sexta-feira, 25 de julho de 2008
segunda-feira, 21 de julho de 2008
As Desculpas de Moisés
Moisés, com 40 anos de idade e com todo o vigor físico e o desejo ardente de ajudar os parentes, não conseguiu fazer nada. Agora, com 80 anos, vai fazer o que? Vai entrar na presença do rei do país mais poderoso do mundo e exigir a libertação de milhões de escravos? Moisés se considerava um libertador pouco provável, e começou a oferecer suas desculpas ao Senhor. Vamos examinar as cinco desculpas que ele deu, e a maneira que Deus respondeu a cada uma. O relato se econtra em Êxodo 3 e 4.
ì Quem sou eu?
"Então, disse Moisés a Deus: Quem sou eu para ir a Faraó e tirar do Egito os filhos de Israel?" (3:11). Que convite para uma pregação positiva! Dá para ouvir alguns pastores, hoje em dia, fazendo belas pregações elogiando tal pobre sujeito que não reconhece sua força interior. "Você é alguém", diriam para Moisés. "Com pensamentos positivos, você pode realizar seus sonhos." Mas esses pastores não estão pregando a palavra do Deus que chamou Moisés. Deus não elogiou Moisés. Ele não fez algum Grande discurso para mostrar que Moisés era alguém. Deus, implicitamente, concordou com Moisés. É verdade. Você não é ninguém. Mas eu sou o Criador do universo e "Eu serei contigo" (3:12).
Muitas pessoas recusam cumprir os papéis que Deus lhes tem dado, porque se julgam incapazes. Olham para outras pessoas mais talentosas e acham desculpas por não fazer a vontade de Deus. O fato é que sempre encontraremos ao nosso redor pessoas mais inteligentes, mais fortes, mais eloqüentes e mais conhecidas. Mas, Deus nunca usou tais qualidades para medir seus servos. Ele não quer pessoas auto-confiantes, mas pessoas que confiam nele. Se você tende a fugir da responsabilidade porque não é ninguém, está olhando na direção errada. Pare de olhar no espelho para ver suas limitações, e comece a olhar para Deus Todo-Poderoso.
í O que direi?
Deus respondeu à primeira desculpa, e Moisés já ofereceu a segunda. Tudo bem, eu vou lá para falar com o povo sobre a libertação, e else vão perguntar para mim. Vão querer saber o Nome do Deus que me enviou. O que eu direi para else? (3:13).
Os egípcios serviam muitos deuses, e os hebreus foram corrompidos pela influência deles (veja Josué 24:14). Para alguém chegar no meio deles e dizer que "Deus me mandou" seria uma mensagem vaga. Ao mesmo tempo, Deus já tinha se identificado para Moisés (3:6). Da mesma maneira que Deus USA muitas descrições de is nos outros livros da Bíblia, ele usou várias neste capítulo. Além de ser o Deus de Abraão, Isaque, Jacó e do pai de Moisés (3:6), ele se descreve como "Eu Sou o Que Eu Sou" (3:14). Esta descrição, a mesma usada por Jesus em João 8:24 e 58, é uma afirmação da eternidade de Deus. Ele é, e sempre existia. Mais ainda, Deus usou o Nome traduzido na maioria das Bíblias atuais com maiúsculos: SENHOR. Este Nome vem do tetragrama, ou Nome de quatro letras (YHWH). Sem vogais, ninguém sabe a pronuncia correta deste Nome (alguns sugerem Javé). Alguns séculos depois de Moisés, os judeus acrescentaram vogais e começaram pronunciar o Nome como "Jeová". A tradução grega do Antigo Testamento USA a palavra "Kyrios" que é traduzida em nossas Bíblias como "Senhor".
Algumas pessoas hoje, incluindo as Testemunhas de Jeová, têm insistido que "Jeová" ou alguma forma semelhante é o único Nome de Deus, e que devemos usar este Nome exclusivamente. Usam passagens como Êxodo 3:15 ("este é o meu Nome eternamente"). Algumas observações na Bíblia mostram claramente que Deus não estava dizendo que os servos dele usassem este Nome como a única maneira de falar sobre Deus. Outras passagens usam diversos nomes ou descrições de Deus, mostrando seu poder, sua eternidade, etc. Um versículo é suficiente para provar o erro da doutrina de "um único nome" para Deus. Amós 5:27 diz: "...diz o SENHOR, cujo nome é Deus dos Exércitos". Se o próprio SENHOR (YHWH) diz que seu nome é Deus (Elohim) dos Exércitos, nenhum homem tem direito de proibir o uso de descrições bíblicas de Deus. Para tirar qualquer dúvida, podemos ver o exemplo de Jesus. Ele citou, várias vezes, a tradução grega do Velho Testamento, que usa a palavra Kyrios (Senhor) no lugar de YHWH. (Por exemplo, ele cita a Septuaginta, que usa a palavra Kyrios, em Marcos 12:11). Mais uma observação nos ajudará: o nome YHWH não aplica somente a Deus Pai, como alguns falsos mestres sugerem. Mateus 3:3 fala sobre o papel de João Batista em preparar o caminho de Jesus, e cita Isaías 40:3. YHWH (Javé ou Jeová) de Isaías 40:3 é Jesus!
A resposta do Senhor a Moisés não foi dada para sugerir que haveria apenas um nome oficial de Deus. O Deus eterno e soberano queria se destacar dos falsos deuses adorados pelos egípcios e até pelos próprios hebreus.
î Eles não crerão
A terceira desculpa de Moisés mostra que ele continua preocupado com sua própria credibilidade. Eles não crerão na minha palavra, ele diz (4:1). Deus reconheceu que esta preocupação era válida, e ofereceu três sinais para confirmar a palavra de Moisés (4:2-9). O bordão se virou em serpente, a mão se tornou leprosa e a água tirada do rio se tornou em sangue. Esta é a primeira vez na Bíblia que Deus concedeu ao homem o poder para realizar milagres. O propósito dos milagres é bem explicado pelo contexto: para confirmar a palavra falada. Quando Elias e Eliseu introduziram a época de profecia do Velho Testamento, realizaram milagres. Quando Jesus e os apóstolos introduziram o evangelho, operaram vários sinais. Os milagres deles tinham o mesmo propósito: "...confirmando a palavra por meio de sinais..." (Marcos 16:20); "... a salvação, ... tendo sido anunciada inicialmente pelo Senhor, foi-nos depois confirmada pelos que a ouviram; dando Deus testemunho juntamente com eles, por sinais, prodígios e vários milagres e por distribuições do Espírito Santo..." (Hebreus 2:3-4). Quando Deus mandou pessoas com novas revelações, ele confirmou a palavra com sinais milagrosos.
ï Eu nunca fui eloqüente
Moisés ainda não foi convencido (4:10). Mesmo depois de ver os sinais, ele tinha dúvida! Parece que ele não conseguiu entender que o mensageiro não é ninguém. É a mensagem que importa. Sobre esta desculpa de Moisés, podemos observar: ì Que não tinha base em fato. Estêvão, comentando sobre os primeiros anos da vida de Moisés, disse que ele "foi educado em toda a ciência dos egípcios e era poderoso em palavras e obras" (Atos 7:22). í Que não tinha importância. Mesmo se Moisés havia esquecido tudo que já aprendeu e não se achava eloqüente, foi o Senhor que fez a boca do homem (4:11). O mesmo Deus que concedeu dons miraculosos para Moisés, o mesmo que fez o universo, o mesmo que escolheu o povo de Israel e o mesmo que apareceu na sarça ardente fez a boca do homem. Deus controlaria a língua de Moisés para comunicar o que ele queria.
Ainda hoje, os homens tendem a supervalorizar a eloqüência. Enfatizam a homilética ao invés de ensinar como estudar e entender as Escrituras. Em muitos púlpitos, a embalagem se tornou mais importante do que o produto.
Paulo recusou valorizar a eloqüência acima do conteúdo: "Eu, irmãos, quando fui ter convosco, anunciando_vos o testemunho de Deus, não o fiz com ostentação de linguagem ou de sabedoria. Porque decidi nada saber entre vós, senão a Jesus Cristo e este crucificado. E foi em fraqueza, temor e grande tremor que eu estive entre vós. A minha palavra e a minha pregação não consistiram em linguagem persuasiva de sabedoria, mas em demonstração do Espírito e de poder, para que a vossa fé não se apoiasse em sabedoria humana, e sim no poder de Deus" (1 Coríntios 2:1-5).
Observamos a mesma coisa quando estudamos as qualificações de obreiros na igreja (presbíteros, diáconos, etc.). Deus quer homens com conhecimento que mostram obediência nas suas vidas (1 Timóteo 3:1-13; Tito 1:5-9; Atos 6:3). Os homens querem homens que têm sido formados em seminários e institutos de teologia. Vamos seguir a sabedoria de Deus ou a dos homens?
ð Envie aquele que hás de enviar, menos a mim!
Pode ser que as primeiras "desculpas" de Moisés mostraram uma preocupão válida sobre sua própria capacidade. Assim, Deus respondeu a cada objeção que ele ofereceu. Mas, agora, ele ultrapassou o limite. Moisés não tinha mais motivo para recusar, mas ainda não queria assumir a grande responsabilidade de tirar o povo do Egito. Quando Moisés pediu que Deus enviasse outro, o Senhor se irou contra ele. Ele resumiu todas as outras respostas, dizendo que tinha o bordão, que Arão iria com ele, etc. e mandou que Moisés fosse.
É natural se sentir inadequado para as responsabilidades da vida. Muitos homens não se sentem capazes de ser bons maridos e pais. Muitas mulheres não querem assumir a grande responsabilidade de ser donas de casa e mães dedicadas. Muitos cristãos têm medo de ensinar a palavra de Deus, de corrigir um irmão ou de ajudar com os problemas dos outros. Mas, nem sempre dá para fugir! Às vezes, somos as pessoas indicadas para determinados trabalhos. O pai de família tem que protegê-la. A mãe de filhos tem que cuidar deles. Os pastores de igrejas têm que alimentar e proteger as ovelhas.
E se fugirmos da responsabilidade que Deus tem nos dado? A ira do Senhor se acendeu contra Moisés. Será que ele ficará contente conosco, se recusamos fazer a vontade dele?
Conclusão: Moisés obedeceu!
Depois de todas as desculpas, Moisés fez o que Deus pediu. Ele era um servo fiel na casa do Senhor (Hebreus 3:5), e ainda é um bom exemplo para nós. Às vezes, somos tentados fugir de alguma responsabilidade. Daqui para frente, vamos procurar ser servos fiéis, fazendo tudo que Deus pede de nós. O poder não está em nós, porque realmente não somos ninguém. O poder está em Deus. Precisamos aprender o que Paulo aprendeu: "tudo posso naquele que me fortalece" (Filipenses 4:13).
Postado por
Márcio Melânia
às
12:39
0
comentários
Marcadores: E-mail recebido
sábado, 5 de julho de 2008
Liberdade com responsabilidade: Ética Cristã nos escritos de São Paulo*
*Por Pe. Darci Luiz Marin, ssp
Sacerdote paulino, mestre em teologia moral pela Academia Alfonsiana de Roma.
São Paulo lança as bases para a ética da vida cristã nascente. No alvorecer do cristianismo, a originalidade da proposta desenvolvida pelo apóstolo Paulo consistiu em aliar a liberdade à responsabilidade: "tudo me é permitido, mas nem tudo convém" (1Cor 6,12).
Todos os seres humanos prezam a liberdade, tendo sido criados para ela. Para não diminui-la ou até destruí-la, no entanto, requer-se que se viva com responsabilidade. Essa foi a grande intuição de São Paulo, defendida em suas cartas dirigidas às primeiras comunidades cristãs.
Em tempos mais recentes, o Vaticano II resgatou essa intuição, sobretudo, com a Gaudium et Spes, atribuindo grande valor às consciências das pessoas: "a consciência é o sacrário das pessoas" (GS 16).
Permeando a ética de São Paulo é possível encontrar um grande desafio lançado a todo ser humano: saber discernir quais são os melhores caminhos a serem percorridos no dia-a-dia. É assim que a pessoa se realiza e edifica o mundo à sua volta.
Em tempos de pensamento fraco e de relativismo, onde até o amor (síntese da mensagem cristã) é tido como líquido, é mais do que oportuno revisitar as intuições éticas que nos foram legadas pelo apóstolo São Paulo.
1. Passagens éticas relevantes nas cartas de Paulo
O mais antigo escrito do Novo Testamento, 1Tessalonicenses é uma carta de exortação ética. O apóstolo Paulo lembra que a vida cristã constitui-se em espera ativa do Senhor. Através de linguagem bastante emotiva, São Paulo lembra seus laços de fraternidade para com os que abraçaram a mensagem de Jesus Cristo, recomendando-lhes a não abandonar o que haviam aprendido dele. Tal recomendação era endereçada a cristãos que viviam em ambiente bastante laxismo ético, de modo particular no que se referia à vida sexual. Ora, a adesão à mensagem de Jesus Cristo implica em compreender de maneira nova a si mesmo, aos outros e às relações humanas. Há, nessa passagem de 1 Tessalonicenses, defesa ao respeito do próprio corpo e ao corpo das outras pessoas (cf. 1Ts 4).
Outra carta que traz precioso ensinamento, em ótica cristã, é 1Coríntios: "Quando lemos essa carta, vemos logo que Paulo usa algumas das mesmas espécies de apelos morais que em 1Ts. A maneira de ele introduzir esses apelos mostra que as semelhanças não nascem só dos hábitos do mesmo autor, mas também do fato de Paulo e seus colaboradores ensinarem crenças e normas semelhantes a novos cristãos nos dois lugares" (1).
Os destinatários de 1Cor encontram nessa carta importantes balizas éticas de como agir em situações concretas. Paulo valoriza a liberdade, mas aconselha a prudência: "tomai cuidado para que a vossa liberdade não se torne ocasião de queda para os fracos" (1Cor 8,9). A recomendação é a de que se mantenha sempre a sadia humildade perante as outras pessoas. Liberdade, sim! Responsabilidade, também!
Nessa carta encontramos grande incentivo ético à generosidade: "Ninguém procure satisfazer seus próprios interesses, mas aos do próximo" (1Cor 10,24). Essa linha de conduta foi bastante sublinhada em encontros do Episcopado Latino-americano. Bastaria lembrar, por exemplo, Puebla 31-39 (feições concretíssimas, nas quais deveríamos reconhecer as feições sofredoras de Cristo), Santo Domingo 178 (descobrir nos rostos sofredores dos pobres o rosto do Senhor), Aparecida 407-430 (rostos sofredores que doem em nós).
Nas origens da teologia cristã deparamos com o apóstolo Paulo, que tem a grande lucidez de traduzir e testemunhar em concreto o cerne da mensagem de Jesus Cristo: "este é o meu mandamento: amai-vos uns aos outros como eu vos amei" (cf. Jo 15,12). No pedido à generosidade presente em 1Cor temos a tradução concreta do mandamento maior deixado por Jesus.
Outra carta de Paulo, verdadeiro hino de louvor à liberdade humana, é endereçada aos Gálatas: "É para a liberdade que Cristo nos libertou" (Gl 5,1). A liberdade é um dos elementos éticos fundamentais do ser humano. São Paulo acentua e valoriza essa dimensão constitutiva do ser humano. Por outro lado, chama atenção que determinados comportamentos desencadeados pelo próprio ser humano podem torná-lo escravo. Alerta, então, para a vigilância. Somente quem é vigilante mantém sólida sua liberdade e nela cresce.
2. Fazer o que convém
O apóstolo Paulo codifica a originalidade da mensagem ética de Jesus destinada particularmente aos cristãos -- mas também a todas as pessoas de boa vontade: "tudo me é permitido, mas nem tudo me convém" (1Cor 6,12; 10,23). No contexto daquilo que Paulo escreve é possível deduzir o que convém, especialmente aos cristãos: tudo o que congrega, edifica e tece a vida das pessoas. Agir desse modo é a recomendação!
É preciso, então, discernimento. O texto capital é o seguinte: "E não vos conformeis com este mundo, mas transformai-vos, renovando a vossa mente, e fim de poderdes discernir qual é a vontade de Deus, o que é bom, agradável e perfeito" (Rm 12,2). A esse respeito, o grande mestre da teologia moral contemporânea, Bernhard Häring afirmou: "Para Paulo, a partir do momento em que consentiu em viver segundo as exigências do batismo, o crente está capacitado a descobrir por si mesmo a vontade de Deus no cotidiano de sua vida. E assim chegamos a um dos filões éticos mais importantes de Paulo, o tema do discernimento... O cristão tem de descobrir e realizar aquilo que a vontade de Deus lhe propõe no aqui e agora da situação" (2).
Qual é a encruzilhada para assumir esse novo estilo de vida, por parte de quem abraça a fé cristã?
Isso se dá por ocasião do sacramento do batismo. Quem se dispõe a assumir o sacramento do batismo está se comprometendo a percorrer os caminhos propostos por Jesus e a abraçar fielmente o seu evangelho (cf. Rm 6,1-12). O indicativo proposto por Jesus, passa a ser um imperativo para o batizado. "Pela fé e o batismo, o crente se incorpora a Cristo, mas o cristão tem de se apropriar dessa realidade através de sua obediência ativa. Assim, a justificação batismal acarreta conseqüências éticas reais para a vida do crente" (3).
3. Importância da consciência
Ao longo do século passado, não obstante as duas grandes guerras mundiais, houve um grande desenvolvimento do mundo moderno. Esse contexto trouxe estímulo à corrente ética personalista, defensora dos indivíduos. Também a teologia moral deixou-se alcançar por esse modo de pensar. Com a convocação do Concílio Ecumênico Vaticano II por parte de João XXIII, ao final dos anos 50, tudo estava posto para que também a instituição oficial da Igreja católica desse uma resposta em consonância com "os sinais dos tempos".
Tal resposta deu-se com a Gaudium et Spes. Há passagem relevante, nesse sentido, que afirma: "A consciência é o núcleo mais secreto e o sacrário do homem, no qual se encontra a sós com Deus, cuja voz se faz ouvir na intimidade do seu ser. Graças à consciência, revela-se de modo admirável aquela lei que se realiza no amor de Deus e do próximo..." (GS 16). Vê-se aí a enorme importância dada pelo Concílio Vaticano II às decisões individuais das pessoas (4). Até então, o que trazia tranqüilidade moral às pessoas de fé era o seguimento à normativa. O importante era "enquadrar-se" nas leis. O que vigorava era a heteronomia moral. De agora em diante, as leis passam a funcionar como importantes subsídios, mas nunca como elementos decisórios às pessoas. A última palavra é sempre dada pela pessoa, em consonância com seu contexto vital, seu desenvolvimento psíquico e sua situação particular. O que passa a vigorar é a defesa de autonomia moral.
E Gaudium et Spes prossegue: "... Não raro, porém, acontece que a consciência erra, por ignorância invencível, sem por isso perder a própria dignidade. Outro tanto não se pode dizer quando o homem se descuida de procurar a verdade e o bem e quando a consciência se vai progressivamente cegando, com o hábito de pecar" (GS 16). Admite-se claramente que o julgamento moral de uma pessoa, no ponto de vista teológico, não pode ser feito a todos do mesmo modo. Cada um tem seu próprio estágio de vida, que deve ser respeitado. Por outro lado, há também a lembrança de que todos os seres humanos têm o dever de se aprofundar ao longo de toda a vida para aperfeiçoar a voz de sua própria consciência. Nada de acomodação! Nessa decisão conciliar, renova-se a essência da mensagem ética de São Paulo: liberdade com responsabilidade! O Vaticano II atualiza o que o apóstolo Paulo recomendou em Romanos 12,2.
E quem não adere à fé cristã pode ser salvo?
Paulo tem palavras de esperança também a essa pessoas: "Os pagãos não têm Lei. Mas, embora não a tenham, se eles fazem espontaneamente o que a Lei manda, eles próprios são Lei para si mesmos. Eles assim mostram que os preceitos da Lei estão escritos em seus corações" (Rm 2,14s). A proposta de Jesus está aberta a todos! O que importa moralmente é agir segundo a voz da própria consciência, tendo sempre presente que enquanto se vive há a obrigação de aperfeiçoar essa voz, em consonância com o querer de Deus para o presente histórico de cada pessoa.
4. Compromisso com o outro
A teologia e a pastoral da América Latina das últimas décadas abriram novas perspectivas também para a ética fundamental. Do personalismo defensor da autonomia do ser humano, passou-se a defender a solidariedade compassiva. Diante de tanto sofrimento e carência de milhões de seres humanos, levantou-se o grito profético de muitas pessoas.
O apóstolo Paulo estimula essa proposta de sensibilidade compassiva e atuante perante o rosto do outro: "Ainda que eu falasse línguas, a dos homens e as dos anjos, se eu não tivesse a caridade, seria como bronze que soa... Agora, portanto, permanecem fé, esperança e caridade. A maior delas, porém, é a caridade" (1Cor 13, 1;13).
Os ventos eclesiais pelos quais passamos não são nada animadores. Prefere-se percorrer caminhos mais suaves, acompanhados de letras de melodias menos transformadoras das desigualdades existentes. Em parte, isso se deve também à cultura das imagens na qual nos encontramos, "que trocou a reflexão pela emoção, o espírito crítico pelo espetáculo animado" (5). Essa cultura estimula o individualismo, desarticulando iniciativas éticas dos que procuram se organizar para atender às necessidades dos outros. De qualquer modo, sempre há quem continue a acreditar no valor permanente da caridade compassiva.
Em meio ao crepúsculo do dever de um mundo hiperindividualista (6), também há lugar para iniciativas de pessoas mais ousadas. "Ousar é mover-se e agir com destemor. Ousar é desprender-se do lugar onde se está. Ousar é desamarrar-se, é lançar-se, é atirar-se a um projeto. É atitude corajosa, é ímpeto arriscado... Ousar é promover a dignidade da pessoa humana que está sendo violentada pela crueldade e envergonhada pela miséria. Ousar é abrir clareiras que permitem enxergar horizontes fecundos para o futuro da humanidade" (7).
Essa perspectiva da ousadia de abrir-se para a alteridade, exige desprendimento: "O caráter misterioso da experiência de Deus é um importante elemento de seu poder de sedução... Essa sedução 'altera' radicalmente o homem: expropriando-o da segurança de todas as normalidades pessoais ou sociais, da possibilidade de prever o futuro e planejar o presente, arrastando-o para algo que parece ser loucura insana aos olhos do mundo... Ao viver e sofrer essa entrega e suas conseqüências, no entanto, o homem percebe que o que é loucura para o mundo é sabedoria de Deus (cf. 1Cor 1,18ss)... é perceber, como o apaixonado Paulo de Tarso, ter 'perdido' até mesmo a própria identidade para reencontrá-la, renovada, cristificada, no rosto de amor que o possui e o habita por inteiro" (8).
5. Tempo de indiferentismo
Nos últimos anos, alastra-se mundo afora determinada cultura defensora do indiferentismo. Livros que defendem o ateísmo são bastante veiculados. Se à nossa volta a imensa maioria das pessoas afirmam crer, na prática vive-se infantilismo na fé. Essa postura reflete-se também na moral cristã. Declarações oficiais da Igreja são relativizadas ou ignoradas até mesmo por pessoas que têm prática religiosa com certa regularidade. A superficialidade religiosa reflete-se na superficialidade dos comportamentos morais.
Em instâncias que se auto-denominam científicas, há defesa de mão única à ciência. Somente ela bastaria para a vida e o progresso do ser humano. Essa postura já conquistou muitos corações e mentes, mas sem deixá-los satisfeitos.
É a fé em Deus que humaniza o ser humano. Lançar bases em volta desse princípio ajuda o ser humano a ter esperanças num mundo melhor para mais gente. Uma sociedade só é sólida se os membros que a formam forem portadores de valores sólidos. Para isso é necessária a preocupação com os valores éticos que oxigenam a vida da sociedade.
Mesmo em meio a uma cultura que propaga o indiferentismo, é possível construir pontes de resistência. As propostas que nos vêm do apóstolo Paulo são importantes alavancas para o fortalecimento da caminhada. Partindo de tais propostas torna-se menos árdua a missão de testemunhar a Boa Nova de Jesus Cristo no hoje da história. Que este ano paulino nos anime a assumir esse desafio!
Notas:
(1) Meeks, Wayne, O mundo moral dos primeiros cristãos, São Paulo, Paulus, 1996, p. 120.
(2) Häring, B., Práxis Cristã (moral fundamental), Vol. 1, São Paulo, Paulus, 1983, p. 51.
(3) Idem, p. 52s.
(4) Cf. Documentos do Concílio Ecumênico Vaticano II (Série Documentos da Igreja -- Vol. 1), São Paulo, Paulus, 2001, p. 556.
(5) Lipovetsky, Gilles, A sociedade da decepção, Barueri (SP), Manole, 2007, p. 57.
(6) Expressões defendidas por Lipovetsky, G., em várias de suas obras, entre as quais: Le crépuscule du devoir, Paris, Gallimard, 1992; O império do efêmero, São Paulo, Companhia das Letras, 1989; Os tempos hipermodernos, São Paulo, Barcarolla, 2004; A era do vazio, Barueri(SP), Manole, 2006.
(7) Arduini, Juvenal, Antropologia -- Ousar para reinventar a humanidade, São Paulo, Paulus, 2002, p. 40.
(8) Bingemer, Maria Clara L., Alteridade e vulnerabilidade, São Paulo, Loyola, 1993, pp. 82; 84. Ver também M. Bolda da Silva, Rosto e Alteridade -- pressupostos de ética comunitária, São Paulo, Paulus, 1995.
Adital
Postado por
Márcio Melânia
às
06:25
0
comentários
Marcadores: Copiado, E-mail recebido
quinta-feira, 5 de junho de 2008
Servir transforma
Por: Josué Campanhã (*)
Conforme Max De Pree “Um servo é aquele que está disposto a fazer o que Jesus Cristo fez, dando a sua própria vida para cumprir a missão.
A liderança é acima de tudo uma posição de serviço”. É a disposição de servir que impulsiona a missão e produz resultados. O exemplo clássico está relatado por Paulo em Filipenses 2, falando da trajetória vivida por Jesus para se tornar um servo, que através da missão atingiu resultados eternos.
Este processo mostra que ele abriu mão da fama para servir. Para uma pessoa servir é necessário entender o que aconteceu com Jesus. Ele viveu o processo de transformação para conectar sua atitude de serviço à missão e gerar resultados eternos.
Jesus mostra que poder, fama, multidões, reconhecimento, aclamação e honra são coisas passageiras. Jesus fez tudo isto para mostrar que o ápice fica do outro lado da linha. Quem deseja servir no Reino de Deus precisa entender isto. O ato de servir é usado por Deus para transformar a vida de outras pessoas.
Aqueles que desejam transformar sua comunidade ou a nação precisam ultrapassar a linha do voluntariado e entenderem que são servos usados por Deus para transformar a vida de outras pessoas. Para isto é preciso ajustar o caráter e abandonar os interesses do seu ego. Assim, é possível entender o que significa servir. Depois disto é necessário submeter-se à missão dada por Deus e não querer realizar um ministério segundo os seus interesses. Desta forma será possível focar na realização da visão.
Jesus humilhou-se à missão recebida de Deus e foi até a cruz. Quando Jesus morreu, ele começou a multiplicar os resultados da sua vida e ministério.
A multiplicação de resultados foi conseqüência da sua missão de servir e da sua visão de morrer para dar uma vida abundante para aqueles que o seguissem. Ele foi um líder-servo que transformou as pessoas e essas pessoas continuam transformando o mundo até hoje.
Em qualquer atividade do Reino que você esteja desenvolvendo, tenha a consciência de que tem uma missão dada por Deus e que está disposto a servir para a transformação da vida de outras pessoas.
* O que aprendi nesta reflexão?
* O que decido mudar em minha vida?
* Qual é minha resposta a Deus?
Josué Campanhã(*)
Postado por
Márcio Melânia
às
09:39
0
comentários
segunda-feira, 21 de abril de 2008
O que é mesmo ética?
Segundo o Aurélio, o mais tradicional dicionário da língua portuguesa, ética significa “estudos dos juízos referentes à conduta humana, do ponto-de-vista do bem e do mal”.
A ética que gostaria de reportar-me aqui é a ética do dia-a-dia, sem conceitos técnicos, apurados ou muito menos filosóficos. Ética essa que muitos deixaram de praticar, seja por desinteresse ou por estarem ocupados demais com suas próprias vaidades e ganâncias pessoais.
É implícito ao conhecimento da maioria que qualquer ato ilícito ou de falta de caráter para com a verdade e aos conjuntos de valores impostos pela sociedade são considerados antiéticos, seja no âmbito pessoal ou profissional. Mas aí é que vem a pergunta: quem de nós, por exemplo, nunca usou de algum tipo de conhecimento ou contato para tirar algum tipo de proveito pessoal, seja a retirada daquela multa de trânsito, da ajuda do amigo influente na hora de conseguir um emprego ou ainda da profissão para conseguir alguma vantagem? Pois bem, se você fez, faz ou cultua esse tipo de coisa, acaba de encaixar-se no perfil de uma pessoa antiética.
Mas só pensando nesse âmbito fica fácil fazermos um prejulgamento agora. Quando se trata de valores morais, educacionais, culturais e religiosos, nem todos têm uma opinião verdadeiramente formada. Exemplo disso é o fato de a igreja e muitos da sociedade repudiarem a prática do aborto, eutanásia, uso da camisinha ou ainda a clonagem para fins terapêuticos. Mas o interessante de tudo isso é como a Igreja, com seus dogmas e valores “divinos”, consegue nos afetar e influenciar até os dias de hoje. Igreja essa que não se contentou em perseguir e matar milhares de pessoas em nome de sua ética, fé, e valores distorcidos sobre Deus.
Afinal de contas, onde está essa ética que também exclui milhões de pessoas vítimas das indiferenças sociais e do capitalismo selvagem que não tem o mínimo interesse em satisfazer as necessidades mais básicas da humanidade como, por exemplo, uma alimentação digna?
Enquanto sonhamos em comprar um ipod, milhares de pessoas sonham simplesmente em ter uma refeição diária. Muitos de nós passamos o dia preocupados com coisas que para outras não são essenciais para a vida, como de fato não são. Muitos se preocupam em comprar roupas e brinquedos para cães, mas nem por um instante se preocupam com o que acontece com o ser humano que está ao lado, padecendo de fome ou frio.
A ética é baseada em conceitos que são inerentes aos costumes e a cultura de cada povo, e as diferenças culturais existentes fazem com que a ética seja peculiar e reflita um sentimento geral da nação em que está inserida.
A própria ética exclui, pois uma pessoa que não recebeu da sociedade educação, saúde ou alimentação é mal vista pela mesma sociedade quando comete um delito ou perturba o sossego de seus membros. Daí surge à questão: é ético negar o pão, ou é antiético roubar um pão que foi negado?
Temos muitos conceitos que norteiam nossas vidas e é devido a isso que criamos um ideal de como devemos agir em diversas situações corriqueiras e são nesses conceitos que se encaixam os valores éticos e morais que devem sempre andar junto para que vivamos de maneira correta e em sociedade. Mas, na prática, isso não acontece, pois a ética tem se afastado gradativamente dos valores morais. Temos nos tornado tolerantes com muitas coisas, antes vistas como erradas e que agora devem ser aceitas devido à ética. Ser ético é ser conveniente, e isso até certo ponto pode ser ruim porque algo inconveniente gera em nós uma necessidade de mudança e essa mudança pode nos elevar.
A ética só é proveitosa quando é seguida por pessoas éticas, mesmo que isso pareça incoerente, não é, pois pessoas éticas sempre se preocupam com os outros, por isso seus atos são verdadeiramente bons. Já os não éticos usam da ética alheia para se dar bem e alcançar seus próprios objetivos. “Tempos atrás a ocasião fazia o ladrão, hoje a ocasião faz o ético”.
Com base em tudo isso, a história nos ensina que o Estado ou pessoa que assume as funções de censor, sob o pretexto de conservar os bons costumes, proteger a cultura, a religião, a ética, acabam sempre arbitrários, superpoderosos e inquisitoriais, pois dizem que agem para o bem público e em favor dos cidadãos, mas na verdade impõe uma ideologia, que beneficia via de regra apenas um pequeno grupo.
Fonte: Brasil Wiki
Postado por
Márcio Melânia
às
15:45
0
comentários
sexta-feira, 18 de abril de 2008
Frank Dietz no Brasil: é necessário moldar o caráter cristão da nova geração para liderar a sociedade
Nas três palestras em que falou a pastores, seminaristas e missionários no Seminário Teológico Betel, no Rio, Frank Dietz sinalizou a importância do engajamento das igrejas, particularmente os jovens seminaristas, em missões e de se preparar uma geração de líderes para estarem à frente do Ocidente cristão. Numa de suas falas, defendeu que a mensagem do Evangelho chegue a todos e que os cristãos devem se inserir estrategicamente em todas as áreas, a partir de uma educação apoiada em valores cristãos, e através de uma firme liderança cristã na sociedade. Pessoas comprometidas com a fé cristã, que preservem íntegro o caráter e sejam fiéis às Escrituras, podem transformar o mundo se estiverem disponíveis para liderar a educação, a política, a mídia e as atividades culturais.
Missionário há mais de 40 anos e mais de três décadas atuando na Operação Mobilização (OM), Frank Dietz, visitou o Brasil de 15 a 17 de abril.
A Operação Mobilização é uma agência missionária com base em mais de 100 países e conta com mais de 4.000 missionários espalhados pelo mundo, envolvendo-se com a evangelização de povos não alcançados, carentes e marginalizados no Centro e Sul da Ásia, Oriente Médio, Norte da África e Europa, além de dois navios que contam com uma tripulação de aproximadamente 500 missionários.
Fonte SOMA
Postado por
Márcio Melânia
às
20:37
0
comentários
quarta-feira, 16 de abril de 2008
Princípios Bíblicos para a Liderança e Administração Eclesiástica - Tomada de Decisões
Postado por
Márcio Melânia
às
07:20
0
comentários
quinta-feira, 10 de abril de 2008
Gravidez por estupro pode ser interrompida
Seis mulheres grávidas em conseqüência de estupro foram encaminhadas no ano passado pelo Serviço Viver ao Iperba, em Brotas, para proceder a interrupção da gestação. De acordo com a coordenadora-geral do Viver, Débora Cohim, esse número não expressa a real quantidade de mulheres que engravidam em conseqüência de violência sexual. Segundo ela, é muito alto o índice de subnotificação e o público atendido pelo serviço, composto basicamente por pessoas de classe baixa, não reflete o que ocorre nas classes média e alta.
No ano passado, o Viver registrou 792 pacientes novos – entre homens (7%) e mulheres (93%) vítimas de violência sexual independentemente da idade. Todos recebem apoio social, psicológico, jurídico e na área de saúde. Nos casos em que a mulher expressa sua intenção de interromper a gestação, elas são encaminhadas ao Iperba, local de referência para acolher estes casos.
O coordenador-médico do Iperba, Edson Odwyer Júnior, explica que a paciente encaminhada é submetida a entrevista com a assistente social e a psicóloga. Ambas emitem um parecer, que informa se a mulher está consciente e segura da decisão.
O parecer é analisado pela coordenação médica e, em seguida, pela Comissão de Ética, composta por no mínimo três médicos. Este órgão, de caráter consultivo, verifica a adequação legal, técnica e ética do caso.
De acordo com Odwyer, esse trâmite demora em média uma semana, diferentemente do sistema antigo, que exigia uma dolorosa peregrinação da gestante. Além de estar gerando o fruto de uma grave violência, ela precisava de autorização judicial, para a qual era necessário ter boletim de ocorrência do crime e laudo do Instituto Médico-Legal.
Tudo isso levava tempo e muitas vezes colocava a vida da mulher em risco. “Agora desburocratizou”, diz o coordenador-médico. A simples afirmação da gestante assegurando que foi violentada é suficiente. Débora Cohim nega que haja mulheres que mintam para fazer o aborto legal. “Não houve aumento de demanda após a mudança das regras”, atesta.
CELERIDADE – A agilidade no processo é fundamental para garantir a segurança da gestante. A interrupção da gravidez com segurança para a mulher é feita até a 12ª semana. Porém, o aborto em mulheres vítimas de violência é consentido até entre a 20ª e 22ª semana de gravidez, ou seja, metade da gestação. “A interrupção após esse período é considerada parto prematuro. O bebê com seis meses nasce com vida”, explica Odwyer.
O presidente da Comissão de Ética do Iperba, o médico Davi Nunes, esclarece que a opção pelo aborto é uma faculdade da mulher. “É preciso respeitar o direito das pessoas, o qual é inquestionável porque está na lei. Mas, se a mulher optar por manter o feto, o Estado deve ampará-la”, observa o médico.
Ele conta que, há cerca de quatro anos, duas crianças, de 11 e 12 anos, vítimas de violência sexual, procuraram o hospital para fazer o aborto. Contudo, seus responsáveis legais acabaram decidindo por manter a gestação. “Eu mesmo acompanhei o pré-natal e fiz o parto”, recorda Nunes. O Código Penal Brasileiro, que data de 1940, no Art. 128, II, diz que “não se pune o aborto praticado por médico se a gravidez resulta de estupro e o aborto é precedido de consentimento da gestante ou, quando incapaz, de seu responsável legal”.
Por falta de regulamentação dos procedimentos médicos, o aborto só era feito com autorização judicial. Em 1998, sob muitos aplausos e críticas, o Ministério da Saúde editou a norma “Prevenção e tratamento dos agravos resultantes da violência sexual contra mulheres e adolescentes”, que desburocratizou o procedimento.
Fonte: A Tarde
Postado por
Márcio Melânia
às
12:39
0
comentários
Marcadores: Artigo em Jornal
quarta-feira, 9 de abril de 2008
O líder que Deus chama
Postado por
Márcio Melânia
às
02:23
0
comentários
Marcadores: E-mail recebido
segunda-feira, 24 de março de 2008
Liderança cristã e evangelização
“Consciência histórica é consciência de missão e conhecimento histórico é conhecimento transformador” (Jürgen Moltmann)
Moisés foi chamado por Deus para tirar os hebreus do Egito. Estavam escravizados há mais de quatro séculos. Perderam gerações inteiras no cativeiro. Mais que isto: perderam a identidade, a consciência histórica e a esperança no futuro. Perderam a fé. Esqueceram as promessas. Não sabiam sequer o nome de seu Deus.
Moisés perguntou a Deus o que deveria responder quando os hebreus perguntassem quem o havia enviado. Haveria algum nome a dar? Abraão experimentou alguns poucos encontros com um tal El Shadday (Deus Todo-poderoso). De Isaque conheciam-se pouquíssimas histórias. De Jacó, histórias confusas. Quem seria o Deus que, quatrocentos e cinqüenta anos depois, revelaria-se a um povo sem pátria?
Deus revelou seu nome a Moisés e disse-lhe que o ensinasse ao povo. “Eu sou quem eu sou” – disse. “Eu sou Yahweh, o Deus dos antepassados, e este é meu nome eternamente” – completou. Moisés, agora, possuía mais que uma missão. Possuía uma mensagem, uma revelação, uma boa-notícia (evangelho). O nome revelado tornava-se a certeza de uma identidade, de uma história, de uma fé nacional. Não era um deus egípcio ou qualquer deus dos povos; era o Deus dos antepassados e, a partir de então, dos oprimidos de Jacó. O futuro ressurgia como possibilidade e esperança. Yahweh é fiel.
O desafio da liderança cristã passa por esse conhecimento da mensagem da salvação. É mais que assumir responsabilidades por um povo; é assumir, dentre o povo, apesar das circunstâncias, a esperança que nasce do encontro com o Deus vivo e verdadeiro. Trata-se de saber e crer que Deus não se esqueceu, ainda que a opressão, a injustiça e a violência pareçam ter a última palavra. Com a mensagem, a missão consiste em mais que socorrer; consiste em transformar, regenerar, salvar.
O líder cristão tem mais que uma tarefa a desempenhar; tem um anúncio a fazer. Seu compromisso não é com a atividade proposta, mas com a boa nova descoberta. Faz o que faz com alegria, mas não foge à responsabilidade de pregar. Reconhece, no fundo e por trás de toda iniciativa solidária, que o que muda mesmo a vida de uma pessoa é a Palavra de Deus. Palavra confirmada em obras, é claro, porque pregada por pessoas já transformadas. Como lembra-nos Karl Barth: “Somos chamados a dizer o que vivemos”.
Moisés falou ao povo e foi consagrado como um dos grandes profetas da história de Judá. Mostrou-nos que líderes são mais que pessoas caridosas; são personalidades proféticas. Disse que não sabia falar direito, mas aprendeu que a força da palavra está em seu conteúdo e não em sua forma. E a Palavra encontra sua forma definitiva não em estilos de oratória, mas na encarnação do Verbo divino na pessoa de Jesus Cristo. A Palavra se fez carne e habitou entre nós!
Jesus Cristo é a Palavra que salva e liberta. Sua vida e paixão, o preço pago por nossa redenção. Sua ressurreição, a certeza de uma terra prometida. Sua liderança, o modelo de nosso serviço no Reino de Deus. Sua história, o centro de nossa mensagem, a vida de nossa pregação. Deus tem um novo nome. Aquele que, uma vez, disse: “Eu sou quem eu sou”, na pessoa de Jesus Cristo, agora, diz: “Eu sou assim”. E estou com vocês. Emanuel.
Fonte: Jetro
Postado por
Márcio Melânia
às
22:45
0
comentários
terça-feira, 11 de março de 2008
segunda-feira, 10 de março de 2008
Liderança cristã e adoração
Marcelo Gomes
Publicado em 05.12.2007
“Adorar, que traduz crer, traduz também que a diferença de natureza entre o crente e Deus permanece um abismo infinito” (Kierkegaard)
Moisés cresceu entre palácios e divindades. Aprendeu a cultura e a religião egípcias. Foi treinado em suas artes, ciências e filosofia. Viu a grandeza da nação que habitava a partir do centro do poder. Acostumou-se à riqueza e ao brilho de uma vida sem privações.
Aos quarenta anos, seu mundo desabou. Seu poder tornou-se sua ruína. Matou um egípcio e transformou-se num fugitivo. Refugiou-se no deserto. Virou um “Zé Ninguém”. O glamour do convívio com a nobreza deu lugar à companhia de um gado alheio. O único brilho que lhe resplandeceu ante os olhos foi o de uma sarça que ardia, mas não se consumia. Foram outros quarenta anos.
Deus tirou Moisés do Egito, mas queria tirar o Egito de Moisés. Mostrou-lhe, com a experiência do deserto, que a vida de um homem não consiste da abundância de bens que possui. Tomou-lhe tudo, para dar-lhe o principal: uma oportunidade de adoração. Sua missão seria mais que tirar um povo da escravidão; deveria conduzi-lo ao encontro com Deus: “este será o sinal de que eu te enviei: depois de haveres tirado o povo do Egito, servireis a Deus neste monte”. O sinal não seria o sucesso do empreendimento, mas sua consagração ao Deus que chama e envia.
O desafio da liderança cristã passa por esta percepção da razão final de todas as nossas realizações: glorificar a Deus. Num mundo pragmático, em que as coisas que dão certo têm maior valor que aquelas que são certas, a liderança cristã reassume os princípios do reino de Deus como regra absoluta para um serviço que o agrade. Num mundo utilitário, em que valores e princípios vigoram enquanto úteis, a liderança cristã abraça a verdade da Palavra Eterna como base sobre a qual constrói o que Ele mandar.
O líder cristão é acima de tudo um adorador. Ser líder é sua função; adorador é sua essência. Sabe que Deus procura adoradores, que o adorem em espírito e em verdade. Sabe que líderes auto-centrados, encantados com o brilho de suas próprias existências, fascinados pelo poder de seus próprios recursos, podem até desempenhar boas tarefas, mas jamais refletirão a glória de Deus. Podem até ser adorados por seus seguidores, mas nunca os fará desfrutar a beleza da santidade do Senhor. Nunca desfrutará por si mesmo. Será um prisioneiro de sua própria ilusão.
Moisés foi chamado para levar um povo a cultuar: “irás, com os anciãos de Israel, ao rei do Egito e lhe dirás: o Senhor, o Deus dos hebreus, nos encontrou; agora, pois, deixa-nos ir caminho de três dias para o deserto, a fim de que sacrifiquemos ao Senhor, nosso Deus”. Precisou descer às profundezas da humilhação, sem palácios ou ídolos, para descobrir que o Deus do céu não habita em obras de mãos humanas. Sua majestade não está na riqueza de seus templos, mas na identificação com os oprimidos pelos impérios mundanos, para fazê-los povo exclusivo e propriedade particular. Comunidade de adoradores.
Em Jesus Cristo a missão de Moisés encontrou sua plenitude. Jesus é superior a Moisés. Seu sacrifício na cruz foi mais que o cumprimento de uma tarefa; foi sua entrega em submissão e amor ao projeto do Pai, para que o Pai fosse glorificado no Filho. Como nos lembra Moltmann: “a realeza do Deus uno e trino não se espelha nas coroas dos reis ou no triunfo dos vencedores, mas sim na face do crucificado e na face dos oprimidos, dos quais ele se tornou irmão”.
Reprodução Autorizada desde que mantida a integridade dos textos, mencionado o autor e o site www.institutojetro. com.
Postado por
Márcio Melânia
às
13:50
0
comentários



