domingo, 19 de dezembro de 2010

Planejamento estratégico: problemas e soluções

Estávamos numa reunião avaliando o planejamento de um período de trabalho. Um líder avaliou que o planejamento não foi eficaz e que precisaria melhorar. Ainda nesta reunião questionamos: como teria sido o período sem o planejamento? Realmente teria dificultado a organização e a realização das tarefas.
O planejamento estratégico é uma maneira de organizar as atividades da igreja que tem buscado caminhos para propiciar a sua importância e a proposta de fazer diferença na sociedade. Isto porque a sua identidade tem sido colocada à prova pelo ambiente em que atua. Às vezes, a igreja se ocupa com as múltiplas atividades e não consegue dar suporte às necessidades das pessoas. Outras vezes, constata-se que a liderança é sempre a mesma, ou centralizada, ou ainda o obreiro está sozinho.

Consideremos três pontos:

1. O ideal e a realidade
O ideal seria que cada organização, grupo e líder tivessem o seu planejamento e que tudo acontecesse como previsto. No entanto, a realidade nem sempre é esta, e existem perigos:

a) quando a organização deixa a razão para qual existe, quando ela deixa de cumprir o propósito de Deus como porta-voz da mensagem da salvação;
b) quando não se tem planejamento, facilmente se decide pela comunidade e contenta-se em reunir pessoas num mesmo lugar ou numa mesma tarefa. Quanto mais, melhor!;
c) normalmente são as questões pessoais que dificultam a organização e o gerenciamento de recursos pessoais e financeiros;
d) a institucionalização e a formalização da organização é um processo natural e corre-se o risco de perder o vigor e a missão pela qual existe. A rotina e a mesmice tornam-se a marca;
e) quando se faz o planejamento e este vale para sempre. Considerando a experiência de José (Gênesis) e Neemias, percebe-se que eles tinham alvos definidos, com propósitos, capazes de realizar e avaliar.

O planejamento estratégico está em constante avaliação e mudança. Quando alcança o alvo proposto, existe uma nova oportunidade a ser planejada. Ele é dinâmico.

2. O resultado e a crise do voluntariado
A organização e o planejamento da igreja cristã correm o risco de serem avaliados pelo resultado, pela técnica e pelo profissionalismo. Desta forma, compete-se com o capitalismo, que se esmera por centrar a sua atenção justamente no resultado e no lucro.
O capitalismo pós-moderno trata de ocupar todo o tempo da pessoa, fazendo com que as pessoas não tenham mais tempo. Além disto, que não façam nada sem serem pagas por isto. Gera a crise do servo e do voluntariado.
As pessoas se tornam incapazes de representar coerentemente o seu presente e de conceber as estratégias para produção de uma estratégia diferente. Geram sentimentos de incapacidade, impotência e insubmissão diante dos desafios nas mais diferentes esferas da vida cotidiana.

3. Os recursos e as oportunidades
A pós-modernidade desafia as igrejas cristãs – que pretendem ser “viveiros” de comunidade terapêutica – a planejarem, estruturarem e desenvolverem ações que:

a) possibilitem a participação de pessoas que não preenchem as expectativas da “boa ordem do espetáculo”, mas que podem desenvolver uma atividade no planejamento;
b) possibilitem que cada um, individualmente – seja na estrutura da instituição, na prática culto-litúrgica ou na presença da sociedade – possa viver uma das dimensões intrínsecas do “templo do Espírito Santo”: o privilégio e o direito de cada membro individualmente ser “mão”, “pé” ou “olho”, apesar de em conjunto construírem um só corpo (1ª Co 12);
c) considerem positivamente a tendência pós-moderna;
d) privilegiem e/ou construam técnicas e instrumentos que possibilitem trabalhar a realidade;
e) contribuam para a recuperação do ponto de complementaridade.

A grande dificuldade continua sendo como envolver as pessoas na organização da comunidade. Por isto, a necessidade da criação de pequenos grupos e uma comunidade terapêutica que serve.
O planejamento estratégico possibilita o espaço para a pessoa ter o seu envolvimento e a sua necessidade atendida. A pessoa que se sente atraída é aquela que tem alguma identificação com a organização, normalmente ocupada com uma tarefa.
Desta forma, o planejamento estratégico pode abrir caminhos que possibilitam o desenvolvimento da organização de forma que cumpra a sua missão com eficácia. Que ela seja terapêutica para a pessoa, para a família, comunidade e sociedade, capaz de valorizar o líder e a organização.
Atualmente, o planejamento é o caminho que potencializa os recursos que estão à disposição. Mesmo sendo poucos. Dará a perspectiva de desenvolvimento e disposição para buscar dinamismo e autenticidade organizacional e gerencial. Importa como aplicar os recursos que se tem. Porque onde acontece a semeadura e o plantio, mais cedo ou mais tarde, acontecerá a colheita (Is 55.10-11).
Planejamento é um caminho e não um ponto de chegada. É um olhar para o alvo. Onde o resultado é a gratidão do dever cumprido. “Assim também vocês, quando tiverem feito tudo o que lhes fora ordenado, devem dizer: Somos servos inúteis; apenas cumprimos o nosso dever” (Lc 17.10)

Publicado originalmente em Instituto Jetro

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