sexta-feira, 23 de março de 2007

Onde estão os Anciãos e os nossos Presbíteros?

Onde estão os Anciãos e os nossos Presbíteros?
Publicado em 23/06/03 às 20:48
Por Pr.David Alencar

Há alguns anos li uni artigo que falava sobre os ex-presidentes dos EUA. Lembro bem que o articulista falava o quanto fazia falta ao Brasil, termos líderes veteranos que ultrapassaram a luta política quotidiana e, por isso mesmo, podiam ser um reservatório de experiência e sabedoria para a nação. O autor falava que os nossos ex ainda estavam por aí querendo um lugarzi-nho ao sol na arena do poder (vide Collor, Itamar e Sarney). Fiquei pensando em como seria o Brasil se ainda tivéssemos, entre nós, o Getúlio Vargas bem velhinho, o Juscelino, o Jânio, o Jango, o Castello Branco e (Deus me perdoe) até o Mediei. Será que teríamos um pouco mais de sabedoria ou seriam, todos, como o ex-presidente Figueiredo, velho, amargurado, onde os anos somados só acresceram sua estultície. Enfim, fico pensando nisso...

E quando penso na Igreja, particularmente na Igreja Evangélica Brasileira, fico me perguntando: "onde estão os nossos anciãos? Porque precisamos ser orientados somente por essa legião de "meninos", com menos de 50 anos de idade, da qual eu mesmo faço parte?"

Todos sabemos que a palavra presbítero, cujo significado literal é ancião, não significa somente idade mas, principalmente, maturidade. Porém, hoje, depois de ter alcançado a marca dos 40 anos, vejo que é quase impossível maturidade sem o con-
curso dos anos. Os jovens tem um defeito comum: precisam do sucesso. Os velhos, quando saudavelmen-te envelhecidos, já superaram isso. Ou porque nunca alcançaram 'o sucesso' e aprenderam a viver sem ele. Ou porque o alcançaram e viram o quanto é ilusório.

Onde estão aqueles anciãos que, sem pretensão de status e poder, podem dar à Igreja Evangélica Brasileira a densidade necessária com sua palavra de exortação, equilíbrio, sabedoria e graça? Estamos por demais necessitados disso.

Sou parte da geração que sentou aos pés do Caio Fábio. Menino como eu, embora menino brilhante. Hoje parece estar havendo uma corrida de outros meninos para ocupar o vazio que o Caio deixou. Tomara que ninguém consiga. Lembro-me de um pastor mais velho que, 15 anos atrás, após uma pregação do Caio, disse o seguinte: "Oremos por esse moço. Ele é muito jovem para a atenção toda que está recebendo." Havia sabedoria naquelas palavras mas eu não ouvi...Eu era muito jovem...

Será esse o maior problema? Eu, nós, não estamos dispostos a ouvir os anciãos? Morei com minha família num país muçulmano. Uma das coisas que admirei foi o lugar e o papel de honra que o velho tinha naquela sociedade. Vi, muitas vezes, jovens sentados aos pés de idosos cegos, alquebrados, ouvindo suas histórias, seus discernimentos, sua sabedoria. Chocou-me por que nós tendemos a valorizar somente o jovem, afinal, "...não confie em ninguém com mais de trinta anos..." é o lema desde os anos 60.

Sim, uma grande parte do problema é que os nossos anciãos, os veteranos da igreja, estão por aí, nos cantos, desvalorizados, sentido que nós - eu e os mais novos que eu -não precisamos deles. Nós somos a geração que sabe o que faz e ponto final. "Eles são ultrapassados", é o que pensamos. Qual dos pastores atuais, de celular ligado, laptop à tiracolo, agenda lotada, tem tempo e disposição para estar com um desses velhos pastores?

Por outro lado, não quero desprezar o outro problema que, para mim, foi resumido na observação de um pastor amigo: "A Igreja Evangélica Brasileira não tem produzido muitos velhinhos sábios.". Estará certo o meu amigo? Lembro-me de um homem, o Irmão Francisco, monge trapista, com quem fiz amizade. O irmão Francisco tinha, quando o conheci, mais de 70 anos, 50 destes dedicados à vida monástica, à vida de oração. Ao conversar com ele, em seu olhar, palavras ingênuas, sinceras, desprovidas de preconceito, ele me comunicou Jesus. Ele transpirava Jesus. Quantos pastores-líderes idosos nós temos assim? Quero crer que os temos. Acho que em cada denominação/grupo evangélico os há. Nos últimos anos, eu e outros pastores, temos nos sentido "acolhidos" na sabedoria espiritual de um velhinho inglês, o Dr. James Houston, que todos os anos, deixa o Canadá, onde mora e, apesar de seus mais de 80 anos, vem ao Brasil, dar-nos um pouco de perspectiva e sabedoria espiritual.

Enfim, não quero ser apenas lamuriento. Acho que há algo que pode ser feito. Primeiramente, por nós, pastores, na ribalta do ministério público: certamente podemos procurar por esses velhinhos. Acho que em cada denominação, grupo, missão, há veteranos sábios, que merecem ser ouvidos, que precisam ser ouvidos. Vamos pois, buscá-los!

Em segundo lugar, há algo, que também pode ser feito pelos senhores, anciãos. Acreditem, precisamos de vocês. Não sabemos tanto quanto a imagem que passamos de nós mesmos. O Dr. Houston disse: "O nosso problema é que falamos mais depressa do que pensamos, pensamos mais depressa do que agimos, e agimos
mais depressa do que temos caráter para isso." É verdade! Muitos de nós somos como meninos com zarabatanas enfrentando metralhadoras. Estamos assustados. Temos medo. E escondemos isso de quase todo mundo. Por favor, ajudem-nos. Chamem-nos à sua casa. Falem-nos de suas lutas. Sorriam amorosamente dos nossos grandes projetos. Incentivem-nos a orar. Ajudem-nos a amar a Deus profundamente. E ao próximo...

Em terceiro lugar, será que a Igreja Evangélica Brasileira, talvez via AEVB, não poderia ter algo como um Conselho de Anciãos, tipo indígena, onde os nossos Shedds, Togninis, Elbens Lenz, e outros, se reunissem, de vez em quando, para conversar, orar e nos dizer.

"Meninos, não se assustem, cuidado com os lobos, cuidado com os falsos obreiros, combatam o bom combate, completem a carreira, preservem a fé."

Pr. David Alencar - Pastor na Igreja Batista da Borda do Campo - SBC/SP

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