenidade na conversa, porque, mesmo que a outra pessoa esteja usando um tom um pouco mais agressivo, ao parafrasear, você pode conduzir a conversa para um tom mais tranquilo; e terceiro, porque uma resposta parafraseada ajuda a esclarecer ao locutor se sua mensagem foi corretamente recebida, e o encoraja a expandir aquilo que está tentando comunicar.

Faça Perguntas.
Bons ouvintes se asseguram de que escutaram corretamente a mensagem que está sendo enviada. Faça perguntas para esclarecer pontos ou para obter informação adicional. Questões abertas são as melhores. Isso vai assegurar a outra pessoa que você está interessado em obter mais e melhores dados. E, quanto mais informações você tiver, melhor será sua interação na comunicação.

Demonstre compreensão e respeito.
Faça desse momento uma oportunidade para reforçar sua aliança com a pessoa, e para evidenciar que você é um líder que valoriza e prioriza o ser humano.
Momentos de silêncio também fazem parte da conversa. Não tenha pressa em falar, responder ou expressar sua opinião. Se não souber o que dizer, simplesmente não diga, ou apenas diga: “não sei o que dizer”.
Faça desse momento uma oportunidade de aprendizado. Escute as pessoas e se interesse por suas sugestões.

Lembre-se: o corpo fala e as mensagens não verbais são mais poderosas do que as verbais, portanto, evite bocejar, olhar para os lados, menear a cabeça negativamente, ficar olhando no relógio ou se voltar para qualquer outra manifestação que possa denotar pouco interesse pelo que está sendo dito.
Quando escutamos verdadeiramente as pessoas, demonstramos interesse genuíno por elas, derrubamos as barreiras da comunicação e desobstruímos os caminhos da sinergia e da criatividade, já que elas se sentem respeitadas pelo fato de suas sugestões estarem sendo consideradas pelo líder e pela organização e, naturalmente, estarão motivadas a trabalhar por algo que também é fruto da opinião delas. O Líder só consegue dar daquilo que tem, e apenas colherá aquilo que plantou. Portanto, se quer ser ouvido pelas pessoas, tente primeiro ouvi-las.
Líderes que sabem escutar as pessoas, conseguem entendê-las antes de liderá-las, aprendem com elas, evitam que problemas simples ou mesmo complexos se avolumem, estabelecem uma relação de confiança com seus liderados, fortalecem a organização por meio do respeito e da participação e, naturalmente, se tornam mais eficazes em sua liderança.

Blog da Liderança

quinta-feira, 6 de março de 2014

Caráter e Liderança

Oswaldo Luiz Gomes Jacob

Os substantivos caráter e liderança têm tudo a ver.
Caráter significa "um conjunto de características e traços relativos à maneira de agir e de reagir de um indivíduo ou de um grupo. É um feitio moral. É a firmeza e coerência de atitudes". A verdadeira liderança é exercida com o caráter. Sem caráter, é ditadura. Sem caráter é impostura. O caráter define o líder. Jesus exerceu a Sua liderança com autoridade, baseada no Seu caráter, na Sua integridade. Havia coerência entre o que Ele falava e praticava (Mt 7.29). Os escribas e fariseus eram líderes sem caráter. Na vida deles palavras e ações eram desconexas. Jesus os diagnosticou como "sepulcros caiados", ou seja, bonitos por fora, mas podres por dentro.
Exercer a liderança cristã é fazê-lo com a coerência de Cristo Jesus. Ter dignidade. Agir com honestidade, lisura. É dizer sempre a verdade em amor como o Senhor Jesus Cristo fazia excelentemente bem. É ter as características das bem-aventuranças (Mt 5.1-12). O caráter e a coerência de José
Quando olhamos atentamente para a liderança de José do Egito podemos observar o seu caráter íntegro a toda a prova. Um jovem que sofreu nas mãos de Potifar e sua mulher, mas aprendeu com o Senhor grandes lições. Ele percebeu, por um discernimento dado pelo Senhor, que tudo o que ele passou foi de grande valia para o seu povo e para si, deixando também um legado para as outras gerações. Quando ele se revela aos irmãos que o haviam vendido para os mercadores ismaelitas (Gn 37.27,28), disse: "Agora, não vos entristeçais nem guardeis remorso por me terdes vendido para cá; pois foi para preservar vidas que Deus me enviou adiante de vós. Porque já houve dois anos de fome na terra, e ainda restam cinco anos sem lavoura e sem colheita. Deus enviou-me diante de vós, para vos conservar descendência na terra e para vos preservar a vida com um grande livramento" (Gn 45.5-7).
Ele já era o Governador Geral do Egito, abaixo de Faraó. Este testemunho de José me fascina. Um líder autêntico, sem remorso, ressentimento, amargura, mas resolvido, consciente dos propósitos sábios de Javé. José era um líder absorvido pela santidade e fidelidade de Deus. José é um exemplo de coerência ou caráter na liderança. O líder coerente é aquele que tem caráter. Tem palavra. Age como Jesus ensinou: "sim, sim; não, não" (Mt 5.37).

Não podemos divorciar liderança do caráter.
Se queremos ser usados como líderes cristãos e deixarmos um legado que faça toda a diferença, precisamos imitar José. Ser líder é pagar o preço de uma vida de integridade a toda a prova. O líder cristão ora, planeja com os seus liderados, delega responsabilidades, acompanha ou avalia a execução e aprende as lições de todo o processo. Ele vislumbra os resultados coerentes com o caráter de Deus na sua liderança e, como servo, aprende no contexto do Seu Reino. Uma liderança que cresce no solo da transparência tem conteúdo denso para repartir.
Então, não podemos divorciar liderança do caráter. É como uma moeda com dois lados ou como dois papéis colados um no outro. A liderança cristã é eminentemente estigmatizada pelo caráter íntegro, formado na cumplicidade com o Senhor Jesus Cristo, que é maior do que José.
O verdadeiro líder cristão é alguém firme em suas convicções, solidário, empático, servo, encorajador, transparente, resiliente e aglutinador em amor. Ele alinha a equipe em torno de um projeto nobre, catalisador e que beneficiará muitas pessoas. O líder comprometido com Cristo tem prazer em servir às pessoas com profundo amor, se interessando por elas, sua história, e as valorizando, as encorajando e orientando dentro de propósitos que exaltarão a Deus. Vale muito a pena ser um líder de caráter para a Glória de Deus!

Reprodução Autorizada desde que mantida a integridade dos textos, mencionado o autor e o site http://www.institutojetro.com/http://ads.tt/U96L

quarta-feira, 5 de fevereiro de 2014

Marketing Multinível nas igrejas

Sidney Nunes

E, por se multiplicar a iniquidade, o amor de muitos esfriará. (Mateus 24:12)

Estou percebendo algo em nossas igrejas que tem me deixado muito triste. Vejo que muitos crentes tem uma grande dificuldade de participar das atividades regulares da igreja:

1) não podem ir ao culto durante a semana porque estão estudando ou porque passaram um dia difícil de trabalho, ou chegam tarde em casa.
2) não podem participar de um evangelismo no final de semana porque estão cansados de uma semana difícil e, para muitos, é complicado falar com as pessoas, abordá-las, mesmo sendo para falar do amor de Cristo.
3) não podem participar dos ministérios existentes na igreja porque são tímidos.
4) muitas pessoas, não se conhecem porque existe uma dificuldade na comunicação: dificuldade de ir até a pessoa, algumas são introvertidas. Então, acabam os cultos e muitos nem se falam na saída, ou só falam com as mesmas pessoas, aquelas já conhecidas.
5) alguns líderes não tem tempo para visitar as suas ovelhas, estão muitos atarefados.
6) alguns líderes não tem tempo para sair com os irmãos depois do culto, estão sempre com pressa, tem que dedicar mais tempo para a sua família.

Mas essa história está mudando com o marketing multinível!

Quem amar o dinheiro jamais dele se fartará; e quem amar a abundância nunca se fartará da renda; também isto é vaidade. (Eclesiastes 5:10)

Por interesse financeiro:
1) aquele irmão que nunca tinha tempo de ir aos cultos durante a semana, como num milagre, agora tem tempo, não só para ir, mas para até fazer da sua casa, a sede da reunião.
2) aquele irmão que não falava de Jesus para as pessoas porque era tímido, ou não tinha um chamado para isso, agora está falando com todos do seu mais novo produto comercial.
3) aquele irmão que, quando acabava o culto, só falava com os mesmos da sua classe social e financeira da igreja, agora, como uma mágica, e como um político, fala com todos, abre a porta da sua casa e já não vai mais embora depois do culto, a pressa sumiu!
4) os líderes que não visitavam as "ovelhas" para falar do amor de Jesus, agora estão visitando todas em nome da "empresa americana".
5) os líderes que não saíam com os membros depois dos cultos, agora é lei: mal esperam o culto acabar e já estão com seus tablets e netbooks plugados na internet para mostrar como se ganhar dinheiro no "reino dos homens".

Amados amigos e irmãos, acho que toda crítica deve ser construtiva! Pretendo finalizar essa reflexão de forma construtiva! Não estou aqui para falar mal de uma ou mais empresas, para lhe pedir para deixar de ser o representante do reino dos homens americanos!

Fique calmo! Pode continuar! O dinheiro é seu! O tempo é seu! A vida é sua! É só uma reflexão!

Conheço muitas pessoas que estão no reino dos homens americanos, mas que estão fazendo a obra de Deus normalmente como antes! Falando com as pessoas como antes! Conheço poucos, que nem contaria com as duas mãos, mas conheço! Mas você pode me perguntar: "amigo, qual é a sua proposta?!" Simples, quero lançar o ministério Jesusfree!

Para entrar neste ministério:
1) Não precisa pagar nenhum valor em dinheiro, vender bens, cotas estipuladas de vendas. Nada disso, neste ministério tudo é gratuito!
2) Você escolherá um dia da semana para fazer as reuniões em sua casa sobre o amor de Jesus, o reino de Deus e a sua justiça!
3) Sugerimos uma meta inicial:

Enviar 30 mensagens por mês no seu Facebook para pessoas que não são cristãs.
Enviar gratuitamente 365 mensagens do reino de Deus em seu celular por ano, com versículos bíblicos! Quanto mais pessoas você falar do amor de Deus, maior serão as sua bençãos no reino dos céus! E maior será o seu galardão!

Jesusfree!!
Você vai falar com todos da igreja do amor de Cristo! Vai sair com as pessoas e falar do amor de Jesus! Não precisa falar de dinheiro, porque pela graça sóis salvos! Você vai visitar os irmãos, amigos e parentes para falar do amor de Jesus!
Líderes, não deixem escapar uma ovelha! Todas as famílias saberão desta tão antiga revelação: Deus amou o mundo de uma maneira tão grande, que enviou o seu filho unigênito para todos os que acreditam tenham a vida eterna com Cristo Jesus! Vamos para as ruas e falaremos do Jesusfree!! "Arrependei-vos, pois está próximo o reino dos céus!".
Tem que ter tempo e disposição para ser membro deste ministério! Afinal de contas, você vai evangelizar em nome de Jesus! Mandar mensagens pela internet e pelo celular em nome de Jesus! Receber pessoas em sua casa, ou fazer reuniões em outros lares sobre Jesus! Tem que aproveitar o culto e pós-culto! Tem que falar nas ruas, nas empresas, nos restaurantes, sempre falar de Jesus!

Mas você pode dizer: "amigo, qual será o meu retorno em participar do ministério Jesusfree"?

Caro amigo(a) e irmã (o), o nosso retorno são as lágrimas!

As suas lágrimas diante da presença de Deus em sua vida pela busca de um Deus vivo e as lágrimas das almas que estarão sendo transformadas pela graça e o amor de Jesus que ressuscitou e está dentro de nós por meio do Espírito Santo. Devo lembrar que Jesus iniciou seu ministério aqui na terra usando 12 pessoas em seu "marketing multinível", porém esse trabalho sem fins lucrativos era para ganhar almas e manifestar a glória de Deus.

Reprodução Autorizada desde que mantida a integridade dos textos, mencionado o autor e o site http://www.institutojetro.com/ e comunicada sua utilização através do e-mail artigos@institutojetro.com

quarta-feira, 4 de dezembro de 2013

Viver ou Juntar Dinheiro?

Max Gehringer

Recebi uma mensagem muito interessante de um ouvinte da CBN e peço licença para lê-la na íntegra, porque ela nem precisa dos meus comentários. Lá vai: "Prezado Max, meu nome é Sérgio, tenho 61 anos e pertenço a uma geração azarada: Quando era jovem as pessoas diziam para escutar os mais velhos, que eram mais sábios. Agora dizem que tenho que escutar os jovens, porque são mais inteligentes.
Na semana passada li numa revista um artigo no qual jovens executivos davam receitas simples e práticas para qualquer um ficar rico. E eu aprendi muita coisa... Aprendi, por exemplo, que se eu tivesse simplesmente deixado de tomar um cafezinho por dia, durante os últimos 40 anos, eu teria economizado R$ 30.000,00. Se eu tivesse deixado de comer uma pizza por mês, teria economizado R$ 12.000,00 e assim por diante. Impressionado, peguei um papel e comecei a fazer contas, então descobri, para minha surpresa, que hoje eu poderia estar milionário.
Bastava não ter tomado as caipirinhas que tomei, não ter feito muitas das viagens que fiz, não ter comprado algumas das roupas caras que comprei e, principalmente, não ter desperdiçado meu dinheiro em itens supérfluos e descartáveis.
Ao concluir os cálculos, percebi que hoje eu poderia ter quase R$ 500.000,00 na conta bancária.
É claro que eu não tenho este dinheiro. Mas, se tivesse, sabe o que este dinheiro me permitiria fazer?
Viajar, comprar roupas caras, me esbaldar com itens supérfluos e descartáveis, comer todas as pizzas que eu quisesse e tomar cafezinhos à vontade. Por isso acho que me sinto absolutamente feliz em ser pobre.
Gastei meu dinheiro com prazer e por prazer, porque hoje, aos 61 anos, não tenho mais o mesmo pique de jovem, nem a mesma saúde. Portanto, viajar, comer pizzas e cafés, não faz bem na minha idade e roupas, hoje, não vão melhorar muito o meu visual!
Recomendo aos jovens e brilhantes executivos que façam a mesma coisa que eu fiz. Caso contrário, chegarão aos 61 anos com um monte de dinheiro em suas contas bancárias, mas sem ter vivido a vida".