Ética e Liderança Cristã

terça-feira, 19 de novembro de 2013

18 coisas que não me arrependerei de fazer com meus filhos

Por Tim Challies

Como a maioria dos pais, eu tenho aqueles momentos em que culpa e arrependimento me atingem como uma onda. Eu penso, então, em como boa parte do meu tempo como pai já passou e quão pouco resta. Meu filho mais velho tem treze anos. Ele já é um adolescente, restando-lhe apenas mais um ano até o ensino médio, somente oito anos até a idade que eu tinha quando saí de casa para me casar. Minhas meninas o acompanham de perto. Quando aquela onda se levanta, quando sinto que poderia afogar-me debaixo de toda aquela tristeza, às vezes, eu considero estas coisas das quais nunca me arrependerei.

Aqui estão 18 coisas que eu sei que não me arrependerei de fazer com meus filhos.

1. Orar com eles por eles. Fico perplexo com o fato de que uma das coisas que mais me intimida é orar com meus filhos. Não estou falando de orar com toda a família antes ou depois de uma refeição, mas orar com a minha filha por minha filha ou com meu filho por meu filho. No entanto, este tipo de oração permite-lhes perceber que estou preocupado com o que lhes preocupa e permite-nos unir-se em oração por essas mesmas coisas. Eu sei que preciso priorizar isso porque nunca me arrependerei de orar com eles por eles.

2. Ler livros para eles. Quando o verão torna-se outono, quando os dias ficam mais curtos e as noites esfriam, passamos muitas das nossas noites juntos na sala de estar, enquanto eu leio livros em voz alta. Nós lemos sobre o nosso caminho por este mundo, e por muitos outros, nós lemos sobre o porvir na história e sobre dias há muito no passado; nós conhecemos heróis e vilões, e experimentamos tudo isso juntos como uma família. Eu nunca me arrependerei de ler livros para os meus filhos .

3. Dar beijos de boa noite. Os dias se alongam e eu fico tão cansado. Na hora em que as crianças vão para a cama, às vezes estou tão desgastado que a última coisa que quero fazer é vê-los na cama e dar beijos de boa noite. Mas eu sempre me alegro por fazê-lo e, muitas vezes, descubro aquele momento em que as crianças estão mais abertas, mais ansiosas para falar, e mais ansiosas para ouvir. Eu sei que nunca me arrependerei de todos aqueles beijos de boa noite.
Eu sei que nunca me arrependerei de todos aqueles beijos de boa noite.

4. Levá-los para a igreja. Há tanta alegria em estar juntos na igreja como família, adorar juntos o Senhor e juntos ouvir sobre ele em sua Palavra. Eu não levo meus filhos à igreja para que eles possam aprender boas maneiras ou serem pessoas melhores, eu os levo à igreja para que possam saber quem são, para que possam aprender sobre quem é Deus, e para que possam encontrar e experimentar a graça. Eu nunca me arrependerei de priorizar a igreja.

5. Levá-los para tomar café da manhã. Uma tradição muito amada em nossa família é levar meus filhos para tomar café nas manhãs de sábado – um deles por semana. É uma tradição que perdi, mas voltou, perdi novamente e voltou mais uma vez. É uma tradição que vale a pena manter. A despesa de 10 ou 20 dólares e o tempo que leva nada são em comparação com o investimento em suas vidas. Eu nunca me arrependerei dos nossos cafés da manhã com o papai.

6. Deixar meus amigos serem seus amigos. Adoro quando meus filhos fazem amizade e tornam-se amigos dos meus amigos. Eu quero que meus filhos tenham amigos mais velhos e mais sábios do que eles e amigos que possam ajudá-los nas áreas em que sou fraco. Eu nunca me arrependerei de incentivar meus amigos a serem amigos deles.

7. Fazer devocionais em família. Devocional em família é uma disciplina difícil de manter, especialmente quando as crianças ficam mais velhas e têm mais lição de casa e responsabilidades. Mas, nós nos comprometemos, nos re-comprometemos e perseveramos, porque estes são momentos preciosos – apenas alguns minutos juntos para ler a Bíblia, para falar sobre o que ouvimos e para orar. Eu sei que nunca me arrependerei de um único momento buscando o Senhor juntos.

8. Discipliná-los. Eu odeio disciplinar meus filhos, eu odeio ter que discipliná-los. Contudo, estou absolutamente convencido de que se recusar a discipliná-los é recusar-se a amá-los e respeitá-los. O privilégio revogado, a conversa severa, o tempo gasto sozinho em seu quarto – essas coisas são vistas como ódio no momento, porém, percebidas como amor mais tarde. Eu nunca me arrependerei de disciplinar meus filhos com amor.

9. Fazer coisas especiais. Grande parte da vida é vivida em situações cotidianas e o amor normalmente é demonstrado no dia-a-dia. Mas também há valor no jogo à tarde, na noite de balé, as viagens com o papai. Eu nunca me arrependerei de fazer essas coisas especiais com meus filhos.

10. Pedir perdão. Eu tenho mais dificuldade em pedir desculpas aos meus filhos do que a qualquer outra pessoa. Em algum lugar lá no fundo da minha mente, eu estou convencido de que desculpar-me com eles é revelar fraqueza; mas, nos meus melhores momentos, eu sei que pedir desculpas a eles – pedir perdão quando pequei contra eles – é honrar a Deus e a eles. Eu nunca me arrependerei daquelas vezes em que já pedi perdão a eles.

11. Perdoá-los. Minha grande fraqueza é um dos grandes pontos fortes dos meus filhos. Quando eles pecam, quase sempre são rápidos em buscar o meu perdão. Eu nunca me arrependerei de sincera e imediatamente conceder o perdão que eles pedem.

12. Amar a mãe deles. Eu sei que a estabilidade de uma mãe e um pai que estão firmemente comprometidos um com o outro traz estabilidade para toda a família. Eu posso amar meus filhos ao assegurar-lhes o meu amor por sua mãe por meio das minhas palavras, atos e afeição. Eu nunca me arrependerei de regularmente reafirmar o meu amor pela mãe deles.

13. Identificar a graça de Deus. Enquanto meus filhos fazem suas profissões de fé e começam a crescer em piedade , tem sido uma alegria ver a graça de Deus em suas vidas. Estou aprendendo a contar-lhes o que eu observo, a elogiá-los por isso, e apontar para Aquele que fez tudo. Eu sei que nunca me arrependerei de identificar esse tipo de graça em suas vidas.

14. Expressar afeto. Gosto de andar de mãos dadas com as minhas filhas e adoro abraçar o meu filho antes de ele ir para a escola. Esta afeição física os faz sentirem-se seguros e amados ao ensinar limites e toques apropriados e platônicos. Eu nunca me arrependerei de continuamente expressar afeto físico.

15. Planejar pequenas surpresas. Os pequenos e ocasionais presentes de quando eu volto para casa depois de uma palestra, uma rosa para minhas meninas enquanto eu compro um buquê de flores para a mamãe, o jantar no McDonalds sem qualquer motivo especial. Eu nunca me arrependerei de planejar e a executar essas pequenas surpresas especiais.

16. Dar-lhes toda a minha atenção. Eu quase sempre tenho um dispositivo eletrônico à mão e, muitas vezes, tenho dois ou três deles. É tão fácil interromper uma conversa a cada zumbido ou bip, quebrar o contato visual e perder a concentração. Eu sei que eu nunca me arrependerei de dar aos meus filhos toda a minha atenção quando eles têm algo a dizer.

17. Conduzir ao evangelho. O evangelho não é apenas uma porta de entrada para a vida cristã, mas a própria fonte de esperança e alegria na vida cristã . Precisamos voltar ao evangelho continuamente, precisamos do evangelho todos os dias. E eu nunca me arrependerei de conduzir meus filhos ao evangelho.

18. Dizer-lhes “eu te amo”. Eu amo profundamente meus filhos e posso demonstrar esse amor de cada uma das maneiras que listei acima. Mas, quando eles vão para a escola, quando eles saem com os amigos, quando me ligam do escritório, quando usamos o Skype à distância, eu nunca me arrependerei de dizer-lhes novamente: “Eu te amo”.

***
Traduzido por Josaías Jr | Reforma21.org | Original aqui.

quinta-feira, 17 de outubro de 2013

Dez dicas para criar o site da igreja


Sidney Nunes

Não existe um fórmula mágica para o sucesso de um site, pretendemos pontuar algumas dicas que irão facilitar a criação do novo site de sua igreja, e que também podem ser usadas para seu site pessoal.
No Brasil existem milhares de igrejas e denominações. Estimamos que menos de 30% dessas igrejas têm um site publicado na rede mundial de computadores. Mesmo com quase duas décadas de internet em nosso país, criar um website ainda parece ser um mistério para muita gente. Listamos algumas dicas para ajudar:

1. Pesquise outras Igrejas
Sugerimos à pessoa responsável pelo site que pesquise para saber o que deve ser usado. O primeiro caminho é pesquisar na internet. O que as outras igrejas estão fazendo? O que há de bom ou ruim nos sites dessas igrejas? Como eles expõem as suas informações, suas missões, suas denominações, seus produtos, seus serviços, tais como textos e imagens? Ao fazer esse exercício, o responsável pelo site deve pensar em como planejar todos esses elementos em seu novo site. Ele precisa pensar em bons textos, boas imagens, páginas internas e outros aspectos importantes para uma navegação legal, como ferramentas para atendimento aos membros dessa comunidade.

2. Qual é a visão de sua igreja?
O internauta que navega na internet precisa entender a visão principal de sua igreja assim que acessar a página principal. Alguns líderes estão tão envolvidos com sua missão na igreja que para eles é evidente o que oferecem. Mas, para o internauta e ou novo membro, pode não ser. É importante explicar o que a igreja tem a oferecer logo na primeira página.

3. Linguagem simples e objetiva
Não é melhorando na escrita que o responsável pelo site pode impressionar os visitantes na sua página. Se o técnico de informática se denomina consultor de hardware e software, o internauta que busca um reparo no seu computador pode não entender que é esse o serviço oferecido. O título empolado também pode prejudicá-lo em resultados de buscas, uma vez que ele não estará nos resultados de uma procura por técnicos de informática. A linguagem usada no site deve ser simples e parecida com a usada pelos consumidores. "‘Moda Gestante' pode ser elegante, mas o responsável pelo site terá mais audiência se escrever ‘Roupas para Grávidas' em seu site, por exemplo.

4. Onde está o contato, com quem devo falar?
Um erro muito comum é não colocar os meios de contato da igreja no site. Se não for fácil a visualização desta informação, o responsável pelo site não irá conseguir atenção daquele visitante. O mais indicado é colocar um telefone e o endereço no rodapé da página principal e criar uma aba de contatos com integração ao Google Maps ou outro serviço de mapas. Assim, o visitante ainda pode localizar o endereço da igreja antes de ir até lá pessoalmente.

5. Um bom Design
Ao acessar o site, o internauta deve ter a sensação de ter entrado na igreja física. A página precisa trazer a identidade visual da visão do líder em cores harmoniosas e poucas fontes. Até aí, os conselhos existentes já são bem conhecidos. Sugerimos criar uma estrutura básica e depois refinar o design a partir de percepções próprias e feedbacks dos membros, amigos e usuários de seu novo site.

6. Plagiar um site: Nunca
Eu me impressiono com a quantidade de pessoas que copiam textos da internet e colam em seus sites. Mesmo que seja pequeno, faça conteúdo sempre exclusivo relacionado á sua Igreja. Até porque o site não é lugar para textos longos. Há dois riscos em copiar um texto. O primeiro é o de plágio propriamente dito. O segundo é ficar mal posicionado nas buscas, uma vez que os buscadores comparam textos iguais e listam o primeiro a ser publicado na busca do Google. Ou seja, o concorrente que escreveu o texto original aparecerá antes do seu site.

7. Seu site deve ser referência
O Google é responsável por cerca de metade das visitas aos sites existentes. Ele posiciona melhor nas buscas quem ele entende que é uma referência da área. Mas como o Google sabe que determinada pessoa é um expert? Por outras referências, como um blog. Sugerimos a todos que tenham um site a criarem blogs com assuntos relativos à sua igreja e que postem alguma novidade pelo menos uma vez por semana. Quanto mais o responsável pelo site falar de sua igreja, mais o Google vai entender que ele conhece do assunto e seu segmento.

8. Redes sociais
Grandes empresas, especialmente as B2B, podem ter ressalvas para entrar em redes sociais voltadas para o consumo, como Twitter e Facebook. Mas, para os pequenos, estar nessas plataformas de grande audiência é quase obrigatório. Se o Google é responsável por 50% das visitas dos sites, 20% vêm das redes sociais. São plataformas eficientes e gratuitas para reforçar a marca de sua igreja, sobretudo para pequenas igrejas. Já as newsletters estão caindo em desuso e são consideradas spam por muitos provedores de e-mail no Brasil.

9. Pense localmente
Os internautas que procuram igrejas, em geral, são pessoas das redondezas. Então não adianta tentar abraçar o mundo e querer aparecer como uma das melhores igrejas do país. O responsável pelo site terá mais sucesso se reforçar a localidade dentro do texto. As chances de aumentar a busca de internautas e novos membros são muito maiores para aqueles que reforçam sua atuação no bairro. Recomendo ir do site micro para o macro: primeiro o bairro, a região na cidade, o município, e assim por diante.

10. Visual é tudo
Um bom site deve conter todos os textos necessários para o internauta entender a missão, visão de sua igreja, seus diferenciais, a experiência dos líderes e a localização da mesma. Mas isso será de pouca serventia se as imagens no site não convidarem o internauta a conhecer a sua igreja. Economizar com fotos não é um bom conselho. Uma foto bonita, além de ser um bom chamariz aos novos membros e visitantes, funciona como um atestado inconsciente do profissionalismo da igreja. Já uma foto ruim pode fazer pesar a impressão de amadorismo mesmo para o profissional mais talentoso. Pense: É tudo para Jesus, faça o melhor!
Desejamos muito sucesso para o site de sua igreja!

Reprodução Autorizada desde que mantida a integridade dos textos, mencionado o autor e o site http://www.institutojetro.com

quarta-feira, 9 de outubro de 2013

Quem mexeu no meu queijo?


A história:
Hem, Haw, Scurry e Sniff saem a procura do queijo (uma metáfora que representa o que querem e desejam na vida). Após longas caminhadas pelo labirinto eles encontram o Posto C de queijo. Nos dias seguintes, os ratinhos Sniff e Scurry passam a acordar de manhã e correr pelo labirinto sempre no mesmo caminho até o posto C. Já os duendes Hem e Haw acordavam sem muita pressa e caminhavam lentamente em direção ao Posto C para apreciar o queijo.
Depois de um tempo, o queijo no Posto C acaba, Hem e Haw ficam muito decepcionados, Hem não aceita de maneira alguma aquilo. Já Sniff que previa aquilo, se juntou a Scurry e juntos foram em busca de um novo queijo. Hem e Haw continuaram visitando o Posto C durante mais uns dias com a esperança de ver o queijo de volta um dia.
Depois de alguns dias Haw decide enfrentar a situação e passa a querer procurar um novo queijo no labirinto, diferente de Hem, que continuava insistindo em ficar no Posto C. Haw prepara-se para sair do Posto C e começa uma longa jornada pelo labirinto. Enquanto isso Sniff e Scurry encontram o Posto N, com muito queijo. Haw enfrenta seus medos e inseguranças dentro do labirinto e vai aprendendo com sua longa jornada até que chega ao Posto N e se encontra com os ratinhos Sniff e Scurry.
Na parábola proposta pela obra, os quatro personagens estão em busca de um mesmo objetivo: um posto repleto de queijo. Para os homenzinhos, Hem e Haw, o queijo é uma metáfora que representa o que eles procuram na vida, seja algo material, um relacionamento, um cargo em uma empresa, etc.
No entanto, os personagens esquecem de que, à medida que fazem uso do queijo, este vai acabando, ou melhor, desgastando. Ao perceberem que o queijo terminou, cada um toma uma atitude diferente - da mesma maneira que cada um de nós, que também assumimos posturas diferentes diante de uma dificuldade, uma mudança. O livro passa, então, a mostrar como cada personagem lida com a mudança e como eles reagem a ela. Durante a leitura o leitor vai aprendendo como enfrentar as mudanças e como adaptar-se a a elas.
A parábola mostra, então, que a vida não é necessariamente um caminho livre de obstáculos mas, sim, uma caminho repleto de sobressaltos e adversidades. A diferença é a maneira com que cada ser humano lida com tais adversidades.
 O livro é uma alegoria que retrata os objetivos que cada um de nós temos e as mudanças a que estamos sujeitos durante a busca destes objetivos. Durante a leitura, o leitor pode observar que atitude cada personagem toma diante das adversidades da vida e pode acabar se identificando com um dos personagens.

terça-feira, 1 de outubro de 2013

Por que não somos bons ouvintes?


Prof. Menegatti

Existem algumas razões pelas quais não ouvimos eficazmente os outros:

Não aprendemos como ouvir:
Uma pesquisa mostra de que forma dividimos nossa comunicação: 9% escrevendo, 16% lendo, 33% falando e 40% ouvindo.
Mesmo antes de entrarmos na escola, nossos pais trabalham conosco para desenvolver nossas habilidades de escrever, ler e falar. A seguir, durante toda nossa educação fazemos cursos para melhorar estas habilidades básicas.
Além disso, poucas pessoas crescem em um ambiente familiar tendo um bom ouvinte como exemplo. Durante toda nossa vida recebemos feedback positivo quando falamos corretamente ou mostramos nossa sabedoria por algo que dissemos. Contudo, raramente somos elogiados por nossa capacidade de ouvir.
No entanto, vemos que cursos de audição são normalmente parte de treinamentos avançados em comunicação ou psicologia. Essa é uma constatação triste considerando a quantidade de pesquisas que agora estão disponíveis a respeito de valores da audição na construção de relacionamentos eficazes.

Ouvir requer muita atenção:
A maioria das pessoas tem dificuldade em se concentrar. De fato temos orgulho em fazer muitas coisas ao mesmo tempo, o que realmente impede a concentração. Você provavelmente sabe que uma pessoa normal pensa de quatro a cinco vezes mais rápido do que pode falar. Isso significa que temos a capacidade mental de pensar a respeito de mais de uma coisa de uma só vez e muitas pessoas fazem exatamente isso enquanto a outra está falando. Fazemos todos os tipos de coisas, planejamos as respostas, pensamos a respeito de nossa reunião com o nosso chefe, avaliamos o que a outra pessoa está dizendo, decidimos se concordamos ou não com suas opiniões.
Penso que as conversas seriam bem mais produtivas se simplesmente estivéssemos dispostos a ouvir e compreender o que o outro tem a dizer.

Nossas crenças distorcem o que ouvimos:
Nosso passado forma crenças que são os filtros através dos quais experimentamos a vida. Trazemos experiências anteriores para cada nova conversa. Mesmo quando encontramos uma pessoa pela primeira vez, trazemos nosso histórico de situações semelhantes. Isto cria um conjunto de filtros pré-determinados para nossa audição que, na maioria das vezes, distorcem a mensagem da outra pessoa. Já aconteceu comigo e deve ter acontecido com você de estar conversando com uma pessoa e ela lembrar de alguém que não lhe era muito simpático e você transferir a antipatia por ela lembrar essa pessoa. Por que isso acontece? Porque os ecos de nosso passado abafam o que está sendo visto e dito por nós.

Conflitos com a falta de comunicação:
Os conflitos são mais facilmente resolvidos quando as necessidades são identificadas. Chega uma hora que a pessoa mais defende a posição do "eu estou certo e você errado", passando a limitar outras opções que possam satisfazer tanto as suas, quanto às necessidades da outra pessoa. O problema é: investiram tanto esforço para defender uma posição que não querem parecer tolos ou que estão errados quando recuam.

O Elefante
Existe uma história circulando pela internet que fala de três homens cegos estudando um elefante. Quando solicitados a descreverem o elefante, um dos cegos, com os braços ao redor de uma das pernas do animal diz: "um elefante é como um tronco de uma arvore". Outro, segurando a tromba, diz: "o elefante é como uma cobra". E outro tateando a lateral larga do elefante, diz: "não, vocês estão errados. Um elefante é tão grande quanto à parede de um celeiro". "O problema todo é saber quem estava certo".
Na realidade, todos estavam certos em suas perspectivas pessoais e todos estavam errados sob as demais perspectivas. Muitos de nossos conflitos são semelhantes. Dentro de uma empresa, cada pessoa ou departamento tem uma visão limitada da situação global, apesar de defender sua posição como se fosse à única. Geralmente quando se chega a uma solução para o conflito, a idéia que não foi vencedora aceita o desfecho com má vontade e quase sempre com ressentimentos no relacionamento.
Uma solução boa para impasses é tentar obter o maior número de soluções possíveis antes de avaliar ou discutir qualquer uma. Evite, a todo custo, criticar ou avaliar as soluções da outra pessoa, uma vez que isso emperra o processo de decisão. Em vez disso escreva todas elas para uma revisão futura. Seria como um brainstorm na solução de conflitos.

Reprodução Autorizada desde que mantida a integridade do título, dos textos, mencionado o autor e o site http://www.institutojetro.com/

quinta-feira, 12 de setembro de 2013

O autocontrole do líder

Ednilson Correia de Abreu

Todo o Brasil assistiu ao ataque de nervos do líder responsável pela direção de uma das maiores cidades do Brasil e uma das maiores do mundo. Entre outras coisas, aquilo mostrou que apesar de seu cargo de influência e poder, ele é apenas um ser humano cujos nervos, principalmente naquele momento, já estavam a "flor da pele". Aquela atitude foi apenas a reação de alguém que já vive sob intensa pressão. Nada disso justifica o ato contra aquele cidadão, mas serve de alerta para todos nós que também estamos sob a pressão da liderança.
Como líderes, nós também podemos perder o controle. Não devemos, mas se não nos cuidarmos podemos passar por algo semelhante e acabar pagando um alto preço por isso.
Se há alguém de quem se espera que reaja com autocontrole, este alguém é o líder, pois no meio de muitas pressões ele será chamado a tomar decisões, a agir e administrar ânimos e circunstâncias às vezes muito acima de nossas possibilidades humanas.
O autocontrole não pode ser buscado apenas na hora da pressão. Ele precisa ser trabalhado bem antes. Exercícios físicos ajudam, a realização de um hobbie coopera, o envolvimento com tarefas agradáveis fora da rotina ajuda, boa alimentação na hora certa é fundamental, um sono reparador será vital, em resumo, a manutenção de boa saúde física e mental é primordial para a manutenção do autocontrole. Contar até dez antes de agir é simples, mas ajuda demais. Porém, sabemos como cristãos que a fonte poderosa de autocontrole que temos é o Espírito Santo. A Bíblia nos ensina que o cristão maduro terá como uma de suas características o domínio próprio que se revela como uma das manifestações do fruto do Espírito (Gl.5.22-23), que aliado a outros, como a mansidão e a paciência, irão compor uma imagem correta e equilibrada que se espera de todo cristão, mas principalmente de um líder.
É muito comum racionalizarmos e encontrarmos uma justificativa para os nossos acessos de ira, geralmente lançados sobre os nossos liderados e sobre a família. Isso é terrível, marca negativamente nossa vida e gera um clima ruim de trabalho. Ninguém gosta de se submeter a um líder iracundo e descontrolado. Um líder de autoridade buscará manter o domínio próprio nas horas de crise porque ele sabe que se espera dele uma direção equilibrada e segura para aquele momento, mesmo que ele ainda não saiba bem o que fazer. Se houver descontrole, o caos vai se instalar e todo uma visão de trabalho e de relacionamento fica prejudicada.
Dá trabalho recuperar o estrago feito por um momento de fúria. Se isso acontecer, no mínimo o líder deve reconhecer seu erro, pedir perdão e trabalhar a situação com cuidado em sua vida, pois talvez este descontrole seja sintoma de outros problemas mais profundos em sua vida, como insegurança pessoal, stress, algum problema orgânico ou alguma crise espiritual, inclusive pecado na vida do líder. Portanto, temos que sempre avaliar nossas emoções, nossa saúde, nosso momento, nossos pensamentos, nossas motivações, nossas palavras. Refletir antes de falar também ajudará muito. Mas acima de tudo temos de avaliar nossa caminhada com Deus pois ela vai se refletir em nossa caminhada com os outros.
Lembre-se do que nos diz o nosso líder maior: "bem-aventurados os mansos porque herdarão a terra" (Mt. 5.5). Mansos não são pessoas inertes como moscas mortas. Na verdade, são pessoas ativas que agem com equilíbrio e domínio próprio, sabendo que o descontrole não produz bons frutos, que mesmo quando for exigido uma atitude mais dura, esta deve ser tomada no pleno controle das emoções e ações.
Líderes cristãos devem ser firmes, mas autocontrolados. É uma contradição um líder que não consegue liderar a si mesmo. Vamos estar atentos e buscar a presença desta manifestação do Espírito Santo em nós. Tudo isso para o nosso bem e daqueles que estão sob a nossa influência como líderes. Um último lembrete: a única maneira de vermos o nosso autocontrole testado é em situações em que ele será exigido, portanto, prepare-se e fique atento. Que Deus nos abençoe e nos dê graça continuamente.

Reprodução Autorizada desde que mantida a integridade dos textos, mencionado o autor e o site www.institutojetro.com

sábado, 7 de setembro de 2013

Autor de 'O monge e o executivo' diz que Jesus é um exemplo de liderança

'Guru empresarial' participa da Bienal do Livro do Rio neste sábado (7).
Autor do best-seller “O monge e o executivo” (1998) e “guru empresarial”, James Hunter contabiliza ter treinado, pessoalmente, cerca de 2 mil executivos ao longo das últimas décadas. Mas, na hora de falar do líder mais admirável que já existiu, o consultor cita: "Jesus Cristo".
Não que conduzir a Santa Ceia seja equivalente a coordenar uma empresa. “É porque Jesus tem influenciado as pessoas há mais de 2 mil anos”, justifica em entrevista ao G1, na qual reconhece respeitar outros líderes anônimos. Ele está no Brasil para participar da Bienal do Livro do Rio, onde fala ao meio-dia deste sábado (7).
Ao atender o telefone no hotel em que está hospedado na cidade, o professor apresenta-se com o apelido: “Olá, aqui é o Jimmy”. “Já fiz 22 viagens para o Brasil desde 2005. Lecionei em 28 cidades diferentes”, enumera. Também é elevado o número de vendas: mais de 4,2 milhões de cópias de seus dois livros – o segundo chama-se “Como se tornar um líder servidor”, título que talvez ajude a entender o porquê da referência a Jesus Cristo.
Durante a conversa, o termo “inspiração” surge com frequência. Hunter parece acreditar bastante nas próprias ideias, até porque defende que cargos de chefia devem ser ocupados por pessoas de boa conduta. “Em minhas palestras, nunca encontrei ninguém que tenha levantado a mão e dito: ‘Discordo, quero trabalhar com um líder corrupto, arrogante (risos)’.” Neste momento, aproveita para observar que “o Brasil precisa de bons líderes, assim como os Estados Unidos”. “Os recentes protestos mostram isso”, exemplifica.
Para Hunter, há “líderes natos e líderes que aprendem a cumprir a função”. “Se você tem a habilidade de mover as pessoas, de levá-las à ação, então você é um bom líder. Mas aprender os princípios é fácil, difícil é aplicá-los”, resume. Não se trata de dar ordens nem ser autoritário, insiste – mas de “inspirar”.
Aos 59 anos, Hunter confessa que, quando pensou em escrever “O monge e o executivo”, em 1996, tinha uma ambição modesta. “Queria passar meus princípios à minha filha, que tinha 2 anos de idade na época”, recorda. Brinca ainda que a necessidade de “transmitir um legado” tinha relação com um momento difícil: “Eu estava atravessando uma crise de meia-idade (risos)”.
Segundo o material de divulgação, o resultado é uma obra que serve para quem “tem dificuldade em fazer com que sua equipe dê o melhor de si no trabalho”. Funcionaria ainda para “se relacionar melhor com sua família e seus amigos”. No caso da “família Hunter”, a liderança doméstica é compartilhada com a esposa, psicóloga de formação, que ele diz conhecer desde que era adolescente. Mas seria ela uma boa líder? “É, sim. Porque me influencia”, assume Hunter, usando exatamente o mesmo argumento aplicado a Jesus.
Menos nobre, no entanto, é a descrição que James Hunter faz de si mesmo ao tentar explicar por que vende tantos livros. Ele atribui o sucesso não à originalidade dos princípios, mas ao modo – supostamente acessível e claro – como os propaga. “Não proponho nada de novo, mas apresento de modo simples”, esclarece. Em seguida, o admirador dos atributos de liderança de Jesus confessa: “Sou um ladrão de ideias (risos).”

G1 via Notícias Cristãs

sexta-feira, 30 de agosto de 2013

Reflexão sobre a autoridade

Claudinei Gomes da Silva

"Você sabe com quem está falando?". Certamente que muitos de nós já ouvimos essa frase ser dita e foi mais ou menos isso que disse o Governador Pilatos diante do maior julgamento da História: "Não sabe que eu tenho autoridade para libertá-lo e para crucificá-lo?" A resposta impressionante de Jesus veio como balde de água fria ao afirmar: "Não terias nenhuma autoridade sobre mim , se esta não te fosse dada de cima" (Jo 19:10-11).
A autoridade reside em Deus. Mas, parece que esse conceito é difícil de assimilar e Cristo sendo um exemplo e mestre no assunto não usou dessas prerrogativas que lhe eram inerentes. Ter ou ser uma autoridade vai além do simples exigir e mandar. O mundo está cheio de pessoas em postos de comando, convivemos com elas em todos os setores da vida. Em nossos trabalhos, empregos ou Igrejas é onde podemos ver como agem os líderes.
Os abusos ou deturpações nas lideranças sempre ocorrem em algumas organizações onde há líderes ou gestores que não aceitam as críticas e contrariação em suas decisões. Usam o cargo para oprimir e coagir por meio de ameaças e punições. Alguns alcançam o posto de chefia e acreditam que é tão somente para agir e pensar pelos outros. E o que dizer de alguns pastores e líderes onde as idéias de serviço já não fazem parte de suas filosofias ministeriais. Precisamos redescobrir o verdadeiro sentido do servir pelo simples prazer de servir.
O Filho do homem não veio para ser servido, mas para servir. Cristo diante de Pilatos deu-nos uma preciosa lição do que é ter autoridade. Sua submissão diante do Governador sinalizou para um fim maior; Deus seu Pai o qual procurava ouvir e servir na mais profunda intensidade.

Abuso de "autoridade" na Igreja
É justificável que ocorram certos abusos de lideranças em algumas organizações, governos ou nações, pois Cristo ponderou sobre isto, dizendo que no reino dos homens um governa e tiraniza sobre o outro, no entanto os abusos praticados por algumas lideranças de igrejas revelam uma fragilidade e um mal que devem ser tratados com a mais profunda amizade, paciência e graça.
Existem casos de pastores que não têm outras referências a não ser a si mesmos. Autoritários e mandões em suas ações e ou decisões. São líderes de si mesmos e não conseguem reconhecer nenhuma outra liderança que discorde de suas convicções teológicas ou filosóficas. Cristo reconheceu vários líderes religiosos: Nicodemos, o centurião, os escribas e fariseus sendo que nesses dois últimos criticou fortemente as suas ações que iam de encontro com seus discursos.
Reconheço a dificuldade de lidar com este assunto, mas esses temas: orgulho, ego, poder e cargos dificilmente são discutidos sem que haja farpas, ofensas, indiretas ou alfinetadas propositais. Urge que tenhamos coragem e sinceridade para tocar através do diálogo nessas feridas com a intenção de buscar uma cura. Quando ouvimos: "Você não sabe com quem está falando? Eu mando! Eu decido! Aqui sempre fazemos assim! Temos de forma clara um exemplo de alguém que não está servindo, mas que quer ser servido. Onde houver pouca disposição para ouvir e dialogar também haverá fraqueza na liderança.
O rabino Abraham Skorka no livro Razão e Fé num diálogo com o Papa Francisco e o Presbiteriano Marcelo Figueroa escreveu: "Quando a torre de Babel estava sendo construída, se um homem caísse e morresse, não diziam nada, não lamentavam. Mas se caísse um tijolo, ouvia-se: Ah, tanto tempo que perdemos para chegar aos céus!" Simplificando: isso é a base do modo como queremos encarar a vida? O que queremos? O que estamos construindo?
A exegese segundo a interpretação judaica aponta que todo o relato começa dizendo que havia um só idioma e foi isso que os levou a construir a torre de Babel. Depois Deus os castigou multiplicando os idiomas e fazendo que um não pudesse entender o idioma do outro. A ideia é que na tirania só existe uma linguagem, uma única maneira de entender, de entenderem-se uns com os outros. Aí perdemos a dimensão do diálogo.
Ninguém, nem pastor, mestre ou gerente é autoridade final em nenhum assunto, é intérprete só (Carlos Mesters). Uma autêntica liderança sempre será percebida quando houver uma real disposição no servir por servir e no prazer em dialogar com ambição de discípulo e eterno aprendiz.

Reprodução Autorizada desde que mantida a integridade dos textos, mencionado o autor e o site www.institutojetro.com

sexta-feira, 2 de agosto de 2013

Em seus passos o que Jesus JAMAIS faria?

Pablo Massolar

"Em seus passos o que faria Jesus?" Este é o título de um livro escrito por Charles Sheldon e publicado originalmente em 1896, nos Estados Unidos, com o título "In His Steps".
A obra conta a história de Henry Maxwell, pastor da Primeira Igreja da cidade de Raymond, que vive honestamente sua vida confortável e sem contratempos, até o dia em que surge em sua igreja um homem pobre e necessitado. O episódio o leva a questionar seus próprios valores, o seu modo de vida e prioridades, colocando diante de si a inquietante questão: "O que Jesus faria?".
A partir disso, decide propor aos fiéis de sua igreja que se comprometam durante um ano a não fazerem nada sem antes perguntarem o que Jesus faria na mesma situação. O desenrolar da história descreve as experiências, tanto de satisfação e realização pessoal, como também de conflito e incompreensão que vão enfrentando à medida que se empenham em levar adiante o desafio proposto.
Hoje em dia há tanta gente doente e inescrupulosa dizendo agir "em nome de Jesus", proclamando da boca para fora "seguir os passos de Jesus", mas negando-o nas atitudes, enganando, extorquindo, manipulando e oprimindo que fica difícil encontrar Jesus, de verdade, nos passos destes. Ainda que eles gritem ou cantem nervosamente o nome de Jesus o tempo todo e façam até alguns aparentes sinais milagrosos.
Algumas vezes a imagem e referência do Jesus dos Evangelhos se apaga e se confunde com tanta demonstração tosca do que querem erroneamente fazer parecer Jesus, mas nem de longe se parece efetivamente com os passos de Jesus.
Mais do que levantar questões meramente morais ou culturais, percebo a urgência de esclarecer o que não representa e jamais se veria na vida prática do verdadeiro Jesus dos Evangelhos.
Acredito que boa parte do engano se dá pelo fato das pessoas não lerem e não conhecerem minimamente os Evangelhos, além da grande distorção que se faz com as escrituras por dinheiro ou para fazer perpetuar os domínios aprisionantes das instituições e dos rituais de poder humano.
Jesus jamais exigiu sacrifícios pessoais, esforço financeiro ou físico, presentes ou qualquer tipo de oferta para abençoar, curar, salvar, purificar e orientar as pessoas a sua volta.
Jesus jamais utilizou seu poder como estratégia de marketing pessoal. Embora os milagres fossem um sinal para que as pessoas cressem, e muitos o buscavam por causa dos prodígios e do pão que era multiplicado milagrosamente, Jesus jamais utilizou isso para segurar o povo a sua volta.
Jesus jamais distribuiu pão só para garantir plateia e ter a quem evangelizar.
Jesus jamais rejeitou qualquer pessoa por não professar a fé da mesma forma que ele a professava e a entendia. Mesmo Jesus frequentando sinagogas, tendo nascido no judaísmo, jamais deixou de andar e falar com pagãos, gentios, pecadores e toda sorte de gente considerada impura para os padrões da lei de Moisés.
Jesus jamais deixou a lei da religião ser mais importante que a vida e a misericórdia.
Jesus jamais deixou de amar. Jamais recusou a mesa e a comunhão mesmo a quem ele, de antemão, já sabia que o trairia. Até diante da angústia, do medo e do abandono, Jesus jamais se deixou ser vencido pelo rancor.
Jesus jamais usou em benefício próprio a influência que exercia sobre os discípulos.
Jesus jamais ensinou expandir o Reino através do acúmulo de bens ou da construção de templos.
Jesus jamais fez conchavos políticos, acordos com Roma ou com a religião dominante em troca de favores, cargos e liberdade para continuar pregando o que e onde bem quisesse.
Jesus jamais deixou de dizer a verdade por medo ou conveniência.
Jesus jamais disse a verdade para agredir, ofender ou provocar vaziamente.
Jesus jamais disse a verdade só para provar que estava certo.
Jesus jamais usou a verdade, ao contrário, se deixou ser usado por ela.
Jesus jamais denunciou o pecado sem amor, de forma constrangedora, ameaçadora ou sem acolher até as últimas consequências o próprio pecador envolvido.
Jesus jamais tratou os pecados particulares das pessoas de forma pública e vexatória.
Jesus jamais se deixou levar pela aparência externa. O que o fazia se desdobrar em misericórdia era a sinceridade interior e despretensiosa.
Jesus jamais ficou indiferente ao sofrimento, fosse ele de ordem psíquica, espiritual ou física.
Jesus jamais tratou com diferença pobres e ricos. Se alguma diferença ficou evidente, jamais foi contra a justiça.
Jesus jamais deixou de ser humano, mesmo sendo Deus se fez servo de todos.

Muitas outras coisas jamais se encontrariam no espírito e nos passos do Jesus dos Evangelhos, da Palavra de Deus feita carne, materializada e revelada definitivamente aos homens. Os passos de Jesus são reconciliadores, libertadores e despertam para a vida ainda que tudo a sua volta seja caos e morte. O que não se enquadra no Deus que se entrega por amor e misericórdia não cabe nos passos de Jesus.

O Deus que jamais se deixa enganar nos ensine a discernir nossos passos e nos abençoe rica, poderosa e sobrenaturalmente!

Texto originalmente publicado no blog do autor, que gentilmente o cedeu para publicação no Instituto Jetro.

quarta-feira, 12 de junho de 2013

A essência da liderança


Gilclér Regina

"No exército americano, na hora da refeição, os soldados comem primeiro, os oficiais depois".
Gilclér Regina

Fiz algumas palestras sobre motivação para resultados, qualidade de vida e sobre o sucesso que é conquistado por trabalho, determinação e crenças pessoais, juntamente com o Escritor americano James Hunter, autor dos livros "O monge e o executivo" e "Como se tornar um líder servidor". Eis aqui algumas reflexões sobre a liderança de pessoas: O que é mais importante numa organização? O sistema ou a gestão de pessoas?
No início a empresa cresce, o dono do negócio conhece todo mundo, chama cada cliente pelo nome, sabe quem paga e quem não paga, está presente na vida de muitos funcionários. Bem, a empresa cresceu mais, multiplicaram-se os resultados e na mesma proporção, avolumaram-se os problemas. Com a falta de um sistema condizente, parece que a empresa está numa autoestrada onde passam Porches, Ferraris, BMWs e ela está de Charrete, puxada por um cavalo cansado.
Aparentemente, a primeira impressão é que a falta de um sistema profissional, de organização e métodos, e de planejamento é o que mais está causando danos a este negócio que cresceu. Por outro lado, se a empresa criar o melhor sistema do mundo e abandonar sua política de gestão de pessoas, de formação de líderes, estará fadada ao fracasso. Pois, sistema algum, por maior que seja a empresa, substituirá o ser humano, o olho clínico do empresário. É bom que se diga que os dois são importantes e se completam.

EU primeiro!
Se você observar a natureza básica de um ser humano, verá que uma criança de dois anos colocará sempre duas palavras em ação: "Eu primeiro". Para crianças pode até ser bonitinho, mas fica repulsivo em adultos. Muitos gestores "criança" que usam belos ternos, o charme pessoal, a inteligência e até alguns truques para sobreviver na "selva corporativa" acabam errando como um menininho ao bater o pé dizendo : "Eu primeiro"!
Se você estudar grandes líderes como Ghandi e Madre Teresa e mesmo a Liderança Servidora de Jesus Cristo irá descobrir a frequência com que eles falam da alegria em servir aos outros. O caminho é entender a escala de prioridades e saber que o mais importante é a equipe. No exército americano, na hora da refeição, os soldados comem primeiro, os oficiais depois.
E mesmo essas pessoas que não entendem a "importância espiritual" que o líder deve ter, sabem que a criação de um time vitorioso seja uma equipe de futebol ou uma equipe de vendas é essencialmente um ato espiritual.
Tenho estudado minha vida inteira temas como motivação, qualidade e liderança e sou um apaixonado pela área de vendas. Minha biblioteca é composta em sua grande maioria por livros deste tema. Entender de pessoas é sempre o caminho: O mundo é dividido entre os que fazem e os que reclamam. Liderar é saber navegar neste oceano e obter resultados com uma equipe motivada que trabalhe com alegria.

Reprodução autorizada desde que mantida a integridade dos textos, mencionado o autor e a fonte como: http://www.institutojetro.com/

segunda-feira, 20 de maio de 2013

As bases bíblicas da ética cristã

do Bereianos


por Alderi Souza de Matos

A palavra “ética” vem do grego ethos e se refere aos costumes ou práticas que são aprovados por uma cultura. A ética é a ciência da moral ou dos valores e tem a ver com as normas sob as quais o indivíduo e a sociedade vivem. Essas normas podem variar grandemente de uma cultura para outra e dependem da fonte de autoridade que lhes serve de fundamento.
A ética cristã tem elementos distintivos em relação a outros sistemas. O teólogo Emil Brunner declarou que a ética cristã é a ciência da conduta humana que se determina pela conduta divina. Os fundamentos da ética cristã encontram-se nas Escrituras do Antigo e do Novo Testamento, entendidas como a revelação especial de Deus aos seres humanos.
A ética é importante para a vida diária do cristão. A cada momento precisamos tomar decisões que afetam a outros e a nós mesmos. A ética cristã ajuda as pessoas a encarar seus valores e deveres de uma perspectiva correta, a perspectiva de Deus. Ela mostra ao ser humano o quanto está distante dos alvos de Deus para a sua vida, mas o ajuda a progredir em direção esse ideal.
Se fosse possível declarar em uma só sentença a totalidade do dever social e moral do ser humano, poderíamos fazê-lo com as palavras de Jesus: “Amarás o Senhor teu Deus de todo o teu coração, de toda a tua alma e de todo o teu entendimento... e amarás o teu próximo como a ti mesmo”. (Mt 22, 37 e 39)

1. A ÉTICA DO ANTIGO TESTAMENTO

1.1 O caráter ético de Deus
A religião dos judeus tem sido descrita como “monoteísmo ético”. O Velho Testamento fala da existência de um único DEUS, o criador e Senhor de todas as coisas. Esse Deus é pessoal e tem um caráter positivo, não negativo ou neutro. Esse caráter se revela em seus atributos morais. Deus é Santo (Lv 11, 45; Sl 99, 9), justo (Sl 11, 7; 145, 17), verdadeiro (Sl 119, 160; Is 45, 19), misericordioso (Sl 103, 8; Is 55, 7), fiel (Dt 7, 9; Sl 33, 4).

1.2 A natureza moral do homem
A Escritura afirma que Deus criou o ser humano à sua semelhança (Gn 1, 26-27). Isso significa que o homem partilha, ainda que de modo limitado, do caráter moral de seu Criador. Embora o pecado haja distorcido essa imagem divina no ser humano, não a destruiu totalmente. Deus requer uma conduta ética das suas criaturas: “Sede santos porque eu sou santo” (Lv 19, 2; 20, 26).

1.3 A Lei de Deus
A lei expressa o desejo que Deus tem de que as suas criaturas vivam vidas de integridade. Há três tipos de leis no Antigo Testamento: cerimoniais, civis e morais. Todas visavam disciplinar o relacionamento das pessoas com Deus e com o seu próximo. A lei inculca valores como a solidariedade, o altruísmo, a humildade, a veracidade, sempre visando o bem-estar do indivíduo, da família e da coletividade.

1.4 Os Dez Mandamentos
A grande síntese da moralidade bíblica está expressa nos Dez Mandamentos (Ex 20, 1-17; Dt 5, 6-21). As chamadas “duas tábuas da lei” mostram os deveres das pessoas para com Deus e para com o seu próximo. O Reformador João Calvino falava nos três usos da Lei: judicial, civil e santificador. Todas as confissões de fé reformadas dão grande destaque à exposição dos Dez Mandamentos.

1.5 A contribuição dos profetas
Alguns dos preceitos éticos mais nobres do Antigo Testamento são encontrados nos livros dos Profetas, especialmente Isaías, Oséias, Amós e Miquéias. Sua ênfase está não só na ética individual, mas social. Eles mostram a incoerência de cultuar a Deus e oferecer-lhe sacrifícios, sem todavia ter um relacionamento de integridade com o semelhante. Ver Isaías 1, 10-17; 5, 7 e 20; 10 1-2; 33, 15; Oséias 4, 1-2; 6, 6; 10, 12; Amós 5, 12-15, 21-24; Miquéias 6, 6-8.

2. A ÉTICA DO NOVO TESTAMENTO

1. A ética do Novo Testamento não contrasta com a do Antigo, mas nele se fundamenta. Jesus e os Apóstolos desenvolvem e aprofundam princípios e temas que já estavam presentes nas Escrituras Hebraicas, dando também algumas ênfases novas.

2. A ética de Jesus: a ética de Jesus está contida nos seus ensinos e é ilustrada pela sua vida. O tema central da mensagem de Jesus é o conceito do “reino de Deus”. Esse reino expressa uma nova realidade em que a vontade de Deus é reconhecida e aceita em todas as áreas. Jesus não apenas ensinou os valores do reino, mas os exemplificou com a vida e o seu exemplo.

3. O Sermão da Montanha: uma das melhores sínteses da ética de Jesus está contida no Sermão da Montanha (Mateus Caps. 5 a 7). Os seus discípulos (os Filhos do Reino) devem caracterizar-se pela humildade, mansidão, misericórdia, integridade, busca da justiça e da paz, pelo perdão, pela veracidade, pela generosidade e acima de tudo pelo amor. A moralidade deve ser tanto externa como interna (sentimentos, intenções): Mt 5, 28. A fonte do mal está no coração: Mc 7, 21-23.

4. A vontade de Deus: Jesus acentua que a vontade ou o propósito de Deus é o valor supremo. Vemos isso, por exemplo, em Mt 19, 3-6. O maior pecado do ser humano é o amor próprio, o egocentrismo (Lc 12, 13-21; 17, 33). Daí a ênfase nos dois grandes mandamentos que sintetizam toda a lei: Mt 22, 37-40. Outro princípio importante é a famosa “regra de ouro”: Mt 7, 12.

5. A ética de Paulo: Paulo baseia toda a sua ética na realidade da redenção em Cristo. Sua expressão característica é “em Cristo” (II Co 5, 17; Gl 2, 20; 3, 28; Fp 4, 1). Somente por estar em Cristo e viver em Cristo, profundamente unido a Ele pela fé, o cristão pode agora viver uma nova vida, dinamizado pelo Espírito de Cristo. Todavia, o cristão não alcançou ainda a plenitude, que virá com a consumação de todas as coisas. Ele vive entre dois tempos: o “já” e o “ainda não”.

6. Tipicamente em suas cartas, depois de expor a obra redentora de Deus por meio de Cristo, Paulo apresenta uma série de implicações dessa redenção para a vida diária do crente em todos os aspectos (Rm 12, 1-2; Ef 4, 1)

7. Entre os motivos que devem impulsionar as pessoas em sua conduta está a imitação de Cristo (Rm 15, 5; Gl 2, 20; Ef 5, 1-2; Fp 2, 5). Outro motivo fundamental é o amor (Rm 12, 9-10; I Co 13, 1-13; 16, 14; Gl 5, 6). O viver ético é sempre o fruto do Espírito (Gl 5, 22-23).

8. Na sua argumentação ética, Paulo dá ênfase ao bem-estar da comunidade, o corpo de Cristo (Rm 12, 5; I Co 10, 17; 12, 13 e 27; Ef 4, 25; Gl 3, 28). Ao mesmo tempo, ele valoriza o indivíduo, o irmão por quem Cristo morreu (Rm 14, 15; I Co 8, 11; I Ts 4, 6; Fm 16)

9. Acima de tudo, o crente deve viver para Deus, de modo digno dele, para o seu inteiro agrado: Rm 14, 8; II Co 5, 15; Fp 1, 27; Cl 1, 10; I Ts 2, 12; Tt 2, 12.

Fonte: Mackenzie

terça-feira, 19 de março de 2013

Se você ordena presbíteros desqualificados…


por Paul Levy

Paul Levy
Paul Levy
1. A igreja é enfraquecida, pois os líderes não são exemplos de piedade. As congregações deveriam ser capazes de olhar para seus líderes e aspirar ser como eles em suas vidas e em seus ensinos.
2. Você coloca o futuro da igreja em perigo. Ministros vem e vão. A maioria dos presbíteros vai permanecer por mais tempo que os pastores e serão os homens que escolherão os próximos.
3. Você coloca seu pastor em uma posição vulnerável. Pode ser que os presbíteros sejam homens fracos que permitem que ele faça tudo que quiser. Todas as decisões são de acordo com a vontade dele e as pessoas começam a temer enfrentá-lo. Por outro lado, há incontáveis exemplos de presbíteros que fazem da vida dos pastores um tormento, ao puxarem o freio de mão a cada oportunidade que aparece e serem extremamente difíceis de lidar.
4. Líderes com teologia fraca não serão capazes de detectar erros. Muito provavelmente será uma questão de ênfase, e o ensino começa a ficar desbalanceado. Presbíteros com um bom conhecimento das Escrituras e das Confissões serão capazes de nos corrigir, ou pelo menos nos alertar quando começarmos a desequilibrar.
5. Seus presbíteros não serão pastores do rebanho. Serão apenas uma mesa diretora que toma decisões executivas sem, de fato, cuidar das pessoas e lidarem com suas necessidades. O pragmatismo mata igrejas a longo prazo.
6. Quando se trata de grandes decisões e ataques à verdade, a única esperança é que eles tomem as decisões corretas baseados nas lealdades pessoais. Eles certamente não terão as bases teológicas corretas para tomarem as decisões certas.
7. A disciplina eclesiástica será praticamente inexistente, pois eles nunca enxergarão os problemas.
Traduzido por Filipe Schulz | iPródigo.com | Original aqui

quarta-feira, 6 de março de 2013

A síndrome de Elias


De todos os grandes homens da Bíblia Sagrada, principalmente no Antigo Testamento, à exceção de Moisés, talvez nenhum outro tenha assombrado tanto seus contemporâneos como Elias. Sempre torci o nariz para Tiago que diz que Elias foi um homem como nós. Como assim como nós? Elias não morreu, ora bolas, e eu a que tudo indica irei para o buraco chamado túmulo como todos. Deus nunca respondeu minhas orações com fogo e nunca abriu um rio para eu passar. E por mais atlético que eu possa me tornar jamais ganharei de cavalos escolhidos como ele.
Porém, o que Tiago dizia não era sobre os feitos espetaculares da vida de Elias e como podemos ter os mesmos “poderes” que ele. Isto porque Tiago sabia muito bem que o poder é de Deus e não de Elias ou de qualquer outro homem. Tiago falava, sim, do ser humano Elias.

O ser humano
Analisando a vida do ser humano Elias desde o princípio, aprendemos principalmente que ele não tem muitas referências pessoais, senão vejamos: “Então, Elias, o tesbita, dos moradores de Gileade...“. Geralmente, os grandes homens e mulheres da Bíblia têm seus nomes acompanhados por uma linhagem, o que chamo aqui de “pedigree”. Este não era o caso de Elias. Ele apareceu de repente no relato, sem nada que o recomendasse diante de Acabe, a não ser: "... Tão certo como vive o Senhor, Deus de Israel, perante cuja face estou...".
Deixe-me fazer um parêntesis: como isto contrasta com os que se dizem homens de Deus hoje em dia, que valorizam os títulos e advogam quanto tempo já estão “na obra” para justificar o seu direito de falar em nome de Deus. Desfilam seu poder em ternos bem cortados e carrões, levantando a voz e impondo as mãos sobre os pobres mortais, dizendo: “receba a unção, meu irmão!”.
Existe uma outra característica na vida de Elias que não seria muito bem recebida hoje. Parecia haver nele uma falta de senso crítico, veja novamente: “Retira-te daqui, vai para o lado oriental e esconde-te junto à torrente de Querite, fronteira ao Jordão”. Logo agora que ele havia colocado o rei ímpio no seu devido lugar, Deus o manda para os “cafundós do Judas”. Querite ficava do outro lado do Jordão, no deserto. Isto, segundo muitos comentaristas bíblicos, não pareceria muito racional. O racional é que ele ficasse ali, espetando o rei. Mas Elias nem sequer discute, ruma para Querite e fica lá. Deus tinha falado e ponto.
Outro parêntesis: Todos nós, cristãos sérios, sabemos muito bem que a Bíblia é a Palavra de Deus, a verdade revelada para o ser humano. Porém, assusta-me muito ver o quanto se tem torcido a Palavra de Deus para benefício próprio, para conveniências pessoais e denominacionais. O quanto se tem desobedecido e discutido o que a Palavra tem como indiscutível. Mesmo quando Deus manda Elias para Sarepta que se localizava em Sidom, Terra de Baal e de Jezabel - sua pior inimiga -, Elias não discute. Ele reconhece claramente o Espírito Santo de Deus falando e obedece. Isto porque Elias estava cheio do Espírito Santo de Deus. Crentes cheios do Espírito são capazes de compreender claramente as Sagradas Escrituras e reconhecer quando ela está sendo manipulada por falsos mestres. Portanto, “... enchei-vos do Espírito...”, continua sendo a melhor recomendação, para que, ao ouvirmos a voz do Santo Espírito, a reconheçamos sem titubear.

A síndrome
Tendo chegado até aqui, cabe-nos analisar agora a tal “síndrome” que ocorre a partir de um dos pontos mais altos da vida de Elias, a saber, o confronto no Carmelo com os profetas de Baal, o desafio de fogo e o retorno da chuva após três longos anos. Após ter se mostrado obediente e paciente, Elias, mais uma vez movimentado pelo Espírito Santo de Deus, marca o encontro fatal (para os profetas de Baal) e anuncia o final da seca. Coloque-se em sua pele, pois é aqui em que mais nos identificamos com ele.
Grandes feitos. Quem não anseia por eles? O mais humilde crente na Terra almeja fazer grandes coisas por seu Senhor, não é assim? Desafiar os poderes da maldade, grandes campanhas evangelísticas... Atualmente, existem até aqueles que declaram que mega-cidades inteiras como São Paulo e Rio de Janeiro “pertencem” ao Senhor Jesus. Compreendo até as boas intenções destes últimos, mas sabemos que não é bem assim. Elias também descobre isto no cume do Carmelo, ele faz uma pergunta simples e...” Até quando coxeareis entre dois pensamentos? Se o Senhor é Deus, segui-o; se é Baal, segui-o. Porém o povo nada lhe respondeu.” Pois é, silêncio. Talvez Elias achasse que pelos menos uma voz dissesse: Amém! Nada... só o vento.
Aqui começa o tropeço de Elias que vai levá-lo a seguinte oração, que aliás, foi única que ele fez que Deus não respondeu: “...Basta; toma agora, ó Senhor, a minha alma, pois não sou melhor do que meus pais.” Elias se sente sozinho, humanamente falando. Só. Este é um dos piores sentimentos que um servo de Deus pode sentir - a terrível sensação de que está malhando ferro frio, dando “murro em ponta de faca”.
De fato, Elias estava só. Após ter feito tudo como Deus sempre mandara, após ter desafiado a maldade, após ter se colocado na presença de Deus incondicionalmente, Elias estava só, não havia um amigo sequer. Quando isto acontece, quando falta um ombro amigo, tornamo-nos circunspectos, quase mórbidos. Como Elias, dizemos: “leva-me, Senhor”, “não entendem os seus caminhos”, “não querem nada contigo”, etc. Passamos a achar que somos os únicos que se importam de verdade com a “causa”. Isto é um peso que ninguém pode carregar sozinho, não é de se admirar que Elias queria a morte.
“Tenho sido em extremo zeloso pelo Senhor, Deus dos Exércitos, porque os filhos de Israel deixaram a tua aliança, derribaram os teus altares e mataram os teus profetas à espada; e eu fiquei só...” Anos a fio trabalhando na “causa”, esquecendo-se de relacionamentos sinceros, levam-nos a queixas como a dele. Não é de se admirar que os crentes mais ativos e criativos sejam, muitas vezes, os mais carrancudos e intolerantes. No fundo estão sozinhos, não porque não existam outros lutando na “causa” e sim porque estão isolados. Não são capazes de enxergar os “...sete mil, todos os joelhos que não se dobraram a Baal, e toda boca que o não beijou”, os quais Deus conservou para levar avante os seus desígnios.
Tal qual aconteceu com Elias, algumas vezes acontece o mesmo comigo e mesmo com você. No ponto mais alto, no calor da obra, somos atacados pela síndrome de Elias, e achamos que não adiantou nada, por mais que lutemos nada mudou. Elias achou isto quando Jezabel ameaçou caçá-lo até a morte. No ponto mais alto é que estamos mais vulneráveis. Basta um leve empurrão, quanto mais o solavanco que deu Jezabel.

Como se evita esta síndrome?
Veja o que receita para o doente Elias o Deus Todo-Poderoso: “Eliseu, filho de Safate, de Abel-Meolá, ungirás profeta em teu lugar”, muito mais do que um substituto, Eliseu foi para Elias o amigo que nunca teve, o amparo, o ombro amigo que sempre necessitou. Esta receita continua valendo para mim e para você, valeu para Paulo também - “Procura vir ter comigo depressa.”, disse ele para Timóteo. Tão importante como o relacionamento vertical (com Deus) é o relacionamento horizontal (com o próximo). Esquecer disto é abrir a porta para o fracasso pessoal, muito embora, à vista de todos, você seja o grande homem ou mulher de Deus.
Fiquemos alertas, sempre haverá os tais sete mil, ou muito mais.

Reprodução Autorizada desde que mantida a integridade dos textos, mencionado o autor e o site www.institutojetro.com