terça-feira, 1 de novembro de 2011

A nova ética e reino de justiça

Edvan Wilson Ferreira Pinto
 



O maior homem da história da humanidade combateu o maior Império através de uma transmutação dos valores, sua missão era falar de um novo reino, o reino de Deus. Neste seu projeto, ele não utilizou poderosas armas bélicas de sua época, mas ao contrário, ele utilizou palavras, isso mesmo, "o verbo divino", Deus encarnado, apresentou aos homens um novo paradigma de governo, de sociedade e de homem.
Ele apresentou ao mundo as "boas notícias" e nelas estavam contempladas uma nova ética. No sermão do monte, ele nos trouxe "O reino de Justiça" e quem seria o súdito deste reino. Com a sua mensagem ele insere no cotidiano dos homens a fraternidade, a igualdade e o respeito, pois redescobrimos por meio de suas palavras que somos todos originados em um princípio comum, somos a imagem e semelhança do criador. Entretanto, o tempo nos fez esquecer, e pior nos deixamos seduzir por uma ética, ou melhor, por valores que afetaram nosso entendimento acerca de quem é nosso próximo, visto que o amor a si de si e somente para si coloca-nos indiferentes a tudo e a todos a nosso redor.
Tempo do Narcisismo 
A palavra instrumento por excelência para o desvelamento de quem somos fica ocultada por uma sentimento patológico, possessivo e dominante que esquece do Ser, e dos valores necessários à manutenção da sociedade. Este sentimento narcisista muito bem compreendido por Freud conduz-nos a subjugarmos outros eus em uma egoidade excêntrica que inviabiliza a vida comunitária, a vontade unilateral reforçada pela necessidade crescente de ampliação de seu mundo se impõe negando a liberdade e criando uma sociedade que impede os homens de alcançarem a sua autonomia.
Volta à Alteridade 
Este Homem ao contrário do narcisismo moderno trouxe em sua mensagem uma moral que nega o "eu" e consequentemente redescobre o "tu", o outro, a alteridade. A palavra dele diz que devemos negar a nós mesmos e assumirmos as implicações morais deste novo reino de justiça, não é mais "olho por olho" e "dente por dente", não cabe mais revidarmos na mesma moeda, mas contemplarmos no outro a face do criador e respeitá-lo em sua condição singular de humanidade, de semelhante, de membro do reino e filhos de um único Pai.
Em sua trajetória humana este Homem dedicou tempo para ouvir e ser ouvido. Foi uma metodologia para dizer deste novo mundo e de sua nova justiça. Foi dialogando a exemplo do método platônico que ele inqueriu as autoridades de sua época e revelou o dogmatismo, a ortodoxia que nega o verdadeiro e exalta o verossímel, que rebaixa o homem colocando-o apenas como um fantoche nas mãos de seus algozes e lhe rouba a vida e a felicidade, além da capacidade de dizer. Assim, imbuído do sentimento de resgatar o homem de si mesmo e do seu "eu", ele confrontou com perguntas seus interlocutores justamente querendo desconstruir verdades sedimentadas pelo tempo e pela tradição.
Para este Homem não bastava apresentar um novo reino e uma nova ética, era necessário trazer em seu debate os equívocos do silêncio do antigo reino e suas consequências para o homem e para a sociedade. Desta forma, Ele deu voz àqueles que não possuíam, valorizou o que era desprezado, olhou para os invisíveis, libertou os que estavam escravizados e foi capaz de revelar quem eram os verdadeiros Bem Aventurados. Felizes, são aqueles que conseguiram resgatar a sua fala e desta maneira são capazes de dizer da necessidade da igualdade, da liberdade, da fraternidade e do respeito.

Reprodução Autorizada desde que mantida a integridade dos textos, mencionado o autor e o site http://www.institutojetro.com/

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