sábado, 6 de outubro de 2007

A ética e a bicicleta


Ética é sempre um assunto polêmico. Da mesma forma que temáticas como futebol e religião despertam sentimentos, preferências e princípios particulares em cada indivíduo, a ética também o faz. Dentre as definições dadas à ética, uma diz que ela é o conjunto de valores morais e princípios de conduta que regem as ações das pessoas (físicas e jurídicas) dentro de uma comunidade. Naturalmente, os padrões de conduta são diferentes de uma comunidade para outra. Todavia, por mais diferentes que sejam os conceitos entre as comunidades, alguns conceitos éticos são comuns a todos. Atos como não matar, não roubar e não agir de má-fé estão presentes na ética de todas as culturas.

Outra diferença da ética ao redor do mundo é a forma como ela é exercida nas sociedades. Não se trata da criação de uma padronização ou limitação das liberdades individuais, pelo contrário, é um respeito ao convívio em sociedade; ao espaço e à coisa alheia. Por ser um código que emana da cultura do povo, que influencia na própria formação jurídica daquele grupo, compete a eles exercerem estes preceitos e, por meio de suas instituições, cobrarem que seus semelhantes comportem-se da forma comum e aceita por todos.

E esta vivência da ética é que remete ao título deste artigo. Ter ética é como andar de bicicleta. Não pelo fato de uma vez aprendido nunca mais se esquece. Muito pelo contrário. Ela deve ser exercida repetidamente, sempre, de forma contínua. Como o pedalar em uma bicicleta. Caso se pare de prover força aos pedais, a bicicleta pára e cai; uma ética não exercida é nula, irrelevante, como uma bicicleta sem força.

A partir do momento que estes conceitos são postos à margem das relações, perde-se o respeito mútuo e todos os elementos que compõem o âmago de uma sociedade. Hoje, no Brasil, a ética notadamente perde a força em seu “pedalar” dentro de alguns setores. Porém, não cabe à sociedade somente lamentar a iminente queda da bicicleta, mas sim exigir que aqueles que a guiam pedalem também, façam força, cumpram sua parte no pacto moral nacional, ou, caso contrário, procurem carona em outra bicicleta.

Rafael Melo e Silva/Professor de comércio exterior - meloscbr@yahoo.com.br



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