terça-feira, 18 de novembro de 2014

Elefantes brancos e os projetos


Guilherme Ávilla Gimenez

Com certeza, você já deve ter utilizado a expressão "elefante branco", principalmente em relação a alguma obra pública, cujo investimento financeiro não dá retorno algum à sociedade. Mas, você sabe de onde vem essa expressão idiomática? Para entender de onde vem "elefante branco", precisamos viajar para o sudeste asiático, onde encontramos elefantes albinos - considerados sagrados - principalmente em Laos, Tailândia, Myanmar e Camboja. Para os moradores dessa região, o elefante albino trazia paz e prosperidade e, por esse motivo, os governantes os tinham em sua propriedade, mas também os presenteavam aos seus cidadãos favoritos. Para os governantes sustentarem tais animais não era problema. Mas, para alguns que os recebiam de presente, o elefante se tornava um grande estorvo, principalmente pela despesa.
Os elefantes eram protegidos pela lei religiosa e não poderiam ser utilizados para o trabalho, de modo que serviam unicamente de enfeite. E que enfeite caro! Um elefante chega a consumir 150 quilos de alimento por dia e bebe 110 litros de água. E isso por aproximadamente 50 anos. Quando alguém ganhava um elefante branco, já sabia que, dali para frente, teria enormes gastos, que, em geral, não se justificavam pelos supostos favores espirituais que o animal poderia trazer. Daí a expressão ‘elefante branco', que serve para identificar tudo aquilo que se torna um consumidor de recursos sem um retorno satisfatório.

Elefantes brancos na liderança
Na liderança, precisamos ter cuidado para não construirmos, comprarmos ou recebermos "elefantes brancos". Todo líder, na ansiedade de fazer algo grande, corre o risco de um alto investimento em algo cujo retorno pode simplesmente não existir. Vivemos momentos de escassez de recursos, todos estão diminuindo seus gastos, e não há como implementarmos projetos que se tornarão, em tempo curto ou médio, verdadeiros "elefantes brancos". E isso vale até para a família e projetos pessoais.
Quem nunca ouviu a história daquela pessoa que sonhava em ter uma casa na praia, um carro mais caro ou um apartamento maior? Pouco tempo depois, a pessoa estava diante de um "elefante branco" e, em vez de aproveitar o bem adquirido, não via a hora de se desfazer dele. E aí temos a origem de mais uma expressão idiomática: "duas alegrias: uma quando compra e outra quando vende". A questão é que alguns "elefantes brancos" não podem ser simplesmente vendidos. Alguns se tornaram patrimônio emocional de um grupo, equipe ou corporação. Não se pode simplesmente se desfazer dele, pelo menos de maneira rápida. Então, é melhor pensar bem antes de permitir que o ‘elefante' seja comprado, recebido ou construído.

Elefantes e os projetos
É aí que entra uma matéria muito importante da gestão de projetos, a avaliação de risco. Será que vale a pena fazer tal coisa? Implementar esse ou aquele projeto? E os custos que virão quando o tivermos em funcionamento? Avaliar riscos é fundamental para não termos prejuízos que venham inviabilizar outras ações e até projetos mais importantes para a família, empresa ou sociedade em geral.
E o que fazer depois de ter um "elefante branco" na empresa ou em casa? A única alternativa é desmistificá-lo, torná-lo rentável e prático para o uso. Em um primeiro momento, isso será difícil, visto que há todo um imaginário ‘religioso' associado a ele. Mas ou o desmistificamos ou o veremos morrer de fome... Ou, então, nós morreremos de fome, diante do consumo dos quilos, litros e reais que um ‘elefante' consumirá em cada período. O que preferimos?
Temos exemplos de grandes empreendimentos sendo reinventados em sua função e utilidade. Projetos sendo redimensionados a fim de gerarem pelo menos sua autossustentabilidade.
Todo líder terá de fazer algo em relação aos "elefantes brancos" que estão diante de si. Alguns, em sua própria casa. Outros, em sua empresa. E alguns deles, já considerados até ‘membros da família'. Que tal fazer uma lista de todos eles e começar a tratá-los de um modo mais racional e prático, considerando todas as possibilidades razoáveis, moralmente corretas e inteligentes? Quem sabe a "segunda alegria" venha rápido e solucione grande parte de seus problemas atuais.

(*) Guilherme Ávilla Gimenez
É Técnico em Administração de Empresas. Graduado em Teologia pelo Seminário Teológico Batista do Sul do Brasil (Rio de Janeiro), com Mestrado em Ciências da Religião pela UMESP (São Bernardo do Campo) e Doutorado em Teologia pelo ITEPAR (Paraná).
Também é pós-graduado em ministério pastoral pelo Seminário Teológico de Dallas (USA). MBA em Gestão de Projetos pela UNICESUMAR. Cursou Capelania no Seminário Teológico Batista do Sul do Brasil.
Fez vários cursos nas áreas de Técnicas de Gerência de Projetos, Gestão de Pessoas (Fundação Getúlio Vargas) e Curso de Liderança Avançada - Emerging Leadership Iniciative (Reconhecido pela Universidade Cornell - Estados Unidos) - Austin/TX
Foi Conselheiro da Convenção Batista do Estado de São Paulo, Relator do Conselho de Ação Social da CBESP, Secretário da Junta de Missões Mundiais da CBB e Conselheiro da Convenção Batista Goiana. É docente da Faculdade Teológica Batista de São Paulo e articulista da Editora Vida Nova no Site Teologia Brasileira. Atualmente é Conselheiro da Convenção Batista do Estado de São Paulo.
É Pastor da Igreja Batista Betel em São Paulo e conferencista nas áreas de Liderança e Espiritualidade. Semanalmente publica artigos de liderança no site www.prgimenez.net .

Reprodução Autorizada desde que mantida a integridade dos textos, mencionado o autor e o site www.institutojetro.com

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