quarta-feira, 8 de agosto de 2007

Líderar é Avançar | Misael Nascimento: Somente Pela Graça

Dize aos filhos de Israel que marchem. Êx 14.15.


A Igreja precisa de bons líderes. A revelação bíblica insiste em mostrar-nos que o povo de Deus avança na mesma medida de sua liderança. Desde Moisés, observamos esse padrão repetindo-se continuamente: maus líderes marcam a história com inoperância e ruína espiritual. Bons líderes impulsionam o povo de Deus a alcançar os alvos propostos pelo Senhor: “Não havendo sábia direção cai o povo, mas na multidão de conselheiros há segurança” (Pv 11.14). A realização de uma missão significativa para Deus sempre envolverá um ou mais líderes, que desempenharão suas incumbências de maneira fiel e dedicada.

Ao falar do dom de liderança, em Romanos 12.8, “o que preside, com diligência”, o apóstolo Paulo usa uma palavra que significa literalmente aquele que está à frente, “em primeiro lugar” (RIENECKER & ROGERS, 1985, p. 277). A liderança eclesiástica atual enfrenta o desafio de guiar o povo de Deus dentro das trilhas abertas pelo Senhor. Esta é uma tarefa literalmente impressionante, humanamente impossível, que não pode ser realizada sem Deus: “O SENHOR pelejará por vós, e vós vos calareis” (Êx 14.14). Sem Deus conosco, não há como avançar.

O termo avançar determina o papel da liderança na Igreja. Líderes levam o povo a retroceder ou avançar. Moisés tinha de levar o povo adiante, naquela histórica peregrinação (Êx 3.10; 5.1ss). Josué foi comissionado a levar o povo para dentro dos domínios de Canaã e estabelecer as bases do futuro reinado de Israel (Js 1.6). Os juízes foram homens e mulheres que, em meio a situações de caos, conduziram o povo na direção da obediência aos propósitos de Deus (Jz 2.18-19).

Esse padrão se repete em todo o Velho Testamento. Os relatos dos reis mostram isso (1Sm a 2Cr). Um rei se levantava e levava o povo adiante. Depois de sua morte, outro surgia e direcionava o povo à ruína, na direção da idolatria e do pecado (2Rs 18.1-3; 21.1-2, 19-20; 22.1-2).

De acordo com o Novo Testamento, o Senhor Jesus Cristo caminhou em certa direção, guiando aqueles que o seguiam (Jo 10.27). Após a sua morte e ressurreição ele comissionou os apóstolos para liderarem o povo de Deus. Estabeleceu-se na Igreja uma estrutura de liderança, sendo que os presbíteros deveriam “pastorear o povo” (At 20.28). Aquele pequeno movimento de Jerusalém, sob os apóstolos, cresceu ao ponto de transtornar o mundo. A Igreja avançou e cresceu (At 2.41, 4.4, 9.31, 16.5, 17.2, 19.20, 21.20).

Observando os exemplos bíblicos e considerando que a vida com Deus é equiparada a uma “corrida” (1Co 9.24-27), parar equivale a retroceder. Deus se revela na Escritura como Criador, Redentor e Juiz que dirige a história para a Consumação. Isso significa que a própria história não é cíclica, mas linear. O movimento histórico pressupõe avanço. Destarte, na economia divina, ficar parado é andar para trás.

Eis o fato. Há líderes que fazem a Igreja avançar, e outros que a fazem regredir. Há líderes que paralisam o trabalho, encaminhando o povo para trás. Igrejas possuem membros que ocupam posições de liderança e, não obstante, não produzem frutos ministeriais. Líderes proliferam mas as igrejas continuam experimentando aquilo que chamo de “síndrome de baratas tontas” — caminhando em círculos ano após ano, sem uma verdadeira noção de direção, sem definição de alvos, sem propósitos claramente estabelecidos. Isso acontece quando a liderança não ouve ao Senhor: “Mas não me deram ouvidos, nem atenderam, porém andaram nos seus próprios conselhos e na dureza do seu coração maligno; andaram para trás e não para diante” (Jr 7.24).

O líder espiritual deve ser eficaz. Podemos entender eficácia como a capacidade de fazer as coisas acontecerem. Quando líderes são eficazes, as coisas acontecem como deveriam acontecer. Uma visão é comunicada e abraçada. O líder mostra o caminho e leva o povo até lá. Isso é eficácia. Na verdade, “o líder leva as pessoas aonde nunca iriam por conta própria” (FINZEL, 1997, p. 16). Quais algumas das características desses líderes eficazes? Quais a grandes necessidades existentes no que diz respeito à liderança que funciona?

Isso é assunto para os próximos artigos.

Bibliografia

FINZEL, Hans. Dez erros que um líder não pode cometer. Trad. Aparecida Araújo dos Santos. São Paulo: Vida Nova, 1997. 192 p.

RIENECKER, Fritz e ROGERS, Cleon. Chave lingüística do Novo Testamento grego. Trad. Gordon Chown e Júlio Paulo T. Zabatiero. São Paulo: Vida Nova, 1985. 639 p.

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