Ética e Liderança Cristã

terça-feira, 14 de junho de 2011

Cada um tem seu lugar

"Formar uma equipe significa encontrar pessoas que compartilhem um alvo comum com você, mas que podem agir e pensar de modo diferente.
Ao formar uma equipe, você desejará pessoas cujos dons espirituais, estilos relacionais e habilidades vocacionais sejam diferentes das suas.
Se o seu dom espiritual é ensinar, por exemplo, vai querer alguém na equipe com o dom da exortação para encorajá-lo a passar da análise à ação.
A equipe de ministério reforça o ensino bíblico de que a Igreja tem muitas partes, mas um só corpo.
A unidade na diversidade é o modelo bíblico para a comunhão. Todo membro faz parte do corpo."

C. Gene Wilkes em O Último degrau da liderança.

Do Instituto Jetro

sexta-feira, 27 de maio de 2011

A liderança cristã na atualidade

INTRODUÇÃO

Liderança é o processo de conduzir um grupo de pessoas a um objetivo comum.
Líder é aquele que recebe tal responsabilidade, assumindo o compromisso de levar o grupo àquele objetivo.
Portanto, liderar exige conhecimentos, técnicas e aprendizado contínuo no trato de pessoas.
Não confunda administrar coisas com liderar pessoas!
Liderar não é administrar templos, finanças, organizações. Você pode ser um ótimo administrador das finanças da sua igreja, por exemplo, e não ter nenhuma liderança nesta área.

1 – FOCOS DO LÍDER:

PESSOAS: elas são o alvo da liderança. Não se lidera coisas, lidera-se pessoas!
OBJETIVO: sem objetivo, o grupo se perde, o líder não sabe para onde liderar seu grupo. Um objetivo principal. Exemplo: EBD – objetivo: levar almas ao conhecimento de Jesus, através do ensino da Bíblia.

2 – ESTILOS DE LIDERANÇA:

Autocrática: decide tudo sozinho. Não dá espaço para novos líderes. Exigente. Foco nos “resultados” e não nas pessoas.
Democrática: não decide nada, deixa tudo para que os liderados decidam. Foco nas pessoas e não no objetivo.
Volúvel: vai de acordo com a “onda”. Muda o objetivo de acordo com “as novidades”.
Detalhista: perde-se em detalhes e perfeccionismos. Preocupa-se mais com os métodos que o objetivo.
Responsável: assume a responsabilidade da liderança, motivando o grupo a atingir o objetivo. Trabalha com foco nas pessoas sem perder de vista o objetivo.

3 – TÉCNICAS DO BOM LÍDER:

COMUNICAR: informar de maneira clara, direta e simples. Transmitir a visão da necessidade de conseguir o objetivo.
DELEGAR: acionar os recursos dos seus liderados (“dons”) na direcão do objetivo. Fazer com que 1+1 seja igual a 3, e não 2. Organizar tarefas e íunções. Formar equipes.
INOVAR: aceitar mudanças e novas ideias. A única coisa que o bom líder não cede é quanto ao objetivo. No caso do líder cristão, não cede quanto á doutrina bíblica.
MOTIVAR: incentivar novas lideranças. Elogiar. Estimular a participação dos liderados nos processos que levam ao objetivo final. Ser exemplo de conduta.
PLANEJAR: ter uma visão de longo prazo, definindo prioridades. Treinar as lideranças. Adotar metodologias compatíveis com os objetivos.

4 – EXEMPLO DE LIDERANÇA; JESUS:

Seu objetivo: salvar os homens do pecado, do mal e da morte.

Comunicou: sua mensagem de amor e nova vida, na linguagem do povo da época (parábolas). Pregou em aramaico (língua corrente da Palestina).
Delegou: a missão de espalhar a mensagem de salvação a todo o mundo.
Inovou: rompeu com as arcaicas tradições religiosas da época. Ensinou ao ar livre, concedeu perdão a prostitutas e cobradores de impostos, curou no sábado.
Motivou: enviou Seu Espírito para que seus discípulos saíssem das easas-esconderijos. Foi exemplo de conduta em todas as áreas humanas.
Planejou: deu ordens específicas (“amai-vos uns aos outros…” etc.) e escolheu 12 homens para a liderança, treinando-os durante 3 anos.

5 – A ESCALA DE VALORES DO LÍDER CRISTÃO

1) CRISTO
2) PESSOAS
3) IGREJA
4) EU

O objetívo é: “Servir a Cristo e Seu Reino, como embaixadores” (Mt 6.33,2 Co 5.19-20)
A prioridade é: “Almas.” (Mt 28.18-20)
O método é: “Missionário, através do Corpo de Cristo (a Igreja)” (Mt 16.18-19)
O menor servo é: “eu” (Mc 19.35, Lc 9.46-48)

6 – AS 10 BEM AVENTURANÇAS DE UM LÍPER:

Bem aventurado o líder que não busca posições elevadas, mas que foi convocado ao serviço pela sua habilidade e disposição de servir.
Bem aventurado o líder que sabe para onde está indo e como chegar lá.
Bem aventurado o líder que não fica desencorajado e que não apresenta alegações para isto.
Bem aventurado o líder que sabe liderar sem ser ditador. Os verdadeiros líderes são humildes.
Bem aventurado o líder que busca o melhor para os seus liderados.
Bem aventurado o líder que lidera conforme o bem da maioria e não segundo a gratificação pessoal de suas próprias ideias.
Bem aventurado o líder que desenvolve líderes ao liderar.
Bem aventurado o líder que marcha com o grupo, interpretando corretamente os sinais do caminho que conduzem ao sucesso.
Bem aventurado o líder que tem a sua cabeça nas nuves, mas os seus pés na terra.
Bem aventurado o líder que considera a liderança como uma oportunidade de servir.

7 – LIDERANÇA – BARREIRAS E ERROS;

Barreiras à delegação do poder

Desejo de segurança e “status” – O único líder verdadeiro é aquele que se reproduz!
Resistência à mudança.
Falta de auto-estima.
Só os líderes seguros são capazes de doar.
As melhores coisas acontecem somente quando você dá a fama aos outros.

8 – O LÍDER MEDÍOCRE;

Têm que estar sempre certos: Eles precisam sempre ganhar as discussões, forçar as pessoas a concordarem com elas e lazer tudo do seu jeito. Seu ego nunca permite que eles aceitem que estão errados ou que cometeram um erro. Isso acaba destruindo qualquer possibilidade de criatividade ou inovação dentro da equipe.
Perdem a calma por qualquer coisa: A maioria dos chefes medíocres usará sua raiva e temperamento explosivo para controlar ou intimidar os outros.
Externam seus problemas jogando a culpa nos outros: Ao fazer isso, ao invés de ajudar a resolver o problema e evitar que ele ocorra novamente, só conseguem aumentar os ressentimentos e a desmotívação dentro da equipe.
Têm pouca tolerância e nenhuma paciência: Tendem a desrespeitar e diminuir sua equipe, tornando bastante desagradável o ambiente de atividades, matando a paixão e a energia de todos.
Têm sérios problemas para controlar-se: A maioria dos líderes medíocres têm que estar permanentemente no controle. Sentem-se perdidos ou desconfortáveis quando algum outro está no comando. Acreditam que têm todas as respostas, e acham que sempre devem ter a resposta certa,
Têm medo de delegar: rodeiam-se de pessoas parecidas com eles na forma de pensar, acreditar, comportar e mesmo de vestir. Depois tratam essas pessoas como se fossem escravos sem cérebro, que existem apenas para seguir suas ordens e produzir os resultados adequados. Obviamente, isso acaba matando a liberdade de expressão, a diversidade e qualquer possibilidade de mudança!
Não têm um propósito maior na vida: A maioria dos líderes medíocres se preocupam mais com as estatísticas do que as pessoas. Cobram sem parar, e perturbam o ambiente, ao invés de estimular as pessoas.
Não têm a habilidade de reconhecer sinceramente: Não conhecem as pessoas pelo que elas são -somente pelo que produzem. Ao serem questionados sobre o assunto, já que existem beneficios comprovados em cuidar do lado humano da equipe, os medíocres sentem-se altamente desconfortáveis, pois se são incompetentes em lidar com suas próprias emoções, imagine então com a dos outros.
Têm baixíssima inteligência emocional: Enquanto muitos medíocres tem níveis altos de inteligência e treinamento, com formação em Universidades famosas e muito conhecimento técnico, tendem também à pobreza nas qualidades pessoais, de personalidade e caráter fundamentais para liderar e inspirar uma equipe. Este deíèito acaba provocando reflexos em outras áreas, como por exemplo, constantes mudanças nos trabalhos e planos.
Não têm autenticidade e honestidade: acha que pode enganar o público com pequenas mentiras, meias verdades e falsas promessas, esquecendo-se que com estes ‘pequenos detalhes1 na verdade estão cavando sua própria ruína.As pessoas podem até esquecer-se de algo que você tenha feito ou dito – mas nunca se esquecerão de quem você é, como é e como as tratou. O mundo é pequeno – trate-as bem!

Liderança – um desafio ao serviço

A verdadeira liderança não pode ser concedida, nomeada ou atribuída. Deve ser conquistada O líder tem que inspirar a confiança e merecer o respeito de seus liderados.

9 – PRINCÍPIOS DE LIDERANÇA:

Os lideres tocam o coração antes de pedir ajuda:

Você não pode estimular as pessoas à ação a menos que primeiro as estimule com a emoção. O coração em primeiro lugar, depois e cabeça. Quanto mais fortes a relação e a ligação entre as pessoas, maior será a probabilidade do consenso e da união. Mesmo num grupo você precisa se relacionar com cada pessoa individualmente. As pessoas não se preocupam com o quanto você sabe até que saibam o quanto você se preocupa com elas. Para liderar a si mesmo use a cabeça; para liderar os outros, use o coração.

O potencial de um líder é determinado pelas pessoas mais próximas dele:

Se as pessoas são fortes, o líder pode realizar grandes coisas. Se são fracas, nada feito. Essa é a lei do círculo íntimo. Quando você forma a equipe certa, o potencial dispara. Não existem líderes do tipo “Aventureiro Solitário”. Se você está só, não está liderando ninguém. O líder encontra grandeza no grupo, e ajuda os membros a encontrá-la em si mesmos. Pense em qualquer líder altamente eficaz, e achará alguém que se cercou de um forte círculo íntimo.

Não existe sucesso do dia para a noite. Liderança é aprendizado:

É a sua capacidade de desenvolver e lapidar as suas habilidades que distingue os líderes dos seus seguidores. O segredo do nosso sucesso está nos compromissos diários. Líderes são aprendizes. Liderança é como investimento; rende juros, mas exige: respeito, experiência, força emocional, habilidade com pessoas, disciplina, visão, ímpeto e senso de oportunidade.
A verdadeira medida da Liderança é a influência – nada mais, nada menos:A emergência de um Líder – ‘Você alcançou excelência como Líder quando as pessoas o seguem aonde você for, mesmo que por mera curiosidade.” A verdadeira liderança não pode ser concedida, nomeada ou atribuída.
Qualquer um pode pilotar o barco, mas só um Líder sabe traçar o percurso:As pessoas precisam de líderes capazes de navegar eficientemente. Os navegadores vislumbram a viagem com antecedência. ” O líder é aquele que vê mais do que os outros, que vê mais longe do que os outros, que vê antes dos outros”. Leroy Eims
Quando o verdadeiro líder fala, as pessoas ouvem: Os olhos revelam (em uma reunião):
Quando alguém fez uma pergunta, para quem olham as pessoas?
Quem. elas esperam ouvir?

O verdadeiro teste de liderança não é o ponto de partida, mas o ponto de chegada.
Sete aspectos fundamentais na vida dos líderes que os azem se destacar:
Caráter, Relações, Conhecimento, Intuição, Experiência, Êxitos passados e Capacidade.

Só líderes seguros delegam poder aos outros:

Existem líderes que tem o hábito horrível de se livrar dos líderes fortes. O melhor líder é aquele que tem percepção suficiente para escolher homens competentes que façam o que ele quer que se faça, e autodomínio suficiente para não se intrometer no trabalho deles. O modelo de liderança de delegação do poder, no qual todas as pessoas recebem funções de liderança, se opõe ao poder da posição. A capacidade que as pessoas tem de realizar é determinada pela capacidade que tem o seu líder de delegar poder. O líder sabe exaltar os pontos positivos de seus liderados, bem como identificar os pontos críticos e lidar com eles, advertindo, aconselhando e discutindo as soluções.

Credibilidade: A intuição aponta caminhos que não são tão óbvios nem tão facilmente explicáveis. Experiência não garante credibilidade, mas encoraja as pessoas a lhe dar uma chance de provar que você é capaz. A atuação das duas é ponto forte para a credibilidade do líder.

10 – REQUISITOS PARA SER UM BOM LÍDER:

Tanto os que ia são líderes como os que esperam ser, devem estar conscientes dos seguintes requisitos:

Características da liderança evangélica

Capacidade de liderança é um dom de DEUS.
Essa capacidade dever ser desenvolvida pela educação, instrução e treinamento.
No reino de DEUS a liderança dever ser exercida por aqueles que demonstram desejo de servir e não de “aparecer’. O evangelho em si é um serviço de DEUS aos homens e destes aos seus semelhantes. Examine-se e veja se o seu desejo é motivado pelo desejo de servir ou, de ser reconhecido.
Facilidade de expressão e conhecimentos gramaticais ajudam o líder na tarefa de “comunicar”. Quanto melhor fora a vida devocional do líder, melhor será a sua liderança.
Todo líder deve conhecer “regras parlamentares”. Isso o ajudará na direção de reuniões ou assembleias de caráter administrativo.
Ao líder não pode faltar o conhecimento básico de “boas maneiras”; isso o ajudará no seu intercâmbio social.
Conhecimento específico e profundo do que diz respeito ao seu campo de ação e generalizado, em outros assuntos, são necessários ao bom líder.
Firmeza, humildade e amor, precisam estar juntos, sempre, na ação do líder evangélico. Pontualidade nos compromissos e horários, deve ser uma característica marcante do líder cristão.
Não se pode exercer uma boa liderança sem conhecimento profundo da vida e dos problemas dos liderados.
Para ocupar um posto de liderança é preciso conhecer bem a história, princípios, leis, estatutos, regimento e tudo mais que diga respeito à organização onde será exercida a liderança.
Conhecer bem as Escrituras e as Doutrinas que caracterizam o grupo, igreja ou denominação, são essenciais a uma liderança capaz e eficiente.
Acerto na escolha de auxiliares dera tranquilidade ao líder.
Administração em grupo (diretoria) com distribuição de tarefas, deverá manter a unidade na pluralidade de ação.

O líder evangélico ao ter que tomar uma decisão deve observas o seguinte:

Princípios de liderança evangélica

Nada se faz sem consultar a DEUS. Um razoável período de oração deve preceder cada decisão.
Nada se faz que não seja do interesse ou para o bem geral do grupo.
Nada se faz sem a aceitação do grupo. A unanimidade nas decisões é o ideal. Mais de dez por cento do grupo contrário a qualquer decisão, deve fazer com que o assunto fique sobre a mesa para reestudo.
Nada se faz sem consultar pessoas que já tiveram o mesmo problema ou pessoas mais experimentadas.
Nada se faz sem ouvir opiniões contrárias, quando há. Nada se faz sem estudar as várias soluções oferecidas. Nada se faz sem estudar as vantagens e desvantagens.
Nada se faz sem ter, pelo menos, três orçamentos (em se tratando de serviços entregues a terceiros).
Nada se faz sem avaliar as possibilidades económicas e financeiras.
Nada se faz sem organizar um esquema de execução.

O homem de DEUS que quer colocar-se nas mão d’Ele para servi-lo deve ainda lembrar-se dos:

Cinco pilares do serviço cristão
DEUS quando chama tem um trabalho para lhe dar. No reino de DEUS não há banco de reserva.
DEUS quando chama tem um local para você servi-Lo. Isso não significa que o seu trabalho não possa ser ítinerante.
DEUS quando chama, capacita o obreiro para o trabalho, ou dá o trabalho de acordo com a capacidade do obreiro.
DEUS quando chama tem um salário razoável para o obreiro. ELE não pode ser um mau patrão.
DEUS quando chama tem a solução pra todos os problemas que essa chamada porventura possa ocasionar.

Qualquer obreiro que esteja em dúvida quanto à sua posição, deve fazer-se as seguintes…

Perguntas elucidativas
Fui realmente chamado por DEUS para fazer o que estou fazendo, no lugar onde estou?
O que faço, o faço da maneira como o Senhor deseja que isso seja feito?
Estarei forçando uma situação?
Posição social, remuneração, comodidades, interesses pessoais ou familiares estarão bloqueando um decisão acertada?
Estará na hora de pensar em mudança de campo ou de atividade?

Ser líder não deve ser tomado como uma honra e sim como uma oportunidade de servir a DEUS. O homem servir a DEUS, isso é uma HONRA, mas não se pode servir a DEUS sem servir aos homens. Antes de ser um líder entre os homens você precisa ser um humilde servo diante de DEUS.

Pr. Josias Moura de Menezes.

segunda-feira, 16 de maio de 2011

Felicidade é contagiosa?

Gilberto Dimenstein(*)


Um estudo lançado pela Faculdade de Saúde Pública de Harvard, acompanhando 5.000 pessoas por 20 anos, mostrou evidências de que pessoas felizes tendem a transmitir essa sensação entre familiares e amigos, como se fosse um contágio --tristeza também se propaga, mas em menor intensidade.
Esse tipo de informação faz parte de um esforço de Harvard de encarar a felicidade, objeto do besteirol de autoajuda, cientificamente. Daí ter sido criado na escola de medicina a 'ciência da felicidade', usando as novas tecnologias para mapear o cérebro. O que se descobre ali é aplicado em hospitais. Ou até em políticas públicas: professores da universidade estão orientando prefeitos a criar um índice de felicidade.
Ou seja, essas descobertas podem ter implicação em decisões individuais e coletivos. Os estudos mostram por exemplo que, ao contrário do que se imagina a vontade de adquirir coisas e ser feliz gera menos satisfação, na área de recompensas do cérebro, do que uma vida simples, como o convívio com a natureza, com amigos ou a solidariedade.

...
Coloquei no Catraca Livre (www.catracalivre.com.br) vídeo com uma palestra de um professora da ciência da felicidade de Harvard. Com um botão, você aciona a tradução em português.

(*) Gilberto Dimenstein, 53 anos, é membro do Conselho Editorial da Folha e criador da ONG Cidade Escola Aprendiz. Coordena o site de jornalismo comunitário da Folha.

terça-feira, 10 de maio de 2011

Quando o líder explica, todo mundo entende

Alessandra Assad

Para ser um líder é preciso comunicar para a mente, o coração e as mãos das pessoas. Quando ouvi essa frase do grande guru Blaine Lee, em uma conferência da HSM Group, no final do ano passado, ficou claro que a semente que sempre trouxe comigo de forma empírica não estava indo por caminhos tortuosos. Só faltava mesmo fundamentá-la um pouco melhor com atitudes no dia-a-dia, que muitas vezes se tornam truncadas pela simples razão de existirem quando se tenta entrar no cotidiano da prática da liderança de equipes não-lineares.
Temos de entender que a realização só se faz e só acontece por meio das pessoas. E elas precisam de informações para ter noções e assumirem adequadamente as suas responsabilidades.
Aliás, a responsabilidade é uma via de mão dupla e tem uma importância muito grande em todos os processos das empresas. Mas ninguém percebe isso quando você não comunica. E não estou falando de cartazes, e-mails, memorandos internos ou jornais-murais, os quais, diga-se de passagem, têm suas funções para a comunicação corporativa e são eficazes.

Decisões compartilhadas
Como líderes, ao comunicarmos qualquer informação, desde a mais irrelevante àquela que vai mudar toda a estratégia de trabalho, precisamos estar cientes de que devemos olhar nos olhos de cada um, explicar o porquê das coisas, fazer com que entendam a importância que têm em todo o processo. Haverá uma grande diferença no resultado final caso essa comunicação venha recheada de ruídos, sombras ou tempestades. E como fazer isso sem parar os processos, sem fazer com que as pessoas percam em produtividade, sem interromper o trabalho que estão realizando, muitas vezes apenas para comunicar que o horário dela vai mudar a partir de amanhã?
Simplesmente perguntando a que horas fica melhor para ela trocar uma idéia com você, dizendo que tem algo importante para decidirem juntos, mas que isso não pode atrapalhar a sua performance do dia. Certamente seu colaborador vai cooperar para encontrar um horário rapidamente e estará na sua sala muito antes do previsto. E o que era para ser um comunicado, pode se tornar uma solução, quando você faz com que as pessoas participem das decisões e opinem sobre elas.

Poderes e atribuições
Se você quiser ter muito sucesso, ame as pessoas e pense nelas. Faça com o coração, porque elas perceberão a sinceridade quando estiverem em sintonia com os seus sentimentos. Lembre-se de que sem envolvimento não existe comprometimento. E o que isso representa? Representa deixar o ego do lado de fora, ter consciência de que a vaidade só atrapalha, saber que um líder não pode se esconder quando as coisas vão mal, embora deva ser transparente, acessível e lembrar de que as pessoas gostam de carinho, que também têm egos, mas que você não precisa passar as mãos na cabeça delas. Apenas falar a verdade e ter conhecimento dos seus riscos pode ser uma boa. Conhecer seus limites, poderes e atribuições e fazer com que a equipe os conheça melhor do que você mesmo para poder servi-los é, sem dúvida, um excelente ponto de partida para que tenhamos ordens claras com execuções precisas. Afinal, como sempre enfatiza o grande Bernardinho, “líder é aquele que tem princípios e valores que inspiram as pessoas”. E a comunicação ajuda a criar um ambiente com clima positivo no trabalho. Às vezes, é melhor trabalhar de forma inteligente do que trabalhar mais.
Como nosso guru Blaine Lee de bobo não tem nada, faço das palavras dele as minhas frases finais para este artigo: "saber e não fazer é não saber. Nós, líderes, queremos a cabeça (a inteligência), o coração (as emoções que geram comprometimento) e as mãos (que executam). ”Tá vendo só como é fácil?" Quando alguém explica, todo mundo entende.

Cinco dicas para líderes aplicarem com suas equipes de trabalho:
1 – Estimular a autoconfiança.
2 – Satisfazer necessidades e não vontades.
3 – Fornecer aos liderados o que eles precisam, e não o que querem.
4 – Servi-los e não querer que eles o sirvam.
5 – Brigar muito mais por eles para brigar muito menos com eles.

Fonte: www.lideraonline.com.br

Por que selecionar e treinar líderes?

Trajano Maciel (*)

Ao analisar os diversos modelos pastorais existentes e emergentes, em decorrência do crescimento natural da igreja, nota-se uma multiplicidade de idéias e desejos que afloram tanto em busca do servir ao próximo como o do servir ao ego. A teologia bíblica revela que o exercício pastoral é essencialmente: cuidar, orientar e dirigir, ou seja, cuidar de perto daqueles que necessitam de cuidados especiais, tanto naturais como espirituais.

Um pouco de confusão

A verdade é que existe um número excessivo de pessoas que estão confundindo ministério pastoral com “ministério pessoal”. Em algum momento acontece um desvio de motivação e aquilo que deveria ser vocação passa a ser emoção; aquilo que deveria ser altruísta passa a ser egoísta; aquilo que deveria ser alegria passa a ser angustia; aquilo que deveria ser leve passa a ser um pesado fardo. A realidade é dura e mostra que muitas ovelhas estão sem pastor. A bíblia questiona: onde estão os pastores que pastoreiam? Onde estão os pastores que amam suas ovelhas e seus ofícios? Por três vezes Jesus perguntou a Pedro se ele o amava. Pedro imediatamente disse sim então Jesus disse, “apascenta minhas ovelhas”.

Para um problema, uma opção

Existe um problema: a prática pastoral tem deixado a desejar. Detectado o problema, resta desenvolver uma pesquisa com base em experiência vivida e fundamentos bíblicos, para que o resultado permaneça e seja instrumento de alavancagem para o ministério pastoral, isto é, para a igreja que deseja exercer a missão integral.
Para que a estrutura fundamental de um corpo social, a igreja, seja eficiente e flexível conforme a necessidade, em função dos diversos níveis de crescimento, há de se estabelecer um eixo central, funcionando como uma coluna vertebral. Em torno desse eixo serão organizados todos os elementos (ministérios) que sustentarão esse corpo (instituição igreja), e esse eixo central será o fornecedor de pessoas que estarão conduzindo e administrando o crescimento. Portanto, a proposta é que esse eixo central seja o programa de seleção e treinamento para líderes, oferecendo subsídios para que as pessoas comuns, leigos, possam tomar conhecimento do movimento amplo e dinâmico que esse corpo produz. Esse programa oferecerá, em todo tempo, um referencial teórico à luz da Palavra de Deus.

Deus também sonha com algumas coisas
Seleção e treinamento de líderes fazem parte dos sonhos de Deus para sua igreja, por isso, devem ser o sonho de toda a igreja. Para que esse sonho seja uma realidade, será necessário que alguns “porquês” sejam respondidos.

Por que um líder?
Porque alguém precisa tomar a iniciativa e garantir que projetos sejam executados. Porque alguém precisa ser responsável pelo bom desempenho dos ministérios que Deus confia a seus filhos e os mesmos, por meio da igreja, apresentam ao mundo.

Por que treinar líderes?
Porque Jesus treinou líderes. Porque as pessoas sabem o que devem fazer, porém, muitos não sabem como fazer.

Por que selecionar líderes?
Porque Jesus selecionou. Nem todos estão dispostos a pagar o preço da liderança cristã, que exige muito empenho e dedicação.

Por que escolher um modelo de seleção de líderes?
Porque existem vários modelos e nem todos apresentam resultados eficientes, e nem todos estão configurados conforme a vontade de Deus. Dentre os modelos pode ser citado alguns como: eleição; exclusão; oração e discernimento. Oração e discernimento são modelos bíblicos que Jesus deixou para sua igreja. Jesus fez dessa forma, ou seja, ele discerniu, em alguns homens, requisitos básicos que Deus estipulou como: homens capazes; homens tementes a Deus; homens de verdade; homens que aborreçam a avareza.

Como descobrir esses requisitos?
Criar ambientes favoráveis para a prática dos requisitos é o melhor e mais seguro caminho. A responsabilidade de separar e treinar líderes são da igreja. A responsabilidade de reconhecer o chamado, oferecer oportunidades de liderança, preparar e ordenar para o ministério é exclusivamente da igreja.
Dessa forma, cada igreja precisa desenvolver um projeto de seleção e treinamento de líderes e mantê-lo como eixo central. Paralelamente a isso criar um núcleo de ensino para manutenção de lideres em atividade. O modelo cada um adequará á sua realidade, porém, é fundamental desenvolver um projeto com único e exclusivo objetivo de selecionar, treinar, enviar e manter líderes equipados e fiéis. Dessa forma, pode-se dizer que: seleção, treinamento e manutenção de líderes em atividade fazem parte dos sonhos de Deus para sua igreja.

do www.institutojetro.com

(*)Trajano Maciel - Bacharel em Teologia e Doutor em Ministério, pela Faculdade Teológica Sul Americana. É pastor do Ministério de Adolescentes na Comunidade Nova Aliança de Londrina.

segunda-feira, 18 de abril de 2011

terça-feira, 15 de março de 2011

Dicas de uma boa comunicação

Excelentes dicas do Blog Lar Cristão (veja link original) totalmente aplicáveis aos líderes sejam cristãos ou não.

”Quem quer amar a vida e ver dias felizes, refreie a sua língua do mal e evite que seus lábios falem dolosamente”. I Pe. 3.10.

1- Seja um bom ouvinte e não responda até que a outra pessoa termine o que deseja falar. Pv. 18.13; Tg. 1.19.
2- Tardio para falar> Pense bem antes de responder. Fale de tal maneira que a outra pessoa possa entender e aceitar o que você fala. Pv.15.23, 28; 21.23; 29.20.
3- Sempre falar a verdade em amor. Não exagere o que fala. Ef. 5. 14, 25. Cl. 3.9. OBS.: Em amor quer dizer que quando terminamos a conversa nosso relacionamento deva ser muito melhor que antes. Muitas vezes o que alguém fala machuca o outro, e o relacionamento piora.
4- Não empregue o tratamento de silencio para evitar conflitos. OBS.: às vezes usamos o silencio para controlar, frustrar ou manipular nosso cônjuge. Queremos que ele chegue a dizer que é culpado. Ou, um dos cônjuges é machucado profundamente e acha dificuldade em falar. Eles têm a tendência de evitar discussões. Como tratar este problema?
a- Deixar o cônjuge que não quer falar escolher o tempo de falar.
b- Daria segurança para ele, se você escutasse tudo o que ele fala, sem julgar; se você estivesse disposto a respeitar seus sentimentos sem frustrações.
5- Evite entrar em discussões desagradáveis. É possível não concordar sem entrar em briga. Pv.17. 14; 20.3. “Argumento” quer dizer tentar puxar o outro para aceitar o ponto de vista. “Discussão” é briga verbal com emoções envolventes. Resulta aborrecimento e relacionamento cortado.
6- Não responda com ira, mas voz mansa e bondosa. Pv.14.29;29.11;Ef. 4.26,31..
7- Quando você estiver errado confesse o seu erro e peça perdão.
8- Quando alguém pedir perdão a você diga-lhe que você realmente o perdoou. Pv. 17.9; 15.1; 25.15; 29.11; Ef. 4.26,31.
9- Evite o espírito rixoso.Pv. 10.19; 17.9; 20.5.
10- Não critique ou despreze a outra pessoa, mas sim encoraje, isto restaura a amizade perdida. Rm. 14.13; Gl. 6.1.
11- Se alguém faz um ataque verbal por crítica ou culpa você, não responda da mesma maneira. R. 12.17,21; I Pe. 2.23.
12- Tentar entender o ponto de vista do outro. Respeite o direito de ter opiniões diferentes das suas. Fp. 2.1-4; Ef. 4.2.

Alguns problemas podem ser pequenos; outros maiores. Problemas sérios poderão ser evitados quando entendemos sua natureza e causa.

terça-feira, 11 de janeiro de 2011

Trate bem as pessoas

"Quando interagimos com outras pessoas, nossas atitudes geralmente determinam o tom com que tratamos uns ou outros. Sorria para as pessoas quando você as encontrar, e elas tenderão a sorrir em retribuição. Aja de maneira ostensiva, e elas provavelmente desrespeitarão você. Se você quer manter uma interação mais prazerosa com as pessoas durante o curso do dia, trate-as bem. Na maior parte dos casos, funciona".

John Maxwell em O Sucesso de amanhã começa hoje.

sábado, 8 de janeiro de 2011

Pesquisa: Você envolve-se ou compromete-se?

Para vermos a diferença das duas palavras consideremos:




Num desjejum comum:

A galinha ENVOLVEU-SE ao dar o ovo, o porco COMPROMETEU-SE...

Envolver é dar, comprometer é estar!

Um líder não deve apenas ENVOLVER-SE mas mais do que isso, COMPROMETER-SE!

Como Líder, comprometa-se!

Aproveite e responda à enquete ao lado.

sexta-feira, 31 de dezembro de 2010

Liderança serva: A chave da grandeza autêntica

"Ora, antes da festa da Páscoa, sabendo Jesus que já era chegada a sua hora de passar deste mundo para o Pai, como havia amado os seus, que estavam no mundo, amou-os até ao fim. ... Jesus, sabendo que o Pai tinha depositado nas suas mãos todas as coisas, e que havia saído de Deus e ia para Deus, levantou-se da ceia, tirou os vestidos, e, tomando uma toalha, cingiu-se. Depois, deitou água numa bacia, e começou a lavar os pés aos discípulos, e a enxugar-lhos com a toalha com que estava cingido. (João 13:1, 3-5)
No clímax do seu ministério com os seus discípulos, num dos momentos finais, sabendo que esta seria a última oportunidade de marcar as vidas daqueles que iriam levar a Sua mensagem para a frente, Jesus podia ter optado por dar um discurso inspirativo—motivá-los a vencer, convencê-los que a vitória era mesmo alcançável. Podia ter dado os últimos conselhos aos seguidores, uma lista de prioridades estratégicas para o futuro do movimento. Podia ter indicado um sucessor na liderança, ou pelo menos definido um processo de sucessão para que nunca houvesse uma questão acerca de quem é que devia ficar à frente dos outros. Mas nenhuma destas coisas Jesus fez. Despiu-se, ajoelhou-se, e lavou os pés dos seus discípulos.
O que mais me incomoda nesta cena é o contraste com o impulso normal dos seguidores de Jesus hoje em dia. Esta lição tão profunda comunicada através de um acto tão simples, aponta para uma igreja que é, na sua essência e na sua prática, uma comunidade de servos, liderada por servos e orientada pelo Espírito de Deus. Em todo o seu ensino sobre o assunto, Jesus só falou da liderança em termos do serviço, do sacrifício e até de morte. Hoje em dia, quando falamos de liderança, a tendência é para falarmos em termos de organogramas, da gestão de recursos, da definição de prioridades e objectivos, da motivação dos seguidores e da coordenação do trabalho. A questão mais urgente é, "quem é o responsável?" É dizer "quem é que manda?" E o que mais queremos evitar é um "vazio de poder," uma falta de um "líder" reconhecido para "dirigir" a obra. Embora tenhamos aprendido a conviver com o desafio da imagem de Jesus a lavar os pés aos discípulos, a capacidade de seguir mesmo o exemplo de Jesus, geralmente, ainda nos escapa. Conciliamos o padrão de Jesus com a prática do nosso tempo e das nossas igrejas, considerando este acto de Jesus um símbolo, um paradoxo, um "ideal" a manter em mente, mas não muito prático na realidade. Mas a pergunta que nos devia incomodar é, será que Jesus, nesta última noite com os seus discípulos, queria apenas dar-lhes uma imagem bonita de um ideal não alcançável? E se Ele pretendesse mesmo que fôssemos servos?
Como é que chegámos até aqui, ao que somos hoje? Há um ano e meio atrás recebemos aqui o missionário e autor Bill Beckham que nos deu uma análise histórica da situação. Reafirmou que o momento de maior desvio na história do Cristianismo foi na "Síntese de Constantino," quando o Cristianismo passou do estatuto de "seita fora-da-lei" para o estatuto de "religião oficial."[1] Naquela altura, a igreja deixou de ser uma comunidade, e passou a ser uma instituição. A organização da igreja passou da simplicidade flexível e adaptável a uma hierarquia paralela á estrutura do império Romano. A função da liderança passou do "pastorear o rebanho" à "gestão da instituição." Seguiram-se também muitos erros doutrinários acerca da natureza da fé e da salvação. Mas os erros doutrinários foram essencialmente ajustes nas crenças para acomodar a nova natureza institucional e hierárquica da igreja. Na época da Reforma do Século XVI, recuperámos muitas das doutrinas que tinham sido perdidas ou corrompidas ao longo dos séculos, mas, em grande medida, mantiveram-se as estruturas e as abordagens à liderança eclesiástica. Nós, os Baptistas, que nos consideramos descendentes (ou pelo menos primos) do ramo mais radical da Reforma, gostaríamos de reclamar que, na nossa reforma, fomos para além dos Protestantes mais tradicionais para uma eclesiologia mais perto da igreja primitiva. Mas, de facto, isso não se verifica ao longo dos anos. A nossa estrutura e estilo de liderança normalmente reflecte mais o âmbito cultural e político em que nos encontramos do que qualquer modelo bíblico. Tendemos a ir buscar as nossas dicas para a gestão da igreja ao mundo da gestão de empresas, mais do que à Bíblia.
Mas mesmo este recurso à gestão empresarial hoje em dia é capaz de nos dirigir novamente ao exemplo de Jesus. Em 1977, Robert K. Greenleaf, um perito na gestão de empresas, publicou uma colectânea de artigos num livro com o título, "Liderança Serva". A conclusão de Greenleaf, fruto da sua reflexão e observação ao fim de uma carreira como consultor organizacional numa das maiores empresas dos Estados Unidos, foi que há uma mudança cultural a acontecer que se verifica nas atitudes e opiniões acerca da autoridade e do poder. Nesta nova ética, a única autoridade que merece a submissão das pessoas é a autoridade reconhecida livremente em resposta à estatura de servo do líder. Aqueles que aceitam este princípio não aceitarão facilmente a autoridade de instituições existentes, diz Greenleaf, mas, ao contrário, responderão apenas àqueles indivíduos eleitos como líderes porque já se provaram como servos. A essência da liderança, segundo Greenleaf, é o desejo de servir aos outros e a uma causa maior que nós próprios.[2]
Dificilmente se pode medir a influência do Greenleaf e das suas ideias no campo da gestão ao longo dos últimos 25 anos. Muitos dos autores mais reconhecidos nesta área consideram-se discípulos do Greenleaf. Ele continua a ser citado, e mesmo quando não é citado, o conceito da liderança serva surge. Num estudo mais empírico, o investigador Jim Collins analisou o funcionamento de 25 empresas que ultrapassaram dramaticamente o empenho da competição nos seus respectivos mercados. A primeira característica em comum que Collins e a sua equipa reconheceram foi o que ele chama "Liderança do Nível 5".[3] Cada uma destas empresas bem sucedidas foi liderada por uma pessoa cuja personalidade combinava uma força extraordinária de vontade profissional e uma qualidade extraordinária de humildade. Estes líderes investem a energia no sucesso dos outros e do empreendimento, acima do sucesso próprio—líderes servos!
Steven Covey, autor do livro "7 Hábitos de Pessoas Altamente Eficazes," e um dos autores mais influentes no mundo empresarial, comentou no prefácio da edição do 25º aniversário do Greenleaf que o movimento a favor da liderança serva em todo o mundo é o resultado de duas forças poderosas. Primeiro, a globalização dos mercados e da tecnologia cria um ambiente que exige um alto nível de qualidade a um custo reduzido. Estes só podem ser atingidos através da delegação de poder e autoridade nas empresas, o que exige confiança e serviço da parte dos líderes. A segunda força, diz Covey, é a nova descoberta de princípios universais e eternos, e do valor da autoridade moral:
A autoridade moral ganha influência através da aplicação de princípios. O domínio moral atinge-se através do serviço e do contributo. O poder e supremacia moral surgem da humildade, quando o maior de todos se torna o servo de todos. A autoridade moral atinge-se através do sacrifício.[4]
Autores como Covey e Greenleaf utilizam os princípios e, por vezes, até as palavras de Jesus para falar sobre a liderança eficaz no mundo actual. James Hunter, outro autor e consultor de empresas até afirma, num livro secular e dirigido a gestores de empresas, que Jesus foi o líder mais eficaz da história. Baseia a sua conclusão no facto de que, embora houvessem outros líderes contemporâneos com muito mais poder político, a influência de Jesus ultrapassa qualquer um deles, e qualquer outro líder da história. Dois mil milhões de pessoas se consideram Cristãos, dois dos nossos principais feriados (natal e páscoa) comemoram eventos na vida dele e, dois mil anos depois da sua vida, o nosso calendário ainda conta os anos desde o seu nascimento. Se a liderança é a influência, diz Hunter, não há nenhum líder da história que se aproxime a Jesus.[5]
Não sei como o irmão reage, mas quando eu vejo este tipo de afirmações a sair do mundo secular e empresarial, levantam-se várias questões incómodas na minha mente:
Se o sector da nossa sociedade mais virado para o lucro e a competição brutal e fria está a descobrir o poder verdadeiro da liderança serva, como podemos nós, os seguidores de Jesus e herdeiros do reino, continuar a entrar em jogos de poder uns com os outros?
Se empresários estão a descobrir, aos poucos e com muito esforço e pesquisa, os princípios da liderança serva que Jesus propus, como podemos nós, possuidores da revelação divina—chamados, habitados e habilitados pelo Espírito de Deus—não explorar apaixonadamente as riquezas do exemplo de liderança que Jesus nos deu?
Se indústrias inteiras estão a ser transformadas por movimentos descentralizados de serviço e sacrifício, como podemos nós, os comissionados por Jesus para fazer discípulos de todo o mundo, continuar a abordar a nossa tarefa com métodos centralizados, controlados e localizados?
A globalização para o mundo empresarial representa um grande desafio e uma grande oportunidade. A globalização para a Igreja de Cristo representa um grande desafio e uma grande oportunidade. O mundo empresarial está a responder, adaptando-se, ajustando-se e aprendendo que, com uma atitude de serviço e sacrifício, se pode ganhar o mundo. Será que a igreja fará o mesmo? As empresas estão a mudar porque a sua própria sobrevivência está em jogo. As igrejas também podiam dizer o mesmo, mas temos uma razão maior e mais importante. Das últimas imagens que temos do nosso Senhor antes da sua crucificação é a forma de um servo, ajoelhado, com uma bacia e uma toalha, a lavar os pés dos seus discípulos, e a dizer, "É assim que se lidera o meu povo!"

Líderes servos precisam-se...já! Estaremos à altura?

Primeiro queremos saber o que é, e como se realiza a liderança serva....

Seis elementos da liderança serva, vistos não na prática contemporânea da gestão de empresas, mas na vida do líder mais eficaz da história ... em contrapartida com a liderança natural. (Não é uma lista exaustiva, mas é um início.)


I. A Essência da Liderança Serva: Influência (vs. Gestão)

Quando Jesus abordou os seus futuros discípulos à beira do mar, ou no campo, ou à mesa de cobrança de impostos, a proposta que ele lhes dava não era um contracto formal com clausulas que comprometiam o discípulo a seguir as orientações do mestre, a obedecer em qualquer lugar a qualquer hora qualquer mandado que Ele lhes desse. Ao contrário, o convite era sempre o mesmo, e sempre muito simples: "Siga-me". E a caminhada que eles começavam naquela altura não lhes levou a um programa sistemático de formação, nem a um percurso sistemático de carreira. Foi uma caminhada em que a influência de Jesus nas vidas deles era cada dia maior e mais poderosa.

Um dos primeiros erros que se comete no pensamento acerca da liderança é que a liderança é, no fundo, a gestão das pessoas. De facto, a gestão é algo que não se faz com as pessoas. Podemos gerir recursos. Podemos gerir projectos. Podemos gerir imobiliária. Mas quem tenta gerir pessoas está a lidar apenas com a pessoa do pescoço para baixo …as mãos, os pés, as actividades e talvez, até as palavras. Mas a mente e o coração não pertencem ao gestor.

A liderança verdadeira é bem mais do que isso. A liderança verdadeira é influência. É a capacidade de motivar e inspirar as pessoas a darem-se corpo, mente e alma a uma causa que consideram digno do maior sacrifício. Foi esta a liderança de Jesus, e é a liderança que nós temos de exercer.

Bill Hybels afirma que a igreja é a organização que depende mais da liderança verdadeira que qualquer organização no mundo.[6] Dependemos dos recursos que as pessoas oferecem da livre vontade. Se as pessoas não têm a vontade de aparecerem, nada acontece. Não há contractos nem obrigações. Tudo que acontece depende da nossa influência com as pessoas. O líder Cristão que vê a sua função principalmente como uma função de gestão, mais cedo ou mais tarde acaba por estar a gerir o ar.

A liderança serva é, na sua essência, influência.


II. O Recurso da Liderança Serva: A Autoridade (vs. Poder)

Outra distinção que devemos fazer é entre os conceitos da autoridade e de poder. James Hunter fornece definições úteis destes dois conceitos:

Poder: A capacidade de forçar alguém, através da coerção, para cumprir a minha vontade, mesmo que eles não queiram, por causa da minha posição ou força superior.

Autoridade: A habilidade de conseguir que as pessoas cumpram a minha vontade, sem coerção, por causa da minha influência pessoal.[7]

Na época de Jesus, havia muitas pessoas com mais poder aparente para a coerção do que ele próprio. Os governantes tinham o poder militar e político. Os fariseus tinham o poder cultural. Os Sacerdotes tinham o poder religioso. Todos estes tinham o poder da coerção por causa das posições, ou ofícios, que eles ocupavam. Mas, o que não tinham era a autoridade que fluía da influência das suas vidas.

Jesus, um mestre pobre e itinerante, sem posição nem ofício algum, conseguiu mobilizar multidões de seguidores, muitos dos quais chegaram a entregar a própria vida ao seu serviço, sem qualquer recurso ao poder coercivo. As pessoas cumpriam a sua vontade por causa da autoridade, e não por causa do poder.

É um erro muito grave assumir que, na obra do Senhor, podemos funcionar a partir de poder que decorre da posição. A liderança serva não recorre ao poder. O seu recurso principal é a autoridade que tem as suas raízes na influência pessoal.

III. A Agenda da Liderança Serva: As Pessoas! (vs. Projectos)

Uma das características do ministério de Jesus que mais me incomoda é a aparente e total ausência de projectos. Jesus não deixou nenhuma associação registada no Registo Nacional de Pessoas Colectivas, não colocou nem um tijolo em cima de outro num projecto de construção, não fundou nenhuma instituição, não escreveu nenhum panfleto para expor os seus pensamentos e não organizou, nem revisou, nenhum currículo para a formação de líderes. Ele tinha, sim uma missão a cumprir—e cumpriu! Ele tinha uma mensagem a proclamar—e proclamou. Mas o único projecto que ele alguma vez anunciou foi o projecto que prometeu realizar na chamada dos seus discípulos: Sigam-me, e eu farei de vós pescadores de homens! A agenda de Jesus era sempre pessoas.

E quando Ele nos comissionou, não nos enviou para o mundo com a tarefa de fundar instituições, ou de construir templos, ou de organizar associações. Enviou-nos com um só projecto: Ide, e fazei discípulos de todas as nações. A agenda da liderança serva é pessoas.

Uma agenda centrada nas pessoas terá, necessariamente, pelo menos duas características distintas. Primeiro, o impulso motivador será o amor. Não estamos a falar de carinho, nem de amizade, nem de sentimentos fortes a favor de outra pessoa. Este amor é a opção consciente a favor das necessidades daqueles que estou a liderar. Este amor busca o sucesso dos liderados acima do sucesso do líder. Coloca os outros sempre em primeiro lugar. A segunda característica necessária quando a agenda é pessoas é a prioridade dada aos relacionamentos. É impressionante como Jesus, com tantas tarefas exigentes e com uma missão tão importante, tinha sempre a disponibilidade de ouvir e responder à pessoa que estava à sua frente em qualquer momento. Esta qualidade só era possível porque Jesus não apenas colocava as pessoas na sua agenda. A sua agenda era mesmo as pessoas!

A nossa tendência normal é de dizer, "vamos responder às necessidades das pessoas com projectos". Mas o que acontece muitas vezes é que os projectos acabam por ficar com o primeiro lugar, e as pessoas ficam em segundo plano. A agenda da liderança serva é pessoas!

IV. O Princípio Organizacional da Liderança Serva: Delegação (vs. Controlo)

Agora precisarei de esclarecer uma questão de vocabulário. A palavra que tenho em mente quando falo de "delegação" é uma palavra para a qual ainda não encontrei equivalente em Português. Mesmo os livros escritos em Português por Portugueses tendem a usar a palavra Inglesa para se referir ao conceito que nós chamamos "Empowerment." Implica não apenas a delegação de tarefas, mas também a delegação de autoridade, a delegação de capacidade de tomar decisões, a delegação dos recursos, a delegação do poder. Este é o princípio organizacional que Steven Covey disse que a globalização está a exigir de nós. Um princípio que requer confiança, paciência e graça, e que, penso eu, é uma qualidade indispensável da liderança serva.

Em Mateus 10, Quando Jesus enviou os 70 para proclamar a mensagem do Reino dos Céus, como é que ele organizou o empreendimento? Criou uma estrutura hierárquica com vice presidentes e gestores intermediários para assegurar que quem teria a opção final em cada decisão seria ele próprio? Estabeleceu um sistema de comunicação que facilitasse os discípulos ao enfrentarem qualquer decisão de natureza estratégica ou prática, e que assim pudessem buscar a autorização do líder? Fez um sistema de comissões e conselhos para deliberar sobre cada assunto para que houvesse sempre consenso? Não fez nenhuma destas coisas. Deu-lhes orientações específicas daquilo que deviam fazer, e enviou-os, dois a dois, para cumprir a missão, voltando depois para partilhar o que tinha acontecido. Porque é que Jesus não criou um sistema mais eficaz de controlo de qualidade da obra? Penso que podemos apontar para, pelo menos, duas razões: Primeiro, ele sabia que, ao fim de três anos, a obra estaria nas mãos desses discípulos. Tinham de aprender rapidamente a tomar as decisões necessárias para a obra andar para frente. Portanto, Jesus nunca criou um sistema que exigia que pedissem autorização. O controlo estava nas mãos dos discípulos, seguindo as suas orientações gerais e, mais tarde, as orientações do Espírito Santo. Segunda razão, o objectivo de Jesus não era uma organização bem controlada. Era, sim, um movimento explosivo. E um movimento explosivo não pode acontecer num ambiente de controlo institucional.

Portanto, Jesus delegou, tanto as tarefas, como a autoridade, o poder, os recursos e as decisões aos seus discípulos. Com orientações gerais? Sim! Com a prestação final das contas? Claro! Mas a obra estava nas mãos dos seguidores. Nem sempre correu bem. Mas quando surgiam problemas que eles não podiam resolver, ele lidava com a situação com graça, aproveitando a oportunidade para ensinar mais uma lição importante.

O mundo de hoje em dia fornece grandes oportunidades para o crescimento explosivo do Reino. Mas isso só acontecerá se estivermos dispostos a pôr em prática o princípio organizacional da liderança serva: Abrir mão do controlo, confiar nos seguidores e no Espirito Santo e delegar tarefas, poder, autoridade, recursos e decisões.

V. O Alvo da Liderança Serva: Transformar (vs. Vencer)

É interessante reparar que, quando Jesus falava do impacto do Reino dos Céus no mundo, não usava imagens de guerra ou de conquista. Usava imagens da agricultura (grau de mostarda) ou da cozinha (fermento). O movimento que Jesus liderou não foi nunca um ataque frontal. Foi sim uma presença subversiva, um ingrediente transformador, uma força irresistível que acabou por transformar a sociedade inteira sem batalhas nem confrontos.

Este princípio teve algumas consequências muito práticas na estratégia da liderança de Jesus. Ele não facilitava a entrada das pessoas, e não impedia a saída. Mesmo ao nível pessoal, o objectivo dele não era de vencer, mas, sim, de transformar. O mancebo rico teria sido uma grande conquista, mas Jesus dificultou-lhe o caminho de tal maneira que virou as costas e foi-se embora triste. Outros que o queriam seguir foram confrontados com obstáculos como a pobreza (o filho do homem não tem onde se deitar), o compromisso a longo prazo (quem olhar para trás não é digno...), a quebra da família (que os mortos enterrem os mortos ...). E quando a multidão se tornava grande demais, Jesus pregava um sermão tão duro e exigente que a maioria desistia do caminho. Porquê? Porque Ele só queria investir naqueles que podiam dizer, "Deixar de te seguir? Para onde iríamos? Tu é que tens as palavras da vida!"

O alvo de Jesus não era a conquista. Era, sim, a transformação. Buscava aqueles que estavam mesmo desesperados, prontos para entregar a vida, e investia-se neles, para que chegassem a ser a semente de mostarda que chegou a ser uma árvore enorme, ou o fermento que transformou o pão inteiro.

VI. O Fim da Liderança Serva: O Sacrifício (vs. Lucro, conforto, fama, etc.)

Quando Jesus tinha acabado de lavar os pés dos discípulos, levantou-se do chão, vestiu-se, saiu daquela sala e daquele convívio caloroso, e entregou a sua vida numa rude cruz. A liderança serva não promete conforto, fama, facilidade de vida. Quando seguir-mos o caminho de Jesus mesmo até ao fim, chegaremos sempre à cruz. O fim da liderança serva é o sacrifício.

Uma das coisas que se verifica na história das missões é o facto de que, em cada época de avanço dramático no movimento moderno de missões, o avanço foi sempre acompanhado por um movimento estudantil...uma geração de jovens dispostos a dar tudo pela causa de Cristo no mundo. Em 1716, um jovem estudante de Halle, chamado Nicola von Zinzendorf formou um grupo de alunos chamado a "Ordem do Grão de Mostarda," com a visão de levar o evangelho ao mundo. Mais tarde, este compromisso levou-o a liderar o movimento dos Morávios, que foram, a grande preço e sacrifício, levando a mensagem de Cristo a terras que ainda não conheciam o nome de Jesus. Em Suriname, por exemplo 75 dos primeiros 160 missionários morreram no espaço de dois anos devido a doenças. Mas continuaram a avançar, custasse o que custasse. A liderança serva marcou a diferença, mas pagaram um alto preço.

Irmãos, creio de todo o meu coração que temos perante nós, hoje em dia, uma geração que terá a oportunidade, as condições e a disposição de realizar a grande comissão numa medida que o mundo ainda não viu. E quando penso nos anos que me restam para servir o Senhor neste mundo, a única coisa que quero ser é um recurso para esta geração. É esta a nossa missão como escola. É esta a chamada urgente de Deus para os nossos dias.

Mas, o que temos de ser, e o que termos de produzir são líderes servos. Líderes que vão para além da mera gestão de recursos para ter uma influência profunda no mundo à sua volta. Líderes que não funcionam a partir do poder da sua posição, mas da autoridade do seu carácter. Líderes cuja agenda e projecto principal não são instituições, edifícios e organizações, mas pessoas, criaturas de Deus, que se encontram no dia a dia, mas que também se encontrarão na eternidade. Líderes que sabem abrir mão do controlo dos seguidores para que o ministério se possa multiplicar. Líderes cujo alvo não é apenas vencer, mas, sim, ver a transformação do mundo pela graça e pelo espírito de Deus. Líderes comprometidos a percorrer o caminho todo, sabendo que só se chegará à alegria da glória através do sofrimento da cruz.

Nem todos os nossos alunos serão pastores. Mas o nosso objectivo como escola deve ser que todos sejam líderes servos!

[1] Muitas destas ideias são apresentadas no seu livro, The Second Reformation: Reshaping the Church for the 21st Century, (Houston:Touch Publications, 1995). Outro livro que inclui uma discussão interessante sobre o assunto é Wolfgang Simson, Casas Que Transformam o Mundo: Igrejas nos Lares (Curitiba: Editora Evangélica Esperança, 2001).

[2] Robert K. Greenleaf, ServantLeadership: A Journey into the Nature of Legitimate Power & Greatness (Mahwah, NJ: Paulist Press, 2002), 24.

[3] Jim Collins, Good to Great (New York: Harper Collins, 2001), 16-24)

[4]Steven Covey. "Forword" in Robert K. Greenleaf, ServantLeadership: A Journey into the Nature of Legitimate Power & Greatness (Mahwah, NJ: Paulist Press, 1977), 11.

[5] James C. Hunter, The Servant: A Simple Story About the True Essence of Leadership (New York: Crown Business, 1998), 77.

[6] Bill Hybels, Courageous Leadership (Grand Rapids: Zondervan, 2002), 24-25.

[7] James. C Hunter, The Servant, 30.

segunda-feira, 20 de dezembro de 2010

Lições aprendidas com o planejamento estratégico

Lourenço Stelio Rega

Desde a juventude sempre atuei na gestão, seja de projetos, de organizações ou departamentos. Logo cedo aprendi que se algo precisa ser feito, é preciso investir em seu preparo. Minha primeira experiência nesta área foi quando, aos 17 anos, tive de assumir a direção de uma Escola Bíblica Dominical – com a antiga nomenclatura de superintendente da EBD. Descobri que tinha de prever as atividades que precisavam ocorrer de modo a ajustar a agenda dos eventos. Assim, sem saber os nomes corretos das “coisas” do planejamento, percebi que sem cronograma e previsão pouco poderia alcançar.
Depois notei que quem “tocava” a EBD, de fato, eram os professores, e desta forma descobri o sentido de equipe, mesmo sem saber que existia essa palavra. Aí procurei entender como o professor trabalhava. Descobri a Pedagogia e a Didática (gostei tanto que até hoje estou “embriagado” por isto no magistério teológico). Tentei encontrar alguém que pudesse “capacitar” (palavra inexistente naquela época no meio evangélico) os professores. Não achei ninguém. Mergulhei em livros educacionais e comecei a preparar textos para ajudá-los a exercer o seu papel. Na época não tinha xérox, então eu consegui um mimeógrafo a tinta manual, isto é, tinha de “bater” à máquina o estêncil, prender debaixo de uma tela, colocar tinta preta em cima da tela, colocar o papel sulfite embaixo e depois passar um “rodinho” para espalhar a tinta. Cada cópia era produzida artesanalmente. Como eu tinha trabalhado em gráfica como tipógrafo, aquilo era simples de fazer. Depois comprei um mimeógrafo a álcool, um dos primeiros de minha cidade.
Eu marcava (a palavra “agendar” era desconhecida) as reuniões com os professores antecipadamente, preparava tudo antes das reuniões e reconfirmava a sua presença alguns dias antes da reunião. Os resultados começaram a aparecer e o pessoal percebia que tudo estava funcionando e se sentia motivado a vir nas reuniões. Criamos também programas de recuperação a alunos desistentes, campanhas, eventos, etc.
As pessoas passaram a acreditar no meu trabalho e um efeito colateral disso tudo é que, se algo tinha de ser feito, eu era escolhido para liderar. Comecei a me sobrecarregar com tanta atividade que tive de aprender a gerir o meu tempo pessoal e descobri que o líder de equipe precisa antes ser líder de sua própria vida. No fundo trabalhava tanto para a obra de Deus que estava esquecendo do Deus da obra. Aí descobri que o líder, além de gerir a sua própria vida, precisa estabelecer prioridades para si mesmo, começando de seu relacionamento com Deus, consigo mesmo, com seu matrimônio, com sua família e depois, finalmente, com suas atividades. Nesta época eu já estava casado e com dois filhos.
Depois de quase 40 anos passados daquela minha primeira experiência de “gestor educacional” numa simples e pequena igreja onde era, na época, o interior de São Paulo, hoje já me vejo em fase de planejamento da aposentadoria. Posso dizer, no entanto, que ainda tenho fortes traços de personalidade “workahoolic” em meu sangue, tendo em vista a hipertenacidade que se tornou um estilo de vida. Um filho casado, dois no caminho, esposa que pode voltar a estudar, agora me transformaram em consultor de planejamento de suas vidas.
Tem sido gostoso e agradável olhar para trás e ver como Deus foi construindo tudo isto, especialmente quando estou em meu cantinho de sossego no alto das montanhas mineiras e vendo lá embaixo o vale e as montanhas ao longo do horizonte, sempre tendo em mente que tudo foi construído por Deus com detalhes de um planejamento minucioso e cuidadoso.
A verdade é que, toda tecnologia, vocabulário e ferramenta sobre planejamento, eu acabei adquirindo há cerca de 20 anos atrás, portanto, fazia planejamento estratégico sem saber que aquilo era isso mesmo. Se não tinha um recurso ou ferramenta para usar, pois os livros eram raros, eu ficava acordado até tarde ou acordava mais cedo para inventar, adaptar, datilografar (depois digitar), até mesmo porque era “pecado” usar livros seculares (“do mundo”) para o planejamento na igreja. Criei diversos inventários, um até para ajudar as pessoas a verem o seu nível de espiritualidade (imagine só isso, e feito na década de 80!), depois veio o inventário de dons (que já foi até publicado sem a citação de minha autoria) e tantas outras ferramentas.
O período, diríamos, técnico e científico sobre o planejamento em meu ministério veio antes de minha ida para pastorear na Ilha de Vitória, quando eu e o Ed René Kivitz ainda tínhamos tempo de “trocar figurinhas” sobre as descobertas em planejamento. Ele estava começando o seu pastoreio na IBAB, naquela época ainda na Rua Clélia. Foi uma época de grande aprendizagem juntos. Fui para Vitória e lá encontrei uma pessoa fenomenal em termos de amizade e de planejamento que me influenciou muito – Almir Cordeiro Júnior. Ele me ensinou a tecnologia do planejamento estratégico que uso até hoje e o famoso mapa conceitual das fases do planejamento estratégico.
Em resumo, Deus criou o mundo e para isto se valeu de um intrincado planejamento em que as coisas criadas vinham em sua devida hora. Depois de tudo pronto ele transferiu a Adão e Eva a gestão da natureza criada. Assim a primeira atividade humana foi o gerenciamento.
O planejamento estratégico nada mais é do que a reflexão antecipada sobre o que precisamos e desejamos fazer e a busca dos meios para alcançar isso, dentro de um prazo estabelecido. Sem o planejamento antecipado vamos depender de quem argumenta melhor, de quem tem mais poder ou de quem tem a chave do cofre (frase do Ed René).
Para elaborar o planejamento estratégico temos de seguir as suas fases. Antes de tudo será preciso estabelecer para nossa organização a sua natureza (razão de ser e missão), a sua filosofia (normas/doutrinas e valores/prioridades), avaliar o seu entorno em busca do público-alvo a ser atendido ou âmbito de atuação. Somente depois vem a visão de futuro que almejamos.
Na área empresarial a visão geralmente poderá vir antes de tudo, mas no campo eclesiástico, ela vem depois, pois a natureza e filosofia da igreja são pré-estabelecidas na Bíblia. Aí temos condições de estabelecer os objetivos que precisamos cumprir para alcançar o fim esperado. Dos objetivos estabelecemos as estratégias, depois as metas mensuráveis e as ações setoriais. Em seguida será preciso levantar os recursos necessários e a viabilidade financeira. Tudo ok até agora? Então se temos recursos, se os objetivos são viáveis para que a visão se estabeleça, colocamos mãos à obra partindo para as atividades (permanentes) e os projetos (temporais). Dentro de períodos pré-estabelecidos temos de avaliar as atividades e os projetos para saber se estão no rumo certo e vamos ver se será preciso replanejar a visão, os objetivos e assim por diante num processo de ativo feedback.
É simples assim! Simples que nada, quem lidera precisa ter o mapa de tudo na mão e saber envolver a equipe. Assim você aprende que planejamento estratégico sem gestão estratégica transforma o próprio planejamento numa bela peça literária. E nem falamos em ciclo de vida dos projetos. Aqui eu teria de lembrar do amigo, já falecido, Darcy Dusilek que me ensinou sobre a famosa curva sigmóide do ciclo de vida. Mas isso fica para outra hora.

Publicado originalmente em Instituto Jetro

domingo, 19 de dezembro de 2010

Planejamento estratégico: problemas e soluções

Estávamos numa reunião avaliando o planejamento de um período de trabalho. Um líder avaliou que o planejamento não foi eficaz e que precisaria melhorar. Ainda nesta reunião questionamos: como teria sido o período sem o planejamento? Realmente teria dificultado a organização e a realização das tarefas.
O planejamento estratégico é uma maneira de organizar as atividades da igreja que tem buscado caminhos para propiciar a sua importância e a proposta de fazer diferença na sociedade. Isto porque a sua identidade tem sido colocada à prova pelo ambiente em que atua. Às vezes, a igreja se ocupa com as múltiplas atividades e não consegue dar suporte às necessidades das pessoas. Outras vezes, constata-se que a liderança é sempre a mesma, ou centralizada, ou ainda o obreiro está sozinho.

Consideremos três pontos:

1. O ideal e a realidade
O ideal seria que cada organização, grupo e líder tivessem o seu planejamento e que tudo acontecesse como previsto. No entanto, a realidade nem sempre é esta, e existem perigos:

a) quando a organização deixa a razão para qual existe, quando ela deixa de cumprir o propósito de Deus como porta-voz da mensagem da salvação;
b) quando não se tem planejamento, facilmente se decide pela comunidade e contenta-se em reunir pessoas num mesmo lugar ou numa mesma tarefa. Quanto mais, melhor!;
c) normalmente são as questões pessoais que dificultam a organização e o gerenciamento de recursos pessoais e financeiros;
d) a institucionalização e a formalização da organização é um processo natural e corre-se o risco de perder o vigor e a missão pela qual existe. A rotina e a mesmice tornam-se a marca;
e) quando se faz o planejamento e este vale para sempre. Considerando a experiência de José (Gênesis) e Neemias, percebe-se que eles tinham alvos definidos, com propósitos, capazes de realizar e avaliar.

O planejamento estratégico está em constante avaliação e mudança. Quando alcança o alvo proposto, existe uma nova oportunidade a ser planejada. Ele é dinâmico.

2. O resultado e a crise do voluntariado
A organização e o planejamento da igreja cristã correm o risco de serem avaliados pelo resultado, pela técnica e pelo profissionalismo. Desta forma, compete-se com o capitalismo, que se esmera por centrar a sua atenção justamente no resultado e no lucro.
O capitalismo pós-moderno trata de ocupar todo o tempo da pessoa, fazendo com que as pessoas não tenham mais tempo. Além disto, que não façam nada sem serem pagas por isto. Gera a crise do servo e do voluntariado.
As pessoas se tornam incapazes de representar coerentemente o seu presente e de conceber as estratégias para produção de uma estratégia diferente. Geram sentimentos de incapacidade, impotência e insubmissão diante dos desafios nas mais diferentes esferas da vida cotidiana.

3. Os recursos e as oportunidades
A pós-modernidade desafia as igrejas cristãs – que pretendem ser “viveiros” de comunidade terapêutica – a planejarem, estruturarem e desenvolverem ações que:

a) possibilitem a participação de pessoas que não preenchem as expectativas da “boa ordem do espetáculo”, mas que podem desenvolver uma atividade no planejamento;
b) possibilitem que cada um, individualmente – seja na estrutura da instituição, na prática culto-litúrgica ou na presença da sociedade – possa viver uma das dimensões intrínsecas do “templo do Espírito Santo”: o privilégio e o direito de cada membro individualmente ser “mão”, “pé” ou “olho”, apesar de em conjunto construírem um só corpo (1ª Co 12);
c) considerem positivamente a tendência pós-moderna;
d) privilegiem e/ou construam técnicas e instrumentos que possibilitem trabalhar a realidade;
e) contribuam para a recuperação do ponto de complementaridade.

A grande dificuldade continua sendo como envolver as pessoas na organização da comunidade. Por isto, a necessidade da criação de pequenos grupos e uma comunidade terapêutica que serve.
O planejamento estratégico possibilita o espaço para a pessoa ter o seu envolvimento e a sua necessidade atendida. A pessoa que se sente atraída é aquela que tem alguma identificação com a organização, normalmente ocupada com uma tarefa.
Desta forma, o planejamento estratégico pode abrir caminhos que possibilitam o desenvolvimento da organização de forma que cumpra a sua missão com eficácia. Que ela seja terapêutica para a pessoa, para a família, comunidade e sociedade, capaz de valorizar o líder e a organização.
Atualmente, o planejamento é o caminho que potencializa os recursos que estão à disposição. Mesmo sendo poucos. Dará a perspectiva de desenvolvimento e disposição para buscar dinamismo e autenticidade organizacional e gerencial. Importa como aplicar os recursos que se tem. Porque onde acontece a semeadura e o plantio, mais cedo ou mais tarde, acontecerá a colheita (Is 55.10-11).
Planejamento é um caminho e não um ponto de chegada. É um olhar para o alvo. Onde o resultado é a gratidão do dever cumprido. “Assim também vocês, quando tiverem feito tudo o que lhes fora ordenado, devem dizer: Somos servos inúteis; apenas cumprimos o nosso dever” (Lc 17.10)

Publicado originalmente em Instituto Jetro