quarta-feira, 1 de agosto de 2007

Decadência da ética

Julio Capilé*

Estamos vivendo, de uns tempos para cá, em um mundo de descalabros. Tudo está sendo invertido. Autoridades vivem sem saber como agir face aos problemas gerais. A desonestidade está se tornando coisa corriqueira. A insegurança é a tônica do dia a dia. Irresponsabilidade em todos os setores. Não é só no Brasil, o mundo está conturbado. Guerras sem motivo assolam vários povos. A fome aumenta no mundo apesar de muitos tentarem debelá-la.
Essa ausência de ética leva grande parte das pessoas a apelar para a "Lei de Gerson", pois os que não fazem são considerados bobos. Há pessoas que já têm vergonha de serem honestas. É preciso ter coragem para isso. Alguns pensadores dizem que a ética está sendo abandonada desde a década de 1960 com o "faça amor não faça guerra" do tempo da guerra do Vietnam. Naquele tempo houve de fato uma revolução da moral. Os costumes foram trocados. Vieram os cabeludos e depois a vestimenta despojada. Liberação do sexo. Em 1971 foi inventada a pílula e a licenciosidade tomou conta da moçada. Foi criado o desquite e depois o divórcio. Aos poucos foi desaparecendo o casamento. Hoje a maioria das mulheres tem é namorado. Marido hoje é coisa rara. Vimos agora no Pan-2007 que nenhuma participante falou em marido e sim em "meu namorado". O conceito de família tende a desaparecer.
A diferença, entretanto, daquela década é que, então, havia mais cidadania. Mais honestidade. Os homens eram mais sérios. Até os bandidos tinham seus códigos de honra. Já vinha do tempo de Getúlio Vargas a segurança e o respeito. Com a república dos militares isto foi mantido e também o Brasil ganhou um grande desenvolvimento. Comunicação, estradas de rodagem e energia. Antes, um DDD levava horas ou dias para ser completado e passou a ser imediato; a rede viária muito boa e conservada e, a energia multiplicou inclusive com Itaipu. Depois veio a democracia com uma Constituição cheia de direitos e poucos deveres. As autoridades ficaram com pouca opção para cumprir seu dever. A moral tornou-se laça; pouco a pouco se foram invertendo os valores sem que a humanidade notasse e, de licença em licença desapareceram as tradições. A vestimenta foi totalmente modificada, as modas foram acentuando o mau gosto. Hoje é "linda" uma roupa masculina toda esquisita. Homens vão a supermercados vestindo sunga e camisa regatas. Até idosos, mesmo sem o calor, exibem-se com bermudas ridículas expondo as pernas cheias de meandros de varizes que bem mereciam ficar encobertas em favor da elegância e do bom tom. Como diria meu velho pai, "eu acho que vivi demais e por isso estou achando tudo sem jeito". E no tempo dele só existia o desquite. Mas é isso ai: onde está o normal? Onde a beleza?
Minha visão das coisas estará distorcida? Como vivo a analisar meus pensamentos, palavras, atos e atitudes para melhorar meu espírito (ou seja, eu) e superar as marcas já alcançadas, vou observar melhor para ver se consigo achar normal o que aconteceu outro dia: a filha dar carona para o pai, que está sem carro, para levá-lo à casa da namorada dele e depois ir a uma festinha em casa da mãe cujo namorado estava aniversariando. Quanto nó deu o cérebro dessa menina até se adaptar a isso? Qual será sua ética? Para ela, agora, está tudo bem. Talvez eu tenha que me reciclar. Fico comparando com o passado, mas comparações não mostram onde está a verdade, porque verdade também tem sua época. Será isso evolução? "Qui lo sá?".

Fonte: http://www.progresso.com.br/not_view.php?not_id=31048

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