quarta-feira, 16 de abril de 2008

Princípios Bíblicos para a Liderança e Administração Eclesiástica - Tomada de Decisões

Em nossas vidas, a todo instante, estamos envolvidos em decisões. Questões pessoais, familiares, acadêmicas, profissionais e outras, fazem parte desta realidade.
Conforme Chiavenato (1999, p. 283)
A decisão ocorre sempre quando nos deparamos com cursos alternativos de comportamento, ou seja, quando podemos fazer algo de duas ou mais formas diferentes. Essa encruzilhada de alternativas conduz à decisão. Quando só existe uma única maneira para fazer as coisas, não há decisão a tomar. Assim, decisão é a escolha gente a várias alternativas de ação. Decisão envolve sempre opção de escolha.
Todas as pessoas que ocupam cargos de liderança vivem envolvidas em tomadas de decisões. Um grande volume de recursos financeiros são gastos em reuniões e análises de dados objetivando a melhor escolha ou alternativa possível. O erro é sempre uma possibilidade.
Dessa forma, surge o seguinte problema: “Como devemos proceder para tomar decisões corretas?” Rush (2005, p. 103) afirma categoricamente “A Bíblia nos dá a resposta”. Em Salmos 25:12 ela diz “Ao homem que teme ao Senhor, ele o instruirá no caminho que deve escolher.”
O caminho mental que o administrador utiliza para chegar a uma decisão é chamado de processo decisorial (CHIAVENATO, 1999, p. 287). Ele classifica em seis etapas este processo. São elas:
- Identificar a situação. Este primeiro estágio procura mapear a situação. Três aspectos são aqui apresentados; definição do problema; diagnóstico das causas e identificação dos objetivos da decisão.
- Obter informação sobre a situação. Neste estágio, o administrador ouve as pessoas, pede relatórios, observa pessoalmente, lê sobre o assunto, verifica antecedentes e fatos passados.
- Gerar soluções ou cursos alternativos de ação. As decisões programadas facilitam a criação de alternativas. Quanto melhor o número de alternativas desenvolvidas, melhor. A avaliação ou verificação da viabilidade das alternativas propostas não fazem parte deste estágio.
- Avaliar as alternativas e escolher a solução ou curso de ação preferido. Num processo comum, as alternativas são avaliadas e comparadas, a fim de se buscar a mais propícia à solução.
- Transformar a solução ou curso de ação escolhido em ação efetiva. A solução escolhida é aqui implementada. Implementar uma decisão envolve vários fatores, como por exemplo, a aquisição de recursos, elaboração de orçamentos, planos de ações, delegação de responsabilidades, relatórios de progresso são essências nesta etapa.
- Avaliar os resultados obtidos. Tal avaliação ocorre quando as seguintes questões são respondidas: O que aconteceu internamente e externamente como resultado das decisões? As expectativas foram alcançadas? O problema foi resolvido parcialmente, definitivamente ou se agravou?
No caso de líderes cristãos, tal processo é diferenciado, pois deve levar em alta e primordial consideração a vontade de Deus. Para Rush (2005, p. 104-107, conhecer tal vontade envolve o seguinte processo:
- Assumir o compromisso de realizá-la (Romanos 12: 1-2)
- Reconhecer que Deus tem um plano específico para o indivíduo e para a sua instituição ou empresa (Jeremias 29:11)
- Deus nos revela sua vontade produzindo em nós o desejo de realizá-la (Filipenses 2:13; Salmo 37:4)
- Se um desejo nosso for proveniente da vontade de Deus, sentiremos paz e teremos os meios para realizá-lo (Isaías 26:3)
O processo decisorial segundo Rush (idem, p. 108-111), envolve cinco passos bíblicos:
- Avaliar corretamente a situação ou problema. Tal princípio é ilustrado pelo episódio em que Moisés enviou os doze espiões a Canaã (Números 13:1-20). Em razão de avaliar a situação por uma perspectiva equivocada, a maiorias dos espias concluíram que não seria possível conquistar a terra, mesmo tendo Deus já falado que a daria ao povo de Israel. A perspectiva humana não deve nunca sobrepujar a de Deus.
- Reunir e analisar os fatos. “Qualquer empreendimento é feito com planos sábios, torna-se forte com o bom senso, e dá resultados maravilhosos por estar em dia com os fatos.” (Provérbios 24:3-4, Salmos e provérbios Vivos). A Bíblia orienta e aprova a reunião e análise dos fatos, dentro um processo decisorial. “Se você se apressa em dar sua opinião, antes de ouvir os fatos, está mostrando que é um tolo. Você deveria se envergonhar!” (Provérbios 18:13, A Bíblia Viva). A análise dos fatos deve ser orientada pelas seguintes questões: O que a Bíblia diz sobre este assunto (Josué 1:8)? Quando oro, que orientações Deus me dá (Jeremias 33:3)? Estou comprometido em fazer a vontade de Deus no tocante a esta situação (Romanos 12:1-2)? De onde procedem meus interesses e desejos relativos a esta situação (Salmos 37.4)? Que tipo de aconselhamento tenho pedido aos outros acerca desta situação (Provérbios 11:14)? Nesta situação, o que as condições e as circunstâncias revelam (Provérbios 24:3-4)?
- Encontrar alternativas. Criar alternativas é algo que conduz o líder no processo de avaliação dos dados e fatos, possibilitando dessa forma a reflexão sobre as várias opções de ação (Provérbios 19:2).
- Avaliar os prós e os contras de cada alternativa. Quais os pontos fortes e fracos das alternativas propostas? Aqui se dá o processo eliminatório de algumas alternativas. A importância de avaliarmos nossas alternativas pode ser percebida no texto de Lucas 14:31-32: “Ou qual é o rei que, indo para combater outro rei, não se assenta primeiro para calcular se com dez mil homens poderá enfrentar o que vem contra ele com vinte mil? Caso contrário, estando o outro ainda longe, envia-lhe uma embaixada, pedindo condições de paz”.
- Escolher uma das alternativas aprovada. É o passo mais difícil de ser dado. O medo de não ter feito a escolha certa, faz com que muitos lideram temam a tomada final da decisão. Para os tais, que seguiram os passos aqui expostos, fica a exortação bíblica: “Instruir-te-ei e te ensinarei o caminho que deves seguir; e, sob as minhas vistas, te darei conselho”. (Salmos 32.80).
Os fatores que compões o clima da tomada de decisões precisam ser também considerados. São eles:
- A necessidade de ação
- O declínio gradual das condições, caso a ação seja protelada
- A insuficiência de dados
- O fator de risco
- As conseqüências de um possível fracasso
- As recompensas pelo sucesso
- A existência de mais de uma solução viável
Tomar decisões não implica na resolução automática e imediata do problema. É preciso entender que os problemas em geral, podem ser resolvidos num período de tempo relativamente curto, desde que as condições ou fatores circunstanciais sejam favoráveis. Neste caso, por vezes, a mudança nas condições implica na necessidade de um período de tempo considerável.
Por fim, é preciso salientar que o líder ou administrador cristão eficaz é aquele que ajuda os que estão sob o seu comando a tomar decisões, ao mesmo tempo em que os envolve e os permitem participar das suas.

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