terça-feira, 23 de outubro de 2007

Conheça René, o motorista de táxi que não sabe o que é crise

Por Sérgio Almeida


"Como estão os negócios?", perguntei a um motorista de táxi. "Muito ruins, o que ganho não está dando nem para pagar a prestação do carro. Para o senhor ter uma idéia, em um dia, quando faço três ou quatro corridas, já considero um bom negócio. Vivemos numa bruta crise. Os passageiros sumiram. Ninguém mais tem dinheiro".

Na mesma semana, conheci outro taxista: o René. Com este, tive uma experiência nada convencional. Foi por acaso. Procurando um táxi, acenei. Ele parou de forma prudente e segura.
Cumprimentou perguntando meu nome. Gentilmente, abriu a porta. Quis saber se o ar-condicionado estava regulado a meu gosto, se queria ouvir rádio ou cd e qual a minha preferência. Bom começo. No trajeto tentei falar ao celular. Para variar, a bateria estava fraca. Percebendo minha decepção, disse: "Sr. Sérgio, meu celular está à sua disposição". Me belisca. Eu não acredito! Chamou-me pelo nome... ofereceu-me o celular... Sejamos francos: esta não é uma prática comum. Aceitei! Precisava usar o telefone.
Alguns quilômetros adiante, fui novamente surpreendido. O René estende a mão, apresentando- me uma pequena cesta com bombons. " O senhor aceita?" Fiquei preocupado, confesso.
O que esse cara quer comigo? Um sujeito forte, oferecendo-me celular, bombons...bateu uma suadeira danada. Pensei: " Meus Deus, estou em apuros. Com tanta gentileza, este cara ta com segundas intenções". Prontamente, arquitetei um plano de fuga: No próximo semáforo, quando o carro parar, abro a porta e saio correndo". Assim escaparia ileso.
Na verdade, acabara de descobrir um excelente profissional. Do René, além de cliente, virei fã. Já o indiquei a dezenas de amigos, familiares e colegas de trabalho. Lembra da pergunta que tinha feito ao primeiro taxista? Fiz também ao René: " Como andam os negócios?
Quantas corridas tem feito por dia ?" Ele disse: " Dez, doze..." Espantado, interrompi: " Como?
E a crise?" O primeiro taxista tinha feito a minha cabeça. René disse: " Tenho lido no jornal problemas na economia, crise cambial, etc. Mas isso não alterou o meu negócio..."Comecei então a desvendar o que estava por trás do sucesso de René. De dez corridas que ele faz, cerca de oito dão para clientes cativos, que o chamam pelo celular.
Mesma cidade, mesmo carro, mesma semana; um profissional está em crise; o outro, no mesmo segmento, não conhecia seus efeitos. Onde está a diferença? A resposta é: atendimento, serviço, valor agregado, relacionamento com o cliente. Mesmo sem ter a oportunidade de ir para a universidade ou fazer um MBA, René consegue obter um fantástico desempenho em seu negócio. Melhora a vida dos clientes e aumenta seus lucros.

"Não servindo à vista, como para agradar a homens, mas como servos de Cristo, fazendo de coração, a vontade de Deus, servindo de boa vontade, como ao Senhor e não como a homens". (Ef.6:6)

* Revista Você S/A - Edição 55, pág. 44, Janeiro 2003

Postar um comentário
Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...
Grupos do Google
Receba em seu e-mail, Textos Reformados Selecionados
E-mail:
Visitar este grupo