Ética e Liderança Cristã

terça-feira, 24 de janeiro de 2012

O líder e a comunicação eficiente


Oswaldo Luiz Gomes Jacob
O filósofo Aristóteles ensinou aos seus discípulos que uma comunicação eficiente depende de três substantivos: Ethos, Pathos e Logia. São três palavras gregas muito pertinentes. Achei esta colocação sugestiva e gostaria de examiná-la com você na perspectiva da liderança cristã. Presenciamos o surgimento de lideranças comprometidas com o status e com um personalismo que têm feito muito mal à Igreja de Jesus. Vamos examinar cada substantivo para o nosso proveito como líderes cristãos, comprometidos com o Senhor Jesus.
Ethos significa ética, integridade, retidão. A nossa comunicação deve ser pautada na verdade, integridade, retidão e coerência. A nossa postura deve ser caracterizada pela integridade. Revelar quem realmente somos é uma demonstração do modo ethos de viver. Então, viver eticamente quer dizer que estou comprometido com a integridade, com uma postura retilínea. Jesus é  o nosso exemplo do ser ético. Sabia o momento de falar e o momento de calar. Suas manifestações eram verdadeiras. O seu ser era coerente com o seu viver. Palavras e ações eram sincronizadas. Ele nos ensinou que a palavra do cristão deve ser "sim, sim; não, não" (Mt 5.37). Viver de modo autêntico, íntegro e coerente era normal em Jesus. A Sua autoridade estava calcada na ética do Pai. Ele era e é a verdade revelada.
Pathos é o segundo substantivo na comunicação do líder cristão. Quer dizer empatia, simpatia, sensibilidade para com o outro. O líder cristão é movido pela sensibilidade em entender as pessoas. Ele deve tratar as pessoas com empatia, com a sensibilidade de Jesus. Todas as suas relações devem ser caracterizadas pela maneira fácil de conviver com o outro. Jesus era movido por íntima compaixão, principalmente para com os necessitados. Jesus chorou ao ver os habitantes de Jerusalém mergulhados na incredulidade; chorou ao saber da morte de Lázaro e foi muito sensível aos enfermos, aos rejeitados pela sociedade da Palestina. Diante da fome do povo que O acompanhava, Ele multiplicou pães e peixes. O coração do Mestre era movido pelo pathos, por uma profunda compaixão.
O terceiro elemento de uma comunicação eficiente é a logia, isto é, a palavra, a linguagem acessível, fácil. A palavra tem vida. Ela é semente. Comunica ética e sentimento. A nossa palavra deve ser sempre temperada com sal para sabermos comunicar de forma eficiente. Também, equilibrada, cheia de sabedoria. Deve haver coerência nas palavras que utilizamos para comunicarmos pensamentos, ideias e conceituações. Jesus é o fundamento da palavra que comunicamos às pessoas, sempre carregada de ética e paixão ou empatia. A comunicação do líder pressupõe clareza e profundidade. A palavra que uso na comunicação deve ser produto do que sou verdadeiramente.
Como líderes, sejamos eficientes em nossa comunicação utilizando o ethos, o pathos e a logia. Três substantivos de uma comunicação bem sucedida. Que haja em nossas relações integridade (sinceridade), empatia (sensibilidade) e palavra coerente (lógica, racional). A sabedoria em nossa comunicação como lideres está no uso correto desses três substantivos. O Pai nos revelou na Sua Palavra a ética, a empatia e a coerência visando uma liderança eficiente neste mundo. Os súditos do Reino têm estes traços bem definidos. Sejamos líderes assim.  

Reprodução Autorizada desde que mantida a integridade dos textos, mencionado o autor e o site http://www.institutojetro.com/

Mudanças tecnológicas e a pastoral urbana

Thiago Gigo Pereira

O mundo está em permanente transição. Com a corrida tecnológica, a Internet, cabos de fibra ótica e sofisticadas invenções cibernéticas, o globo terrestre tem se tornado mais uniforme e informado. A comunicação ultrapassou os limites geográficos e as distâncias continentais com a ascensão dos computadores mobiles, microprocessadores cada vez mais velozes, plataformas de internet sofisticadíssimas e invencionices científicas cada vez mais diversificadas. A Igreja evangélica brasileira tem acompanhado esse momentum histórico mundial.
A Igreja tem absorvido várias tecnologias, bem como as influências da contemporaneidade. Historicamente ela sempre acaba aspirando as mudanças culturais, políticas e agora, tecnológicas. Isso se torna evidente quando analisamos os períodos vividos no Brasil e as respostas dos movimentos evangélicos, por exemplo: no tempo da ditadura militar proclamava-se, mais enfaticamente, a parousia; sem preterir os fatos históricos mais antigos, da década de setenta até agora (2011) houveram substanciais alterações no modus operandi da Igreja. Talvez o movimento neo-pentecostal e suas idiossincrasias simbolizem essas absorvências com mais clareza, pois teve origem no pensamento pós-moderno.
A pós-modernidade e seus sub-valores foi, sem dúvida, a maior responsável pelo surgimento de uma mentalidade evangélica utilitarista, pragmática e sincrética, bem como co-responsável pela confecção de teologias pobres e anti-exegéticas. Embora muitas interpretações dualísticas de alguns religiosos desprezem tais influências sociológicas separando a Igreja do mundo, a Igreja está no mundo, faz parte dele e acompanha seu desenvolvimento histórico, sócio-cultural, político e não menos importante, tecnológico.
Diante de tais considerações poderíamos salientar várias assimilações, alterações na rotina pastoral e o quanto as mudanças tecnológicas desafiam a pastoral urbana, especialmente a pessoa do pastor urbano. Um dos desafios da pastoral urbana é contextualizar os ministérios bíblicos à realidade do cotidiano. Fazer leituras das realidades, dos tempos, da cidade e das pessoas a fim de que sejamos mais profícuos na pregação do Evangelho do Reino de Deus.
O escritor Jorge Barro chama isso de exegese da cidade: "Precisamos também aprender a fazer exegese da cidade, para que a Palavra de Deus tenha sentido e pertinência às pessoas. " Numa leitura superficial, mesmo sem a necessidade de uma pesquisa de campo minuciosa, é evidente a importância das ferramentas tecnológicas para o ministério pastoral urbano.
Torna-se cada vez mais comum a presença de equipamentos sofisticados nas igrejas, tais como: projetores, telão eletrônico, ar condicionado, aparelhos eletrônicos para sonoplastia de última geração, instrumentos musicais que utilizam processadores e microcomputadores, câmeras para monitoramento, TVs de plasma e até cartões magnéticos para controle da saída e entrada das pessoas. É comum a utilização de sites para a evangelização e divulgação de atividades, transmissão via satélite, mala direta eletrônica para a comunicação com os fiéis.
Até as igrejas mais ortodoxas, com templos em arquitetura medieval aderem às novas tecnologias do mundo hodierno. Um exemplo disso é o visível contraste na 1ª Igreja Presbiteriana Independente de Bauru entre arcaicidade e contemporaneidade. Seu templo em estilo arquitetônico gótico francês possui sala de multimídia, equipamento para divulgação dos cultos on-line, projeção com telão eletrônico, piano eletrônico além de vários outros aparelhos que aperfeiçoam as atividades eclesiásticas. E não é somente a igreja que absorve os benefícios da tecnologia.
O pastor rural é cada vez mais raro. Após o êxodo rural as grandes cidades tiveram um expressivo crescimento, juntamente com ele vieram os problemas sociais. Um exemplo clássico é a notória expansão do mercado de segurança eletrônica, batendo recordes de crescimento. Num Brasil quase 100% urbanizado, com o surgimento das grandes cidades e seus desafios, tais como: falta de segurança, isolamento pessoal, estresse, depressão, dentre outros, a pessoa do pastor urbano se tornou uma necessidade para a pregação do Evangelho de maneira eficaz. O pastor urbano não consegue viver privilégios que o pastor rural desfrutou no passado, tais como tempo hábil para dar atenção aos membros, igreja pequena e membros com relativo tempo para servir. O mundo mudou e com as alterações histórico-sociais vieram as tecnologias que facilitam ou não, as atividades pastorais. O pastor urbano deve dominar inúmeras tecnologias para a execução de atividades do ministério. É cada vez mais comum a utilização de e-mails, em detrimento do telefonema para a comunicação com os membros. O celular se tornou um companheiro inseparável e o pastor pode ser encontrado em qualquer lugar. Programas para exegese (como o Bible Works), para a confecção de sermões, bíblias eletrônicas e softwares práticos para administração eclesiástica são cada vez mais utilizados por pastores que não andam sem o notebook.
O computador se tornou uma ferramenta tão indispensável quanto a Bíblia. O carro possui GPS para facilitar a localização dos membros nas grandes cidades. As atividades pastorais têm sido profundamente influenciadas pelas novas tecnologias. O ostracismo do pastor urbano avesso à tecnologia pode prejudicá-lo no ministério. O mundo moderno não tolera mais pastores sem celular, desinformatizados e desconectados do mundo cibernético. O que Jesus faria em nosso lugar? Ele seria um pregador que polarizaria o mundo tecnológico e a igreja ou utilizaria das coisas do mundo para apresentar o Reino de Deus? Jesus demonizaria a tecnologia?
Ao analisar as parábolas do Mestre, nota-se que o Senhor Jesus Cristo utilizou-se das novidades do seu tempo, da cultura semita e das realidades do seu Sitz in lebem (lugar vivencial) para expor as verdades do Reino de Deus. Os quatro evangelhos apresentam a Jesus como um profundo intérprete das necessidades do seu tempo. O Sermão da Montanha, por exemplo, (Mateus 5 a 7) é também um modelo de pregação que assimila perfeitamente as coisas e realidades contextuais com a mensagem emitida, ou seja, a linguagem de Jesus é repleta de exemplos retirados da agricultura, da ordem política, do comportamento ético-moral do povo e da religiosidade da época.
Jesus, modelo supra de comportamento pastoral, não desprezou a importância da cultura e dos costumes do povo, antes, compreendia que a conscientização do discípulo do Reino acontecia por meio das coisas simples cotidianas como ferramentas úteis para a pregação do Evangelho. Jesus utilizou-se das "tecnologias" e recursos do seu tempo, de maneira consciente, para a promoção do Reino de Deus, sem alterar a essência do Evangelho.
Sendo assim, as mudanças supracitadas servem para a reflexão sobre o comportamento do pastor urbano diante dos desafios do mundo presente. Felizmente ou não, a relevância das novidades tecnológicas é indiscutível. A Igreja deve se preparar para expor as verdades do Evangelho fazendo uso dos meios tecnológicos disponíveis.
Seria uma desventura não fazer uso da velocidade proporcionada pelos meios tecnológicos para pregar a Palavra de Deus, mesmo com suas esquisitices. A comunicação do Evangelho precisa acompanhar as mudanças culturais, históricas e psicossociais sem receber suas influências maléficas. Esse talvez seja um dos maiores desafios da Pastoral urbana da Igreja evangélica brasileira.
Texto cedido gentilmente pelo autor e originalmente publicado em seu blog http://inteligenciaparaavida.blogspot.com

Reprodução Autorizada desde que mantida a integridade dos textos, mencionado o autor e o site http://www.institutojetro.com/

quinta-feira, 10 de novembro de 2011

Devocionais - Aprendendo as verdades de Deus pela meditação

Devocionais é uma maneira muito interessante para aprender sobre as verdades da Palavra de Deus.
Tenho a prática diária de ler uma devocional, meditar nos textos bíblicos indicados e orar pedindo que através daqueles textos, Deus faça a Sua vontade em minha vida.
Ler devocionais tem ajudado a mim e a muitas pessoas a organizar a vida sobre bases sólidas, eternas. É um auxílio importante para pessoas que não dispõem (ou acreditam que não dispõem) de tempo em meio aos compromissos diários, uma vez que pode ser lido no transporte, no trabalho, ou até na cama.
Gotas de Sabedoria para a alma, lançamento da Hagnos pelo selo Vox Litteris, traz uma coleção surpreendente de devocionais diárias (uma para cada dia do ano) que nos auxilia através das mais variadas questões e situações do dia a dia – gestão do tempo, criação de filhos, cuidados com a integridade pessoal, relacionamentos, administração financeira, auto-estima e bem estar físico e espiritual – trazendo conforto e cura para a alma, sendo indicado para todo o tipo de leitor que deseje um encontro com a espiritualidade saudável.
O autor, Hernandes Dias Lopes é um consagrado escritor dos mais prolíficos da atualidade, referência em diversos ambientes denominacionais como conferencista e pregador, pastor titular da 1ª Igreja Presbiteriana de Vitória (ES) com mais de 90 obras publicadas entre as quais Comentários Expositivos Hagnos, Quatro Homens, um destino, Casamento, Divórcio e Novo Casamento, Morte na Panela, Escolhas Perigosas e Pregação Expositiva.
GOTAS torna-se nesta época, limiar de um novo ano, uma excelente dica para presentear aos amigos e irmãos.


Ficha:
Gotas de Sabedoria para a Alma
Hernandes Dias Lopes

Formato: 11x15cm
Páginas: 380
Peso: 0,220 g
Acabamento: Brochura
ISBN: 978-85-63563-35-4
Categorias: Espiritualidade
Selo: Vox Litteris – 2011
Valor: R$12,00

Adquira diretamente da Hagnos clicando AQUI

Notícias Cristãs

terça-feira, 1 de novembro de 2011

A nova ética e reino de justiça

Edvan Wilson Ferreira Pinto
 



O maior homem da história da humanidade combateu o maior Império através de uma transmutação dos valores, sua missão era falar de um novo reino, o reino de Deus. Neste seu projeto, ele não utilizou poderosas armas bélicas de sua época, mas ao contrário, ele utilizou palavras, isso mesmo, "o verbo divino", Deus encarnado, apresentou aos homens um novo paradigma de governo, de sociedade e de homem.
Ele apresentou ao mundo as "boas notícias" e nelas estavam contempladas uma nova ética. No sermão do monte, ele nos trouxe "O reino de Justiça" e quem seria o súdito deste reino. Com a sua mensagem ele insere no cotidiano dos homens a fraternidade, a igualdade e o respeito, pois redescobrimos por meio de suas palavras que somos todos originados em um princípio comum, somos a imagem e semelhança do criador. Entretanto, o tempo nos fez esquecer, e pior nos deixamos seduzir por uma ética, ou melhor, por valores que afetaram nosso entendimento acerca de quem é nosso próximo, visto que o amor a si de si e somente para si coloca-nos indiferentes a tudo e a todos a nosso redor.
Tempo do Narcisismo 
A palavra instrumento por excelência para o desvelamento de quem somos fica ocultada por uma sentimento patológico, possessivo e dominante que esquece do Ser, e dos valores necessários à manutenção da sociedade. Este sentimento narcisista muito bem compreendido por Freud conduz-nos a subjugarmos outros eus em uma egoidade excêntrica que inviabiliza a vida comunitária, a vontade unilateral reforçada pela necessidade crescente de ampliação de seu mundo se impõe negando a liberdade e criando uma sociedade que impede os homens de alcançarem a sua autonomia.
Volta à Alteridade 
Este Homem ao contrário do narcisismo moderno trouxe em sua mensagem uma moral que nega o "eu" e consequentemente redescobre o "tu", o outro, a alteridade. A palavra dele diz que devemos negar a nós mesmos e assumirmos as implicações morais deste novo reino de justiça, não é mais "olho por olho" e "dente por dente", não cabe mais revidarmos na mesma moeda, mas contemplarmos no outro a face do criador e respeitá-lo em sua condição singular de humanidade, de semelhante, de membro do reino e filhos de um único Pai.
Em sua trajetória humana este Homem dedicou tempo para ouvir e ser ouvido. Foi uma metodologia para dizer deste novo mundo e de sua nova justiça. Foi dialogando a exemplo do método platônico que ele inqueriu as autoridades de sua época e revelou o dogmatismo, a ortodoxia que nega o verdadeiro e exalta o verossímel, que rebaixa o homem colocando-o apenas como um fantoche nas mãos de seus algozes e lhe rouba a vida e a felicidade, além da capacidade de dizer. Assim, imbuído do sentimento de resgatar o homem de si mesmo e do seu "eu", ele confrontou com perguntas seus interlocutores justamente querendo desconstruir verdades sedimentadas pelo tempo e pela tradição.
Para este Homem não bastava apresentar um novo reino e uma nova ética, era necessário trazer em seu debate os equívocos do silêncio do antigo reino e suas consequências para o homem e para a sociedade. Desta forma, Ele deu voz àqueles que não possuíam, valorizou o que era desprezado, olhou para os invisíveis, libertou os que estavam escravizados e foi capaz de revelar quem eram os verdadeiros Bem Aventurados. Felizes, são aqueles que conseguiram resgatar a sua fala e desta maneira são capazes de dizer da necessidade da igualdade, da liberdade, da fraternidade e do respeito.

Reprodução Autorizada desde que mantida a integridade dos textos, mencionado o autor e o site http://www.institutojetro.com/

sexta-feira, 14 de outubro de 2011

Você sabe o que é ética?


terça-feira, 20 de setembro de 2011

NAAMÃ: O LÍDER QUE SABIA OUVIR

Sempre que o nome de Naamã é citado, a associação que se faz é com a maneira sobrenatural com que foi curado de sua lepra. Acontece, é que o comandante do exército do rei da Síria tem muito o que ensinar aos líderes de hoje.
As qualidades da liderança de Naamã são logo percebidas pelo conceito que gozava da parte de seu rei:

"Naamã, comandante do exército do rei da Síria, era grande homem diante do seu senhor e de muito conceito, porque por ele o SENHOR dera vitória à Síria; era ele herói da guerra, porém leproso." (2 Rs 5.1)

Um grande homem, de muito conceito e herói de guerra. Um guerreiro valente, íntegro, hábil, inteligente, e estrategista, são qualificações que sem dúvida alguma cooperaram para o alto conceito e respeito que Naamã conquistou. Contudo, dentre tantas qualidades que este líder tinha, a que vamos explorar aqui é a sua capacidade de ouvir. Observemos de que forma essa virtude se manifestou na vida de Naamã.

NAAMÃ SABIA OUVIR A SUA ESPOSA
"Saíram tropas da Síria, e da terra de Israel levaram cativa uma menina, que ficou ao serviço da mulher de Naamã. Disse ela à sua senhora: Tomara o meu senhor estivesse diante do profeta que está em Samaria; ele o restauraria da sua lepra." (2 Rs 5.2-3)

A esposa de Naamã ouviu da menina que lhe servia sobre a possibilidade de cura para o seu esposo. Amando o seu marido, e desejosa de vê-lo curado de sua lepra, embora não explícito no texto, entende-se pela sequência dos fatos que esta dedicada esposa comunicou ao seu marido o que ouviu da garota. Antes de avançarmos na história, cabe aqui algumas observações e lições a serem aprendidas:

- Líderes precisam dedicar tempo para ouvir a opinião da esposa em assuntos relacionados à sua liderança. Muitos líderes na atualidade não param mais para ouvir a esposa. As mulheres possuem uma série de qualidades, e um jeito diferente e detalhado de perceber a realidade, que em muito pode ajudar o seu marido. A esposa pode cooperar com a sua opinião em questões relacionadas à liderança do marido na igreja. Não há nada de errado, diante das mais diversas situações que implicam numa decisão do líder, deste buscar o conselho, a opinião e orientação da sua esposa. Tal opinião deve ser analisada, ponderada, objeto de oração, e sendo entendida como a melhor solução ou sugestão, deve ser aplicada. É preciso alertar, que em algumas situações, a busca pela orientação e conselho da esposa acaba indo para um outro extremo. Há lideres que se tornaram plenamente dependentes da opinião da esposa, ao ponto de deixarem de ter opinião própria. Deixaram de liderar ou pastorear, para serem liderados ou pastoreados pela esposa. Geralmente quando isso acontece, a igreja ou os liderados logo percebem. As consequências para a reputação e autoridade deste líder são trágicas. Um pastor amigo meu contou-me, que certo obreiro foi chamado ao gabinete do pastor presidente para prestar contas de como estava o trabalho em seu setor ou área eclesiástica. Como o referido obreiro se enquadrava no rol daqueles que terceirizaram para a esposa as decisões em torno do trabalho, além do próprio trabalho, levou-a consigo para conversar com o seu pastor presidente. No gabinete, quando o pastor presidente dirigiu a palavra ao pastor setorial perguntando sobre o trabalho, de imediato o pastor setorial pediu que a esposa relatasse os fatos. O pastor presidente logo retrucou: - Quem é o pastor lá? Você ou a sua esposa? Envergonhado e tentando sem sucesso justificar a sua postura, o pastor setorial teve que ser corrigido e orientado na maneira de se conduzir como líder diante da igreja.

- Líderes precisam dedicar tempo para ouvir a opinião da esposa em assuntos relacionados à vida no lar. Mesmo na condição de mantenedor do lar, um líder sensato sempre buscará ouvir a sua esposa nas questões domésticas. Na hora fazer um grande investimento, de comprar ou trocar um terreno, uma casa, um apartamento ou um carro, o líder deve buscar a opinião da sua mulher. Em se tratando da compra de móveis ou eletrodomésticos, ninguém está mais habilitado em saber das reais necessidade do lar do que a esposa, que é quem geralmente lida com o cotidiano das tarefas domésticas. Em boas parte dos casos de aquisições mal feitas, o desejo do marido é o de fazer uma surpresa. Acontece, que a surpresa pode acabar sendo desagradável aos olhos da esposa.

- Líderes precisam dedicar tempo para ouvir a opinião da esposa em assuntos relacionados à vida pessoal. Os líderes estão cada vez mais envolvidos com o trabalho, o que leva a falta de tempo para pensarem e cuidarem de si próprios. Uma esposa zelosa, ao observar que o marido está "esticando demais a corda", buscará a oportunidade para lhe aconselhar no sentido de que ele tenha cuidado com o excesso da carga de trabalho. Uma outra área pessoal onde os líderes pecam por não ouvir a esposa é a financeira. Há muitos maridos endividados, pendurados, "quebrados" e em grande dificuldade financeira por não ouvir a sua esposa. Há esposas que não sabem quanto o seu marido ganha, ou pior, quanto devem na "praça". Além disso, assim como a esposa de Naamã, uma esposa amorosa e cuidadosa se preocupará também com a saúde do marido. No caso de Naamã, temos alguém enfermo, que precisa de tratamento urgente. Percebendo a possibilidade da cura de seu esposo, e sabendo que tinha um marido que lhe dava ouvidos, ela não perdeu tempo. Na condição de bom ouvinte, Naamã buscou logo em providenciar os meios necessários para possibilitar o seu tratamento. Diferente de Naamã, há líderes na atualidade que além de não terem tempo para ouvir a esposa em assuntos relacionados a sua vida pessoal, quando a escuta, não age imediatamente, e fica protelando o tratamento urgente e necessário.

NAAMÃ SABIA OUVIR O SEU REI
"Então, foi Naamã e disse ao seu senhor: Assim e assim falou a jovem que é da terra de Israel. Respondeu o rei da Síria: Vai, anda, e enviarei uma carta ao rei de Israel. Ele partiu e levou consigo dez talentos de prata, seis mil siclos de ouro e dez vestes festivais." (2 Rs 5.4-5)

Naamã não abusava do grande conceito que tinha diante de seu rei. Aliás, um grande conceito para com quem está investido de autoridade sobre nós não se conquista apenas com uma notória habilidade ou qualificação na realização de coisas. Conquistar e preservar a confiança contribui para melhorar o nosso conceito diante daqueles a quem temos de prestar contas. Em vez de partir imediatamente para Israel em busca de sua cura, Naamã foi relatar o fato ao seu senhor. Foi ouvi-lo.
Tenho observado que há muitos líderes achando que não precisam mais prestar contas a ninguém. Cresceram demais. Conheço casos de pastores auxiliares e outros obreiros que se ausentam de suas cidades ou estados sem que o seu pastor presidente ou líder imediato tome conhecimento. Vão passear, atender agendas, fazer visitas, cuidar de um problema de saúde, e não se preocupam ou se interessam em comunicar tal fato. Nesse grupo se enquadram alguns pregadores (ou conferencistas), que no anseio de ganhar projeção local, regional, nacional ou internacional, não consideram as necessidades e responsabilidades do trabalho local, firmando agendas e compromissos sem a devida aprovação ou conhecimento do seu pastor. Se você sente uma chamada para um ministério itinerante, compartilhe isso com o seu pastor, e acima de tudo, ouça-o com atenção, atendendo o seu conselho.
Uma outra área onde os líderes devem buscar orientação é no cotidiano do trabalho. Desejosos em "mostrar serviço", alguns líderes tomam decisões em questões delicadas sem consultar os seus líderes imediatos. Quando compartilhamos as decisões com os mais experientes e experimentados, temos com isso a oportunidade de errarmos menos.
Naamã foi ouvir o seu líder. Soube honrar e foi honrado. Saiu com uma carta de recomendação nas mãos e partiu para o seu destino. A submissão nos torna recomendáveis.

NAAMÃ SABIA OUVIR OS SEUS OFICIAIS
"Naamã, porém, muito se indignou e se foi, dizendo: Pensava eu que ele sairia a ter comigo, pôr-se-ia de pé, invocaria o nome do SENHOR, seu Deus, moveria a mão sobre o lugar da lepra e restauraria o leproso. Não são, porventura, Abana e Farfar, rios de Damasco, melhores do que todas as águas de Israel? Não poderia eu lavar-me neles e ficar limpo? E voltou-se e se foi com indignação. Então, se chegaram a ele os seus oficiais e lhe disseram: Meu pai, se te houvesse dito o profeta alguma coisa difícil, acaso, não a farias? Quanto mais, já que apenas te disse: Lava-te e ficarás limpo. Então, desceu e mergulhou no Jordão sete vezes, consoante a palavra do homem de Deus; e a sua carne se tornou como a carne de uma criança, e ficou limpo." (2 Rs 5.11-14)

As coisas não saíram exatamente como planejadas por Naamã. Esperando talvez um tratamento mais "adequado", indignou-se ao ponto de querer abrir mão da cura de sua enfermidade. É nesse exato momento que os seus oficiais (ou assessores) interferem com um conselho.
Há pelo menos dois tipos de oficiais auxiliares ou assessores: Os cooperadores e os bajuladores. Os cooperadores são aqueles cuja atividades e conselhos agregam valor e ajudam o seu líder. Com muita sabedoria e respeito, sempre que observam o líder agindo de maneira equivocada procuram convencê-lo a mudar o curso da ação, mesmo correndo o risco de não serem bem compreendidos. Já os bajuladores, concordam com todas as palavras e ações de seus líderes. Nunca omitem opinião contrária com receio de perderem prestígio ou posição. Não agregam valor algum.
Aqui, Naamã nos deixa dois grandes exemplos. O primeiro, é que devemos nos cercar sempre de bons auxiliares e assessores. Há líderes que fazem questão de ter ao seu lado apenas bajuladores. Dessa forma, ninguém lhes contesta, nem se sentem ameaçados por ninguém. São líderes fracos e inseguros. A qualidade e o perfil de um líder pode ser percebida pela qualidade e perfil de seus auxiliares e assessores.
O segundo exemplo que Naamã nos deixa é com respeito a humildade em ouvir os seus oficiais auxiliares (ou assessores). Há líderes que não escutam os bons conselhos de seus auxiliares e assessores. Não basta se cercar de gente que pode agregar valor. É preciso saber ouvi-los. Há lideres que fingem ouvir. Convocam reuniões para ouvir os seus oficiais auxiliares, mas já tem posição firmada e irredutível sobre as questões que serão discutidas. Fazem de conta que são bons ouvintes, mas não são. Fingem estar abertos para opiniões, quando na verdade estão fechados em suas próprias obstinações. Demonstram um estilo de liderança participativa, mas na realidade são ditadores camuflados.
O habilidoso líder e bom ouvinte Naamã alcançou os seus objetivos. Foi curado (2 Rs 5.14). Quais são os teus atuais objetivos ou desafios? Quais são os planos para alcançá-los ou superá-los? Você já procurou ouvir as pessoas que lhe cercam sobre o assunto?
Saber ouvir é uma grande qualidade e necessidade na vida de um líder. Saber ouvir é condição indispensável para o sucesso na liderança.

terça-feira, 6 de setembro de 2011

Executar o planejado. Eis o desafio

Alexandre Freire


Normalmente, falamos em planejamento estratégico, administração estratégica, Balanced Score Card e tudo que possamos utilizar que nos ajude a criar a estratégia certa. A questão é: não basta ter a estratégia certa. A menos que as grandes idéias sejam traduzidas em passos concretos de ação, a estratégia será inútil.
Quando olhamos para o ano que passou, e identificamos os maus resultados, as pessoas tendem a culpar a estratégia.
Cuidado! O problema pode estar na execução. Para fazer acontecer, significa, antes de tudo, atentar para alguns pontos:
1. Buscar comprometimento interno;
2. Ter as pessoas certas nos lugares certos;
3. Recompensar quem faz;
4. Ter disciplina.

Primeiro ponto - Para fazer acontecer, o plano estratégico da empresa deve ser elaborado e pertencer àqueles que vão executá-lo, isto é, o pessoal de linha. Afinal, eles estão na ponta, conhecem o ambiente e as habilidades da empresa. Eles estão no centro das operações e do mercado.
Um bom processo de planejamento é uma das melhores formas de ensinar seu pessoal sobre executar e de comprometê-los com a execução.

Segundo ponto - Para fazer acontecer, precisa de pessoas certas nos lugares certos. O erro principal é cometido quando nos cercamos de pessoas chamadas "gente boa", aquelas que sempre concordam conosco, pensam exatamente como nós e seguem nosso modelo de agir corretamente.
As pessoas certas são aquelas que desafiam, de maneira positiva, os processos, o "modus operandis" e são melhores que nós mesmos em determinadas áreas. Os lugares certos, serão determinados pela sua capacidade de desvendar as competências e atitudes de cada pessoa em relação às necessidades de cada estratégia a ser executada.

Terceiro ponto - Recompensar quem faz. Parece óbvio, mas não é. Muitos de nós não distinguimos entre aqueles que atingem resultados dos que não atingem, ou seja, os que fazem acontecer e os que não fazem. Falta firmeza emocional de nossa parte para recompensar somente os primeiros.
Mantemos os que são apenas razoáveis, recompensando todos da mesma forma. Assim, não criamos uma cultura de execução.

Último ponto - Ter disciplina. Disciplina para levar adiante o que foi decidido no plano, ser realista com todos, mesmo que isto doa, terminar aquilo que se iniciou, e rediscutir aquilo que possa ter mudado por forças externas à empresa. Quantas empresas literalmente "engavetam" os planos estratégicos ao menor sinal de mudanças no ambiente externo ou interno da empresa. Falta rigor, coragem e convicção a elas!
Enfim, fazer acontecer, é parte da estratégia, não uma função isolada da gestão de empresas. Faça a seguinte pergunta a você mesmo? Na minha empresa, o problema está na estratégia ou na execução? Pense nisto...

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quarta-feira, 24 de agosto de 2011

Liderança e hipocrisia

De escriba, fariseu e louco, todo mundo tem um pouco. Talvez, por isso, em seu último discurso público, Jesus tenha proferido os oito "ais" contra os falsos religiosos. A expressão "ai de vós" tem tanto um sentido de denúncia, quanto de tristeza do coração do Senhor. Tanto é expressão de advertência, quanto de dor. Tanto aponta o inevitável juízo que trazem sobre si aqueles que vivem a falsa religião, quanto revela o dano causado sobre os que os seguem. Cristo traz importante posicionamento contra a mentira, hipocrisia e falsidade. Assim, vejamos:
Ai dos que pregam a salvação por obras (23.13) - o sistema farisaico baseado em centenas de leis tornava impossível ao povo cumprir a "vontade" divina, fechando as portas de acesso a Deus. Só a graça de Deus estabelecida em Cristo abre a porta de acesso ao reino. Qualquer pregação que busca a justiça própria no cumprimento da lei recebe um "ai" de Cristo.
Ai dos que comercializam a fé (23.14) - essas autoridades religiosas cobravam tributos pesados de viúvas, ou reivindicavam parte em sua herança, tudo em nome das "longas orações". Todo o tipo de serviço religioso que cobra por seu favor e dons recebe um "ai" de Cristo.
Ai dos que buscam seguidores de si mesmos (23.15) - ao invés de conduzir a Deus, os judaizantes arrebanhavam seguidores e prosélitos da instituição, adeptos e partidários de seus próprios interesses. Todo aquele que prega sua instituição, denominação ou sua própria liderança acima de Deus recebe um "ai" de Cristo.
Ai dos que fazem falsos juramentos (23.16-22) - ao invés de ensinar o princípio de cumprir o que se promete, os fariseus encontraram uma fórmula de capacitar o povo a jurar sem a intenção de manter a palavra. Todo aquele que vive enganando disfarçando-se na pele de honestidade recebe um "ai" de Cristo.
Ai dos que confundem as prioridades (23.23-24) - os escribas e fariseus buscavam cumprir os detalhes da lei, como dizimar sobre a ninharia da hortelã, mas deixavam de lado atitudes essenciais como a justiça, a misericórdia e a fé. Todo aquele que coa o mosquito, mas engole o camelo recebe um "ai" de Cristo.
Ai dos que praticam rituais vazios (23.25-26) - a religiosidade fora reduzida à mera obediência de certos rituais que disfarçavam as atitudes pecaminosas e vergonhosas movidas por ganância e extorsão. Todo aquele que negligencia a busca constante de purificação do coração recebe um "ai" de Cristo.
Ai dos que mantém falsa aparência (23.27-28) - tais religiosos preocupavam-se demasiadamente com a imagem externa de pureza, mesmo que estivesse maculada com a imoralidade de pensamentos e intenções. Todo aquele que vive em pecado e quer manter uma imagem de santo recebe um "ai" de Cristo.
Ai dos que rejeitam os profetas (23.29-34) - os fariseus diziam honrar seus pais na fé, seus líderes profetas, mas a própria morte de Cristo deixaria evidente que isso não passava de mentira. A santidade da presença de Jesus trazia exposição à iniquidade daqueles falsos religiosos. Todo aquele que rejeita os santos e irrepreensíveis que Deus levanta recebe um "ai" de Cristo.
Jesus é cheio de misericórdia, mas também é todo justiça. É pleno em compaixão, mas também é puro e santo. Ele nos aceita como estamos, mas nos ama o suficiente para não nos deixar desse mesmo jeito. Somos salvos somente por sua graça, e somente por causa dessa graça é que crescemos em santidade. Assim, porque ele está vivo e presente em nossas vidas, podemos ser transformados de escribas e fariseus em verdadeiros discípulos!

quarta-feira, 10 de agosto de 2011

Aparência e obediência

 Armando Altino da Silva Júnior
 

  "E, saindo ele do templo, disse-lhe um dos seus discípulos: Mestre, olha que pedras, e que edifícios!E, respondendo Jesus, disse-lhe: Vês estes grandes edifícios? Não ficará pedra sobre pedra que não seja derrubada." Marcos 13:1-2

Quando olho para esta passagem penso naquelas situações quando chegamos felizes da vida para mostrar algo para alguém e esta pessoa diz " é só isto?" Lembro-me do dia que passei no vestibular e estava todo empolgado, comprei o jornal do dia, recortei a lista com meu nome e fui mostrar para meu pai que disse apenas um: "tá bom". Isto é muito frustrante.
Um dos discípulos chega para Jesus todo empolgado e diz:  " Senhor olha que coisa linda, que construção perfeita, que beleza arquitetônica". Ao que Jesus responde sem rodeios: "Não ficará pedra sobre pedra". Ou seja, é bonito mas vai ao chão. Penso que este discípulo deve ter ficado muito chateado, pois uma construção tão bonita, algo que custou tanto e Jesus não fica nem com dó de dizer isto.
Já percebeu em quantas coisas que nos apegamos tanto, que damos tanto valor, coisas que achamos que vai dar certo, que vai agradar muito ao Senhor, mas para Deus é apenas areia e pedra? São percepções diferentes.
Existem situações em que achamos que tudo está muito bem - por causa da aparência - que está muito certinho e não tem como melhorar, mas o olhar de Deus declara que é necessária a destruição. Às vezes não entendemos isto, aparentemente a visão é boa, é só Deus assinar em baixo dizendo: "tá bonito mesmo" e pronto. Mas, esta aparente beleza que nos empolga tanto, não empolga a Deus.
Tem muita coisa que vemos dentro das igrejas  e que as pessoas dizem: "que maravilhoso, que benção" e para Jesus não passa de barulho e vento, coisas que não possuem alicerce.
É Interessante notar como podemos sair de casa com a meia furada mas não saimos quando nossa camisa está rasgada. Há muitas coisas que enchem os nossos olhos, mas não toca em nada o coração de Deus, "porque o SENHOR não vê como vê o homem, pois o homem vê o que está diante dos olhos".
Deus não se impressiona com a suntuosidade humana, ele prefere corações maduros e obedientes.
A aparência não conta
Nós gostamos de construções, de beleza, de títulos, porque isto nos dá a sensação de aprovação divina, porém "Há um caminho que ao homem parece direito, mas o fim dele são os caminhos da morte." Prov. 14:12. Jesus não se impressiona com aparência ou com a beleza. Davi era o mais feio dos seus irmãos, tanto era assim, que a única coisa que Samuel viu de bonito em Davi depois de olhar bem, foram os olhos.
É fácil identificar aquilo que precisa ser destruído e acertado, quando as coisas não vão bem ou tudo está feio. O problema é quando as coisas estão parecendo bonitas, quando  tudo está certinho e arrumado. O fato é que Deus não quer que vivamos de aparência, Ele olha mais fundo em nossos corações e ainda que tudo superficialmente pareça acertado, Ele pode identificar vasos que precisam voltar para as mãos do Oleiro.

Original em: http://www.institutojetro.com/

Líder: Abra mão dos seus sonhos

Ednilson Correia de Abreu
 

Ao longo do tempo temas e linguagens vão sendo  assimilados no contexto evangélico e alguns destes ganham bastante popularidade. Um destes termos que percebo ganhou muito espaço através de músicas, escritos e pregações é o tema da busca, realização e conquista de sonhos.
Esta é uma linguagem bem atual do vocabulário dito cristão. É muito comum vermos pregadores, cantores e ministros de adoração comovendo o povo com expressões ligadas à conquista, realização ou reconstrução de sonhos.
Esta é uma linguagem bem atraente, afinal quem não tem desejos a serem realizados em sua vida, e ao chamar estes desejos de sonhos e encorajar as pessoas a buscarem-nos tocamos em um ponto bastante sensível do ser, e por isso, via de regra, ocorre uma resposta imediata do povo. Temos de olhar isso tudo com equilíbrio e biblicidade.
A Bíblia nos ensina que a nossa vida só ganha propósito e sentido verdadeiro quando vivida para a glória de Deus (1Co 10.31, Ef 1.11-12 ). Daí  temos um norte a seguir nesta questão. Sonhos de verdade, só são válidos se estes forem gerados por Deus e tiverem como alvo maior a glória do próprio Deus no cumprimento dos seus mais altos desígnios.
Dentro de um contexto contemporâneo onde o evangelho tem sido deturpado pela centralização do homem  e o destronamento de Deus, falar de realização de sonhos como mera realização dos desejos e anseios  meramente humanos, e muitos deles egoístas e materialistas é um grave erro para um verdadeiro cristão e só alimenta e é alimentado por este espírito dessa era antropocêntrica.
A Bíblia nos fala de muitos  homens e mulheres que sonharam, mas sonharam os sonhos de Deus,ou seja,  sonhos que os alinhava com os santos,maravilhosos e extraordinários propósitos do Senhor. Pessoas como Noé, Abraão, Sara, Ana, Ester, Samuel, Elias, Neemias, Esdras, Zorobabel, Isaias, Jeremias, João batista, Paulo, Pedro, João e tantos e tantos outros. Lembramos também de pessoas   como John Stott, Jonathan Edwards, Willian Carey. No Brasil Pr. Krieger, Pr.Miranda Pinto e sua esposa irmã Tabita kraule, Pr. David Gomes e mais e mais sonhadores de Deus.
Deus tem prazer em gerar sonhos nos corações dos seus amados servos, mas para isso ocorrer precisamos muitas vezes abrir mão de nossos sonhos e receber os sonhos de Deus de verdade. A Bíblia diz: "Jesus dizia a todos: "Se alguém quiser acompanhar-me, negue-se a si mesmo, tome diariamente a sua cruz e siga-me." Lucas 9.23
Ai sim estaremos no caminho Bíblico de viver para a glória daquele que é digno de  todo o nosso ser.
Ao vivermos focados e centrados em nós mesmos buscaremos apenas os nossos próprios sonhos. Centrados em Deus, os sonhos de Deus haverão de ser nossos também e assim irão direcionar as nossas vidas e fazer de nós pessoas plenas e felizes, porque abrimos mãos de sonhos vãos, vazios, egoístas, enganosos e até pecaminosos e receberemos sonhos grandiosos, maiores do que nós, sobrenaturais até, porque são sonhos de Deus. Portanto, abra mão de seus sonhos, busque os sonhos de Deus para você. Ai está a felicidade.

Reprodução Autorizada desde que mantida a integridade dos textos, mencionado o autor e o site http://www.institutojetro.com/

quarta-feira, 27 de julho de 2011

Investindo seus recursos

Enoque Caló

Baseado em João 6:1-14

Na primeira multiplicação dos pães, registrada no evangelho de João, podemos tirar algumas lições preciosas para nossa vida. Especialmente sobre o nosso modelo de gestão sobre as provisões que foram geradas por Deus e a difícil tarefa de distinguir as sementes dos pães e investir em um ministério transparente.
Este relato traz o registro do garoto que estava em meio à grande multidão. Estudiosos calculam que eram cerca de doze mil pessoas, e um garoto foi encontrado com provisão. Portanto, além de poder ouvir os sermões, os ensinamentos de Cristo, na hora do lanche, na hora do descanso, ele teria sua provisão para alimentar sua fome fisiológica.

Vamos à lições que podemos ressaltar:

1º) Finanças era um assunto tratado de forma transparente

Cristo, com ministério completo e perceptível as necessidades alheias, abriu mão do seu descanso para poder resolver um problema corporativo.
Ao chamar um dos seus discípulos, provavelmente o segundo homem das finanças, este aplicou o princípio da transparência, expressando quanto de numerário eles tinham em caixa para aquela situação emergente. Esta parte é importante pontuar.
O dinheiro não estava concentrado somente em uma pessoa. Cristo delegou a gestão financeira a terceiro. Para os discípulos saberem que tinham um garoto com provisão eles tinham que andar no meio deles, comungar e desenvolver diálogo.
Deve se evitar cuidar de pessoas e de cifras e normalmente quem tem esta dupla tarefa corre o risco de ficar dividido entre almas e cifras monetárias ou então atribuir valores ao cuidado da alma mediante o quanto esta representa financeiramente ao seu ministério.
O garoto era uma pessoa cuidadosa em relação a sua provisão e o ministério de Cristo usava do princípio da publicidade. Tornar público os valores monetários que seu ministério dispunha. Será que por isto que tantas mulheres da classe alta e média da época eram investidoras do seu ministério?
Cristo não tinha necessidade de saber quanto dinheiro restava em caixa, até porque Ele demonstraria o poder do seu milagre diante de tantas pessoas.


2º) Sempre teremos nas mãos sementes e pães

O garoto, citado pelo evangelista João, e somente por ele, tem disposição para colocar sua provisão no ministério de Cristo, e não esqueça que era o "ministério transparente".
Esta história mostra que sempre teremos em nossas mãos semente e pão.
Quando um agricultor passa por dificuldade em sua vida pode correr o risco de querer comer as sementes e quando se come as sementes, acaba-se com o futuro.
O garoto doou tanto os pães como as sementes para o ministério de Cristo, repito, um ministério transparente.
Leia o texto com calma e perceberá que após o milagre sobejaram doze cestos de pães. Perceba que sobejaram somente pães. Desta forma os pães era "a semente" e os peixes eram os "pães".

3º) Organização administrativa do ministério transparente de Jesus

A logística de pedir para que os homens se assentassem também demonstra a organização administrativa do ministério de Cristo.
Milhares de pessoas que poderiam ser tratadas com baciadas, mas o ministério transparente e organizado de Cristo conhecia muito bem os princípios da funcionalidade de Gestão de Pessoas e de forma excelente, faz uso deste princípio.
Sei que diversos sermões já foram ministrados utilizando-se deste texto a fim de estimular as pessoas a doarem seu tudo, a colocar toda provisão em ministérios, mas a observação que queremos deixar é: Aprenda a distinguir suas sementes dos seus pães e questione a transparência do Ministério em que pretende investir.
Se este tiver alguma semelhança com o modelo deixado por Cristo, vá em frente, pois em terra fértil os frutos serão vistos e abençoará de forma especial as pessoas que tem necessidades fisiológicas e espirituais.
Outro detalhe importante desta organização é que o ministério transparente de Cristo usava do princípio da poupança, pois não desperdiçaram a sobra. Tudo que sobrou foi recolhido e guardado para depois ser usado. (sementes).


Original publicado em www.institutojetro.com/

domingo, 3 de julho de 2011

Importância da Liderança Espiritual

Por John Crotts

Duas filas se formaram à entrada da igreja, numa reunião para homens. Uma longa fila permanecia em frente à porta marcada: “Homens que não são os líderes espirituais de suas famílias”. Na outra porta, lia-se: “Homens que são os líderes espirituais de suas famílias”. Somente um homem permaneceu nesta fila. Quando lhe perguntaram qual era o seu grande segredo, ele deu de ombros e respondeu: “Apenas estou onde minha esposa mandou que eu ficasse”.
Há uma necessidade evidente em nossos dias por homens que assumam a liderança espiritual de suas famílias. Ao invés de abraçarem o papel e as responsabilidades que Deus lhes confiou, muitos homens que alegam ser seguidores de Cristo ou são ditadores ou são “moles”. Certamente, muitas expectativas e ideias erradas nublaram a verdade nesta área da vida em família.
O objetivo deste livrete é motivar, equipar e encorajar homens a incrementarem sua liderança espiritual em casa. Primeiramente, vamos tentar resumir a liderança espiritual em seus componentes básicos, para, então, buscar conselhos práticos que implementem as questões mais importantes em sua família.
Todavia, antes de iniciar, temos de considerar a vasta im­portância dos homens tornarem-se líderes de família e crescerem como tais. Observemos quatro fatores que demonstram quão importantes é este tópico.
Primeiro, importa aos homens liderarem suas famílias porque Densos fez líderes. Em 1 Coríntios 11.3 lemos: “Quero, entretanto, que saibais ser Cristo o cabeça de todo homem, e o homem, o cabeça da mulher, e Deus, o cabeça de Cristo”. Esta verdade ecoa em Efésios 5.22-23, que diz: “As mulheres sejam submissas ao seu próprio marido, como ao Senhor; porque o marido é o cabeça da mulher, como também Cristo é o cabeça da igreja, sendo este mesmo o salvador do corpo”.
Você notou que nenhum destes versos ordena que o esposo se torne o cabeça ou líder de sua casa? Deus diz que o esposo é o líder. A única pergunta é se ele é um bom líder ou não! Após uma cerimônia de comissão, um novo oficial no exército é líder por patente, mas a liderança tem de ser estabelecida na prática. Acontece o mesmo nos casamentos! Você alcança o posto após os votos matrimoniais, mas precisa colocar a liderança em prática. Você precisa assumir as responsabilidades do papel estabelecido por Deus para você!
O segundo fator que mostra a importância na questão de homens na liderança dos lares é o efeito “multiplicar”. Se o pai andar com Deus e ensinar sua esposa e seus filhos a amarem a Deus e obedecerem à sua Palavra, esse homem terá uma famí­lia forte. Uma família forte, por sua vez, tem o potencial para influenciar poderosamente tanto a igreja quanto a sociedade.
O Salmo 127.3 chama os filhos de herança e galardão de Deus. Este salmo compara nossos filhos a flechas numa aljava. “Como flechas na mão do guerreiro, assim os filhos da mocidade. Feliz o homem que enche deles a sua aljava: não será envergonhado, quando pleitear com os inimigos à porta” (SI 127.4-5). Enquanto o mundo luta mais e mais contra Deus, um lar cristão resiste na batalha contra a crescente maré de invasão do mundo. Quando “lançamos” nossos filhos, munidos com corações cheios da verdade da Palavra de Deus, eles são como instrumentos para o reino de Cristo.
Você quer influenciar sua igreja e sua cidade para o Senhor Jesus Cristo? Tal influência começa com homens mentalmente fortes e espirituais, cuja liderança se reproduz numa família forte. Famílias fortes formam as bases de uma boa igreja. Por fim, sua cidade inteira sentirá a força espiritual de tão fiel igreja! “Vós sois a luz do mundo. Não se pode esconder a cidade edificada sobre um monte” (Mt 5.14).
Contudo, o efeito “multiplicar” também pode se mover em outra direção. Um pai ditador ou um pai “mole” é de maneira geral, um peso morto que atravanca o progresso espiritual de um lar. Famílias fracas, por sua vez, atrofiam os músculos da igreja. Igrejas aleijadas acabam desgastando a cultura, ao invés de promoverem seu bem. Sua falha como cristão literalmente contribui para o prejuízo espiritual de sua cidade. Por conseguinte, sua liderança espiritual é importante por causa da influência que causa nos outros, para o bem ou para o mal.
Terceiro, a ausência de liderança por parte do marido é a preocupação número um de muitas mulheres cristas. Se você fizesse um levantamento das preocupações das mulheres em cada igreja evangélica de sua cidade, não tenho dúvidas do que estaria no topo da lista ou próximo ao topo. Frequentemente, ao aconselhar casais, os pastores escutam: “Gostaria que meu marido se tornasse o líder espiritual de nossa casa”.
Infelizmente, quando as esposas dizem tal coisa, os homens ouvem algo bem diferente do que elas realmente estão dizendo! Muitos homens presumem que sua esposa espera que eles se tornem a quarta pessoa da Trindade. Muitos homens imaginam que a esposa cristã não ficaria satisfeita com nada menos que o apóstolo Paulo. E devido aos homens saberem que nunca estarão à altura da Trindade ou do apostolado, muitas vezes acabam desistindo e não tentam, de forma alguma, liderar seu lar. Contudo, não podemos nos utilizar disso como pretexto, lembre-se de que somos designados por Deus como líderes de nosso lar; a esposa, com razão, deseja que assumamos esta responsabilidade.
A esposa quer ser liderada por seu marido porque Deus a designou para ser liderada. Embora a mulher em nada seja inferior ao homem. Deus estabeleceu papéis distintos para ambos. Em Gênesis 2.18. Deus relata a origem do matrimônio: “Disse mais o Senhor Deus: Não é bom que o homem esteja só: far-lhe-ei uma auxiliadora que lhe seja idônea”. Deus fez Eva sob medida para ser auxiliadora de Adão.
É possível pendurar quadros na parede usando uma chave inglesa, mas um martelo faz o trabalho muito melhor. Sabemos que ferramentas funcionam melhor quando desempenham a função para a qual foram criadas. Infelizmente, muitas mulheres são obrigadas a tomarem a liderança nas coisas espirituais porque o “Sr. Martelo” está inerte na frente da TV! Por conseguinte, tanto maridos como esposas serão mais bem-sucedidos quando exercerem os papéis que receberam de Deus.
Finalmente, o fato de que o matrimônio representa a imagem de Cristo e da igreja mostra a importância de homens que lideram sua família. Deus diz que os casais, em seu proceder, representam o traço característico de como Jesus Cristo se relaciona com sua igreja. “As mulheres sejam submissas ao seu próprio marido, como ao Senhor: porque o marido é o cabeça da mulher, como também Cristo é o cabeça da igreja, sendo este mesmo salvador do corpo. Como porém, a igreja está sujeita a Cristo, assim também as mulheres sejam em tudo submissas ao seu marido. Maridos, amai vossa mulher, como também Cristo amou a igreja, e a si mesmo se entregou por ela” (Ef 5.22-25).
Você transmite a verdade de Cristo, se lidera sua esposa com amor, sacrifício e abnegação. Porém, se você é um egoísta incapacitado ou um ríspido ditador, está mentindo sobre Jesus diante do mundo que lhe observa. O pastor e escritor Douglas Wilson diz, apropriadamente: “Cada casamento, em cada lugar do mundo, é uma ilustração de Cristo e a igreja. Por causa do pecado e da rebeldia, muitas ilustrações são infamantes mentiras concernentes a Cristo. Mas um marido jamais deixa de falar sobre Cristo e a igreja. Se ele é obediente a Deus, está pregando a verdade: se ele não ama sua esposa, está proferindo apostasia e mentiras — mas. de qualquer forma, ele está sempre falando”.
Quão importante é a sua liderança espiritual? Ainda que não tenha de unir-se à Trindade ou tornar-se um apóstolo. Deus designou você como cristão para esta tarefa desafiadora. A boa noticia e que Deus suprirá graciosamente a Torça e habilidade que você precisa para realizar a tarefa. Deus não promete o carro do ano ou uma casa maior pela qual você possa estar orando, mas esteja certo de que Deus responderá suas preces por auxílio para ser o homem que Ele espera que você seja.
Ao considerar a seriedade de seu papel como homem, olhe para o Senhor Jesus. Ele é o perfeito modelo de liderança espiritual. Não há melhor exemplo de amor, serviço, responsabilidade, santidade e mansidão. Jesus mostra aos homens como serem fortes e temos ao mesmo tempo. Sua morte na cruz e ressurreição são também as razões indispensáveis para olharmos para Ele. Todos nós temos falhado, de muitas maneiras, em viver nosso ilustre chamado como líderes espirituais, mas Jesus é a fonte do perdão e da consciência límpida. Ao começar a entender e praticar os fundamentos da liderança espiritual, mantenha sempre os olhos fitos em Jesus, o líder perfeito.

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Fonte: Homens Fortes, Editora Fiel.
Extraído do site: [ Eleitos de Deus ]