sexta-feira, 12 de outubro de 2007

Líder: O Encantador de Pessoas


Quando eu era criança adorava ler as histórias e ver os filmes onde tinha o famoso personagem que encantava as serpentes. Pensava como era possível ele fazer aquilo sem se machucar, sem que a serpente não avançasse sobre o homem. Mais tarde entendi que o que aquele homem fazia era baseado em técnicas aprimoradas através de muito treinamento. Certamente ele deve ter sido picado algumas vezes, mas aprendeu a dominar a serpente e utilizar este domínio a seu favor.

Transportando esta antiga lembrança para os dias atuais e, mais precisamente, para o mundo corporativo, faço um paralelo com o líder e sua equipe. Quantos profissionais conhecemos que detêm este poder sobre seus liderados? Aqueles a quem chamamos verdadeiramente de líderes?

Na história da humanidade sabemos de diversas pessoas que conseguiram atuar como encantadores de serpentes, ou melhor, de pessoas. É comum citarmos Moisés, Gandhi, Jesus Cristo, Getúlio Vargas, Silvio Santos, Napoleão e o Papa João Paulo II como alguns dos expoentes na capacidade de atrair pessoas e mantê-las sobre seu “domínio”.

O fato é que estas personalidades, assim como outras pessoas menos famosas, como um professor, um pastor, um parente, um gerente, desenvolveram uma fantástica habilidade de cativar as pessoas a sua volta. Esta capacidade, que é um fator que pode ser aprimorado através de técnicas específicas, é conhecida como “carisma”. Há pessoas que irão pensar: como é possível desenvolver o carisma? Não é algo inato? Alguns têm, outros não!

É certo que algumas pessoas nascem com maior predisposição para certas coisas do que outras. A questão é que todos somos capazes de aprimorar o nosso comportamento através do conhecimento de si mesmo, técnicas específicas e vontade para mudar e estabelecer critérios e objetivos. Enfim, somos capazes de aprimorar nossa capacidade de sermos carismáticos.

Afinal, o que é carisma? Segundo algumas definições de dicionários, carisma é uma qualidade marcante de um indivíduo que o distingue dos demais. Ainda: atribuição a outrem de qualidades especiais de liderança, derivadas de sanção divina, mágica, diabólica, ou apenas de individualidade excepcional. Ainda há pessoas que acreditam que carisma é apenas um dom divino, posição reforçada pela origem da palavra, que em grego significa “graça” ou “dom”.

Existem estudos recentes onde até são definidos alguns tipos de carisma. A americana Doe Lang é uma destas pesquisadoras que afirma existirem dez tipos de personalidades carismáticas. Entre elas destaco o carisma magnético, que é atribuído a pessoas que estão, geralmente, no meio artístico e cultural. Mas, também, encontramos aqueles que sem fazerem parte das celebridades conseguem realizar seus feitos através das pessoas. É aqui que eu classifico o “líder encantador de pessoas”.

Através de algumas ações é possível desenvolver e aprimorar o carisma do líder no ambiente de trabalho. A primeira delas é ter um profundo conhecimento das próprias emoções. Perceber a si mesmo e como os sentimentos de “alegria-satisfação-felicidade” e “raiva-frustração-medo” influenciam suas atitudes. Sabendo utilizar o poder das emoções é possível gerar um ambiente favorável para o melhor desempenho das pessoas. Faça uma lista de situações onde estes sentimentos aparecem com mais freqüência. Procure perceber o que verdadeiramente leva a sentir estas emoções e, quando não souber como agir sozinho, procure orientação de um profissional especializado em coaching ou psicologia.

E tem mais... o líder carismático não é aquele que sempre “agrada” as pessoas, mas sim aquele que é justo. Agir com senso de justiça faz com que seus funcionários reconheçam um verdadeiro líder. Para isso é preciso separar o envolvimento e preferências pessoais com os resultados e metas estabelecidas pela corporação.

É preciso garantir que sua imagem perante os demais também seja positiva. Alcançamos uma imagem positiva através de duas ações simples: apresentação pessoal e comunicação. Não é preciso vestir-se como um galã, muito menos com roupas e acessórios de grife. O importante é manter um padrão de imagem, aquele que caracteriza sua personalidade. Quando o assunto é comunicação vale lembrar que o mais importante é a maneira que falamos as coisas. Mais do que o conteúdo a ser comunicado, a forma, o jeito, a maneira de expressar idéias e sentimentos é fundamental para criar empatia e simpatia nas pessoas. Aqueles que aprimoram seu poder de oratória, sem dúvida, criam uma espécie de carisma típico dos grandes apresentadores e celebridades. Uma fala confiante, positiva e inspiradora pode ser desenvolvida através de treinamento e observando pessoas que você admira.

Claro que este é um assunto para muito mais linhas, mas meu objetivo é trazer uma reflexão sobre o que torna alguns profissionais verdadeiros encantadores de pessoas nas organizações. O caminho está aberto para você trilhar estas idéias e encontrar sua própria direção. Boa jornada!

Rogerio Martins é Psicólogo, Professor Universitário, Consultor Organizacional e Palestrante sobre comportamento, gestão de pessoas e motivação humana.

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