segunda-feira, 24 de março de 2008

Liderança cristã e evangelização

“Consciência histórica é consciência de missão e conhecimento histórico é conhecimento transformador” (Jürgen Moltmann)


Moisés foi chamado por Deus para tirar os hebreus do Egito. Estavam escravizados há mais de quatro séculos. Perderam gerações inteiras no cativeiro. Mais que isto: perderam a identidade, a consciência histórica e a esperança no futuro. Perderam a fé. Esqueceram as promessas. Não sabiam sequer o nome de seu Deus.
Moisés perguntou a Deus o que deveria responder quando os hebreus perguntassem quem o havia enviado. Haveria algum nome a dar? Abraão experimentou alguns poucos encontros com um tal El Shadday (Deus Todo-poderoso). De Isaque conheciam-se pouquíssimas histórias. De Jacó, histórias confusas. Quem seria o Deus que, quatrocentos e cinqüenta anos depois, revelaria-se a um povo sem pátria?
Deus revelou seu nome a Moisés e disse-lhe que o ensinasse ao povo. “Eu sou quem eu sou” – disse. “Eu sou Yahweh, o Deus dos antepassados, e este é meu nome eternamente” – completou. Moisés, agora, possuía mais que uma missão. Possuía uma mensagem, uma revelação, uma boa-notícia (evangelho). O nome revelado tornava-se a certeza de uma identidade, de uma história, de uma fé nacional. Não era um deus egípcio ou qualquer deus dos povos; era o Deus dos antepassados e, a partir de então, dos oprimidos de Jacó. O futuro ressurgia como possibilidade e esperança. Yahweh é fiel.
O desafio da liderança cristã passa por esse conhecimento da mensagem da salvação. É mais que assumir responsabilidades por um povo; é assumir, dentre o povo, apesar das circunstâncias, a esperança que nasce do encontro com o Deus vivo e verdadeiro. Trata-se de saber e crer que Deus não se esqueceu, ainda que a opressão, a injustiça e a violência pareçam ter a última palavra. Com a mensagem, a missão consiste em mais que socorrer; consiste em transformar, regenerar, salvar.
O líder cristão tem mais que uma tarefa a desempenhar; tem um anúncio a fazer. Seu compromisso não é com a atividade proposta, mas com a boa nova descoberta. Faz o que faz com alegria, mas não foge à responsabilidade de pregar. Reconhece, no fundo e por trás de toda iniciativa solidária, que o que muda mesmo a vida de uma pessoa é a Palavra de Deus. Palavra confirmada em obras, é claro, porque pregada por pessoas já transformadas. Como lembra-nos Karl Barth: “Somos chamados a dizer o que vivemos”.
Moisés falou ao povo e foi consagrado como um dos grandes profetas da história de Judá. Mostrou-nos que líderes são mais que pessoas caridosas; são personalidades proféticas. Disse que não sabia falar direito, mas aprendeu que a força da palavra está em seu conteúdo e não em sua forma. E a Palavra encontra sua forma definitiva não em estilos de oratória, mas na encarnação do Verbo divino na pessoa de Jesus Cristo. A Palavra se fez carne e habitou entre nós!
Jesus Cristo é a Palavra que salva e liberta. Sua vida e paixão, o preço pago por nossa redenção. Sua ressurreição, a certeza de uma terra prometida. Sua liderança, o modelo de nosso serviço no Reino de Deus. Sua história, o centro de nossa mensagem, a vida de nossa pregação. Deus tem um novo nome. Aquele que, uma vez, disse: “Eu sou quem eu sou”, na pessoa de Jesus Cristo, agora, diz: “Eu sou assim”. E estou com vocês. Emanuel.

Fonte: Jetro

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