Ética e Liderança Cristã: As Prioridades do Ministério

sexta-feira, 23 de março de 2007

As Prioridades do Ministério

As Prioridades do Ministério
Publicado em 31/03/05 às 17:09
Por Douglas Spurlock

O trabalho do pastor é cheio de pressões e exigências sobre seu tempo. A pressão é maior se ele leva a sério seu papel como servo, despenseiro e mestre!

Só o fato de pensarmos em tudo que precisa ser feito, deixa-nos cansados! Para conseguir fazer tudo, precisamos colocar nossas prioridades em ordem. O que é mais importante? Será que há uma ordem em que devemos fazer as coisas?

Em Atos 20.17-38, Paulo está perto de Éfeso onde ele havia passado dois anos evangelizando e ensinando os crentes. Ele chama os anciãos de Éfeso para uma reunião. Nesta reunião, ele abre o seu coração mostrando como eles devem ministrar a palavra.

Nos versículos 19-24 ele explica os quatro aspectos importantes do trabalho em Éfeso. Suas prioridades no ministério eram: servir ao Senhor (v. 19), ensinar a igreja (v. 20), evangelizar os perdidos (v. 21) e sacrificar-se a si mesmo.

Este é o modelo que Paulo deixou com os líderes da igreja em Éfeso. O modelo é muito válido para nós também.

Servir ao Senhor (Atos 20.19)

A palavra que Paulo usa para servo significa "pertencer ao outro". O servo é uma pessoa que não tem vontade própria, mas vive subordinado a uma outra pessoa.

Por sete vezes Paulo descreve assim seu relacionamento com Jesus Cristo. Jesus dirige o ministério. Ele já organizou tudo para funcionar bem. O papel de Paulo é fazer tudo aquilo que Deus quer e deixá-Lo cuidar do resto.

Pertencendo a Deus, seu desejo é agradar a Ele e não aos homens. Em 1 Tessalonicenses 2.4-6,10, Paulo fala quatro vezes, usando expressões diferentes, que ele procura, primeiro, agradar a Deus e que Deus é testemunha de tudo o que ele faz.

Que descanso isso nos pode dar! No meio das pressões e exigências do nosso tempo, nós podemos correr à presença de Deus para saber da Sua vontade. Quantas vezes fazemos o contrário e nos submetemos às pressões que outras pessoas põem sobre nosso tempo.

Paulo não somente serve ao Senhor, mas serve com humildade. Ser servo é fazer trabalho humilhante. Ser humilde é ter a atitude de humildade. Paulo está dizendo que ele se considera no nível mais baixo da sociedade, totalmente sem direitos.

Paulo pode ter esta atitude de humilde serviço a Deus porque conhecia Deus; um Deus cheio de santidade, autoridade e poder. Por isso Paulo pode dizer em 2Coríntios 3.5: "tudo vem de Deus". Ele sabia que nada vinha dele.

Nosso ministério , acima de tudo, é algo que recebemos de Deus. Por que, então, insistimos em fazê-lo dependendo do nosso poder e não do poder de Deus?

Ensinar a Igreja (Atos 20.20)

Ensinar a igreja era a segunda prioridade de Paulo no ministério. No seu humilde serviço a Deus, não deixou de anunciar e ensinar nada que era útil para a vida dos crentes em Éfeso.

Por "anunciar" entendemos que Paulo mostrava o que uma pessoa que estava iniciando a sua vida com Cristo deveria conhecer e praticar. Ele diz que nada deixou de anunciar. Não reteve o que eles precisavam. Procurou dar tudo o que iria beneficiá-los.

Parece que Paulo não somente ensinava nas reuniões públicas, mas estava ensinando constantemente e em qualquer lugar. Ele diz que ensinava publicamente e de casa em casa.

Se vamos realmente ensinar, repetindo a verdade até que ela seja aceita, precisamos estar observando as necessidades das pessoas e ministrando a palavra necessária em cada situação. Assim seremos pastores-mestres e despenseiros como nos convém.

O conteúdo deste ensino dizia respeito aos desígnios de Deus. Em Atos 20.27, ele diz que não deixou de anunciar todo o "conselho de Deus".

Desse modo, os efésios ficaram sabendo de tudo. Eles tiveram oportunidade de saber tudo o que Paulo sabia. Não havia certas verdades reservadas para os pastores e outras que todo mundo podia conhecer. Não! Paulo não reteve nada. Ensinou todo o conselho de Deus!

Paulo obviamente achava que alimentar o povo era uma prioridade essencial para todas as igrejas, pois em suas cartas a Timóteo ele insiste que Timóteo se aplique "à leitura, â exortação e à instrução" (1Tm 4.13-16); que estude para assim ensinar (2Tm 2.2, 3.16,17); e que seja persistente no ensino em toda e qualquer ocasião (2Tm 4.2).

Evangelizar os Perdidos (Atos 20.21)

A responsabilidade da Igreja neste mundo é a evangelização daqueles que estão sem Cristo. Ela nunca deve perder o contato com o mundo. A igreja sempre deve ter o alvo de trazer para dentro os que estão fora.

Esta tarefa foi prioritária para Paulo e deve ser para todo pastor. Se este é o propósito divido da Igreja, o pastor que está servindo humildemente ao Senhor deve ensinar o povo da Igreja a evangelizar.

Sabemos que quando Paulo estava ensinando em Éfeso: "todos os habitantes da Ásia, judeus e gregos, puderam ouvir a Palavra do Senhor" (At 19.10). Não foi Paulo que falou com todos os habitantes. Foram as pessoas que se converteram em Éfeso que viajaram para o interior levando o Evangelho.

O objetivo de Paulo era que se convertessem. Esta palavra significa fazer uma reviravolta mental, mudar de mentalidade.

Não se tratava simplesmente de reconhecer que Cristo tinha mais poder do que os deuses ou espíritos que os efésios adoravam.

Significava, também, reconhecer que eles estavam separados de Deus por causa dos seus próprios pecados e que deveriam aceitar, pela fé, que Cristo morreu fazendo o pagamento total dos seus pecados.

Hoje precisamos de igrejas cheias de pessoas convertidas. Nem sempre elas estão!

Muitas vezes nós somos tentados a encher a igreja a todo custo. Muitas pessoas vêm porque pregamos bonito, ou porque seus corpos são curados e seus problemas resolvidos. Mas nunca ficam sabendo que a coisa mais importante é fazer aquela reviravolta, ou seja, deixar os pecados e entregar, pela fé, sua vida ao Deus único e verdadeiro.

O modo mais eficaz de a Igreja evangelizar é pelo testemunho dos crentes. Muitas vezes as pessoas se converterão através do ministério do pastor. Mas, normalmente, uma pessoa se interessa pelo Evangelho porque viu uma mudança na vida de alguém.

O trabalho estratégico do pastor, então, é treinar o povo e evangelizar as pessoas com as quais eles têm contato (veja 1Ts 1.6-8 ). Daqui é que surge a idéia de que a Igreja se reúne para aprender e se espalha para evangelizar.

O pastor que quer um mundo transformado deve pedir a Deus um povo transformado que será testemunha do poder transformador de Deus.

Sacrificar-se a Si Mesmo (Atos 20.22-24)

Devemos esperar que o pastor enfrente pressões e conflitos quanto ao uso do seu tempo. Pois fomos chamados a nos sacrificar.

Paulo explicou isso desta maneira: ele ia a Jerusalém como que "acorrentado" pelo Espírito (v. 22) e sabia que aquilo que lhe esperava não era bom (v. 23), mas, afinal, Paulo não considerava sua vida preciosa, contanto que cumprisse com a tarefa que Deus lhe confiara (v. 24).

Muitas vezes há pastores que acham que estão se sacrificando por causa das pressões que vêm, quando o problema real é que estão com as prioridades fora de ordem.

Eles sofrem porque não conseguem pôr a vida em ordem e não porque estão se dando para cumprir com o ministério de Deus. Deus nos chama primeiramente para servi-Lo. Ele cuidará dos seus servos porque quer que eles sejam úteis e não que se gastem e se inutilizem.

Se seguirmos a segunda prioridade - ensinar a igreja - não iremos nos desgastar tão facilmente, pois estaremos treinando outros a fazer o ministério.

A evangelização dos perdidos, apesar de ser a razão principal da existência da igreja, vem em terceiro lugar. Isso porque o pastor que Deus usa para evangelizar é aquele que procura, acima de tudo, agradar ao seu Senhor e que está ensinando e formando os cristãos que lhe foram confiados.

Conclusão

Essas são as prioridades para aquele que quer servir a Deus. Mas quem realmente deve fazer este ministério é o povo. É por isso que o pastor, além de servo, despenseiro e mestre, é um modelo.

Como Paulo, ele é um exemplo a ser seguido por aqueles que querem servir a Deus. Irmão, como está nosso exemplo? Vivemos aquilo que queremos que o povo viva?

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