quarta-feira, 31 de outubro de 2012

O valor das metas no ministério cristão


Roberto Braz do Nascimento


Sonhar é preciso.
Sem sonhos começamos a morrer ou vivemos para cumprir os sonhos de outrem. No entanto, nas igrejas, muitos sonham alto mas não têm a mínima noção de como chegar ao sonho proposto no coração.

Deus sonhou em resgatar a humanidade e elaborou um plano para concretizar esse sonho maravilhoso. Com certeza, Deus pensou na maravilhosa bênção de voltar a ter o ser humano restaurado ao seu estado original, uma vez que o pecado tornou o homem um ser maldoso e distante do seu Criador. Mas Ele teve de idealizar uma estratégia para alcançar esse objetivo. A essa estratégia, que é um conjunto de ações e atitudes práticas e seqüenciais para alcançar o objetivo, chamamos de metas.

O ponto-chave para a realização de um ministério de sucesso passa necessariamente pela obtenção de uma visão clara e divina daquilo que queremos, pela encarnação dessa visão, tornando-a missão de vida, e pelo estabelecimento de metas para otimizar esta visão para não se perder na caminhada ministerial.

Um ministro do Evangelho precisa trabalhar dentro de uma visão clara. Todo líder precisa saber que a visão é o fundamento de toda tarefa em liderança. A visão exige ação e dedicação. Chamamos isso de missão. Contudo, sua visão de ministério não será realizada a não ser através de um ousado conjunto de metas.

Henry Kaiser disse: "Defina claramente o que você quer mais que qualquer outra coisa na vida; registre os meios pelos quais você pretende consegui-lo e não permita que nada, seja lá o que for, o impeça de alcançar essa meta." Na Bíblia encontramos exemplos claros de como Deus leva a sério esse assunto. A começar em Gênesis, nos deparamos com o chamado de Deus para Noé livrar a raça humana do extermínio.

Nesse episódio Deus revelou a Noé o seu plano de preservá-lo juntamente com sua família e, ao mesmo tempo, destruir a raça humana através do dilúvio. Veja que Deus deu a visão, que se tornou a missão de sua vida, mas a realização desta missão foi levada a cabo através de um plano de metas bem rígido e seqüencial estabelecido pelo próprio Deus, antes de qualquer coisa (Gn 6: 13-22).

Outro texto que me impressiona muito acerca desse assunto é o de 1Sm 15: 1-35. Nessa passagem, vemos Deus ordenando a Saul, rei de Israel, através de Samuel, a destruição dos amalequitas. Veja a ordem: "Vai, pois, pois agora, e fere a Amaleque, e destrói totalmente tudo o que tiver, e não lhe perdoes; porém matarás desde o homem até a mulher, desde os meninos até aos de peito, desde os bois até às ovelhas e desde os camelos até aos jumentos". 

Infelizmente Saul, ao invés de cumprir as metas de acordo com a visão que Deus lhe dera, fez do seu próprio jeito.
No primeiro texto vimos que Noé cumpriu as metas estabelecidas por Deus: construiu a arca, colocou os animais dentro dela literalmente como Deus lhe ordenara e teve seu nome eternizado como um líder fiel e vitorioso. Já no segundo exemplo, Saul não levou muito a sério a realização de sua tarefa ministerial de acordo com um plano de metas baseado na visão que Deus lhe dera, que era a de destruir completamente os amalequitas, e isso lhe custou o reinado e o seu nome passou para a história como um dos líderes bíblicos derrotados por infidelidade e incapacidade de dar conta da responsabilidade que recebera de Deus. Veja a importância das metas no ministério cristão.

As metas nos desafiam
Ninguém sobrevive sem desafios novos e interessantes. Desde a infância somos movidos por desafios: aprender a falar, andar, escrever, etc...

Na vida temos de estabelecer metas para alcançarmos nossos sonhos. Caso contrário, nossos sonhos acabarão se tornando pesadelos, uma vez que os sonhos não se realizam sem trabalho e esforço. Todo esforço e trabalho sem etapas mensuráveis não produzem os efeitos desejáveis. As metas podem produzir uma atmosfera propícia para suportarmos a espera de uma conquista.

Veja que Noé trabalhou mais de cem anos motivado pela salvação de sua vida e de sua família na construção da arca (Hb 11: 7). Jesus viveu como homem, mesmo sendo Deus, por 33 anos e meio, motivado pela salvação da humanidade (Fp 2:6-11). Leia esse texto. Cada ministro tem no reino de Deus uma missão, que é a de fazer outros discípulos, e deve desenvolver o ministério para o qual foi chamado dentro da visão recebida de Deus. Isso certamente nos desafia a estabelecer metas.

Jesus enfrentou a cruz porque essa era uma das metas estabelecidas em seu ministério. Foi um desafio grandioso, mas ele o fez, porque fazia parte de um todo que o levaria ao status de Salvador do mundo de acordo com o plano geral do Pai, que ele mesmo havia aceitado por amor do seu Santo Nome e também por amor à humanidade.

A realização de metas nos consolida como líderes (1Sm 15: 22)
Saul não foi consolidado como um rei de sucesso porque vacilou na hora de cumprir as metas estabelecidas por Deus através de seu líder espiritual que era Samuel. Cada pessoa que deseja tornar-se um líder de sucesso tem de cumprir suas metas na igreja.
Na vida, de um modo em geral, só conseguimos êxito quando alcançamos nossos alvos. Cada área da nossa vida tem de ser consolidada por metas alcançadas. Estabeleça suas metas na sua vida espiritual, familiar, material e pessoal e lute porque o seu sucesso depende de sua capacidade de perseguir as metas. Ouça o seu líder e seja fiel a ele. Não seja como Saul, que ignorou Samuel e fez as coisas do seu jeito.

A prática das metas treina nossa obediência: "Eis que o obedecer é melhor que do que o sacrificar."
Por causa do tempo em que vivemos no mundo sem Jesus, não estamos preparados para a obediência. Por isso as metas nos ajudam a treinar esse aspecto da nossa conduta diante de Deus. Sem obediência não alcançaremos êxito na vida.
A obediência aos pais, aos discipuladores, aos pastores e principalmente a Deus é indispensável. Temos de aprender a fazer as coisas do jeito de Deus. Não basta fazer! Há pessoas que acham que o importante é unicamente fazer, mas a Bíblia nos mostra que o importante é fazer como Deus deseja.

As metas curam o caráter, afiando nossas capacidades
As pessoas resistem às metas porque não são treinadas para receber ordens e não gostam disso. Sentem-se ofendidas, manipuladas e ameaçadas.

A visão que nos leva a uma missão e ao estabelecimento de metas despertará sonhos de ganhar vidas, de nos encontrarmos e de termos um ministério pautado em ações específicas que tragam resultados. Nosso medo das metas vem da referência negativa que temos na nossa tradição cristã baseada numa igreja onde o trabalho era feito por poucos e apreciado e criticado por muitos. Leia Hb 5: 8; Mt 9: 13; Ec 10: 10; 2Tm 2: 15.

As metas dão objetividade ao ministério
Um ministro não pode perder tempo com coisas supérfluas, nem tampouco perder tempo realizando aquilo que, embora seja bom, não faça parte da sua visão de ministério. Há muita coisa boa desenvolvida no mundo cristão, mas nem todas têm relação com a minha visão ministerial. E minha missão não é fazer tudo aquilo que é bom, mas aquilo que Deus preparou para mim. Nesse caso as metas nos ajudam muito porque elas nos tiram do ativismo e nos colocam nos trilhos da visão de Deus pra nós.

Jesus realizou seu ministério baseado numa visão clara revelada nos profetas. Encarnou sua missão de forma radical, mas com metas objetivas. Em Mc 1: 38 Jesus, que já havia curado muita gente no dia anterior, se recusa a ter sua agenda imposta pelo povo ou pelas circunstâncias daquele momento.

A multidão queria que Jesus continuasse por ali para curar os demais enfermos daquelas cercanias que estavam vindo até ele. Mas ele disse: "Vamos às aldeias vizinhas, para que ali eu também pregue, porque para isso vim." Isso deixa claro que o ministério cristão precisa de objetividade e não somente de ser preenchido com muitas atividades, por melhor ou mais interessantes que sejam.

Princípios para o estabelecimento de metas

1 - Mensurabilidade
Nunca se deve estabelecer uma meta que não possa ser medida. Exemplo: "minha meta é ganhar minha cidade para Jesus". Essa é uma visão, um sonho, e não uma meta. "Vamos treinar 500 líderes em 3 anos para evangelizar a cidade". Isso é uma meta mensurável. Cada meta é parte de todo um sistema de metas com a finalidade de cumprir a visão.

2 - Organização
Quando estabelecemos metas, somos forçados a organizá-las dentro de uma ordem de prioridades para que não haja conflito de metas ou duplicação de esforços. Sem organização é impossível alcançar sucesso. As pessoas envolvidas na visão de uma igreja ou ministério precisam saber o que elas devem fazer, como e quando.
O ministro cristão deve saber organizar-se e distribuir as tarefas de acordo com as aptidões, a visão em execução e os apelos da Palavra de Deus. Aprenda a separar as metas organizadamente: estilo de vida pessoal, atividades sociais, metas financeiras, metas de família, etc. Uma forma correta de organizar metas é escrevê-las e treinar as pessoas; no caso de metas pessoais, lê-las com freqüência e fazer avaliações periódicas.

3 - Separar as metas permanentes das temporais
As metas são muitas e precisamos aprender a separar as temporais das permanentes para não nos perdermos e ficarmos concentrados em um tipo só de meta, amargando o prejuízo da perda do foco ou visão. Exemplo: orar uma hora por dia deve ser uma meta permanente, porém evangelizar dois jovens no centro da cidade por semana não. A oração deve ser permanente: nunca devemos parar de orar; contudo evangelizar os jovens não.
As metas podem mudar, mesmo porque elas são muitas numa visão ministerial. Temos de estar atentos para modificarmos as metas assim que as situações exigirem.

4 - Realismo
Há muito exagero por aí. Os líderes nem sempre olham para a realidade que os cerca e isso é um perigo muito grande que pode render frustração e fracasso. Por exemplo: um seminarista de 2° ano num curso de 4 anos não pode estabelecer a meta de ser diretor do seminário em um ano. Mas, se ele estabelecer a meta de alcançar esse objetivo em 20 anos, isso fica mais realista. O ministério não suporta mágica. Ele é feito por homens e mulheres de visão, mas também por pessoas que sabem discernir seu potencial sem subestimá-lo nem superestimá-lo.

Conclusão
O desejo de Deus é que aprendamos a colocar em prática o propósito maravilhoso que ele tem para as nossas vidas através de metas mensuráveis e não vivamos por aí fazendo as coisas de qualquer jeito, sem organização. Lute e descubra o que Deus tem pra você e estabeleça como você vai fazer cada coisa e quando vai fazer.
O estabelecimento de metas é fruto de uma disciplina permanente. Não há como você elaborá-las de uma vez por todas. Seja um ministro de visão clara, apaixonado, a ponto de tornar sua visão na missão da sua vida. Seja capaz de estabelecer metas bem definidas e trabalhar focalizado nelas em todo o tempo.

Reprodução Autorizada desde que mantida a integridade dos textos, mencionado o autor e o site www.institutojetro.com 

Antes de desistir


Rodolfo Montosa
“Mas a esperança volta quando penso no seguinte: O amor do Senhor Deus não se acaba, e a sua bondade não tem fim. Esse amor e essa bondade são novos todas as manhãs; e como é grande a fidelidade do Senhor! Deus é tudo o que tenho; por isso, confio nele.”
Lm 3.21 (NTLH)
 
Não existem estatísticas precisas, mas muitos pastores e líderes têm desistido do ministério, quer seja por causa do desânimo, pela dificuldade em obter resultados, pelas decepções com pessoas, ou pelo fascínio com outras coisas deste mundo. Sobre os que permaneceram firmes, arrisco-me afirmar que em algum momento pensaram em desistir pelos mesmos motivos. O que faz com que pessoas permaneçam e outras desistam?

A primeira característica evidente dos que permanecem firmes é uma profunda convicção de seu chamamento ao ministério. Mantém acesa a chama do primeiro amor ao Senhor e nunca deixam apagar de sua memória os momentos que marcaram esse chamamento. Renovam-se diariamente na presença do Senhor em seu momento devocional, deliciando-se na Palavra e socorrendo-se na oração. Sabem apreciar as grandes obras de Deus e ficam assombrados com o caráter do Senhor.

Outra característica notável nestes guerreiros é a capacidade de restringir suas expectativas e reconhecer os limites pessoais. Ao dosar melhor o que esperar, descansam na soberania de Deus. Se acontecer algo maravilhoso, reconhecem que foi a ação do Senhor. Caso o caos ao redor não apresenta melhoras, insistem na oração. Se a realidade de qualquer forma não mudar, mantém sua firme convicção que Deus tem seus propósitos, meios e tempos. Pode parecer certo conformismo, mas é mesmo. Afinal, sabem que Deus é Deus!
 
Percebo que muitos destes maratonistas no ministério adotam a prioridade de relacionamentos acima de tudo. Fazem amigos na caminhada. Tem sempre alguém com quem conversar, dar risadas, chorar, discutir, ou mesmo simplesmente ficar em silêncio.

Não são testemunhas isoladas das circunstâncias que os cercam, mas tem sempre algumas pessoas contando a história junto, pois viveram juntos. Respeitam, ouvem, mas também falam e são ouvidos. Muitas vezes são o instrumento de Deus para a visão exata para o momento, mas aceitam se a direção sair da boca do companheiro. São livres do desejo de serem proprietário das idéias.
Assim também aconteceu com o profeta Jeremias que estava a ponto de desistir de tudo e da própria vida. Contudo, ao invés de focar os problemas ao redor, as dificuldades nos relacionamentos, as frustrações do pouco resultado, o profeta conduziu seu coração ao que traz esperança. Faça isso também!


Revista Igreja (Número 25, pág 8)

quarta-feira, 3 de outubro de 2012

O Modelo de liderança da Bíblia

Abraham Shapiro

Por sua influência real sobre o pensamento de toda a humanidade, a Bíblia é uma fonte de informações e prática sobre características de liderança.

Por que tantos grandes líderes hebreus foram pastores antes de se tornarem líderes?

David, filho de Jessé, segundo rei de Israel, pontua em um de seus Salmos a técnica que empregava na alimentação de seu rebanho. Os textos dizem que a compaixão que dedicava a cada ovelha conferiu-lhe aptidões para conduzir sua nação.

Moisés cuidava do rebanho do sogro quando uma cabra fugiu. Conta a tradição Judaica que ele a seguiu e encontrou-a bebendo água numa fonte. Aproximando-se com cuidado, disse: "Tua sede te fez fugir? Estás cansada. Sacia-te e eu te carregarei de volta. Cuidarei para que isso não ocorra mais".

Estes dois pastores, em especial, são exemplos de duas virtudes ímpares em liderança adquiridas junto aos seus rebanhos: compaixão e sensibilidade. Conheciam os hábitos e rotinas de cada um dos animais, e os tratavam individualmente. Seus maiores desafios? Os animais mais fracos.

O Judaísmo observa que o comportamento do grupo vem do topo. Numa obra chamada Zôhar, lê-se: "Os atos do líder são os atos da nação. Se o líder é justo, a nação também é. Se o líder é injusto, a nação também é injusta e será punida pelos pecados do líder". ‘Nação' aqui se aplica a qualquer grupo de pessoas, inclusive empresas. Veja como ilustração o que ocorreu aos funcionários da Arthur Andersen no episódio Enron. Foram "punidos" pelos "pecados" de seus líderes traduzidos na destruição de documentos e outros comportamentos ilegais de administradores.

Os funcionários da Enron também sofreram em decorrência das atividades ilegais e imorais dos seus líderes. Perderam empregos e, em muitos casos, as economias de toda a vida investidas em ações da empresa. Emocionalmente, a dor foi e continua sendo enorme para muitos. E o que dizer de acionistas externos, fornecedores e parceiros diretos e indiretos da empresa? Aí está o conceito de "nação" no texto citado.
Praticidade e eficácia - particularidades maravilhosas da Bíblia. Faz pensar. Especialmente diante da enxurrada diária de propostas de treinamentos e aperfeiçoamentos de líderes com experiências em florestas, rios, montanhas e outros desafios. Caça-níqueis? Valores astronômicos investidos em programas que só prometem e não cumprem. Cadê os líderes?

Em tempo de "períodos sabáticos" - novo modismo que permeia os altos escalões do mundo corporativo - melhor do que as injustificadas reciclagens, quase nunca diferentes de simples férias, fica a proposta de alguns meses pastoreando ovelhas e cabras. Este treinamento testado, aprovado e certificado por nada menos que as Escrituras Sagradas das três mais importantes religiões do planeta.

É isso. E a Bíblia tinha razão. Outra vez!

Líderes: raros como gemas preciosas. E porque não dizer: escassos como compassivos e sábios pastores de ovelhas!

Texto publicado no dia 22/03/2010 na coluna Profissão Atitude do Jornal de Londrina e cedido gentilmente pelo autor para o Instituto Jetro.

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